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quinta-feira, 19 de junho de 2025

O sentimento que precede o final


Dia 17 de junho de 2025 foi a defesa do meu TCC com o tema "Solidão na Velhice". Foi um trabalho em grupo com 6 pessoas. E nos dias que antecederam a apresentação fiquei imaginando sobre o que esse tema significa para mim, como ele atravessa e, em especial, por toda a minha vida ao lado dos meus avôs e avós. Não apenas isso. Toda a minha infância, adolescência e juventude estive cercado de pais, tios, avôs dos amigos do coral. 

Falar sobre essa fase da vida traz mais que um gostinho de saudade que aperta o peito, traz lembranças de um tempo bem vivido, com tudo o que se tinha direito na época, em especial as amizades intensas e todos os familiares de cada um que compunha o nosso coral.

Lembro também dos cadernos com muitas perguntas que as meninas faziam e repassavam para todos os amigos e amigas responderem. Uma dessas perguntas era "O que você quer ser quando crescer?" Ao ler alguns livros de romance acabei me interessando pela psicologia. Parece que seria o caminho para entender e decifrar a complexidade da mente humana. Lembro também de muitos diálogos com a Jane e com a Riete sobre a psicologia.

Enfim, no pós pandemia, especificamente no início de janeiro de 2022 o Fábio me incentivou a começar a Psicanálise. Comprei alguns livros, fiz cursos, pesquisei e de repente conversei com a coordenadora do curso da psicologia da universidade em que estou. Minha irmã Cinthia foi outra incentivadora. Consegui uma bolsa parcial e encarei. Fato é que a formatura já é no final desse ano. 

Hoje, ao me reencontrar nessa travessia de sonhos, fé e lutas, consigo compreender um pouquinho mais do que sou, do que somos. Nós, somos a nossa história, somos o que pensamos, somos o que vivemos, somos o que construímos e o mais importante talvez, somos o que de fato levamos em nossa essência, o legado daqueles que nos precederam: pais, avos...

Queria dividir esse momento em especial com o grupo do Coral. Muitos amigos, pais, avos já não estão mais entre nós nesse mundo, mas seguem em nossos corações. Parte do que sou, vem desse tempo e por isso aqui estou dividindo um pouquinho desse momento com vocês. 

domingo, 31 de dezembro de 2023

Brevitudes e Brevidades: um novo tempo

 


Sobre a brevitude do tempo, sobre a brevidade da vida, sobre , em especial o que não deu certo. Porque é a partir da experiência do que não deu certo, que construímos nossa base, solidificamos nossas estruturas e nos fortalecemos para a vida. As experiências positivas são sempre colocadas num quadro e mostradas, muitas vezes feito troféu. Já, o que não deu certo, e que precisou ser ressignificado fica no calabouço do nosso íntimo e, vez ou outra, abrimos a porta desse quartinho secreto e revisitamos o passado como quem vê um álbum de fotografias, passando por algumas fotos de maneira rápida e noutras se deleitando, nostalgiando, sentindo a emoção, a dor, a saudade, e o que de fato causou sofrimento. Afinal é um quarto de despejo do nosso íntimo e que vez ou outra requer uma visita, uma limpeza e um esvaziamento. Alguns fardos precisam ser jogados para fora.

Último dia do ano, e lógico que paramos para repensar em alguns passos dados, outros que poderiam ser evitados. Fazemos isso sempre, mas parece que nessa data, final de ano, esse processo é mais intenso e a reflexão alcança um passado mais distante. Somos seres que carrega marcas, histórias, cicatrizes, etc.

Fato é que, fazendo nossa auto análise, sempre nos cobramos mais e mais. Poxa! Poderia ter feito assim ou assado, poderia ter virado à esquerda ao invés da direita, poderia ter parado, respirado e retornado até o ponto inicial e quem sabe recomeçar de forma mais tranquila. Muitas vezes focamos tanto na chegada ao topo da montanha que esquecemos de apreciar a paisagem ao seu redor, em cada volta. Como disse Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas, "A vida se dá é no meio da travessia".  Entre começos, recomeços, partidas e chegadas, é que tudo acontece. De que vale focar tanto no futuro se o presente está passando despercebido, sem vida e sem a devida atenção?

De fato qual o sentido de tudo isso? Qual o sentido em acordar, seguir as rotinas, dia após dia, nos relacionar, objetivar ganhos, lucros e conquistas, se tudo acaba sendo tão passageiro? Voltemos à frase de Guimarães Rosa: a vida se dá... E aproveito para uma frase que ouvi de um grande sábio da vida: "nessa vida, nesse mundo, somos uns pelos outros." Pode até soar como demagogia, e pode ser se assim você sentir. Mas, ao contrário, para mim tem um valor grandioso, pois quem me disse não foi nenhum filósofo renomado, nenhum doutor certificado, foi um simples carpinteiro que me socorreu quando um cano de água estourou. Sendo vizinho, ele não quis me cobrar pelo serviço, fora de hora e em dia de domingo. Mesmo forçando colocar um valor no bolso de sua camisa ele apenas me disse essa frase que, com muito carinho, levo para a vida. Esse é o sentido de tudo.

E é a partir das relações que criamos ao longo dos dias, dos anos e do tempo que aprendemos o valor das coisas simples, como o de uma boa amizade regada de grandes risadas, ou mesmo uma companhia para os momentos de silêncio e solidão. Aprendi muito esse ano, descobri novas aptidões, fiz novas amizades, desfiz algumas que considerei desnecessárias, uma vez a relação é como um barco de dois remos, é impossível navegar pelo mar da vida remando sozinho. Você gira em torno de si mesmo.

Faculdade e academia estão no topo da minha lista de grandes realizações. Considero como essenciais para o meu dia a dia. Estar no ambiente acadêmico é tão prazeroso quanto estar na academia malhando. Conhecemos pessoas, construímos relações, nos identificamos com os gostos alheios, nos afastamos quando não há empatia e, está tudo certo. Existem convergências e divergências e, novamente, está tudo certo. Gostos são gostos, e cada um tem o seu, bem como preferências de pensamentos, de comida, de time, etc. E ainda bem que existem as diferenças na forma de pensar e de ser, pois imagina um mundo inteiro apenas na cor cinza! Que caótico seria! Para além das divergências necessárias, o respeito é tudo. Respeitar o gosto alheio, o espaço e as opções é o que nos move para uma travessia mais completa, serena e em paz.

Se for olhar para o saldo, o meu em particular, penso que foi mais baixo do que alto, mas considerando as relações construídas durante a travessia de 2023, sinto que fui grandemente abençoado. E nesse último dia do ano, deixo aqui os meus sinceros votos de felicidades, paz, sabedoria e amor. Obrigado pelos momentos vividos, pelas palavras deixadas ao longo dos dias, pela presença, pela companhia, pela empatia ou simplesmente pelo "bom dia".

Obrigado amigxs da Performance!
Obrigado amigxs da Psicologia!
Obrigado amigxs das Tardes Leves!
Obrigado amigxs da Vida!
Obrigado meus filhos, sobrinhos, família!

Que venha 2024!

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Resenha: Léo e Croods 2

Vejo a correlação entre assuntos, ou entre abordagens, ou entre ciências como uma verdadeira arte, seja para que se validem diante de suas convergências ou discorram nos contrapostos em suas divergências. Tudo pode se tonar um lixo ou um luxo, um descarte ou uma arte. E isso vai depender única e exclusivamente do olhar despojado de estereótipos mas enriquecido de sensibilidade. É coisa de alma que movimenta a carne.

Sem mergulhar nos detalhes das cenas de ambos os desenhos, deixo isso para quem ainda não assistiu de maneira intensa e que o faça sem ressalvas de ser feliz, tal qual a expectativa de uma criança, me proponho a focar apenas nas mensagens que tocaram de forma simples e profunda. Rubem Alves sempre traz a importância de enxergar o mundo pelo olhar inocente das crianças, que criam seus próprios mundos imaginários, de fantasias e são livres e felizes para realizarem seus maiores sonhos ali em suas brincadeiras. Que assim seja para todas e todos que se permitirem a percorrer esses desenhos.

Croods 2 é extremamente divertido e ressalta sempre, na maioria das cenas, a importância da união, da reciprocidade, do cuidado com os que amamos, e em especial sobre o estar não apenas sempre juntos mas unidos sempre. Para além dessa mensagem, algumas situações de relações entre pessoas e povos diferentes, preconceitos e até discriminação perpassam pela trama animada. Quando a ganância prejudica a natureza, tudo entra em desequilíbrio, o que só é restaurado diante da ajuda mútua, da cumplicidade, do respeito, da amizade e do amor. 

Leo é um lagarto quase octogenário que vive numa espécie de aquário sem água, ao lado de seu amigo tartaruga que também se encontra na terceira idade. Eles são parte integral de uma escola infantil e atualmente estão na sala da turma do quinto ano. Outros pequenos animais ficam em outras salas. Na necessidade da atual professora ser substituída, devido à sua gravidez avançada, uma outra professora, autoritária, com pedagogia arcaica e pouca paciência, assume a turma. Em dado momento, a professora substituta faz com que cada aluno leve um dos animais para sua casa no final de semana. Até então a relação criança e bichos era simplesmente natural. O lagarto foi o primeiro a ser escolhido e levado e é aí que começa toda a trama de fato. A interação do bichinho com as crianças se dá de forma didática, educativa e ele acaba sendo uma espécie de psicólogo para com cada um, inclusive com a própria professora substituta. 

A arte da correlação vem agora, no sentido de me permitir enxergar o quanto é importante e saudável cultivar boas relações que nos permite crescer, evoluir e voar, se preciso. Bons alicerces nos dão segurança para voos cada vez maiores, mais altos. Tudo o que não serve para nos libertar, corre o risco de nos oprimir. E é com essa leveza do olhar da criança que devemos sempre questionar os passos que deveremos dar, bem como nossas escolhas. Nada melhor do que a pureza e a sinceridade infantil para nos ajudar a nortear nosso caminho e nossa existência, para que não seja em vão. Permita-se viver! Permita-se à alegria de viver! Permita-se...

Um dedo de prosa, um cheiro de rosa



Um dedo de prosa
Uma dose de café
Companhia para um silêncio sem destino
Uma gota de água da chuva que cai
Na inocente pétala, no deserto, da rosa 
Que não esconde seus espinhos no pé
Ora indecente, atrai com seu cheiro traquino
A companhia de um olhar que ao seu encontro vai

Rosas e prosas, espinhos ou carinhos
Nem melhor, nem pior
Nem futuro, nem passado
Nem de longe, nem ausente
Na solidão, um abraço pelo caminho
Pra reconectar o que há de melhor
E deixar os excessivos fardos de lado
E agarrar a alma de quem se faz presente

Sem luto pelo que morreu sem ter vivido
Do que plantou ausência não resta nem pó
Eu luto, a batalha, no aqui e no agora
Vivo a esperança no olhar que cativa
Não me importa mais o elo perdido
Nem quantas léguas eu andei só
Não me importa quantas guerras eu vivi lá fora
O que importa é quem está comigo na trincheira da vida

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Resenha - O velho que acordou menino


 

Rubem Alves é sinônimo de leveza, nostalgia, saudade, simplicidade e vida. Nesse livro ele faz uma verdadeira travessia pelas coisas de antigamente, com assuntos de família, fé, brincadeiras de criança, superação, curiosidades e muitos causos ouvidos e recontados. Uma leitura tão fácil quanto saborosa que nos remete a pensar e refletir sobre o quanto podemos ser felizes degustando da companhia dos que amamos. É nesse seio de amor, amizade e companheirismo que as histórias se tecem e se ajuntam ultrapassando gerações. Uma verdadeira colcha de retalhos de histórias vividas e que nos coloca como protagonistas em cada cena descrita.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Resenha - O universo tem uma queda pelos corajosos



Tenho certo receio com livros de auto ajuda porque quase não há nada de novo. Mudam as fórmulas de trocadilhos, alteram alguns verbos e no final a soma dos catetos é simplesmente igual a hipotenuza, e pronto. E ponto! 

Porém, tenho imenso respeito quando alguém tira um tempinho pra escolher um livro e me enviar. Mais carinho e admiração se essa pessoa já leu a obra e identificou frases, pensamentos, pontos importantes que considera me interessar. Dar um livro é dar um pouquinho de si, um pouquinho do que gostou, cativou, sentiu... É dividir o que está além de gestos e palavras.

Nessa obra, dois detalhes importantes a seguir: 
✓ Primeiro, achava que era mais um autor do tipo que surfa as ondas midiáticas com frases de efeito, estratégia muito usada por celebridades do colching (ismo) de impacto. Confesso que me enganei, "Wandy Luz" é escritora e jornalista. Já gostei demais. 
✓ Segundo, o conteúdo traz uma pegada artística, leve, fácil de degustar, devorar e compreender. Há retratos escritos de caminhos já percorridos pela autora e de outras que a precederam. Um verdadeiro resgate de auto estima ao ser humano e um olhar especial e dedicado às mulheres. 

Em suma, as linhas dessa obra são pinturas, versos sem rima, uma verdadeira poesia anunciadora, libertadora e protetora, capaz de dar notas, cores e atitudes transformadoras a quem assim se permitir.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Costuras, tempo e psicologias

Fonte: https://patchworkdasideias.blogspot.com/2011/08/patchwork-de-ideias.html

Chegamos aqui no acaso de uma travessia
Destinos de vidas forjadas na dor, na alegria
Protagonistas das lutas de nossas histórias
Presenças, ausências e sonhos em nossas memórias

Nascemos, crescemos, vivemos mas, nunca a sós
As dores do mundo não poupam a nenhum de nós
Recortes do tempo vivido se tornam retratos
Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Costuras são laços que a vida nos deu de presente 
Sentimentos de cores, tamanhos, formas diferentes
Lá fora perdura o que aqui se viveu de verdade
Assim escrevemos as linhas da nossa amizade

A vida tem ciclos, janelas, portas e passagens
Sentidos, perdidos, vividos com luta e coragem
Daqui ficarão as lembranças, nossas alegrias
Teatros, provas, relações: psicologias 

Aqui nesse mundo que só cultiva aparências
Mais caro e mais raro é quem mostra sua essência
Estamos aqui porque existe um sentido de fato
Somos uns pelos outros, cuidando e sendo cuidado

Enfim, não importa dinheiro, nem crença e origem
Mais certo que o certo é a morte, não escolhe roupagem
A terra é a mesma pra todos que a deitarão
Vivamos a vida, e que a morte não seja em vão

Direitos humanos pra humanos repletos de dor
Com pouco se faz quando a alma carrega o amor
Na luta dos que não tem voz somos resistência,
Esperança e mudança, uma chama de sobrevivência

Nascemos, crescemos, vivemos mas, nunca a sós
As dores do mundo não poupam a nenhum de nós
Recortes do tempo vivido se tornam retratos
Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos





quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Sobrecargas que não me pertencem mais

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Das dores que ficaram pelo caminho 
Da saudade do que não se viveu
Existe um corte temporal que delimita meu papel 
Diante do que era meu herói, amigo e protetor. 
A distância machuca, mas cicatriza 
E a dor vira companhia costumeira 
Até o dia que o analgésico das lágrimas de saudades se torna dispensável.
É bom não precisar recorrer à caixinha dos paliativos. 
Evolução, independência, amadurecimento...
Passado encaixotado num álbum de fotos imaginário
Que só reprisa em minha mente o que poderia ter sido
O que se poderia ter vivido, sentido...
Carrego culpa?
Não mais!
Já busquei meus erros diante de uma relação que não tive relevância.
Já chorei dores de saudade, da falta de uma presença importante.
Mas, olhando essa trajetória
Fica as lacunas na travessia dessa história
Onde a figura jaz perpetuada na memória
De uma infância até muito tranquila 
E dali, só ficaram resquícios
Interstícios de estações
Lacunas de inverno a verões
Versos desconexos sem melodia
Sem outonos, sem a inocente fantasia
O tempo não apenas passou, mas me abraçou
E fui me descarregando das tralhas durante a viagem
Não conseguiria sobreviver com tantos fardos
De uma presença que nunca se fez presente.
O que ficou disso tudo, entre esperas e primaveras
É a visão de que não se paga uma ausência
Recriando versões de uma vida não vivida
Com aqueles em que você se permitiu.
Não fez questão de uma história subtraída
Sem o seu papel.
Importou-se porém em aplacar sua consciência
Recriando versões de uma vida, conosco, não vivida.
E por tal, sem sua benção matinal
Sem sua companhia fundamental
Velejo no mar dos meus dias e da vida 
Entre brisas, tempestades
Horizontes e calmarias
Com sua figura numa longínqua paisagem
Num sonho, num plano em que você não faz parte.
Você divide seu ego num espaço que não me pertence.
Justifica seus erros comigo e conosco
Em gestos paternais com sua então família.
Já não dói
Já não sinto
Já não espero
O milagre da sua presença.
Só não me cobre jamais pela minha despretensiosa ausência.
Essa herança, foi você que testamentou.
Não carrego mais, jamais, a sobrecarga de suas escolhas
Lamento, mas o tempo, ah! o tempo...
Foi meu bandido, mas também meu herói.
Ciclos se encerram, se fecham
Se findam...
O tempo passa
O tempo leva
O tempo lava...

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

quinta-feira, 30 de março de 2023

Até breve, Vôlei - carta


Venho aqui hoje pra deixar um "até breve"! As aulas da faculdade recomeçam semana que vem e aí vai ser complicado participar dos rachas. Mas, se eu puder permanecer aqui no grupo, sempre que tiver uma oportunidade (depois que cuidar dos meus ombros) com certeza eu irei (se não puder, também entendo). A gente chega pelo vôlei mas permanecemos pelos vínculos de amizade que se criam. Além disso, a dinâmica do grupo, as brincadeiras e os assuntos tem um astral positivo.

Aproveito também para agradecer a todxs pela alegria, pela receptividade, pelas brincadeiras e em especial pra quem teve um plus de empatia e humildade na hora dos rachas e soube "falar de boa" quando as levantadas não saiam de acordo. Afinal mais de 16 anos sem entrar em quadra a gente fica enferrujado. E o tempo não perdoa ninguém... O respeito é para com todxs mas, alguns nomes, com certeza, levo com grande carinho e admiração, não pelo nível de vôlei desenvolvido em quadra, mas pela sua "essência" enquanto ser humano, a empatia, o respeito, a paciência, a alegria e a boa energia.

Cheguei aqui através de um amigo da faculdade, o Victor Carvalho e, já que ninguém me tirou, eu fui ficando e contrariando alguns olhares de desaprovação. Com 4.6 no currículo, e contrariando também as restrições do ortopedista que, devido a uma tendinite crônica inicialmente no ombro direito (agora no esquerdo também), havia o risco da lesão se agravar e aí somente cirurgia pra "tentar" resolver, é hora de dar um tempo e tentar amenizar essas "ites" da vida e do tempo. 

Os ombros estão como uma engrenagem de moinho de café que, quando vc gira a manivela, sente o atrito dos grãos sendo moídos. No caso, sinto o atrito das articulações estalando e isso dói muito. Mesmo seguindo a risca todas as outras orientações médicas (musculação, fisioterapia, pilates, antiinflamatórios diversos, gelo,...), o fato de ter insistido no vôlei trouxe uma piora na inflamação. 

Joguei assiduamente até os 28/30 anos mas, devido a diversas mudanças de trabalho, de cidade e na vida, o vôlei acabou ficando de lado. Entrar em quadra novamente (desde setembro/2022), depois de tanto tempo, me fez sentir como uma criança entrando num parque de diversão. Foi ótimo, maravilhoso, uma verdadeira terapia num momento "foda da vida". Claro, tudo isso em especial pelas pessoas que fazem parte do ambiente dos rachas. 

A pandemia deixou sequelas e fez a gente se reinventar e repensar sobre tudo e todxs. Não bastasse, cada pessoa ainda teve que lidar com seus anjos e demônios particulares. Comigo não foi diferente. Mas não cabe falar aqui. Problemas todos temos e quando não damos conta de resolver sozinhos, é necessário correr atrás de ajuda, colocar a cabeça no lugar e se conscientizar de que não temos a resposta nem a solução pra tudo. Família, amigos são muito importantes. Espiritualidade, fé, ciência (medicina) e o esporte, principalmente, estão aí pra nos socorrer. 

Paciência e aceitação, essas são as palavras da minha autorreflexão. Sendo seres limitados e com prazo de validade, uma hora a conta chega para todxs. Nos últimos rachas senti uma piora significativa. Em alguns movimentos a dor é tanta, que chego a perder a força seja pra dar um simples toque na bola. Sacar já me exigia muito e atacar é impossível! Isso gera uma sensação de incapacidade absurda, pois vc sabe o que fazer e como fazer, vc quer fazer, mas está limitado... É foda! 

Vale lembrar também, que muita gente busca diversas alternativas para equilibrar a vida entre os dias de luta e os dias de glória. O vôlei, como todo esporte, é uma das melhores que já conheci e participei. Importante ressaltar que, muito além do jogo em si e da disputa, existem outras prioridades que, as vezes, passam despercebidas: empatia, acolhida, respeito e inclusão sempre. Isso é o esporte. Esse é um dos legados do vôlei. Nem tudo está no fato de ganhar ou perder. Acredito que o tempo pode trazer um pouco mais de leveza para cada um e cada uma em particular.

Bom, desculpem-me pelo textão e desculpas tbm se, por brincadeira ou no calor do momento, disse algo que soou de forma negativa. Tenho 2 filhos, Felipe e Joaquim, e por eles eu me empenho em ser uma pessoa melhor a cada dia, agindo com empatia e respeito com cada pessoa que cruza meu caminho seja no trabalho, na faculdade, na rua ou em quadra. A gente se vê por aí nas esquinas da vida, nos bares, nas lutas ou nas quadras. 

* Não dá pra perder uma boa briga por uma boa causa! Boas prosas sempre me inspiram, geram ótimas ideias, motivações várias e no mínimo me possibilita uma troca de experiência e aprendizagem. Então, me coloco a disposição sempre.

"Nesse mundo somos uns pelos outros." (Essa frase carrego comigo em todos os meus dias. Ouvi de um senhor carpinteiro, que na época era meu vizinho, quando precisei de um serviço seu depois que estourei um cano no quintal com uma enxadada. Ele não quis me cobrar e soltou essa pérola. E assim compartilho com vocês: "somos uns pelos outros.")

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domingo, 26 de fevereiro de 2023

Das Veredas do Grande Sertão para a vida



Enfim, a travessia pelas Veredas do Grande Sertão, de João Guimarães Rosa, chegou ao final. Uma travessia que pude encarar sob várias óticas: teologias do sertão, filosofias do sertão, psicologia do sertão, poesia do sertão... Como o próprio poeta dos sertões resumiu em vários trechos de sua obra, e que é também o slogan desse blog: "O sertão é o sozinho. O sertão é dentro da gente. O sertão está em todo lugar."

O sertão, trazido sob a sensibilidade de Guimarães Rosa, tornou-se um cenário de sonho, fé e luta a céu aberto. Através de suas personagens, sertanejos, jagunços e donzelas, carregados de intensos sentimentos e regionalismo pude perceber a preciosidade geográfica da natureza, ora seca, ora verdejante, bem como os requintes culinários relatados aos detalhes. 

Um verdadeiro clássico, às vezes de compreensão não tão fácil, devido ao dialeto próprio que enreda os habitantes deste Grande Sertão sob o olhar apaixonado de Rosa. Chegar ao final desse romance tão sentimental, quanto sofrido e bruto, foi como romper paradigmas que cercam a imaginação distante de quem não conhece o coração do sertanejo das Gerais. 

Impossível não extrair pensamentos teológicos e filosóficos dessa literatura. Impossível não ver poesia em tanta bruteza de suas personagens. Impossível não cair na tentação de analisar, psicologicamente, a personalidade das personagens e principalmente a inteligência preciosíssima do autor que se debruçou de corpo e alma, tendo como bagagem, meses à fio sob o sol do sertão para extrair o máximo de suas estórias. 

Confesso, tenho essa obra desde os anos de 2001 e tentei começar a leitura por diversas vezes. Em meados de 2016 recomecei de forma mais intensa mas, ainda assim, fui interrompendo propositalmente. As últimas 200 páginas consegui concluir nos últimos 8 dias. Considerei que era o momento de finalizar essa obra, encontrar de fato o seu final e abraçar o fim. Tudo na vida tem um fim... Somos seres findáveis. Mas, o sentimento é eterno, intenso, bem como a memória dos lugares por onde passei durante essa travessia dos "Grandes Sertões". 

"Tu não achas que todo o mundo é doido? Que um só deixa de doido ser é em horas de sentir a completa coragem ou o amor?"

Não dá pra descrever apenas um pensamento. A obra toda é repleta de aforismos que nos cravam a memória feito espinho e lateja a alma de sentimentos corajosos, reverberando em suspiros e sensações a alegria desmedida pelos rompantes certeiros de cada poesia sertaneja lançada desde os amanheceres até a cortina escura da noite abrilhantada pelas estrelas, ora sem nada, ora com a lua. 

"Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo: - Meu amor!..."

Nesse romance, quase que proibido, o amor não era o pecado, mas a falta de coragem de se entregar ao desconhecido do sentimento, com certeza foi a ruína de suas personagens. A angústia exacerbada pela voz de seu protagonista, o ex-jagunço, agora chefe de bando, Riobaldo Tatarana, o urutu-branco, ficou nítida nas lágrimas derramadas em sua trágica despedida. Inocente e culpado. Coragem para as batalhas de arma e sangue mas, e no amor, na afeição ardente, desencorajado pelo desconhecido de seu interior. 

"Ela tinha amor em mim. 
E aquela era a hora do mais tarde. O céu bem abaixando. Narrei ao senhor. No que narrei, o senhor talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim que foi. 
Aqui a estória se acabou. 
Aqui, a estória acabada.
Aqui a estória acaba."

Acredito eu que as reverberações desse romance não se findaram em mim com o término da travessia literária. Todo fim requer um começo. Novos rompantes de pensamentos reverberados em notas poéticas, psico-filo-teológicas podem emergir destes sertões. Mas, por hora, desfecho com essa pérola narrada feito coice na cara do sentimento que teima se calar frente aos desatinos da travessia:

"(...) Ah, o senhor pensa que morte é choro e sofisma - terra funda e ossos quietos... O senhor havia de conceber alguém aurorear de todo amor e morrer como só para um."

"(...) E já parava meio longe aquele pesar, que me quebrantava. Lembro de todos, do dia, da hora. A primeira coisa que eu queria ver, e que me deu prazer, foi a marca dos tempos, numa folhinha de parede. Sosseguei de meu ser. Era feito eu me esperasse debaixo de uma árvore tão fresca. Só que uma coisa, a alguma coisa, faltava em mim. Eu estava um saco cheio de pedras."

"(...) Mas ninguém não pode me impedir de rezar; pode algum? O existir da alma é a reza... Quando estou rezando, estou fora de sujidade, à parte de toda loucura. Ou o acordar da alma é que é?"

"(...) O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia." - Fim.

* Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa - Ed. Nova Fronteira - 36ª ed. RJ - 1986.


"Não vivo pra sempre... minha travessia é intensa, porém, curta. A gente sempre caminha pro fim. " (A.D.O.)

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Quitandas com requintes de Claudete



Nossa mãe tem dessas coisas. Espontaneidade, irreverência, empatia, delicadeza... Ops! Aborta a última missão. Como eu sempre falo, ele é "delicada igual um coice de mula". Se ela gosta tá na cara mas se ela não gosta, tá na cara, na boca, nos zóios, arrepia os cabelos, enfim, o corpo todo sinaliza a desafeição. 

Brincadeiras à parte, quem tá perto sabe que muitas vezes os sorrisos são espontâneos sim, mas também disfarçam os fardos do tempo que se manifestam em dores, cansaços e sentimentos jamais colocados para fora. Ainda assim ela não se abate. Superação é a palavra que define essa muié arretada. Na academia, além das amizades e dos laços carinhosos, já tem até apelido: "Boneca de Ferro". Isso se deve a uma camiseta que ela usou num dia desses e pegou. Já era! 

Bem, hoje quero exaltar essa pessoinha pequena de tamanho, mas grande de coração, de alma e principalmente nas ações. Como toda família, temos sim nossas divergências mas temos muito mais convergências. Eu e minha irmã Cinthia, como filhos, somos testemunhas e fãs dessa mulher, mãe, avó, amiga, parceira, companheira e "delicada". 

Apesar de toda energia que transborda e que mostra seu lado forte, ela é também carregada de sensibilidade e empatia. Gosta de agradar as pessoas que, segundo ela, adquire um carinho especial. E é sobre isso que eu comento aqui. Dia desses, quando retomou os trabalhos de geleia, fez questão de levar uma amostra para os professores da academia. Até aí tudo bem. O que me tocou foi quando ela me disse que queria levar também para a pessoa que cuidava da cozinha e da limpeza.

Não parou aí não. O fundamento foi mais forte que uma simples empatia e ou o fato de lembrar dessa pessoa. "Eu já trabalhei em lugares com muitos funcionários, fazendo café e cuidando da limpeza. Muitas pessoas mostravam respeito e empatia comigo mas, a maioria, sequer dava bom dia. Faço questão de levar para ela, de mostrar que ela está sendo notada e respeitada, independente da função que ela ocupa." 

Onde quer que ela vá, consegue fazer boas amizades, transmitir boas energias. A baixinha enérgica cheia de sorrisos e que dispara "delicadezas" é um orgulho para nós, seus filhos (Ailton e Cinthia) e netos (Felipe, Lara, Manuella, Henrique e Joaquim). O coração é tão grande que as vezes precisamos dar uma freada. Mas pense, não tem como, ela é puro coração, pura essência e quando ela gosta, ela cuida. Essa é a Dona Claudete, a delicada (igual coice de mula!)

Te amamos "béia-doda"!!! 

domingo, 25 de dezembro de 2022

Papo de irmãos: "despojar-se de si"



Véspera de Natal de 2022. E como de costume, tradição, eu e meu compadre Fábio, falávamos ao telefone. Nossa comunicação é constante e é como aquele livro gostoso de se ler ou aquela série que nos prende, não importa se paramos alguns dias de ler ou assistir, quando nos conectamos não existe hiato temporal em nossa amizade. Vale ressaltar que somos compadres por duas vezes, fui seu padrinho de casamento e ele padrinho do meu primogênito Felipe. Entre brincadeiras, zoeiras, palavrões vulgarmente carinhosos de amigos e felicitações, caímos em mais um papo sagrado, mas dessa vez sobre O Sagrado. Como parceiros, amigos, companheiros e irmãos pela vida, outras vidas, noutras épocas pelo tempo dessa estrada, nos reservamos o direito de falar aquilo que percebemos faltando ou sobrando no outro. Sempre achamos o meio certo de expor a nossa percepção, esta que se insurge em nosso íntimo em forma de um cuidado especial. Sempre descobrimos um sentido diferenciado que as vezes só percebemos ao longo dos dias. 

E como irmãos, presente da vida para a vida, o ato de preocupar com o outro nos dá as condições necessárias de chamar a atenção quando necessário pois, elogiar quem a gente gosta é fácil mas, ter coragem de puxar a responsabilidade de cuidar do outro é para poucos. Cuidar implica também ser contra, questionar, chacoalhar no sentido de alertar os prós e contras da inércia em que nos encontramos, seja um engessamento no lugar, seja um movimento desenfreado, ambos com riscos iminentes. 

Entre papos e frases aleatórias que trocávamos, eis que surge um questionamento do meu amigo sobre a minha espiritualidade, o contato direto com o Sagrado sem adentrar o quesito religião, ou seja, religiosidade sem denominação religiosa. A abordagem direta de sua parte foi sobre minha crença em Deus e a possibilidade de dar-me o direito de ausentar-me do mundo e conectar-me com o Sagrado, sem envolvimento com trabalhos, apenas eu e o Divino. 

Suas dúvidas em relação ao meu pensamento sobre tal assunto eram palpáveis, explodiam em seu olhar e se manifestavam em palavras ditas com muito cuidado, carinho e sentimento. Adentrar num terreno desses, um terreno amigo porém alheio, em que se mexe no íntimo do outro, não é pra qualquer um. Mas, nossa amizade tem uma potência que ultrapassa barreiras e isso não abala as estruturas. Ele tinha a necessidade de saber como estava minha vida longe do contato com o Sagrado, que a seu ver, necessita de uma intimidade maior e a sós com o Divino, longe do mundo. Expliquei-lhe que tenho uma conexão com o Sagrado mas de outra forma, na figura de cada próximo que cruza meu caminho e isso está longe das paredes de qualquer instituição religiosa. 

Mas, com toda sensibilidade e respeito, ele me contou de sua experiência e isso foi concreto para mim, Trouxe-me um alento de esperança para uma reconexão com a Vida, o Divino, o Sagrado, Deus. Ele ainda falou algo que, com certeza, poucos entenderão: "precisamos nos reconectar com aquele Deus da Cantizani". Comunidade de Nossa Senhora Aparecida, na vila Cantizani, Piraju-SP, foi o local onde demos nossos primeiros passos dentro da igreja Católica. Missas, catequese, grupo de canto, grupo de adolescentes, grupo de jovens, retiros, encontros, coordenações, teatros, vigílias, serenatas, trabalhos diversos, enfim, muita experiência que é a nossa base para os dias atuais. Entendi então o convite através de sua experiência: resgatar o "eu", ainda certamente inocente para a vida, mas com ânsia de viver, que não se afastava do Sagrado, das raízes, do alicerce... Não podemos esquecer os passos dados dentro da travessia de nossa história.

O que ele me contava era mais que uma história ou experiência, mas um convite a viver algo íntimo, de reconexão com o Sagrado, em que possamos ser apenas o "EU e DEUS", sem pretensões extras em qualquer tipo de envolvimento dentro da comunidade religiosa. E claro que, dentro de nosso momento de pura transcendência num simples diálogo de amigos, percorremos por várias direções do pensamento mas a linha mestra que norteou esse tempo que nos demos um ao outro, foi no intuito mais puro desse meu irmão dividir algo que ele já sabia, poderia ser grandioso para mim também tanto quanto tem sido pra ele. 

O caminho que ele fez para chegar no lugar de onde fala precisou sim se desconectar do mundo, dos afazeres, das atribuições e cargos que ocupa para ser simplesmente ele, aquele menino crescido na Cantizani, com uma fé enraizada na simplicidade e, assim, se reconstruir a partir de experiências da base, do alicerce e do presente. A palavra que, por unanimidade, marcou esse bate papo foi "despojo". Despojar-se de si para adentrar o solo sagrado da pura intimidade e privacidade com Deus. "Ali eu sou apenas o Fábio, da Cantizani, sem pretensões a não ser o de agradecer, rezar, pedir junto a Deus e Nossa Senhora Aparecida", disse meu amigo. 

Apesar de estar sempre me conectando com o Sagrado, Deus, através da intimidade com o próximo que cruza meu caminho, que ao meu ver é um ato concreto de manifestação do Divino, senti na experiência retratada no olhar e no tom de sua voz, do meu querido compadre, algo mais que especial que iam além das palavras. E foi esse sentimento, o do "despojar-se de si", que me fez refletir sobre o meu momento atual e, a partir daí, dessa nossa conversa, senti a necessidade de me permitir experimentar, sem amarras e sem ambições, uma nova forma de viver a experiência do despojo de si para encontrar o Sagrado que habita em mim. 

Papo de irmãos: pra sempre. 








segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Vôlei: acolhida, empatia e respeito



A palavra é "acolhida". Quem chega numa terra estranha, num lugar diferente, num grupo desconhecido, sempre se vê perdido em meio a tantos rostos novos. O clima, o ambiente, as pessoas, tudo é novo. Geralmente cabe a um líder, ou alguém de mais empatia e sensibilidade quebrar o gelo e dar as boas vindas. 

Empatia, é dar o respeito merecido ao ser humano que chega ou que parte. Um mínimo de olhar para com quem se achega ao ambiente, ao grupo. É isso que geralmente falta em muitas denominações religiosas. 

A partir da teologia, posso dizer que já estive em diversos meios cristãos: linhas de frente, bastidores, grupos de massa (aqueles que querem te converter pela emoção forçada e forjada), e os grupos de base (os quais sempre centraram minha travessia e ajudaram a alicerçar o meu senso-crítico). 

Através da psicologia, venho me atentando, interiormente, esforçando para ter um olhar de acolhida, respeito, empatia, aceitando o diferente que me ajuda desconstruir e reconstruir-me cada vez mais humano.

Enquanto pessoa, luto para ser voz diante de tantas vozes sem vez, fazendo a minha parte num mundo hipócrita que cobra justiça e torce pela guerra. A luta é contra as máscaras-maquiadas que se matam pelo poder, sejam elas religiosas ou políticas. 

Através da poesia, eu me permito sonhar, ter fé, e coragem de lutar. Ela me conecta com as ciências, me  permite a transcendência entre os universos do sonho e da realidade. A poesia me faz ver a justiça em pé de igualdade, é arma de amor contra o ódio estipulado pelas religiões de poder. Ela anuncia, denuncia, ama, abraça, e acolhe as minorias. É a conexão entre ciência, fé, sonho, realidade, amor, coragem, luta e perseverança. 

Trago comigo um álbum de recortes de sorrisos, olhares de empatia, palavras de acolhida, alegria, determinação, em meio a gritos de vitória em cada passe que permite um bom ataque. 

Poesia e esporte, mais uma base que alicerça minha caminhada. Não foi fácil chegar até aqui. Em vários momentos eu me vi parando em qualquer estação da vida, e me encostando sob uma sombra qualquer à espera do tempo e do fim... Mas, não era pra ser assim. E não foi! 

Entre lágrimas de desespero, e abraços de coragem, cá estou. Um sobrevivente de lutas invisíveis, de sofrimentos palpáveis como a de qualquer outra pessoa. Vi muita gente abdicar de sua existência por não se enquadrar em nenhum modelo ou padrão social. Porque pra você existir, ser reconhecido, precisa fazer parte de regras arcaicas as quais os hipócritas julgam ser morais e de bons costumes. Querem nos enquadrar naquilo que os donos do poder consideram como normal e são. 

Não quero ser normal pra me enquadrar. Prefiro a insanidade de quem pensa por si só. Um maluco beleza e pronto. Só quero ter a liberdade de escolher o meu próprio padrão. Não quero seguir modas. Quero só o tempo para viver ao lado das pessoas que me fazem bem, que eu gosto, que eu amo, e juntos praticarmos seja a teologia, seja a psicologia, seja a poesia, seja o esporte, seja um mix temperado com muita alegria, respeito e amor. 

É isso. Voltar ao vôlei me trouxe vida, sobrevida de um tempo difícil. Encontrar pessoas alegres, que deixam suas armaduras de lado quando entram em quadra me fez olhar ainda mais a fundo o ser humano. É possível fazer a diferença com poucas coisas, em pequenos gestos. É sobre isso: acolhida, empatia, respeito. E são essas as palavras que me trouxeram até aqui para agradecer a cada um e cada uma que pisa nessa quadra. 

By 
Vôlei Roosevelt
Vôlei Corujinha

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Carta para minha irmã - Parte 1 do infinito



Eu não sei o que dizer
Porque nunca aprendi a dizer adeus
Cultivar a proximidade é o que eu aprendi a fazer
Não significa não saber cortar o cordão
Está além disso
Eu não seria eu se não te apoiasse
Mas também não seria eu pra deixar de te dizer "não vá"
Meu coração bate assim, pulsando pra que você não vá
Para que vocês não vão
Porque metade da minha vida aqui é vocês
Meus sobrinhos... 
Ainda não assimilei
Ver vocês crescendo e conquistando as coisas aqui
É motivo de muita satisfação e orgulho
Sabe que isso é de coração
Porque eu sempre te quis o melhor
E sou orgulhoso de você e por vocês
O meu lugar de fala sempre se manterá assim
No cuidar de perto
E cuidar, na maioria das vezes, é só estar perto
Mesmo sem precisar falar, nem ouvir, nem ver
Apenas saber que está ali
Penso que nunca quis sair do lugar, do meu lugar
Não queria sair de Piraju, mas me vi obrigado
Foi necessário
Tive meus arrependimentos
Mas tenho também meus motivos pra sorrir diante da escolha
Hoje é só o começo de uma longa jornada até a partida
Ou melhor, até a despedida...
"A vida se dá é no meio da travessia"
Nunca se esqueça disso
O melhor da vida não é apenas a festa, a conquista, o topo...
Toda a vivência e experiência adquirida nessa travessia
Faz parte, e temos que aproveitar ao máximo
Eu sempre estarei aqui
Eu apenas não sei o que dizer...
Minha eterna "Companheira"

domingo, 14 de agosto de 2022

"A alegria que me dá, isso vai sem eu dizer"



Das coisas boas dessa vida
Não gosto de passar vontade
Um café com prosa dividido
Com pessoas de verdade
Gosto da brincadeira de aventura, uma leitura
E no café um pedacinho de rapadura
Sou fã das coisas simples
Feitas com amor e intensidade
Arroz e ovo são banquetes
Que dispensam aparências e vaidades
Das minhas preferências
Sempre foco na essência
E dispenso a frieza das aparências
Mas se tem algo que me realiza
Que sempre carreguei 
Pra onde quer que a alma vai
É a alegria que me causa
Essa certeza de que nasci para ser Pai




sexta-feira, 12 de agosto de 2022

ALUVIVARES



"O caminho se faz" (Hilário Dick). 
"A vida se dá é no meio da travessia" (Guimarães Rosa). 
"No meio do caminho havia uma pedra" (Carlos Drummond de Andrade).

Pensando e atentando para os acontecimentos aqui no grupo cheguei à conclusão de que o fracasso foi meu, e também foi nosso. Desde ontem a noite fiquei refletindo sobre a situação. Depois de uma auto-culpa (coletiva também), fiquei feliz com os desfechos. Algumas coisas que acontecem servem como alerta. Diante da nossa escolha pela "psicologia", ou também (e por quê não?), da psicologia por nós, pois acredito que há um chamado, uma conexão, algo maior que nos motivou para esse caminho, o simples fato de uma divergência entre as opiniões alheias não nos revela imaturidade. Mas a forma com que vamos lidar com isso vai dizer muito sobre cada um e sobre o nosso amadurecimento em grupo.

Eu, Ailton, desde os primeiros dias de aula, ainda online, fui me atentando para as pessoas que se destacavam nas participações de forma ímpar e não por mero "aparecimento". Diante dos trabalhos foi-se afunilando a empatia por quem se posicionava de forma comprometida. Tive a oportunidade de estar em outro grupo, mas quis já estar com vocês aqui não apenas para os próximos trabalhos mas também para os períodos seguintes, justamente pelas características do comprometimento, responsabilidade, seriedade e claro empatia e amizade. Afinal, estamos engatinhando enquanto estudantes e chegaremos ao final do curso bem amadurecidos e com uma amizade fortalecida. Eu espero e acredito nisso!

Que bom que somos diferentes! Que bom que as divergências aparecem! E que ótimo que conseguimos nos sensibilizar com o outro e refletir sobre nós mesmos! Novamente, esse é o grupo que gostaria de caminhar para além do último período. Considero aqui nossa primeira experiência de psicologia "clínica". Sinto que aqui, nem sempre a minha opinião será a melhor opção para o grupo, outras melhores surgirão, e eu vou ter que aceitar. Perder alguém do grupo, traz o sentimento de um fracasso "meu". Claro, já tivemos desistência do grupo justamente por falta de "comprometimento", mas não é o caso da situação atual. 

Bom, é aqui, na travessia, que a gente vai aprendendo, fortalecendo, amadurecendo e nos tornando pessoas melhores. Afinal, psicologia exige muito mais do que mero profissionalismo, é necessário respeito, amor-cuidado, empatia, silêncio e voz diante das adversidades, etc... Só sei que estamos juntos e unidos também.

Para meus queridxs psico-amigxs ALUVIVARES®:
Karol
Lu
Renata
Samara
Vanessa
Victor

09/05/22



segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Diálogos sobre a vida



Após analisar a experiência sentida através da série "After Life", resolvi compartilhar os pensamentos com uma grande amiga de longa data. Eis que suas palavras refletem além dos meus próprios pensamentos e aprofundam para além do que se vê a olho nu. São dádivas, pérolas de uma grande pessoa. 

A - (...) Daqui, sigo na mesma, sem novidades... Cansado de tudo... Vontade descer na primeira estação, antes do fim...

M.A. - Eu estou bem, sobrevivendo como todo mundo. Realmente o mundo e principalmente as pessoas estão muito chatas. Vontade de ir embora. Não pense que é só você, a maioria das pessoas estão assim. Só notícia triste, só desgraça. Parece que as pessoas estão mostrando o pior de si. Mas fique tranquilo e se mantenha firme, porque tudo isso estava no script. Estamos (o planeta) passando por um processo de depuração, portanto é só uma fase, logo passa. Lembre-se que por mais maluco que tudo pareça, DEUS ESTÁ NO CONTROLE DE TUDO! O seu sentido não é solitário, muita gente sentindo isso. Só os alienados é que ainda acham que a vida é um grande barato.

A - Foda, viu! Vou te mandar a minha percepção sobre essa série, e que ,e fez refletir ainda mais. A série é ótima. Já gostei desde o primeiro capítulo. Um viúvo que perdeu o sentido da vida desde que sua esposa faleceu por conta do câncer. Ele faz auto-questionamentos e não se importa mais em falar o que pensa. Drama e comédia que se misturam. Vale a pena! Do riso às lágrimas e vice versa. Acho que me vi muito nessa série. Penso que vamos nos lapidando com, as experiências ao mesmo tempo que podemos nos embrutecer com as perdas pelo caminho... Amando isso!!! Acho que eu encontro sentido na minha vida quando consigo expressar meu sentimento, cuidados... Porque não existe outra razão pra viver que não seja a de se doar por quem a gente ama... Primeiro a gente brinca e cresce. Estuda, sonha e cresce. Trabalha, faz planos e cresce. E quando se dá conta de que não precisa de nada, é porque toda experiência só serve para te fazer melhor, mais sensível, mais humano... E assim, te possibilitar a cuidar dos seus, daqueles que você ama... Mesmo que seja a distância...

M.A. - Poderia sentar e conversar sobre tudo isso com você por horas e horas. Verdadeiras descobertas sobre não que somos, mas o que vamos nos tornando ao longo do caminho, porque a gente não para, vive, aprende, evolui e cresce. O mundo tá chato, as pessoas nem se fala, tem horas que dá vontade de sumir da "civilização", ir pra onde não tenha gente. Tá difícil. Ando muito em casa, comigo mesma, e isso tem me feito muito bem. Aprendi nos últimos anos que sou a pessoa mais importante da minha vida. Sempre me doei demais nas minhas relações de amizade, família e relacionamentos e acabava esquecendo de mim. Então hoje estou cuidando de mim, me nutrindo, fazendo o que e quando me agrada. Sempre achei que era egoísmo pensar em si primeiro, mas hoje percebo que trata-se de amor próprio. Também estou me desvendando, muita coisa ruiu de 2020 e acabou me trazendo muitas verdades sobre amizades principalmente e sobre mim mesma. Fico triste pelo tempo e energia que desperdicei, amizades longas, de anos, só decepção, mas descobri que nada, mas absolutamente nada do que você doa é em vão, porque de um jeito ou de outro, por meio de uma pessoa ou de outra, você recebe TUDO aquilo de doou. Sabe aquela frase que você vê em obras, "Desculpe o transtorno estamos em reforma", é bem isso, estou em reforma e em constante construção.

Mª Amélia é uma amiga de longa data a qual admiro, respeito e tenho enorme carinho. Faz muitos anos que não nos vemos, pelo menos uns 10 anos, mas nem tempo e nem distância nos impossibilitam de cultivar nossa amizade. Com sua autorização resolvi publicar nosso diálogo. Senti que sempre há uma entrega de verdades e pensamentos quando conseguimos ter um tempinho para trocar experiências. Suas palavras, Amélia, reverberam de forma profunda trazendo a essência da vida para o acalento da alma. Obrigado por sua partilha!

sábado, 9 de abril de 2022

Crítica: "Um sonho de liberdade"

O filme é um drama que conta a história do bancário Andy Dufresne acusado e condenado a duas prisões perpétuas pelo assassinato de sua esposa e do amante dela em 1946. Na Penitenciária Estadual de Shawshank, aonde cumpre pena, torna-se amigo do detento Red, que é conhecido por conseguir quase tudo que os presos precisam. 
 
A amizade entre Andy e Red e a esperança são fatores importantes para sua sobrevivência durante os 19 anos que passou na prisão. Nesse tempo de reclusão ele sofre brutalidades e abusos, se adapta, ajuda outros detentos, os carcereiros, os guardas e até mesmo Norton, o diretor do presídio. Por conta de sua inteligência, a experiência como banqueiro, Andy se torna importante para os planos do diretor em lavar dinheiro adquirido de forma ilícita, usando o pseudônimo de Randall Stephens. Em troca, o diretor concedia-lhe alguns benefícios e o poupava do trabalho na lavanderia.
 
Brooks, que tomava conta da biblioteca, era o preso mais velho. Em 1954, após cumprir 50 anos de sua pena ele é libertado, porém não consegue se adaptar à vida fora de Shawshank e comete suicídio. 
 
Em 1965 chega à penitenciária Tommy Williams, preso por roubo. Andy e Red tornam-se amigos dele. Numa conversa Tommy conta a Andy que esteve detido em outra prisão com um cara que se gabava por ter matado um jogador de golfe famoso e sua amante, sendo que quem foi condenado foi o marido da mulher. Andy leva a informação ao diretor que se recusa a ajuda-lo. Furioso, Dufresne o interpela mas o diretor é irredutível e o manda para a solitária por 2 meses. Nesse tempo Norton arma uma cilada e mata o jovem Tommy. A partir desse evento, Andy se prepara para mudar o rumo de sua vida.
 
Alguns dias depois de cumprir 2 meses de estadia na solitária, durante a contagem dos presos pela manhã os guardas notaram que a cela de Andy estava vazia. Norton questiona os carcereiros, os guardas e Red mas ninguém sabia explicar o desaparecimento de Dufresne. Irritado, o diretor arremessa uma pedra num pôster pendurado na parede da cela e então percebe um túnel escavado com o martelo de geólogo conseguido por Red logo nos primeiros meses de Andy na Penitenciária.

Enquanto os guardas realizam sua busca, Andy se faz passar por Randall Stephens e visita vários bancos para retirar o dinheiro lavado, em seguida envia o livro de contas para um jornal local como prova da corrupção em Shawshank. A polícia chega na penitenciária e prende Hadley, o guarda chefe, enquanto Norton comete suicídio antes de ser pego.


Red é libertado depois de ficar quarenta anos preso. Ele luta para se adaptar à vida de homem livre e teme que nunca conseguirá totalmente. Ele lembra de sua promessa feita a Andy e visita Buxton, encontrando uma pequena caixa com dinheiro e uma carta pedindo para que vá até Zihuatanejo. Red viola sua condicional e viaja até Fort Hancock, Texas, para cruzar a fronteira com o México, admitindo que finalmente sente esperança. Nas praias de Zihuatanejo, Andy e Red se reencontram.

O filme é um clássico dos cinemas. Vale a pena assistir mais de uma vez. Como não poderia faltar, anotei algumas frases célebres, reflexivas, poeticamente carregadas de esperança e verdades. 

"Esses muros são estranhos. 
No começo você odeia, 
depois se acostuma. 
E, depois de muito tempo 
você fica dependente. 
Isso é que é institucionalização." 
(Red)

"Lá fora eu era um homem honesto. 
Tive que vir para a prisão 
para virar um bandido." 
(Andy)

"Todo homem tem seu limite." 
(Red)

"Alguns pássaros 
não são feitos para gaiola." 
(Andy)

"Há uma dura realidade 
a ser encarada: 
não há como sobreviver 
do lado de fora." 
(Red)

"A esperança 
é uma coisa boa, 
talvez a melhor de todas. 
E nada que é bom 
pode morrer." 
(Carta para Red)

"Estou tão emocionado que mal consigo ficar sentado e ter um pensamento fixo na mente. Acho que é a emoção que só um homem livre poder sentir. Um homem livre no início de uma longa viagem cuja conclusão é incerta. Espero conseguir atravessar a fronteira. Espero rever meu amigo e apertar sua mão. Espero que o Pacífico seja tão azul quanto nos meus sonhos. Espero... Tenho esperança." (Red)

"Ocupar-se de viver ou ocupar-se de morrer?" (Red)