sábado, 26 de novembro de 2016

"Oh! Capitão, meu capitão!"

Uma vez você me disse, caro irmão, que o poeta é rebelde, indomável e inquieto. E é através desse seu olhar que aqui estou para falar um pouquinho sobre a sua obra. Mas, não tem como falar da obra sem reverenciar ao autor. Não tem como falar do Gelson se não tocarmos no sentimento através da poesia. Para quem é ou já foi aluno desse exímio professor, sabe muito bem o que suas aulas proporcionaram e contribuíram em nossas vidas. Para quem não teve esse privilégio ainda poderá sentir e compreender através de seu recente livro: “Bereshit”.

Bom, eu só sei que foi assim... Você caro amigo, sempre extraiu de seus "aluninhos" o que melhor eles trouxeram dentro de si. Habilidade ímpar, a sua, em reconhecer não só as limitações e trabalhá-las mas a de exaltar as qualidades individuais. Maestria e Sabedoria com louvor! Esse momento transpõe barreiras, saberes, ciência, fé, razões e emoções. Naveguemos então, deliberadamente, insanamente, descomprometidamente de rédeas e deveres, mas apenas com o que há de melhor e mais sensível em nós, nos sem limites da travessia poética.

Oh! Capitão, meu capitão!
É assim desde os primeiros momentos em sala, ou melhor ainda, desde as primeiras poesias que descortinavam suas aulas. Fala mansa e enérgica. Vida que brota de sua voz e segue em direção ao coração de seus alunos. (...) Que já deixaram de ser alunos a muito tempo. Nem discípulos também. Somos amigos, somos irmãos, bem assim, desse jeito, que você mesmo sempre nos acolheu.

Oh! Capitão, meu capitão!
Que em seu nobre prosear leva razões para a emoção de nossos corações. Mas também dialoga entre as emoções de cada razão. Correlaciona entre os pensares, os lugares, os altares, entre as profecias, as poesias, as utopias. Correlaciona-se num sentido mais que profundo da palavra entregando-se a cada dia, em cada aula, em cada ato.

Oh! Capitão, meu capitão! Ou, Professor, Educador, Mestre!
Mas, antes de qualquer título que ele mesmo faz questão de não salientá-los, para nós é apenas um menino que se esbanja com a formosura de um rio. Lança flores na correnteza das águas, lança saberes de encontro aos olhares de seus companheiros. Gelson é rio, apaixonado e irreverente. Gelson é ponte, deserto e travessia.

A obra deste irmão não se resume em seu livro. Na verdade sua maior obra é viva e está incutida em cada um que valseou entre os acordes improvisados do maestro. Ela é o seu legado, construído, cultivado e cativado pelas estradas do conhecimento junto aos seus amigos. "Bereshit" é enfim, como sua segunda publicação, a contemplação de toda a sua trajetória. Ela abarca mais do que beleza de palavras e ótimas reflexões, bem mais do que correlações entre os saberes e caminha para muito além do diálogo entre fé e razão. Suas escritas tem profundidade, clareza, reciprocidade, rompimento e convite. Para tanto, basta ousar e sentar-se para um dedo prosa.

Gelson, amigo e professor dedicado à arte de ensinar, um verdadeiro capitão que honra com seus alunos marinheiros e a esses propicia o navegar por dentre as inéditas águas do conhecimento que margeiam este mundão, ora seguindo a correnteza, ora rompendo com o fluxo e desbravando novos horizontes do pensamento. Um educador, de tão eloquente e apaixonado pela vida, se faz menino e aluno frente aos seus educandos.

"Irmão, senta-te aqui comigo!" - Esse é o convite que o nosso querido Gelson nos faz em seu livro.


E assim como escreveu Drummond no poema "Ceia na casa de Simião", o professor sempre fez questão de celebrar conosco esse verso: Deus seja louvado! 



Obrigado: "Oh! Capitão, nosso capitão!"


Lançamento do livro do professor Gelson Neri: "Bereshit, poemas e fragmentos teológicos e filosóficos" - 25/11/16 - Faculdade Católica de Uberlândia
Por: Ailton Domingues de Oliveira
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