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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"Meo Deos"


"Porque o meeeo Deos é um Deos de prosperidade! Porque o meeeo Deos é um Deos de fartura! Porque o meeeo Deos... é o Deos."

Bom, primeiramente, se existisse um deos para cada pregador, seja este um carismático católico, evangélico tradicional, pentecostal ou neopentecostal, que teima em exaltar o seo deos como se somente ele tivesse acesso direto a esse deos, nesse exato momento haveria uma superlotação de deoses no Céu ou no Olimpo. Engraçado é que esses discursantes se gabam e se colocam num pedestal diante da plateia hipnotizada, esta que compra a ideia de milagres imediatos providenciados com o deos do falastrão. Consideram eles, bem confortáveis de seu diferenciado patamar, que são canais únicos e que possuem um contato restrito com o seo deos, o que a maioria dos mortais não alcançam. Diga-me, ó sábio guru, de onde vem esse ópio que você utiliza?

O discursante, o discurso e o discursado, três partes de um contexto real e atual que compõem uma espécie de trama religiosa alá novela mexicana, que não muda em nada de uma para outra, uma vez que os adjetivos são sempre os mesmos, em suma pura água de batata. Hipocrisia, exagero falacioso e ignorância ou inocência, esses são os adjetivos encontrados em cada uma das partes simultaneamente.

A questão é simples, os discursantes (palestrantes, pregadores ou melhor ainda, discurseiros sem graça), por não terem mais o que inventar em seus falatórios exagerados ao seu público fiel, estão fazendo um caminho regresso à idade média, prometendo absurdos futuros e cobrando um preço caro e imediato. Discursos regados de entonações desafinadas, gritarias, línguas estranhas formam o esboço de um espetáculo da fé, e que através da mídia, é capaz de arrastar e alienar os desajuizados. Os discursantes, a grande massa, o alvo predileto das bandeiras religiosas, pois é essa maioria, ora inocente, ora ignorante ou ainda, se faz de cega-surda-muda, que sustenta os detentores da grande moral, diga-se de passagem, cristã.

Não há que se poupar nenhuma bandeira religiosa. Todas carregam não apenas o rastro de seu passado mas uma série de eventos atuais que contribuem para a o retrocesso do ser humano. O ser humano, em si, ainda não se sente à vontade para questionar os pilares institucionais da fé. O medo de blasfemar contra o um pseudo-sagrado e ser condenado ao inferno ainda assombra suas mentes.

Enquanto isso, cada um vai criando o deos que lhe convém...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Inquietações do mundo, desconstruções em mim


Em alguns instantes de puro devaneio várias questões me tiraram a leveza do descomprometimento universal. Sim, universal, pois esforcei-me para passar despercebido ao mesmo tempo em que nada quis enxergar. Tolo engano. Não tenho essa frieza viral dos donos do jogo sistêmico. Eles detêm as regras além do controle do tempo de jogo, bem como as cartas, os jogadores, a torcida, os juízes e tudo o mais que possam comprar ou usurpar. Esse tanto faz não me pertence.

Meus velhos fantasmas guerreiros ressurgiram e se rebelaram na fronteira do vácuo de meus pensamentos. Teimam eles em me interrogar sobre o sentido de estar aqui e agora. De modo massivo, questionam-me sobre o tipo de legado que estaríamos deixando, serão valores ou apenas instinto de sobrevivência que repassamos aos nossos? Dúvidas, incertezas, questionamentos, inquietudes...

Onde o ser humano existe irradia-se ambição, ganância, poder e destruição. Fato. E, à proporção com que isso se alastra, é descomunal e desproporcional ao se comparar com os poucos insurgentes que combatem o sistema armados apenas de esperança. Religiões de moral desvirtuadas e instituídas à base do sacrifício e da miséria humana formaram um verdadeiro império financeiro à custa da fé alheia. O resultado pode ser visto de algumas formas: para a massa, que tem sua fé manipulada e construída sem embasamento, custará o livre arbítrio e sua desobediência acarretará o castigo eterno (inferno); para os vendilhões e show-man's, que orquestram em seus palcos, altares ou púlpitos como instigadores do radicalismo institucional e do moralismo religioso, o resultado divide-se em poder, status, dinheiro e só.

E se elas (as religiões) continuam assim, o que se esperar de outros seguimentos como a política, por exemplo? Sim, as religiões não apenas "estão assim", elas "continuam assim" pois, desde os primórdios, sempre fizeram parte de algum golpe, alguma tragédia histórica, aconchavada com a política e com a elite interessada em poder, status e progresso, mesmo que tais ambições custem a vida e o sangue alheio.


Poucos são os que se revoltam com o que está imposto. Raros são os que ainda acreditam. Desapegar das instituições é um caminho não apenas de desconstrução que requer coragem, bom senso e, no mínimo, um pouco de esperança, mas não recear a solidão da estrada por onde andam todos os que se indispõem a conformar-se e a calar-se.

Acredito que, sendo devaneio, não tem começo nem fim. Não precisa ter uma resposta precisa diante de uma pergunta que nem sei qual é. Pouco me importa se a ala católica vai me excomungar por pensamentos que criticam o fanatismo doente da RCC, CN e outros afins, ou se ainda me indisponho e contrario os excessos moralistas incutidos nas entrelinhas dos documentos medievais... pouco me importa. Na verdade, foda-se! Aproveitando o gatilho, foda-se também os empresários da fé, de alas pentecostais, neopentecostais (primos mais velhos dos carismáticos católicos)...

Mais alguém? Vai um "foda-se" aí???

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Desencapetamento na enxurrada


Então, uai! Era ontem, umas 21 horas e chovia muito. Eu voltava da missa. Passei por uma rua e escutei uma gritaria. Fui devagar e logo avistei uma cena, que está ficando comum aqui no bairro. Três pessoas embaixo de uma árvore enfrentavam a chuva e o "demonho". Uma delas ainda lutava contra a forte enxurrada.

Uma mulher fortona e um homem seguravam uma outra mulher deitada no chão. Ela se debatia, chorava, e falava esquisito. Deve ser porque a enxurrada estava muito forte e vinha de encontro à sua cabeça. Isso mesmo. A cena foi num palco improvisado. Sem muita plateia, porém. Apenas duas vizinhas que saíram ao portão e eu, transeunte novamente agraciado por mais um episódio da série "desencapeamento total". Estou colecionando essas pérolas. Já é a terceira ou quarta, se não me engano.

Como desconheço as pessoas vou sugerir alguns nomes para identificá-las na minha narrativa: a "Fortona" que com certeza deve ser a pastora exorcista (redundante né, pois todo (a) pastor (a) se auto intitula exorcista); o "Assessor", que é o rapaz que ajudava a segurar a outra mulher; e a terceira, que é a "Vivi", abreviatura íntima de "vítima".

A Fortona gritava e gritava muito bem no pé do ouvido da Vivi. O Assessor apenas cumpria sua função enquanto a pastora dava um banho de enxurrada na vítima aos som das velhas frases clichês: "Sai capeta! Sai demonho! Eu te ordeno, em nome de Jesuiz!"

Para saber o desfecho precisei passar pelo menos três vezes no local. Como da última vez o capeta saiu com a chegada do bombeiro que aplicou uma glicose ungida na "possuída" (pelo álcool), resolvi acompanhar mais de longe. E o medo da Fortona me jogar na água suja da enxurrada, hein?! Até explicar que não tava encapetado, já teria engolido muita água suja!

Enfim, na última passada pela cena, os três protagonistas já estavam em pé. Vivi estava abraçada com o Assessor e ambos agradeciam e se despediam da Pastora Fortona. Acho que o desencapetamento foi concluído com sucesso. Bom, não tinha muita opção para a vítima, porque ou mostrava melhora ou se afogaria com capeta e tudo. "Só sei que foi assim..."

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Debandada das massas

Primeiramente, há de se pensar na escravidão que assolou o passado histórico da humanidade. Será que realmente o ato de libertação dos escravos fez por onde? Libertou ou mascarou as atrocidades? A libertação foi apenas um marco ou de fato foi um pontapé para que as minorias se tornassem livres e independentes da tirania de seus senhores? 

Além dessas duas questões que abrem as fronteiras da dúvida sobre o que de fato aconteceu na história e acontece mascaradamente na atualidade, numa terceira visão, percebo que os senhores de escravo apenas mudaram de nomenclatura e a escravatura mudou de cara. Alguns, inclusive, usam o nome de Deus para implantar a sua ideologia de vida ou o seu sistema teológico de arrecadação, que depende dos ganhos gerados pela mão de obra escrava, alienada e massificada.

O tempo é sempre o melhor remédio, dizem-nos os mais antigos. E a maior novidade é que "nenhuma novidade se eterniza em primeiro lugar no seleto podium", pois num determinado momento será destronada por outra que será mais completa, mais abrangente. Em suma, o ciclo é rotativo. E essa rotatividade também acontece bem no centro do campo das religiões.

Há algo explodindo neste meio, o das massas. Muitas pessoas já se libertaram da culpa que as religiões mais antigas incutiam-lhes, quando procuravam sustentação espiritual e conforto em outras denominações que não fossem a sua de origem. Os líderes, não poucas vezes, condenavam e condenam os infiéis desgarrados que encontram seu caminho em outros templos. Esse medo gerado no âmbito das religiões já não afeta tanto. As pessoas evoluíram e passaram a compreender mais sobre Deus.

Nosso momento está voltado, principalmente, para o pluralismo religioso. E é justamente nesse ponto que evangélicos e carismáticos perdem força. Por um lado, as pessoas sentem a necessidade de se complementarem-se espiritualmente e nem sempre encontram e recarregam sua fé somente numa determinada religião. Por isso, cresce a busca constante por novidades que superem suas expectativas. 

Em segundo lugar, os eventos neo-pentecostais evangélicos, seguido pelo evento carismático católico, elevaram e resumiram a relação busca-encontro-fé-graça (ou milagre) a um momento de pura emoção. Não que não existam resultados potenciais. A questão é que esse "boom" atingiu uma escala altíssima e, de tão alta, não há mais novidade no que se pode esperar. Em suma, as coisas simples ficaram de lado. Sempre se espera um portentoso encontro ou evento ou culto ou missa em que, ao se derramarem em lágrimas, estará certo de que obtiveram o milagre solicitado. Este encanto tem se quebrado gradativamente.

Há também uma terceira questão em evidência, líderes religiosos que não atingem o seu objetivo e fiéis que buscam sempre mais shows do que a essência das palavras são pontos que também podem levar a evasão da massa das igrejas. 

E, em se tratando de debandada, as pessoas vão adquirindo experiência. Já não é uma palavra gritada pela boca de um líder religioso que tocará seu coração. De uma forma ou de outra, percebo que nesse pula-pula de denominação, elas também agregam conhecimento e, por vezes, desistem de seguir as leis dos templos tecendo o seu próprio caminho de diálogo com Deus.

Seja por qualquer um desses motivos, ou de outros não citados aqui, acredito que esses são passos importantes para a libertação das pessoas frente aos sistemas que tendem a massificá-las. Encerro então com outra velha e conhecida frase: "A Casa Grande pira quando a senzala se liberta!"

"Exija de Deus a sua parte"


Sim! É realmente com essa fala - "Exija de Deus a sua parte" - que o empresário-fundador-pastor da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) ministra suas pregações no altar de seu portentoso Templo de Salomão. Claro que há uma continuidade nessa fala que justificam-se os meios, os seus próprios meios: "...se você, enquanto cristão, fizer a sua." Basta um click no google e você terá um arsenal repleto de falas, mensagens, vídeos solicitando uma ajudinha dos fieis para as obras de seu Reino.

Exigir de Deus a sua parte enquanto o cristão fizer a sua, isenta a instituição e sua teologia de qualquer coisa que não dê certo na vida da pessoa, faz o indivíduo sair debaixo da saia do pastor. É uma jogada de mestre, não podemos negar, mas há controvérsias. A internet está repleta de pessoas que moveram ações judiciais contra a Universal por terem seguido a risca, doado tudo, e ficado na miséria. Por outro lado as falas dos designados bispos estão, além de inovadoras, cada vez mais abusadas. Pede-se cartões com senha, carros, casas, doações com valores altíssimos, dentre outras bagatelas.

Fazer a sua parte, essa é a máxima que os seguidores da IURD devem obedecer, ou seja, parte essa que não significa simplesmente atos de bondade e caridade e amor ao próximo. O objeto dessa fala está diretamente ligado às ações que as pessoas devem ter em relação à sua instituição, cumprindo todos os requisitos espírito-financeiros. Estão eles errados? Digo que não. Alienados, talvez. O que move aquelas pessoas é a fé, além do receio de não obterem a salvação por descumprir os desígnios do bispo Macedo e, ao contrário, ganharem a condenação eterna ao inferno. Mas sendo a fé um elo que liga a Deus, espero que Ele liberte os cativos e oprimidos das garras dos poderosos.

Edir é um cara inteligente, desenvolto, tem feeling para os negócios, visão-audição-lábia-olfato-tato devidamente aguçados. Construiu o seu próprio império, fruto do suor alheio arrancado em suas pregações alicerçadas na teologia da prosperidade. Dono, também, de um crescente e expansivo canal de TV. Sabe muito bem como entrar na mente do seu público fiel e colocá-lo em check com Deus.

Tem outros impérios em evidência por aí. Tomei a liberdade de falar apenas da IURD porque é uma das mais antigas e ainda em atividade crescente. Assembleia de Deus (Silas Malafaia), Igreja Mundial (Valdomiro Santiago), Igreja Internacional da Graça de Deus (RR Soares) são algumas das opções no mercado evangélico. Do lado Católico, temos algumas comunidades e movimentos, cito a CN (Canção Nova, fundada pelo Monsenhor Jonas Abib) e a RCC (Renovação Carismática Católica), ambas xerocópia do movimento neo-pentecostal.

Enfim, para finalizar essa cena, uma vez que as cortinas do show ainda não encerraram-se, devemos ter sempre em mente o livre-arbítrio, seja ele alicerçado pela nossa fé, pela nossa experiência de indivíduo em sociedade ou em ambas as situações. Sempre haverá um mentor para cabular a mente das pessoas porque nem todas estão preparadas para filtrar o conteúdo das mensagens enfadadas e deturpadas. A messe é grande, os operários são poucos, a matilha cresce deliberadamente e no momento existe um crescente número de lobos cercando ovelhas e conduzindo-as para um determinado pasto.

sábado, 16 de julho de 2016

Guerrilha por Deus sem Deus

"Dá-me teus pertences
É Deus que te ordena
Dá-me teus bens
Dá-me teu suor
Dá-me teu sangue
DÁ-ME TUA VIDA!
Não ouses desobedecer
Não atreva-se a questionar
Ele há de castigar os subversivos
Ao fogo eterno do inferno
Portanto, não relute
DEUS QUER TUA VIDA!"

É isto que se escuta por aí
É isto que se comercializa nos templos dos algozes
Toca de lobos, forasteiros, carniceiros
Fábrica de massificação
Manipulação de mentes
Ópio maldito
Alienação de famintos

Essa guerrilha moderna
Que se destrava escandalosamente
Em nome de Deus
Jamais teve Deus 
Em seu cerne, apenas bandeiras
Do dinheiro, da ganância, do poder
Em nome de Deus, a exploração inescrupulosa...

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Precisa-se: pregadô e cantô



Domingo. Dia em que acontece as mais variadas celebrações religiosas nos infinitos templos que se instauram da noite para o dia. Templos estes que vão desde os casebres mais modestos aos magnânimos palácios repletos de adornos. 

E foi exatamente no dia 22/11/15, que ao passar perto de um desses, escutei a seguinte pregadura, pela voz de um pastor, creio eu: "Precisamos de bom pregadô, de bom cantô (...)". Óbvio que é uma frase dita dentro de um determinado contexto ao qual não tenho conhecimento por completo. Como se diz, peguei o rabo da conversa

Nem sei na verdade o que de fato comentar sobre. Me esforço para ampliar os horizontes dessa frase e assim tentar entender a cabecinha do homem que verbalizava na tribuna. Em vão. Havia eloquência na pronúncia, tipo aquela que se vê e escuta nos shows milagreiros de fé. Nenhuma novidade nisso, uma vez que a maioria das denominações cristãs tem em seu portfólio o mesmo discurso, as mesmas práticas, os mesmos produtos que ao final ultrapassam o absurdo. Um absurdo sem a devida Graça. Apenas... show, onde a fé é o produto, os fiéis são os clientes, e quem não conhece que compre! 

Quem estiver qualificado para essas vagas de pregadô e cantô enviar curriculum vitae ou comparecer pessoalmente no local mais próximo de sua residência. 

A gente perde o amigo mas num perde o comentário. Améimmmm?!?!?



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Não! O show não tem que continuar!


Episódio de hoje: "A bagaça só termina quando digo amém! Améiiiimm?!"

Mais importante que a história a ser passada é o cenário com seus aparatos e a interpretação do elenco. O ambiente do palco tem que ser o mais perfeito possível. É preciso atingir o público, arrancar-lhe risos mas levar em conta a exacerbada preferência pelas lágrimas também. Sobrecarregar as emoções é garantir sucesso de bilheteria e aumento de público fiel. Reconhecimento, sucesso, estrelato, fama e patamares cada vez mais ambiciosos. É o que se busca.

Tudo seria normal se a realidade fosse nos palcos das artes cênicas. Não é o caso tratado neste escrito. Reconfiguremos a mesma situação num ambiente sacro, ou melhor, dentro dos pilares de uma igreja. Ousemos afunilar ainda mais e foquemos determinado movimento de uma igreja, a Igreja Católica. Chegaremos fatidicamente a um único denominador comum. Améim???

A arte de levar emoção aos fieis entranhou-se no seio dos movimentos católicos; estes que copiaram tal feito dos neo-pentecostais ao longo dos anos. O plágio não se deu somente na forma melancólica de ministrar encontros e eventos. Vai além, muito além. A imponência dos pregadores, que se portam como únicas pessoas capazes e escolhidas, se evidencia na tônica de suas palavras sempre acobertadas por um deus-castigador que lhes conferem o título de dono da fala.

Como disse, o plágio se estende além do que os olhos veem. Até mesmo a Teologia da Prosperidade, criada a partir de denominações como a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), não está mais incutida mas explicitada em atos e palavras das pregações que propiciam ao público leigo a insana interpretação de que "pessoa agraciada, ungida ou próspera, é aquela bem sucedida social e financeiramente; o contrário é o óbvio, quem não atingir e não conquistar sua graça nos moldes estipulados pela ordem dos movimentos corre o risco de levar o rótulo de amaldiçoado". Améim???

Parece arcaico mas é tão atual quanto real. Os movimentos que caminham em paralelo com a igreja tem suas regras próprias e por vezes destoam no que tange os princípios da instituição. Como diz Francisco "quem procura a igreja precisa encontrar as portas abertas e não fiscais da fé". A arte de rotular a quem não comunga da mesma ideia também faz parte da lista que fora importada de outras denominações. Apesar de que a nossa história também é rica nessa tarefa de rotular. Chega a ser uma santa e pecadora escola primeira. Mais pecadora do que santa.

Sempre me coloco em check diante dessa fala do Papa Chico. Estou sendo tão fiscal quanto os fiscais carismáticos? Ou, estou me tornando um fiscal que fiscaliza fiscais? Nem uma nem outra. O que ocorre é que não tem como evitar certos tipos de contatos e embates com pessoas que fazem do templo o seu espaço para um show particular, aonde o altar vira palco, os pregadores são os heróis ungidos que detém a palavra única de salvação e Aquele Moreno de Nazaré... Ah! É só um mero coadjuvante. Améim???

Pra conferir a balbúrdia desses encontros que se diz de oração, primeiramente passe perto da Universal e depois confira alguns encontros de Movimentos Carismáticos Católicos. A linha que separa uma da outra chega a ser somente a denominação. Verdadeiras primas siamesas. Sem querer ser "TÃO" pessimista mas tentando enxergar até onde e quando essa onda vai levar o senso crítico das pessoas, além do que a história já mostrou e diante do que concorre nesta realidade, só percebo que esse mesmo movimento tem forte tendência a se desvincular de seu berço romano e fundar sua própria instituição.

Talvez eu nem esteja por aqui pra ver esse bagaça virar a casaca, mas, por hora encerro esse monólogo de dois e sempre pensante no que ainda verei em breve. Sendo assim, para mim esse espetáculo vulgo sacro se acaba cada vez mais sem graça. Tão sem graça que os donos da bola nem se prestam a decorar o texto. O show é de improviso, o elenco é amador e sem perspectiva para melhorar; em suma, diante das palavras soltas de cada pregação, sem fundamento e sem argumento, os cabeças são destituídos de qualquer preparo. Mas, eles são "os escolhidos", né?! Quanto a nós, reles mortais, temos a opção de escolher um show de verdade para assistir, ou mudar de canal! Améim???

sexta-feira, 29 de maio de 2015

oS ridÍKulOs


Antes da pitoresca entrada solada, procurei o "pai-dos-burros" no google, facilmente acessível e acessável por qualquer um que queira satisfazer sua curiosidade quanto ao significado das palavras. No meu caso digitei "RIDÍCULO". Do resultado da pesquisa, sem tirar nem por, apenas copiei e colei da forma que segue abaixo:

a) Significado de Ridículo: adj. Risível; digno de riso; merecedor de escárnio ou de zombaria.
Insignificante; de valor irrisório; de pouco ou nenhum valor: quantia ridícula.
s.m. Pessoa que submete à zombaria, ao riso; quem se comporta ou diz algo que desperta o riso por ser muito engraçado ou constrangedor.
Algo ou alguém que é ridículo: o ridículo ainda não chegou?
Expor ao ridículo. Apresentar algo ou alguém de modo a causar risos.
Expor-se ao ridículo. Colocar-se numa situação de zombaria.
(Etm. do latim: ridiculu.a.um)


b) Sinônimos de Ridículo: esquisito, estrambólico, excêntrico, extravagante, heteróclito, insignificante risível
c) Antônimos de Ridículo: elegante, fino, chique, lógico, sensato e razoável

d) Definição de Ridículo:
Classe gramatical: adjetivo e substantivo masculino
Separação das sílabas: ri-dí-cu-lo
Plural: ridículos
*Fonte: www.dicio.com.br

Simbora que rapadura é doce mas num é mole não! O que sassucede é que niquiquando você discorda da opinião alheia, tem autor de alheice que se ofende e ataca barraqueiramente a tu, o discordante.

O episódio ocorreu numa instituição acadêmica. Professor, disciplina e tema não vêm ao caso. Participantes, entre eles estava eu, opinaram acerca do tema em discussão. Favoráveis, contras, alternativos e não optativos eram os que compunham a orquestra. Como em tudo que se refere a assuntos de ordem religiosa, principalmente quando se tratam de regras institucionais e dogmas de fé pouco conhecidas e discutidas, portanto mal interpretadas em sua maioria, onde a própria instituição religiosa ainda caminha rumo a melhores esclarecimentos e compreensão, toda opinião de qualquer leigo merece, no mínimo, respeito. É o que se espera de graduandos de um 4º período de Teologia que ali estão não por acaso.

A cena desrespeitosa foi que um participante esporádico, desconsiderando os comentários de um colega de sala, saiu do campo da discussão acadêmica e desdenhou com gestos e palavras a este. O colega apenas manteve o foco no embate. O participante reclusou-se no silêncio e no desdenho. Posterior a tal fato a sala manteve-se sem a presença esporádica de quem não gostou de ouvir outras vertentes sobre o mesmo assunto. Eu, quanto a essa digníssima ausência, quase não tenho dormido direito!

Não bastasse nos honrar com sua ausência ainda necessitou destilar sua profunda mágoa e incômodo, quanto ao episódio ocorrido a mais de mês e devidamente citado acima, contemplando nossa sala de "ridícula". Infelizmente, fui eu quem escutou no corredor desta instituição acadêmica a persona de orgulho ferida a nos adjetivar de ridículos. Aí pergunto: "Que tipo de teólogo vai sair dessa academia? Que tipo de líder é esse que não aceita discordância de sua opinião?" Pior que isso: "O que é que a pessoa desenrola e verbaliza nos momentos que ministra o seu movimento universitário?" Pseudo-cristianismo, eu penso!

Por isso me reservei, desde os primeiros momentos de faculdade, a não participar de certos eventos universitários que começam sem pé nem cabeça. Recusei veemente os inúmeros convites e afirmei que alguns movimentos acadêmico-religiosos não eram a minha praia! Geralmente quem atua em certas bandas religiosas que descartam o estudo e a discussão sadia e fincam o pé numa trilha regada de ingenuidade mística e espirituosa são travados para acolher o diferente. A acepção de pessoas já se dá a partir do pensamento alheio.

Estar num ambiente acadêmico requer, antes de qualquer coisa, prontidão para se desconstruir. Há quem queira somente o título e prefira manter sua catequese de raiz intocável. Enveredar pelo caminho da ciência é correr o risco de se deparar com verdades diferentes das que nos foram repassadas um dia. Se durante o percurso os sinais de fé se estremecerem com o novo isso não será o problema vital, mas é um grande sinal de que precisamos continuar buscando respostas. Todo o conhecimento deve propiciar-nos a desconstrução dos pensamentos e possibilitar-nos o reerguimento de um alicerce com verdades pertinentes à nossa caminhada de fé. Se ao final de quatro anos acadêmicos nada mudar, o tempo fora perdido.

Quanto a adjetivada que nos foi tacada não vejo como um peso negativo, quiçá desonroso, nem que influenciará na academia, tampouco na caminhada de fé. Quando crianças, épocas de pré-escola, quando o coleguinha dizia alguma coisa que não gostássemos a reação era mostrar a língua e xingar de chato. Em tempos acadêmicos a reação evoluiu para o desdenho e o ridículo. Pena que esse mesmo grau de evolução não se dê na abertura para o novo e para o diálogo saudável. De qualquer forma eu PREFIRO SER UM RIDÍCULO MAS VERDADEIRO A UM HIPÓCRITA E ALIENADO!

Ou, como diria o grande Rauzito: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."

sábado, 23 de maio de 2015

Deus e o diabo no sertão


"666". Uau! Este é o escrito de número seiscentos e sessenta e seis. Pensei em usar o próprio número como tema mas, parei, pensei e recuei. Haveria um certo risco de deparar-me com uma comitiva inquisidora pronta pra me levar ao julgamento. Eu seria obrigado a renunciar o meu pensamento, pedir perdão pelas palavras usadas, ser pendurado em praça pública, uma fogueira pronta pra me consumir e com a gran'sentença da ex-comunhão institucional, etc.

Putz! Viajei legal! Nada disso sô! Apesar da sensibilidade exacerbada de alguns radicais, creio que não chegariam a tanto. Levando em conta que o próprio Moreno de Nazaré, Jesus, não sentenciou a ninguém, tampouco ex-comungou, o que pensam as mazelas do poder religioso não me incomoda. Relaxem que dói menos!

O "meia-meia-meia" seria o quê, então? Algo cabalístico? Apocalíptico? Os sorrateiros doutos da fé têm uma interpretação leviana e amadora. Utilizam o tema e suas nuances para armar um circo sobre seus altares. Um verdadeiro espetáculo forjado por oportunistas que objetivam holofotes, ibope e renda. Casadinha mega-infernal, por sinal. Ou, conspiração religiosa, pois precisam evidenciar o mal para que seus mega poderes sejam televisionados.

Em poucas inteiras palavras a Bíblia trata o 7 como o número da perfeição, portanto que representa o Bem, Deus. O 666 é a imperfeição que representa o mal, portanto nunca atingirá o estado perfeito. Do mais, é conversa midiática pra vender shows, CD's melodramáticos, e livros de auto-ajuda. As instituições precisam se manter, principalmente no que tange a vaidade de seus líderes.




Pegando um gancho do grande poeta dos sertões, João Guimarães Rosa, faço agora minha travessia nesse enlace escriturístico a provocar a sã demência dos livre pensadores, contrapondo a hipocrisia disfarçada dos mestres da lei e a "bestage" dos alienados à supra-corte hierárquica.

"O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar (G. Rosa)." O sertão habita no universo de cada homem tanto quanto o bem e o mal que ele pode nutrir. O chão deste sertão é livre, quase terra sem lei ou terra de ninguém e nele se planta o que melhor lhe há de convir. Cada um planta o que tem. Se bom ou ruim, o gosto do fruto depende da escolha.

Por isso, a questão da existência do mal em tudo quanto é coisa que existe no sertão desse mundão parte muito mais da eloquente necessidade que muitos neuróticos da fé cultivam em si. Travar aquele espetáculo apocalíptico, típico de batalha de juízo final, ou star-wars, é indispensável para que na contra medida os experts da fé expunham seus multi poderes paranormais. E assim se dizem ungidos, poderosos, milagreiros. Os justiceiros do apocalipse, gladiadores do altar, e outras entidades pseudo cristãs são como os grandes inventores de anti-vírus. Primeiramente criam o vírus. Posterior, criam o antídoto e o vendem inescrupulosamente. É o sistema. Isso sim é uma conspiração de ordem social e com objetivos capitalistas e consumistas.

O fantasma do sertão de nós está extravasado do lado de dentro. Ele não se alimenta por si só. Requer trato especial, ou seja, quanto mais enfoque se dá mais ele se fortalece. Prático e necessário para a atualidade evidenciar o diabo. Pena que os sistemas de teologias usadas nos mercados religiosos servem apenas para massificar e alienar os seguidores. Construir uma cadeia de pensadores é escolha que atrapalha a fluência das valorosas bolsas religiosas.

Se a liberdade consiste em escolher o caminho, não há que insistir em endiabrar o sistema. O sertão está em todo lugar, está dentro de cada um. Nele, como todo homem que se é criação, a presença do bem e do mal existe. Da escolha de qual lado prevalecerá no controle é que dependerá a sobrevivência do errante solitário no sertão deste mundão. "Deus e eu no sertão."



terça-feira, 24 de março de 2015

O jogo dos 7 erros





Aêêêê! É nóis na fita!
Amém, Axé, Auerê!

Por onde começar? São tantas emoções e razões que... que... que... Que na real preciso tomar cuidado para não acenderem uma fogueira santa aos meus pés antes da devida hora. 

Numa das páginas que criei no Facebook, para os devidos fins de informação e formação da Comunidade onde participo, uma pessoa postou um convite incentivando a participação no Grupo de Oração. Beleza! Bem redigido por sinal. Começo, meio e fim! Começo "ok", fim "ok"... mas o meio, esse lascou!

Vamos lá. Sei que de certa forma vou contribuir com as lenhas para a minha santa fogueira, mas enfim, rendo-me ao absoluto desejo de escrever com os devidos ingredientes para apimentar e as eloquentes razões para argumentar. O caldo vai ficar picante!

Eis o "X" da questão, ou melhor, o meio propriamente dito: "(...) O Senhor tem um desejo imenso de amar a cada um de nós (...)". O convite é feito com a saudação inicial e referências sobre local, data e hora do encontro. Em seguida vem a questão da frase acima seguida por "(...) e nós temos a imensa necessidade desse amor (...)." Então, li, reli, e até respondi na página tecendo um comentário mas voltei atrás e apaguei, mantendo-me no silêncio não obsequioso. Foi uma questão de hora e lugar impróprios para a resposta. E, talvez, a percepção do sentido da frase foi somente minha. Melhor mesmo é escrever no meu espacinho aqui.

Lembrei-me daquela brincadeira que a gente encontra em alguns gibis e revistinhas infantis: "O jogo dos sete erros". O sete é um número interessante mesmo: "Setenta vezes sete devemos perdoar os nossos irmãos"; "de Maria Madalena saíram sete demônios", dentre outros mais. Aí, inspirei-me no sete para o título dessa bagaça. 

Voltando para o "sete" da questão: "O Senhor tem um desejo imenso de amar a cada um de nós." Não! Ele não tem desejo, porque ele simplesmente ama incondicionalmente. Isso diz e resume tudo sem precisar entrar em questões mais profundas. Desejo está mais para o ser humano. O Senhor, filho de Deus, que deu sua vida por nós não tem um desejo imenso de amar a cada um de nós porque Ele amou e ama. E pronto! E ponto!

A impressão é que somente atendendo ao convite para participar do G.O. é que "o Senhor" realizará o seu imenso desejo de amar a cada um de nós. Então quem não participa não é amado? Mas Deus não nos ama incondicionalmente? E quem não é adepto do Catolicismo? E quem não participa do movimento carismático? 

No fundo eu entendi o "sete" do sentido mas considero tais formas de se achegarem aos demais uma característica de consciência meramente mágica. E o mágico quando alimentado de forma ingênua pode se tornar trágico. Uma vez que a fala do dirigente ou coordenador tem um certo poder de alcance o cuidado com as palavras deve ser redobrado. Dizer por dizer até satanás diz. É preciso não apenas esperar pelo agir do Espírito Santo. É preciso mesmo mergulhar em águas mais profundas do estudo e da oração para então se ter uma prática alicerçada. É preciso ultrapassar as barreiras do ócio do auto-entendimento e tirar os tapa-olhos para que a "brisa suave" se achegue. Levar as coisas no impulsão é praticamente fomentar o ópio.

E assim caminha a humanidade. Não escrevi na página onde o convite procedeu-se para não fazer de lá um palco de discussão e desentendimento. Aqui, porém, não tive a mesma humildade. Nem preciso confessar isso porque se você leu até o final já concluiu por si próprio. 

E só mais um detalhe: se for oferecer madeira para a fogueira no dia da minha inquisição, por favor, seja um bom cristão e um exemplo de cidadão protetor da natureza. Certifique-se de que não está cortando árvores indevidamente.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Pra ser livraria e católica falta um cadinho bão



Passei numa livraria Católica e como não achei o que queria perguntei a atendente se tinha livros do Leonardo Boff. Havia um título específico desse autor que me interessava. Ela levou-me para um cantinho e mostrou-me uma meia dúzia de livros ao lado de outra meia dúzia do Pe. Zezinho. Pensei: que descaso! Enfim, não bastasse, a moça velha de casa indagou-me se eu gostava de ler livros deste autor, o Boff. A pergunta saiu meio atravessada e eu não pude deixar de sorrir de forma amarelada e irônica. Óbvio! "Parece que ele é meio, meio (...)" disse ela. "Meio o quê? Conclua!". "Sei lá, meio confuso na escrita." Mais um sorriso e minha resposta direta: "geralmente os carismáticos não conseguem entender e compreender o teor teológico deste autor. É nível para poucos." Também não pude deixar de perguntar-lhe: "você não é daquelas que acredita que ele foi ex-comungado ou é?" E por incrível que pareça ela consentiu que pensava justamente dessa forma. Só pra encerrar o diálogo deixei-lhe meu pensamento: "Numa livraria católica onde há uma estante inteira com livros do matemático Aquino, que não entende merda nenhuma de Teologia, e não há praticamente nada de bons Teólogos, aff, é de questionar sobre a empresa enquanto livraria e enquanto católica. Bom, levando-se em conta o poder midiático por detrás do pseudo-escritor (Canção Nova) e o que isso deve render de lucro para todos, diante dessa visão não importa o conteúdo desde que se venda muito." Visão capitalista. O ópio alienante é interessante porque não questiona nada, apenas impõe doutrinas alucinógenas que efervescem no vazio do ser que assim permite. Disse mais: "eu tinha dois livros do Aquinóide." Deixei um suspense no ar, de propósito para que a vendedora perguntasse se eu havia lido. Dito e feito. Não se aguentou e perguntou. Encerramento com chave de ouro: "Não. Queimei os dois!" A carinha de paisagem ou de dois de paus, e de pura interrogação, condenava. É mais uma que vive desenraizada do mundo e com a cabecinha a "las alturas". Eco! Meu grau de tolerância está cada vez mais zero.