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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Vôlei: acolhida, empatia e respeito



A palavra é "acolhida". Quem chega numa terra estranha, num lugar diferente, num grupo desconhecido, sempre se vê perdido em meio a tantos rostos novos. O clima, o ambiente, as pessoas, tudo é novo. Geralmente cabe a um líder, ou alguém de mais empatia e sensibilidade quebrar o gelo e dar as boas vindas. 

Empatia, é dar o respeito merecido ao ser humano que chega ou que parte. Um mínimo de olhar para com quem se achega ao ambiente, ao grupo. É isso que geralmente falta em muitas denominações religiosas. 

A partir da teologia, posso dizer que já estive em diversos meios cristãos: linhas de frente, bastidores, grupos de massa (aqueles que querem te converter pela emoção forçada e forjada), e os grupos de base (os quais sempre centraram minha travessia e ajudaram a alicerçar o meu senso-crítico). 

Através da psicologia, venho me atentando, interiormente, esforçando para ter um olhar de acolhida, respeito, empatia, aceitando o diferente que me ajuda desconstruir e reconstruir-me cada vez mais humano.

Enquanto pessoa, luto para ser voz diante de tantas vozes sem vez, fazendo a minha parte num mundo hipócrita que cobra justiça e torce pela guerra. A luta é contra as máscaras-maquiadas que se matam pelo poder, sejam elas religiosas ou políticas. 

Através da poesia, eu me permito sonhar, ter fé, e coragem de lutar. Ela me conecta com as ciências, me  permite a transcendência entre os universos do sonho e da realidade. A poesia me faz ver a justiça em pé de igualdade, é arma de amor contra o ódio estipulado pelas religiões de poder. Ela anuncia, denuncia, ama, abraça, e acolhe as minorias. É a conexão entre ciência, fé, sonho, realidade, amor, coragem, luta e perseverança. 

Trago comigo um álbum de recortes de sorrisos, olhares de empatia, palavras de acolhida, alegria, determinação, em meio a gritos de vitória em cada passe que permite um bom ataque. 

Poesia e esporte, mais uma base que alicerça minha caminhada. Não foi fácil chegar até aqui. Em vários momentos eu me vi parando em qualquer estação da vida, e me encostando sob uma sombra qualquer à espera do tempo e do fim... Mas, não era pra ser assim. E não foi! 

Entre lágrimas de desespero, e abraços de coragem, cá estou. Um sobrevivente de lutas invisíveis, de sofrimentos palpáveis como a de qualquer outra pessoa. Vi muita gente abdicar de sua existência por não se enquadrar em nenhum modelo ou padrão social. Porque pra você existir, ser reconhecido, precisa fazer parte de regras arcaicas as quais os hipócritas julgam ser morais e de bons costumes. Querem nos enquadrar naquilo que os donos do poder consideram como normal e são. 

Não quero ser normal pra me enquadrar. Prefiro a insanidade de quem pensa por si só. Um maluco beleza e pronto. Só quero ter a liberdade de escolher o meu próprio padrão. Não quero seguir modas. Quero só o tempo para viver ao lado das pessoas que me fazem bem, que eu gosto, que eu amo, e juntos praticarmos seja a teologia, seja a psicologia, seja a poesia, seja o esporte, seja um mix temperado com muita alegria, respeito e amor. 

É isso. Voltar ao vôlei me trouxe vida, sobrevida de um tempo difícil. Encontrar pessoas alegres, que deixam suas armaduras de lado quando entram em quadra me fez olhar ainda mais a fundo o ser humano. É possível fazer a diferença com poucas coisas, em pequenos gestos. É sobre isso: acolhida, empatia, respeito. E são essas as palavras que me trouxeram até aqui para agradecer a cada um e cada uma que pisa nessa quadra. 

By 
Vôlei Roosevelt
Vôlei Corujinha

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Aos Jarrões

*Foto, da esquerda para a direita:
Parte superior: Gustavo, Ailton;
Em pé: Maycon, Alex, Fábio, Neyhilton
Retratista: Ricardo


Era uma turminha da pesada
Que na verdade eram duas
Da rua de cima e da de baixo
Cada uma na fachada sua

Corre daqui, corre de lá
Perseguidor e perseguido
Ora correndo feito mocinho
Outra vez como bandido

Não havia mistura nem papo
Mas sobravam esbarrões e encarada
Foram tantas tretas na rua
E uma hora acabou em porrada

Um dia, por fim, tudo parou
Tinha um centro que era de lazer
Como dizem as velhas frases
Foi o esporte que fez acontecer

Jogo de vôlei ao sol do meio dia
Só tinha água da torneira
Sem misturar as turmas da correria
Pra'guentar a tarde inteira

Os finais de semana se intensificaram
Não havia prosa entre as duplas
Não tinha mais briga de rua
Mas no vôlei permanecia a disputa

As barreiras se rompiam
À medida de cada partida
Já havia muitos sarrinhos
E a parceria pra toda vida

De arqui-inimigos a colegas
De amigos a irmãos
Essa tribo já tinha suas regras
Jogar vôlei e entornar o canecão

Uns comiam com farinha
Outros bebiam só um tantaço
Uns jogavam com bronzeador
Outros chapados e bebaços

O tempo passou e a amizade cresceu
Passeios, festas e baladas
E até nova correria aconteceu
Com as duas turmas do mesmo lado

Cada um seguiu seu caminho
E a turma então perdeu o contato
Mas o tempo não apagou
A história daquele retrato

O que um dia selou
Não tinha como se romper
O mesmo tempo que também separou
Fez de novo tudo acontecer

Ex-rivais, agora amigos
São irmãos do coração
São os frutos de uma era
É a Turma do Jarrão

* Foto, da esquerda para a direita:
Em pé: Neyhilton, Alex, Ailton, Fábio, Wilson, Gustavo;
Agachados: David, Ricardo;
Retratista: Maycon.