Mostrando postagens com marcador pais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pais. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Sobrecargas que não me pertencem mais

Criador: tree - Crédito: pt.pngtree.com
Direitos autorais: © Copyright 2017-2023 Pngtree.
Todos os direitos reservados.

Das dores que ficaram pelo caminho 
Da saudade do que não se viveu
Existe um corte temporal que delimita meu papel 
Diante do que era meu herói, amigo e protetor. 
A distância machuca, mas cicatriza 
E a dor vira companhia costumeira 
Até o dia que o analgésico das lágrimas de saudades se torna dispensável.
É bom não precisar recorrer à caixinha dos paliativos. 
Evolução, independência, amadurecimento...
Passado encaixotado num álbum de fotos imaginário
Que só reprisa em minha mente o que poderia ter sido
O que se poderia ter vivido, sentido...
Carrego culpa?
Não mais!
Já busquei meus erros diante de uma relação que não tive relevância.
Já chorei dores de saudade, da falta de uma presença importante.
Mas, olhando essa trajetória
Fica as lacunas na travessia dessa história
Onde a figura jaz perpetuada na memória
De uma infância até muito tranquila 
E dali, só ficaram resquícios
Interstícios de estações
Lacunas de inverno a verões
Versos desconexos sem melodia
Sem outonos, sem a inocente fantasia
O tempo não apenas passou, mas me abraçou
E fui me descarregando das tralhas durante a viagem
Não conseguiria sobreviver com tantos fardos
De uma presença que nunca se fez presente.
O que ficou disso tudo, entre esperas e primaveras
É a visão de que não se paga uma ausência
Recriando versões de uma vida não vivida
Com aqueles em que você se permitiu.
Não fez questão de uma história subtraída
Sem o seu papel.
Importou-se porém em aplacar sua consciência
Recriando versões de uma vida, conosco, não vivida.
E por tal, sem sua benção matinal
Sem sua companhia fundamental
Velejo no mar dos meus dias e da vida 
Entre brisas, tempestades
Horizontes e calmarias
Com sua figura numa longínqua paisagem
Num sonho, num plano em que você não faz parte.
Você divide seu ego num espaço que não me pertence.
Justifica seus erros comigo e conosco
Em gestos paternais com sua então família.
Já não dói
Já não sinto
Já não espero
O milagre da sua presença.
Só não me cobre jamais pela minha despretensiosa ausência.
Essa herança, foi você que testamentou.
Não carrego mais, jamais, a sobrecarga de suas escolhas
Lamento, mas o tempo, ah! o tempo...
Foi meu bandido, mas também meu herói.
Ciclos se encerram, se fecham
Se findam...
O tempo passa
O tempo leva
O tempo lava...

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Compensações



Pela falta de presença na vida dos filhos, alguns pais compensam o amor que faltou aos seus, através dos netos. Quando os pais se separam, geralmente quem constrói uma nova família tende a compensar os filhos dessa nova relação fazendo o que não se dispôs a fazer aos filhos da relação anterior. A maioria nem percebe que age assim. 

Algumas pessoas, em seus diversos tipos de relações sociais, de amizade, e em especial de namoros à casamentos, também buscam compensar sua ausência e, por vezes, o desinteresse, esbanjando um cuidado virtualmente próximo ao mesmo tempo que a presença física e de pensamento se mantêm numa distância crescente. Seria uma forma de buscar um auto perdão ou amenizar o peso da consciência, e ou ainda, se redimir com o seu. 

Compensação pela ausência, pela falta de tempo, pelas falhas evitáveis, pela falta de coragem em deixar a outra pessoa, este que seria um sinal de egoísmo claro, uma vez que não se define e muito menos para a pessoa que prende a si. 

O único risco de uma ausência constante é que o solitário pode reencontrar-se com o amor próprio e assim o ausente pode acordar tarde demais. Ninguém sobrevive ao relento de uma espera sem fim na estação. Um dia, quem tanto esperou, pode embarcar num novo rumo, uma nova vida, um novo amor... É o preço das ausências compensadas.