O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
Um dedo de prosa, um cheiro de rosa
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
Os demônios do pós-guerra
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Entre desertos e trincheiras
Entre um deserto e
uma trincheira a vida se tece
Durante meus desertos carreguei o peso do meu próprio mundo
Com minhas livres decisões e também com aquilo que me foi imposto
Em minhas trincheiras reencontrei quem já partiu
E aqueles que merecem toda confiança e amizade
Lágrimas e suor limparam qualquer vestígio de dor
Aquilo que chamam de derrota eu trato como lição e aprendizado
Tombo e lona não são vergonhosos
Vergonha e desonra é para quem foi desleal
Estes, sempre serão lembrados por seus atos covardes...
Entre um deserto e
uma trincheira, o pensamento e a luta
Minhas manhãs de deserto, sem brilho e sem sol
Solidão a sós, em nós, nas lutas desarmadas, desalmadas
Trincheiras da vida, da lida, da labuta
Poeira nos olhos, calor, dor, presença
Há quem nunca ouse acreditar
Há quem nunca queira sonhar
Mas há quem só quer lhe roubar
A esperança, o sonho e a vida
Sua própria travessia...
Entre meus desertos e
minhas trincheiras...
Ah, quanto medo derrotado, quanta dor perdoada
Entre meus mundos, eternas lições
Entre meus devaneios, anjos e demônios
Entre o sonho e a realidade, fantasmas e esperanças
É assim, é a lida, é a vida... meu saber, meu querer, meus sonhos
Ninguém rouba, ninguém tira, ninguém mira
Só quem tem a chave e conhece o desejo, o segredo
É capaz de decifrar, sentir, pulsar,
Tanta ternura, loucura, amor...
Entre vitórias e
derrotas, a vida e a morte
Há quem sabe um tanto de suor e um dedo de sorte
Mas poucos conhecem a dureza das batalhas
Foco na intensidade das pegadas, e me afasto das migalhas
Maquiagens não me distraem, imagens não me atraem
Em meu rumo e meu foco só cabem essência
Lado a lado, de mãos dadas, pés descalços
Descarto a frieza da mórbida aparência
Enterro vivo os corpos desalmados
E assim cicatrizo meus próprios machucados...
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
O futuro num passado presente
"O ano é 2020.
O caos tornou-se uma realidade. A ditadura já havia ganhado a cabeça das pessoas. As eleições nem mesmo tinham acabado e a onda de violência já era noticiada. O presidente eleito até tentou conter os ânimos durante o primeiro mês. Só que a situação saiu de controle. Os apoiadores da ditadura sentiam-se não apenas no direito mas no dever de caçar e punir qualquer opositor que se manifestasse. Esse ainda era o ano de 2019.
Medo e insegurança nos olhares das pessoas. Sair de casa era um risco de não voltar mais. Grupos radicais faziam rondas por todas as ruas e bairros de cada cidade. Isso quando a própria polícia era quem reprimia descontroladamente a qualquer suspeito. Subversão e oposição ao sistema já era um crime.
Num dia de domingo fui abordado por policiais e automaticamente acusado de subversão. Minha família foi liberada para voltar pra casa, sem nada dizer, sem ter a quem recorrer. Nesse momento, o Estado era o dono da minha vida. O castigo era inevitável. Queriam, a todo custo, e por todos os meios, que eu assumisse uma culpa que não era devida. O meu silêncio custou caro, muita dor, muito sofrimento... e um fim iminente.
A pena de morte foi instituída nos primeiros meses do novo governo. Não precisava mais de um crime para ser penalizado e mandado para o abate. Bastava apenas pensar diferente... Esse foi o meu caso. Não deixei de escrever os pensamentos que iam de encontro ao sistema opressor. Não apenas eu, mas uma leva de companheiros e companheiras, tivemos o mesmo destino...
2019 foi considerado como o ano da caça as bruxas. Uma inquisição moderna que tinha alguns tentáculos religiosos unindo forças ao Estado. A minha sentença já era certa. Seria em praça pública, porém não mais numa fogueira, como na era medieval. Um tiro, por um soldado, ou por um lunático seguidor do governo que se habilitasse. Acredito que, no meu caso, haviam muitos interessados em apertar o gatilho, inclusive amigos e parentes.
Eu tinha direito a um último telefonema e desejei falar com o meu pai. Preferi que ninguém da minha família estivesse presente, mas fiz questão de me despedir e dizer que ele também foi iludido. Não tinha mágoa e por tanto não precisava perdoá-lo de nada, mas a dor que ele carregaria seria apenas dele... 'Adeus, Pai'. E meu corpo tombou numa praça em frente a uma capela."
PS.: Foi apenas um pesadelo, mas não estamos longe disso acontecer com pessoas que amamos.
terça-feira, 31 de julho de 2018
Entre o caminho e o fim
Sentado na poltrona numa sala de espera com ar condicionado e tendo ainda ao dispor água, café e pão de queijo, aguardava o atendente me liberar. Minutos antes eu havia chegado nessa loja especializada em pneus automotivos e serviços em geral com um veículo para devidos reparos num dos pneus. De tiracolo carreguei um dos diversos livros em processo de leitura. Hoje foi a vez de "Origem" do famoso autor Dan Brown.
Entre uma página e outra, servia-me das regalias disponíveis, poltrona confortável, ambiente fresquinho, uma boa leitura, cafezinho e pão de queijo. Como a impaciência me acompanha quando é necessário uma determinada espera, várias vezes levantei-me e fui até o saguão onde o veículo se encontrava. O jeito era avançar com a leitura uma vez que ainda não estava pronto.
Água e café eu já sabia que eram disponíveis aos clientes, mas o pão de queijo só me dei conta quando vi uma moça comendo satisfatoriamente. Realmente estava gostoso.
Passaram-se mais alguns minutos do tempo e umas folhas da "Origem" quando notei dois meninos que aparentavam 10 e 14 anos no máximo adentrarem aquela sala. O mais velho ofereceu verduras que estaria vendendo. Eu apenas agradeci e talvez tenha sido o único a responder. Foram direto para o bebedouro e novamente o mais velho pediu permissão para tomar um pouco daquela água. Não ouvi resposta da atendente, mas acredito que ela tenha consentido apenas com um gesto. O mais novo aproveitou e se serviu de um cafezinho.
O que mais me chamou a atenção foi quando percebi que ambos estavam com fome. Não demoraram muito ali mas o suficiente para comer o máximo de pão de queijo possível. O mais novo, sem pestanejar colocou alguns no bolso de sua calça. Quando ele se virou para sair fingi que nada vi para não constrangê-lo.
São vários pontos para se pensar. Ninguém está nem aí para o que o outro está passando. Somos uma sociedade hipócrita. Pelo jeito os meninos são frequentadores dessa loja, ou melhor, do que ela oferece aos seus clientes. A desculpa da água sempre cola e talvez os funcionários e a gerente façam vistas grossas como uma forma de ajudá-los a saciar sua sede e fome. Crianças que trabalham no tempo em que deveriam estar na escola. Muitos julgam que quem não se esforça não consegue vencer na vida. Como vencer a fome e a miséria do dia a dia?
Não vi tristeza em seus olhares. Entraram conversando e assim saíram, sem algazarra. Pareciam irmãos, tamanha sua intimidade e cumplicidade nos tratos um com o outro. Cenas assim me fazem repensar não apenas na importância de viver bem e com intensidade mas, principalmente, em não desperdiçar o tempo com coisas medíocres. Não acredito que estejamos aqui de passagem, existe um objetivo maior, mas nunca entenderemos o sentido da vida se não nos lançarmos nessa travessia. A felicidade não é um fim, ela é o próprio caminho.
terça-feira, 27 de março de 2018
Apocalipse: caos sem calmaria
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Guerra dos Mundos IX: cortaram as luzes
Um fato obscuro chamou minha atenção. Na rodovia de acesso ao bairro em que moro, recentemente palco de grandes queimadas arquitetadas pelos responsáveis da manutenção, cortaram as luzes de alguns postes. Num raio de aproximadamente 200 metros até a entrada principal não há iluminação pública, diga-se de passagem, aquela que pagamos mensalmente.
O motivo? Não há nenhum indício de uma pane em apenas 10 ou 12 postes, justamente naquela área que, por coincidência, é um trecho onde ocorrem alguns incêndios premeditados. Parece até teoria da conspiração mas não é. Dá para se ter uma conclusão melhor sobre o episódio.
Existe ali na entrada do bairro, num terreno grande, umas dez famílias assentadas. Creio que, entre eles mesmos, já simularam uma demarcação e cada uma ocupou sua parte. Aparenta que o terreno pode ser do Governo, mas se fosse não haveria o porquê de uma significativa empreitada contra os posseiros.
O mais provável é que existe um dono daquele espaço, que antes era apenas um terreno baldio e que já serviu de lixão. Se não há como bater de frente com os atuais ocupantes da área, o que restou foi articular para que eles não tivessem uma boa estadia em seus pseudos terrenos. Sendo assim, o passo mais favorável foi cortar a energia.
Antes do repentino apagão das luzes dos postes da rodovia, que ficam próximos a entrada do bairro, os barracos tinham iluminação. Agora, sem energia, vão ter que improvisar e resistir aos próximos contratempos do destino. Quem engenhou tais eventos, com toda certeza, se não for dono do terreno, está incomodado com a paisagem formada de barracos e seus habitantes.
Bairro Tocantins - Uberlândia - MG
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Guerra dos Mundos - Parte VIII - O autêntico vs O maquiavélico
Dois homens. Um mundo. O primeiro detinha o poder do mando. O segundo, o talento na alma. Ambos, ocupavam o espaço da arte de ensinar. O que os distinguiam, além do talento e do sentimento pelo o que faziam, era a verdade que expunham.
Tão tarde observei que aquele que tinha também o ofício de ser chefe naquele reduto, possuidor de um sorriso sempre aberto em sua expressão facial, gentio, atencioso, cativante, era também o falso.
O segundo, além de todo o conhecimento que possuía somado com o talento no que fazia, era antes de qualquer coisa, sincero. De poucas palavras porém, dava-se apenas ao trabalho de cumprir com honras a missão a qual fora designado.
O talento autêntico não durou muito. Sua missão foi curta mas a cumpriu com inigualável destreza, deixando sementes vivas na alma de quem acolheu. A partida imediata deu-se por motivos torpes. Sentimento vivo e totalmente enraizado em seu mundo, não conseguiu a diplomacia necessária para ser tolerante com os críticos sem conhecimento.
Esta talentosa persona era um risco iminente ao legado do maquiavélico que não desperdiçou a oportunidade para livrar-se de seu colega algoz. Foi-se um mestre mas suas palavras ainda perduram. E na contrapartida desse joguete o giro do mundo encarregou-se de mover as peças contra o falsete. Sua dispensa não demorou a chegar. Permaneceu mais tempo que o necessário, uma vez que seu conteúdo era pequeno, desconexo e medíocre. Profissionalismo, diga-se de passagem, nunca houve. As portas fecharam-se ao falastrão que mantinha sempre a falsa política moral como seu cartão de visita.
Na Guerra do Mundos há no mínimo dois lados, duas vertentes, e muitas condutas. Nem sempre a melhor aparência é a que mais tem a oferecer. Desta vez, aquele que politizava a seu favor não teve significado suficiente para garantir sua continuidade institucional... No giro do mundo, ele também rodou.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Escrever-se
Existem três tópicos neste blog que perpetuarão nas minhas escritas. Sei que surgiram a partir de uma determinada situação vivenciada, presenciada e pensada. Cada texto de cada um dos tópicos tem sua particularidade e se torna parte independente dentro do bloco que os adjetiva. Máscaras Maquiadas e Guerra dos Mundos são constituídos de histórias que não se relacionam entre si e Cartas (do calabouço e para o calabouço) é uma troca de correspondências que cabe ao leitor posicionar-se de um lado, de outro ou ainda como expectador somente.
Não é meu feitio explicar o que cada escrito me representa e nem o que eu quis dizer com determinada citação. Óbvio que a escrita tem muito de seu criador, assim como acontece na pintura, na música e em outras artes. E quem entra em contato com a obra, por vezes, consegue uma terceira visão que mesmo quem pensou não conseguiu enxergar. Esse é um elo que coloca autor e leitor em sintonia. Essa é a magia que dispensa explicações. Basta ter sentimentos.
Máscaras Maquiadas surgiu a partir de um cartaz que anunciava um estrondoso evento para o público adolescente e jovem. Um palhaço com ar satânico dava a dimensão do que poderia acontecer no recinto durante os três dias de pura adrenalina e prazer. Era uma festa rave. Pra quem não conhece, sugiro uma rápida busca no google. Já escrevi cinco textos que entram nessa linhagem onde os principais ingredientes que inspiraram a criação foram falsidade, heresia, hipocrisia e ironia.
Guerra dos Mundos surgiu a partir de um contexto pessoal. As perguntas e respostas que só cabem a nós mesmos fazer e responder foram o combustível inicial. Ao total somam-se sete textos que colocam em confronto mundos opostos, seja no campo social, espiritual, material ou metafísico. São histórias que surgem a partir de um contexto de luta, inquietude e esperança.
Por último surgiram as Cartas - do calabouço e para o calabouço, que entre as trocas de confidências foram oito momentos. Essas porém são subjetivas e não cabe explicação mais detalhada. Posso adiantar que é um diálogo rico em experiências e novamente caberá aos olhos de quem ousar sentir.
Esses três blocos estão sempre presentes no cotidiano. Passamos por situações parecidas com o que está descrito mas não pensamos nisso. O que me propus foi apenas escrever de acordo com o sentido que me fez atentar para o fato. E quem escreve, escreve-se, liberta-se, aventura-se e irrompe de si mesmo. Portanto, como já dito acima, em cada linha, em cada verso, o sentimento corre solto.
Na coluna da direita deste blog encontram-se os três tópicos na Classificação. Arrisque-se!
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Guerra dos Mundos - Parte VII - "Eiros & Ismos"
domingo, 26 de outubro de 2014
Guerra dos Mundos - Parte VI - A lei e a justiça
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Guerra dos Mundos - Parte V - Aparência X Essência
O salão de festas da corte estava lotado. Pessoas de todos os cantos da região, parentes e amigos do casal, presenciaram a cerimônia matrimonial e já se encontravam no desfrute dos comes e bebes. Não demorou muito para que algo inusitado e fatídico tirasse o foco de alguns convidados.
Com um semblante atípico para um momento de alegria, de comemorações e celebrações, três pessoas se dirigiram para o rol de entrada rumo à escadaria da saída. O que se houve dali em diante ficou na maior discrição possível e mesmo com os ânimos à flor da pele destes que foram indevidamente penalizados pela situação, a questão fora descente e legalmente decidida conforme os trâmites da sociedade civilizada.
Uma dessas pessoas fora injustamente acusada de ter pego um objeto de valor. A acusadora estava no toalete com mais outras pessoas e tirou um de seus pertences das mãos e colocou-o sobre a bancada de pedra da pia. Não vendo seu valioso prontamente perguntou à única desconhecida na ocasião se ela havia pego. Totalmente sem graça, a moça respondeu que não e logo voltou para sua mesa junto aos seus.
Insatisfeita com a resposta e cega por sua arrogância, Julieta, a inquisidora, seguiu até a mesa aonde a moça estava e mais uma vez interrogou-a sobre seu pertence desaparecido. Novamente esta disse que não e no momento que ambas estavam no toalete haviam outras pessoas. As palavras seguidas não foram simplesmente questionamentos sobre a possibilidade dela ter visto mas intencionalmente proferidas em tom de acusação pela prepotência de quem julga pela aparência.
Numa mesa rodeada de familiares a moça se viu acuada e começou a chorar diante de tamanha e vergonhosa situação a que se encontrava. Não bastasse a senhora do valioso fora atrás de outras pessoas que pudessem também intervir no caso. Desta vez quem mediou e defendeu-a da falta de escrúpulos da enricada a aparentosa senhora foi a irmã da moça. Partiram assim para o rol de entrada e realizaram os trâmites legais.
A senhora maquiada, mascarada de sua arrogância e colorida por sua prepotência, ao se dar conta do peso de suas acusações, sem provas contundentes, e que agora resultaram na chegada dos oficiais, perdeu-se no andar de seus saltos e dramatizou lágrimas que até mesmo atores em início de carreira fariam melhor. No entanto, pediu que o caso se encerrasse ali. Não adiantava mais nada. Tudo já estava consumado. Ela, a inquisidora, estragara a festa daqueles que pelos noivos tinham muito carinho e agora, estes, queriam simplesmente o justo desfecho: a verdade.
Enquanto a festa acontecia, horas foram perdidas pela moça e mais duas pessoas que a acompanharam até o término do registro da queixa. Voltando para o salão, apenas pegaram seus pertences e foram embora. Julieta, com seu poderoso olhar de algoz, fuzilava-os.
Para quem apenas presenciou ficou claramente entendido o porquê do peso da acusação nos ombros da moça. A senhora, pseudo-burguesa, ostentava um poder que, em sua concepção, ninguém mais ali possuía e via na escolhida para sua insana inquisição a vítima perfeita. Principalmente porque a sua presa tinha tonalidade de pele diferente da sua.
O desfecho dessa trama ficou na dor de quem, em sua humilde e verdadeira essência, foi vítima do olhar preconceituoso e da falsa acusação de quem ostenta aparência. Os sepulcros caiados ainda subsistem ao tempo e estão entre nós. A guerra dos mundos ainda se faz na calada, mas calado os inocentes não se farão. A burguesia fede!
domingo, 23 de março de 2014
Guerra dos Mundos - Parte IV - Prisioneiro de Guerra
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Guerra dos Mundos - Parte III - Hierarquia: poder sem verdade
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Guerra dos mundos - parte II - : O Palácio
Ailton Domingues de Oliveira
15/08/10

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