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sexta-feira, 23 de junho de 2023

Relação de avatar



As pessoas se impressionam com as imagens postadas. O encantamento gera sentimentos, paixões, fetiches e aquela imagem passa a ser objeto de desejo por quem se sentiu atraído por ela. Quando há uma reciprocidade de atenção e interesse, e a possibilidade de conhecimento é real, os anseios para um romance ou um encontro trivial crescem. Muitos procuram algo estável. Porém a realidade é outra a partir desse conhecimento real. Muitas vezes, aquilo que era desejo, torna-se frustração. A imagem do post era apenas uma imagem. A ilusão criada pelas caras e bocas, pinturas esculturais na imagem, que provocaram o pensamento, o instinto, o sentimento em si, foram desconstruídas à medida que a realidade se mostrou além do sorriso, do olhar da figura retratada naquela imagem. O sentimento foi por um avatar, um sentimento por algo figural, esculturado e cultuado nas redes sociais que, hoje, tem um poder de persuadir de forma ampla. Amor Líquido de Baumann traz essa fragilidade das relações atuais, que são superficiais, rápidas, descartáveis. Tudo muito passageiro devido ao interesse de momento que não tem perspectiva de amadurecer e crescer para a continuidade. As relações estão assim, cada vez mais superficiais. Tudo é apenas uma questão momentânea que, em sua maioria, não é nem a busca por uma satisfação rápida, mas a necessidade de se ter o protagonista daquela imagem para si. No mundo virtual tudo dá certo, é lindo, perfeito. Os avatares tomam conta dos espaços. Trazer a figura, o avatar, para o mundo real é um caminho em que as máscaras maquiadas caem, o visual que fora encantador é destronado pela falta da essência. Não é regra, mas isso faz parte do cotidiano e da vida de muitos. 

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Rosas e muros



Andando por algumas ruas da cidade ainda é possível encontrar casas com grades às quais nos permitem olhar para sua frente. Dessas casas uma minoria ainda possui um canteiro com flores que ornamentam a vista. Dentre as flores, destaque para as roseiras. As flores em si sempre me trazem boas recordações, mas as rosas remexem no baú da saudade. Meus avós Joaquim e Iolanda tinham dois canteiros na frente de sua casa e ali cabia uma variedade incrível de plantas e flores. Obviamente não faltavam rosas das mais variadas cores. Vez ou outra, alguém pedia uma rosa e minha avó ia lá cortar com cuidado. Não havia grades, apenas um muro que de tão pequeno servia de banco nos finais de tarde em que meu avô e alguns vizinhos sentavam-se para prosear. Era um tempo sem tantas preocupações.

O passar dos anos fez com que meu avô colocasse grades altas em cima dos muros. Perdemos o banco no intuito de ganhar um pouco de segurança. Hoje, a fachada da maioria das residências tem muros altos, com cercas elétricas ou serpentinas. Quem está dentro não consegue ver o movimento da rua e quem está fora não consegue apreciar os canteiros que podem existir atrás dos muros. Ficamos todos presos por dentro e por fora, reféns do medo, da insegurança e da própria sociedade adoentada. Caminhamos para um isolamento social e as antigas e boas relações seguem para sua extinção. Nossos filhos e netos talvez nunca possam desfrutar das brincadeiras que um dia tivemos, na rua, ao ar livre, na chuva e curtindo o anoitecer com o céu repleto de estrelas. 

Numa outra realidade lembro-me de quando entrei para o mundo virtual, especificamente no facebook. A possibilidade de reatar laços e manter o contato com pessoas distantes era o máximo. Amigos de infância tinham a possibilidade de trocar experiências, formar grupos, comunidades com interesses afins e desenvolver bons diálogos. A possibilidade de fazer criar novas amizades também era positiva. Tudo concorria para uma boa evolução.

Porém, com o tempo e a evolução das redes sociais, o cenário que até então era místico, belo e com perspectivas positivas acabou se tornando um campo minado, permitindo que as pessoas se manifestassem sem suas devidas máscaras e o resultado é que esses espaços se tornaram palcos de guerrilhas com atenuantes para a violência e para o ódio, sem mencionar diretamente o preconceito e o deboche com a dor alheia que o ambiente propicia. O belo, o lúdico, a poesia, a arte, a vida em si, perderam espaço.

Em suma, o ser humano é a sua própria desgraça. Tem olhos mas não enxerga o que seus atos e pensamentos podem causar. Espero que a evolução seja realmente cíclica e que num futuro não distante possamos sentir o cheiro das flores ao passear tranquilamente pelas calçadas do seu bairro, que possamos também sentir o cheiro das cartas perfumadas que traziam notícias de alguém tão querido, e que a tranquilidade nos permita andar de bicicleta à luz do luar. Ou então, caminharemos para o abismo da apatia solitária, sem amigos reais, presos em nossa própria solidão e cercados por muros.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Superficialização

 (*)

Ao entregar o livro "Cá de dentro" a moça abriu-o e disse que precisava de um lugar assim, como o poema "Apenas um lugar" descrevia, sem conexão com a tecnologia.
De certa forma ta todo mundo perdendo o contato, o calor humano.
As relações estão superficiais, virtuais.
As pessoas estão acostumadas com tragédias cada vez mais violentas expostas nas redes sociais. 
Nada mais comove. 
Nada mais emociona.
Estamos numa era de maquiagem virtual.
Todo mundo é lindo.
As declarações de amor explodem por aí, de lá pra cá, daqui pra lá.
Na vida real, nada acontece.
Pessoas distantes que se fazem próximas.
Pessoas próximas que se distanciam.
É a vida.
São as pessoas. 
É a tecnologia. 
É a frieza humana.
Estamos mergulhados na era do superficial.
Pena.
O que será num futuro próximo?
Será?

(*) Foto de uma flor artificial, daquelas que ornam as lápides.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

A mistura de todas as coisas



Dias atrás recebi essa montagem acima e fiquei inquieto com a intenção de quem a fez e também com a inocência de quem ajudou a propagar. Em tempos de rápida viralização virtual, quanto mais carregada a mensagem, de incitação contra "certas causas", melhor. E assim se procedeu. Meu primeiro contato com a imagem foi num grupo de whatssapp e ao retornar às redes sociais após um período de abstinência pude entender algumas questões.

A repúdia maior, aqui no Brasil, começou quando Viviany Beleboni desfilou crucificada num carro alegórico durante a Parada LGBT de São Paulo no dia 07/06/15. Na placa acima de sua cruz ressaltavam os seguintes dizeres: "Basta de HOMOFOBIA com LGBT". Nem preciso lembrar-lhes que ela é transsexual, uma vez que virou notícia, vidraça e caça dos homens preservadores dos bons costumes (Malafaias, Felicianos, Paulos Ricardos, homofóbicos, preconceituosos e mais um monte de hipócritas dessa estirpe). Os hómes da lei entenderam como um chamamento para a briga. Bom, a pauta aqui não está para defender a protagonista deste enredo, muito menos crucificá-la. Já o fizeram bastante.

Mas, o que mais trouxe repercussão e causou incômodo nas alas conservadoras foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA. A partir daí o facebook possibilitou, a quem quisesse mostrar apoio a causa, colocar as cores do arco íris em sua foto de perfil.  Muitas celebridades aderiram. Foi também uma maneira de se mostrar indignado contra os reacionários homofóbicos. O assunto ganhou notoriedade tanto quanto a cultura de incitação ao ódio, provocada pela fala de quem deveria pregar o amor, teve um aumento considerável.

A foto da criança engatinhando, sofrendo pela dor da fome, pode ser do sul-africano, Kevin Karter. Se sim, data de 1993 e foi tirada no Sudão. O fotógrafo que registrou este momento em suas lentes, apesar da foto ter ganhado prêmio em 1994, entrou em depressão profunda e suicidou-se nesse mesmo ano, aos 34 anos de idade. Não suportara o bombardeio de críticas recebidas. Deixou uma carta de suicídio facilmente encontrada na internet. De qualquer forma a foto é tão antiga que muita gente não a conhecia e assim tornou-se novidade nas redes sociais e viralizou pelas vias dos ingênuos, dos inertes e dos regados de consciência mágica.

Então, vem agora o objeto destas linhas, "A mistura de todas as coisas": o que tem a ver "desigualdade social", representada na foto pela fome da criança que se arrasta no chão de terra, com as cores da bandeira que representa o movimento LGBT? Suponho que a intenção é dizer que uma causa que vale a pena lutar (no caso a fome no mundo) está longe dos holofotes, enquanto um assunto de menor significância (preconceito - casamento gay - LGBT) está estampado em várias capas e tem célebres defensores manifestando-se em massa.

Duas situações embutidas no mesmo pacote. Ambas são injustiças, merecem atenção e são de responsabilidade de todo cidadão, principalmente quando se intitula cristão. Mas (...), passaram a régua e soltaram na net. De um lado o discurso adotado é o da necessidade de acabar com a fome no mundo. Na via contrária é outro, pois são disseminados toda a intolerância e preconceito contra quem não está adequado aos padrões religiosos, sociais e culturais impostos pela ditadura homofóbica. Eu resumo como um discurso falido pela hipocrisia.

Nos dizeres da montagem, entendi que a pessoa que a fez, juntamente com todos os que compartilharam, só irão PARTICIPAR na luta da "causa (contra a fome) quando toda uma nação se unir em prol da mesma". Esquisito demais! Enquanto isso vão acomodar o traseiro e esperar. Não irão fazer mais nada por ninguém. Ou "SEJE" (*), pode o mundo acabar, pode o céu desabar, e tudo acabar em pizza que as personalidades de plantão estarão à espreita de um "grand espetáculo".

Enfim, nem tudo é o que parece ser. As personas são tendenciosas e se deixam levar pela primeira impressão visual. São facilmente manipuladas diante de uma imagem montada. Falta, então, um "quezinho" de senso crítico, senão, uma simples questão torna-se uma tremenda confusão. Aquelas velhas piadinhas que a gente aprendeu na adolescência são bons exemplos: "Não confunda: Bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha; Gentileza com gente lesa; A moribunda com amor e bunda; O homem documentado com o homem do cu mentado" dentre outras tantas. Portanto, abre o zóio e analisa sem pavoramento, pois "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa"!



Nota:
(*) Seje = A escrita correta é "SEJA". No texto foi colocado intencionalmente errada. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Vida virtual, morte real


O "já é hoje" se repete a todo momento de cada dia. É um tempo em que o tempo perpassa, descruza e enlaça a desmedida da vida, por vezes tão pouco vivida, que sem saber caminha insegura, infeliz, no sentido da morte que um dia certeiramente chegará. Viver é um dilema que requer a ingênua descompreensão das coisas. A recíproca deste viver que aflorada está em cada ser é que é o problema. 


Os devaneios, cada vez mais loucos e ousados, além dos olhares de custódia da ordem dos politicamente sensatos, são caminhos não só de libertação mas de busca de sentido real. Sentido este que tem se confrontado com a virtualização das relações.

Estamos reféns da tecnologia. Já não sobrevivemos sem esse aparato. As relações se perfazem em meio a comunicações digitais. Não há limites para o alcance dessa era tecnológica. O próprio facebook, vitrine para as novelas diárias da vida alheia, perdeu um pouco para o famoso whatsapp, a mais nova menina dos olhos da população de todas as classes. 

Sem muito mais explicações, nem tentativa de fazê-las, o que se percebe é um empobrecimento das relações nessa era de exagerada virtualização. Comunicar-se se faz por cliques. Pesquisas, estudos, reuniões, tudo está centralizado nesta dimensão virtual. Bibliotecas, já obsoletas para muitos e desconhecidas por grande parte das novas gerações, tendem a se transformar em museus.

Os comportamentos digitais, antes individualizados, tornaram-se coletivos e públicos. O tato, o olfato, a visão, o contato como um todo perdeu espaço para as mais novas figuras de comunicação disponíveis em cada nova invenção tecnológica. Essa necessidade de sintonia digital já impregnou no seio social. Poucos insurgentes, ou sobreviventes, de uma era mais real e palpável estão sentenciados a solidão ou então que se rendam à modernidade das comunicações em seus vários estilos.

Causa e efeito. Se, os efeitos desse excesso de tecnologia ou virtualização de tudo estão esfriando as formas de relação em sua essência, por outro lado, o caminho da desvirtualização tem causado o contrário: síndrome da abstinência. Abstinência virtual! 

Vida cíclica. Se, o fim de tudo é voltar ao começo, pois o novo está em redescobrir o que deixou de se viver, aprender e conhecer, então que seja logo. Este emaranhado de fios, arranha-céus, estão nos fazendo tropeçar nos obstáculos tridimensionais já não mais invisíveis. As pessoas, amorfas, de tão conectadas em seus aparelhos modernos caminham feito zumbis para não perderem a conexão com o mundo. Para estes só falta conhecer a vida e vivê-la pelo menos um pouquinho antes que o tempo desvirtualize-se de sua vida. Há um grande grande risco para muitos dessa nova geração que o primeiro contato com uma flor seja apenas no dia de seu velório. Assim caminha a humanidade.

Já é hoje... mais uma vez, é hoje!

terça-feira, 17 de março de 2015

O jargão da hipocrisia



Eis que um novo ópio surge e, como na maioria das vezes, de cima para baixo. O que vimos e assistimos nos últimos dias na imprensa áudio-televisiva e escrita, e principalmente nas redes sociais é o maior dos absurdos. Nada concreto, apenas uma anarquia generalizada. A cara que se mostra não é de um nível de intelectualidade superior e que sabe o porquê e para quê se manifesta. As pessoas entrevistadas durante o estardalhaço, em sua maioria, nem sabiam o que responder aos repórteres. 

Um pequeno grupo resolveu insurgir-se dando um tiro no escuro para ver se atingia algum alvo. Acabou dando certo. As redes sociais, a imprensa golpista, e muitos oportunistas de plantão trataram de disseminar as mazelas da desinformação. A oposição insatisfeita que representa a classe elitizada fomentou e financiou a tentativa de golpismo. Saldo: a cara da riqueza apresentada nas manifestações foi a que mais lucrou com esse show pirotécnico. Não fizeram nada mais nada menos que apertar o botão do "FODA-SE" ou em outras palavras "não quero nem saber em quem estou batendo, quero mais é dar porrada!" 


O tom dos discursos dos organizadores dos M.O.P.s (Movimentos Oportunistas de Plantão) era de ódio e por consequência a violência era inevitável. As agressões ocorridas sempre partiram da ala manifestante. Além de tentar intimidar a quem se opusesse faziam seus ataques verbais no naipe do calão mais baixo possível. Muitas faixas com frases discriminatórias foram fotografadas. Bonecos que representavam lideranças do Governo sendo enforcados. Um belo exemplo de movimento golpista.


Até mesmo o Aécio Forever Bebaço Neves postou um vídeo explicando sua ausência no dia "d". É muito repugnante um cara desse desnível fazer uma "chacota" assim. Como esse "ser", que ferrou com Minas Gerais, teve tamanha audácia? Esqueceram que ele bate em mulher! Foi pra encerrar com chave de "fenda". 


Mas quem está por detrás dessa cretinice toda? Tem gente grande sinsinhô! Políticos, grandes organizações midiáticas, empresários, um bando de oportunista, outro tando de golpista, um monte de otário, e uma maioria sem senso-crítico que adora agitação. Disso tudo dá pra salvar uma meia dúzia que manifestou conscientemente por melhorias. 


Agora, a frase que não param de falar em cada vídeo babaca que os revoltosinhos postam: "Juntos somos mais fortes e com Deus à nossa frente somos imbatíveis." É, Deus virou partidarista, apoia a miséria, apoia a lei do rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre, gosta do discurso de ódio, da incitação à violência, da anti-democracia. Meu Deus! Perdoa, eles não sabem o que dizem!


Outro dia li um artigo muito bom, o PIB: "Perfeito Idiota Brasileiro". Trata da corrupção independente de classe social ou partido político. É interessante porque as pessoas veem a corrupção apenas no Governo vigente sendo que foi o que mais a combateu. Esquecem que ela é herança presenteada pelos colonizadores. O jeitinho brasileiro é um exemplo típico e moderno. Furar a fila, estacionar em lugar exclusivo para deficientes ou idosos, não devolver o troco quando recebê-lo a mais, dentre tantas outras cositas, especificam melhormente os modelitos de corrupção que pouca gente se atenta. Os protestadores passaram bem longe desta aula de cidadania. 


Bom, chega! Cansei de escrever sobre golpistas, oportunistas, políticos bebaços e cheiradores de pó, porque a maioria errante está no climax do êxtase causado pela efervescência do mais novo ópio: a hipocrisia renovada. A cara da riqueza não luta mas briga, não pra ter melhorias ao país mas sim privilégios exclusivos à sua classe. VÃO SE FERRAR OTÁRIOS!!! 


sábado, 14 de março de 2015

Trabalhar pra quê?



"Não dá pra negar o aumento da participação leiga nas manifestações políticas. Um bom sinal de que as pessoas estão mais interessadas e ativas. Mas, como nem tudo são flores, pena que o número de oportunistas e golpistas que transformaram as mesmas em uma empresa de negócios e falcatruas praticamente triplicou. Trabalhar pra quê se se pode investir num merchandising, barato e repugnante por sinal? Fazer discursinho medíocre e postar nas redes sociais tornou-se o método mais fácil para atingir o posto de celebridade. E neste patamar, além reles mortais, já não há a necessidade de laborar honestamente. Quem mantém o ópio está coligado ao poder paralelo. Simples: é só olhar a cara 'revoltada' dos folgados 'online' e os imbecis súditos que tentam escandalizar a democracia. Babacas, vocês são o próprio escândalo!"

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PJ - Grupos, Virtualização e Participação: repensando conceitos

 
Imagem: Igor Abreu


Os grupos formados nas redes sociais tem sido não só um mero ponto de encontro entre pessoas e amigos que curtem os mesmos gostos mas também tem servido como espaço para um processo vivo de formação e informação quando usados coerentemente. Claro que existem os que se utilizam para incitar contra os objetivos do grupo, assunto este que não merece comentários.

As pessoas tem buscado constantemente fazer parte de algo, assim como no passado, só que agora no cenário virtual. Essa necessidade de fazer e sentir-se parte também é antiga. Estudos antropológicos mostram que o ser humano sempre se agrupou por afinidades.

Tais grupos têm se modernizado e atingido várias camadas e nichos de pessoas. O acesso ao mundo virtual em tempos atuais está cada vez mais fácil. Existe um certo comprometimento com aquilo em que se participa, que se faz parte.

Nota-se, com esse avanço tecnológico e de relacionamentos virtuais, que o sentimento tem sofrido também uma virtualização. As relações da vida real seguem na mesma velocidade com que as pessoas adentram, saem e ou perambulam de grupo em grupo até se deparar com sua identidade. Rapidez, superficialidade, tendência à frieza e outras coisas mais caracterizam as relações.

Dos participantes de cada grupo uma grande parcela, se não a maioria, são apáticos, não participativos e muitos nem sabem o real objetivo do espaço onde estão. Uma outra parcela, pouco menos significativa, tem o hábito de postar imagens com pequenas frases de pensamentos feitos. Alguns postam para si mesmos, não levando em conta a inocência ou inutilidade de seus posts. Há os que almejam uma vitrine para serem virtualmente reconhecidos e famosos. E como diz uma velha frase "ser famoso no facebook é o mesmo que ser rico no banco imobiliário". Por fim, uma minoria, bem menos que 10% dos membros, realmente estão em sintonia com o grupo, participam e contribuem para boas discussões.

A proliferação dos interessados em participar dos grupos é uma preocupação para alguns administradores nas redes sociais, levando em conta que a quantidade atrapalha o bom andamento da qualidade. Uma mudança se fez necessária para que os grupos preservassem sua identidade, essência e objetivos. Normas, regras e cuidados tem sido elaborados e gerados para se manter uma boa convivência virtual.


Uma outra pauta, para outro momento é o fato de quem cria falsas identidades para fomentar o ódio, a violência e a intolerância religiosa. Geralmente são perfis de pessoas que não assumiram nada em suas vidas reais. São de uma determinada religião e criticam tanto as outras como as que se dizem ser os únicos e fiéis seguidores. Esses tais são identificados curiosamente como "catolibãs".

Pela extensão e profundidade este assunto não se encerra por aqui e jamais um grupo virtual substituirá o calor humano e a vivência de um grupo formado na vida real.



***** Deixamos aqui algumas perguntas básicas que ficam perpetuando em nossos pensamentos acerca do que os grupos de Pastoral da Juventude nas redes sociais representam na caminhada real de cada um e no ambiente que convivem. Seguem:

1) O que os grupos de discussão (de PJ's no caso) mudam em nosso cenário na vida cotidiana, para além das telas?

2) As discussões e postagens nos inspiram em algum sentido? Nos motivam a refletir pelo menos?

3) Ou somos expectadores sempre prontos a aplaudir, ou seja, curtir as belas montagens e frases feitas?

4) A causa alheia me interessa? A causa que Jesus defendeu me anima a continuar lutando?

5) Ou tenho uma causa própria e uma razão extra para estar aqui?...

6) O que significa fazer parte de um grupo de discussão nas redes sociais?


Pensemos...

sábado, 21 de dezembro de 2013

A virtualização e o Natal


Mais um ciclo que se encerra no tempo das horas
Alegrias, dores, conquistas, derrotas
Tudo e nada que se findaram a seu momento
Travessias da vida
Os que chegaram e os que partiram
No tempo de hoje, o advento do Natal
Espera agraciada da chegada do Salvador
Tempo de paz e amor

Na virtualização do mundo
O sentimento segue tal como ele
Relações gélidas, fictícias
Tecnologia que encurtou a distância geográfica
Mas distanciou os corações, o calor humano
Tornamo-nos extensões de nossas máquinas
Conseguimos nos comunicar
Mas não mais nos experimentar verdadeiramente na essência

Esperar o que de um mundo realmente virtual?
Cobrar o que de quem não mais experimenta o calor do abraço?
Natal? É troca de presente, renovar o guarda-roupa,
para quem ainda pode fazê-lo
Supérfluo, superficial, banal...
Mas, jamais o Natal!!!
Valores somente ao que se reverte em grana
Interesses!

Que a estrela do oriente ao brilhar
Brilhe também no íntimo de cada coração
Que o espírito que rege esse momento ímpar
Consiga penetrar nas entranhas obscuras da humana virtualização
Que o tempo do Natal reacenda, reaqueça as relações com sua Luz
A paz sem guerra, por terra, por quimera, seja com amor
Que não seja virtual, não seja de momento o sentido do nascimento do Menino Jesus

Que seja sem igual, que seja único, o real momento do tempo da vinda do Senhor