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segunda-feira, 1 de julho de 2019

1000 x foda-se



Enfim chegamos à marca dos 1000 escritos, ou 1000 postagens. E sabe o que isso significa? P***a nenhuma! 

Dentre as várias ideias de como prosseguir com este blog pensei em deixa-lo morrer aos poucos, sem postagens futuras, na certeza de que já cumpriu o seu papel e agora é chegada a hora do repouso eterno dos justos. 

Escritos em Tempos é um verdadeiro diário de bordo,  pois guarda desde os primeiros poemas do antigo colegial (1993) até os escritos em meados de 1999 e depois entrou num sono profundo de dez anos, ressurgindo em 2009. 

É certo que antigamente todas as anotações eram feitas em agendas e cadernos ou, no máximo, numa pastinha no computador, e demorou muito tempo para transpor cada texto aqui para o blog. Fiz questão de manter até mesmo os erros ortográficos da época. O primeiro título desse blog foi "Escritos: Cantos & Encantos da Vida" (2009). Passado algum tempo foi rebatizado de Escritos em Tempos.

Outra possibilidade seria criar um novo blog, outro espaço, porém, dando uma refinada no layout, nos temas e principalmente nas postagens. 

Tudo certo mas nada resolvido! 

O fato é que escrever é bom, muito bom. Terapêutico, por sinal. Um vício bom, um passa tempo, momento de extravasar, espaço de confidências, entrelinhas que são percorridas com lágrimas, suor e sangue, dores que refletem na alma, gritos e silêncios, fé e desesperança, amor e ódio... Tudo cabe, tudo pode, mesmo o mais gostoso dos pecados (seja qual for o seu) é permitido. As linhas não mentem nem escondem os sentimentos, tudo depende da óptica que se lê e de onde se enxerga. Não basta ver apenas... 

As posições aqui são claras. Encontrar os que se agradam com a mensagem é bom. Ouvir que as pessoas se identificam é ótimo. Mas, também não me impressiona, nem me deixa desanimado encontrar os que não comungam de algumas ideias e ideais. Que bom que existem posições contrárias, que não somos iguais em tudo. Imagino que seria chato se todos gostassem das mesmas coisas. 

A única coisa é que não abro mão de pensamentos para agradar a terceiros. Uma outra coisa é fato: transparência! Exceto, em casos que me dei conta de ter feito comentários que não acrescentaram em nada, e ao contrário, causaram certa incompreensão entre alguns espaços em que convivo. Teve um caso que, passado alguns anos de uma postagem a qual teci críticas aleatórias e sem embasamento, fiz questão de escrever um pedido de "desculpas" formal. Mantenho ambas as postagens, a da crítica e o pedido de desculpas. É bom estar em paz e de consciência tranquila.

Por outro lado, têm coisas que não me tiram a tranquilidade: tecer críticas de viés religioso, os exageros de maneira geral, principalmente sobre a minha religião, e também sobre política. Apenas penso que, de maneira laica e sem envolvimento político, se o assunto em questão traz benefício para todos então merece elogios, do contrário, não poupo críticas, tampouco o uso de qualquer palavra, por mais pesada que seja. Foda-se!

Ah, quantos "foda-se" estão aqui, soltos pelas águas desses 1000 escritos!... Mas, quantos momentos de descontração, de emoção, de perdão e principalmente de libertação que essas águas me trouxeram, não foram poucas. Já fiz monólogo, diálogo entre meus "eus", pedi explicação pra Deus, enxerguei a covardia de alguns humanos enquanto culpavam o pobre diabo para se isentarem de suas merdas... E viva la hipocrisia! Essa, com certeza é uma das piores características do tal humano. 

Bom, diante de todas as incertezas quanto a este espaço, penso que ele ainda será eterno por mais que o tempo entre uma postagem e outra seja grande, repleto de desertos, montanhas e rios... Uma hora a gente se esbarra, se reencontra, têm um dedo de prosa e coloca os assuntos em dia. 



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Subversivando


Do tempo ao tempo procuro meus dias
Os que passaram, os que virão
Deitado na rede dos sonhos
Ora agarrado na soleira da esperança
Ironizo as dores que o corpo carrega
E aniquilo os algozes que o mundo impõe

Rasgo as regras que as sociedades forjaram na lama
E aos senhores de leis de templos e palacetes
Que manipulam destinos em nome de si
Deturpam verdades e promovem desesperança
Com o suor alheio de quem sobrevive
Vendem a fé e corrompem justiças
Meus punhos subversivos permanecem cerrados

Debruço-me na terra que foi regada de vida
As flores nascentes já tem na veia o sangue
E a utopia eterna que inflama a alma
Saúdo a história vivida com fé
Brindo o futuro sem rumo que espreita
E na certeza dos passos a luta prevalece
Na saudade de um tempo que não se vendeu
E guardou na memória as lições que aprendeu

Nos dias de guerra, nos dias de glória
Desapego das regras e me apego nas causas
Se a lição deixada continua sendo o amor
Entendível está a banalização da mensagem
Que no final da sentença o que se almeja é o poder
Na mente corrompida de quem desconhece o legado
E alimenta a vaidade de seu ego de trevas
Mas um dia esta terra sem lei que alimenta hienas
Que para poucos foi palco de vida e de sonho
De tempo e de história, luta e fé
Se deitarão os justos na honra de suas almas
Enquanto os vendilhões dessa terra afogarão em suas lamas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Asas podadas renascem

Quis o destino lutar contra o tempo
Rasgou o limite do céu e secou o mar
Invadiu à espreita o sagrado do meu sertão
Fechou a cortina da janela de minh'alma
Cortou-me as asas e roubou-me o sonho
Sequestrou de mim, sem cautela, o vento
Para que o meu amor eu não pudesse alcançar
Enterrou minhas próprias lágrimas no ar
E na terra sangrou minha alma
Asfixiou os meus planos
E carregou minhas asas para longe
As asas do meu anjo por quem lateja o coração
Mas para onde quer que elas voem
Voltarão um dia para me buscar
Afinal, anjos não voam só
E o destino já fadado em seu próprio inferno
Não sobreviverá o suficiente para intervir no tempo
Asas podadas renascem e se abraçam para o voo eterno