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terça-feira, 24 de março de 2026

Ecos: Necessários e Possíveis


E quando o comunicar se torna cansativo? 

Há nisso uma necessidade urgente de repousar sob o solo do silêncio e à sombra do pensamento?

Seria um grito de desespero frente à corrida desenfreada para um topo imaginário?

Faltaria aí a essência vívida e vivida no expresso horizonte dos sonhos?

Vítima da pressa e da urgência, somos todos...

E para quê? 

Para quem? 

Por quê? 

Para tentar controlar e vencer?

O que é vencer na vida? 

Tem uma moral capitalista nisso...

Que tal parar de tentar só vencer e passar a viver?

O resgate de si, o reencontro com o eu mais profundo da existência

Entender o tempo, o seu tempo, permitir-se

Isso também é viver

Decidir é angustiante

Permitir-se à angústia também é

Por outro lado, como sustentar a angústia sem temer uma decisão?

Equalizar "necessários e possíveis" é um meio para encontrar um caminho autêntico para si

Toda a busca humana, no fim, é um eterno e autêntico retorno à essência do seu eu

A condição de ser-no-mundo é um mundo de possibilidades inquietantes

No final das contas, o destino final é certo, pontual e sem preferências

E não deixa de ser uma linha de chegada, um pódio, um topo, um fim em si mesmo

A forma como se vive, sem a necessidade do controle e do poder, faz a vida mais autêntica

E sobre as demandas de cada ser, há que se entender

Uns viverão a travessia, em que o caminho se faz caminhando

Enquanto outros se perderão nos planos da soberba ignóbil 

Necessitando de plateia e escadas para suas propostas pessoais

Nas várias formas de se chegar 

A melhor é a que nos faz sentir o sabor vibrante da vida

Seja no silêncio, no pensamento

Na individualidade solitária e solicita

Ou na coletividade sonhadora e lutadora

domingo, 8 de março de 2026

Existir é um fenômeno



Rara vez a travessia se fez só.
E nesse caminhar sem fim tecemos o encontro.
Passar pela vida sem sofrimento é impossível.
Na vida adulta ele é ainda mais intenso.
Não há como prevenir essa dor invisível, do intrapsíquico.
A vida em si é feita de encontro e também de desencontro.
Mas, a origem do sofrimento humano se dá na esfera do desencontro.
É preciso ter a compreensão do que eu quero, do que fizeram comigo e do que eu faço com o que fizeram comigo.
Quando não há a compreensão, eis aí o sofrimento, a dor pela falta de sentido, o sentimento de não reconhecimento de si e de não pertencimento. 
Existir é um fenômeno.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

O sentimento que precede o final


Dia 17 de junho de 2025 foi a defesa do meu TCC com o tema "Solidão na Velhice". Foi um trabalho em grupo com 6 pessoas. E nos dias que antecederam a apresentação fiquei imaginando sobre o que esse tema significa para mim, como ele atravessa e, em especial, por toda a minha vida ao lado dos meus avôs e avós. Não apenas isso. Toda a minha infância, adolescência e juventude estive cercado de pais, tios, avôs dos amigos do coral. 

Falar sobre essa fase da vida traz mais que um gostinho de saudade que aperta o peito, traz lembranças de um tempo bem vivido, com tudo o que se tinha direito na época, em especial as amizades intensas e todos os familiares de cada um que compunha o nosso coral.

Lembro também dos cadernos com muitas perguntas que as meninas faziam e repassavam para todos os amigos e amigas responderem. Uma dessas perguntas era "O que você quer ser quando crescer?" Ao ler alguns livros de romance acabei me interessando pela psicologia. Parece que seria o caminho para entender e decifrar a complexidade da mente humana. Lembro também de muitos diálogos com a Jane e com a Riete sobre a psicologia.

Enfim, no pós pandemia, especificamente no início de janeiro de 2022 o Fábio me incentivou a começar a Psicanálise. Comprei alguns livros, fiz cursos, pesquisei e de repente conversei com a coordenadora do curso da psicologia da universidade em que estou. Minha irmã Cinthia foi outra incentivadora. Consegui uma bolsa parcial e encarei. Fato é que a formatura já é no final desse ano. 

Hoje, ao me reencontrar nessa travessia de sonhos, fé e lutas, consigo compreender um pouquinho mais do que sou, do que somos. Nós, somos a nossa história, somos o que pensamos, somos o que vivemos, somos o que construímos e o mais importante talvez, somos o que de fato levamos em nossa essência, o legado daqueles que nos precederam: pais, avos...

Queria dividir esse momento em especial com o grupo do Coral. Muitos amigos, pais, avos já não estão mais entre nós nesse mundo, mas seguem em nossos corações. Parte do que sou, vem desse tempo e por isso aqui estou dividindo um pouquinho desse momento com vocês. 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

O inferno são os outros

"O inferno são os outros. Projetamos nos outros a nossa realização 
e aguardamos deles algo que amenize o vazio que nos habita."
Sartre


O bêbado que vai de boteco em boteco, cada vez bebendo mais e, em cada lugar que passa conta em voz alta sobre sua desgraça de ser corno. Ao final de um dia a cidade toda está sabendo e comentando. Então, o chifrudo de ressaca quer tirar satisfação sobre os boatos e escolhe seu algoz alegando ser este o culpado de toda a fofocaria. Até entender que boteco não é setting terapêutico e que tudo saiu de sua boca, não de terceiros, ele já terá brigado com a cidade toda. Portanto, se for corno e quiser sigilo, não beba para não se vitimizar frente à tragédia que você mesmo causou.

Tem mais, uma pegadinha viralizada nas redes sociais trouxe uma outra óptica sobre como certos tipos de personalidade culpam terceiros pelas consequências de seus atos, suas escolhas e suas imprudências. A cena dessa pegadinha mostra um cara andando na calçada com o celular na mão e batendo com a cabeça numa porta de comércio fechada. Automaticamente ele leva a mão à cabeça e começa a questionar três senhores ali sentados do porquê eles não o terem avisado que a porta estava fechada. A conversa se estende e ele o tempo todo culpa os senhores pelo incidente. Apesar de ser uma pegadinha existe uma moral que soma aos outros casos desse escrito. O inferno sempre será o outros.

Em se tratando de vitimização, a série VOCÊ (Netflix) retrata sobre a vida doentia de um sociopata manipulador e narcisista que sempre se coloca em posição de vítima para justificar seus atos criminosos. Joe Goldberg traz consigo o discurso de ter sofrido abuso psicológico e violência física na infância, o que de fato não fica comprovado até a última temporada exibida. 

Tanto no caso do bêbado, como no caso da pegadinha e o personagem da série VOCÊ sentem-se vítimas das circunstâncias, da sociedade, das pessoas, do destino, da vida, dos eventos que lhes causaram prejuízos vários. Mas, de qualquer forma, também em comum, não assumem suas culpas, e jamais conseguirão se entender como culpados. No caso de Joe, mesmo após desmascarado, acusado e sentenciado judicialmente, ainda assim questiona o porquê das pessoas não o verem como vítima e como uma boa pessoa. Seu eu, tão narcísico, é incapaz de assumir qualquer culpa. 

Não precisamos de muito para notar que existem pessoas com esse tipo de personalidade, que precisam de plateia para suas histórias nem sempre tão verdadeiras, nem sempre tão sinceras, e por vezes, nem tão reais. Em sua maioria, ocupam um papel de vítima e fazem dos que as escutam suas próprias vítimas. Elas não ultrapassam o seu recorte cognitivo temporal e enviesado, permanecendo num ciclo vicioso sem sair do lugar, sem vontade de superar, sem evoluir em si mesmo e, enquanto o mundo gira, a pessoa patina na saliva da própria ignorância cognitiva. 

A célebre frase do francês Jean-Paul de Sartre, "L'enfer, c'est les autres", que em português significa O INFERNO SÃO OS OUTROS, traduz um pouco desse processo de renunciar a culpa e assumir a vitimização, escolhendo e sentenciando a bel prazer todo aquele que não comunga de sua visão de mundo. Para os protagonistas dessas três histórias, o inferno sempre serão os outros, jamais eles. Da forma que a vida imita a arte e a arte imita a vida, podemos perceber ao nosso redor figuras semelhantes a esses três personagens na família, no trabalho, na igreja, na sociedade, na universidade, no mundo.

Uma matéria sobre "Vampiros Emocionais", publicado na revista Exame em outubro de 2024, contribui para a composição desse escrito, uma vez que esses tais "tendem a ser reclamões, a focar nos seus próprios problemas e a não se importar com os problemas dos outros. A sua energia negativa e a sua falta de empatia podem levar a uma sensação de exaustão e insatisfação para quem se relaciona com eles." 

Da mesma forma, o vídeo do professor José Geraldo da UNB, na Câmara dos Deputados, respondendo a uma deputada diz o seguinte: "(...) Eu não tenho como discutir com a deputada porque a sua visão de mundo, a sua percepção como cosmovisão, só lhe permite enxergar o que a senhora já tem escrito na sua cognição. Então a senhora vai ver não o que existe mas o que a senhora recorta da realidade. A realidade é recortada por um processo cognitivo de historicização. Então eu não posso discutir um tema que contrapõe visão de mundo, concepção de mundo. Eu vejo outra coisa. (...) São referenciais que significam que o real não é aquilo que existe mas é a representação que a gente faz, de como a gente vê. Paciência né! Por isso que há pluralidade de concepções de mundo."

Enfim, ao longo do tempo acadêmico, com estudos aprofundados e pesquisas além do conteúdo proposto, corroborando com isso experiências concretas com pessoas que se assemelham às personalidades citadas acima, entendo que, em certas ocasiões é melhor direcionar ou encaminhar a pessoa em questão para profissionais. Ainda mais se, a mesma for do tipo que não consegue ter uma separação entre os papeis e suas funções. Filtro e abstenção muitas vezes significa paz e saúde mental em equilíbrio.

domingo, 16 de junho de 2024

Não prometeu nada e entregou tudo



Dos caminhos que a gente segue, alguns nos possibilitam encontros inesperados e ao mesmo tempo, marcantes. 

Mais um dia de acasos nas esquinas da vida. Ou quem sabe, destinos.

O carro estava apresentando um problema constante. Do nada, á agua fervia e secava o reservatório em instantes.

Era necessário parar, deixar o motor esfriar, abrir a tampa do reservatório com cuidado, completar com água e seguir ao destino.

A água do reservatório do motor ferveu enquanto esperava o sinal esverdear. Uma motociclista avisou sobre a água vazando por baixo e a fumaça saindo pelo capô. 

O semáforo ficou verde e eu segui até um local que fosse possível parar. Deu certo estacionar sob a sombra de uma árvore. 

Saí do carro, abri o capô e já olhava ao redor para ver onde conseguiria pegar algum recipiente com água. 

Um rapaz se aproximou. Primeiro perguntou se eu iria em algum restaurante. Quando viu que ergui o capô e notou que ainda saia fumaça, logo se prontificou para ajudar. 

Foi numa caçamba de lixo, encontrou um galão e atravessou três vias para buscar água numa construção próxima. 

Fiquei observando, de braços cruzados, toda a saga do rapaz. Em seu retorno fez questão de dizer que lavou o recipiente antes de colocar água.

Abasteci o reservatório enquanto o rapaz falava de sua experiência profissional. Havia trabalhado numa retifica. Sabia muito bem sobre mecânica.

No momento que seguia com o galão para buscar a água, fez um único pedido: "olha a minha enxada, por favor". Era o seu instrumento de trabalho.

Sentado escorado no tronco da árvore ao lado de sua enxada, simplesmente não me pediu nada em troca. Percebi em seus olhos o quanto sua atitude foi isenta de intenção em ser retribuído pelo seu nobre gesto.

Sentiu-se bem em ser útil. Sentiu-se digno em ser ouvido e respeitado como pessoa em toda sua integridade, independente do que fazia ali naquele momento.

De bermuda, camiseta e calçado, parecia aguardar ali sob a sombra da árvore alguém chamá-lo para um serviço rápido de limpeza, capinagem. Um verdadeiro guerreiro pronto para a batalha que aparecer.

Suas mãos, grossas, calejadas, se eu pudesse ler cada traço, ousaria dizer que as incontáveis histórias de luta que marcam sua pele, jamais conseguiria imaginar, nem tampouco capaz de reproduzir em palavras.

Não tinha muito dinheiro no bolso mas ofereci o que podia naquele momento, como forma de agradecimento e principalmente pelo reconhecimento daquele esforço que não pediu nada em troca. Considero que foi uma atitude nobre e repleta de senso de humanidade por parte do rapaz.

O caminho, o evento e o encontro. Uma lição de empatia que dispensa cadeiras acadêmicas. Isso é do ser como um todo. Isso é para poucos. 

Não prometeu nada mas entregou tudo.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Crítica: Dexter - "o retorno"



Recentemente essa série retornou à plataforma Netflix. Havia sido retirada, foi parar em outra mas acabou retornando. Dexter é um mix de psicopata, com requintes de crueldade, e justiceiro bonzinho, pois canaliza toda a sua força e aptidão para um único propósito, o de sentenciar e executar todos os assassinos que conseguiram se safar da luz da Lei. Ele faz parte da polícia científica em Miami, um especialista em sangue e através disso, consegue atuar no submundo sem ser descoberto.

No início da série conseguimos ter repulsa em cada ato do psicopata justiceiro, mesmo que suas vítimas mereçam aquele fim. Mas, é incrível, pois, no decorrer dos episódios de cada temporada, acabamos normalizando tais atos e então, o justiceiro psicopata, se torna um mal necessário para limpar a sociedade da escória que sai impune pela porta da frente da justiça. 

Dexter narra seus conflitos desde sua infância, período em que foi recebido em um lar adotivo, com pai, mãe e irmã. Cresceu e foi educado mas não conseguia fugir daquilo que era. Seus traços antissociais foram detectados por seu pai adotivo que, para protegê-lo de si, da sociedade e vice versa, foi criando um código de sobrevivência para o menino. Assim, quando o pai não estivesse mais presente nesse mundo, Dexter teria um manual para saber em que momento deveria usar seus instintos para satisfazer os desejos do "passageiro sombrio". 

Passageiro sombrio, é o nome utilizado por Dexter para falar sobre suas vontades, desejos, instintos, aquilo que de fato aguça sua necessidade de matar. E suas mortes exigem um ritual, um cenário, e uma metodologia que foi sendo aperfeiçoada em cada caso, em cada ato, em cada vítima criminosa.

Dexter é um personagem, bandido e herói, que, a partir de sua narrativa em primeira pessoa, possibilita ao telespectador ver e analisar a mente de um psicopata, supostamente com seus instintos controlados, ou melhor, canalizados numa direção que julga ser coerentemente necessária. Suas falas são filosoficamente poéticas, repletas de solidão, vazio, sem sentido existencial. Ele, vive um disfarce, pois ninguém o conhece de fato como é. O único que sabia de sua personalidade já morreu, seu pai. Mesmo assim, as lembranças de seu pai adotivo estão sempre presentes, confrontando seus passos. Nessas lembranças, ele escuta a voz, um diário vivo que ressoa em seus pensamentos.

Familiarizados com a evolução dos episódios, a torcida da plateia é sempre para que o Justiceiro faça o que faz de melhor: limpar a sociedade de todo o lixo que se livra da lei e da justiça. Sim, validamos, pois como acontece na vida real, as cenas e o cenário, que, antes eram incomuns, se tornam comuns em nosso cotidiano. Fico pensando, caso fosse real, e fosse brasileiro, com certeza muitos famosos bandidos que venceram, ou melhor, corromperam o sistema e saíram ilesos, devido à sua fortuna e status, já estariam literalmente cancelados. 

segunda-feira, 1 de abril de 2024

1º de abril



Você
pode abrir mão de conceitos,
pode abrir mão de princípios,
pode abrir mão de leis,
pode abrir mão da forma como pensa,
mas, jamais, jamais,
jamais abra mão de si mesmo por conta de algo ou alguém.
Abrir mão de si 
é percorrer um caminho cheio de emaranhados,
é entrar num labirinto 
correndo o risco de nunca mais encontrar a saída.
Abrir mão de si 
é um sério risco de perder sua própria identidade.

domingo, 31 de dezembro de 2023

Brevitudes e Brevidades: um novo tempo

 


Sobre a brevitude do tempo, sobre a brevidade da vida, sobre , em especial o que não deu certo. Porque é a partir da experiência do que não deu certo, que construímos nossa base, solidificamos nossas estruturas e nos fortalecemos para a vida. As experiências positivas são sempre colocadas num quadro e mostradas, muitas vezes feito troféu. Já, o que não deu certo, e que precisou ser ressignificado fica no calabouço do nosso íntimo e, vez ou outra, abrimos a porta desse quartinho secreto e revisitamos o passado como quem vê um álbum de fotografias, passando por algumas fotos de maneira rápida e noutras se deleitando, nostalgiando, sentindo a emoção, a dor, a saudade, e o que de fato causou sofrimento. Afinal é um quarto de despejo do nosso íntimo e que vez ou outra requer uma visita, uma limpeza e um esvaziamento. Alguns fardos precisam ser jogados para fora.

Último dia do ano, e lógico que paramos para repensar em alguns passos dados, outros que poderiam ser evitados. Fazemos isso sempre, mas parece que nessa data, final de ano, esse processo é mais intenso e a reflexão alcança um passado mais distante. Somos seres que carrega marcas, histórias, cicatrizes, etc.

Fato é que, fazendo nossa auto análise, sempre nos cobramos mais e mais. Poxa! Poderia ter feito assim ou assado, poderia ter virado à esquerda ao invés da direita, poderia ter parado, respirado e retornado até o ponto inicial e quem sabe recomeçar de forma mais tranquila. Muitas vezes focamos tanto na chegada ao topo da montanha que esquecemos de apreciar a paisagem ao seu redor, em cada volta. Como disse Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas, "A vida se dá é no meio da travessia".  Entre começos, recomeços, partidas e chegadas, é que tudo acontece. De que vale focar tanto no futuro se o presente está passando despercebido, sem vida e sem a devida atenção?

De fato qual o sentido de tudo isso? Qual o sentido em acordar, seguir as rotinas, dia após dia, nos relacionar, objetivar ganhos, lucros e conquistas, se tudo acaba sendo tão passageiro? Voltemos à frase de Guimarães Rosa: a vida se dá... E aproveito para uma frase que ouvi de um grande sábio da vida: "nessa vida, nesse mundo, somos uns pelos outros." Pode até soar como demagogia, e pode ser se assim você sentir. Mas, ao contrário, para mim tem um valor grandioso, pois quem me disse não foi nenhum filósofo renomado, nenhum doutor certificado, foi um simples carpinteiro que me socorreu quando um cano de água estourou. Sendo vizinho, ele não quis me cobrar pelo serviço, fora de hora e em dia de domingo. Mesmo forçando colocar um valor no bolso de sua camisa ele apenas me disse essa frase que, com muito carinho, levo para a vida. Esse é o sentido de tudo.

E é a partir das relações que criamos ao longo dos dias, dos anos e do tempo que aprendemos o valor das coisas simples, como o de uma boa amizade regada de grandes risadas, ou mesmo uma companhia para os momentos de silêncio e solidão. Aprendi muito esse ano, descobri novas aptidões, fiz novas amizades, desfiz algumas que considerei desnecessárias, uma vez a relação é como um barco de dois remos, é impossível navegar pelo mar da vida remando sozinho. Você gira em torno de si mesmo.

Faculdade e academia estão no topo da minha lista de grandes realizações. Considero como essenciais para o meu dia a dia. Estar no ambiente acadêmico é tão prazeroso quanto estar na academia malhando. Conhecemos pessoas, construímos relações, nos identificamos com os gostos alheios, nos afastamos quando não há empatia e, está tudo certo. Existem convergências e divergências e, novamente, está tudo certo. Gostos são gostos, e cada um tem o seu, bem como preferências de pensamentos, de comida, de time, etc. E ainda bem que existem as diferenças na forma de pensar e de ser, pois imagina um mundo inteiro apenas na cor cinza! Que caótico seria! Para além das divergências necessárias, o respeito é tudo. Respeitar o gosto alheio, o espaço e as opções é o que nos move para uma travessia mais completa, serena e em paz.

Se for olhar para o saldo, o meu em particular, penso que foi mais baixo do que alto, mas considerando as relações construídas durante a travessia de 2023, sinto que fui grandemente abençoado. E nesse último dia do ano, deixo aqui os meus sinceros votos de felicidades, paz, sabedoria e amor. Obrigado pelos momentos vividos, pelas palavras deixadas ao longo dos dias, pela presença, pela companhia, pela empatia ou simplesmente pelo "bom dia".

Obrigado amigxs da Performance!
Obrigado amigxs da Psicologia!
Obrigado amigxs das Tardes Leves!
Obrigado amigxs da Vida!
Obrigado meus filhos, sobrinhos, família!

Que venha 2024!

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

E quem disse que deu certo?



E quem disse que deu certo? 
Temos a grande mania de julgar, se uma relação se inicia da noite para o dia e parte para um envolvimento mais sério, nós julgamos. Se uma relação demora muito tempo para se efetivar, e partir para algo mais sério, como noivado e casamento, nós também julgamos. Qual é o tempo certo? Qual é a nossa média padrão, e baseada em que? Se for aquela média baseada nos nossos familiares mais antigos, pais, tios e avós, que tiveram relações duradouras e, talvez, a única relação em suas vidas, 30, 40, 50 ou mais anos de convivência, de matrimônio, isso significa que deu certo? Sim. Mas, pode não ter dado certo também.  

Quem disse que ser duradoura significa que deu certo? 
Sabemos o quanto as relações foram sufocadas pelas regras sociais e familiares impostas, em épocas em que o conservadorismo falava muito mais que o próprio sentimento; épocas em que era muito mais valorizada a moral, os bons costumes sociais e familiar, na qual as relações eram obrigadas a se manterem em pé, disfarçadas, porém não vivas, mesmo que fosse ao custo do sacrifício e da infelicidade, principalmente, da mulher. 

E quem disse que deu certo? 
Isso não é um convite tampouco uma instigação às relações curtas e sem compromisso, ao contrário, é uma convocação à reflexão de que tudo o que não gera felicidade, não gera paz, e acaba se tornando uma prisão, está longe de ser uma relação. Portanto, partindo da reflexão, partindo da escolha pela liberdade de viver sentimentos libertadores e com reciprocidade, envolve muitas vezes, mudanças radicais, cortes com regras sociais para então ressignificar sua vida, sua existência, e se permitir viver o seu propósito, criando o seu próprio padrão de existir. 

Apesar da febre ultraconservadora, as lutas em diversas áreas e seguimentos, tem proporcionado mais voz a quem antes não tinha sequer o direito de voto. Isso não é apenas romper padrões. Isso é romper com o silêncio sentenciador imposto pela sociedade patriarcal, com base forte na religião e na política. Hoje já conseguimos saber de relacionamentos com 30 ou mais anos que romperam. Gerações mais novas estão mais fortes para essa tomada de decisão, quando necessário. 

E quando essa atitude é considerado necessária? 
Quando o respeito é deixado de lado, principalmente. Quando o desrespeito impera, o sentimento já era. Se não houver algo que interrompa esse ciclo constante e impeça a reincidência, para o bem da relação, a tendência é uma espiral descendente para um fim único, de agravos e até possíveis tragédias. 

A cultura atual, tem ajudado as mulheres e outras minorias a conseguirem visibilidade, voz e vez. Com tanta exposição de casos fatídicos de relações com fins trágicos e, outros casos em que se conseguiu quebrar as correntes da prisão tóxica e se libertar para a ressignificação da vida, têm contribuído para que as pessoas, em especial as mulheres, não se permitam mais viver sob a custódia de um pseudo-conservadorismo que facilita a vida do homem, mantém o estigma do patriarcado que, por sinal, é retirado aleatória e ignorantemente de contextos religiosos (bíblicos) e validado por uma política machista ultrarradical que deturpa o real significado do que é relação e família, enquanto a mulher ainda é mantida no cárcere da submissão, da insignificância sob a tutela de um discurso falido, medíocre e hipócrita.

Por outro lado, deu certo sim. Deu certo enquanto houve reciprocidade, enquanto durou e até o momento em que não houve danos colaterais.


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Resenha - O Martelo das Feiticeiras


Essa obra retrata, logo em suas primeiras cinquenta páginas, o quanto a mulher tinha um maior papel de destaque e importância em outras épocas, e aborda sobre como o patriarcalismo foi tirando-a de seu protagonismo, deixando-a em segundo plano, e colocando o homem como centro de tudo, seja na sociedade, na família, na política e em especial nas questões de fé e nas religiões. Vale muito a pena essa leitura, sem contar que esse livro retrata como e porque muitas mulheres foram consideradas bruxas e, por tal, condenadas e sentenciadas às mais diversas penas de morte, como a fogueira, forca e outros mais atuais como o apedrejamento. Sendo tudo isso de responsabilidade da famosa "Santa Inquisição", ministério da igreja católica na idade antiga e média, e atualmente extinta. Em sua segunda parte, esse livro traz o manual da inquisição:  como reconhecer as consideradas bruxas, sentenciá-las e aplicar-lhes a pena devida.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Resenha - O universo tem uma queda pelos corajosos



Tenho certo receio com livros de auto ajuda porque quase não há nada de novo. Mudam as fórmulas de trocadilhos, alteram alguns verbos e no final a soma dos catetos é simplesmente igual a hipotenuza, e pronto. E ponto! 

Porém, tenho imenso respeito quando alguém tira um tempinho pra escolher um livro e me enviar. Mais carinho e admiração se essa pessoa já leu a obra e identificou frases, pensamentos, pontos importantes que considera me interessar. Dar um livro é dar um pouquinho de si, um pouquinho do que gostou, cativou, sentiu... É dividir o que está além de gestos e palavras.

Nessa obra, dois detalhes importantes a seguir: 
✓ Primeiro, achava que era mais um autor do tipo que surfa as ondas midiáticas com frases de efeito, estratégia muito usada por celebridades do colching (ismo) de impacto. Confesso que me enganei, "Wandy Luz" é escritora e jornalista. Já gostei demais. 
✓ Segundo, o conteúdo traz uma pegada artística, leve, fácil de degustar, devorar e compreender. Há retratos escritos de caminhos já percorridos pela autora e de outras que a precederam. Um verdadeiro resgate de auto estima ao ser humano e um olhar especial e dedicado às mulheres. 

Em suma, as linhas dessa obra são pinturas, versos sem rima, uma verdadeira poesia anunciadora, libertadora e protetora, capaz de dar notas, cores e atitudes transformadoras a quem assim se permitir.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Costuras, tempo e psicologias

Fonte: https://patchworkdasideias.blogspot.com/2011/08/patchwork-de-ideias.html

Chegamos aqui no acaso de uma travessia
Destinos de vidas forjadas na dor, na alegria
Protagonistas das lutas de nossas histórias
Presenças, ausências e sonhos em nossas memórias

Nascemos, crescemos, vivemos mas, nunca a sós
As dores do mundo não poupam a nenhum de nós
Recortes do tempo vivido se tornam retratos
Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Costuras são laços que a vida nos deu de presente 
Sentimentos de cores, tamanhos, formas diferentes
Lá fora perdura o que aqui se viveu de verdade
Assim escrevemos as linhas da nossa amizade

A vida tem ciclos, janelas, portas e passagens
Sentidos, perdidos, vividos com luta e coragem
Daqui ficarão as lembranças, nossas alegrias
Teatros, provas, relações: psicologias 

Aqui nesse mundo que só cultiva aparências
Mais caro e mais raro é quem mostra sua essência
Estamos aqui porque existe um sentido de fato
Somos uns pelos outros, cuidando e sendo cuidado

Enfim, não importa dinheiro, nem crença e origem
Mais certo que o certo é a morte, não escolhe roupagem
A terra é a mesma pra todos que a deitarão
Vivamos a vida, e que a morte não seja em vão

Direitos humanos pra humanos repletos de dor
Com pouco se faz quando a alma carrega o amor
Na luta dos que não tem voz somos resistência,
Esperança e mudança, uma chama de sobrevivência

Nascemos, crescemos, vivemos mas, nunca a sós
As dores do mundo não poupam a nenhum de nós
Recortes do tempo vivido se tornam retratos
Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos





sexta-feira, 13 de outubro de 2023

"Não há cura para o que não é doença"



A frase, que é título desse artigo, "Não há cura para o que não é doença!", faz parte do texto do Núcleo de Diversidade de Gênero da Comissão de Direitos Humanos¹, que também fez parte da pauta da campanha criada pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) em 2017, ressaltando a importância de colocar a Psicologia a serviço dos Direitos Humanos e contra o conservadorismo

A campanha também se pauta na Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia², assinado por ninguém menos que Ana Maria Bahia Bock, presidente-conselheira na época. Tal Resolução "Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da Orientação Sexual".

Ainda, após grandes conquistas pela e para a Comunidade LGBTQIAP+, erguem-se grandes barreiras e obstáculos discriminatórios e preconceituosos, oriundos da falta de conhecimento científico bem como um estridente negacionismo para se conservar padrões sociais ultrapassados e que deixam à margem todas as pessoas que não se encaixam nas formas de relações consideradas normais.

Tanto no âmbito político quanto, e principalmente, no religioso, existem prós e contras. Não é uma luta em prol da vida e da dignidade humana diante do que a pessoa realmente é e da forma que escolhe viver mas, sim uma luta por poder, como descreveu Michel Foucault em Vigiar e Punir (1975) e Microfísica do Poder (1978): o poder de mandar e desmandar sobre os atos alheios. Não é uma luta de defesa mas  sim uma guerra de imposições. Imposições que vêm regada de ameaças de punições religiosas e sanções sociais com avais políticos. 

São várias formas de prosseguir esse texto, provando biblicamente, teologicamente, filosoficamente, psicologicamente, poeticamente, que simples e puramente "toda vida importa". Assim como o maior princípio deixado como guia para todxs os que seguem sua religião e ou filosofia de vida é o "amor ao próximo", o segundo maior mandamento bíblico, o grande erro que nos leva a um desrespeito por esse próximo é simplesmente o "não amor". E, esse "não amor", que restringe a empatia e o respeito ao próximo, por conta de suas orientações, escolhas, fé, etc, podemos chamar de "pecado" também. Sendo assim, "Pecado é não amar" (Cá de dentro - 2015).

E onde pode chegar a falta de uma orientação responsável seja de cunho religioso, político, social e principalmente profissional, para quem de fato esteja vivendo na corda bamba da vida, entre lapsos de sobrevivência neste mundo e a busca pela libertação de suas dores ocultas através da morte? Em que pese, como já dito acima, tudo pode beneficiar a vida humana ou ser um gatilho para que o pior aconteça. 

Um caso recente que me chamou a atenção foi o suicídio da influenciadora Karol Eller, 36 anos, que, suicidou-se no dia 12/10/23. Apoiadora política da extrema direita, acabou polemizando quando manifestou-se contrária às causas defendidas pela comunidade LGBTQIAP+. Segundo a imprensa, Eller, que era lésbica, "anunciou que tinha passado por "cura gay" no último mês. Ela estava participando de retiros religiosos e disse havia renunciado à sexualidade."³

Conheci uma pessoa no interior de SP, vítima das drogas, fez um retiro espiritual de três dias consecutivos e no final considerava-se liberto e convertido literalmente no caminho do cristianismo. Comentava que sua meta era ser um pregador da boa nova de Jesus Cristo. Até aqui tudo certo e bonito de se contemplar e apoiar. A questão é que, era urgente um acompanhamento de profissionais que lhe dessem o suporte e a direção adequadas para sua sustentação na luta pela libertação do vício. Não o fez, não teve, não buscou e, talvez, não soubesse... Mas o resultado foi que, em menos de dois meses ele estava de volta às drogas e dessa vez, muito pior. 

Karol Eller passou pela experiência religiosa de sentir-se, não curada, mas disposta e apta a renunciar aquilo que é considerado errado para os padrões normais da sociedade e pecado para o cerne de algumas religiões de cunho fundamentalista e ultra conservador. Mexer com questões dessa dimensão implicam muitas coisas, entre elas a responsabilidade por parte de quem lidera tais encontros e cultos. Isso começa com a liderança e vai para altos escalões da hierarquia religiosa. Todxs são responsáveis diretos e indiretos. 

É preciso entender a dor, o trauma, a angústia e os anseios do ser humano antes de prescrever alternativas para uma cura, uma pseudo cura, uma renúncia de si, antes de traçar caminhos únicos, regras propriamente ditas, com o intuito de manter a pessoa enclausurada em si, com dores inimagináveis diante de seus flagelos de renúncias. Cada ser em si é único e merece o devido respeito em sua jornada. Não há uma fórmula comum para padronizar a todxs. Entender que um encontro, ou um retiro espiritual de vários dias, em que todxs os presentes se fortalecem diante do objetivo, se sustentam mutuamente é uma coisa, mas quando encerra-se a euforia dos dias de cantos e orações, aí começa a realidade. Não é uma crítica às religiões, nem à forma de seus cultos mas sim uma crítica direta do conteúdo que é colocado de forma as vezes covarde na tentativa de fazer a pessoa caber dentro de padrões aceitáveis de uma ala da sociedade. 

Espiritualidades, religiões e religiosidades, são caminhos, signos, travessias, opções, possibilidades, de reconexão entre o humano e o sagrado, com propósito de bem maior que envolve a dignidade de si e o respeito ao próximo. Cuidar da vida, é premissa de qualquer instituição. Respeitar é obrigação de todxs. Aceitar só cabe a quem de fato é, ou seja, muitos já travam sua guerra de auto-aceitação e não precisam de mais ninguém para fazer peso contra. Mais uma vez, a todxs, só cabe o respeito. 

E assim sendo, ressalto novamente a importância da Psicologia para acolher e ajudar a pessoa a se aceitar, tomar consciência de si e de toda sua potência, redescobrindo-se enquanto ser único e de opções múltiplas nesse universo de infinitas travessias, protagonizando empoderadamente sua vida sem medo do que as sociedades impõem. A bem da verdade, toda vida importa, o amor salva, a paz de si liberta e a Psicologia está aí para dar voz, vez, luz para essa jornada chamada vida. 


¹ https://crppr.org.br/nao-ha-cura-para-o-que-nao-e-doenca/
² https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/1999/03/resolucao1999_1.pdf
³ https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2023/10/13/morre-a-influenciadora-karol-eller-aos-36-anos.htm


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Falsos pastores midiáticos e seus demônios de araque


 Essa imagem foi printada de um vídeo que está rolando nas mídias sociais. Um pastor, que não aparece no vídeo, a mulher e sua personagem endemoniada, uma outra mulher de vestido nas costas, que deve ser figurante de suporte, e a plateia que interage em meio a vozes de crianças. Só pelo fato de ter crianças presentes nessa situação, acredito que o Ministério Público deveria ser acionado e consequentemente até o Conselho Tutelar. 

A dramatização em si, da ordem da quinta categoria abaixo de zero, traz a voz de um pastor, que na trama exerce o papel de mediador e invocador de entidades. Ele pergunta à mulher possuída qual o nome da entidade que tomou posse do corpo de alguns nomes da política. A mulher responde, com uma voz forçada, movimentando a cabeça e os cabelos, assim como fez aquela Janaína Paschoal, certa vez, num palco de comício. Mesmo que virasse a cabeça em 360º sobre o pescoço, ainda haveria muitas dúvidas sobre a veracidade dos fatos. 

Teologicamente essa encenação fere princípios éticos sociais e de outras religiões e religiosidades, ao usar nomes de entidades que não pertencem a essa denominação. 

Religiosamente, o cristianismo verdadeiro não carrega esse fetiche de evidenciar o demônio para tirar proveito próprio: status midiático para saciar o pecado do ego. 

Casos raros de pessoas endemoniadas e a prática do exorcismo não são jamais midiatizadas e, tampouco, tratadas como um teatrinho infantil; os ritos utilizados no exorcismo, criados no seio cristão, especificamente no catolicismo, são tratados de forma rigorosa, ética e principalmente científica, e posteriormente, como questões de ordem religiosa e de fé. 

Psicologicamente pode haver alguma explicação para os protagonistas em questão, o pastor, a endomoniada e a plateia: "uma espécie de psicopatologia que oscila entre o dinamismo psicótico-paranoide-delirante e o dinamismo psicopático-perverso". 

Cinematograficamente não serve nem pra comédia, nem pras pegadinhas do Silvio Santos. 

Juridicamente, acredito que tudo se encaixa bem no artigo 171 do código penal.

Vídeo: https://www.brasil247.com/midia/pastor-bolsonarista-faz-suposto-exorcismo-em-fiel-e-diz-que-demonio-controla-lula-e-janja-video

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
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domingo, 1 de outubro de 2023

De setembro a setembro: refletindo o amarelo em todos os dias do ano

Setembro Amarelo é uma campanha que ocorre uma vez ao ano. O restante dos meses ingressamos em outros movimentos de relevante importância e comprometimento social, de saúde e conscientização. Enquanto estudantes de psicologia poderíamos fazer um pouquinho a mais, esticando esse movimento para uma campanha de prevenção ao suicídio *DE SETEMBRO A SETEMBRO*. Algo a se pensar.

Porém, antes, vale uma pergunta de autorreflexão: *A DOR ALHEIA ME IMPORTA?* Obviamente não sabemos se uma pessoa próxima está passando por alguma dificuldade. Também não conseguimos mensurar o tamanho da dor de alguém, que no momento esteja atravessando problemas de várias ordens. 

O que podemos fazer, primeiramente, seria mudar o nosso jeito, ativar o nosso *ser humano* e nos atentar para detalhes que antes não prestávamos tanta atenção. *COMO?* Quando começamos a fazer parte de algum ambiente, lugar, movimento, grupo (trabalho, faculdade, comunidade, bairro, igreja, família, etc), obviamente passamos a perceber as pessoas ao nosso redor. Cumprimentos básicos de "bom dia, boa tarde, boa noite" podem não apenas quebrar o gelo mas abrir possibilidades de aproximação. Perguntar se "está tudo bem" pode não ser nada, não representar nada para nós e simplesmente recebermos como resposta "sim, tudo e você?" Mas, pode ser, que esse cumprimento, seguido dessa pergunta, seja a única coisa positiva que impediu uma pessoa de atentar contra sua própria vida. 

Acredito que muitos de nós conhecemos pessoas que tiraram sua própria vida. Talvez não conhecemos de perto mas, já ouvimos falar de conhecidos distantes, pessoas que um dia fizeram parte de nossa vida e acabamos perdendo o contato. As redes sociais nos mantém atualizados, principalmente quando o assunto é tragédia. 

*TERÍAMOS NÓS ALGUMA RESPONSABILIDADE SOBRE A VIDA DE OUTRA PESSOA?* Sim e Não. Sim ou não. Cada um sabe de si. E em diálogo com uma amiga, falando sobre suicídio, logo após participarmos de um evento no dia 15/09/23, justamente sobre esse tema, o qual refletimos sobre o filme *ORAÇÕES PARA BOBBY*, chegamos à nossa conclusão de que temos sim responsabilidade e que podemos fazer nossa parte. Novamente: *COMO?* Acolhida, empatia, respeito, etc. Podemos, enquanto seres humanos, fazer um pouquinho a mais nesse sentido. Independentemente de crenças, fé e religiões, a qual acreditamos que todas pregam *AMOR À VIDA E AO PRÓXIMO*, podemos e queremos ressignificar o nosso papel aqui neste plano, no aqui e agora, de forma a contribuir COM A SAÚDE, COM A PSICOLOGIA, COM A VIDA. 


Ailton Domingues de Oliveira
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Teo ΑΩ 
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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Marx, Freire e o Marco Temporal

Protesto contra marco temporal em Brasília 
Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

O que me motivou a escrever esse artigo, ou manifesto, ou simplesmente um desabafo, foram alguns comentários que ouvi acerca do "Marco Temporal". Antes gostaria de falar o que seria esse marco e porque ele está em evidência no cenário social, político e obviamente no religioso.

"Marco temporal é uma tese jurídica segundo a qual os povos indígenas têm direito de ocupar apenas as terras que ocupavam ou já disputavam em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição" (Fonte: Agência Câmara de Notícias). Aqui no site da Agência Câmara de Notícias podemos saber melhor sobre essa questão: https://www.camara.leg.br/noticias/966618-o-que-e-marco-temporal-e-quais-os-argumentos-favoraveis-e-contrarios/

Bom, a ideia sobre a questão do "Marco Temporal" é usar como linha de corte o dia, mês e ano em que a Constituição Federal Brasileira foi promulgada, 05/10/1988. E isso implica que as terras consideradas indígenas, só serão de fato dos povos originários, as que constam até essa data da CF. Após essa data, todas as questões de terra seriam revistas e, inclusive, haveria de mexer no que já estaria acentuadamente acordado e resolvido. 

Agora, imaginem que algumas questões de terra já tenham sido resolvidas no ano subsequente à promulgação da CF, no caso em 1989. Povos originários assentados em suas terras e, de repente, com a aprovação do Marco Temporal, eles poderiam (e com certeza seriam) retirados de seu habitat novamente. Uma guerra iminente seria provável. Há quem seja favorável ao marco mas há muito mais que lutam contra. Há quem se beneficie com a aprovação desse marco, e com certeza "peixe grande" mas, há quem seja contrário por simples razões. Não tem como se beneficiar com nada sendo contrário ao Marco Temporal. E, a partir disso, claro que estou do lado contrário ao tal "marco". 

Aprovar isso seria jogar o destino e a vida dos povos indígenas ao léu. Já existe uma invasão sem limites acontecendo, totalmente descontrolada, que ganhou força no governo anterior (que não faço questão de mensurar o nome, uma vez que só intensificou o ódio, criou o caos e gerou mortes a partir do ódio e do caos...) e isso, independe de fiscalização e policiamento. Invadir terras indígenas, a maioria regada de riquezas naturais, é algo não apenas fácil mas lucrativo. E quem sempre ganha são os que continuam ganhando, os que estão lá no cume do topo da pirâmide: latifundiários por exemplo. 

"A história da humanidade é a história da luta de classes." Sim, Karl Marx tinha razão, porque a força propulsora da história se baseia na história da luta de classes. Quantos e quantas que, emergiram da pobreza, tiveram suas dificuldades durante a jornada em ascensão e ao atingir um novo patamar social, tornaram-se algozes de quem ficou num patamar inferior? Não são poucos, aliás, são incontáveis os casos em que o "sonho do oprimido de se tornar opressor", e nisso Paulo Freire também tinha total razão, se justifica na história passada, recente e presente. 

Durante o curso de Teologia, fiz um trabalho sobre a situação dos Guaranis-Kaiowás que, expulsos de suas terras por fazendeiros, eram obrigados e sobreviver acampados às margens de rodovias. Muitos jovens dessas tribos, diante da dureza da vida longe de seu habitat, do sofrimento e da falta de recursos, sem voz e sem vez, e frente à tristeza de ver os seus perecendo cruelmente, acabavam tirando sua própria vida como forma de aplacar a dor; um verdadeiro protesto, à base do seu sangue e da sua vida, para que as autoridades tomassem as devidas providências.

Caberá à Justiça resolver a questão e os casos diferenciados. Concordo que pessoas que tem o seu pedaço de terra para subsistência e, que em sua maioria adquiriram as posses de forma não regulamentada, muitas vezes compradas de usurpadores, deverão ter um olhar atento para sua situação. Bem como, os que adquiriram suas terras para projetos de lazer em áreas de preservação ambiental e território indígena, que cientes das circunstâncias e riscos iminentes, devido à irregularidade da aquisição, poderão perder o investimento. Há aqui um grande contraponto entres os dois exemplos que mencionei. Os que foram enganados e lesados mas que dependem da terra e os que não foram enganados, assumiram o risco e investiram seu dinheiro mas, porém, podem ser desapropriados e assim, lesados. E quanto a esses que entraram conscientes, não há inocentes. 

E, nesse momento, a luta é contra o "Marco Temporal". Seria desumano e injusto mexer numa demarcação que já está corrigida e resolvida. Voltar ao ano de 1988 para refazer as demarcações seria uma violência contra os povos originários. Se, em nome da ganância e do poder, os defensores do moralismo seletivo justificarem seus atos de ódio contra as minorias, conforme aconteceu nos últimos 4 anos, para continuarem invadindo, matando e expulsando os verdadeiros donos das terras, invocamos aqui a questão religiosa como uma força de origem centrada capaz de manipular ou libertar o indivíduo. Nem social, nem política e nem religiosamente, não há viés plausível para a aprovação do marco temporal. O que justifica essa ganância de poder pode ser visto sob a história da luta de classes e sobre as lutas entre oprimido e opressor. 

domingo, 24 de setembro de 2023

Crítica: Dexter


Dexter, a melhor série que já assisti, conta a história de um
serial killer que era agente policial (perito), que diante de sua sede conseguia unir o desejo quase incontrolável de matar ao que ele considerava fazer justiça com as próprias mãos. Em suma, matava assassinos, psicopatas, serial killers, etc. Guardava uma gota de sangue de cada uma numa lâmina de vidro de suas vítimas,  como um troféu. Era inteligente, sedutor e definia o seu instinto assassino, a sua necessidade de matar, e a justiça com as próprias mãos como características do ser que o habitava: passageiro sombrio, nome que seu pai adotivo deu a essa personalidade de Dexter, depois de perceber que o filho se tornaria um psicopata, um seriado killer sedento por justiça. Foi o pai adotivo que ajudou Dexter a canalizar seu desejo. Essa série foi uma das primeiras que assisti. A construção do enredo, a trama toda em si faz você se apaixonar pelo politicamente incorreto, ou seja, o policial bonzinho, inteligente e cativante que, no seu contraturno age como um justiceiro que tem suas regras e rituais para livrar a sociedade da escória que a justiça não deu conta de fazer. A série é composta de 8 temporadas e recentemente lançaram a 9ª para dar um final descente ao personagem e à trama. Confiram! 

sábado, 16 de setembro de 2023

De setembro a setembro


Um olhar humanamente teológico sobre as pessoas que perderam o encanto pela vida, o sentido da existência e a esperança no mundo. Setembro Amarelo deveria ser uma luta de todos os dias e não somente quando as mídias jogam os holofotes para o assunto. É positivo entrar nessa campanha de mobilização e prevenção ao suicídio. Porém, mais belo do que estampar os perfis de amarelo e cobrir com frases de efeito é necessário se atentar para o nosso papel social enquanto indivíduos de um sistema que oprime, desqualifica, exclui, negligencia e ignora os verdadeiros motivos que têm levado algumas pessoas a pensarem na possibilidade de atentar contra a própria vida e outras, de fato, na esperança de se curarem das dores da alma, infelizmente, executam seu plano. 

Se a dor de quem fica é grande, imagina a dor de quem preferiu não viver mais. Não existe covardia nem heroísmo nesse ato, ou, dependendo da óptica, também pode ser ambos. Pecado? Talvez. Olhando pela bíblia cristã, o quinto mandamento diz "não matarás". Sendo assim, tirar a própria vida, segundo a bíblia cristã é um pecado. Porém, ainda segundo a mesma bíblia cristã, não é algo digno de condenação eterna e sem direito a perdão. Esse é um pensamento popular que ganhou força nos redutos das igrejas mas que não tem fundamento bíblico. Segundo o livro sagrado cristão, o único pecado que é causa de condenação eterna ao inferno é o de "blasfemar contra o Espírito Santo". 

Se considerarmos as pessoas que dão sua vida em prol de uma causa religiosa, conforme algumas religiões ultra radicais, que as instigam a se tornarem verdadeiros homens ou mulheres bombas, as mesmas são consideradas mártires com promessas e garantias de uma vida eterna e digna no Paraíso, no Céu, etc. Durante as guerras surgiram os camicases que, não tendo mais o que fazer, lançavam-se com seus aviões no território inimigo na tentativa de abater o maior número de adversário possível. 

O que difere cada ato de tirar sua própria vida: uma causa, uma esperança, uma promessa, um sentido? Ou, talvez, a falta de cada uma dessas possibilidades ou, todas e mais um pouco? A esperança que um homem bomba tem ao se permitir explodir em prol de uma causa político-religiosa não seria a mesma esperança que uma pessoa, que perdeu seu sentido de viver, tem para amenizar sua dor da alma? Essa última perdeu o sentido da vida, mas está sobrecarregada de dor. Tirar a vida não significa covardia mas, livrar-se da dor que ninguém sabe que existe nela, e por mais que saiba não consegue entender.  Como não teremos jamais a resposta sobre o motivo de tal ato, sempre dialogaremos a partir dos relatos deixados de sua caminhada. A cadeira vazia será apenas um cenário de dor e luto por parte de quem ficou sem respostas. 

E qual seria o nosso papel social, religioso, político ou simplesmente humano (o mais importante) para contribuir com essa luta de prevenção ao suicídio? Estamos numa era em que as informações que nos chegam são como uma tempestade em nossos pensamentos. Creio que não percebemos mas, muita gente se encontra esgotada mentalmente pelo excesso de informações que são oferecidas aos milhões, minuto a minuto. Esse excesso também pode contribuir para o desequilíbrio emocional, o que afeta diretamente as relações diretas e indiretas de cada pessoa. 

A sociedade egoísta que ignora; as religiões com suas regras morais que exaltam as leis em detrimento do ser humano e da vida; as políticas, sejam as públicas que são falhas por conta do dinheiro que se desvia e não chega aonde precisa, sejam os representantes escolhidos pelo voto nos Estados e municípios, que se esquecem do seu compromisso com o povo e legislam em causa própria. Junte-se a isso a falta de recursos para coisas básicas. Muitos "próximos" sucumbem à tentação de deixar de existir num mundo onde não apenas se sentem invisíveis mas são tratados como escória. 

Numa pesquisa de trabalho realizado durante o curso de Teologia, nos deparamos com índios da tribo Guarani-Kaiowás que preferiam tirar sua própria vida a viverem fora de suas terras, que naquele momento foram tomadas por latifundiários. A dor de viver fora do seu habitat, da sua casa, e sobreviver nas beiras das estradas, era um dos motivos de desordem emocional e desonra para si. 

A dor alheia é algo que não conseguimos mensurar. Seja uma dor física ou, pior ainda, uma dor da alma, aquela que não se vê mas que mexe com todos os sentidos. Para a dor física existem remédios de resolução imediata. Para a dor da alma, existe uma demora para se chegar num ponto satisfatório de entendimento para então, de forma lenta e gradativa organizar as coisas que estão fora do lugar em seu pensamento, em seu íntimo, em sua história e na falta de expectativa. 

Enquanto seres humanos, não nos custa levar um pouquinho de alegria, ou no mínimo ouvidos para as pessoas ao nosso redor. Não temos condições para salvar o mundo, mas podemos contribuir dando um mínimo de atenção para aquela pessoa que antes sorria atrás de um balcão e hoje se quer solta um "bom dia". Familiares que passam a reclamar da vida mesmo não faltando nada. Solitários ao nosso redor, regados de silêncio, timidez, e dificuldades de interação, dentre outros tantos, não custa acolher. Acolher no sentido de deixa-la sentir-se vista, notada, ouvida. Não precisa de muito. Um simples "tá tudo bem?" pode ser o essencial para salvar o dia e os pensamentos de alguma pessoa próxima que vive seus dias de tribulação.

Não importa a orientação sexual. Pecado é não amar! E, não há cura para o que não é doença! Antes da piada, antes da crítica, pense que uma palavra pode ser a melhor ou pior coisa que a pessoa com ideação suicida pode ouvir naquele momento e você nem sabe. Não sabemos quantas guerras habitam na pessoa com quem cruzamos todos os dias de nossa jornada. Por isso, empatia e respeito, é a melhor acolhida que podemos dar. 

Para quem sempre cita a bíblia, em especial as rígidas leis do Antigo Testamento, eis que me deparo com um pensamento, o qual desconheço seu autor, mas que simplifica e alivia quando me deparo com pregações grotescas e de ódio: "Jesus não voltou durante a escravidão. Não voltou durante o holocausto e nem durante as cruzadas. Mas, vai voltar agora por causa do gênero de alguém."

Uma igreja que não acolhe as minorias e suas diversidades já perdeu seu papel aqui na Terra. Uma política que não cumpre com sua função de bem comum só serve para alimentar os lobos no poder. Uma sociedade que não percebe a dor alheia, já deixou de ser humana com seus semelhantes. E por que esse discurso em meio à campanha Setembro Amarelo? Porque tudo isso pode ser causa, mínima ou máxima para alguém que está desacreditado de si, sobrecarregado de dores, cometer suicídio. 

Há inúmeros fatores que levam as pessoas a buscar o suicídio: a inundação da dimensão de sombra, transtornos psicológicos, doenças incapacitantes, profundas decepções e prolongadas depressões. Mas mais que tudo, a perda do sentido da vida que suscita nas pessoas vulneráveis o impulso de desaparecer. Não raro, tirar a própria vida é uma forma de buscar um sentido que lhe é negado nesta vida (franciscanos.org.br). E "Não é a maneira como uma pessoa morre que determina se ela é salva ou condenada" (https://teologiabrasileira.com.br/o-suicidio-da-razao/).

Somos corresponsáveis direta ou indiretamente pelas vidas ao nosso redor. A omissão é algo que poderemos somar na cartilha da consciência como culpa, frente ao que poderíamos ter contribuído mas não o fizemos. 

A imagem desse texto foi utilizada como convite para o evento do dia 15/09/23, na Casa das Cenas, em Uberlândia-MG, para um encontro realizado com pessoas de diversos segmentos da sociedade. Um público misto em todos os sentidos. Através do Psicodrama e Cinema, trazendo uma ótica da Psicologia pela minha colega Ana Elisa, enquanto eu, da Teologia, discutimos o suicídio dentro do contexto do filme "Orações para Bobby". É um filme que está disponível no youtube, portanto de fácil acesso. Ali, sentimos o peso da falta de apoio familiar diante da homoafetividade por um dos membros dessa família, o peso do conservadorismo religioso que passa a manifestar um moralismo seletivo, a sociedade que exclui, os familiares que se afastam, as auto condenações por conta do que se considera pecado conforme os ditames de sua religião, até a ideação suicida. Deixo aqui, como forma de continuidade nessa reflexão, um convite para que assistam ao filme. 

https://www.youtube.com/watch?v=IIYNfCoGgUQ



quinta-feira, 13 de abril de 2023

Casa Aquarela


Como exigir um futuro se não há no que se espelhar?
As possibilidades de escolha, para todos não estão
Sabemos bem que diante do caminho a trilhar
A mais eficaz e concreta resposta ainda é a educação

A educação está para as crianças
Que no universo de sua inocência carrega esperanças 
Universo de magia, sonhos, cores: aquarela
Alegria que contagia de um gesto que não se espera
Reciprocidade, atenção, carinho e respeito
Educação é base, é caminho e caminhada
Liberdade e amor, não tem outro jeito
A educação é a própria vida, a nossa eterna jornada

Cuidar das crianças
Para que quando adultas
Possam passar valores e cuidar dos seus
Educação é base, é caminho e caminhada,
É a própria vida, é a própria jornada

 "As crianças saudáveis não terão receio da vida se os seus idosos tiverem integridade suficiente para não recear a morte." Erik Erikson


"Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos" - Pitágoras

"Por meio da educação transformamos realidades, diminuímos diferenças sociais e criamos oportunidades para as nossas crianças!" - Marianna Moreno

"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida." - John Dewey

(06/11/22)