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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Tempo de adeus


Toda morte é injusta
Toda partida é sofrida
Quando o sol se põe 
Dá-se o lugar à angústia
E o luto se torna eterno
O vazio que limita nosso olhar
O silêncio interior que nos consome
Misturam-se às lágrimas 
E às perguntas sem respostas
Vontade de Deus?
Creio que não!
Deus é vida
Seguir o percurso é um processo natural
Tudo no seu tempo é natural
O que foge disso é intervenção 
Ou omissão humana
Ou ambas...
Entre orações espontâneas e ritos
Entre o som do choro 
E uma música chorada por um violino
Palavras de carinho
Para alguém que já se elevou 
Que voltou para Casa
Nos braços do Pai
O tempo ali junto 
Do corpo inerte e sem vida
Que representa o último encontro
A última despedida física
O último contato 
É algo surreal que aflige, apavora
Como continuar a vida?
Como seguir a normalidade, 
Os padrões,
Os compromissos?
Por quê?
Por quê...?!
Que a força do amor
Nos ajude a atravessar pelo luto
Que o legado de quem partiu
Nos ajude amenizar sua ausência
Que a vida que nos deixou
Nos inspire a viver o nosso melhor
Que nossas lágrimas
Sejam orações quando nos faltarem palavras
Que a dor da ausência
Nos dê força e esperança
Até nos revermos no Céu
Amém!



"O tempo que escoa não permite despedida
Todo dia ecoa uma nova chance
Todo dia destoa uma eterna partida
Há que nunca mais alcance
Viver a vida como haveria de ser vivida"
Cá de dentro (2015) - A.D.O.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Águas que lavam e levam


Desce dos céus
Lava meus pés
Varre esta terra
Acalenta minh'alma

     Vem pra molhar
     Leva pro rio
     Do rio ao mar
     A sujeira do tempo

          Lava meus dias
          Leva pro rio
          Lava minh'alma
          Leva pro mar

Água dos céus
Lava esta terra
Traz flores à vida
Em vida o amor

Água da alma
Que lava a face
Suplanta minha dor
Que ficou no caminho

Desce dos céus     
Brota da alma     
Molha meus pés     
Renova meu ser     

Lava esta terra          
Lava esta alma          
Leva a sujeira          
Leva a tristeza          

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Silêncio: poesia orante


Silêncio 
Sussurro do tempo
O que mais reaproxima
Da imensidão do além-tempo
Ultrapassa fronteiras
Desnuda horizontes
Eleva o espírito em sintonia
Com o céu e o mar
A terra e o verde
É poesia orante
Em cenário de tristeza e dor
De paixão e amor
Sucumbe estruturas
E palavras desditas 
É ruptura de ação
É simplicidade tão sábia
Despojada de vaidades
Louvação
Oração...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Eternamente travessia


Somente uma casa no meio do nada
Sem sombra de pedras
Sem as copas dos monumentos
Que vedam o deleite da lua
E ofuscam as estrelas da cortina escura

Quero o silêncio da terra
O choro dos rios
O canto encantado da passarada
As cores da vida verdadeira
O desfecho que, tão a mim, espera

Quero a menina dos olhos
Dos olhos, a menina, me fulminam
Quero cantar-lhe meus cantos
E quando o pôr do sol se achegar
Tombaremos no regaço do abraço

Hei de recostar na rede
Que jaz permanente na varanda
Chamarei cada qual pelo nome
Enquanto a memória se perfazer viva
E no apagar das velas rezarei novamente

Na mesa grandiosa 
Ao redor comemoram cada meu
Histórias, memórias, glórias
Saudade, pensamentos, esperança
É o espaço de nós

Farei poesia a cada dia
Trarei pertinho meus poetas guerreiros
Entoarei hinos aos mártires
Saudarei minha terra com os meus
Minhas montanhas, meus sertões louvarei

Não guardarei mais passado
Trarei apenas lembranças de vida
Meus escritores para sempre do lado
Enquanto a luz ainda me guiar os olhos
E minha boca prosear sobre os tons

Tão duras estradas até aqui
Tão cruéis meus algozes
Tantos fantasmas que gerei e alimentei
Vão se desfazendo em cada estação que acheguei
E mais uma vez sigo o leito do peito

As cercas não têm porteiras
Bichos e gente vão se achegando
Meu altar é o chão com roseiras
O nascer de cada dia é o presente
Que a gente abre, abraça e sente

Minha história não terá fim
Meu nome ninguém saberá
Entre dores, amores e alegrias
Sei que vivi à frente de qualquer morte
Mas hei que um dia também serei travessia

Flores que rodeiam este sertão
Rios que cortam esta montanha
Fontes que o mundo não me deu
Altar que guerreei para encontrar
Silêncio, oração, esperança, amor: utopia


terça-feira, 24 de março de 2015

O jogo dos 7 erros





Aêêêê! É nóis na fita!
Amém, Axé, Auerê!

Por onde começar? São tantas emoções e razões que... que... que... Que na real preciso tomar cuidado para não acenderem uma fogueira santa aos meus pés antes da devida hora. 

Numa das páginas que criei no Facebook, para os devidos fins de informação e formação da Comunidade onde participo, uma pessoa postou um convite incentivando a participação no Grupo de Oração. Beleza! Bem redigido por sinal. Começo, meio e fim! Começo "ok", fim "ok"... mas o meio, esse lascou!

Vamos lá. Sei que de certa forma vou contribuir com as lenhas para a minha santa fogueira, mas enfim, rendo-me ao absoluto desejo de escrever com os devidos ingredientes para apimentar e as eloquentes razões para argumentar. O caldo vai ficar picante!

Eis o "X" da questão, ou melhor, o meio propriamente dito: "(...) O Senhor tem um desejo imenso de amar a cada um de nós (...)". O convite é feito com a saudação inicial e referências sobre local, data e hora do encontro. Em seguida vem a questão da frase acima seguida por "(...) e nós temos a imensa necessidade desse amor (...)." Então, li, reli, e até respondi na página tecendo um comentário mas voltei atrás e apaguei, mantendo-me no silêncio não obsequioso. Foi uma questão de hora e lugar impróprios para a resposta. E, talvez, a percepção do sentido da frase foi somente minha. Melhor mesmo é escrever no meu espacinho aqui.

Lembrei-me daquela brincadeira que a gente encontra em alguns gibis e revistinhas infantis: "O jogo dos sete erros". O sete é um número interessante mesmo: "Setenta vezes sete devemos perdoar os nossos irmãos"; "de Maria Madalena saíram sete demônios", dentre outros mais. Aí, inspirei-me no sete para o título dessa bagaça. 

Voltando para o "sete" da questão: "O Senhor tem um desejo imenso de amar a cada um de nós." Não! Ele não tem desejo, porque ele simplesmente ama incondicionalmente. Isso diz e resume tudo sem precisar entrar em questões mais profundas. Desejo está mais para o ser humano. O Senhor, filho de Deus, que deu sua vida por nós não tem um desejo imenso de amar a cada um de nós porque Ele amou e ama. E pronto! E ponto!

A impressão é que somente atendendo ao convite para participar do G.O. é que "o Senhor" realizará o seu imenso desejo de amar a cada um de nós. Então quem não participa não é amado? Mas Deus não nos ama incondicionalmente? E quem não é adepto do Catolicismo? E quem não participa do movimento carismático? 

No fundo eu entendi o "sete" do sentido mas considero tais formas de se achegarem aos demais uma característica de consciência meramente mágica. E o mágico quando alimentado de forma ingênua pode se tornar trágico. Uma vez que a fala do dirigente ou coordenador tem um certo poder de alcance o cuidado com as palavras deve ser redobrado. Dizer por dizer até satanás diz. É preciso não apenas esperar pelo agir do Espírito Santo. É preciso mesmo mergulhar em águas mais profundas do estudo e da oração para então se ter uma prática alicerçada. É preciso ultrapassar as barreiras do ócio do auto-entendimento e tirar os tapa-olhos para que a "brisa suave" se achegue. Levar as coisas no impulsão é praticamente fomentar o ópio.

E assim caminha a humanidade. Não escrevi na página onde o convite procedeu-se para não fazer de lá um palco de discussão e desentendimento. Aqui, porém, não tive a mesma humildade. Nem preciso confessar isso porque se você leu até o final já concluiu por si próprio. 

E só mais um detalhe: se for oferecer madeira para a fogueira no dia da minha inquisição, por favor, seja um bom cristão e um exemplo de cidadão protetor da natureza. Certifique-se de que não está cortando árvores indevidamente.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Diário das diárias


Essas são algumas das partilhas com amigos e familiares que guardei com carinho desde o dia 23/11/14 (...)


Amigos (as), preciso da oração de vocês. Minha mãe teve um AVC. Ela está na cidade de João Pinheiro e deverá ser transferida para Patos, onde há mais recursos. Estamos tentando fazer a transferência direto para Uberlândia. Resolvendo algumas questões burocráticas irei para lá (Patos ou João Pinheiro), ainda hoje, sem previsão de retorno. Não dá pra descrever a sensação de impotência. Obrigado. (24/11/14)


Bom dia a todos/as! Depois de 48 horas conseguimos a remoção da minha mãe, de João Pinheiro para Uberlândia (Medicina). No momento aguardamos a disponibilidade de um leito. O quadro clínico dela é estável e sem sequelas aparentes, porém não deixa de ser grave e requer cuidados especiais urgentes. Apenas uma forte dor na cabeça, devido ao "derramamento de sangue" (segundo o médico). Chegamos ontem por volta de meia-noite. Passei a noite acompanhando e hoje a vida volta à sua rotina normal. Agradeço a todos pelas orações. Confesso que tive momentos que o deserto era tão solitário que o medo e a incerteza me tiravam o chão. Nessas horas fechava os olhos e buscava a Deus e tenho certeza de que foram nesses momentos que encontrei a força necessária que chegou através de suas orações. Abs. (26/11/14)


Bom dia! Lembrei-me de uma palestra que assistimos na FCU (semana da Teologia), onde o médico falava que quando a pessoa morre acaba se transformando numa "coisa". A sensação, diante de tudo que tenho vivenciado nesses dias, é que muitas vezes somos essa "coisa" ainda em vida. Encontramos pessoas e pessoas pelo caminho. Vejo "gente" que ama o que faz e se dedica com respeito, compaixão e caridade para com o próximo aqui pelos corredores deste imundo chão da saúde. Vejo também, sentindo na pele, o descaso, a frieza, em alguns olhares que dão a sensação que você - "a coisa" - é um "peso" neste sistema (da saúde). Flores entre pedras (ajuda e amizade de onde menos esperamos) e flores de plástico (enfeitam mas não tem vida, estão próximas mas são indiferentes). Minha mãe aguardava em jejum absoluto, para "fazer" um exame (nas artérias - esqueci o nome), desde domingo a noite. Ontem, depois de ter conseguido a liberação, após muita conversa de pé de orelha, após tentar encontrar um "ser-humano" por detrás daqueles olhares frios que me atendiam, nos informaram que o aparelho para o exame estava queimado. Teríamos que aguardar a liberação para fazer em outro local que tenha o aparelho. Sabe-se lá quantas horas, ou quantos dias mais! O responsável por correr atrás desta liberação, falou que ela então poderia se alimentar. Os enfermeiros não se responsabilizavam. O médico responsável, que só a recepcionou no primeiro dia (e todas as conversas que quis ter com ele, foram pelos corredores, isso quando tive a sorte de encontrá-lo, estava em cirurgia. Pelo bem, pelo mal, a autorização e responsabilidade foram minhas. Ninguém aguentaria, naquelas condições de forte dor na cabeça (por conta do derramamento de sangue), vômitos e mal estar (portanto, fraca e debilitada) a ficar mais um dia sem se alimentar. Autorizei, por conta e risco, porém, ciente do que ela precisava. As dores espaçaram e pelo menos ela conseguiu descansar um pouco (se é que existe descanso numa maca de hospital). Pra se ter uma ideia, ainda em João Pinheiro, somente uma injeção de "dolantina" conseguiu dar algumas horas de alívio. Comentei com o Gilson Rocha, a importância e necessidade de se fazer algo nessa questão, principalmente pra quem adentra no sistema de saúde. Desde João Pinheiro vi tantos casos, tantas cenas, dores que acabaram cruzando com as da minha mãe e com as nossas també
m (minha, da minha irmã e das pessoas que nos acompanharam). Somos impotentes, somos reféns. E com cada profissional que encontrei e encontro por esses corredores, tento enxergar e extrair um pouco do humano e mostrar que não somos meramente "coisa". Desculpem a extensão do desabafo, mas para mim escrever é libertar-se! Jaqueline, sua indicação foi muito importante pois acelerou o processo da transferência da minha mãe para Uberlândia. Hoje, estarei com minha mãe das 20 às 6:30. Abs e tenho sentido muita falta de estar com vocês! Continuo contando com suas orações. (27/11/14)


A linha que separa a realidade do imaginário e o sonho do pesadelo chega a ser imperceptível em situações extremas que fogem às rédeas do controle. Essa é a sensação do momento diante das circunstâncias que tenho vivido. E sei que o grau de cansaço, misturado com a oscilação da esperança com o medo e da impotência com a fé, está apenas no começo. Desde o domingo a noite quando minha mãe passou mal e foi socorrida pelo meu cunhado e por alguns vizinhos (em Brasilândia) até este exato momento, muitos, mas muitos nomes cruzaram nossos caminhos. Não sei se terei capacidade para tanto, mas fiz questão de guardar cada nome para que em breve possamos ofertá-los aos pés de Nossa Senhora Aparecida e de Nosso Senhor Jesus Cristo, em sinal de amizade e gratidão. Orações, ajudas frente às burocracias do sistema, telefonemas, mensagens, tudo tem sido fundamental. Minha mãe segue com fortes dores (...) Ver alguém que a gente ama sem forças e entregue numa cama de hospital, à espera que "amanhã" estará melhor e que tudo será mais fácil, confesso, queria eu estar em seu lugar. Já fiz essa proposta pra Deus, mas parece que Ele não me deu ouvidos. Neste momento minha poesia e minha teologia só tem um sentido: Mãe. (28/11/14)


Boas notícias!!! Ontem a tarde ela já estava melhor, se alimentou um pouquinho e começou a "dar ordens" pra mim e pra Cinthia (rs)! Hoje, acordou com fome. Um pouco da fraqueza se deu por conta de ficar 72 horas sem se alimentar. Juntando com a dor e as altas doses de medicamentos fortes deixava o quadro dela ainda pior. Entendemos agora que ela precisava reagir para que em caso de cirurgia esteja bem preparada. Agradecemos e contamos com suas orações. (29/11/14)



"A Família do corredor" - (01/12/14) - http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/a-familia-do-corredor.html


"Vou fazer uma oração" - (01/12/14) - http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/vou-fazer-uma-oracao.html

Bom dia! Vencemos a etapa do "exame". Acabou de ser realizado e possivelmente a cirurgia será ainda nesta semana. O médico que o realizou explicou-nos a situação. Disse que, apesar dela estar aparentemente bem, é um caso grave e por isso a urgência de fazer logo essa cirurgia. Mais uma vez, diante de tudo, contamos com a força da oração de todos vocês. Ailton e Cinthia. (02/12/14)


"Desfecho no Encontro" - (02/12/14) - http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/desfecho-no-encontro-251114.html



Aguardamos ansiosos até a próxima segunda-feira (08/12/14), coincidentemente dia de Imaculada Conceição, para saber da Junta Médica qual será o procedimento necessário para minha mãe: cirurgia ou outro tipo de intervenção. (03/12/14)


"Uma noite, três histórias" - (03/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/uma-noite-tres-historias.html



No dia de Imaculada Conceição, aguardando a Junta Médica que decidirá qual procedimento será o mais indicado para o caso da minha mãe (cirurgia aberta ou via artéria), aproveito para agradecer alguns professores que foram, simplesmente, além de seu profissional. Foram humanos! Padre-Roberto Francisco e Silvano Dias, dispenso demais palavras de gratidão mas saibam que é um privilégio tê-los no rol dos Mestres e Amigos! Aos amigos da Teologia, agradeço imensamente pelas orações e força. E até o próximo período se Deus quiser. Imaculada Conceição Rogai por nós! (08/12/14)


Pessoal, acabamos de saber: a cirurgia da minha mãe será a tradicional (aberta) amanhã as 7:00 horas da manhã. Conto com a oração de vocês! E que Imaculada Conceição interceda por ela neste momento. (08/12/14)


"Nossa Senhora me dê a mão cuida do nosso coração que sempre bateu por nós: Mãe!" - (08/12/14)


Bom dia!
A cirurgia da minha mãe iniciou as 9 da manhã e acabou as 18:15 hrs. A demora foi devido a dificuldade de encontrar o local exato do aneurisma. Não teve complicações durante a cirurgia. Vimos ela no corredor, quando saiu da sala cirúrgica direto para a UTI. Apesar do sedativo respondia a todos os sinais e quando eu e minha irmã falamos com ela. Aguardamos por uma hora e depois a vimos novamente na UTI. Da mesma forma respondia que nos entendia. Segundo o neuro-cirurgião o quadro de saúde dela teve uma boa evolução desde o dia 23/11 quando teve o AVC. Ele não sabia explicar como que minha mãe não teve sequelas ou pior que isso, não morreu, pois é algo inexplicável para a ciência. Nos tranquilizou e também falou de todos os riscos. Na UTI, ouvimos a conversa de dois médicos, durante a troca de turno, sobre a boa evolução no quadro dela, o sucesso da cirurgia, e que ela respondia a todos os sinais e ao som de vozes. Aparentemente, não havia perdido nenhuma função e não precisou ser "entubada". Nesse momento, eu e a Cinthia apenas agradecemos a Deus e às orações de todos, pois nossa mãe é um milagre! O horário de visita na UTI é restrito. Após as 16 horas teremos mais notícias. Obrigado mais uma vez. (09/12/14)



Boa tarde! E, com muita alegria, já respirando aliviado, agradecendo a Deus e a todos pelas orações (...): minha mãe já foi transferida da UTI para o leito do Cirúrgica I. Ela está um pouco inchada mas passa bem. A emoção do nosso reencontro foi tanta que eu não contive as lágrimas. Lágrimas de felicidade e gratidão. Por fim, ela que falou pra eu me acalmar. Me contou detalhes de sua primeira noite na UTI. Reclamou de um enfermeiro que demonstrava desinteresse pelo trabalho (rs). Pra variar um pouco me deu "ordens". Rimos bastante quando falei que ia comprar um "berço" e colocar ao lado da minha cama, para quando saísse do hospital. Bom, é isso! Com certeza, o nosso Presente de Natal chegou antecipado! Pessoal, obrigado de coração pelas orações e pela força! (09/12/14)



"Nossa Mãe é um milagre" - (10/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/nossa-mae-e-um-milagre.html



"Jamais seremos os mesmos" - (11/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/jamais-seremos-como-antes.html




"Estradas que se cruzam" - (11/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/estradas-que-se-cruzam.html



Amigos, amigas, minha mãe já está em casa. Essa foi nossa última noite no hospital, Graças a Deus. As palavras finais do médico para minha irmã, antes da alta: "O caso da sua mãe é gravíssimo e ela está viva por um milagre. Agradeçam a Deus". Se a ciência, pelas Divinas mãos humanas, rendeu-se à Fé, só nos resta agradecer a Deus e à Nossa Senhora. Obrigado a todos pelas orações, principalmente. Com certeza nosso Natal será diferente! (15/12/14)

"A cadeira e o tempo" - (16/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/a-cadeira-e-o-tempo.html



"Sinais" - (17/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/sinais.html



"O mundo não parou na sua ausência, mas nós paramos o nosso mundo por você, Mãe. Nossa Senhora cuidou de ti." (15/12/14)












































Sinais


Não sei como realmente descrever cada detalhe dos dias que aguardamos pela minha mãe. Só sei que não canso de falar, ou melhor, de escrever. Cada momento, os de esperança ou desespero e incerteza, foi importante, mas, só agora, aos poucos, tentamos contemplar com gratidão e alegria a dimensão desses dias todos.

Sem querer ser redundante ou repetitivo no recontar dos fatos, algumas coisas gostaria de ressaltar mais uma vez. Vale a pena lembrar, degustar e novamente agradecer a Deus, a Nossa Senhora de Aparecida e às tantas orações que chegaram até minha mãe.

23/11/14 - O dia, ou melhor, a noite que minha mãe sentiu mal e foi socorrida por meu cunhado e alguns vizinhos em Brasilândia. A notícia veio através de minha irmã, pelo celular. Noite tensa, de terrível espera por notícias.

25/11/14 - No hospital de João Pinheiro, aguardando pela liberação da transferência para Uberlândia, caminhando pelo corredor deparo-me com uma Ministra da Eucaristia trazendo a Hóstia Consagrada. Suas palavras ressoam até agora ao meu ouvido: "Jesus vem lhe dar um abraço!" Continuei a caminhar rumo à saída mas acabei voltando e participando da celebração. Enquanto estava de joelhos, no momento do Pai-Nosso, minha irmã vem ao meu encontro e diz que só aguardávamos pela ambulância e a enfermeira que acompanharia na viagem. Vencido o primeiro obstáculo. Jesus Eucarístico se fez presente e nos deu o primeiro sinal para que não perdêssemos a fé.

26/11/14 - Madrugada no Hospital das Clínicas em Uberlândia. Corredor, sala improvisada, enfermaria dividida por 10 pacientes à espera, cenas e mais cenas. Enfim, o leito 112. Não sou adepto à numerologia, nem a superstições, mas, particularmente gosto do número 12 por que em outubro, nesse data, celebra-se o dia de Nossa Senhora de Aparecida e em dezembro o dia de Nossa Senhora de Guadalupe. Ambas, repletas de mística, devoção e Fé. O quarto 112 nos propiciou diversas amizades com outros pacientes e seus acompanhantes. Foi uma boa estadia.

08/12/14 - Segunda-feira. Dia de Imaculada Conceição. Novamente, mais que um simpático número, uma data marcante para nós Católicos. E foi nesse dia que uma Junta Médica se reuniu para definir o procedimento cirúrgico a ser adotado para dona Claudete. Com toda intervenção Divina e as orações de muitas pessoas, agendaram a cirurgia para o dia 09/12/14, as 7 horas da manhã.

09/12/14 - Passei a noite com minha mãe no hospital. Minha irmã chegou as 6:30 horas. No dia anterior pedi dispensa do trabalho para aguardar pelo resultado da cirurgia. Como só podia ficar um acompanhante, deixei minha irmã e voltei para o trabalho. As 16 horas voltei para a Medicina. Ela entrou para o centro cirúrgico as 9 horas da manhã e saiu as 18:15 horas. Nove horas e quinze minutos foram necessários. Sob a maca no corredor, companhada por duas enfermeiras, conseguimos falar algumas coisas. A cena era triste, pois ela estava sedada. Ainda assim, respondia com alguns sinais. Acompanhamos até a UTI. Estivemos alguns minutos e depois nos pediram para sair. Sua cabeça estava toda enfaixada. Segurei sua mão e pedi para que apertasse a minha caso estivesse me ouvindo. Ela apertou forte. Dali em diante, só aguardávamos o tempo passar. Espera torturante. 

10/12/14 - Foi uma noite de agonia. Esperar por notícias até as 15 horas desse dia seria uma eternidade. Junto com meu filho Felipe, passei por este deserto escuro e de medo. Algumas Ave-Marias foi o que consegui rezar depois de pedir a Deus pelo restabelecimento de minha mãe. Antes, o máximo que eu fizera foi o Sinal da Cruz. Não conseguia sequer cochilar. Chorei muitas vezes. Com a Cinthia, minha irmã, não foi diferente. Enfim, a hora de se levantar. Eram umas 13 horas quando meu celular tocou. Eu estava atendendo um cliente. Alguém da UTI do hospital solicitava minha presença para acompanhar a transferência da minha mãe para o leito normal. Não acreditei! Como que alguém após uma cirurgia de mais de 9 horas fica menos que 24 horas na UTI? Pensei o pior e que não queriam comunicar pelo telefone. Liguei para a Cinthia que imediatamente esboçou alegria pela notícia. Percebi que ela não notou minha preocupação. No caminho, questionei minha fé e repensei sobre a alegria de minha irmã. Será que eu estava sendo o "Tomé" da vez? E minha irmã, acreditou sem ter visto nem ouvido a notícia? Enfim, preciso rever meus conceitos e principalmente minha fé. Chego primeiro no hospital e subo para o quarto andar, local onde havíamos deixado nossa mãe no dia anterior. Identifico-me e após alguns minutos sou convidado a ir vê-la. Pensei que a cena seria a pior das piores. Mas, para que minha fé se restabelecesse, para que eu cresse, para provar o quão somos frágeis diante das intempéries da vida, eis que sou presenteado com minha mãe, de olhos bem arregalados e com um belo sorriso a me esperar. Ainda recebo uma bronca de brinde. Cobrou-me por não tê-la visitado antes (rs). Chorei na sua frente e foi ela que me consolou dizendo pra que eu parasse. Eu disse apenas que minhas lágrimas eram de felicidade. Minha irmã chega e aguarda ao lado de fora. Nos abraçamos e seguimos acompanhando até o novo leito, o 147.

12/12/14 - Para nossa surpresa, nesse dia de Nossa Senhora de Guadalupe, nossa mãe já estaria apta para ter alta, porém os médicos preferiram esperar até segunda-feira, dia 15/12. E foi neste dia que retornamos para casa com nosso maior "tesouro". 

Esses foram alguns marcos, dentre tantos outros que tivemos desde o dia 23/11/14.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A cadeira e o tempo


Foi desta cadeira que compartilhamos de toda boa expectativa acerca da recuperação de minha mãe. Ao lado de seu leito nos estendíamos para alguns momentos de descanso. No hospital não existiam assentos confortáveis para todos os acompanhantes. Na verdade, creio eu, que não existam assentos confortáveis em hospitais. Toda vez que um paciente recebia alta havia uma disputa acirrada, uma lista de espera, por uma destas poltronas. Muitos dormiam sentados em cadeiras de plástico. Não foram poucas as cenas que presenciei de pessoas idosas debruçadas sobre o leito de seus entes, rendidas pelo cansaço.

Foi desta cadeira que ansiávamos em ritmo de espera, uma espera de aflição por não sabermos o dia que tudo estaria enfim no seu devido lugar. Em outras palavras, uma angústia imposta, por não termos sob o controle de nossas vontades ou sob os nossos comandos, ou, simplesmente por estarmos reféns da espera e do tempo. Esperávamos, que o tempo passasse logo, mas também, que tudo fosse feito conforme a vontade de Deus. Esperávamos, que a sabedoria humana, orquestrada pelas Mãos do Criador, resolvesse o problema. E foi assim, com muita fé, a fé que por vezes parecia sumir de nosso ser, mas que era trazida de volta pelas orações de tantos amigos e amigas, que hoje agradecemos a a Deus.

Dias antes da dona Claudete receber alta já havíamos conversado sobre a cadeira. Decidimos deixá-la, doá-la para quem precisasse. Andei pelo corredor em busca de uma pessoa sem a poltrona de acompanhante. Muita gente precisando! Meu Deus! Procurei então uma senhora, a camareira daquele turno, que sabia quais eram as necessidades mais urgentes. Sabemos que a doação é ínfima perante a demanda mas temos certeza que pelo menos uma pessoa será servida de alguns momentos de descanso para o corpo.

A cadeira ficará na lembrança das longas noites e dos papos diários na Medicina, tanto no 112 quanto no leito 147. É como deixar lá um pedacinho dessa história que vivenciamos ao lado de grandes e inesquecíveis pessoas: médicos, enfermeiras, pacientes e acompanhantes. Um gesto de gratidão nada comparado com o êxito na cirurgia de minha mãe, incluindo os procedimentos pré e pós operatórios. A camareira agradeceu imensamente e tão logo saíamos pelo corredor vimos no leito ao lado uma senhora recostando sobre ela.

Agora, em casa, relembramos as dores e agradecemos pela vida. O que antes chorávamos sem saber como orar, agora sorrimos, levantamos as mãos aos Céus e damos Graças a Deus. E ainda conseguimos transformar certos episódios em risos. Tudo, tudo, jamais poderá ser como antes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Nossa mãe é um milagre


Milagres. Quando a ciência não tem a resposta diante do inexplicável, eis o milagre.

Dentre os corredores que pisamos, o do Hospital de João Pinheiro foi o que mais me marcou. O encontro com Jesus Eucarístico me alimentou de esperança. Senti que a Luz estava acesa em nossas vidas e que nossa mãe estava divinamente amparada.

As dificuldades burocráticas e humanas foram muitas mas as intervenções dos nossos amigos e amigas, verdadeiros "anjos sem asas", e das orações vindas de muitos cantos foram um pedacinho de céu para nós e especialmente para nossa mãe.

O medo foi implacável conosco. Sei que minha irmã Cinthia sofria pelo mesmo motivo, o de imaginar cada cantinho de nossas vidas sem o "pitaco" de nosso "Pilar". Esses quinze dias, desde a sua internação, experimentamos a dor da espera e novamente, feito obra Divina do Criador, dona Claudete supera o problema e surpreende a todos. Teve uma evolução inexplicável em seu quado clínico.

Ontem, dia 09/12/14, todo o procedimento cirúrgico teve aproximadamente nove horas e quinze minutos de duração. Uma verdadeira agonia. Ouvimos dos médicos palavras positivas acerca da cirurgia. Apesar da complexidade não houve nenhum agravante. O pós-operatório também é demorado e requer cuidados. Acreditamos que onde as mãos do homem não chegam, Deus se faz presente através das orações de cada um. É nisso que nos agarramos.

Por falar em oração, fiquei inerte e não conseguia sequer um "Pai-Nosso". Tentava falar com Deus. Pedia perdão por não conseguir sequer orar. O máximo que fazia era o Sinal da Cruz. Ainda ontem visitamos nossa mãe na UTI após a longa espera pelo fim da cirurgia. Ela nos ouvia e respondia balançando a cabeça. Em seguida passamos na capela do Hospital e, mais uma vez, diante do Santíssimo choramos e pedimos apenas por sua saúde e por uma boa recuperação para que possa continuar a nos "co-mandar" do jeito que sempre fez.

Li no Evangelho de hoje, que Jesus chamou para Si todos os que estavam cansados e fatigados sob o peso de seus próprios fardos pois N'Ele teriam descanso. Lembrei-me então de outras passagens, sempre tão tocantes e profundas em cada releitura, como a da mulher hemorroína que puxou o manto de Jesus quando ele passava pela multidão. Jesus sentiu uma força saindo de Si. A fé da mulher foi tanta que ficou curada. Noutra passagem, aquele que gritou "Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!" As pessoas tentavam intimidá-lo para que se calasse e ele gritava ainda mais alto. Jesus o escuta e a fé leva o homem à cura. São sinais, milagres que o tempo não apaga e que alimentam principalmente a nossa fé.

Inacreditavelmente quando minha mãe foi parar no quarto 112, automaticamente pensei no dia de Nossa Senhora de Aparecida, celebrado em 12 de outubro. Claro que era apenas uma coincidência mas uma coincidência divinamente boa. No dia 08 de dezembro decidem o procedimento cirúrgico mais apropriado e, mais uma vez, é o dia de Imaculada Conceição. Fatos, números, datas que ficarão eternamente em nossos corações. Enfim, já estamos com nossa fortaleza e agora entramos na etapa da "recuperação" e de muitos e muitos agradecimentos.

Por falar em agradecimento, começamos agradecendo a Deus que neste ano antecipou o nosso presente de Natal: nossa Mãe está conosco, renascida, reerguida.


Nossa Senhora me dê a mão, cuida do nosso coração que bate fora de nós: MÃE, nós te amamos! Ailton e Cinthia


Obs.: Enquanto eu escrevia este texto, aproximadamente as 13:20 horas, recebi um telefonema direto da UTI do Hospital das Clínicas. Pediram-me que acompanhasse minha mãe durante a transferência da UTI para o quarto. Avisei minha irmã e corri para lá. Ela ficou super feliz e eu com medo, pois pensei "como que uma pessoa, após uma cirurgia de quase 10 horas na cabeça, é liberada da UTI"? Ainda no caminho repensei que deveria ter a confiança e a alegria da minha irmã. "Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé!"