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sábado, 26 de abril de 2025

"Eu vos deixo a coragem"


Quando perguntado a Jorge Mario Bergoglio, na Capela Sistina, se aceitava a escolha, disse: "Eu sou um grande pecador, confiando na misericórdia e paciência de Deus, no sofrimento, aceito". E, a partir desse sim, de comprometimento fiel e inquestionável, deixo-me levar à profundidade do legado de Francisco e discorrer em sentimentos de gratidão e abastecendo-me de seu exemplo de coragem.

"Aceito.
Levar a doçura aos corações sofridos
Trazer a compaixão aos corações difíceis
Transbordar a misericórdia aos que não se perdoam
Exalar amor à toda vida
Ensinar humildade aos cantos do mundo
Acender a esperança aos olhos da humanidade
Abrir as portas da igreja e da vida ao mundo e às vidas
Meu nome é Francisco
É o meu nome de guerra e perdurará na coragem
E eu vos deixo a coragem."

Francisco

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Francisco vive!

* 17/12/1936 + 21/04/2025

Jorge Mario Bergoglio, o argentino gente boa que em sua extensa travessia sacerdotal chegou ao mais alto grau hierárquico de uma das maiores instituições religiosas do mundo, a Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR. Enquanto Bispo de Roma, lutou com punhos firmes contra os desmandes eclesiais, as fraudes financeiras no Banco do Vaticano e as pompas do ultraconservadorismo radical travestidos em cardeais brocados de ouro Ofir. 

Chegou a papado no dia 13 de março de 2013, aos 76 anos de idade, como o 266º sucessor à cadeira de Pedro, o cargo mais importante da Santa Sé. Primeiro Jesuíta, primeiro latino americano, primeiro não europeu em mais de 1200 anos, desde Papa Gregório III. Quando lhe foi perguntado, na Capela Sistina, se aceitava a escolha, disse: "Eu sou um grande pecador, confiando na misericórdia e paciência de Deus, no sofrimento, aceito". 

A escolha do nome, Francisco, por si só tem um peso de leveza que se contrapõe ao papado de seu antecessor, Bento XVI, esse que, enquanto Cardeal e chefe da Congregação para Doutrina da Fé, a conhecida e trágica "Santa Inquisição", dirigiu com mão de ferro mas, empossado e detentor do poder e do trono de Pedro, sucumbiu aos descaminhos de seus subordinados e preferiu entregar o bastão a enfrentar os lobos de frente.

Admiração e respeito por esse ser humano. Foi diferente. Fez a diferença. Trouxe doçura, compaixão, misericórdia, com atitudes de amor e humildade. Reacendeu com a chama da esperança o coração dos excluídos, das minorias, dos que são deixados à margem. Com a comunidade LGBTQIA+ abriu as portas ao diálogo e isso incomodou muita gente que se escorava na "santa doutrina". Catolibãs de plantão, feitos urubus por carniça, espreitavam por um momento de fraqueza de Francisco para devorá-lo vivo. Mas, Francisco é um forte, um destemido! Sabe de onde vem e a que veio. Sobrevivente de tantas guerras, não seriam raposas velhas de um sistema arcaico a desencorajá-lo.

Bergoglio escolhe não um nome de santo, mas um nome de guerra, pois sabia que precisaria de uma armadura forte para enfrentar aqueles que se sentiriam incomodados em suas ostentações. Francisco trouxe luz, com uma nova roupagem. Não foram poucas as máscaras que caíram. Seu antecessor não teve peito para enfrentar a desordem sistêmica e preferiu se retirar de cena. Enquanto chefe da Congregação para Doutrina da Fé, caçava veemente suas bruxas, fazia e acontecia, mas na cátedra papal, a coragem e o poder foram se esvaindo feito areia na mão. 

Não prometeu nada. Entregou tudo. Foi Humano. Foi Francisco. Lutou contra as mazelas de poder e corrupção dentro dos bastidores da própria estrutura. Manteve as porta abertas e criticou os fiscais da fé e suas hipocrisias. Não usou das regras para exaltar o poder da igreja. Ao contrário, fez valer a escolha de seu nome valorizando cada ser humano e acolhendo conforme o verdadeiro ensinamento: amor. Combateu o bom combate. Francisco vive!

Francisco foi inspirador durante sua vida e, com toda certeza, seu legado continuará vivo e presente em nosso meio. 

domingo, 11 de junho de 2023

Sacrifício ou misericórdia - um olhar teológico



A igreja, o templo é um lugar de acolhida. Pelo menos deveria ser. E, quem a ela busca, precisa encontrar as portas abertas e não fiscais da fé, como disse o Papa Francisco. Isso vale para toda e qualquer religião. Quem busca é porque precisa. A igreja é para esses que tem esse sentimento, essa certeza e essa fé de que necessitam melhorar enquanto pessoas. Todo aquele que julga é porque está convencido de que é superior, puro, não comete erros, deixou de ser pecador. E, para sua decepção, a igreja não é para estes. 

O sacrifício que os "santos da verdade" fazem para se manterem no direito de julgar e sentenciar é vão, porque justamente a hipocrisia é vã. O "céu" deve estar cheio de pecadores enquanto o "inferno" com certeza está repleto de puritanos com véus. A igreja é lugar de gente que busca, que está a caminho, porque não existe uma conversão da noite para o dia. Toda conversão é diária. Toda mudança é uma construção. E essa construção é eterna. Passamos uma vida em construção e ainda assim não temos certeza do nosso último destino. 

O que não dá pra aceitar é que uma leva de seres que se acham como os mestres da lei da bíblia, só porque conhecem tais leis, só porque se sentam nos primeiros bancos, façam julgamentos sobre a vida alheia. Deus é amor. O Antigo Testamento foi renovado pelo Novo Testamento. Jesus veio para provar que a vida humana é mais importante que as regras sociais dos homens. 

Todo aquele que se acha superior já sentenciou a si mesmo. Adão e Eva foram expulsos daquele paraíso justamente pela vaidade e necessidade de se sentirem superiores. Quiseram o poder e encontram a ruína. Deus não odeia ninguém. Não odeia nem os empresários da fé que colocam palavras em Sua boca. Não odeia nem aqueles que enriquecem ilicitamente usurpando dinheiro e bens dos menos favorecidos e esclarecidos. Se algum líder religiosos ou instituição usar esse termo, "Deus odeia isso ou aquilo", duvide desse ser, de sua palavra. Tenha certeza que ali o único deus que existe é o do poder e do dinheiro. Até o Deus castigador do Antigo Testamento era um meio para manter os fiéis sob o poder da instituição. Ainda hoje existem deturpadores da fé.

Deus é amor, Jesus é misericórdia. E é isso, apenas isso, esse olhar que temos que ter para com o próximo. Em especial aquele próximo que vive marginalizado por regras sociais. Misericórdia, empatia, amor, caridade é isso que enquanto pessoas de fé, ou simplesmente seres humanos, nós precisamos ter para com o outro. Mesmo que não acreditemos em Deus, ou não tenha fé em nada, ainda assim, a regra maior é a do respeito, da misericórdia. Muito cuidado! Toda religião deve ser fonte de libertação para o ser humano. O que não te liberta, te aliena e te aprisiona. 

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Dores alheias, dores do mundo


Era um final de tarde e eu estava no supermercado apenas para comprar umas broas. Quitanda na mão, já me dirigia para a fila do caixa quando um menino de uns dez anos me abordou. Perguntou-me se eu poderia inteirar seu dinheiro para ele comprar um frango para levar para casa.

Meio sem ação diante do menino, ele mostrou-me uma moeda de cinquenta centavos e outras que carregava no bolso. Devia estar ali no estabelecimento já tinha algum tempo tentando juntar a quantia suficiente junto aos clientes para comprar o frango.

Fomos até o açougue do supermercado e aguardamos na fila. Por incrível que pareça, como um teste de paciência, a fila não andava. Foram mais de vinte minutos aguardando a nossa vez. Enquanto isso fui conversando com o garoto. Ele tem onze anos, estuda, tem mais três irmãos menores, a mãe é diarista e todos moram com a avó.

Sua missão naquele dia era conseguir levar um frango para casa. E enquanto a gente conversava olhando nos olhos o único pensamento que batia forte era: "a maior dor no mundo é a dor da fome". Nem sei de onde saiu isso mas de certa forma acabei lembrando de alguns comentários até do Papa Francisco no que se refere à fome no mundo.

Enquanto a gente conversava na fila dois fiscais ficaram de olho no menino. Aquilo já era pessoal uma vez que o garoto em nenhum momento causou qualquer tipo de perturbação. Desde sua aproximação de forma educada ele deixou claro seu desejo. Conseguir apenas um frango...

Enfim, após longa espera na fila, fomos atendidos. Partimos então para a fila do caixa sob o olhar preconceituoso dos fiscais. Juro que aguardava ansioso qualquer tipo de intervenção, mas por sorte e para o bem de todos tudo ocorreu normal.

A intenção aqui não é expor nenhum tipo de caridade como troféu, até porque fazer esse tipo de exposição além de hipocrisia e vaidade para o ego perde todo o sentido, mas entender a dor alheia que muitas vezes torna-se uma mera imagem rotineira ao cotidiano de nossos olhos.

Dores alheias, dores do mundo, será que incomodam? Incomodam pelo fato de vez ou outra nos deparar com alguém pedindo ao nosso redor ou por nos colocar no lugar do outro e tentar entender a gravidade e o desespero daquele ato de pedir? Talvez, maior que a dor da fome, seja a dor da indiferença e pra esta não há remédio para quem sente...

Acredito que se existe o inferno para lá devam ir aqueles que se fizeram indiferentes perante a dor alheia num momento que poderiam fazer a diferença. E, se nada mais me comove, se nada mais me incomoda, se ainda me calo diante de tanta injustiça, então com certeza morreu aqui dentro o humano que um dia me habitou.

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Igreja rachada - as sub-religiões do poder

 Papa Francisco, humildade e simplicidade


A muito tempo que a Igreja Católica vem se rachando e subdividindo. Como tudo o que envolve poder, nesse âmbito religioso, o qual deveria ser regido por questões vocacionais e fins espirituais, a batalha por conta da divergência de interpretações e pensamentos ganhou mais status que a diversidade dos carismas.

É entendível que o fim para o qual a religião fora criada seja para o bem. O propósito deveria ser um caminho único regado de "flores", que representam a diversidade, e regrado por um único tom, o amor. Acredito que foi isso que o próprio nazareno propôs no período que habitou a Terra. A sua igreja, ou melhor, o seu legado, seria única e simplesmente a continuidade de sua obra ao qual pode-se resumir em amor, caridade, doação, amizade, dentre outras coisas mais.

Não se passou muito tempo de sua morte até que as divergências começassem e perdurassem até os dias atuais. A briga hoje é muito mais ampla e também muito mais interna. Os bastidores dessa estrutura hierárquica guardam segredos e absurdos que muitos mortais jamais poderiam imaginar. A disputa pelo poder segue em discursos carregados de ódio e pautados na tal "santa doutrina", que de santa foi somente na intenção, ou nem isso.

Considero que duas Igrejas pleiteiam a continuidade de seu legado: a igreja representada por Francisco e a igreja que está na contramão de Francisco. Existem sim as subdivisões em cada trincheira, bem como as guerrilhas entre os sub-grupos, mas o que está escancarado é a tentativa da oposição a Chico em derrubá-lo a qualquer custo e a qualquer sangue.

O Papa Chico vem fazendo verdadeira revolução na estrutura eclesial e aqueles que estão ornados de penduricalhos de ouro e outras pompas mais são os mais atingidos. Ele também tem dado toda a importância para o simples, a pobreza, os verdadeiros excluídos da sociedade e é justamente aí que seu dedo toca na ferida do poder. Nesse momento o adversário de Chico ganha aliados políticos pois mexer na pobreza é atacar diretamente à politicagem corrupta que rege a sociedade, bem como ao poder, ao dinheiro, ao status e principalmente aos políticos.

Portanto, religião e política caminham juntas sim, quer seja para o bem, quer seja para o mal. A maioria pratica a 'arte do bem para si' e os poucos que tentam estender essa arte ao povo são contidos, reprimidos e muitas vezes mortos. A igreja da contramão é muito mais política do que santa. Sua santa doutrina serve apenas para os papagaios repetirem quando há algo que lhes convém. A deturpação é grande e a hipocrisia é maior.

Chegará um momento que as facções religiosas serão tantas quanto o número de partidos políticos que disputam as eleições. Resta saber se haverá público suficiente para todos. Enquanto isso, uma coisa é certa, poucos restarão na frente principal que luta pelo bem comum. Há quem se sinta bem do jeito que está. Um dia, lá atrás, noutras eras, talvez, essa tal religião tenha sido real e verdadeira em sua essência. Hoje, não mais...

Cardeal Burke, extravagância, poder e hipocrisia.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Para onde caminha a igreja católica?



Para o abismo e para o céu. Tudo é uma questão de óptica. Tudo depende de onde se fala e sobre o que se fala. Olhares diferentes sobre o mesmo ponto mostram diversidade, mas também revelam os perfis dos que estão falando de maneira consciente e com conhecimento de causa e os que repetem frases soltas e sem noção de onde estão.

A começar do topo da hierarquia, nota-se que o Papa Francisco tem não só uma visão para as causas mais urgentes da atualidade, mas também, atitudes concretas que possibilitam abertura e diálogo, inclusão e resgate à dignidade da pessoa. O mesmo não ocorre com a elite do alto escalão romano que ainda está cegamente enraizada em suas normas estáticas que não acompanharam o tempo. É visivelmente destoante a linha de pensamento entre tais. A distância é ainda maior no quesito comportamento.

Se a sede romana, de onde parte toda a estrutura organizacional e emana o poder de decisões e ações, não caminha em sintonia, quiçá nos escalões inferiores: dioceses, paróquias, comunidades, pastorais e grupos. Sem contar que, na individualidade de cada católico, existe uma diretriz que lhe foi passada, sabe-se lá de qual forma, e que está arraigada em seu ser. Essa pessoa em si também destoa de todo o contexto hierárquico que vai do local aonde participa até aos pilares da Santa Sé Romana.

O exacerbado preciosismo que algumas tendências fundamentalistas de esquerda ou de direita possuem em suas correntes e posicionamentos é um agravante para as questões da unidade interna. O liberalismo a qualquer custo e o apego às normas acima da pessoa humana se confrontam cotidianamente. Dessa batalha, novas subtendências se criam e se multiplicam. As bandeiras da paz e da unidade permanecem num local inatingível.

Se o abismo começa pelo topo hierárquico, o céu também pode estar mais centrado na base da estrutura institucional. Independente das decisões tomadas lá em Roma é a base que movimenta, sustenta e tem as ferramentas para mudar o cenário pessoal e coletivo. E a base referida, engrenagem viva e operante desse sistema religioso, é a Paróquia e suas Comunidades.

Os procedimentos adotados pelo alto da instituição Católica são digeridos e repassados até suas instâncias de base. O entendimento e aceitação do que vem de cima vai depender da liderança que repassa as informações e principalmente como as repassa. Daí, cada líder vai pintar conforme o seu gosto.

Neste disparate divergente entre polos distintos, abismo e céu, a comunidade católica caminha ciente de um comandante de mãos fortes que se empenha para uma igreja coerente com os ensinamentos de Jesus, comprometida com as causas imediatas e de suma importância como a fome, meio ambiente, vida, família, e noutras vezes cega, surda e muda quando as correntes oposicionistas, por vezes sensacionalistas, insurgem com os velhos discursos farisaicos e fadados de hipocrisia simplesmente porque existe uma lei que "proíbe colher milhos com as mãos em dia de sábado para comer".

Essa não é uma guerra santa. É uma batalha moderna e virtualmente infernal mas que interfere na realidade individual e coletiva. Bem e mal se misturam e trocam de lado conforme suas convicções ou necessidades. A individualidade do ser fica à mercê dos altos e baixos dos lados da mesma moeda, a dúbia igreja de olhares múltiplos com suas nuances para a estética, maquiagem, glamour e status e, em menor proporção e em segundo plano e voz, com outras para a vida, a paz e o bem.

Independente por qual caminho ela vai, simplesmente, ela se vai.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Trilogia picante: Chico, Sarah e Jarbas

24/09/15 - Papa nos E.U.A.: "Se eu sou socialista, Jesus também era."
Eitaaa! Vai ter fundamentalista se revirando no túmulo!
"Herege! Comunista! Marxista! Socialista!" gritavam aqueles que queriam vê-lo condenado... Que em seu papado, Francisco não se esmoreça diante das barreiras impostas pelo poder! É nóis Chico!(Fonte: http://portalmetropole.com/2015/09/papa-nos-estados-unidos-se-eu-sou-socialista-jesus-tambem-era.html)


11/03/15 - A partir da leitura do pronunciamento de um Cardeal: Sarah...
A igreja não faz política? Jesus não fez política? Depende da óptica de quem vê e de onde se está sentado. A igreja foi construída sob pilares políticos. Fato histórico! Jesus foi um grande contraventor sócio-político. Fato bíblico! O Papa Chico está fazendo o quê neste exato momento? Cuba que o diga! Engraçado como algumas estruturas hierárquicas da instituição, ainda em mentalidade medieval, dificultam e dilapidam as tentativas da "igreja" em se tornar realmente acolhedora. Tudo em função de razões humanas, regras dos homens, hierarquia, fundamentalismo...
(Fonte: http://fratresinunum.com/2015/03/11/cardeal-sarah-faco-parte-daqueles-e-somos-muitos-que-nao-permitirao-que-a-pastoral-substitua-a-doutrina/)



23/09/15 - "Eli, Eli, Lamá Sabactâni!"
1º) André Valadão?! Pop-star gospel?! Não curto!
2º) "A minha igreja?!" Ele construiu um templo para si? O Templo do Valadão?! Como o de Salomão, do Edir Macedo?! No momento, não me interessa.
3º) Tabernáculo?! Davi?! Trombeta?! - *@#$% ?! "Jarbas?! Meu pai?! Cê é loko cachoera?" 
(Youtube: "Jarbas, meu pai?" e "Cê é louco Cachoera?"

sábado, 8 de agosto de 2015

Correlações da vida: poesia, teologia e comunhão



Ontem a noite terminei de ler um livro do Mário Quintana: Para viver com poesia. Muitas quintanices de um cara cheio de sabedoria. Poeta por excelência. Engraçado que, quando você começa a se enveredar, mata adentro, pela poesia, passa a respira-la e senti-la o tempo todo. E assim para de achar que a loucura é sua companhia certa e passa a ter certeza disso: sempre foi louco mas, agora, assumidamente e feliz.

Hoje, por questão de precisão, pulei mais cedo da cama. Como de costume fui no mercadinho do bairro comprar pães. Estava fechado. Esperar é complicado, mas sobrevivi firmemente. Enquanto isso saquei dois livros da mochila, outro do Quintana, compadre das falas certas e pra todas as horas, e o Chiquinho do povo, um homem despojado de vaidades. Na verdade, enquanto Papa, tem sido um grande líder sensível às causas de nosso tempo. Tão simples, quanto verdadeiro e profundo, seu exemplo ultrapassa as palavras. Para mim, um poeta fervoroso que reza, que sonha e que luta.

Optei deixar meu compadre esperando e então abri o Laudato Si - Louvado Sejas, encíclica mais recente de Francisco - na página 58, item 5: Uma comunhão universal. Tudo é muito profundo no contexto abordado pelo autor. Os sub-temas nos proporcionam uma bela e longa reflexão que não se encerra em si mesma. É apenas um começo. Este tópico, o 89, não poderia ser diferente: "As criaturas deste mundo não podem ser consideradas um bem sem dono: Todas são tuas, ó Senhor, que amas a vida (Sb, 11,26)."

Na aula de ontem, 06/08/15, Teologia Sistemática V, refletimos sobre Deus é o lugar do mundo (Ex. 33,21). Em suma, concluí que se nós somos e fazemos parte do mundo, nós estamos diretamente em Deus. A correlação com a citação bíblica usada por Francisco confirma isso. Se estamos no mundo que está em Deus, todos estão Nele e ninguém merece ficar de fora. Somos um bem maior de um Deus que é amor. Palavras bonitas, poesia aos ouvidos mas, folhas ao vento quando não nos perpassa do campo da oratória e não atinge a realidade pela prática.

No momento que lia o início do tópico 89 da encíclica Laudato si, aproximou-se um rapaz, vestido para trabalhar, pedindo um passe de ônibus, pois havia perdido o seu cartão de passe. Eu só tinha uma nota ali e precisava trocar o dinheiro, porém tínhamos que esperar a mercearia abrir. Ele então agradeceu e foi conversar com uma senhora, que não lhe deu muita atenção, e depois foi até o ponto de ônibus. Não consegui ler mais nada. Fiquei apenas nessa primeira frase: Todas são tuas, ó Senhor, que amas a vida. Não havia como fazer de conta que nada ocorreu ali: Quintana, Francisco, poesia, teologia, eu, o rapaz e uma tempestade de pensamentos me impossibilitando de ficar inerte aos fatos.

Não demorou e as portas do mercadinho abriram. Comprei o pão, paguei e separei o suficiente para o rapaz. Esperava que ele estivesse no ponto. Aquilo estava angustiante para mim. A sensação de não ter nada no bolso não é das melhores. Coloquei-me em seu lugar (...). Quando pisei a calçada ele veio em minha direção. "Desculpa, senhor, mas não consegui o passe, será...(?)." Não deixei ele terminar a frase e entreguei-lhe o valor. Se, temos pelo menos um pouco de Deus, temos também um dever de gratidão para com Ele através de cada próximo. É isso. Era pouco o que eu tinha para oferecer naquele instante.

Não sei onde essa história poderia chegar. É um rio que não se cansa e não se finda. São muitas vias e contramãos que se cruzaram num determinado ponto. Gente que anda com cuidado e olhos atentos. Alguns desapercebidos, outros insensíveis e os que vivem para sugar ou atropelar. Gente que não é gente, sem escrúpulos por tamanha ganância. Vida que segue (...).

Aos olhos dos poetas que aqui compareceram, sensibilidade e amor é o que há de mais claro e comum. E quem ama cuida. Cuida com amor. Cuidar! Essa é a palavra que correlaciona e re-significa tudo. Cuidar do mundo é cuidar do que é nosso, é cuidar de Deus. O mundo está em Deus. Cuidar de mim, cuidar de quem está no mundo é cuidar de Deus. Nós estamos em Deus. Cuidar do próximo, cuidar da terra, cuidar para não tirar de ninguém a possibilidade de experimentar a vida. Vida que segue em Deus.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Esses caras não aprendem!


As passagens bíblicas que mais me aguçam o pensamento, com certeza, são as que Jesus sempre quebra o protocolo em prol de quem precisa, sem se importar se ferirá as regras do sistema. Burlar a lei, mesmo que em prol da vida, era algo considerado como blasfêmia, ou seja, totalmente proibido e passível de punição. Claro, que, conforme relatam as escrituras, um dia conseguiram, enfim, prendê-lo. Foi acusado de agitador, blasfemo, herege por descumprir as normas. Sentenciado e morto, seus ensinamentos, sua conduta, sua vida em si, ecoam até os nossos dias e ainda causam uma verdadeira revolução.

Um santo, revolucionário, questionador nato, uma voz que se fazia ser ouvida e respeitada. Isso sim! É cômico imaginar a cara dos sentenciadores, os mestres da lei, quando, diante de cada questionamento por eles feito, Jesus dava uma prova viva de que o amor, a vida e a dignidade humana estavam acima de qualquer norma social. Seria aquele momento vago em que os indivíduos se entreolhavam e sem dizer nada apenas pensavam: "Ih! Lascou geral! O cara nos pegou de jeito!" Tamanha sua sabedoria, não poupava palavras nem gestos para dizer as verdades necessárias, independente da "patente" de quem lhe questionava.

Jesus perdoou o pecado do paralítico quando colocaram-no em sua presença pelo telhado. Ele se admira com tamanha fé. Porém, o espanto dos mestres da lei foi simplesmente inquisidor no íntimo de seus corações. Consideraram aquelo ato de Jesus, que perdoa os pecados de quem Lhe procura, como blasfêmia. Deviam pensar: "Quem esse cara pensa que é? Chega-chegando, fazendo e acontecendo, expulsa demônio e nos dá lição de moral?!" Jesus, ciente de tais pensamentos ordena ao paralítico que se levante e saia carregando sua cama (Marcos 2,1-12).

O Nazareno agitador fora questionado por que somente os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando, enquanto os seus não o faziam. Noutro momento também o questionaram por que seus discípulos arrancavam espigas enquanto caminhavam por um campo de trigo, em dia de sábado (Marcos 2,18-28). Novamente, os fariseus e os partidários de Herodes falavam entre si por que Jesus realizava tais curas, descumprindo assim as leis sagradas. Nesse evento Jesus cura o homem da mão seca também em dia de sábado. A conspiração contra Ele crescia e já tramavam sua morte (Marcos 3,1-6).

Bom, e se eu te disser que essa inquisição hipócrita ainda existe? Não vou enveredar pelo caminho das religiões, pois cada uma tem as suas "santas e inquisidoras regras". Também não quero me entranhar nas quase 3000 páginas do Catecismo da Igreja Católica (CIC) para discutir "regras". E nem que eu fosse formado em Direito Canônico também não me valeria disso para enfatizar as discussões. Na verdade, creio, que o CIC é um instrumento para nortear as pessoas e suas comunidades, levando sempre em conta o local, a cultura e principalmente a diversidade. O engraçado é que alguns falastrões usam de seu "rigoroso conhecimento" para impor como leis, e o que seria objeto de comunhão passa a ser instrumento de sentenciamento e exclusão. E viva a santa inquisição! E viva a selvageria da idade média presente na cabeça dos patetas do poder! E viva o urubu de Cuiabá, o RPM, o batman, Paulo Ricardo! Viva também o matemático esmilingüido e seus adeptos aquinóides, aquele que como escritor, pregador e estrelinha seria um professor mediano! 

De mais a mais, guardo apenas uma frase que está acima de qualquer guarnição da ala carismática católica e seus pregadores de blá-blá-blá que adoram show e palco, microfones e holofotes: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado", por um certo Moreno de Nazaré. 

Outro detalhe importante: atentem-se porque Francisco é o cara que veio pra revolucionar essa bagaça! "Uai, não sei como foi que aconteceu, só sei que foi assim!" Chupa essa manga! 

Esses caras não aprendem, né Chico!?



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Companheiro Chico, estamos sintonizados!



Uma semana com algumas contendas, muitas oferendas (algumas que deveriam ter voltado pro mar), e uma lenda que virou realidade. Enfim um líder real, um Papa do Povo, para o Povo e pelo Povo! Francisco não se cansa de falar e pede que se repita para não esquecer nada: "Nenhuma família sem casa! Nenhum agricultor sem terra! Nenhum trabalhador sem direitos! Nenhuma pessoa sem a dignidade de um trabalho!" Óbvio que isso não agrada a quem enxerga aos pobres de cima para baixo ou como portal para suas caridades (e desde que esses pobres não tenham ascensão) ou como um encalço no calcanhar. O Papa não só vê e enxerga como também sente e congrega do pensamento do povo.

Mexer nas estruturas financeiras, nas posses, nas terras é algo que com certeza incomoda a burguesia. Neste caso, dividir não é uma boa operação matemática para os direitistas que veem a igreja de maneira arcaica: compram seu terreno no céu dando esmola aos pobres! E que haja pobres para que este terreno seja grandioso!

Francisco é discreto. Não é do tipo que perde tempo respondendo fundamentalistas e fanáticos via twiter, ou facebook. Ele é um homem sensato e de ações práticas. Sabe a que veio e tem a dimensão do peso de seu legado. Por mais que tenha um senso de humor invejável, quanto ao serviço não está para brincadeira. Dá a abertura necessária para o diálogo mas não se agrada com as manifestações que se fazem às escuras, o que demonstra sinal de uma instituição dividida ou em vias de deriva.

E foi justamente isso que o Cardeal norte-americano, Raymond Burke (66), insinuou em um de seus discursos, que a igreja nas mãos de Francisco é como um barco sem leme. Atos dessa estirpe são uma verdadeira sabotagem cultural e social, pra não dizer guerra de bastidores. O Papa sabe que por onde passa, há quem corra na frente para construir obstáculo que dificultem sua caminhada. Creio que ele não tema as ervas-daninhas e os espinhos que surjam pelo caminho, uma vez que seu podão está afiado. 




Mas, levando em conta que os conservadores estão com espaço para suas ações temperamentais cada vez mais restrito, isso significa que as mudanças para uma igreja acolhedora estão a todo vapor, quer eles aprovem ou não. O rebaixamento desse cardeal da linhagem conservadorista, devido às críticas que fez contra as reformas na igreja, foi um golpe "fatality" no orgulho da ala esquisita. Os pilares da arrogância e da prepotência, que se camuflam de lei, foram abalados.

Enquanto os pseudo-doutores da instituição se preocupam com suas ornamentações e leis, o Papa tem-se esvaziado das honrarias de seu cargo, se fardado de trabalhador e saído à campo para a lavoura. Sua militância tem ultrapassado os muros do Vaticano. Não é apenas um mero discurso de cunho cristão. Francisco é muito mais! É um interpelo social, político, econômico, cultural que vem em forma de luta e pela defesa da dignidade de todo ser humano, principalmente dos que estão esquecidos pelas leis dos homens. Chico, eis um homem que se comunica por exemplos.




O conservadorismo que endeusa as estruturas da instituição tende a acabar. Acredito que junto com a falência desta ala, não das pessoas mas sim do pensamento que os isola num patamar diferenciado do povo (e os fazem sentir-se mais cristãos que o resto), será paralelamente o renascimento de uma igreja ainda mais cristã (nos moldes do Evangelho de Cristo) e o nascimento de uma nova geração estruturada numa fé prática, de mãos na massa.

As contendas ainda existirão mas sigamos o exemplo dele cortando o mal pela raiz e assim isolamos todo discurso fadado de fundamentalismo no reduto de sua insignificância. As oferendas, se forem de coração e com a intenção de mudança, que sejam bem vindas, caso contrário que voltem pro mar. E como este legado papal já saiu do viés lendário, pois é uma realidade mística e verdadeiramente cristã, eis a hora de abrir portas e janelas para que o novo ar adentre pelas estruturas de cada ser e de cada coração, de cada templo e pelas veias da instituição.

Valeu companheiro Chico!



sábado, 1 de novembro de 2014

O cerco e os cercados


Nascera um menino que fora capaz de mudar o mundo com seus ensinamentos. Foi filho, foi simples, foi mestre e com total maestria percorreu povos e povoados levando sempre uma palavra de esperança. Durante sua estadia neste mundo fora perseguido desde o seu nascimento. De tão humano chorou, sentiu dor, teve medo mas enfrentou sua difícil missão com obediência aceitando entregar-se à morte de cruz.

Na sociedade em que vivera, dominada por diversos grupos políticos e religiosos, sua maior missão era abrir as portas da vida aos excluídos, resgatar-lhes a fé e dar-lhes vez e voz. Tarefa ultra difícil num sistema hipócrita que facilmente condenava aos desafortunados pelo destino. Prostitutas, cobradores de impostos, ladrões, paralíticos, leprosos e outros endemoniados mais que viviam à margem desta sociedade excludente, eram estes por quem lutava e defendia.

Como todo sistema de governo, como todo modo de religiosidade hierarquicamente engessada a sociedade politicamente correta (e hipocritamente cega) fazia um verdadeiro cerco em volta de si. Colocava-se num patamar diferenciado, numa verdadeira redoma blindada, distanciando, segregando e condenando a toda gente "politicamente pecadora" que por acaso Jesus escolhera e acolhera. No centro deste cerco somente os homens e donos das leis. Não foi à toa que Sua opção era pelos sem opção alguma.

Dois mil anos se passaram e o que se percebe, aliás, o que se vê nitidamente sem precisar de esforço algum, é que o cerco ainda existe e cada vez mais os muros da exclusão se erguem rumo ao céu. Apegam-se às leis copiadas, mudadas, recriadas e deixam de lado a essência de toda a vida do Nazareno: a inclusão pelo amor. Deturpa-se a tradição e se faz uma interpretação ingênua, leviana e fundamentalista sobre os escritos da Bíblia. Usam as escrituras para condicionar a verdade ao povo de forma velada, persuadindo de forma inquisidora à permitir autonomia de pensamento, oprimindo à libertá-lo das amarras sociais. Eis o fato: condicionam a salvação como exclusividade de quem supostamente vive nos moldes ditados pela lei.

Não precisamos percorrer muito, basta adentrar os redutos da igreja e procurar saber o que algumas lideranças pregam. Será que o fundamento está na essência do amor ou na repetição da lei? Será que vale mais resgatar a vítima já excluída pelo sistema e trazê-la de volta à sua dignidade e à sua vida como um todo ou condená-la conforme as leis do tempo os seus atos, que por vezes são a última alternativa que lhe resta? Pois é, há líderes e líderes. Privilégio de conhecer pessoas de bem e o dissabor de cruzar com doutores da lei do meu tempo. Malafaia's, Feliciano's, Paulo's Ricardo's, dentre outros ícones que dão voz e força ao sistema excludente.

Numa dessas idas e vindas conheci e até participei do famoso "Cerco de Jericó", um evento que acontece em seio católico. O intuito é quebrar barreiras. O público é composto principalmente por carismáticos, simpatizantes e alguns desavisados de plantão que tiveram o senso crítico tolhido, os alienados. Há quem, ingenuamente, busca uma resposta neste evento e sem perceber o quanto lhe é imposto cede ao que lá se ritualiza em um jugo pesado e incerto. São várias explicações sobre o assunto mas não vou me ater a detalhar o que acontece lá. Para quem se interessar eis o universo internético para sanar a curiosidade ou se preferir que se confira de corpo presente e tire suas próprias conclusões.

Na primeira vez que participei confesso que fiquei assustado com algumas coisas que li no roteiro que se repetia durante todos os dias do evento. O que mais me impressionou foi quando a leitura que se fazia comunitariamente a uma só voz com todos os presentes, numa das linhas assim dizia: "Senhor Jesus, peço-vos que quebre as muralhas das doenças, sejam elas quais forem, principalmente o câncer, leucemia, depressão e AIDS, dependência do álcool, prostituição e homossexualismo; [...]". 

Bom, primeiro que prostituição é uma das mais antigas profissões desde o Egito antigo. Hoje podemos considerar como escolha ou em muitos casos a impossibilidade da escolha, em outras palavras, a necessidade real de sobrevivência. Então a reza deveria ser para quebrar as muralhas do sistema e principalmente a hipocrisia dos mantenedores desse sistema, que dificultam à pessoa uma opção mais digna perante e com a sociedade. 


Segundo que homossexualismo já soa mal simplesmente por seu sufixo, e apesar da ciência já ter provado e comprovado tal termo ainda insinua uma doença. O mais adequado para o estudo seria a "homossexualidade" mas é a "homo-afetividade" que está em evidência e é coerentemente aceita. Não aprofundarei no significado de cada termo. Manterei-me nas linhas da denúncia do que se faz em certos redutos cristãos e que hoje conota falta de informação e até mesmo discriminação.

Além do susto e da má impressão ainda tive um terceiro momento, o da preocupação. Ali presente estava uma pessoa em busca de algo. Literalmente assumido em sua sexualidade, um rapaz que não apenas trajava roupas femininas mas seu próprio corpo possuía tais características tão nítidas, no fundo, creio eu, buscava respeito, dignidade, espaço, aceitação, no ambiente religioso que certamente crescera. O que passaria na cabeça dessa pessoa ao ouvir uma comunidade recitando tais palavras? No mínimo, decepção, tristeza, rejeição e todas as consequências possíveis para toda a sua vida.

Hoje posso concluir muitas coisas diante do que vivenciei e experimentei. O Cerco de Jericó teve um motivo para ser criado. Porém, como tudo na história tende a mudar e tomar proporções inimagináveis, com este não fora diferente. O exagero e o fanatismo, por mãos ultra-fundamentalistas, tomaram as rédeas da situação e o distanciou do real objetivo de sua concepção. Passou a ser muito mais um instrumento de exclusão e segregação do que de cura e libertação. 

Constatado a ciência que "homossexualismo" não é doença, eis que uma voz no deserto é ouvida diretamente do centro do catolicismo. O Papa Francisco tem dado abertura ao diálogo e mostrado a importância de se respeitar cada pessoa em sua condição. Seu apoio à causa tem sido de grande valia principalmente dentro do cerco da própria igreja. Criticado pelos radicais que levam tudo ao pé da letra e aclamado pela maioria religiosa, sendo uma parcela de outras denominações e confissões, Francisco tem incomodado alguns segmentos em prol de se dar voz e vez aos sem opção alguma. 

Diante disso a necessidade de se refazer o circuito do Cerco é iminente. Continuar na mesma toada é que não pode e não deve. É preciso reavaliar todo o ritual uma vez que não passa pelo crivo magisterial. Mais do que isso, é preciso compreender acerca do cuidado que se deve ter para não construir muralhas ao invés de pontes, prisões à libertações, manipulação à autonomia do pensamento e liberdade. 

Em nossa sociedade é fácil identificar os diversos tipos de Cercos existentes, tanto os físicos como os sociais, os visíveis e os invisíveis. Não precisa de muito esforço para se concluir e obter um resultado. Chega a ser uma questão de lógica matemática. Uma vez que o cerco selecionou os certinhos da lei, quem não teve seu nome enaltecido na lista dos reavivados simplesmente fora segregado, excluído e banido sem saber para onde ir e vir e como complemento ao jugo ainda recebe olhares a apontamentos que lhe alvejam a alma. Em outras palavras, ficou cercado do lado de fora!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Admirável Chico Novo!

 


"Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro

É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber [...]"





"Eh, ô ô, vida de gado! Povo marcado, eh! Povo Feliz!"

Na contramão dos neo-conservadores e fundamentalistas, pra não dizer logo de cara fanáticos e lunáticos que teimam reacender a fogueira da santa inquisição, Francisco tem conduzido o barco da igreja com mãos fortes de quem tem a lucidez humana e a iluminação do Divino Espírito. Características básicas e necessárias que tem angariado o aval e o respeito de pessoas não só católicas mundo afora.

E por melhor e mais claro que seja o caminho escolhido pelo Papa Chico, ainda assim alguns desagradados se colocam em oposição. Tem gente que nasce pra simplesmente odiar o mundo! Vejo por exemplo, aquele padre Paulo Ricardo de Cuiabá, infelizmente uma mancha na instituição mas que não representa a mim e a outros milhares e milhares de Católicos pelos cantos do Brasil. Ele não mede sua língua infundada para criticar até o Papa. Pagamos o preço por sermos da mesma igreja, porém não comungamos das mesmas ideias e tão pouco dos ideais.

Ele, o urubu de Cuiabá (título recebido nas redes sociais), preza pela instituição hierarquizada e enraizada num fundamentalismo sem precedentes. Com seu discurso inquisidor e discriminatório se coloca como obstáculo da instituição aonde Francisco diz que "quem procura a igreja precisa encontrar portas abertas e não fiscais da fé"! Loucura! Loucura! Loucura! Isso não é estar com a Igreja, é dizer-se estar do mesmo lado mas jogando contra, sempre! Tipo aquele filme "O inimigo mora ao lado" porém neste caso o inimigo está dentro de casa!


"E ter que demonstrar sua coragem
A margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer [...]"

A questão acerca do posicionamento e abertura de Francisco é uma só: o Papa está incomodando a quem senta o traseiro nas pedras das leis e cruza os braços diante do verdadeiro trabalho. A última que li sobre o nosso Santo Padre (agora sim, diante de tamanha ciência posso chamá-lo de Santo, título que talvez ele mesmo já tenha dispensado quando escolheu "Francisco") é que ele se dirigiu aos movimentos populares e falou principalmente sobre terras, teto e trabalho. Isso ainda vai dar o que falar pois está mexendo diretamente nas estruturas da elite. Se fosse possível alguns poderosos (loucos, insurretos, fanáticos, fundamentalistas, tudo junto e misturado) sugeririam o impeachmant do Papa.

Não bastasse, surgiram nas redes sociais várias manifestações dos catolibãs contra os atos de Chico tachando-o de comunista principalmente. A tendência é piorar. Na história da igreja vários papas foram assassinados quando interferiram na estrutura política do poder em favor dos pobres. Acentuando sua fala mais recente: "estar ao lado dos pobres é Evangelho, não comunismo". Uma pausa para Dom Helder Câmara: "Se dou pão aos pobres sou chamado de santo. Se mostro porque os pobres não tem pão sou chamado de comunista e subversivo!" É, eles estão alinhados. Porém eu temo sim! Temo que durante o papado de Francisco se construam muito mais obstáculos do que pontes e a oposição nefasta e leviana, pra não dizer herética, passe a perseguir e destruir o direito ao sonho e à sua concretização de fato.

Em contrapartida, na mesma direção que Chiquinho veleja, e pelejando com seu trabalho e suor tem gerado abertura e diálogo com resultados positivos mediante tamanha ciência e humildade, está rodeado e seguido por pessoas de bem, ou seja, cristãos desenraizados da politização inescrupulosa de algumas ramificações insurretas ao seu papado. O time de Francisco está grande, forte, compacto e o que melhor sobressai neste homem não é um discurso de agrado mas sim o exemplo espelhado no Moreno de Nazaré.

Quanto aos da capa preta (que não se confunda com o Batman!), o urubu e seus adeptos carniceiros, deixo aqui um SORRISÃO alá "Admirável Chico Novo", o "Francisco", aquele que veio para, SIM, renovar as estruturas da igreja! Entenderam ou querem que eu desenhe?




"O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam esta vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar [...]"
Trechos da música "Admirável Gado Novo" - Zé Ramalho

terça-feira, 2 de abril de 2013

Proibido realizar milagres em dia de sábado!



A regra dos homens X O amor de Deus.

Imaginem que só fosse considerado cristão aquele que soubesse e também respeitasse as regras estabelecidas por sua igreja, por sua religião. No meu caso, como Cristão Católico, existe o CIC - Catecismo da Igreja Católica - com quase 3.000 páginas para nortear, levando em conta a necessidade do respeito à comunidade, à localidade, à realidade e à cultura. Não deve nem pode ser um mecanismo engessado. Isso acabaria por sentenciar a diversidade a uma massa falida e não pensante, ou seja, totalmente alienada.

Jesus, ultrapassou as regras para o bem comum. Ponto. Soltou o chicote no Templo quando os ambulantes faziam daquele lugar sagrado uma verdadeira feira livre. Os doutores da Lei é que deveriam cuidar desse detalhe mas não! Quem revirou as bancas, esbravejou, gritou foi o simples Nazareno, filho do carpinteiro José. 

Ao se criar um extenso livro com itens e sub-itens, creio eu, a intenção seria muito mais para que a Igreja como um todo pudesse caminhar com proximidade. Mas, o que ocorre é que estudiosos e entendidos usam as regras da igreja para classificar quem é digno e está de acordo com a doutrina e quem é herege por descumpri-las. 

A regra de Deus: o Amor! Pronto. Ponto. Seguindo as pegadas do Nazareno, que foi considerado um blasfemador, um herege, um possuído por espíritos malignos, entendemos que tudo se resume no amor ao Pai, o Deus criador, e ao próximo, imagem e semelhança do Pai. 

"A Lei de Moisés manda que apedrejemos essa mulher pega em adultério e tu, o que dizes?" Perguntaram os homens da lei ao revolucionário Jesus. "Quem não tem pecado que atire a primeira pedra!" Respondeu o Nazareno. O desfecho dessa história todos sabem. Dos mais velhos aos mais novos, cada um foi soltando sua pedra e retirando-se do local. Ficaram apenas Ele, o libertador, e a adúltera sentenciada. A lição foi o amor. O amor acima da regra. O amor acima da lei. Na verdade pode ter sido uma conspiração armada pelos doutores para pegar Jesus e o contradizê-Lo na frente do povo. O amor venceu! 

"Este homem desobedece a Lei de Moisés, pois curou um homem em dia de sábado!" E mais uma vez, os importunados e orgulhosos escalonados da Lei, mestres e fariseus, destilavam sua ira e conspiravam numa trama que teria seu desfecho na prisão, condenação e morte de Cruz ao "classificado" agitador que para nós é o Filho do Amor. Amor e perdão. O Filho de Deus, Jesus. 

Jesus em sua essência, viveu a regra do amor-obediência ao Pai e amor-perdão ao próximo, os irmãos. Se Jesus chegasse agora e agitasse nosso meio revirando bancas, questionando regras impostas que mais servem para classificar e excluir que à instigar uma caminhada coesa em unidade e respeito para com a diversidade, com certeza seria novamente crucificado e em praça pública. A condenação seria inevitável! 

Os mestres da lei vivem por conta da classificação. A sentenciação acontece nas bancas de cada Templo. A condenação é destilada pelos lábios dos que se põem a serviço. Do encontro com os olhares, entre sentenciadores e sentenciados, as cusparadas, pedradas e zombarias continuam até o calvário. As vozes cessam quando a morte parece vitoriosa. Excluídos pelas regras e pelos olhares, as pessoas deixam de caminhar rumo à Comunhão com o Cristo, que já percorrera e pagara o preço por todos nós. 

O Amor de Deus sempre vence! Cristo venceu a morte! Jesus é o Filho de Deus! Deus é amor! Jesus é o amor! No caminho que os pés percorrem até o encontro maior com o Cristo, o crucificado, morto e ressuscitado, cabe a cada um a entrega e o comprometimento de querer, no raiar de cada manhã, ser alguém melhor do que fora outrora. Como imperfeitos pecadores, os erros, as falhas, tudo acontecerá e por vezes poderemos tropeçar na mesma pedra. Vale-nos a conversão diária que nos instiga a ser e viver esse amor e a não correr o risco de morrer sem ter havido alguma mudança em si. 

Religião: justificação ou contradição? Nem uma nem outra. Ela tem que ser o caminho, as próprias pegadas do Cristo, o Jesus, o Nazareno, filho do carpinteiro, agitador, revolucionário, libertador enviado por seu Pai, o Deus do Amor para viver e morrer por esse Amor...

Enquanto as regras dos homens forem usadas para uma classificação de falsa moral que resulta na exclusão de pessoas, detona a dignidade alheia e transforma o sentenciado em pobre diabo, a Igreja estará longe de ser caminho de libertação e salvação.

"Proibido fazer milagres em dia de sábado" ainda é lei vigente em tempos atuais. Que Francisco não se curve aos homens e suas regras! Que ele solte o chicote no trono e na realeza e caminhe conosco rumo ao horizonte do Amor. Que o Templo esteja aberto e se torne fonte de Libertação! Jamais de exclusão! E, que os resquícios farisaicos, a começar dos mais velhos, joguem suas pedras e retornem aos seus lugares!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Os Catolibãs e a Direita Futebol Clube












O povinho da lei já tende a encarniçar a soleira santa dos templos. Vai vendo! 

Francisco nem bem teve tempo de apossar-se de suas tarefas, agendas, planos, orações e ações e a galera "farisaica" já quer colocar a camisa 10 da "Direita Futebol Clube" no Homem de Deus.


Então gente, por enquanto é tudo muita especulação. Acredito que ele será não só político mas também inteligente e sábio durante seu legado para que possa reparar erros, limpar sujeiras, restabelecer a ordem e conhecer profundamente as vertentes teológicas de cada espaço Católico e inter-religioso. Penso também que ele não agirá feito ditador disfarçado de papa. Esses pensamentos ínfimos que têm sido destilado nas redes sociais principalmente, de que ele é da direita, que isso e aquilo, são de pessoas medíocres e chulas. Portanto, descartáveis. 

Detalhe: a Teologia da Libertação não é "O" problema da igreja Católica nem do mundo! E por mais que os ativistas, ou seja, a elite burguesa da direita católica, queiram polemizar e lançar os holofotes da Lei de Moisés para a esquerda, não vai adiantar. Deixem Francisco trabalhar! Não queiram fazer o papel do Espírito Santo! Ele por Si só, feito vento incessante, age e sopra onde quer.  

No que os "catolibãs" (católicos com pensamentos mediocremente bombásticos) se ardem é pelo fato de que sentem-se cutucados no traseiro, por conta deste estar sempre repousando em órbita de amém-aleluia, e quando vêem a coisa acontecendo do lado de quem bota a mão na massa, tendem a balbuciar asneiras, achar culpados e mais uma vez: "Oh Glória!"

Nem adianta perder mais tempo falando desta bestagem religiosa que os baba-ovos "aquinóides" (discípulos daquele professor abestado) dizem ser o que há de certo e único no catolicismo... To meio cansado desses hipócritas e idiotas alienados! Vou poupar energias para causas realmente verdadeiras.

Ah, ao invés de pedras, se tiver outra opção, prefiro uma fogueira santa bem bonita. E minha última exigência é que permaneçam ao meu lado somente os "não-alienados", melhor, os que têm "autonomia de pensamento".

"Francisco, vamo que vamo lo hermano!"

quarta-feira, 13 de março de 2013

FRANCISCOOOOOOOOO!!! Seja bem vindo!



Fumaça Branca na chaminé: e agora José???


O Papa é Los-hermanos!!!
Cardeal Jorge Mario Bergoglio, Buenos Aires (Argentina), Jesuíta, 76 anos foi eleito PAPA e usará o nome de FRANCISCO!


"FRANCISCO, não demores!!! Não vês que nossa casa precisa de ordem e o tempo urge?!


Canta Francisco do jeito dos pobres....
http://www.youtube.com/watch?v=OJabpOhA3aU


Francisco:
Canta, grita, solta o chicote se preciso for
Mas, tire tudo do lugar,
Tire a poeira e o que for devaneio
Cada solo chora, clama e sofre
E espera que caminhe conosco
Que não se canse, não se cale
E não deixe de lutar!!!


Fé em Cristo! Fé no Homem! Fé no que virá!
Nós podemos muito, nós podemos mais
Vamos lá pra ver o que será...
Vamos lá FAZER o que será!


Francisco, seja bem vindo!!! 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um Papa do novo mundo para um mundo novo!




A igreja precede um momento de muita expectativa na história e na vida de muitos cristãos católicos no Brasil e mundo afora. Escuta-se até o som dos ventos divinos soprados de fora para dentro dos pilares do templo. O ar se renova!.. Assim seja! E que E
le não seja impedido de soprar onde quer!

Entre sua renúncia anunciada até às mais aguçadas especulações acerca deste episódio, Bento XVI segue seu caminho como um líder conservador que não agradou nem mesmo aos que estavam mais próximos. Prova disso são a traição de seu mordomo ao revelar documentos ultra-secretos do vaticano e o poder paralelo que concorre com o atual ainda papa, poder este criado por ex-apoiadores de seu legado.

O poder, como já disse em outros artigos, é algo que embaça e por vezes cega a visão dos gananciosos que não medem esforços para ter um caminho seguro ao seu bel prazer. Ele também é fonte de escândalo, de desavenças, de traições, de "apagões" e de muita sujeira acobertada, fonte esta que causa tropeços e reboliços na instituição. Imaginem que a briga por espaço, pelo status, pelo título de quem realmente comanda e manda já acontece de maneira acirrada nas bases mais distantes da nobre corte, quiçá na cúpula envolta do pontífice! Briga de cachorro grande por um osso maior ainda!

Impossível não lembrar um comentário grotesco de um doutor em matemática, acerca de bispos desse nosso Brasil. Tal comentário não vale dar mais crédito mas a retórica é inevitável: "Será que o dr Felipe Aquino analogicamente classificaria esse episódio da igreja e da história, a renúncia de Bento XVI, como uma obra do Espírito Santo que está tirando de cena até ao papa, embora ainda vivo?"

Bento XVI sai de cena, segundo especialistas no assunto, como teólogo que discorreu profundamente sobre Jesus, principalmente na sua infância. Falava do Nazareno com uma intimidade ímpar. Tudo isso poderemos encontrar nos livros que ficaram para a posteridade. 

Fato ímpar também, é a sua coragem em renunciar ao mais alto escalão e poder da Igreja Católica em meio a tantas variáveis e quedas sofridas pela instituição nos últimos tempos. Homem e honroso!

Que o próximo líder, continuador do legado de Pedro, abra as janelas da alma e do coração e que em forma de brisa suave ou de vento incessante o Espírito Santo adentre em cada canto, renovando os ares, e dando o discernimento necessário para a condução de seu rebanho com muita unidade em meio a tantas diversidades. Sem distinção e com senso-crítico, que o próximo Homem escolhido abrace a causa maior da humanidade, a causa que o Nazareno optou por defender, por profetizar, para revolucionar e principalmente para libertar.

Que o sopro do Espírito Santo retire toda poeira encrostada e mais uma vez, renove o coração de cada cristão!