Mas eu, ah!
O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
O caos na calmaria do sistema
Mas eu, ah!
sábado, 6 de janeiro de 2024
Vidas Secas das ruas
sábado, 9 de abril de 2022
Crítica: "Um sonho de liberdade"
Enquanto os guardas realizam sua busca, Andy se faz passar por Randall Stephens e visita vários bancos para retirar o dinheiro lavado, em seguida envia o livro de contas para um jornal local como prova da corrupção em Shawshank. A polícia chega na penitenciária e prende Hadley, o guarda chefe, enquanto Norton comete suicídio antes de ser pego.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Crítica: "Um crime de mestre"
"(...)
Você se atreve a
sair?
Você se atreve a
entrar?
Quanto pode perder?
Quanto pode ganhar?
Se você entrar vai
pra esquerda ou direita?
Vai até a metade ou
nem isso tenta?
Você ficou tão
confuso que começa devagar
Pistas longas e com
curvas e você tem que acelerar
E andar muitos
quilômetros em todo tipo de lugar fútil
Até que chega com
temor a um local ainda mais inútil
O lugar de espera...
A gente apenas
esperar...
Por um trem que vai
partir
Ou um ônibus que vai
chegar
Ou o avião decolar
Uma correspondência
chegar
Ou a chuva passar
Ou o telefone tocar
Ou a neve tocar o
chão
Ou esperar por um sim
ou um não
Ou um colar de
pérolas
Ou um olhar de
relance
Ou uma peruca com
cachos
Ou outra
chance..."
O filme "Um crime de mestre", da Netflix, retrata uma verdadeira batalha
psicológica e de evidências entre o acusado de matar sua esposa e um jovem
promotor que de início estava cegado pela vaidade, mas depois de aprender com
os erros encara seu adversário de forma inteligente. É uma produção digna de
análise e não deixa aquém da expectativa. A trama como um todo é instigante.
Não há muito o que dizer, apenas assistir e se atentar para os detalhes.
Já o poema transcrito acima faz parte
de uma cena emocionante quando o promotor o lê para a mulher do acusado de
homicídio, que se encontra num leito de UTI entre a vida e a morte. Em se
tratando de poema, não importa o gênero do filme ou da série, pois a arte como
um todo tem suas derivações e conexões. Um verdadeiro complemento que eleva a qualidade
da história trazendo reflexões à parte sem desfocar do assunto principal.
Particularmente, toda arte é uma
espécie de poesia, seja falada, cantada, pintada ou interpretada. Vai mais dos
olhos e ouvidos de quem enxerga e se atenta do que do conteúdo propriamente
exposto. Mais um filme que vale a pena conferir
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Crítica: "Sintonia"
“Sintonia” é uma excelente série brasileira da Netflix que
retrata com perfeição o cotidiano das pessoas que habitam a periferia de São
Paulo, também conhecida como favela para quem vê apenas por fora e de
comunidade para quem enxerga por dentro.
Os protagonistas são três jovens amigos que cresceram juntos, cada um com seu grande sonho de realização e sucesso. Apesar de caminhos diferentes a amizade é algo forte, sólido e sempre presente. Talvez por isso o título da série: "Sintonia". Existe um respeito mútuo, cuidado, amor e dentro do possível se encontram para prestigiar as conquistas do outro.
Eles conseguem se realizar naquilo que tanto sonharam, mas nada foi fácil e não continua sendo. Entre acertos, riscos, consequências e muita superação o trio caminha por suas escolhas sem perder o contato e as raízes, algo muito típico do espírito de comunidade que habita nos moradores da periferia. Quem expande para o sucesso não esquece suas origens.
Um conseguiu evoluir na carreira artística como MC. Outro se reencontrou dentro da religião. O terceiro conseguiu seu tão almejado posto dentro do tráfico. A realidade na periferia é tal como descrito na série, tanto no quesito de comunidade, em que todos se ajudam e se respeitam, como na questão do crime, da ordem imposta para uma boa convivência entre os membros da comunidade e a "lei do crime" que age quando alguém trai a confiança da "irmandade", quando alguém tenta explorar trabalhadores honestos.
As drogas são o carro chefe. Por isso evita-se todo tipo de violência para não chamar atenção da polícia. Há policiais corruptos, bem como bandidos que exercem um papel conciliador e protetor da comunidade. Uma inversão não apenas de valores, mas de papéis. A polícia acaba sendo conivente com o tráfico e ganha por isso. Policiais são comprados. Traidores do tráfico são punidos e silenciados com a morte. Retaliações acontecem quando matam policiais, quando morrem bandidos e quando matam inocentes.
Há um tripé essencial entranhado não apenas no enredo da trama mas na realidade que assola as grandes comunidades periféricas brasileiras: fama, religião e crime. A fé que salva e aliena, o sucesso que dá e tira, o tráfico que mata mas as vezes é a única forma de sobrevivência. Contextos reais, vidas paralelas intimamente ligadas. A verdade tal como é sua realidade. Caminhos de fama e sucesso, dinheiro e prosperidade, fé e religião, crime e ilusão, vida e morte.
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
Convenção nos autos da praça IV: memórias da praça
A praça é a Praça, é o mundo, é o
fundo,
é o circo, é o recanto do justo,
do sábio e do vagabundo
paraíso e deserto do sem teto
Filosofia da vida, dos dias, das
horas
o tempo não passa, e a vida indo embora
Dias de luta sem glória
a droga é a festa, todo dia, toda hora
Retiro do mundo,
vazio existente na alma sem fundo
Que aos olhos do povo, a sociedade
perfeita
não tem bem, só o mal, quem ali está é
só marginal
Esquece que ali, aquele que habita tem
a sua história
sua guerra sua vida, seus traumas, suas
lutas sofridas
uma família talvez
A praça é o elo perdido, último dos
paraísos
de quem se perdeu nesse plano de
vida
nesse mundo tão sujo
de batalha egoísta
No meio da praça tem a regra, a
moral,
a ética de todo marginal
cada um no seu canto, enxugando seus
prantos
ninguém rouba ninguém, todos se
protegem
Tem cachorro e gato que habitam
juntinhos
ambos respeitam até o passarinho
todos sem comida, sem casa, sem abrigo
Banho de chuva no frio, noites mal
dormidas
Corpos bem colados pra se manter
aquecidos
Presos por dentro, julgados por
fora
a vida é um tempo que passa e demora
esperança sem vez
Um dia quem sabe,
um pouco de asa
vai me levar de volta pra casa
quarta-feira, 10 de julho de 2019
O bem e o mal
O título remete a um clichê usualmente colocado nas mais variadas formas de discursos político-religiosos que vemos e ouvimos por aí. Apesar disso, não imaginei algo melhor para discorrer sobre o assunto.
Acompanhando o cenário político atual, e apesar de já não ter mais estômago para assistir a este espetáculo de quinta, principalmente quando os personagens atuam de forma vexatória e medíocre, como verdadeiros amadores (que são), e assim brincam e zombam com a cara do público, a única coisa que fica claro é que neste cabaré de Brasília os "caras" fazem de tudo, menos cumprir com a obrigação pela qual foram eleitos.
O povo?! Ah, esquece! Como disse o chulo presidente: "o povo só serve pra votar e mais nada!" Essa culpa eu não carrego e aproveitando mais uma frase clichê: "como é bom, nesse momento da vida, estar do lado que perdeu as eleições". A história não poupará, passe o tempo que passar.
Um gancho aqui para indicar um filme e uma série que são oportunos para o momento atual. Deixo apenas os nomes com a isenção de qualquer comentário a não ser deixar registrado que vale a pena conferir e ter uma outra visão sobre as coisas desta terra tupiniquim: "Democracia em vertigem" e "Guerras do Brasil.doc".
Indo direto ao cerne do assunto que me fez optar por esse título, "O bem e o mal", infelizmente não dá pra defender partidos mas dá pra perceber de todas as formas possíveis o que cada lado, que faz parte dessa batalha, tem apresentado de fato como resposta ao (des)governo e como proposta para o país e o povo em todas as classes.
Deixando a guerra partidária, dá pra focar no "bem" e no "mal". Essa é a verdadeira guerra. Ambos os lados possuem os dois elementos das mais variadas espécies e capacidades. Infelizmente algumas bandeiras que hoje trazem frases de efeito para defender a moral, os bons costumes, a pátria, a família e Deus, são os que mais tombam diante do veneno de sua própria hipocrisia.
De forma geral, se fizermos uma busca nas redes sociais podemos encontrar fatos como o cara que espancou a mulher até a morte porque ela o deixou, o médico que dopava e abusava sexualmente de suas clientes, o professor universitário que jogou a namorada do alto de um edifício, o cara que ateou fogo na companheira pelo fim do relacionamento, sem contar as inúmeras violências diárias contra pessoas que manifestam sua opinião contrária ao (des)governo. Dos casos de maior repercussão midiática, sabe o que essas pessoas têm em comum? Todos os acusados e envolvidos são "cidadãos de bem" que apoiam a barbárie do atual presidente. Nada estranho a não ser o fato de que o discurso político atual tem feito com que muitas máscaras caiam ao chão e assim as pessoas mostram sua verdadeira face.
Não bastasse toda a lambança, ainda temos um juiz, melhor, um juizeco parcial, partidário e corrompido que atua contra a democracia e contra a justiça para conseguir benefício próprio junto ao atual governo. É uma situação ridiculamente nojenta! Conluio!
E antes que me demonizem eu já adianto: Sim! Sou um simpatizante da esquerda política que reconhece as limitações desse lado bem como tenho a ciência de que existem os que denigrem a imagem, verdadeiros corrompidos que vendem sua própria alma para obter vantagens para si. Ainda assim, não vi nada melhor do outro lado a não ser a hipocrisia disfarçada de cristão, defensor da família tradicional e da pátria, vulgo "cidadão de bem".
Não me aflige nem incomoda a demonização pelo fato de ter escolhido tal lado. Me assusta mesmo é ver cristão enchendo o peito pra dar apoio ao governo e ao ministro da justiça, o primeiro por querer implantar políticas que exterminam minorias e o segundo por se preocupar apenas com sua vaidade. Me assusta também as pessoas que não querem enxergar a atuação e o envolvimento do presidente e sua família em episódios polêmicos que envolvem assassinatos, milícias, tráfico de drogas, sem contar os assuntos que ficam sem resposta, pois algumas pessoas estão protegidas pelo alto escalão da quadrilha. Queiroz que o diga!
E antes que me venha algum pseudo cristão dar pitaco, faço questão de mencioná-los aqui também e deixar uma mensagem de autoajuda. Alguém disse: "Jesus é um cara legal, o que fode é a torcida." Fato! Têm uns catolibãs, extremistas, intolerantes, cidadãos de bem, "mestres da lei" (sim, aqueles a quem Jesus chamou de hipócritas), que no uso de suas funções, e talvez por conta do glamour de suas vestes, se acham no direito e dever de palpitar em qualquer hora e lugar. Sem argumentos básicos, sem fundamentos, sem conteúdo e nada de conhecimento, simplesmente querem causar certo furor com comentários em tom de deboche. Aqui não "mané"!!! Por outro lado nem dá pra esperar nada melhor do que esse tipo de pensamento ínfimo, intolerante, medíocre e vazio de quem desconhece a história.
E pra finalizar: "Nem todo cidadão de bem é filho da puta, mas todo filho da puta é um cidadão de bem."
segunda-feira, 1 de julho de 2019
1000 x foda-se
Enfim chegamos à marca dos 1000 escritos, ou 1000 postagens. E sabe o que isso significa? P***a nenhuma!
Por outro lado, têm coisas que não me tiram a tranquilidade: tecer críticas de viés religioso, os exageros de maneira geral, principalmente sobre a minha religião, e também sobre política. Apenas penso que, de maneira laica e sem envolvimento político, se o assunto em questão traz benefício para todos então merece elogios, do contrário, não poupo críticas, tampouco o uso de qualquer palavra, por mais pesada que seja. Foda-se!
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Travessia da morte
"Um homem de El Salvador e uma criança de quase dois anos, pai e filha, morreram afogados quando tentavam atravessar o Rio Bravo na altura da cidade de Matamoros, que fica no estado de Tamaulipas, no México, tentando chegar aos EUA." (Exame - 26/06/19: https://exame.abril.com.br/mundo/pai-e-filha-morrem-afogados-tentando-chegar-aos-eua-foto-chocou-o-mundo/ ).
A luta pela sobrevivência que acaba em morte...
Não tem cena mais triste que a dos que morrem, tão esquecidos quanto desesperados, na tentativa de conseguir uma vida melhor para os seus além das fronteiras de sua pátria.
Nem ajuda alguma.
E a cada braçada dessa dolorosa travessia.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Contrapontos sociais: a hipocrisia travestida
Dentre frases, citações, discursos carregados de ódio, destaco algumas pérolas que tive a infelicidade de presenciar ou simplesmente acompanhar pelo mundo virtual:
O rapaz que se passa por mendigo para pedir esmola no semáforo, ao final do expediente troca suas roupas, monta em sua moto semi-nova e vai para casa.
A colega que se tornou empresária, não frequentou faculdade mas comprou seu diploma, tornou-se militante virtual anti-esquerda e anti-PT principalmente, com recalques de anticorrupção.
O sucedido homem de negócios que adquiriu objetos, produtos de furto, por serem mais baratos.
O cristão que abomina o aborto mas é a favor da pena de morte. Faz o sinal da cruz dentro da igreja e fora dela faz arminha.
Por incrível que pareça, esses exemplos reais trajavam a armadura verde-amarela com slogans anticorrupção, demonizaram a esquerda como um todo e apoiaram o presidente eleito em nome de "Deus, da Pátria e da família".
Porque todo cidadão de bem precisa se auto afirmar para que ele mesmo possa acreditar nessa máxima travestida de hipocrisia.
Por fim, compreendo que a corrupção não está no partido mas sim nas pessoas, independente do seu partido, do seu lado e da sua religião. O contraposto disso é a tão condenada hipocrisia.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
O ladrão e o hipócrita
Princípios e valores não dá pra contrabalancear com Ideologia "fascista". Mas ainda vou usar duas passagens bíblicas pra se entender o que tem mais valor, segundo a Bíblia:
1) O ladrão na cruz que se arrepende de seus pecados e recebe a promessa do Paraíso do próprio Jesus crucificado (Lc 23,39-43);
2) Em contrapartida Jesus condena a "hipocrisia" (Mt 23,13-36). Os hipócritas, segundo o próprio Jesus são dignos do inferno.
E pra encerrar, se for pra contextualizar com os dias atuais é só ver quem bate no peito a favor "de Deus" e incita a violência, o ódio entre outras coisas. Acho que nem preciso dizer mais nada...
E é justamente sobre princípios e valores VS hipocrisia que a imagem acima deve ser interpretada!
O futuro num passado presente
"O ano é 2020.
O caos tornou-se uma realidade. A ditadura já havia ganhado a cabeça das pessoas. As eleições nem mesmo tinham acabado e a onda de violência já era noticiada. O presidente eleito até tentou conter os ânimos durante o primeiro mês. Só que a situação saiu de controle. Os apoiadores da ditadura sentiam-se não apenas no direito mas no dever de caçar e punir qualquer opositor que se manifestasse. Esse ainda era o ano de 2019.
Medo e insegurança nos olhares das pessoas. Sair de casa era um risco de não voltar mais. Grupos radicais faziam rondas por todas as ruas e bairros de cada cidade. Isso quando a própria polícia era quem reprimia descontroladamente a qualquer suspeito. Subversão e oposição ao sistema já era um crime.
Num dia de domingo fui abordado por policiais e automaticamente acusado de subversão. Minha família foi liberada para voltar pra casa, sem nada dizer, sem ter a quem recorrer. Nesse momento, o Estado era o dono da minha vida. O castigo era inevitável. Queriam, a todo custo, e por todos os meios, que eu assumisse uma culpa que não era devida. O meu silêncio custou caro, muita dor, muito sofrimento... e um fim iminente.
A pena de morte foi instituída nos primeiros meses do novo governo. Não precisava mais de um crime para ser penalizado e mandado para o abate. Bastava apenas pensar diferente... Esse foi o meu caso. Não deixei de escrever os pensamentos que iam de encontro ao sistema opressor. Não apenas eu, mas uma leva de companheiros e companheiras, tivemos o mesmo destino...
2019 foi considerado como o ano da caça as bruxas. Uma inquisição moderna que tinha alguns tentáculos religiosos unindo forças ao Estado. A minha sentença já era certa. Seria em praça pública, porém não mais numa fogueira, como na era medieval. Um tiro, por um soldado, ou por um lunático seguidor do governo que se habilitasse. Acredito que, no meu caso, haviam muitos interessados em apertar o gatilho, inclusive amigos e parentes.
Eu tinha direito a um último telefonema e desejei falar com o meu pai. Preferi que ninguém da minha família estivesse presente, mas fiz questão de me despedir e dizer que ele também foi iludido. Não tinha mágoa e por tanto não precisava perdoá-lo de nada, mas a dor que ele carregaria seria apenas dele... 'Adeus, Pai'. E meu corpo tombou numa praça em frente a uma capela."
PS.: Foi apenas um pesadelo, mas não estamos longe disso acontecer com pessoas que amamos.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Filosofia de expurgo - 01/01
Havia mais respeito e as amizades não se acabavam".
De todos os candidatos que estão no páreo, particularmente só não voto em um. E é justamente aquele que não sabe debater, que nunca fez nada pelo país em sua vida pública além de colocar todos os seus descendentes no mesmo esquema, não consegue expor ideia alguma sem ter que apelar pra hostilidade e, usando como pauta de campanha aqueles jargões encharcados de hipocrisia como "lutar pelos cidadãos de bem, pela família, pela moral cristã" para iludir muitos dos que estão querendo uma virada de mesa nesse cabaré que virou o Brasil, vem se fazendo como "a solução". SQN!
Conheço e tenho amizade com muitos que apoiam tal candidato. Não pretendo que amizade alguma se dissolva por isso, porque as eleições vão passar e no fundo, bem no fundo, todos querem o melhor. Não vou na página alheia pra discutir em vão e da mesma forma não tolero que o façam na minha. Sigamos o fluxo!
Resta aguentar essa "guerrilha" que virou o período pré-eleitoral. O nível de "politicagem" que se vê por aí é decadente. Ódio externado em violência contra quem tem opção e visão diferente. E isso tudo é algo que partiu também do próprio tal candidato, seguidores radicais, bem como de grupelhos intitulados de "direita" e de cristãos ultra-radicais.
Tem horas que, apesar de caótico, chega a ser engraçado. A maioria das pessoas que são contra o comunismo, o marxismo, a esquerda política (eu digo política, não partidária, se é que vocês me entendem), na verdade nem sabem o real significado. Só estão repetindo o que os seus "inflamadores" gritaram em certo momento. A situação lembra muito os ventríloquos.
Particularmente, não consigo pensar numa política que não seja de inclusão e para isso a questão é analisar o candidato que apresenta não apenas as melhores propostas mas as mais viáveis e o mais importante, o que esteja melhor preparado e tenha condições de conduzir a nave, a tripulação e os passageiros.
Se tenho amigos ou parentes que discordam, foda-se! Essa é a minha análise, é a forma que vejo o contexto e tiro as minhas conclusões. Quando vejo ataque de chilique de gente que se acha acima da média porém sem um pingo de bom senso, nem conhecimento de causa (informação), nem respeito, nem "nada" eu fico entre a "pena", a "vergonha alheia" e o "asco". É muito sabidão diplomado em redes sociais que deveria estar no Palácio do Planalto! Não sei como o mundo ainda não notou tamanha celebridade desperdiçada nessa terra Tupiniquim!
Nos vemos nas urnas ou até o próximo expurgo.
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
É o que se tem pra hoje: AMOR!
A experiência ocorreu num ambiente que, literalmente é deixado de lado pelo poder público e por todos aqueles que fazem promessas antes de serem eleitos. A saúde pública sobrevive à deriva, ao relento, sob os desmandos dos políticos. E haveria linhas e linhas para se narrar acerca do que podemos presenciar em apenas alguns minutos pelas recepções e corredores das UAIs (Unidade de Atendimento Integrado) mas o foco é outro.
O que se espera quando a necessidade (emergência/urgência) te obriga a procurar um local como esse, a UAI, é um mínimo de respeito à sua pessoa por parte dos funcionários que ali estão. Entende-se bem o desgaste físico e emocional de quem trabalha nessa área uma vez que faltam verbas para as despesas básicas, para os itens necessários ao atendimento e, às vezes, até o salário. Mas, uma coisa é certa, quem procura esse "socorro" não o faz por prazer e já sabe em seu consciente o que irá enfrentar a partir do momento que pisa num local desses.
Estive numa dessas unidades no dia 01/08/18. Deixo o motivo para outro momento. Adianto apenas que era uma necessidade em caráter de urgência. Recepções lotadas, corredores abarrotados e funcionários que sequer respondem educadamente a uma simples dúvida. Crianças chorando no colo de suas mães, idosos em macas, gestantes e pessoas com as mais variadas expressões de dor, desconsolo e lágrimas, fazem parte do cenário que presenciei em pouco mais de meia hora.
De todos os funcionários que ali estavam naquele período, passando pela recepcionista, o setor de triagem, enfermeiras e médica, uma única pessoa... sim, uma única mulher não me permitiu perder a esperança, a fé e a paciência. Foram aproximadamente três trocas de palavras e bem curtas, mas que, pela forma com que ela atendeu fizeram toda a diferença.
Desnecessário descrever as características físicas dessa profissional mas é sublime poder descrever um pouquinho de sua generosidade e amor ao que faz com tanto zelo. Perdi a oportunidade de saber o seu nome mas jamais esquecerei o tom de sua voz e a forma carinhosa de tratar a todos e todas.
"Meu bem o que você está precisando?", "Oh meu amor, se você precisar volte aqui mais tarde, viu?". Narrando esse contexto por aqui com certeza não dá pra expor a dimensão desse atendimento ímpar. É justamente isso que a maioria das pessoas que adentram as UAIs precisam ouvir e sentir, um amparo incondicional, atenção e respeito. Ela não sabe que melhorou imensamente aquele momento e eu só posso ser grato por ter tido o privilégio de ter cruzado esse caminho. Ela só deu o melhor de si: AMOR.
Nem tudo está perdido. Ainda há esperança.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Cenas do cotidiano
Cena 1: Adentrei ao supermercado como sempre para comprar aqueles pãezinhos feitos na hora. Fila pequena, apenas um senhor na minha frente. Num espaço pequeno em que duas pessoas por vez podem escolher seus pães, ele iniciou um assunto que aos poucos me fez atentar. "Um dia meu pai tirou um dente meu no tapa. Ele me chamou e ao invés de responder 'sim senhor' apenas falei 'oi papai'. Eu tinha 5 anos de idade e quando cheguei perto dele levei um tapa na boca que meu dente voou longe. Tudo porque não respondi 'sim senhor'. Nunca me esqueci dessa lição..." disse o senhor. Peguei meu pacote de pães, passei pela fila do caixa e fui para casa, pensando...
Cena 2: Parei de moto aguardando o semáforo liberar para eu prosseguir rumo ao meu destino e enquanto isso observei, no canteiro central da avenida que atravessaria, um rapaz que faz malabarismos em troca de alguns trocados brincando com um filhotinho de cachorro sobre a grama. Cachorrinho bem cuidado, de coleira, pacote de ração do lado e muita atenção de seu dono. Uma verdadeira distração aos motoristas que param para aguardar sua vez de prosseguir. Abriu o sinal, minha vez de acelerar e seguir adiante, pensando...
Cena 3: Fui até um posto de combustível para calibrar os pneus da moto. Enquanto o fazia vi ao fundo um funcionário sentado ao chão do local onde realizam troca de óleo, almoçando de marmita na mão. Concentrado em sua refeição que não arredava os olhos para lugar algum. Parecia pensativo sobre a vida durante o tempo que saciava sua fome. Mais uma vez parti, pensando...
Cena 4: Homens da prefeitura recolhendo pertences de pessoas que dorme sobre papelões nos canteiros das avenidas. Homens em bando, de crachás e luvas nas mãos, óculos escuros e pouca conversa, cumpriam ordens e obrigações. Sua tarefa? Retirar tudo aquilo que polui o ambiente visual da cidade. Eu? Sigo juntando as peças de cada cena, pensando...
Pensando sobre tempos severos de pessoas que sobreviveram à rigidez e brutalidade da educação de antigamente. Pensando sobre o amor daqueles que nada tem podem dar a outros seres muitas vezes abandonados por seus antigos donos. Pensando no sacrifício daquele que se sujeita a muita coisa para dar o melhor aos seus. Pensando que somos escravos e senhores, vítimas e culpados, cegos, inocentes e coniventes com todo tipo de sistema opressor que paira sobre nossas vidas... Apenas, pensando...


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