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domingo, 1 de outubro de 2023

De setembro a setembro: refletindo o amarelo em todos os dias do ano

Setembro Amarelo é uma campanha que ocorre uma vez ao ano. O restante dos meses ingressamos em outros movimentos de relevante importância e comprometimento social, de saúde e conscientização. Enquanto estudantes de psicologia poderíamos fazer um pouquinho a mais, esticando esse movimento para uma campanha de prevenção ao suicídio *DE SETEMBRO A SETEMBRO*. Algo a se pensar.

Porém, antes, vale uma pergunta de autorreflexão: *A DOR ALHEIA ME IMPORTA?* Obviamente não sabemos se uma pessoa próxima está passando por alguma dificuldade. Também não conseguimos mensurar o tamanho da dor de alguém, que no momento esteja atravessando problemas de várias ordens. 

O que podemos fazer, primeiramente, seria mudar o nosso jeito, ativar o nosso *ser humano* e nos atentar para detalhes que antes não prestávamos tanta atenção. *COMO?* Quando começamos a fazer parte de algum ambiente, lugar, movimento, grupo (trabalho, faculdade, comunidade, bairro, igreja, família, etc), obviamente passamos a perceber as pessoas ao nosso redor. Cumprimentos básicos de "bom dia, boa tarde, boa noite" podem não apenas quebrar o gelo mas abrir possibilidades de aproximação. Perguntar se "está tudo bem" pode não ser nada, não representar nada para nós e simplesmente recebermos como resposta "sim, tudo e você?" Mas, pode ser, que esse cumprimento, seguido dessa pergunta, seja a única coisa positiva que impediu uma pessoa de atentar contra sua própria vida. 

Acredito que muitos de nós conhecemos pessoas que tiraram sua própria vida. Talvez não conhecemos de perto mas, já ouvimos falar de conhecidos distantes, pessoas que um dia fizeram parte de nossa vida e acabamos perdendo o contato. As redes sociais nos mantém atualizados, principalmente quando o assunto é tragédia. 

*TERÍAMOS NÓS ALGUMA RESPONSABILIDADE SOBRE A VIDA DE OUTRA PESSOA?* Sim e Não. Sim ou não. Cada um sabe de si. E em diálogo com uma amiga, falando sobre suicídio, logo após participarmos de um evento no dia 15/09/23, justamente sobre esse tema, o qual refletimos sobre o filme *ORAÇÕES PARA BOBBY*, chegamos à nossa conclusão de que temos sim responsabilidade e que podemos fazer nossa parte. Novamente: *COMO?* Acolhida, empatia, respeito, etc. Podemos, enquanto seres humanos, fazer um pouquinho a mais nesse sentido. Independentemente de crenças, fé e religiões, a qual acreditamos que todas pregam *AMOR À VIDA E AO PRÓXIMO*, podemos e queremos ressignificar o nosso papel aqui neste plano, no aqui e agora, de forma a contribuir COM A SAÚDE, COM A PSICOLOGIA, COM A VIDA. 


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

sábado, 9 de abril de 2022

Crítica: "Um sonho de liberdade"

O filme é um drama que conta a história do bancário Andy Dufresne acusado e condenado a duas prisões perpétuas pelo assassinato de sua esposa e do amante dela em 1946. Na Penitenciária Estadual de Shawshank, aonde cumpre pena, torna-se amigo do detento Red, que é conhecido por conseguir quase tudo que os presos precisam. 
 
A amizade entre Andy e Red e a esperança são fatores importantes para sua sobrevivência durante os 19 anos que passou na prisão. Nesse tempo de reclusão ele sofre brutalidades e abusos, se adapta, ajuda outros detentos, os carcereiros, os guardas e até mesmo Norton, o diretor do presídio. Por conta de sua inteligência, a experiência como banqueiro, Andy se torna importante para os planos do diretor em lavar dinheiro adquirido de forma ilícita, usando o pseudônimo de Randall Stephens. Em troca, o diretor concedia-lhe alguns benefícios e o poupava do trabalho na lavanderia.
 
Brooks, que tomava conta da biblioteca, era o preso mais velho. Em 1954, após cumprir 50 anos de sua pena ele é libertado, porém não consegue se adaptar à vida fora de Shawshank e comete suicídio. 
 
Em 1965 chega à penitenciária Tommy Williams, preso por roubo. Andy e Red tornam-se amigos dele. Numa conversa Tommy conta a Andy que esteve detido em outra prisão com um cara que se gabava por ter matado um jogador de golfe famoso e sua amante, sendo que quem foi condenado foi o marido da mulher. Andy leva a informação ao diretor que se recusa a ajuda-lo. Furioso, Dufresne o interpela mas o diretor é irredutível e o manda para a solitária por 2 meses. Nesse tempo Norton arma uma cilada e mata o jovem Tommy. A partir desse evento, Andy se prepara para mudar o rumo de sua vida.
 
Alguns dias depois de cumprir 2 meses de estadia na solitária, durante a contagem dos presos pela manhã os guardas notaram que a cela de Andy estava vazia. Norton questiona os carcereiros, os guardas e Red mas ninguém sabia explicar o desaparecimento de Dufresne. Irritado, o diretor arremessa uma pedra num pôster pendurado na parede da cela e então percebe um túnel escavado com o martelo de geólogo conseguido por Red logo nos primeiros meses de Andy na Penitenciária.

Enquanto os guardas realizam sua busca, Andy se faz passar por Randall Stephens e visita vários bancos para retirar o dinheiro lavado, em seguida envia o livro de contas para um jornal local como prova da corrupção em Shawshank. A polícia chega na penitenciária e prende Hadley, o guarda chefe, enquanto Norton comete suicídio antes de ser pego.


Red é libertado depois de ficar quarenta anos preso. Ele luta para se adaptar à vida de homem livre e teme que nunca conseguirá totalmente. Ele lembra de sua promessa feita a Andy e visita Buxton, encontrando uma pequena caixa com dinheiro e uma carta pedindo para que vá até Zihuatanejo. Red viola sua condicional e viaja até Fort Hancock, Texas, para cruzar a fronteira com o México, admitindo que finalmente sente esperança. Nas praias de Zihuatanejo, Andy e Red se reencontram.

O filme é um clássico dos cinemas. Vale a pena assistir mais de uma vez. Como não poderia faltar, anotei algumas frases célebres, reflexivas, poeticamente carregadas de esperança e verdades. 

"Esses muros são estranhos. 
No começo você odeia, 
depois se acostuma. 
E, depois de muito tempo 
você fica dependente. 
Isso é que é institucionalização." 
(Red)

"Lá fora eu era um homem honesto. 
Tive que vir para a prisão 
para virar um bandido." 
(Andy)

"Todo homem tem seu limite." 
(Red)

"Alguns pássaros 
não são feitos para gaiola." 
(Andy)

"Há uma dura realidade 
a ser encarada: 
não há como sobreviver 
do lado de fora." 
(Red)

"A esperança 
é uma coisa boa, 
talvez a melhor de todas. 
E nada que é bom 
pode morrer." 
(Carta para Red)

"Estou tão emocionado que mal consigo ficar sentado e ter um pensamento fixo na mente. Acho que é a emoção que só um homem livre poder sentir. Um homem livre no início de uma longa viagem cuja conclusão é incerta. Espero conseguir atravessar a fronteira. Espero rever meu amigo e apertar sua mão. Espero que o Pacífico seja tão azul quanto nos meus sonhos. Espero... Tenho esperança." (Red)

"Ocupar-se de viver ou ocupar-se de morrer?" (Red)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Fragmentos de vida e de morte


E como seria "uma vida pós suicídio"? 

Seria esse um tema para se discorrer após a partida antecipada? 

Causada pela injusta e cruel desumanidade e frieza?

Ninguém nunca saberá quem de fato

Ou o que de fato, aconteceu aqui dentro...

Minha vida sempre será uma incógnita... talvez!? 

Meus amores, minhas dores, em fragmentos, em porções 

Só se revelam por inteiro a quem de fato o amor merece: 

Meus filhos e àquela que me tentaram proibir...

Mas dentro das prisões que nos cercavam 

Nós fomos libertados em cada minuto de conversa, 

De olhar, de encontros 

Possíveis encontros que nos transportavam

Para uma dimensão única

De alegria, de paz, de amor

De deleite e desejo, paixão, de trocas e cumplicidade 

Em que nenhuma atmosfera externa podia nos afetar...

Dentro dos meus fragmentos eu sou inteiro, 

Eu me refaço, me multiplico

Em doses de amor para quem eu amo, 

Ou em doses de ódio para os meus algozes 

E a ela que jogou o jogo mais sujo

Por ter sido vítima de seu próprio pseudo-herói

O meu total desprezo

Quem vê apenas meus recortes

Estampados em sorrisos e olhares

Jamais consegue enxergar meus cortes...

Quantos cortes existem aqui dentro...

Quantas dores, 

Quantas batalhas, 

Quantas lágrimas empoçadas 

Lá no fundo da alma

Que talvez só a dor da morte

Para a plena libertação para vida...


terça-feira, 6 de agosto de 2019

Memória de um dia triste - II


A vida é um espaço no tempo delimitado entre nascimento e morte...


03/08/2019, sábado.

Ainda tomado pela triste notícia da morte inesperada de um conhecido amigo, eis que me chega uma outra notícia de um fato acontecido a dois anos mas que até então eu não sabia.

Tomei conhecimento através de um grupo no Facebook no momento em que algumas pessoas falavam da morte de outros amigos (Joice e Carlos Henrique) e citaram seu nome, Gabriel...

Gabriel... nos tornamos amigos a partir do Curso de Inverno da PJ, que aconteceu em Araçatuba no ano de 1999. Ele tirou sua própria vida em 2017, aos 34 anos de idade... Nossa última conversa foi justamente em janeiro desse mesmo ano, no dia do seu aniversário...

No mesmo instante fui até sua página nas redes sociais mas não encontrei nenhuma informação.

Novamente, muitas perguntas sem respostas, muitas respostas que não se explicam... Vários pensamentos que passam pela cabeça a começar, principalmente, o motivo e as dores que o levou, ou melhor, que os levaram ao extremo dos extremos... Penso também na dor dos que ficaram... Tentar organizar e seguir a vida sem o contato e o convívio dos que partiram sem explicação é uma tarefa penosa, árdua e que, realmente, não existe resposta...

A vida é tão curta... Tão jovem se foram...

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Memória de um dia triste

A vida é um espaço determinado no tempo (...) entre o início e o fim.

E de repente uma notícia triste me tirou da rotina dos meus dias. Fez-me parar diante da correria e buscar na memória momentos vividos que deixaram saudades. Muitas perguntas sem respostas. Muitas tentativas de respostas que não amenizam o sofrimento de quem ficou após a súbita partida de um ente querido.

Nesta última sexta-feira, 02/08/2019, recebi a notícia de que um jovem de 34 anos partiu desse mundo, tirando sua própria vida. Eu o conheci quando ele tinha entre 14 e 15 anos de idade. Fez parte de um grupo de adolescente, ao qual fui coordenador, entre 1998 e 1999. Foram dois anos intensos vivido por todos os integrantes. Uma experiência de aprendizagem múltipla e recíproca. O grupo, que seguia uma caminhada aos moldes da Pastoral da Juventude - PJ, recebeu o nome de ABC. O garoto, C.H., era um adolescente cheio de vida, levado, traquino, inquieto, sorridente, questionador, amigo, inteligente...

O fato triste e trágico que o tirou deste mundo é algo muito sério... Vale pra gente a reflexão de que o nosso espaço aqui neste mundo, delimitado entre nascimento e morte, já é rápido por sinal, e noutras vezes esse espaço, esse tempo ainda é encurtado...

Que Deus dê forças para os familiares do Carlos Henrique e que ele enfim encontre descanso e paz para todas as suas angústias.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Letras e cachaças


No empório das letras
Encontrei um destilado
Tinha verso, tinha álcool
Era livre o pensamento
Era forte a dose única
O tempo que me fadigou
Libertou e escravizou
Cegou e duvidou
Creu e resistiu
Em cada gota de pensamento
Sem ópio e sem tormento
Era assim, natural
O suicídio da alma
Fadada pela existência
Foi libertada nas prosas
Nas doses entorpecidas de poesia
O sentimento prometido
De outras vidas descumpridas
Era intangível e falso
Recostou sua cabeça
No primeiro deserto de toda vida
Preferiu a facilidade das coisas prontas
A tecer em teias a história
E o que era pra ser derradeiro
Tornou-se passageiro
O destino incerto desses corpos
Nas letras misturadas
À poesia desse copo
Me saciem a sede
E me livre desses medos

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O suicídio da alma


Vagueia penada
Avoada e aprisionada
intencionalmente pelada
obrigada e desnudada
"presa nessa cela
de ossos, carne e sangue"
sem orifício de respiro
sem luzes em sua sala fechada
num deserto de visíveis zumbis,
sanguessugas e inquisidores

Desanda sem norte
sem sorte
ao lado da morte
que a visita
chega e fica
companheira e bonita
por de trás dessa casca
em sua boca a mordaça
envolta numa cortina de fumaça

Um grito ecoado
Um coração congelado
Um amor ao pecado
O estanque da canção
O estampido de um tiro
É o algoz da paixão
É o desfecho bandido

A alma sussurra
Sem charme e encanto
em busca de altura
de repouso, de um canto
Numa árvore se pendura
em meio aos prantos
É o fim, a loucura
é a profecia sem manto

Vagueia a alma
A um passo da lama
Na voz que proclama
Na dor que se inflama
No peito de quem ama
Atrevida e bandida
Ousada e ferida
A vida é doída

Vão-se os bons
Os heróis, cedo se vão
"Morreram de overdose!"
cantava o poeta
é quase uma neurose
evidência concreta
o estático permanece
ignorante e inerte

Sentencia-se a si
Desprendendo-se da cela
Não há motivos para rir
É o fim de uma era
É o início da vida
São os mundos em guerra
O que se vê e o que se sente
O que se quer do ser ausente

É a triste partida
Do trem que tira a alma da vida
Embarcação comprometida
Em levá-la para além de toda vida
Não é a morte que finda
Apenas rouba a cena perdida
E oportuniza a uma nova estadia
A quem viveu e morreu,
Renasceu e sobreviveu
Dentro desta cela,
Onde diária é a guerra

A alma se mata
Quando não se encontra com a luz
Do nascente ao poente
Ainda não é o sol esta luz
Na calada da noite
Sombria e fria
É a lua de sangue
Que inspira o trágico
Morrer para si, suicídio da alma
Para viver o fascínio mágico
De libertar-se da morte
E com a morte renascer para a vida