O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
Resenha - O Martelo das Feiticeiras
Essa obra retrata, logo em suas primeiras cinquenta páginas, o quanto a mulher tinha um maior papel de destaque e importância em outras épocas, e aborda sobre como o patriarcalismo foi tirando-a de seu protagonismo, deixando-a em segundo plano, e colocando o homem como centro de tudo, seja na sociedade, na família, na política e em especial nas questões de fé e nas religiões. Vale muito a pena essa leitura, sem contar que esse livro retrata como e porque muitas mulheres foram consideradas bruxas e, por tal, condenadas e sentenciadas às mais diversas penas de morte, como a fogueira, forca e outros mais atuais como o apedrejamento. Sendo tudo isso de responsabilidade da famosa "Santa Inquisição", ministério da igreja católica na idade antiga e média, e atualmente extinta. Em sua segunda parte, esse livro traz o manual da inquisição: como reconhecer as consideradas bruxas, sentenciá-las e aplicar-lhes a pena devida.
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
"Não há cura para o que não é doença"
Tanto no âmbito político quanto, e principalmente, no religioso, existem prós e contras. Não é uma luta em prol da vida e da dignidade humana diante do que a pessoa realmente é e da forma que escolhe viver mas, sim uma luta por poder, como descreveu Michel Foucault em Vigiar e Punir (1975) e Microfísica do Poder (1978): o poder de mandar e desmandar sobre os atos alheios. Não é uma luta de defesa mas sim uma guerra de imposições. Imposições que vêm regada de ameaças de punições religiosas e sanções sociais com avais políticos.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Falsos pastores midiáticos e seus demônios de araque
Essa imagem foi printada de um vídeo que está rolando nas mídias sociais. Um pastor, que não aparece no vídeo, a mulher e sua personagem endemoniada, uma outra mulher de vestido nas costas, que deve ser figurante de suporte, e a plateia que interage em meio a vozes de crianças. Só pelo fato de ter crianças presentes nessa situação, acredito que o Ministério Público deveria ser acionado e consequentemente até o Conselho Tutelar.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
domingo, 1 de outubro de 2023
De setembro a setembro: refletindo o amarelo em todos os dias do ano
Porém, antes, vale uma pergunta de autorreflexão: *A DOR ALHEIA ME IMPORTA?* Obviamente não sabemos se uma pessoa próxima está passando por alguma dificuldade. Também não conseguimos mensurar o tamanho da dor de alguém, que no momento esteja atravessando problemas de várias ordens.
O que podemos fazer, primeiramente, seria mudar o nosso jeito, ativar o nosso *ser humano* e nos atentar para detalhes que antes não prestávamos tanta atenção. *COMO?* Quando começamos a fazer parte de algum ambiente, lugar, movimento, grupo (trabalho, faculdade, comunidade, bairro, igreja, família, etc), obviamente passamos a perceber as pessoas ao nosso redor. Cumprimentos básicos de "bom dia, boa tarde, boa noite" podem não apenas quebrar o gelo mas abrir possibilidades de aproximação. Perguntar se "está tudo bem" pode não ser nada, não representar nada para nós e simplesmente recebermos como resposta "sim, tudo e você?" Mas, pode ser, que esse cumprimento, seguido dessa pergunta, seja a única coisa positiva que impediu uma pessoa de atentar contra sua própria vida.
Acredito que muitos de nós conhecemos pessoas que tiraram sua própria vida. Talvez não conhecemos de perto mas, já ouvimos falar de conhecidos distantes, pessoas que um dia fizeram parte de nossa vida e acabamos perdendo o contato. As redes sociais nos mantém atualizados, principalmente quando o assunto é tragédia.
*TERÍAMOS NÓS ALGUMA RESPONSABILIDADE SOBRE A VIDA DE OUTRA PESSOA?* Sim e Não. Sim ou não. Cada um sabe de si. E em diálogo com uma amiga, falando sobre suicídio, logo após participarmos de um evento no dia 15/09/23, justamente sobre esse tema, o qual refletimos sobre o filme *ORAÇÕES PARA BOBBY*, chegamos à nossa conclusão de que temos sim responsabilidade e que podemos fazer nossa parte. Novamente: *COMO?* Acolhida, empatia, respeito, etc. Podemos, enquanto seres humanos, fazer um pouquinho a mais nesse sentido. Independentemente de crenças, fé e religiões, a qual acreditamos que todas pregam *AMOR À VIDA E AO PRÓXIMO*, podemos e queremos ressignificar o nosso papel aqui neste plano, no aqui e agora, de forma a contribuir COM A SAÚDE, COM A PSICOLOGIA, COM A VIDA.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
Marx, Freire e o Marco Temporal
Bom, a ideia sobre a questão do "Marco Temporal" é usar como linha de corte o dia, mês e ano em que a Constituição Federal Brasileira foi promulgada, 05/10/1988. E isso implica que as terras consideradas indígenas, só serão de fato dos povos originários, as que constam até essa data da CF. Após essa data, todas as questões de terra seriam revistas e, inclusive, haveria de mexer no que já estaria acentuadamente acordado e resolvido.
Agora, imaginem que algumas questões de terra já tenham sido resolvidas no ano subsequente à promulgação da CF, no caso em 1989. Povos originários assentados em suas terras e, de repente, com a aprovação do Marco Temporal, eles poderiam (e com certeza seriam) retirados de seu habitat novamente. Uma guerra iminente seria provável. Há quem seja favorável ao marco mas há muito mais que lutam contra. Há quem se beneficie com a aprovação desse marco, e com certeza "peixe grande" mas, há quem seja contrário por simples razões. Não tem como se beneficiar com nada sendo contrário ao Marco Temporal. E, a partir disso, claro que estou do lado contrário ao tal "marco".
Aprovar isso seria jogar o destino e a vida dos povos indígenas ao léu. Já existe uma invasão sem limites acontecendo, totalmente descontrolada, que ganhou força no governo anterior (que não faço questão de mensurar o nome, uma vez que só intensificou o ódio, criou o caos e gerou mortes a partir do ódio e do caos...) e isso, independe de fiscalização e policiamento. Invadir terras indígenas, a maioria regada de riquezas naturais, é algo não apenas fácil mas lucrativo. E quem sempre ganha são os que continuam ganhando, os que estão lá no cume do topo da pirâmide: latifundiários por exemplo.
"A história da humanidade é a história da luta de classes." Sim, Karl Marx tinha razão, porque a força propulsora da história se baseia na história da luta de classes. Quantos e quantas que, emergiram da pobreza, tiveram suas dificuldades durante a jornada em ascensão e ao atingir um novo patamar social, tornaram-se algozes de quem ficou num patamar inferior? Não são poucos, aliás, são incontáveis os casos em que o "sonho do oprimido de se tornar opressor", e nisso Paulo Freire também tinha total razão, se justifica na história passada, recente e presente.
Durante o curso de Teologia, fiz um trabalho sobre a situação dos Guaranis-Kaiowás que, expulsos de suas terras por fazendeiros, eram obrigados e sobreviver acampados às margens de rodovias. Muitos jovens dessas tribos, diante da dureza da vida longe de seu habitat, do sofrimento e da falta de recursos, sem voz e sem vez, e frente à tristeza de ver os seus perecendo cruelmente, acabavam tirando sua própria vida como forma de aplacar a dor; um verdadeiro protesto, à base do seu sangue e da sua vida, para que as autoridades tomassem as devidas providências.
Caberá à Justiça resolver a questão e os casos diferenciados. Concordo que pessoas que tem o seu pedaço de terra para subsistência e, que em sua maioria adquiriram as posses de forma não regulamentada, muitas vezes compradas de usurpadores, deverão ter um olhar atento para sua situação. Bem como, os que adquiriram suas terras para projetos de lazer em áreas de preservação ambiental e território indígena, que cientes das circunstâncias e riscos iminentes, devido à irregularidade da aquisição, poderão perder o investimento. Há aqui um grande contraponto entres os dois exemplos que mencionei. Os que foram enganados e lesados mas que dependem da terra e os que não foram enganados, assumiram o risco e investiram seu dinheiro mas, porém, podem ser desapropriados e assim, lesados. E quanto a esses que entraram conscientes, não há inocentes.
E, nesse momento, a luta é contra o "Marco Temporal". Seria desumano e injusto mexer numa demarcação que já está corrigida e resolvida. Voltar ao ano de 1988 para refazer as demarcações seria uma violência contra os povos originários. Se, em nome da ganância e do poder, os defensores do moralismo seletivo justificarem seus atos de ódio contra as minorias, conforme aconteceu nos últimos 4 anos, para continuarem invadindo, matando e expulsando os verdadeiros donos das terras, invocamos aqui a questão religiosa como uma força de origem centrada capaz de manipular ou libertar o indivíduo. Nem social, nem política e nem religiosamente, não há viés plausível para a aprovação do marco temporal. O que justifica essa ganância de poder pode ser visto sob a história da luta de classes e sobre as lutas entre oprimido e opressor.
sábado, 16 de setembro de 2023
De setembro a setembro
Um olhar humanamente teológico sobre as pessoas que perderam o encanto pela vida, o sentido da existência e a esperança no mundo. Setembro Amarelo deveria ser uma luta de todos os dias e não somente quando as mídias jogam os holofotes para o assunto. É positivo entrar nessa campanha de mobilização e prevenção ao suicídio. Porém, mais belo do que estampar os perfis de amarelo e cobrir com frases de efeito é necessário se atentar para o nosso papel social enquanto indivíduos de um sistema que oprime, desqualifica, exclui, negligencia e ignora os verdadeiros motivos que têm levado algumas pessoas a pensarem na possibilidade de atentar contra a própria vida e outras, de fato, na esperança de se curarem das dores da alma, infelizmente, executam seu plano.
Se a dor de quem fica é grande, imagina a dor de quem preferiu não viver mais. Não existe covardia nem heroísmo nesse ato, ou, dependendo da óptica, também pode ser ambos. Pecado? Talvez. Olhando pela bíblia cristã, o quinto mandamento diz "não matarás". Sendo assim, tirar a própria vida, segundo a bíblia cristã é um pecado. Porém, ainda segundo a mesma bíblia cristã, não é algo digno de condenação eterna e sem direito a perdão. Esse é um pensamento popular que ganhou força nos redutos das igrejas mas que não tem fundamento bíblico. Segundo o livro sagrado cristão, o único pecado que é causa de condenação eterna ao inferno é o de "blasfemar contra o Espírito Santo".
Se considerarmos as pessoas que dão sua vida em prol de uma causa religiosa, conforme algumas religiões ultra radicais, que as instigam a se tornarem verdadeiros homens ou mulheres bombas, as mesmas são consideradas mártires com promessas e garantias de uma vida eterna e digna no Paraíso, no Céu, etc. Durante as guerras surgiram os camicases que, não tendo mais o que fazer, lançavam-se com seus aviões no território inimigo na tentativa de abater o maior número de adversário possível.
O que difere cada ato de tirar sua própria vida: uma causa, uma esperança, uma promessa, um sentido? Ou, talvez, a falta de cada uma dessas possibilidades ou, todas e mais um pouco? A esperança que um homem bomba tem ao se permitir explodir em prol de uma causa político-religiosa não seria a mesma esperança que uma pessoa, que perdeu seu sentido de viver, tem para amenizar sua dor da alma? Essa última perdeu o sentido da vida, mas está sobrecarregada de dor. Tirar a vida não significa covardia mas, livrar-se da dor que ninguém sabe que existe nela, e por mais que saiba não consegue entender. Como não teremos jamais a resposta sobre o motivo de tal ato, sempre dialogaremos a partir dos relatos deixados de sua caminhada. A cadeira vazia será apenas um cenário de dor e luto por parte de quem ficou sem respostas.
E qual seria o nosso papel social, religioso, político ou simplesmente humano (o mais importante) para contribuir com essa luta de prevenção ao suicídio? Estamos numa era em que as informações que nos chegam são como uma tempestade em nossos pensamentos. Creio que não percebemos mas, muita gente se encontra esgotada mentalmente pelo excesso de informações que são oferecidas aos milhões, minuto a minuto. Esse excesso também pode contribuir para o desequilíbrio emocional, o que afeta diretamente as relações diretas e indiretas de cada pessoa.
A sociedade egoísta que ignora; as religiões com suas regras morais que exaltam as leis em detrimento do ser humano e da vida; as políticas, sejam as públicas que são falhas por conta do dinheiro que se desvia e não chega aonde precisa, sejam os representantes escolhidos pelo voto nos Estados e municípios, que se esquecem do seu compromisso com o povo e legislam em causa própria. Junte-se a isso a falta de recursos para coisas básicas. Muitos "próximos" sucumbem à tentação de deixar de existir num mundo onde não apenas se sentem invisíveis mas são tratados como escória.
Numa pesquisa de trabalho realizado durante o curso de Teologia, nos deparamos com índios da tribo Guarani-Kaiowás que preferiam tirar sua própria vida a viverem fora de suas terras, que naquele momento foram tomadas por latifundiários. A dor de viver fora do seu habitat, da sua casa, e sobreviver nas beiras das estradas, era um dos motivos de desordem emocional e desonra para si.
A dor alheia é algo que não conseguimos mensurar. Seja uma dor física ou, pior ainda, uma dor da alma, aquela que não se vê mas que mexe com todos os sentidos. Para a dor física existem remédios de resolução imediata. Para a dor da alma, existe uma demora para se chegar num ponto satisfatório de entendimento para então, de forma lenta e gradativa organizar as coisas que estão fora do lugar em seu pensamento, em seu íntimo, em sua história e na falta de expectativa.
Enquanto seres humanos, não nos custa levar um pouquinho de alegria, ou no mínimo ouvidos para as pessoas ao nosso redor. Não temos condições para salvar o mundo, mas podemos contribuir dando um mínimo de atenção para aquela pessoa que antes sorria atrás de um balcão e hoje se quer solta um "bom dia". Familiares que passam a reclamar da vida mesmo não faltando nada. Solitários ao nosso redor, regados de silêncio, timidez, e dificuldades de interação, dentre outros tantos, não custa acolher. Acolher no sentido de deixa-la sentir-se vista, notada, ouvida. Não precisa de muito. Um simples "tá tudo bem?" pode ser o essencial para salvar o dia e os pensamentos de alguma pessoa próxima que vive seus dias de tribulação.
Não importa a orientação sexual. Pecado é não amar! E, não há cura para o que não é doença! Antes da piada, antes da crítica, pense que uma palavra pode ser a melhor ou pior coisa que a pessoa com ideação suicida pode ouvir naquele momento e você nem sabe. Não sabemos quantas guerras habitam na pessoa com quem cruzamos todos os dias de nossa jornada. Por isso, empatia e respeito, é a melhor acolhida que podemos dar.
Para quem sempre cita a bíblia, em especial as rígidas leis do Antigo Testamento, eis que me deparo com um pensamento, o qual desconheço seu autor, mas que simplifica e alivia quando me deparo com pregações grotescas e de ódio: "Jesus não voltou durante a escravidão. Não voltou durante o holocausto e nem durante as cruzadas. Mas, vai voltar agora por causa do gênero de alguém."
Uma igreja que não acolhe as minorias e suas diversidades já perdeu seu papel aqui na Terra. Uma política que não cumpre com sua função de bem comum só serve para alimentar os lobos no poder. Uma sociedade que não percebe a dor alheia, já deixou de ser humana com seus semelhantes. E por que esse discurso em meio à campanha Setembro Amarelo? Porque tudo isso pode ser causa, mínima ou máxima para alguém que está desacreditado de si, sobrecarregado de dores, cometer suicídio.
sexta-feira, 14 de julho de 2023
Adão & Eva: o peso da culpa recaído sobre a mulher e outras teorias.
O texto de hoje na verdade é um diálogo que se iniciou quando o jovem Mateus (*), estudante de psicologia na mesma instituição em que também estudo, procurou-me com alguns questionamentos que aguçaram e muito o meu pensamento. A partir daí, a conversa foi se desenrolando. Fiz questão de colocar tudo da forma como se deu para não perder nenhum detalhe. E, como eu disse ao próprio Mateus, "esse bate-papo merece destaque".
Mateus: Bom dia Ailton, estava procurando o seu contato pra falar a respeito de uma teoria que pensei enquanto estava com insônia.
Ailton: Bom dia. Tudo bem?
Mateus: Tudo jóia. Enquanto eu estava com insônia, estava pensando a respeito de Adão e Eva e minha teoria tem a ver com isso e, por você ser Teólogo, vai saber me falar se faz sentido ou não.
Ailton: Claro, vamos decifrar seu pensamento... rs. Bora. Se preferir mandar áudio, fique à vontade.
Mateus: A minha teoria é a seguinte ... O "fruto proibido" nunca foi um fruto e a "cobra" era Lúcifer. E na minha teoria o fruto proibido seria o sexo. Eva transou com Lúcifer porque foi tentada pela "cobra" kkkkkkk. Com isso ela fez o mesmo com o Adão. Tiveram o primeiro filho que seria o Caim. Que é filho de Lúcifer e Eva. E pela essência do pai dele, ele acabou cometendo o primeiro assassinato no mundo contra o meio irmão. Botou o pé na estrada. E fez filhos.
Ailton: Certo. Vamos por partes...
Mateus: Como diria o Jack Estripador ... Vamos por partes.
Ailton: Em primeiro lugar é necessário compreender que Adão e Eva na verdade não passa de um conto. Não chega nem a ser uma lenda porque nunca existiram de fato. São personagens fictícios criados para contar a história do nascimento humano, do universo e da vida em si, a partir de uma teoria religiosa construída desde há muitos milênios atrás, muito antes de Cristo.
Ailton: Desculpa se estou sendo muito detalhista, mas vou tentar descrever de uma forma que, seria o jeito que explicaria para qualquer pessoa, independente do seu grau de conhecimento, fé, crença ou coisa do tipo. Então, desculpa se eu disser coisa que talvez, vc já saiba...
Mateus: Tranquilo.
Ailton: Sua teoria é interessante mas não tem embasamento nas histórias descritas no único livro que a conta, que no caso é a Bíblia (seja ela de qualquer religião cristã). Talvez, numa outra religião ou seita, sua teoria já até tenha sido mencionada e estudada. Quanto a isso não posso dizer, porque desconheço.
Ailton: A cobra no caso, tem muitos pensadores e teólogos que trazem diferentes interpretações. Eu, ainda penso, que ela (a cobra) seja apenas o nosso pensamento. E, como tal, o pensamento está incutido em nós, faz parte do nosso ser. Temos no caso a possibilidade de pensar coisas positivas ou negativas, e consequentemente bota-las em prática. Ou, podemos dizer que temos o anjo bom e o anjo mau, ou ainda, o lobo bom e o lobo mau. Basta saber qual devemos controlar e qual devemos acessar.
Ailton: Sua teoria seria perfeita para uma continuidade da série Lúcifer. Pois, seria algo a ser explorado a fundo por pesquisadores que se desdobram para construir uma ficção em cima de algo que, há muito tempo, faz parte da crença, da fé e da religiosidade de grande parte da população mundial.
Mateus: Nunca assisti essa série. Por preguiça kkkkkkk.
Ailton: A cobra representa o mal, entre Adão e Eva no paraíso. Seu papel é o de instigar o casal a fazer aquilo que não deveria ser feito. Por outro lado, pense, se o sexo já existia desde sempre para a procriação, por que ele seria algo considerado como fruto proibido? Ou seja, o sexo, como parte da criação também deveria ser algo abençoado por Deus. E é, sem sombra de dúvidas. Então vamos além...
Ailton: O que de fato estava impedido de acontecer, que era considerado o pecado dos pecados seria o "prazer". O prazer conseguido através do sexo. E por que a mulher em si, no caso EVA, que foi a que ousou comer desse fruto proibido? Porque na verdade, desde sempre a mulher era proibida de ter o seu prazer; ela, sequer, tinha direito a qualquer tipo de expressão na sociedade de sua época. Se ainda hoje temos essas diferenças, imagina a 2000 ou 5000 anos atrás !?
Ailton: É interessante, sátiro, a forma que a série recoloca o Lúcifer no papel da sociedade. Te indico pra assistir com olhos abertos e pensamento livre, encarando como um gênero de humor e com questionamentos que até o momento nenhuma religião foi capaz de fazer.
Ailton: Naquele momento somente o homem sentia prazer. E percebemos que isso ainda acontece nos dias de hoje. A história bíblica conta que a mulher saiu da costela de Adão. Mais uma história de submissão e pertencimento. A mulher pertence ao homem. A história foi escrita por homens e não por mulheres. Até mesmo algumas histórias bíblicas, em que a mulher é protagonista, foram escritas por homens. Ainda existem países e religiões em que a mulher não tem vez, nem voz, e tampouco pode sentir prazer. Alguns lugares ainda mutilam as mulheres para que não sintam prazer, cortando seus clitóris.
Ailton: A bíblia, demonstra o tempo todo que a mulher devia exercer apenas um papel de submissão. Nem nos templos ela podia entrar. Colocaram essa conta nas costas da mulher, que o pecado entrou no mundo quando Eva deu ouvidos à cobra e cedeu a tentação. Consideravelmente um pensamento machista.
Ailton: Eu acho inviável que essa teoria (a sua) seja uma possibilidade dentro do contexto bíblico em que o texto foi descrito, levando em conta principalmente a insignificância do papel da mulher na sociedade da época.
Ailton: Por outro lado, acho uma teoria muito interessante, porque se de fato ela transou com a cobra, essa cobra teria se materializado feito homem, então não havia apenas Adão e Eva, mas muitos Adãos e muitas Evas, ou seja, era uma sociedade. Então Eva, impossibilitada de ter prazer com seu parceiro, encontrou prazer nos braços de outro homem, o que a fez descobrir-se enquanto mulher e, dessa forma pode conhecer o prazer. Foi descoberta e de certa forma amaldiçoada. E, pode ser, nesse caso, dentro das perspectivas de sua teoria, que esse primeiro filho tenha sido fruto de um adultério, ao mesmo tempo, fruto de um amor extraconjugal no qual ela descobriu-se enquanto mulher.
Ailton: Irmão, o baguio é loko! rsrs.
Ailton: Já viu um vídeo do pastor Marco Feliciano dizendo que a África era amaldiçoada? Vou te mandar. Cara, olha a que ponto chegam os idiotas! Isso porque são líderes religiosos...
Ailton: https://www.youtube.com/watch?v=e9QGVliE-p8
Ailton: Bom, não sei se pude contribuir com seu pensamento, com sua teoria, mas de qualquer forma te agradeço pela confiança em partilhar. Questionamentos assim fazem a gente parar e refletir. Sua teoria me auxiliou a rever alguns conceitos. Obrigado. Qualquer coisa me chama aqui. E quero saber o que você achou de tudo isso acima
Mateus: Caraca ... Explodiu minha mente kkkkkk.
Ailton: Espero que junte tudo de volta e de forma turbinada rs.
Mateus: Perfeito ! É exatamente por isso que eu vim atrás de você ! Acho você uma pessoa muito mente aberta e muito inteligente e acabou abrindo a minha mente pra novas teorias também kkkkkkkk.
Mateus: Me senti recebendo uma aula! E que aula ... Assim que eu entrar no horário de almoço eu dou uma olhada, mas eu acredito que eu já vi esse vídeo e fiquei em choque com o que foi dito quando vi pela primeira vez
Ailton: Que isso irmão! Somos todos aprendizes. O simples fato de você me questionar, me aguçou a pensar. E pode ter certeza, o papo de agora é único, pois nunca o tive com ninguém. A aprendizagem é sempre uma via de mão dupla. Seu questionamento me fez ter percepções que até a pouco estavam apagadas ou nem as tinha de forma elaborada na minha mente. Pode ter certeza que eu aprendi muito mais...
Mateus: Um bom mestre é um eterno aluno
Ailton: Obrigado Mateus, por me propiciar esse momento de aprendizado mútuo. O mundo, a sociedade em geral, precisa de pessoas com senso-crítico, que pensem e questionem antes de aceitarem toda história contada como verdade única. Parabéns, jovem!
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
quinta-feira, 13 de abril de 2023
Rascunhos incompletos I
A última ceia
A última ceia é a referência da vivência do amor e da caridade: "nisso todos reconhecerão".
O que faz com que uma pessoa potencialize uma demanda se a demanda é da ordem do inatingível?Deus seria o acaso?
Ou o acaso é a vontade de Deus??
Livre arbítrio
Conspiração divina?
sexta-feira, 10 de março de 2023
A visita
A instituição em si, no quesito estrutura física, lembra muito os relatos de um sistema institucionalizado. Foucalt descreve isso em Vigiar e Punir. Muros e grades ao redor, portões trancados, segurança para proteger os internos e as chaves sob custódia de um responsável para abrir os portões externos. Escolas, manicômios, internatos, presídios seguem a mesma linha de infraestrutura e organização, porém cada instituição com seus objetivos e finalidades.
Quando adentrei na primeira sala juntamente com meus colegas, já me deparei com algumas pessoas em cadeiras de rodas. A sensação é de comoção, de dó, pena mesmo... Imagino sempre como é perder algo tão vital quanto a liberdade, estar impossibilitado de fazer as coisas que gosta e que tem vontade e, em contrapartida estar dependente de terceiros. É a dor alheia me absorvendo, doendo em mim, e me fazendo refletir além do que vejo. Penso quantas histórias essa pessoa já viveu, o que a levou até este lugar, e o que ainda espera diante do que lhe resta. Esperança, talvez?! Ou apenas, aguarda por sua hora última, em silêncio, solidão, dores, saudades e, talvez, um tanto de consciência sobre esse tempo?
Algumas pessoas tem capacidade de locomoção, mas a maioria requer ajuda. Já na segunda sala, com cadeiras, sofás e cadeiras de roda, estava a maioria das pessoas. Em cada passo meu sinto um descompasso interior. É a minha minha fragilidade se acentuando e minha mente questionando o que posso fazer, o que posso deixar ali... quero muito e não posso nada, essa é a sensação. Um mix de impotência e inquietude que aguçam o querer ir além... Não sei o que eu pude deixar lá além de uns minutos dedicados com olhos, ouvidos, conversas e risos, mas sei muito bem o que eu trouxe aqui dentro. Sei e sinto, que num lugar assim, se não houver incômodo no que se vê, e gana por lutar por quem precisa, então, de nada valeu...
No portão de entrada havia uma senhora de semblante triste e que não media palavras para demonstrar sua contrariedade por estar ali. O que parecia, quando a escutei conversando com uma colega, era que sentia-se só, abandonada. Qualquer pessoa que chegasse até ela e puxasse algum assunto, a reclamação era a mesma.
Impossível não se comover, impossível não se abalar, impossível calar-me... A experiência não foi nem nunca será um mero cumprimento de dever acadêmico, tampouco uma caridade regada à hipocrisia para satisfazer o ego da vaidade religiosa. Ouvir histórias e entrar na brincadeira, doar-se com o que temos de melhor para o momento, olhos e ouvidos... isso é essencial. Eles sabem, sentem, compreendem quando a atenção é fria ou encenada.
Cada um com sua particularidade, vi ali uma colcha de retalhos de histórias recontadas. Não pude ouvir todas, mas a partilha com meus amigos e amigas deu-me uma dimensão maior desse dia, com essas pessoas. Há muito o que se fazer por este mundo, e em cada canto, que eu consiga levar além do que aprendi nas experiências acadêmicas, que eu possa ter a sabedoria necessária diante das adversidades, o profissionalismo humano e a empatia, amor e respeito para com cada um que cruzar por essa travessia através da Psicologia.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
Caridade sem holofotes
Não falamos aqui, de caridade ao arrecadar alimentos e donativos para auxiliar a quem precisa. Caridade está além desse gesto. Muitas vezes as pessoas doam dinheiro nos semáforos simplesmente para aplacar seu ego de "pessoa caridosa", ou para se mostrar benfeitora e digna de aplausos, ou ainda para se ver livre da presença "inconveniente" de quem pede. Pois, quem se dá ao trabalho da humilhação de pedir, sempre está com roupas sujas, e sem as necessidades básicas de higiene supridas.
O Papa Francisco tem afirmado que a caridade é o maior antídoto contra as tendências de nosso tempo, que “a caridade é sempre a via mestra do caminho de fé. Mas a caridade não é simples filantropia, mas, por um lado, é olhar o outro com os mesmos olhos de Jesus e, por outro lado, é ver Cristo no rosto dos necessitados” (23 de mar. de 2022) ².
Segundo São Vicente de Paula, “a caridade é um amor elevado acima dos sentidos e da razão, pelo qual nos amamos uns aos outros pelo mesmo fim, pelo qual Jesus Cristo amou os homens para fazê-los santos neste mundo e bem-aventurados no outro” ³.
De acordo com o site SSVP Brasil, o Beato Antônio Frederico Ozanam diz que "segundo as leis que regem o mundo espiritual, para elevar uma alma é necessária outra alma, esta atração é o Amor, que também se chama amizade na linguagem da filosofia e a caridade na linguagem do cristianismo” (23 de abr. de 2021) ₄.
A palavra que interliga o pensamento desses três nomes, esteja ela explícita ou não, é simplesmente o amor. Não foi à toa que o atual Papa escolheu o nome de Francisco para o seu papado. Francisco de Assis, considerado um santo pela igreja católica, despojou-se de si, dos seus bens e se entregou ao serviço dos mais necessitados, humildes e excluídos da sociedade de seu tempo. Amor-entrega, amor-doação, amor-caridade, ou simplesmente amor. Francisco de Roma tem lutado com veemência contra o sistema político-social opressor para dar voz e espaço aos que precisam de todo tipo de ajuda e em especial, de inclusão.
Então, qual seria o sentido da vida se não houvessem outros e outras de nós? A vida é mais que uma partilha com os que amamos. A vida é entrega diária, doação, afeição, empatia, caridade e amor. Nem sempre temos as condições para ajudar de forma material a quem precisa, mas temos a oportunidade de dar o melhor de nós levando o calor humano, com o coração aberto para acolher, dar ouvidos, um olhar de atenção e de empatia. Isso é caridade, isso é amor. E amor dispensa holofotes.
Ailton Domingues de Oliveira
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
[¹] https://portaljfonte.com.br/fora-da-caridade-nao-ha-salvacao/
[³] https://catequisar.com.br/texto/colunas/julinei/04.htm#:~:text=%E2%80%9CA%20caridade%20%C3%A9%20um%20amor,bem%2Daventurados%20no%20outro%E2%80%9D.
terça-feira, 6 de dezembro de 2022
De almas e de rios, encontros
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
Vôlei: acolhida, empatia e respeito
Entre lágrimas de desespero, e abraços de coragem, cá estou. Um sobrevivente de lutas invisíveis, de sofrimentos palpáveis como a de qualquer outra pessoa. Vi muita gente abdicar de sua existência por não se enquadrar em nenhum modelo ou padrão social. Porque pra você existir, ser reconhecido, precisa fazer parte de regras arcaicas as quais os hipócritas julgam ser morais e de bons costumes. Querem nos enquadrar naquilo que os donos do poder consideram como normal e são.
segunda-feira, 28 de novembro de 2022
Sonhos em auto análise: a cobra de cada dia
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Minha sexta-feira 13 especial
E, como eu havia comentado ao longo do texto, não vejo outra forma de uma possível manifestação de Deus que não seja como essa, através de pessoas que precisam muito mais de respeito do que de caridade. Não entendo também nenhuma outro meio de expressar a fé, seja através do cristianismo, do budismo, do espiritismo, ou qualquer outra religião ou crença, que não seja a de dar ao próximo o que ele mais necessita: amor em forma de atenção e respeito. Não quis fazer de tudo isso um pedestal para "bons atos" e esperar aplausos no final. Apenas registrei este momento especial, num dia todo especial e partilhei com pessoas que com certeza entenderão.




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