O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
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quinta-feira, 14 de março de 2024
A hipocrisia escancarada na tal "corrente do bem"
Recentemente ouvi um termo da boca de uma pessoa conhecida. Uma tal de "corrente do bem". Não sei se isso é um movimento, um grupo, uma corrente de pensamento, mas enfim, a conotação não soa bem aos ouvidos. A primeira impressão é a de que somente está inserido neste grupelho aquele que pratica o bem. Isso foi criado por um politicozinho eleito por aquele movimento midiático (CN). Aí fica aquele mix de política e religião. E com tantos pseudo cristãos no poder e arredores, isso realmente não me soa bem. CN é um movimento elitista, uma organização rica que atua como um braço forte e radical da ICAR. Sim, os frequentadores são de todas as classes, pois são esses que sustentam as luxúrias dos artistas. Conservadorismo-coronelismo ímpar, digno de medievalismo. O deputadim cantô, ou cantô deputadim, defende interesses da classe. Óbvio. Um vendido! Um falso moralista, ou melhor, um moralista seletivo. Corrente do bem porra nenhuma! Gente hipócrita que se vende, se corrompe pela sobra de quem busca a fama. Bater no peito e dizer que faz parte da "corrente do bem" é o mesmo que dizer em alto e bom tom, que só você que faz parte é digna e só você é do bem. Hipocrisia! Se fazer parte desse grupo é ter essas posturas de falso moralismo e pseudo cristianismo, então eu to literalmente do outro lado. Minha gastrite não suporta hipocrisia. Esse povo alienado e que gosta de alienar são um perigo para a sociedade. Me oponho veemente a esse tipo de coisa. Vejo a CN como empresa do mesmo jeito que vejo a IURD. Abram os olhos porque quem fica se vangloriando por isso está alienado e quer levar seus seguidores para o mesmo caminho. Vendilhões do templo!
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Falsos pastores midiáticos e seus demônios de araque
Essa imagem foi printada de um vídeo que está rolando nas mídias sociais. Um pastor, que não aparece no vídeo, a mulher e sua personagem endemoniada, uma outra mulher de vestido nas costas, que deve ser figurante de suporte, e a plateia que interage em meio a vozes de crianças. Só pelo fato de ter crianças presentes nessa situação, acredito que o Ministério Público deveria ser acionado e consequentemente até o Conselho Tutelar.
A dramatização em si, da ordem da quinta categoria abaixo de zero, traz a voz de um pastor, que na trama exerce o papel de mediador e invocador de entidades. Ele pergunta à mulher possuída qual o nome da entidade que tomou posse do corpo de alguns nomes da política. A mulher responde, com uma voz forçada, movimentando a cabeça e os cabelos, assim como fez aquela Janaína Paschoal, certa vez, num palco de comício. Mesmo que virasse a cabeça em 360º sobre o pescoço, ainda haveria muitas dúvidas sobre a veracidade dos fatos.
Teologicamente essa encenação fere princípios éticos sociais e de outras religiões e religiosidades, ao usar nomes de entidades que não pertencem a essa denominação.
Religiosamente, o cristianismo verdadeiro não carrega esse fetiche de evidenciar o demônio para tirar proveito próprio: status midiático para saciar o pecado do ego.
Casos raros de pessoas endemoniadas e a prática do exorcismo não são jamais midiatizadas e, tampouco, tratadas como um teatrinho infantil; os ritos utilizados no exorcismo, criados no seio cristão, especificamente no catolicismo, são tratados de forma rigorosa, ética e principalmente científica, e posteriormente, como questões de ordem religiosa e de fé.
Psicologicamente pode haver alguma explicação para os protagonistas em questão, o pastor, a endomoniada e a plateia: "uma espécie de psicopatologia que oscila entre o dinamismo psicótico-paranoide-delirante e o dinamismo psicopático-perverso".
Cinematograficamente não serve nem pra comédia, nem pras pegadinhas do Silvio Santos.
Juridicamente, acredito que tudo se encaixa bem no artigo 171 do código penal.
Vídeo: https://www.brasil247.com/midia/pastor-bolsonarista-faz-suposto-exorcismo-em-fiel-e-diz-que-demonio-controla-lula-e-janja-video
Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos
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sexta-feira, 14 de outubro de 2022
O sequestro de Deus
As ciências que discorrem sobre a fé. A fé que atesta a ciência. Assim deveria ser, mas não é. Há mais que uma disputa de devotos e torcidas entre os opostos e divergentes. A briga é por uma verdade que ninguém detém. Verdade empurrada, à força, que soa mais como necessidade de impor e mostrar poder. Ganância pelo próprio poder. O poder que proporciona status. E para se impor, com poder, é necessário causar medo. E o medo aliena. E quando se aliena, qualquer mazela dita como "verdade", mesmo que não o seja, acaba sendo única, seja ela religiosa ou científica. Uma verdadeira deturpação de valores.
Quando a necessidade de mostrar poder e força estão acima do bem comum, há no contexto um grande sinal de desvio de finalidade e, nos porta-vozes da alienação, um medo maior de perder o controle, o poder, e todas as regalias que o mesmo proporciona.
Deus mesmo, continua sendo esquecido, encarcerado, morrendo nas esquinas, nas favelas, marginalizado. Deus, sendo amor, está deturpado até mesmo nos altares dos vendilhões e "mestres da lei". Vendem por aí os milagres da fé tanto quanto os da ciência, mas o milagre do amor ao próximo, muito mais real e necessário, já não existe nem nas tábuas dos mandamentos desses senhorios.
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
Efésios 4,11
Um dia desses uma pessoa tocou o interfone do meu trabalho. Pude ver pela câmera que era um rapaz, aparentemente de uns 35 anos de idade. Ele identificou-se como alguém que estava fazendo o trabalho espontâneo de levar mensagens bíblicas nas casas das pessoas e chegou a se intitular como um pregador da Palavra de Deus. Então, pediu-me 5 minutos para que pudesse falar pessoalmente comigo.
Naquela hora não podia atendê-lo e expliquei a situação. O rapaz insistiu e eu expliquei novamente que não poderia mesmo. Então ele pediu-me para que lesse um trecho da Bíblia: Efésios 4,11. Eu respondi "tudo bem" e ele repetiu em alto e bom tom: "Efésios 4,11". Fiquei curioso e no mesmo instante acessei a internet (https://www.bibliaon.com/versiculo/efesios_4_11/) para ler a mensagem: "E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, [...]"
Aí fiquei na dúvida de entender onde estaria a mensagem para a minha pessoa, para a minha reflexão, para o meu dia ou para a minha vida. Não havia nada de específico nesta passagem sugerida e isso me intrigou. Comecei a pensar na fala e no modo com que o rapaz se pronunciou no interfone. "Eu sou um pregador e venho trazer a palavra de Deus".
Entendi que a passagem sugerida era algo que apenas justificava o fato dele estar ali fazendo essa espécie de "trabalho voluntário". Porém, alguém que quer fazer algo espontâneo não precisa se justificar, ainda mais com uma passagem específica da Bíblia. Considerando o momento atual em que vivemos, acredito que a mensagem que deveria ser levada às pessoas seria através de palavras de fé, otimismo e esperança, dentre outras.
Posso estar fazendo um julgamento equivocado da situação, mas levando em conta o número excessivo de pessoas que usam da boa fé alheia para lhes roubar o tempo, o dinheiro e a própria alma, deixando-as não apenas alienadas às regras de determinadas instituições mas também psicologicamente dependentes de um certo tipo de submissão pseudorreligiosa, ando extremamente atento.
Os espertos buscam presas fáceis à exploração mas, como eu já disse e repito, "posso estar equivocado na forma de pensar", porém nada me tira da cabeça que aquela abordagem era algo muito mais além de levar uma mensagem bíblica. No fundo me arrependi por não ter atendido, assim eu teria certeza sobre o que de fato o rapaz queria além de, de forma direta ou indireta, intitular-se como um designado segundo Efésios 4,11. Minha dúvida é: "Será um homem de Deus ou um bandido da Fé?"
terça-feira, 16 de julho de 2019
Possessão ou obsessão demoníaca?
Foto / Reprodução: Canção Nova
Bom, o assunto é delicado, polêmico e causa espanto e medo principalmente no público leigo. Quando se fala sobre possessão e manifestação demoníaca muita gente lembra do filme O exorcista. Eu, particularmente, não gosto do gênero, portanto não fiz questão de assisti-lo. Mas, deixando a ficção de lado, o tema esteve em pauta nas redes sociais após um episódio que marcou o final de semana dos fiéis que acompanhavam a celebração da missa, pelo Pe. Marcelo Rossi, num evento da CN (Canção Nova), no último dia 14/06/19. Uma mulher subiu ao palco e empurrou o sacerdote que caiu mas não teve nenhuma lesão grave, segundo o que ele mesmo relatou após o incidente.
Além de acompanhar pelos noticiários na TV também participei de algumas discussões na página de alguns amigos pelas redes sociais. É um absurdo ver o quanto as pessoas distorcem os fatos e dão seus vereditos sobre o ocorrido, mesmo não tendo conhecimento para tal. Muitos lacraram: "É o demônio agindo!"; "A mulher estava possuída pelo demônio, mas o padre é um ungido de Deus."
Graças a Deus o empurrão seguido do tombo não impossibilitou o padre de dar continuidade à missa no evento. Ato nobre o dele de não querer registrar B.O. e sua fala de "perdão" para com a mulher. Melhor ainda que não houve nada grave além das pequenas dores locais, conforme já mencionado anteriormente.
Por outro lado, eis a frase do padre Marcelo Rossi que deu um leque de interpretações: “Amados, vocês viram como o demônio me odeia”. Bom, não precisava estar lá para fazer uma simples interpretação ou correlação das coisas. Uma pessoa tão midiática como ele ao proferir tais palavras deixa a entender que tal ação foi motivada pelo demônio que pode ter usado aquela mulher. Manifestação demoníaca? Logicamente houve um alvoroço obsessivo para acreditar que sim.
Ora, há um grande abismo entre transtorno psiquiátrico (o que já ficou esclarecido pelos familiares e conhecidos da mulher) e possessão e/ou manifestação demoníaca. A própria igreja tem uma vasta gama de documentos que discorrem sobre o tema. Agora, o que está em pauta é o exagero dessas grandes instituições (CN, RCC e afins) e celebridades religiosamente midiáticas em querer dar um veredito sobre o assunto, sem antes ter um respaldo legal, no caso, o de um médico.
Essa obsessão de que tudo é obra do demônio só serve para engrandecer os negócios, mas de uma outra forma. Assim como se criam certas doenças para vender os remédios é necessário inventar demônios para vender a cura e os produtos da religião. Precisa-se de um capeta para vender o desencapetamento. Sei que isso é polêmico e talvez entendam até de maneira simplista. Mas, mais simplista do que a grande massa manipulada dar um aval patológico, psicológico e religioso, mesmo sem ser psiquiatra, psicólogo ou sacerdote, não tem.
No Doc. de Nº 53 da CNBB - Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica - especificamente no item número 67, segue: "Poder do mal e exorcismo: Cristo venceu o demônio e todo o espírito do mal. Nem tudo se pode atribuir ao demônio, esquecendo-se o jogo das causas segundas e outros fatores psicológicos e até patológicos." Nem os próprios carismáticos, muitos deles, não se dão ao trabalho de ler e estudar sobre o assunto. É de uma irresponsabilidade tamanha afirmar sobre certas questões sem o devido conhecimento...
Lembrei-me de um fato, que presenciei, e que agora já virou causo (rs). Voltava da faculdade e me deparei com várias pessoas no meio da rua em volta de uma mulher que estava deitada. Havia ali um pastor com um bíblia na mão e gritando, daquele jeito que todos já imaginam, palavras de ordem para que o demônio deixasse aquele corpo. Sugeri para levarmos a mulher para a calçada e imediatamente liguei para o Corpo de Bombeiros. Não se passaram nem 5 minutos e o pastor liberou a mulher "enferma" dizendo que ela já estava curada. Ela mal conseguia ficar sentada no chão, mas o religioso afirmava que ela poderia entrar para sua casa. Nesse momento eu disse que o Bombeiro já estava chegando e que era necessário uma avaliação. Ainda assim o homem com a bíblia na mão tentava lacrar com palavras do tipo: "eu já libertei ela"; "não tem mais demônio perturbando ela"... E por aí vai. Salientando que ele usava sempre o pronome "EU": eu fiz, eu aconteci!!! Os bombeiros chegaram e começaram os procedimentos. Enquanto isso conversei alguns minutos com a mãe da mulher enferma e o que descobri foi: "O demônio dela é cachaça, meu filho. Ela tá bebendo desde cedo porque eu chamei a atenção dela." Só informando que já eram umas 23 horas no momento do ocorrido. Enfim, ela tomou uma injeção de santa-glicose, foi para o P.S. onde passou por umas sessões de "soro-santo" e ficou curada desse capeta de cachaça, ou cachaça do capeta. O pastor, ainda todo pomposo, com sua bíblia debaixo do braço, foi-se embora afirmando que tinha expulsado o "demonho". "Questães de interpretaçães."
E depois de tudo, eis que fica a seguinte pergunta: será realmente possessão demoníaca ou mais uma situação de obsessão por demônios por parte da grande massa manipulada e induzida à tal conclusão?
No link, segue uma das matérias veiculada na mídia:
https://veja.abril.com.br/brasil/mulher-empurra-padre-marcelo-rossi-de-palco-durante-missa/?fbclid=IwAR151Von-NItkifZsYPuESU-TWTOM90Ie2BkcL_dZm6sHc6K3HBW8ccVzkE
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Ragnarök, Gênesis e Apocalipse.
O Ragnarök, destino final dos deuses segundo a mitologia nórdica, tem muito em comum coincidência com o Gênesis e o Apocalipse do cristianismo. A eterna batalha entre bem e mal que acontece no mesmo momento em que o mundo se consome em destruição são prenunciadas em ambos, tanto quanto o recomeço utópico que se dá após cada catástrofe.
Através da particularidade de cada religião e crença, tudo nos leva a perceber que início e fim, vida e morte estão num contexto cíclico de eternidade sempre presente, aqui e agora.
Viver apenas em busca da promessa de eternidade incorre no risco de roubar de si a chance de uma vida real e em liberdade.
Tudo e todos os que se aproveitam da inocência e fragilidade alheias para alienar e doutrinar, tirando a possibilidade da libertação plena e da liberdade do pensar, do descobrir e do agir, cerceando o senso-crítico individual e coletivo, não é nem digno de ser considerado religião nem religioso (a).
terça-feira, 1 de maio de 2018
"Não concordo mas respeito"
"Eu não concordo mas respeito", essa frase já virou bordão na
boca do povo que, ou não tem culhão para enfrentar um embate aberto ou está em
cima do muro sobre o assunto em discussão ou de tão inocente não tem noção da
gravidade da coisa ou pensa que está colaborando com a paz mundial ao
selar sua fraca opinião com essa frase pronta ou ainda, na pior das hipóteses, conivente ou ignorante mesmo.
Dias atrás quando compartilhei uma notícia na minha página do facebook
através de um link¹, aos poucos surgiram pessoas que teceram suas opiniões. O
pano de fundo do texto era a religião e as opiniões, em sua maioria
discordantes sobre determinadas práticas da seita, era o cerne da discussão.
Religião é um assunto que sempre causa polêmica. As narrativas bíblicas mostram
que esse fato acontece a mais de dois mil anos e hoje as redes sociais permitem
que tais polêmicas tomem uma proporção bem maior tanto no que tange o tema
quanto na quantidade de pessoas atingidas que se encorajam a manifestar seus
pensamentos, mesmo que seja para aplicar o velho e conhecido jargão que não por
acaso é o título desse escrito.
O respeito é um dever de todos. Opinar e discordar, principalmente
quando esse ato vai a favor do bem, ou melhor, da vida, também deve ser um
dever. Creio que existem assuntos que nem merecem ser debatidos, pois todo ser
humano deveria ser uníssono no que se refere à salvar uma vida mas, ainda
existem "coisas" que se mantém na sociedade e que são capazes de
fazer com que algumas pessoas hesitem a praticar um ato em prol de uma vida.
Portanto, discordar de tais práticas absurdas e trazer essa discussão à luz do
bom senso é o mínimo que podemos contribuir para uma sociedade livre de
mordaças religiosas.
A pauta do link compartilhado trata sobre uma
criança que só não morreu porque os médicos, mesmo contra a vontade de seus
pais que são Testemunhas de Jeová, recorreram judicialmente e realizaram a transfusão de sangue. Doar sangue
é um ato proibido a todos os seguidores dessa seita e essa regra não tem
exceção mesmo que seja para salvar seu pai, sua mãe ou seu filho no leito da
morte. Como já disse, esse deveria ser um dos assuntos que não mereciam ser
debatidos uma vez que, enquanto seres humanos, nossa consciência natural e obrigação seria apenas ter o único pensamento de
que devemos utilizar todas as ferramentas disponíveis para salvar uma
vida.
"Tudo o que vai contra a 'vida' merece ser não apenas discordado mas principalmente denunciado. Religião que atenta contra esse princípio já deixou de cumprir o seu papel legítimo, se é que em algum momento de sua existência realmente tenha tido algum objetivo além da alienação ou da exploração ou de ambos". Essa foi uma das respostas dadas diante de algumas opiniões que surgiram controversas durante a discussão.
"Não concordo mas respeito" é uma saída estratégica pela tangente. "Não concordo mas fico quieto", "não concordo mas vou fingir que não vi nada", "não concordo mas não vou perder o amigo" creio que esses podem servir como sinônimos. Melhor mesmo é nem usar esse método como fuga de uma discussão acalorada e se não for pra contribuir com a mudança arcaica do cenário, que nem se manifeste. Denúncia faz parte, omissão não!
1 -
https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/justica-autoriza-transfusao-de-sangue-a-crianca-de-familia-testemunha-de-jeova.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1)
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Desatando antigos nós
Sim. Acredito em Deus. Acredito que deva ter existido um início
'mágico', 'celestial', 'inexplicável' para tudo isso. Acredito também que essa
obra criacional pode ser entendida como fruto de um amor incomensurável, tal
qual um pai por ser filho, ou como um pintor que se deleita de orgulho quando
conclui sua pintura.
Também não perdi minha fé com a conclusão do curso de Teologia. 'A
verdade que liberta' deixou de me assombrar e passou a me encorajar. Sem medo
de denunciar, de criticar (se for preciso), de expor e principalmente de
questionar os modos operantes que assolam os bastidores institucionais.
Discordar das regras morais que violam o bem estar e até mesmo a vida do ser
humano é mais do que um mero fato, é obrigação!
Sou católico de berço, gosto dessa religião mas não concordo com muitas
de suas páginas de regras ora absurdas, ora abusivas, ora descabidas. Conheço
leigos, padres e freis, entre outros, que são verdadeiros meios de libertação
junto à caminhada de sua comunidade e para uma vida plena e em abundância de
seus fiéis. Conheço também, infelizmente, o oposto disso que está na prática
deturpada daquilo que se encontra nas tais páginas: a hipocrisia, a falsidade,
a alienação que se manifestam através dos falsos profetas. Não tenho medo do que
penso, do que sinto e nem tampouco de partilhar tais sentimentos e convicções.
Por outro lado não me considero menos cristão que aqueles que ostentam seus
joelhos calejados de tanto frequentarem a igreja. As aparências também fazem
parte do marketing religioso.
Biblicamente discordo daquele deus citado, principalmente no Antigo
Testamento, que castigava um povo em detrimento de outro, que era severo e
vingativo, além de dar poderes para alguns seletos homens que, julgando-se
escolhidos, usavam deus para atuar em causa própria. No que diz respeito a
isso, encontramos versões atuais de como atuar em causa própria nas religiões
contemporâneas. É algo que nunca deixou de existir, apenas se modernizou.
Seguindo à risca a expressão bíblica 'crescei-vos e multiplicai-vos',
assim as religiões o fizeram. São muitas denominações que, em seus ambientes
criam insatisfações entre seus membros e a partir daí os que discordam das
regras e doutrinas aplicadas se insurgem e recriam sua própria igreja, desta
vez readaptada aos seus moldes de entendimento, até que o ciclo se repita e a
redivisão aconteça.
E não é apenas por isso que as ruas de cada cidade estão repletas de
templos, ou melhor, uma nova gama de adaptações de templos. Há lugares em que
são mais de cinco numa única ruela. Como disse 'não apenas por isso', mas o
motivo principal ultrapassa as questões espirituais e a busca pela tão desejada
salvação eterna, tornou-se um negócio. Não duvido da fé de quem procura mas
quem manipula está ciente de seu oportunismo que visa apenas o lucro sobre a fé
alheia. Impossível assistir a isso calado!
Não mais acredito na religião que se impõe acima da vida, nem naquela
que valoriza o institucional em detrimento do ser humano. Qualquer religião que
tem em seu legado o amor e a luta pela vida é digna de ser um caminho para a
salvação. O contrário disso é hipocrisia, alienação e caminho de escuridão.
Em termos de religião, a arte, a cultura e a educação tem sido religiosamente libertadoras e comprometidas com a vida. Já a religião, há muito perdeu-se de si e perdeu sua própria fé... Desatar um antigo nó, é desatar a nós mesmos.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
"Meo Deos"
"Porque o meeeo Deos é um Deos de prosperidade! Porque o meeeo Deos é um Deos de fartura! Porque o meeeo Deos... é o Deos."
Bom, primeiramente, se existisse um deos para cada pregador, seja este um carismático católico, evangélico tradicional, pentecostal ou neopentecostal, que teima em exaltar o seo deos como se somente ele tivesse acesso direto a esse deos, nesse exato momento haveria uma superlotação de deoses no Céu ou no Olimpo. Engraçado é que esses discursantes se gabam e se colocam num pedestal diante da plateia hipnotizada, esta que compra a ideia de milagres imediatos providenciados com o deos do falastrão. Consideram eles, bem confortáveis de seu diferenciado patamar, que são canais únicos e que possuem um contato restrito com o seo deos, o que a maioria dos mortais não alcançam. Diga-me, ó sábio guru, de onde vem esse ópio que você utiliza?
O discursante, o discurso e o discursado, três partes de um contexto real e atual que compõem uma espécie de trama religiosa alá novela mexicana, que não muda em nada de uma para outra, uma vez que os adjetivos são sempre os mesmos, em suma pura água de batata. Hipocrisia, exagero falacioso e ignorância ou inocência, esses são os adjetivos encontrados em cada uma das partes simultaneamente.
A questão é simples, os discursantes (palestrantes, pregadores ou melhor ainda, discurseiros sem graça), por não terem mais o que inventar em seus falatórios exagerados ao seu público fiel, estão fazendo um caminho regresso à idade média, prometendo absurdos futuros e cobrando um preço caro e imediato. Discursos regados de entonações desafinadas, gritarias, línguas estranhas formam o esboço de um espetáculo da fé, e que através da mídia, é capaz de arrastar e alienar os desajuizados. Os discursantes, a grande massa, o alvo predileto das bandeiras religiosas, pois é essa maioria, ora inocente, ora ignorante ou ainda, se faz de cega-surda-muda, que sustenta os detentores da grande moral, diga-se de passagem, cristã.
Não há que se poupar nenhuma bandeira religiosa. Todas carregam não apenas o rastro de seu passado mas uma série de eventos atuais que contribuem para a o retrocesso do ser humano. O ser humano, em si, ainda não se sente à vontade para questionar os pilares institucionais da fé. O medo de blasfemar contra o um pseudo-sagrado e ser condenado ao inferno ainda assombra suas mentes.
Enquanto isso, cada um vai criando o deos que lhe convém...
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Alienação,
CN,
Fé,
hipocrisia,
Inferno,
Medievalismo,
RCC,
Religião,
Teologia da Prosperidade
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Medievalismo Religioso Contemporâneo
"O problema não está nas religiões, está nos ditos religiosos que ainda
creem que a verdade é deles. Um desses, aprendiz de acólito,
ressurgiu das cinzas medievais e baixou o santo por aqui.
Haja armadura contra a hipocrisia!
Valei-me santo, santo, sant..."
Tudo muda! Inclusive o número de idiotas que teimam em invocar Deus para castigar os opositores e questionadores da instituição alicerçada à base de uma fé medieval. Esse número aumenta constantemente.
Li um texto, aliás, já li vários e em versões diferentes mas mantendo o mesmo sentido, em que o autor fala que Jesus foi subversivo, político, amigo dos ladrões e das putas. Alguma inverdade nisso? Tenho certeza que não! Mas tem um bocado de tapado que teima em manter Jesus num trono de ouro.
Então, um certo aprendiz, que está na seleta lista dos que detêm a verdade para si, disse que o texto era uma ofensa à instituição religiosa e, por conta de tais desrespeitos, "o Sagrado Coração de Jesus sangra".
Cri-cri-cri-cri-cri... (som de grilo, ok?!)
Pessoas com fome sangram, pessoas excluídas sangram, desrespeitar os diferentes faz sangrar... Creio que Jesus está nessas pessoas e não atrás de um monte de regras eclesiais.
Em outro momento, num grupo de "gentes" estudadas, dessas que estão sempre à frente de trabalhos comunitários-paroquianos-diocesanos, uma outra persona me questionou sobre o fato de eu ser contra um tal manifesto que tentava vetar a entrada de Judith Butler ao Brasil. Quem quiser conhecê-la e também as suas obras é só pesquisar no Google. Tirem suas conclusões! Os medievais falharam em sua insana missão. Ela veio ao Brasil, palestrou e não foi nada do que os gurus católicos previram. Chupa!!!
Os idiotas querem impor as trevas da idade média. São exímios oradores das regras institucionais e provam desconhecer profundamente o evangelho que liberta. São incapazes de fazer a leitura do tempo atual e congregar de forma a entender os diferentes. Ao contrário, sua imposição é antes de mais nada, uma sentença de morte para quem não segue as mesmas regras ou discorda delas. Para esses donos de sua verdade, ou você aceita e crê nessa sentença divina ou sofre as consequências: ex-comunhão; castigo imediato; castigo eterno; Xeol;Hades; Inferno. Modéstia parte, de Inferno a gente entende.
Percebi que a maioria dos que sentenciam a vida de quem escolheu ser livre de amarras e dogmas, no fundo, são verdadeiros frustrados que queriam ter a coragem de viver feliz a sua liberdade.
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Curso de hipocrisia com Hipócrita-Liciano
Tem rodado nas redes sociais um vídeo de autoria do Deputado-Pastor
Marco Feliciano[1] falando
especificamente sobre o enredo da novela global "A força do
querer". Como se fosse o maior gestor da moralidade humana e de
uma conduta literalmente ilibada, o pastor inicia o seu merchan ,
sempre de maneira irônica, afirmando uma parceria entre a emissora e o tráfico.
O vídeo todo é carregado de ironia. Não precisa ser gênio para entender que o
foco não é apenas pagar de "bom moço que preza pela família
tradicional brasileira e pelos bons costumes e bla-bla-bla"; é óbvio
que o objetivo é a autopromoção de sua imagem política-religiosa.
Esse pastor é aquele mesmo que usou a Bíblia para dizer que o povo
da África é um povo amaldiçoado[2],
o mesmo também que estava diretamente envolvido num episódio (de tentativa) de
estupro com uma jornalista e que seus comparsas de partido fizeram de tudo para
abafar o caso e ainda lançaram na mídia que a vítima sofria de perturbações (Google:
"pesquisar sobre").
O senhor hipocrisia também comenta que a novela ensina sobre
"gerenciamento de bocas de fumo, traficantes, golpes em geral"... É
pra rir ou pra rezar? Meu caro, golpes em geral o senhor já aplica desde que
virou pastor e se tornou expert quando entrou na política!
Não estou em defesa da Globo, até porque ela não precisa, nem
tampouco defendo o enredo da novela, mas o que se entende, o que se vê é que a
novela retrata o que já acontece no cenário real. A obra televisiva não traz
nenhuma novidade além do que de fato se vive além das telas. Se a estranheza de
alguns hipócritas políticos e religiosos se dá por conta da realidade que se
mostra na TV, então os senhores e senhoras precisam se informar melhor.
Por outro lado, se o ator, no papel de vilão, consegue fazer com
que sua personagem seja tão carismática a ponto de atrair fãs e seguidores, a
arte atingiu seu objetivo. Quem assistiu a série Narcos, em
que o ator Wagner Moura atua como Pablo Escobar entende o que eu digo. O
narcotraficante da série se tornou uma persona querida pelo seu carisma por
mais que suas ações, na maioria das vezes, atentavam contra a vida humana. Na
vida real, foi amado e odiado. Até hoje existem pessoas que o cultuam como um
"herói" e um "santo", apesar do legado de morte que ele deixou na história. Matérias, livros, depoimentos e
diversas obras mostram sobre esse bandido-herói, ou como ele mesmo
se declarava: "Yo soy un bandido!"
Do mais não é nenhuma novela que vai influenciar a tendência das
pessoas. Há quem nasça na favela, de frente pra boca de fumo e consiga viver a
vida sem nunca experimentar droga. Existem também pessoas de classe média alta
que nascem num verdadeiro berço esplêndido mas buscam uma vida de poder e
glamour no crime, como o filho da desembargadora que traficava 130 kg de
maconha e ainda assim sua mãe conseguiu um jeitinho de tirá-lo da prisão para
um suposto tratamento, pois o bebê sofria de transtornos[3].
Para o senhor deputado que está a serviço da moral de nosso país, tome frente
junto a esta situação e exija a justiça da Justiça!
Em se tratando de obras, as lutas, as guerras, os tiroteios
acontecem desde os tempos dos filmes de bang-bang e faroeste quando os índios
eram sempre tidos como inimigos e maus, ficando o papel de bons mocinhos para
os soldados que defendiam o "forte". Ainda hoje assistimos no Brasil,
já na realidade, os índios de nosso país sendo banidos de suas terras; os que
resistem, morrem. Eis aí mais uma boa causa para o senhor se preocupar, caro
deputado!
"Traições, jogos clandestinos, patrão do tráfico ou gerente,
mulher de bandido, gay ou lésbica, golpe da barriga, mudança de sexo",
isso já acontece, mano!!! Não que seja normal mas sempre aconteceu!!! Creio que
na bíblia a gente também encontra traições, brigas por poder, homossexualismo,
o próprio Cristo foi vítima de uma conspiração político religiosa. Hipocrisia
demais!
Já visitou alguma favela??? Já morou numa??? A questão é que
certos caminhos são escolhas e outros não! Algumas coisas na vida são opções e
outras são a falta de uma. Em muitos lugares que a política e a justiça não
fazem o seu papel, é o crime que cuida da comunidade. Eis uma boa causa para o
senhor pastor se preocupar: Vá defender os índios do nosso país e a
Amazônia que o Temer está dando aos gringos. O senhor tem culpa nisso, afinal
apoiou o golpe!
Linda frase do Cazuza que o pastor usa em seu vídeo: "Transformam
o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro". Creio
que essa seja a única frase útil no seu vídeo. Esse "puteiro"
existe há mais de 500 anos, e digamos, de puteiro o senhor entende bem. Seria
esse "puteiro" uma outra maldição bíblica? Diga-nos, ó venerável
deputado! Outra hipocrisia deslavada é o senhor, homofóbico assumido, usar a
frase de um artista homossexual para justificar suas sandices. Incoerências de
um falacioso. Caro pastor, Cazuza também escreveu "A burguesia
fede" e, sendo assim nobre de-puta-do, as suas palavras fedem
a enxofre!!!
Assistir a este vídeo é o mesmo que assistir a uma pregação de
Judas Iscariotes falando sobre lealdade, Suzane Richthofen fazendo seminário
sobre amor aos pais, o “maníaco do parque” dissertando sobre a valorização da
mulher, ou ainda, o mais recente caso do “tarado do busão” que ejacula na
mulherada palestrando sobre bons modos e costumes em transporte público.
Se você gostou, bem, se não, foda-se junto com o pseudo
pastor!
Tchau-brigado!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Desencapetamento na enxurrada
Então, uai! Era ontem, umas 21 horas e chovia muito. Eu voltava da missa. Passei por uma rua e escutei uma gritaria. Fui devagar e logo avistei uma cena, que está ficando comum aqui no bairro. Três pessoas embaixo de uma árvore enfrentavam a chuva e o "demonho". Uma delas ainda lutava contra a forte enxurrada.
Uma mulher fortona e um homem seguravam uma outra mulher deitada no chão. Ela se debatia, chorava, e falava esquisito. Deve ser porque a enxurrada estava muito forte e vinha de encontro à sua cabeça. Isso mesmo. A cena foi num palco improvisado. Sem muita plateia, porém. Apenas duas vizinhas que saíram ao portão e eu, transeunte novamente agraciado por mais um episódio da série "desencapeamento total". Estou colecionando essas pérolas. Já é a terceira ou quarta, se não me engano.
Como desconheço as pessoas vou sugerir alguns nomes para identificá-las na minha narrativa: a "Fortona" que com certeza deve ser a pastora exorcista (redundante né, pois todo (a) pastor (a) se auto intitula exorcista); o "Assessor", que é o rapaz que ajudava a segurar a outra mulher; e a terceira, que é a "Vivi", abreviatura íntima de "vítima".
A Fortona gritava e gritava muito bem no pé do ouvido da Vivi. O Assessor apenas cumpria sua função enquanto a pastora dava um banho de enxurrada na vítima aos som das velhas frases clichês: "Sai capeta! Sai demonho! Eu te ordeno, em nome de Jesuiz!"
Para saber o desfecho precisei passar pelo menos três vezes no local. Como da última vez o capeta saiu com a chegada do bombeiro que aplicou uma glicose ungida na "possuída" (pelo álcool), resolvi acompanhar mais de longe. E o medo da Fortona me jogar na água suja da enxurrada, hein?! Até explicar que não tava encapetado, já teria engolido muita água suja!
Enfim, na última passada pela cena, os três protagonistas já estavam em pé. Vivi estava abraçada com o Assessor e ambos agradeciam e se despediam da Pastora Fortona. Acho que o desencapetamento foi concluído com sucesso. Bom, não tinha muita opção para a vítima, porque ou mostrava melhora ou se afogaria com capeta e tudo. "Só sei que foi assim..."
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Debandada das massas
Primeiramente, há de se pensar na escravidão que assolou o passado histórico da humanidade. Será que realmente o ato de libertação dos escravos fez por onde? Libertou ou mascarou as atrocidades? A libertação foi apenas um marco ou de fato foi um pontapé para que as minorias se tornassem livres e independentes da tirania de seus senhores?
Além dessas duas questões que abrem as fronteiras da dúvida sobre o que de fato aconteceu na história e acontece mascaradamente na atualidade, numa terceira visão, percebo que os senhores de escravo apenas mudaram de nomenclatura e a escravatura mudou de cara. Alguns, inclusive, usam o nome de Deus para implantar a sua ideologia de vida ou o seu sistema teológico de arrecadação, que depende dos ganhos gerados pela mão de obra escrava, alienada e massificada.
O tempo é sempre o melhor remédio, dizem-nos os mais antigos. E a maior novidade é que "nenhuma novidade se eterniza em primeiro lugar no seleto podium", pois num determinado momento será destronada por outra que será mais completa, mais abrangente. Em suma, o ciclo é rotativo. E essa rotatividade também acontece bem no centro do campo das religiões.
Há algo explodindo neste meio, o das massas. Muitas pessoas já se libertaram da culpa que as religiões mais antigas incutiam-lhes, quando procuravam sustentação espiritual e conforto em outras denominações que não fossem a sua de origem. Os líderes, não poucas vezes, condenavam e condenam os infiéis desgarrados que encontram seu caminho em outros templos. Esse medo gerado no âmbito das religiões já não afeta tanto. As pessoas evoluíram e passaram a compreender mais sobre Deus.
Nosso momento está voltado, principalmente, para o pluralismo religioso. E é justamente nesse ponto que evangélicos e carismáticos perdem força. Por um lado, as pessoas sentem a necessidade de se complementarem-se espiritualmente e nem sempre encontram e recarregam sua fé somente numa determinada religião. Por isso, cresce a busca constante por novidades que superem suas expectativas.
Em segundo lugar, os eventos neo-pentecostais evangélicos, seguido pelo evento carismático católico, elevaram e resumiram a relação busca-encontro-fé-graça (ou milagre) a um momento de pura emoção. Não que não existam resultados potenciais. A questão é que esse "boom" atingiu uma escala altíssima e, de tão alta, não há mais novidade no que se pode esperar. Em suma, as coisas simples ficaram de lado. Sempre se espera um portentoso encontro ou evento ou culto ou missa em que, ao se derramarem em lágrimas, estará certo de que obtiveram o milagre solicitado. Este encanto tem se quebrado gradativamente.
Há também uma terceira questão em evidência, líderes religiosos que não atingem o seu objetivo e fiéis que buscam sempre mais shows do que a essência das palavras são pontos que também podem levar a evasão da massa das igrejas.
E, em se tratando de debandada, as pessoas vão adquirindo experiência. Já não é uma palavra gritada pela boca de um líder religioso que tocará seu coração. De uma forma ou de outra, percebo que nesse pula-pula de denominação, elas também agregam conhecimento e, por vezes, desistem de seguir as leis dos templos tecendo o seu próprio caminho de diálogo com Deus.
Seja por qualquer um desses motivos, ou de outros não citados aqui, acredito que esses são passos importantes para a libertação das pessoas frente aos sistemas que tendem a massificá-las. Encerro então com outra velha e conhecida frase: "A Casa Grande pira quando a senzala se liberta!"
Além dessas duas questões que abrem as fronteiras da dúvida sobre o que de fato aconteceu na história e acontece mascaradamente na atualidade, numa terceira visão, percebo que os senhores de escravo apenas mudaram de nomenclatura e a escravatura mudou de cara. Alguns, inclusive, usam o nome de Deus para implantar a sua ideologia de vida ou o seu sistema teológico de arrecadação, que depende dos ganhos gerados pela mão de obra escrava, alienada e massificada.
O tempo é sempre o melhor remédio, dizem-nos os mais antigos. E a maior novidade é que "nenhuma novidade se eterniza em primeiro lugar no seleto podium", pois num determinado momento será destronada por outra que será mais completa, mais abrangente. Em suma, o ciclo é rotativo. E essa rotatividade também acontece bem no centro do campo das religiões.
Há algo explodindo neste meio, o das massas. Muitas pessoas já se libertaram da culpa que as religiões mais antigas incutiam-lhes, quando procuravam sustentação espiritual e conforto em outras denominações que não fossem a sua de origem. Os líderes, não poucas vezes, condenavam e condenam os infiéis desgarrados que encontram seu caminho em outros templos. Esse medo gerado no âmbito das religiões já não afeta tanto. As pessoas evoluíram e passaram a compreender mais sobre Deus.
Nosso momento está voltado, principalmente, para o pluralismo religioso. E é justamente nesse ponto que evangélicos e carismáticos perdem força. Por um lado, as pessoas sentem a necessidade de se complementarem-se espiritualmente e nem sempre encontram e recarregam sua fé somente numa determinada religião. Por isso, cresce a busca constante por novidades que superem suas expectativas.
Em segundo lugar, os eventos neo-pentecostais evangélicos, seguido pelo evento carismático católico, elevaram e resumiram a relação busca-encontro-fé-graça (ou milagre) a um momento de pura emoção. Não que não existam resultados potenciais. A questão é que esse "boom" atingiu uma escala altíssima e, de tão alta, não há mais novidade no que se pode esperar. Em suma, as coisas simples ficaram de lado. Sempre se espera um portentoso encontro ou evento ou culto ou missa em que, ao se derramarem em lágrimas, estará certo de que obtiveram o milagre solicitado. Este encanto tem se quebrado gradativamente.
Há também uma terceira questão em evidência, líderes religiosos que não atingem o seu objetivo e fiéis que buscam sempre mais shows do que a essência das palavras são pontos que também podem levar a evasão da massa das igrejas.
E, em se tratando de debandada, as pessoas vão adquirindo experiência. Já não é uma palavra gritada pela boca de um líder religioso que tocará seu coração. De uma forma ou de outra, percebo que nesse pula-pula de denominação, elas também agregam conhecimento e, por vezes, desistem de seguir as leis dos templos tecendo o seu próprio caminho de diálogo com Deus.
Seja por qualquer um desses motivos, ou de outros não citados aqui, acredito que esses são passos importantes para a libertação das pessoas frente aos sistemas que tendem a massificá-las. Encerro então com outra velha e conhecida frase: "A Casa Grande pira quando a senzala se liberta!"
Classificação:
Alienação,
CN,
Condenação,
Deus,
Espiritualidade,
Fé,
Filosofia,
Igreja,
Inferno,
Inquisição,
Libertação,
RCC,
Religião,
Sociedade,
Teologia da Libertação,
Teologia da Prosperidade,
Teologias
"Exija de Deus a sua parte"
Sim! É realmente com essa fala - "Exija de Deus a sua parte" - que o empresário-fundador-pastor da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) ministra suas pregações no altar de seu portentoso Templo de Salomão. Claro que há uma continuidade nessa fala que justificam-se os meios, os seus próprios meios: "...se você, enquanto cristão, fizer a sua." Basta um click no google e você terá um arsenal repleto de falas, mensagens, vídeos solicitando uma ajudinha dos fieis para as obras de seu Reino.
Exigir de Deus a sua parte enquanto o cristão fizer a sua, isenta a instituição e sua teologia de qualquer coisa que não dê certo na vida da pessoa, faz o indivíduo sair debaixo da saia do pastor. É uma jogada de mestre, não podemos negar, mas há controvérsias. A internet está repleta de pessoas que moveram ações judiciais contra a Universal por terem seguido a risca, doado tudo, e ficado na miséria. Por outro lado as falas dos designados bispos estão, além de inovadoras, cada vez mais abusadas. Pede-se cartões com senha, carros, casas, doações com valores altíssimos, dentre outras bagatelas.
Fazer a sua parte, essa é a máxima que os seguidores da IURD devem obedecer, ou seja, parte essa que não significa simplesmente atos de bondade e caridade e amor ao próximo. O objeto dessa fala está diretamente ligado às ações que as pessoas devem ter em relação à sua instituição, cumprindo todos os requisitos espírito-financeiros. Estão eles errados? Digo que não. Alienados, talvez. O que move aquelas pessoas é a fé, além do receio de não obterem a salvação por descumprir os desígnios do bispo Macedo e, ao contrário, ganharem a condenação eterna ao inferno. Mas sendo a fé um elo que liga a Deus, espero que Ele liberte os cativos e oprimidos das garras dos poderosos.
Edir é um cara inteligente, desenvolto, tem feeling para os negócios, visão-audição-lábia-olfato-tato devidamente aguçados. Construiu o seu próprio império, fruto do suor alheio arrancado em suas pregações alicerçadas na teologia da prosperidade. Dono, também, de um crescente e expansivo canal de TV. Sabe muito bem como entrar na mente do seu público fiel e colocá-lo em check com Deus.
Tem outros impérios em evidência por aí. Tomei a liberdade de falar apenas da IURD porque é uma das mais antigas e ainda em atividade crescente. Assembleia de Deus (Silas Malafaia), Igreja Mundial (Valdomiro Santiago), Igreja Internacional da Graça de Deus (RR Soares) são algumas das opções no mercado evangélico. Do lado Católico, temos algumas comunidades e movimentos, cito a CN (Canção Nova, fundada pelo Monsenhor Jonas Abib) e a RCC (Renovação Carismática Católica), ambas xerocópia do movimento neo-pentecostal.
Enfim, para finalizar essa cena, uma vez que as cortinas do show ainda não encerraram-se, devemos ter sempre em mente o livre-arbítrio, seja ele alicerçado pela nossa fé, pela nossa experiência de indivíduo em sociedade ou em ambas as situações. Sempre haverá um mentor para cabular a mente das pessoas porque nem todas estão preparadas para filtrar o conteúdo das mensagens enfadadas e deturpadas. A messe é grande, os operários são poucos, a matilha cresce deliberadamente e no momento existe um crescente número de lobos cercando ovelhas e conduzindo-as para um determinado pasto.
Classificação:
Alienação,
CN,
Deus,
Fé,
Filosofia,
Heresia,
Igreja,
Inferno,
Inquisição,
Libertação,
RCC,
Salvação,
Teologia da Libertação,
Teologia da Prosperidade,
Teologias
terça-feira, 14 de junho de 2016
Sob condicional
"Se?" Sim. Se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc são conjunções subordinativas adverbiais condicionais, ou seja, aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração dependente, introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada. As conjunções condicionais no caso introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da principal. Nossa! Uma palavrinha pequena - "se" - expressa tanta coisa!
Mas para que tudo isso? Simples. Apenas para falar das questões condicionais de ordem religiosa que, através das leis que regem os bons modos e os costumes da fé propriamente dita, implicam diretamente na conduta "condicionada" de cada indivíduo promovendo-lhe a salvação ou a condenação. Ou, em outras palavras, a alienação e a libertação, respectivamente.
A visão que a estrutura religiosa mantém é que as pessoas só terão a salvação "SE" agirem conforme a instituição dita. Agindo sob a tutela da santa e pecadora igreja estaremos libertos e salvos. O contrário disso seria a condenação, ou seja, o sentenciamento ao fogo do inferno.
Mas, podemos também pensar de forma diferente. Levando em conta a diversidade de dons, carismas, o livre arbítrio, a espiritualidade e a própria fé, as condicionais que a instituição nos dá nem sempre valem como fonte de libertação e possível salvação. Salvação esta que configura ter direito ao Reino dos Céus. Penso até que a frase de Agostinho de Hipona (Fora da igreja não há salvação!) ao longo do tempo foi muito mais usada para exercer uma pressão psicológica e medo sobre os fieis, do que para mostrar um caminho de salvação através do amor e da caridade. Não só foi como ainda continua sendo usada dessa forma deturpada e bem longe da essência ao qual foi pensada e sentida.
"SE" a estrutura condiciona para salvaguardar o direito à salvação, "SE" ela impõe critérios vários para garantir aos fieis a sua entrada ao Reino dos Céus, automaticamente e na contramão, está criando mecanismos que impossibilitam a liberdade individual e, assim sendo, alienando os fieis. Muitas vezes a mensagem salvífica é transmitida de forma deturpada e o que era pra ser fonte de libertação torna-se um aprisionamento através da cultura do medo. E pessoas com medo de questionar a estrutura tornam-se escravas.
E, novamente utilizando a própria "condicional" sempre manifestada pelos cristãos de carteirinha, onde afirmam que só serão salvos aqueles que cumprirem o que a igreja diz, "SE" a instituição trabalha a salvação através da cultura do medo, ela está promovendo a alienação. Então, implica-me profundamente que, agindo e atuando descarregado de certas regras institucionalmente religiosas, conforme o livre arbítrio que me fora legado, consciente da minha fé e da mensagem cristã que é o amor-caridade estarei promovendo a minha libertação e também galgando o caminho da minha salvação. Condenado está aquele que se permitir ser acorrentado pela doutrinação desmedida.
Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
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