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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O caos na calmaria do sistema



Doce caos nesse mundo sem calmaria
O que me falta?
Não mais que alegria
Não menos que ousadia
O que eu tento é todo dia
Uma nova alquimia
Nessa sobrevivência
Sem latência
Muita querência
Mas eu, Ah!
Eu sobrevivo!

Preza, presa, preso
Nessa cela
Com esse selo
Ileso
Cela de carne, de ossos, de sangue
Selo da marcação
Da contramão
Na irritação
"Dos patrão"
Mas eu, Ah!
Eu sobrevivo!

Estranho mundo estranho
Já dizia o grande 
Freriano, Freire, Freirão
O sonho do oprimido
Hum
É se tornar opressão
Feito um patrão
Mas eu, Ah!
Eu sobrevivo!

Estranho mundo estranho
Mundo estranho mundo
Tão sujo, 
Tão profundo,
Tão imundo...
E quem se tornou patrão
Subiu na chefia, 
Na diretoria
Hum
Por cima
Pra cima
Sem rima
E opressão

Até mesmo a tal qualidade
Hum
Extorquida
De qualquer jeito
De qualquer vida
Para estar
No patamar
Do vislumbre
De seu altar

Fazem até uma pesquisa de satisfação
Mas não é pra melhorar essa qualidade
Jamais!
É só pra causar perseguição 
De quem está descontente 
Com esse sistema
Podre, imundo, e pago
De opressão
E mesmo pagando
Você não tem mais o direito de exigir
Clareza
Competência,
Qualidade
Ouse, tente, abuse!
Pra você ver aonde seu nome estará jogado
Haja medina!
E não lhes faltam de propina
Porque o sistema é uma jogatina
Interesseiros
Pelo dinheiro!
Mas eu, ah!
Margeado pelos pensamentos inquietantes
Eu mais que sobrevivo
Eu sonho, eu acredito, eu luto.
Luto enquanto vivo
Para que a vida não se torne luto.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Vidas Secas das ruas



Vi um senhor passando na rua. Estava puxando uma carrocinha carregada de recicláveis. Corri e peguei as sacolas com os plásticos recicláveis que sempre guardamos e fui entregar a ele. Uma simplicidade em pessoa, poucas palavras e muitos agradecimentos pelos materiais que o entreguei. Mas essa não é parte principal. Não se trata dos descartáveis, muito menos no meu movimento de entregá-los ao senhor da carrocinha. 

Assim que atravessei a rua em direção a esse senhor, sua carrocinha estava parada junto à calçada e ele estava conversando com outro senhor. Este, estava sentado na calçada sob a sombra de uma árvore comendo um pão. Apenas um pão. 

Ao retornar ouvi o senhor que estava sentado à calçada oferecendo um pão ao homem da carrocinha. Este aceitou e disse que estava mesmo com fome. Estavam numa boa prosa, comendo pão, apenas pão. 

Minha mãe havia acabado de fazer café. Coloquei dois copos e voltei com os dois homens. O da calçada é morador de rua. O da carroça já tinha visto algumas vezes pelas ruas. 

Mais do que saborear o café, seus olhos transbordavam alegria e agradecimento. O sentir-se notado numa sociedade que não respeita a condição alheia resgata um pouquinho de dignidade e devolve fios de esperança e coragem para enfrentar as batalhas diárias.

A prosa com pão e café mereceu uma pausa no tempo para ambos os protagonistas. 

Dias depois concluí a leitura de Vidas Secas de Graciliano Ramos, um clássico que já acumula mais de 85 anos desde seu lançamento, e não pude deixar de correlacionar a ficção experenciada pelo olhar do autor, com as cenas que contemplei na rua. 

As ruas estão lotadas de personagens como os do livro, vivendo suas mazelas diante de tantos olhares indiferentes frente às suas Vidas urbanamente Secas. Fios de esperança frente a um gole de café, é como gotas de chuvas que minguam no sertão, vez ou outra, como Graciliano Ramos bem nos contou.

Na ficção o fim foi incerto, triste, desesperançoso. Na vida real, há muito o que se pode fazer com poucas atitudes... basta não apenas olhar, mas enxergar que existe vida.





sábado, 9 de abril de 2022

Crítica: "Um sonho de liberdade"

O filme é um drama que conta a história do bancário Andy Dufresne acusado e condenado a duas prisões perpétuas pelo assassinato de sua esposa e do amante dela em 1946. Na Penitenciária Estadual de Shawshank, aonde cumpre pena, torna-se amigo do detento Red, que é conhecido por conseguir quase tudo que os presos precisam. 
 
A amizade entre Andy e Red e a esperança são fatores importantes para sua sobrevivência durante os 19 anos que passou na prisão. Nesse tempo de reclusão ele sofre brutalidades e abusos, se adapta, ajuda outros detentos, os carcereiros, os guardas e até mesmo Norton, o diretor do presídio. Por conta de sua inteligência, a experiência como banqueiro, Andy se torna importante para os planos do diretor em lavar dinheiro adquirido de forma ilícita, usando o pseudônimo de Randall Stephens. Em troca, o diretor concedia-lhe alguns benefícios e o poupava do trabalho na lavanderia.
 
Brooks, que tomava conta da biblioteca, era o preso mais velho. Em 1954, após cumprir 50 anos de sua pena ele é libertado, porém não consegue se adaptar à vida fora de Shawshank e comete suicídio. 
 
Em 1965 chega à penitenciária Tommy Williams, preso por roubo. Andy e Red tornam-se amigos dele. Numa conversa Tommy conta a Andy que esteve detido em outra prisão com um cara que se gabava por ter matado um jogador de golfe famoso e sua amante, sendo que quem foi condenado foi o marido da mulher. Andy leva a informação ao diretor que se recusa a ajuda-lo. Furioso, Dufresne o interpela mas o diretor é irredutível e o manda para a solitária por 2 meses. Nesse tempo Norton arma uma cilada e mata o jovem Tommy. A partir desse evento, Andy se prepara para mudar o rumo de sua vida.
 
Alguns dias depois de cumprir 2 meses de estadia na solitária, durante a contagem dos presos pela manhã os guardas notaram que a cela de Andy estava vazia. Norton questiona os carcereiros, os guardas e Red mas ninguém sabia explicar o desaparecimento de Dufresne. Irritado, o diretor arremessa uma pedra num pôster pendurado na parede da cela e então percebe um túnel escavado com o martelo de geólogo conseguido por Red logo nos primeiros meses de Andy na Penitenciária.

Enquanto os guardas realizam sua busca, Andy se faz passar por Randall Stephens e visita vários bancos para retirar o dinheiro lavado, em seguida envia o livro de contas para um jornal local como prova da corrupção em Shawshank. A polícia chega na penitenciária e prende Hadley, o guarda chefe, enquanto Norton comete suicídio antes de ser pego.


Red é libertado depois de ficar quarenta anos preso. Ele luta para se adaptar à vida de homem livre e teme que nunca conseguirá totalmente. Ele lembra de sua promessa feita a Andy e visita Buxton, encontrando uma pequena caixa com dinheiro e uma carta pedindo para que vá até Zihuatanejo. Red viola sua condicional e viaja até Fort Hancock, Texas, para cruzar a fronteira com o México, admitindo que finalmente sente esperança. Nas praias de Zihuatanejo, Andy e Red se reencontram.

O filme é um clássico dos cinemas. Vale a pena assistir mais de uma vez. Como não poderia faltar, anotei algumas frases célebres, reflexivas, poeticamente carregadas de esperança e verdades. 

"Esses muros são estranhos. 
No começo você odeia, 
depois se acostuma. 
E, depois de muito tempo 
você fica dependente. 
Isso é que é institucionalização." 
(Red)

"Lá fora eu era um homem honesto. 
Tive que vir para a prisão 
para virar um bandido." 
(Andy)

"Todo homem tem seu limite." 
(Red)

"Alguns pássaros 
não são feitos para gaiola." 
(Andy)

"Há uma dura realidade 
a ser encarada: 
não há como sobreviver 
do lado de fora." 
(Red)

"A esperança 
é uma coisa boa, 
talvez a melhor de todas. 
E nada que é bom 
pode morrer." 
(Carta para Red)

"Estou tão emocionado que mal consigo ficar sentado e ter um pensamento fixo na mente. Acho que é a emoção que só um homem livre poder sentir. Um homem livre no início de uma longa viagem cuja conclusão é incerta. Espero conseguir atravessar a fronteira. Espero rever meu amigo e apertar sua mão. Espero que o Pacífico seja tão azul quanto nos meus sonhos. Espero... Tenho esperança." (Red)

"Ocupar-se de viver ou ocupar-se de morrer?" (Red)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Crítica: "Um crime de mestre"



"(...)

Você se atreve a sair?

Você se atreve a entrar?

Quanto pode perder?

Quanto pode ganhar?

Se você entrar vai pra esquerda ou direita?

Vai até a metade ou nem isso tenta?

Você ficou tão confuso que começa devagar

Pistas longas e com curvas e você tem que acelerar

E andar muitos quilômetros em todo tipo de lugar fútil

Até que chega com temor a um local ainda mais inútil

O lugar de espera...

A gente apenas esperar...

Por um trem que vai partir

Ou um ônibus que vai chegar

Ou o avião decolar

Uma correspondência chegar

Ou a chuva passar

Ou o telefone tocar

Ou a neve tocar o chão

Ou esperar por um sim ou um não

Ou um colar de pérolas

Ou um olhar de relance

Ou uma peruca com cachos

Ou outra chance..."

 

O filme "Um crime de mestre", da Netflix, retrata uma verdadeira batalha psicológica e de evidências entre o acusado de matar sua esposa e um jovem promotor que de início estava cegado pela vaidade, mas depois de aprender com os erros encara seu adversário de forma inteligente. É uma produção digna de análise e não deixa aquém da expectativa. A trama como um todo é instigante. Não há muito o que dizer, apenas assistir e se atentar para os detalhes. 

 

Já o poema transcrito acima faz parte de uma cena emocionante quando o promotor o lê para a mulher do acusado de homicídio, que se encontra num leito de UTI entre a vida e a morte. Em se tratando de poema, não importa o gênero do filme ou da série, pois a arte como um todo tem suas derivações e conexões. Um verdadeiro complemento que eleva a qualidade da história trazendo reflexões à parte sem desfocar do assunto principal.

 

Particularmente, toda arte é uma espécie de poesia, seja falada, cantada, pintada ou interpretada. Vai mais dos olhos e ouvidos de quem enxerga e se atenta do que do conteúdo propriamente exposto. Mais um filme que vale a pena conferir

 .

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Crítica: "Sintonia"



“Sintonia” é uma excelente série brasileira da Netflix que retrata com perfeição o cotidiano das pessoas que habitam a periferia de São Paulo, também conhecida como favela para quem vê apenas por fora e de comunidade para quem enxerga por dentro. 

Os protagonistas são três jovens amigos que cresceram juntos, cada um com seu grande sonho de realização e sucesso. Apesar de caminhos diferentes a amizade é algo forte, sólido e sempre presente. Talvez por isso o título da série: "Sintonia". Existe um respeito mútuo, cuidado, amor e dentro do possível se encontram para prestigiar as conquistas do outro. 

Eles conseguem se realizar naquilo que tanto sonharam, mas nada foi fácil e não continua sendo. Entre acertos, riscos, consequências e muita superação o trio caminha por suas escolhas sem perder o contato e as raízes, algo muito típico do espírito de comunidade que habita nos moradores da periferia. Quem expande para o sucesso não esquece suas origens.  

Um conseguiu evoluir na carreira artística como MC. Outro se reencontrou dentro da religião. O terceiro conseguiu seu tão almejado posto dentro do tráfico. A realidade na periferia é tal como descrito na série, tanto no quesito de comunidade, em que todos se ajudam e se respeitam, como na questão do crime, da ordem imposta para uma boa convivência entre os membros da comunidade e a "lei do crime" que age quando alguém trai a confiança da "irmandade", quando alguém tenta explorar trabalhadores honestos.

As drogas são o carro chefe. Por isso evita-se todo tipo de violência para não chamar atenção da polícia. Há policiais corruptos, bem como bandidos que exercem um papel conciliador e protetor da comunidade. Uma inversão não apenas de valores, mas de papéis. A polícia acaba sendo conivente com o tráfico e ganha por isso. Policiais são comprados. Traidores do tráfico são punidos e silenciados com a morte. Retaliações acontecem quando matam policiais, quando morrem bandidos e quando matam inocentes. 

Há um tripé essencial entranhado não apenas no enredo da trama mas na realidade que assola as grandes comunidades periféricas brasileiras: fama, religião e crime. A fé que salva e aliena, o sucesso que dá e tira, o tráfico que mata mas as vezes é a única forma de sobrevivência. Contextos reais, vidas paralelas intimamente ligadas. A verdade tal como é sua realidade. Caminhos de fama e sucesso, dinheiro e prosperidade, fé e religião, crime e ilusão, vida e morte. 


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Convenção nos autos da praça IV: memórias da praça

(*)Foto: Clube Notícia


A praça é a Praça, é o mundo, é o fundo, 

é o circo, é o recanto do justo, 

do sábio e do vagabundo

paraíso e deserto do sem teto

Filosofia da vida, dos dias, das horas 

o tempo não passa, e a vida indo embora

Dias de luta sem glória

a droga é a festa, todo dia, toda hora

Retiro do mundo, 

vazio existente na alma sem fundo

Que aos olhos do povo, a sociedade perfeita 

não tem bem, só o mal, quem ali está é só marginal

Esquece que ali, aquele que habita tem a sua história 

sua guerra sua vida, seus traumas, suas lutas sofridas 

uma família talvez

A praça é o elo perdido, último dos paraísos 

de quem se perdeu nesse plano de vida 

nesse mundo tão sujo

de batalha egoísta

No meio da praça tem a regra, a moral, 

a ética de todo marginal

cada um no seu canto, enxugando seus prantos 

ninguém rouba ninguém, todos se protegem

Tem cachorro e gato que habitam juntinhos 

ambos respeitam até o passarinho 

todos sem comida, sem casa, sem abrigo

Banho de chuva no frio, noites mal dormidas

Corpos bem colados pra se manter aquecidos

Presos por dentro, julgados por fora 

a vida é um tempo que passa e demora

esperança sem vez

Um dia quem sabe, 

um pouco de asa 

vai me levar de volta pra casa


quarta-feira, 10 de julho de 2019

O bem e o mal


O título remete a um clichê usualmente colocado nas mais variadas formas de discursos político-religiosos que vemos e ouvimos por aí. Apesar disso, não imaginei algo melhor para discorrer sobre o assunto.

Acompanhando o cenário político atual, e apesar de já não ter mais estômago para assistir a este espetáculo de quinta, principalmente quando os personagens atuam de forma vexatória e medíocre, como verdadeiros amadores (que são), e assim brincam e zombam com a cara do público, a única coisa que fica claro é que neste cabaré de Brasília os "caras" fazem de tudo, menos cumprir com a obrigação pela qual foram eleitos.

O povo?! Ah, esquece! Como disse o chulo presidente: "o povo só serve pra votar e mais nada!" Essa culpa eu não carrego e aproveitando mais uma frase clichê: "como é bom, nesse momento da vida, estar do lado que perdeu as eleições". A história não poupará, passe o tempo que passar.

Um gancho aqui para indicar um filme e uma série que são oportunos para o momento atual. Deixo apenas os nomes com a isenção de qualquer comentário a não ser deixar registrado que vale a pena conferir e ter uma outra visão sobre as coisas desta terra tupiniquim: "Democracia em vertigem" e "Guerras do Brasil.doc".

Indo direto ao cerne do assunto que me fez optar por esse título, "O bem e o mal", infelizmente não dá pra defender partidos mas dá pra perceber de todas as formas possíveis o que cada lado, que faz parte dessa batalha, tem apresentado de fato como resposta ao (des)governo e como proposta para o país e o povo em todas as classes.

Deixando a guerra partidária, dá pra focar no "bem" e no "mal". Essa é a verdadeira guerra. Ambos os lados possuem os dois elementos das mais variadas espécies e capacidades. Infelizmente algumas bandeiras que hoje trazem frases de efeito para defender a moral, os bons costumes, a pátria, a família e Deus, são os que mais tombam diante do veneno de sua própria hipocrisia.

De forma geral, se fizermos uma busca nas redes sociais podemos encontrar fatos como o cara que espancou a mulher até a morte porque ela o deixou, o médico que dopava e abusava sexualmente de suas clientes, o professor universitário que jogou a namorada do alto de um edifício, o cara que ateou fogo na companheira pelo fim do relacionamento, sem contar as inúmeras violências diárias contra pessoas que manifestam sua opinião contrária ao (des)governo. Dos casos de maior repercussão midiática, sabe o que essas pessoas têm em comum? Todos os acusados e envolvidos são "cidadãos de bem" que apoiam a barbárie do atual presidente. Nada estranho a não ser o fato de que o discurso político atual tem feito com que muitas máscaras caiam ao chão e assim as pessoas mostram sua verdadeira face.

Não bastasse toda a lambança, ainda temos um juiz, melhor, um juizeco parcial, partidário e corrompido que atua contra a democracia e contra a justiça para conseguir benefício próprio junto ao atual governo. É uma situação ridiculamente nojenta! Conluio!

E antes que me demonizem eu já adianto: Sim! Sou um simpatizante da esquerda política que reconhece as limitações desse lado bem como tenho a ciência de que existem os que denigrem a imagem, verdadeiros corrompidos que vendem sua própria alma para obter vantagens para si. Ainda assim, não vi nada melhor do outro lado a não ser a hipocrisia disfarçada de cristão, defensor da família tradicional e da pátria, vulgo "cidadão de bem".

Não me aflige nem incomoda a demonização pelo fato de ter escolhido tal lado. Me assusta mesmo é ver cristão enchendo o peito pra dar apoio ao governo e ao ministro da justiça, o primeiro por querer implantar políticas que exterminam minorias e o segundo por se preocupar apenas com sua vaidade. Me assusta também as pessoas que não querem enxergar a atuação e o envolvimento do presidente e sua família em episódios polêmicos que envolvem assassinatos, milícias, tráfico de drogas, sem contar os assuntos que ficam sem resposta, pois algumas pessoas estão protegidas pelo alto escalão da quadrilha. Queiroz que o diga!

E antes que me venha algum pseudo cristão dar pitaco, faço questão de mencioná-los aqui também e deixar uma mensagem de autoajuda. Alguém disse: "Jesus é um cara legal, o que fode é a torcida." Fato! Têm uns catolibãs, extremistas, intolerantes, cidadãos de bem, "mestres da lei" (sim, aqueles a quem Jesus chamou de hipócritas), que no uso de suas funções, e talvez por conta do glamour de suas vestes, se acham no direito e dever de palpitar em qualquer hora e lugar. Sem argumentos básicos, sem fundamentos, sem conteúdo e nada de conhecimento, simplesmente querem causar certo furor com comentários em tom de deboche. Aqui não "mané"!!! Por outro lado nem dá pra esperar nada melhor do que esse tipo de pensamento ínfimo, intolerante, medíocre e vazio de quem desconhece a história.

E pra finalizar: "Nem todo cidadão de bem é filho da puta, mas todo filho da puta é um cidadão de bem." 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

1000 x foda-se



Enfim chegamos à marca dos 1000 escritos, ou 1000 postagens. E sabe o que isso significa? P***a nenhuma! 

Dentre as várias ideias de como prosseguir com este blog pensei em deixa-lo morrer aos poucos, sem postagens futuras, na certeza de que já cumpriu o seu papel e agora é chegada a hora do repouso eterno dos justos. 

Escritos em Tempos é um verdadeiro diário de bordo,  pois guarda desde os primeiros poemas do antigo colegial (1993) até os escritos em meados de 1999 e depois entrou num sono profundo de dez anos, ressurgindo em 2009. 

É certo que antigamente todas as anotações eram feitas em agendas e cadernos ou, no máximo, numa pastinha no computador, e demorou muito tempo para transpor cada texto aqui para o blog. Fiz questão de manter até mesmo os erros ortográficos da época. O primeiro título desse blog foi "Escritos: Cantos & Encantos da Vida" (2009). Passado algum tempo foi rebatizado de Escritos em Tempos.

Outra possibilidade seria criar um novo blog, outro espaço, porém, dando uma refinada no layout, nos temas e principalmente nas postagens. 

Tudo certo mas nada resolvido! 

O fato é que escrever é bom, muito bom. Terapêutico, por sinal. Um vício bom, um passa tempo, momento de extravasar, espaço de confidências, entrelinhas que são percorridas com lágrimas, suor e sangue, dores que refletem na alma, gritos e silêncios, fé e desesperança, amor e ódio... Tudo cabe, tudo pode, mesmo o mais gostoso dos pecados (seja qual for o seu) é permitido. As linhas não mentem nem escondem os sentimentos, tudo depende da óptica que se lê e de onde se enxerga. Não basta ver apenas... 

As posições aqui são claras. Encontrar os que se agradam com a mensagem é bom. Ouvir que as pessoas se identificam é ótimo. Mas, também não me impressiona, nem me deixa desanimado encontrar os que não comungam de algumas ideias e ideais. Que bom que existem posições contrárias, que não somos iguais em tudo. Imagino que seria chato se todos gostassem das mesmas coisas. 

A única coisa é que não abro mão de pensamentos para agradar a terceiros. Uma outra coisa é fato: transparência! Exceto, em casos que me dei conta de ter feito comentários que não acrescentaram em nada, e ao contrário, causaram certa incompreensão entre alguns espaços em que convivo. Teve um caso que, passado alguns anos de uma postagem a qual teci críticas aleatórias e sem embasamento, fiz questão de escrever um pedido de "desculpas" formal. Mantenho ambas as postagens, a da crítica e o pedido de desculpas. É bom estar em paz e de consciência tranquila.

Por outro lado, têm coisas que não me tiram a tranquilidade: tecer críticas de viés religioso, os exageros de maneira geral, principalmente sobre a minha religião, e também sobre política. Apenas penso que, de maneira laica e sem envolvimento político, se o assunto em questão traz benefício para todos então merece elogios, do contrário, não poupo críticas, tampouco o uso de qualquer palavra, por mais pesada que seja. Foda-se!

Ah, quantos "foda-se" estão aqui, soltos pelas águas desses 1000 escritos!... Mas, quantos momentos de descontração, de emoção, de perdão e principalmente de libertação que essas águas me trouxeram, não foram poucas. Já fiz monólogo, diálogo entre meus "eus", pedi explicação pra Deus, enxerguei a covardia de alguns humanos enquanto culpavam o pobre diabo para se isentarem de suas merdas... E viva la hipocrisia! Essa, com certeza é uma das piores características do tal humano. 

Bom, diante de todas as incertezas quanto a este espaço, penso que ele ainda será eterno por mais que o tempo entre uma postagem e outra seja grande, repleto de desertos, montanhas e rios... Uma hora a gente se esbarra, se reencontra, têm um dedo de prosa e coloca os assuntos em dia. 



quarta-feira, 26 de junho de 2019

Travessia da morte


"Um homem de El Salvador e uma criança de quase dois anos, pai e filha, morreram afogados quando tentavam atravessar o Rio Bravo na altura da cidade de Matamoros, que fica no estado de Tamaulipas, no México, tentando chegar aos EUA." (Exame - 26/06/19: https://exame.abril.com.br/mundo/pai-e-filha-morrem-afogados-tentando-chegar-aos-eua-foto-chocou-o-mundo/ ).

A luta pela sobrevivência que acaba em morte...
Não tem cena mais triste que a dos que morrem, tão esquecidos quanto desesperados, na tentativa de conseguir uma vida melhor para os seus além das fronteiras de sua pátria.

A travessia chega ao fim.
Os gritos não puderam ser ouvidos.
Ou, não existiam ouvidos para tais gritos.
Nem olhos.
Nem mãos.
Nem política.
Nem religião.
Nem ajuda alguma.
Foram silenciosamente inscritos nas estatísticas.
Tornaram-se números.
Enfim, o deus, os deuses, deviam estar ocupados demais.
Descansem no sono eterno. 
E que seu paraíso lhes deem tudo.
Tudo o que faltou nesse inferno chamado mundo.
Vocês venceram sua guerra.
E se tornaram livres a cada passo.
E a cada braçada dessa dolorosa travessia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Contrapontos sociais: a hipocrisia travestida

Algumas coisas marcaram de forma ímpar a sociedade brasileira antes, durante e após as últimas eleições ocorridas em 2018. Particularmente me atentei para os discursos inflamados de algumas que se julgavam acima do bem e do mal. Frases de efeito que se tornaram bordões na boca dos cidadÕEs de beim.

Dentre frases, citações, discursos carregados de ódio, destaco algumas pérolas que tive a infelicidade de presenciar ou simplesmente acompanhar pelo mundo virtual:

O rapaz que se passa por mendigo para pedir esmola no semáforo, ao final do expediente troca suas roupas, monta em sua moto semi-nova e vai para casa. 

A colega que se tornou empresária, não frequentou faculdade mas comprou seu diploma, tornou-se militante virtual anti-esquerda e anti-PT principalmente, com recalques de anticorrupção.

O sucedido homem de negócios que adquiriu objetos, produtos de furto, por serem mais baratos.

O cristão que abomina o aborto mas é a favor da pena de morte. Faz o sinal da cruz dentro da igreja e fora dela faz arminha.

Por incrível que pareça, esses exemplos reais trajavam a armadura verde-amarela com slogans anticorrupção, demonizaram a esquerda como um todo e apoiaram o presidente eleito em nome de "Deus, da Pátria e da família".


Porque todo cidadão de bem precisa se auto afirmar para que ele mesmo possa acreditar nessa máxima travestida de hipocrisia.

Por fim, compreendo que a corrupção não está no partido mas sim nas pessoas, independente do seu partido, do seu lado e da sua religião. O contraposto disso é a tão condenada hipocrisia.


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O ladrão e o hipócrita



Princípios e valores não dá pra contrabalancear com Ideologia "fascista". Mas ainda vou usar duas passagens bíblicas pra se entender o que tem mais valor, segundo a Bíblia:

1) O ladrão na cruz que se arrepende de seus pecados e recebe a promessa do Paraíso do próprio Jesus crucificado (Lc 23,39-43);

2) Em contrapartida Jesus condena a "hipocrisia" (Mt 23,13-36). Os hipócritas, segundo o próprio Jesus são dignos do inferno.

E pra encerrar, se for pra contextualizar com os dias atuais é só ver quem bate no peito a favor "de Deus" e incita a violência, o ódio entre outras coisas. Acho que nem preciso dizer mais nada...

E é justamente sobre princípios e valores VS hipocrisia que a imagem acima deve ser interpretada!

O futuro num passado presente



"O ano é 2020.

O caos tornou-se uma realidade. A ditadura já havia ganhado a cabeça das pessoas. As eleições nem mesmo tinham acabado e a onda de violência já era noticiada. O presidente eleito até tentou conter os ânimos durante o primeiro mês. Só que a situação saiu de controle. Os apoiadores da ditadura sentiam-se não apenas no direito mas no dever de caçar e punir qualquer opositor que se manifestasse. Esse ainda era o ano de 2019.

Medo e insegurança nos olhares das pessoas. Sair de casa era um risco de não voltar mais. Grupos radicais faziam rondas por todas as ruas e bairros de cada cidade. Isso quando a própria polícia era quem reprimia descontroladamente a qualquer suspeito. Subversão e oposição ao sistema já era um crime.

Num dia de domingo fui abordado por policiais e automaticamente acusado de subversão. Minha família foi liberada para voltar pra casa, sem nada dizer, sem ter a quem recorrer. Nesse momento, o Estado era o dono da minha vida. O castigo era inevitável. Queriam, a todo custo, e por todos os meios, que eu assumisse uma culpa que não era devida. O meu silêncio custou caro, muita dor, muito sofrimento... e um fim iminente.

A pena de morte foi instituída nos primeiros meses do novo governo. Não precisava mais de um crime para ser penalizado e mandado para o abate. Bastava apenas pensar diferente... Esse foi o meu caso. Não deixei de escrever os pensamentos que iam de encontro ao sistema opressor. Não apenas eu, mas uma leva de companheiros e companheiras, tivemos o mesmo destino...

2019 foi considerado como o ano da caça as bruxas. Uma inquisição moderna que tinha alguns tentáculos religiosos unindo forças ao Estado. A minha sentença já era certa. Seria em praça pública, porém não mais numa fogueira, como na era medieval. Um tiro, por um soldado, ou por um lunático seguidor do governo que se habilitasse. Acredito que, no meu caso, haviam muitos interessados em apertar o gatilho, inclusive amigos e parentes.

Eu tinha direito a um último telefonema e desejei falar com o meu pai. Preferi que ninguém da minha família estivesse presente, mas fiz questão de me despedir e dizer que ele também foi iludido. Não tinha mágoa e por tanto não precisava perdoá-lo de nada, mas a dor que ele carregaria seria apenas dele... 'Adeus, Pai'. E meu corpo tombou numa praça em frente a uma capela."

PS.: Foi apenas um pesadelo, mas não estamos longe disso acontecer com pessoas que amamos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Filosofia de expurgo - 01/01

"divino-política-sócio-educativa-financeira-libertária-brasileira-guarani-kaiowá-casaldáliga-francisco"


"Saudade do tempo em que os votos eram secretos. 
Havia mais respeito e as amizades não se acabavam". 


Bom, a coisa degringolou. Não se discute sobre "política", nem sobre projetos, nem nada. As pessoas não conseguem ou talvez nem saibam manter a discussão no campo das ideias. Realmente isso não é pra qualquer um.

De todos os candidatos que estão no páreo, particularmente só não voto em um. E é justamente aquele que não sabe debater, que nunca fez nada pelo país em sua vida pública além de colocar todos os seus descendentes no mesmo esquema, não consegue expor ideia alguma sem ter que apelar pra hostilidade e, usando como pauta de campanha aqueles jargões encharcados de hipocrisia como "lutar pelos cidadãos de bem, pela família, pela moral cristã" para iludir muitos dos que estão querendo uma virada de mesa nesse cabaré que virou o Brasil, vem se fazendo como "a solução". SQN!

Conheço e tenho amizade com muitos que apoiam tal candidato. Não pretendo que amizade alguma se dissolva por isso, porque as eleições vão passar e no fundo, bem no fundo, todos querem o melhor. Não vou na página alheia pra discutir em vão e da mesma forma não tolero que o façam na minha. Sigamos o fluxo!

Resta aguentar essa "guerrilha" que virou o período pré-eleitoral. O nível de "politicagem" que se vê por aí é decadente. Ódio externado em violência contra quem tem opção e visão diferente. E isso tudo é algo que partiu também do próprio tal candidato, seguidores radicais, bem como de grupelhos intitulados de "direita" e de cristãos ultra-radicais.

Tem horas que, apesar de caótico, chega a ser engraçado. A maioria das pessoas que são contra o comunismo, o marxismo, a esquerda política (eu digo política, não partidária, se é que vocês me entendem), na verdade nem sabem o real significado. Só estão repetindo o que os seus "inflamadores" gritaram em certo momento. A situação lembra muito os ventríloquos.

Particularmente, não consigo pensar numa política que não seja de inclusão e para isso a questão é analisar o candidato que apresenta não apenas as melhores propostas mas as mais viáveis e o mais importante, o que esteja melhor preparado e tenha condições de conduzir a nave, a tripulação e os passageiros.

Se tenho amigos ou parentes que discordam, foda-se! Essa é a minha análise, é a forma que vejo o contexto e tiro as minhas conclusões. Quando vejo ataque de chilique de gente que se acha acima da média porém sem um pingo de bom senso, nem conhecimento de causa (informação), nem respeito, nem "nada" eu fico entre a "pena", a "vergonha alheia" e o "asco". É muito sabidão diplomado em redes sociais que deveria estar no Palácio do Planalto! Não sei como o mundo ainda não notou tamanha celebridade desperdiçada nessa terra Tupiniquim!

Nos vemos nas urnas ou até o próximo expurgo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

É o que se tem pra hoje: AMOR!


A experiência ocorreu num ambiente que, literalmente é deixado de lado pelo poder público e por todos aqueles que fazem promessas antes de serem eleitos. A saúde pública sobrevive à deriva, ao relento, sob os desmandos dos políticos. E haveria linhas e linhas para se narrar acerca do que podemos presenciar em apenas alguns minutos pelas recepções e corredores das UAIs (Unidade de Atendimento Integrado) mas o foco é outro.

O que se espera quando a necessidade (emergência/urgência) te obriga a procurar um local como esse, a UAI, é um mínimo de respeito à sua pessoa por parte dos funcionários que ali estão. Entende-se bem o desgaste físico e emocional de quem trabalha nessa área uma vez que faltam verbas para as despesas básicas, para os itens necessários ao atendimento e, às vezes, até o salário. Mas, uma coisa é certa, quem procura esse "socorro" não o faz por prazer e já sabe em seu consciente o que irá enfrentar a partir do momento que pisa num local desses. 

Estive numa dessas unidades no dia 01/08/18. Deixo o motivo para outro momento. Adianto apenas que era uma necessidade em caráter de urgência. Recepções lotadas, corredores abarrotados e funcionários que sequer respondem educadamente a uma simples dúvida. Crianças chorando no colo de suas mães, idosos em macas, gestantes e pessoas com as mais variadas expressões de dor, desconsolo e lágrimas, fazem parte do cenário que presenciei em pouco mais de meia hora.

De todos os funcionários que ali estavam naquele período, passando pela recepcionista, o setor de triagem, enfermeiras e médica, uma única pessoa... sim, uma única mulher não me permitiu perder a esperança, a fé e a paciência. Foram aproximadamente três trocas de palavras e bem curtas, mas que, pela forma com que ela atendeu fizeram toda a diferença. 

Desnecessário descrever as características físicas dessa profissional mas é sublime poder descrever um pouquinho de sua generosidade e amor ao que faz com tanto zelo. Perdi a oportunidade de saber o seu nome mas jamais esquecerei o tom de sua voz e a forma carinhosa de tratar a todos e todas.

"Meu bem o que você está precisando?", "Oh meu amor, se você precisar volte aqui mais tarde, viu?". Narrando esse contexto por aqui com certeza não dá pra expor a dimensão desse atendimento ímpar. É justamente isso que a maioria das pessoas que adentram as UAIs precisam ouvir e sentir, um amparo incondicional, atenção e respeito. Ela não sabe que melhorou imensamente aquele momento e eu só posso ser grato por ter tido o privilégio de ter cruzado esse caminho. Ela só deu o melhor de si: AMOR. 

Nem tudo está perdido. Ainda há esperança. 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Cenas do cotidiano


Cena 1: Adentrei ao supermercado como sempre para comprar aqueles pãezinhos feitos na hora. Fila pequena, apenas um senhor na minha frente. Num espaço pequeno em que duas pessoas por vez podem escolher seus pães, ele iniciou um assunto que aos poucos me fez atentar. "Um dia meu pai tirou um dente meu no tapa. Ele me chamou e ao invés de responder 'sim senhor' apenas falei 'oi papai'. Eu tinha 5 anos de idade e quando cheguei perto dele levei um tapa na boca que meu dente voou longe. Tudo porque não respondi 'sim senhor'. Nunca me esqueci dessa lição..." disse o senhor. Peguei meu pacote de pães, passei pela fila do caixa e fui para casa, pensando...

Cena 2: Parei de moto aguardando o semáforo liberar para eu prosseguir rumo ao meu destino e enquanto isso observei, no canteiro central da avenida que atravessaria, um rapaz que faz malabarismos em troca de alguns trocados brincando com um filhotinho de cachorro sobre a grama. Cachorrinho bem cuidado, de coleira, pacote de ração do lado e muita atenção de seu dono. Uma verdadeira distração aos motoristas que param para aguardar sua vez de prosseguir. Abriu o sinal, minha vez de acelerar e seguir adiante, pensando...

Cena 3: Fui até um posto de combustível para calibrar os pneus da moto. Enquanto o fazia vi ao fundo um funcionário sentado ao chão do local onde realizam troca de óleo, almoçando de marmita na mão. Concentrado em sua refeição que não arredava os olhos para lugar algum. Parecia pensativo sobre a vida durante o tempo que saciava sua fome. Mais uma vez parti, pensando...

Cena 4: Homens da prefeitura recolhendo pertences de pessoas que dorme sobre papelões nos canteiros das avenidas. Homens em bando, de crachás e luvas nas mãos, óculos escuros e pouca conversa, cumpriam ordens e obrigações. Sua tarefa? Retirar tudo aquilo que polui o ambiente visual da cidade. Eu? Sigo juntando as peças de cada cena, pensando... 

Pensando sobre tempos severos de pessoas que sobreviveram à rigidez e brutalidade da educação de antigamente. Pensando sobre o amor daqueles que nada tem podem dar a outros seres muitas vezes abandonados por seus antigos donos. Pensando no sacrifício daquele que se sujeita a muita coisa para dar o melhor aos seus. Pensando que somos escravos e senhores, vítimas e culpados, cegos, inocentes e coniventes com todo tipo de sistema opressor que paira sobre nossas vidas... Apenas, pensando...

terça-feira, 27 de março de 2018

Apocalipse: caos sem calmaria


A desordem necessária que se instaura na escuridão da consciência maldita

Que produz efeitos contraditórios em pomposos discursos falaciosos

O caos imposto pela tirania egoísta e gananciosa do corrupto poder

Que viciosamente desfavorece as mazelas milenares dessa era

Informações manipuladas de inverdades e propagadas sob os holofotes do púlpito

O altar que já celebrara a morte e a vida agora vislumbra um palco de egos

Castelos de fé que se erguem às custas da miséria humana

Leis que sentenciam o maldito e miserável e absolvem os donos do poder

Falsos sacerdotes que discordam da paz que lhes tira a vaidade

Mundo sem caos que se afunda em sangue sem glória

Calmaria maldita que percorre em veias sistêmicas da cegueira sem razão

Ei Deus, cadê os dinossauros?


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Inquietações do mundo, desconstruções em mim


Em alguns instantes de puro devaneio várias questões me tiraram a leveza do descomprometimento universal. Sim, universal, pois esforcei-me para passar despercebido ao mesmo tempo em que nada quis enxergar. Tolo engano. Não tenho essa frieza viral dos donos do jogo sistêmico. Eles detêm as regras além do controle do tempo de jogo, bem como as cartas, os jogadores, a torcida, os juízes e tudo o mais que possam comprar ou usurpar. Esse tanto faz não me pertence.

Meus velhos fantasmas guerreiros ressurgiram e se rebelaram na fronteira do vácuo de meus pensamentos. Teimam eles em me interrogar sobre o sentido de estar aqui e agora. De modo massivo, questionam-me sobre o tipo de legado que estaríamos deixando, serão valores ou apenas instinto de sobrevivência que repassamos aos nossos? Dúvidas, incertezas, questionamentos, inquietudes...

Onde o ser humano existe irradia-se ambição, ganância, poder e destruição. Fato. E, à proporção com que isso se alastra, é descomunal e desproporcional ao se comparar com os poucos insurgentes que combatem o sistema armados apenas de esperança. Religiões de moral desvirtuadas e instituídas à base do sacrifício e da miséria humana formaram um verdadeiro império financeiro à custa da fé alheia. O resultado pode ser visto de algumas formas: para a massa, que tem sua fé manipulada e construída sem embasamento, custará o livre arbítrio e sua desobediência acarretará o castigo eterno (inferno); para os vendilhões e show-man's, que orquestram em seus palcos, altares ou púlpitos como instigadores do radicalismo institucional e do moralismo religioso, o resultado divide-se em poder, status, dinheiro e só.

E se elas (as religiões) continuam assim, o que se esperar de outros seguimentos como a política, por exemplo? Sim, as religiões não apenas "estão assim", elas "continuam assim" pois, desde os primórdios, sempre fizeram parte de algum golpe, alguma tragédia histórica, aconchavada com a política e com a elite interessada em poder, status e progresso, mesmo que tais ambições custem a vida e o sangue alheio.


Poucos são os que se revoltam com o que está imposto. Raros são os que ainda acreditam. Desapegar das instituições é um caminho não apenas de desconstrução que requer coragem, bom senso e, no mínimo, um pouco de esperança, mas não recear a solidão da estrada por onde andam todos os que se indispõem a conformar-se e a calar-se.

Acredito que, sendo devaneio, não tem começo nem fim. Não precisa ter uma resposta precisa diante de uma pergunta que nem sei qual é. Pouco me importa se a ala católica vai me excomungar por pensamentos que criticam o fanatismo doente da RCC, CN e outros afins, ou se ainda me indisponho e contrario os excessos moralistas incutidos nas entrelinhas dos documentos medievais... pouco me importa. Na verdade, foda-se! Aproveitando o gatilho, foda-se também os empresários da fé, de alas pentecostais, neopentecostais (primos mais velhos dos carismáticos católicos)...

Mais alguém? Vai um "foda-se" aí???