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domingo, 8 de março de 2026

Dia internacional da mulher - por Manu



O texto a seguir foi escrito pela minha sobrinha de 11 anos, Manuella. Fiz questão de ajustar o mínimo para preservar o texto e o pensamento da autora mirim. Mais que motivos para se orgulhar, é a satisfação em perceber que ela cresce e amadurece com consciência. Que possamos criar cada vez mais espaços para debate, o conhecimento e a informação. Parabéns Manu. Titio tá orgulhoso. 

08 de março. Dia internacional da mulher. Esse, não é apenas um dia para dar buquê ou presente. Essa data celebra a luta da mulher por igualdade e direitos, porque na nossa sociedade, desde sempre, ela morre pelo fato de ser mulher. Já os homens não passam por isso.

Nós, mulheres, muitas vezes somos vistas como fracas, como se não conseguíssemos fazer determinado esporte ou exercer alguma função em algum trabalho que antes só homem ocupava. Diversas coisas acontecem conosco, mulheres, como assédio e estup.

Na nossa sociedade mulheres não são qualquer coisa que alguém pode abraçar e fazer o que quiser.

Um evento trágico foi o ocorrido em 25 de março de 1911 em Nova York (EUA). Muitas mulheres jovens, grande parte imigrantes, trabalhavam em uma fábrica em que as condições de trabalho era muito ruins. Salários horríveis, jornadas longas e pouca segurança. Nessa data ocorreu um incêndio na fábrica e como algumas portas estavam trancadas muitas trabalhadores não conseguiram sair a tempo. 146 pessoas morreram, sendo 123 mulheres e 23 homens.

Esse acontecimento chocou o país e fez com que diversas pessoas começassem a lutar por leis de segurança no trabalho e melhores condições para os trabalhadores, especialmente para as mulheres. Por causa desse acontecimento ocorreram muitos protestos. Devido a outros acontecimentos ocorridos no mundo, 08 de março passou a simbolizar a luta das mulheres por direitos, respeito é igualdade.



08 de março - Dia Internacional das Mulheres


 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

E quem disse que deu certo?



E quem disse que deu certo? 
Temos a grande mania de julgar, se uma relação se inicia da noite para o dia e parte para um envolvimento mais sério, nós julgamos. Se uma relação demora muito tempo para se efetivar, e partir para algo mais sério, como noivado e casamento, nós também julgamos. Qual é o tempo certo? Qual é a nossa média padrão, e baseada em que? Se for aquela média baseada nos nossos familiares mais antigos, pais, tios e avós, que tiveram relações duradouras e, talvez, a única relação em suas vidas, 30, 40, 50 ou mais anos de convivência, de matrimônio, isso significa que deu certo? Sim. Mas, pode não ter dado certo também.  

Quem disse que ser duradoura significa que deu certo? 
Sabemos o quanto as relações foram sufocadas pelas regras sociais e familiares impostas, em épocas em que o conservadorismo falava muito mais que o próprio sentimento; épocas em que era muito mais valorizada a moral, os bons costumes sociais e familiar, na qual as relações eram obrigadas a se manterem em pé, disfarçadas, porém não vivas, mesmo que fosse ao custo do sacrifício e da infelicidade, principalmente, da mulher. 

E quem disse que deu certo? 
Isso não é um convite tampouco uma instigação às relações curtas e sem compromisso, ao contrário, é uma convocação à reflexão de que tudo o que não gera felicidade, não gera paz, e acaba se tornando uma prisão, está longe de ser uma relação. Portanto, partindo da reflexão, partindo da escolha pela liberdade de viver sentimentos libertadores e com reciprocidade, envolve muitas vezes, mudanças radicais, cortes com regras sociais para então ressignificar sua vida, sua existência, e se permitir viver o seu propósito, criando o seu próprio padrão de existir. 

Apesar da febre ultraconservadora, as lutas em diversas áreas e seguimentos, tem proporcionado mais voz a quem antes não tinha sequer o direito de voto. Isso não é apenas romper padrões. Isso é romper com o silêncio sentenciador imposto pela sociedade patriarcal, com base forte na religião e na política. Hoje já conseguimos saber de relacionamentos com 30 ou mais anos que romperam. Gerações mais novas estão mais fortes para essa tomada de decisão, quando necessário. 

E quando essa atitude é considerado necessária? 
Quando o respeito é deixado de lado, principalmente. Quando o desrespeito impera, o sentimento já era. Se não houver algo que interrompa esse ciclo constante e impeça a reincidência, para o bem da relação, a tendência é uma espiral descendente para um fim único, de agravos e até possíveis tragédias. 

A cultura atual, tem ajudado as mulheres e outras minorias a conseguirem visibilidade, voz e vez. Com tanta exposição de casos fatídicos de relações com fins trágicos e, outros casos em que se conseguiu quebrar as correntes da prisão tóxica e se libertar para a ressignificação da vida, têm contribuído para que as pessoas, em especial as mulheres, não se permitam mais viver sob a custódia de um pseudo-conservadorismo que facilita a vida do homem, mantém o estigma do patriarcado que, por sinal, é retirado aleatória e ignorantemente de contextos religiosos (bíblicos) e validado por uma política machista ultrarradical que deturpa o real significado do que é relação e família, enquanto a mulher ainda é mantida no cárcere da submissão, da insignificância sob a tutela de um discurso falido, medíocre e hipócrita.

Por outro lado, deu certo sim. Deu certo enquanto houve reciprocidade, enquanto durou e até o momento em que não houve danos colaterais.


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Resenha - O Martelo das Feiticeiras


Essa obra retrata, logo em suas primeiras cinquenta páginas, o quanto a mulher tinha um maior papel de destaque e importância em outras épocas, e aborda sobre como o patriarcalismo foi tirando-a de seu protagonismo, deixando-a em segundo plano, e colocando o homem como centro de tudo, seja na sociedade, na família, na política e em especial nas questões de fé e nas religiões. Vale muito a pena essa leitura, sem contar que esse livro retrata como e porque muitas mulheres foram consideradas bruxas e, por tal, condenadas e sentenciadas às mais diversas penas de morte, como a fogueira, forca e outros mais atuais como o apedrejamento. Sendo tudo isso de responsabilidade da famosa "Santa Inquisição", ministério da igreja católica na idade antiga e média, e atualmente extinta. Em sua segunda parte, esse livro traz o manual da inquisição:  como reconhecer as consideradas bruxas, sentenciá-las e aplicar-lhes a pena devida.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Adão & Eva: o peso da culpa recaído sobre a mulher e outras teorias.

 


O texto de hoje na verdade é um diálogo que se iniciou quando o jovem Mateus (*), estudante de psicologia na mesma instituição em que também estudo, procurou-me com alguns questionamentos que aguçaram e muito o meu pensamento. A partir daí, a conversa foi se desenrolando. Fiz questão de colocar tudo da forma como se deu para não perder nenhum detalhe. E, como eu disse ao próprio Mateus, "esse bate-papo merece destaque".


Mateus: Bom dia Ailton, estava procurando o seu contato pra falar a respeito de uma teoria que pensei enquanto estava com insônia.

Ailton: Bom dia. Tudo bem?

Mateus: Tudo jóia. Enquanto eu estava com insônia, estava pensando a respeito de Adão e Eva e minha teoria tem a ver com isso e, por você ser Teólogo, vai saber me falar se faz sentido ou não.

Ailton: Claro, vamos decifrar seu pensamento... rs. Bora. Se preferir mandar áudio, fique à vontade.

Mateus: A minha teoria é a seguinte ... O "fruto proibido" nunca foi um fruto e a "cobra" era Lúcifer. E na minha teoria o fruto proibido seria o sexo. Eva transou com Lúcifer porque foi tentada pela "cobra" kkkkkkk. Com isso ela fez o mesmo com o Adão. Tiveram o primeiro filho que seria o Caim. Que é filho de Lúcifer e Eva. E pela essência do pai dele, ele acabou cometendo o primeiro assassinato no mundo contra o meio irmão. Botou o pé na estrada. E fez filhos.

Ailton: Certo. Vamos por partes...

Mateus: Como diria o Jack Estripador ... Vamos por partes.

Ailton: Em primeiro lugar é necessário compreender que Adão e Eva na verdade não passa de um conto. Não chega nem a ser uma lenda porque nunca existiram de fato. São personagens fictícios criados para contar a história do nascimento humano, do universo e da vida em si, a partir de uma teoria religiosa construída desde há muitos milênios atrás, muito antes de Cristo.

Ailton: Desculpa se estou sendo muito detalhista, mas vou tentar descrever de uma forma que, seria o jeito que explicaria para qualquer pessoa, independente do seu grau de conhecimento, fé, crença ou coisa do tipo. Então, desculpa se eu disser coisa que talvez, vc já saiba...

Mateus: Tranquilo.

Ailton: Sua teoria é interessante mas não tem embasamento nas histórias descritas no único livro que a conta, que no caso é a Bíblia (seja ela de qualquer religião cristã). Talvez, numa outra religião ou seita, sua teoria já até tenha sido mencionada e estudada. Quanto a isso não posso dizer, porque desconheço.

Ailton: A cobra no caso, tem muitos pensadores e teólogos que trazem diferentes interpretações. Eu, ainda penso, que ela (a cobra) seja apenas o nosso pensamento. E, como tal, o pensamento está incutido em nós, faz parte do nosso ser. Temos no caso a possibilidade de pensar coisas positivas ou negativas, e consequentemente bota-las em prática. Ou, podemos dizer que temos o anjo bom e o anjo mau, ou ainda, o lobo bom e o lobo mau. Basta saber qual devemos controlar e qual devemos acessar.

Ailton: Sua teoria seria perfeita para uma continuidade da série Lúcifer. Pois, seria algo a ser explorado a fundo por pesquisadores que se desdobram para construir uma ficção em cima de algo que, há muito tempo, faz parte da crença, da fé e da religiosidade de grande parte da população mundial.

Mateus: Nunca assisti essa série. Por preguiça kkkkkkk.

Ailton: A cobra representa o mal, entre Adão e Eva no paraíso. Seu papel é o de instigar o casal a fazer aquilo que não deveria ser feito. Por outro lado, pense, se o sexo já existia desde sempre para a procriação, por que ele seria algo considerado como fruto proibido? Ou seja, o sexo, como parte da criação também deveria ser algo abençoado por Deus. E é, sem sombra de dúvidas. Então vamos além...

Ailton: O que de fato estava impedido de acontecer, que era considerado o pecado dos pecados seria o "prazer". O prazer conseguido através do sexo. E por que a mulher em si, no caso EVA, que foi a que ousou comer desse fruto proibido? Porque na verdade, desde sempre a mulher era proibida de ter o seu prazer; ela, sequer, tinha direito a qualquer tipo de expressão na sociedade de sua época. Se ainda hoje temos essas diferenças, imagina a 2000 ou 5000 anos atrás !?

Ailton: É interessante, sátiro, a forma que a série recoloca o Lúcifer no papel da sociedade. Te indico pra assistir com olhos abertos e pensamento livre, encarando como um gênero de humor e com questionamentos que até o momento nenhuma religião foi capaz de fazer.

Ailton: Naquele momento somente o homem sentia prazer. E percebemos que isso ainda acontece nos dias de hoje. A história bíblica conta que a mulher saiu da costela de Adão. Mais uma história de submissão e pertencimento. A mulher pertence ao homem. A história foi escrita por homens e não por mulheres. Até mesmo algumas histórias bíblicas, em que a mulher é protagonista, foram escritas por homens. Ainda existem países e religiões em que a mulher não tem vez, nem voz, e tampouco pode sentir prazer. Alguns lugares ainda mutilam as mulheres para que não sintam prazer, cortando seus clitóris.

Ailton: A bíblia, demonstra o tempo todo que a mulher devia exercer apenas um papel de submissão. Nem nos templos ela podia entrar. Colocaram essa conta nas costas da mulher, que o pecado entrou no mundo quando Eva deu ouvidos à cobra e cedeu a tentação. Consideravelmente um pensamento machista.

Ailton: Eu acho inviável que essa teoria (a sua) seja uma possibilidade dentro do contexto bíblico em que o texto foi descrito, levando em conta principalmente a insignificância do papel da mulher na sociedade da época. 

Ailton: Por outro lado, acho uma teoria muito interessante, porque se de fato ela transou com a cobra, essa cobra teria se materializado feito homem, então não havia apenas Adão e Eva, mas muitos Adãos e muitas Evas, ou seja, era uma sociedade. Então Eva, impossibilitada de ter prazer com seu parceiro, encontrou prazer nos braços de outro homem, o que a fez descobrir-se enquanto mulher e, dessa forma pode conhecer o prazer. Foi descoberta e de certa forma amaldiçoada. E, pode ser, nesse caso, dentro das perspectivas de sua teoria, que esse primeiro filho tenha sido fruto de um adultério, ao mesmo tempo, fruto de um amor extraconjugal no qual ela descobriu-se enquanto mulher.

Ailton: Irmão, o baguio é loko! rsrs. 

Ailton: Já viu um vídeo do pastor Marco Feliciano dizendo que a África era amaldiçoada? Vou te mandar. Cara, olha a que ponto chegam os idiotas! Isso porque são líderes religiosos...

Ailton: https://www.youtube.com/watch?v=e9QGVliE-p8

Ailton: Bom, não sei se pude contribuir com seu pensamento, com sua teoria, mas de qualquer forma te agradeço pela confiança em partilhar. Questionamentos assim fazem a gente parar e refletir. Sua teoria me auxiliou a rever alguns conceitos. Obrigado. Qualquer coisa me chama aqui. E quero saber o que você achou de tudo isso acima

Mateus: Caraca ... Explodiu minha mente kkkkkk.

Ailton: Espero que junte tudo de volta e de forma turbinada rs.

Mateus: Perfeito ! É exatamente por isso que eu vim atrás de você ! Acho você uma pessoa muito mente aberta e muito inteligente e acabou abrindo a minha mente pra novas teorias também kkkkkkkk.

Mateus: Me senti recebendo uma aula! E que aula ... Assim que eu entrar no horário de almoço eu dou uma olhada, mas eu acredito que eu já vi esse vídeo e fiquei em choque com o que foi dito quando vi pela primeira vez

Ailton: Que isso irmão! Somos todos aprendizes. O simples fato de você me questionar, me aguçou a pensar. E pode ter certeza, o papo de agora é único, pois nunca o tive com ninguém. A aprendizagem é sempre uma via de mão dupla. Seu questionamento me fez ter percepções que até a pouco estavam apagadas ou nem as tinha de forma elaborada na minha mente. Pode ter certeza que eu aprendi muito mais...

Mateus: Um bom mestre é um eterno aluno

Ailton: Obrigado Mateus, por me propiciar esse momento de aprendizado mútuo. O mundo, a sociedade em geral, precisa de pessoas com senso-crítico, que pensem e questionem antes de aceitarem toda história contada como verdade única. Parabéns, jovem!


* Mateus de Souza Barbosa
21 anos
Estudante do 4º período de Psicologia Ψ - Unitri 
Insta: @mateussouzabarbosa


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mulher ao Extremo


Ela. Manicure e do lar. Desde sempre. Casada. Três filhos. Marido alcoólatra. Ele perdeu o emprego. Divorciaram. O filho primogênito entrou para o tráfico. Andou preso. Tornou-se pai. Ela cria e cuida do neto. O mais novo percorreu o submundo das falsas seitas. Depois também andou preso. Mesmo motivo. O do meio morreu. Acidente vascular cerebral. A vida da Mulher reduzira-se a decepções e superações. O câncer decepou-lhe um seio. A pouco fez implante de prótese num dos ossos da perna. Câncer novamente... Nada disso tirou-lhe a fé! Sim! Esta Mulher existe. Eu a conheço. E por motivos vários seu nome fica registrado apenas como Mulher. Mulher ao Extremo. Diante de tantos cenários sua alegria permanece a mesma. A mesma voz. O mesmo empenho. O mesmo brilho no olhar. O mesmo jeito. Apesar do peso acarretado pelo tempo, sua esperança é vibrante. Apesar de todas as peças que lhe foram pregadas no palco de sua vida, seu protagonismo é ímpar. Sua fé é invejável. Que essas palavras lhe sejam levadas pelo tempo, pelo vento, pela brisa, em forma de oração. Oração que fez da sua vida uma inspiração...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A velha senhora e o seu velho cachorro - II


Eu te vi
Mais um dia
Numa tarde de um inverno brando
Você estava ousada
Toda de vermelho
Cabelos soltos e molhados
Caminhava lento
Não se importando com o tempo
O horário era o mesmo de sempre e sagrado
Entre um passo e outro uma pausa
Um olhar para frente
Outro para os lados
Para aquele que te conduzia
Ora que tu o arrastavas
Velhos companheiros
Teu fiel e cão escudeiro
De tantas histórias vividas

Semblante sereno e desapressado
A única preocupação talvez
Fosse fazer o velho trajeto de hoje
Com a mesma pressa de ontem
E a vontade de repeti-lo amanhã
Levando e sendo levada
Uma mão na corda que segurava o amigo
Outra na bengala que lhe dá mais firmeza aos passos
Nada diferente de outros dias 
Meus olhos pararam para te seguir
O meu tempo estava mais apertado que o seu
Não pude acompanhar seus poucos passos
Mas sabia que amanhã e depois 
Outra vez te reencontraria na mesma esquina
Que se tornou o nosso ponto de encontro
Encruzilhada da vida

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Roupa de Missa


"Recordar é viver." Realmente, e como é bom recordar momentos especiais e pessoas importantes em nossa vida! E é com essa nostalgia que me pus a adocicar o dia com pitadas de boas lembranças regadas de muita saudade. 


No tempo em que morava com meus avôs Joaquim e Iolanda, onde tinha o meu cantinho com todas as minhas roupas, violão, cadernos e uma caixa de brinquedos guardada debaixo da cama, trago muitos ensinamentos expressados de maneira simples mas com uma profundidade de sabedoria indescritível. 

Parar e voltar o pensamento no tempo tem um significado enorme para mim. Não se basta em simplesmente lamentar e chorar pela ausência dos que amo. Vale também celebrar sua Páscoa, sua partida até o lugar que acredito que um dia nos reencontraremos.

Das frases guardadas no baú do coração tem uma que vem à mente cada vez que compro uma roupa nova. "Roupa nova é roupa de Missa!", dizia minha avó. E assim se procedia. As roupas recém compradas eram usadas primeiramente para ir à Igreja, na Missa no domingo de manhã. Era uma espera ansiosa mas valia a pena. Depois, já podia usá-las para outras ocasiões. 

De certa forma sua fala reflete até os dias de hoje. Por mais que eu não cumpra esse preceito tal como me foi passado ainda assim coloco-me a pensar na importância que minha avó dava ao Sagrado, o carinho com que me educava nos conformes da religião e o respeito que tinha para com a Igreja.

Respeitar sem questionar. Assim que sua educação foi baseada. Sei que ela quebrou barreiras para poder dialogar com o meu tempo. Acompanhou até aonde pode. Depois trilhei meu próprio caminho. 

Hoje, tanto tempo depois, eis que estou a interpretar o sentido das poucas palavras dessa frase que ouvi. A 25 ou 30 anos atrás não havia possibilidade de tantos questionamentos, nem tampouco a liberdade religiosa. Ou era de Deus ou era do diabo. Fazer o contrário do que a Igreja pregava era ruim. Era como ajuntar pontos negativos até o final de sua existência e no dia de sua passagem tudo lhe seria mostrado e pesado na balança: boas e más ações. Do resultado a sentença seria dada: céu ou inferno. 

Vó Landa tinha um zelo enorme pela Igreja, um amor admirável. Legião de Maria, Apostolado da Oração, Grupo de Oração e principalmente a Missa, não media esforços para dedicar seu tempo. Dia de novena de Nossa Senhora Aparecida não perdia uma. As rezas da Campanha da Fraternidade, do Natal e outras também estava lá. Queria me ver tocando violão na igreja. E eu o fiz. Mesmo em dias que demorava a voltar do passeio do sábado, as 7:30 horas da manhã de domingo já estava a postos para a Missa. Ai se não fosse!

Seu entendimento era limitado, tanto quanto sua pouca leitura. Praticamente soletrava picotadamente cada palavra quando se dispunha a ler a Bíblia. E lia todos os dias. Sabedoria, fé, respeito, amor, é isso que se resume aquela frase. Talvez quem leia ache graça ou até mesmo um absurdo, em dias de tanta tecnologia e liberdade desmedida, alguém se prestar a encontrar sentido numa frase dita a um adolescente a 30 anos atrás. Não importa! Cada um carrega e guarda aquilo que lhe convém. 

Estudarei eternamente tentando encontrar respostas para o sentido das coisas, frequentarei academias e me dedicarei a compreender ao menos um pouquinho sobre a fé que move montanhas mas tenho certeza: jamais alcançarei a sabedoria que eles tinham; jamais possuirei a fé que eles viviam. Levarei, então, por toda a minha existência tudo quanto eu puder carregar de seus ensinamentos, de suas sabedorias, de suas vidas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A velha senhora e o seu velho cachorro


Todos os dias, entre uma jornada e outra, um período e outro, passo quase sempre pelas mesmas avenidas, ruas e ruelas até o destino que me aguarda. Entre idas e vindas, recorto com olhares atentos as paisagens que a sobrevivente natureza teima tanto em presentear a quem pouco se importa com ela. Contemplo as mesmas paisagens, por vezes os mesmos personagens, cada um com sua pressa e seus afazeres. Tantas vidas que se cruzam. Tantos destinos que seguem, cada um rumo ao seu objetivo. 

Sigo um protocolo no tempo, pra não chamar de uma rotina sã, que de certa forma me guia para um determinado fim. Em meio a tantas regras é permitido ainda apreciar, degustar, aprender e crescer. Basta que haja um minuto de desatenção, desatenção daquilo que nos aprisiona sem mesmo sabermos direito como e porquê. Basta uma boa dose de "vida" no âmbito de cada regra. 

Seguir o protocolo, ou melhor, as regras não é o problema. Eles foram criados, de certa forma, para gerar segurança e facilidades, no mínimo. O maior mal nisso é que as pessoas, com o tempo, ficam tão habituadas em cumprir com suas tarefas que acabam se tornando verdadeiras máquinas. Tão frias e descuidadas de si mesmas, como esperar que se atentem a enxergar o belo nos detalhes que as cercam?

E num desses cruzamentos em fim de tarde, após o expediente de trabalho, quase sempre encontro uma velha senhora passeando com seu velho cachorro. De vestido florido e longo, uma blusinha de lã por cima, meias e sandálias, que por meus olhos e sentimentalismo poderia muito bem dizer que está tipicamente de vovó. 

Segue a senhora num lento caminhar, com uma das mãos apoiando numa bengala e a outra segurando o seu companheiro. Ele, o cão, com uma certa vestimenta, de coleira e bem cuidado, também segue no ritmo de sua dona. Ambos não têm mais a pressa ou a necessidade de se cumprir com as regras que virariam rotina. O protocolo que cumprem nos fins de tarde na verdade não o são. São meros momentos destinados ao deleite, ao desfrute da companhia fiel. 

Por vezes me pergunto se é a senhora que leva o cão ou o cão que conduz a senhora. Não sei. E também não me importa. O que sinto e degusto sem palavras, no silêncio do coração é que há uma mística nesse protocolo. Há uma pureza nos detalhes, nas ações repetidas de todos os dias. Este sentimento, se assim posso dizer dessas sensações que me guiam à reflexão, simplesmente não tem explicação. É preciso apenas se atentar.

Nunca sei quanto tempo dura o passeio da velha senhora juntamente com o seu velho cachorro. O protocolo que sigo, na rotina do tempo, ou o tempo em si, não me permitem sequer acompanhá-los para saber mais, para apreciar mais aquilo que eu ainda não sei fazer com calma. Não sei nada desta personagem que cruza o meu caminho, sem mesmo saber que já se tornou parte do enredo de meus pensamentos e reflexões. Não sei de sua escolaridade ou se ela tem, além do seu fiel cãozinho, filhos, marido, parentes... Enfim, nada sei.  

E assim, como esta dupla que me encanta nos dias que os encontro, existem tantos outros personagens de naturezas diversas, pressas variadas, temperamentos absurdos que atravessam nossos caminhos feito vento. Não vemos de onde vem, nem para onde vai, mas que de certa forma sentimos, ou vemos, ou assistimos, ou sorrimos, ou quem sabe, além do protocolo, aprendamos vivendo...

Por mais um dia, de vida, que vivo e cumpro sagradamente no protocolo diário, estabeleço a relação mística e sacra com a própria vida, dádiva e divina, à qual me impulsiona e me faz atentar a não me tornar refém de uma rotina fria e sem sabor. Com tantos personagens que meus olhos vislumbram, com tantos cenários que eles enxergam e recortam, faço deste desfecho um agradecimento silencioso ao Deus da Vida que com ela me (nos) presenteou (...).

domingo, 11 de maio de 2014

Mãe



Mãe...
Pensei num poema, pensei em flores, pensei em música
Pensei qual seria a melhor forma de te homenagear
Pensei qual seria o melhor presente para te agradar e te agradecer
E concluí que não existe "essa forma", e nem um presente que contemple
Sei que esse dia é meramente simbólico, pra não dizer ilusório
Entendo melhor como uma maneira de parar tudo
E voltar os olhos totalmente para você mãe

De tudo o que me deste nada é mais valioso do que tua perseverança
Posso dizer que tua vida, de muitas lutas, difíceis lutas é a minha herança
Tua determinação, seu ponto forte, também se tornou meu lema
Sou feliz, por ter nascido do teu ventre
Eu não poderia ter sido abençoado de outra forma
Parabéns por todos os dias que você tem sido não apenas Mãe...
E obrigado, apenas obrigado por ter sido sempre essa Mulher
...Amiga, Companheira, Guerreira, Dedicada, Forte, Exemplo de Superação,
Sempre pronta para se doar e por quê não dizer se dar de corpo e alma...
Mãe, minha super Mãe, Te amo!!!

Feliz todos os dias de sua Vida,
Feliz todos os dias de Mãe!!!


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Que saudade desse abraço!



Tá aí uma foto que marcou meu dia de ontem!!! nossa Que saudade dessa pessoa!!! uma tia, amiga, sempre aconselhando e cuidando de mim com muito carinho!! Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... 

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... 

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados... 

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... 

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! 

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... 

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... como sinto sua falta tia!!Emocionada!!! Que saudade desse abraço!!!

Por: Richeli Svencickos Rueda
https://www.facebook.com/richeli.svencickosrueda

"Obrigado prima, por tão belas palavras de carinho e puro sentimento. Não importa o quanto o tempo ou a distância ou quem sabe os fatos e caminhos da vida nos tenha separado, pois quando vemos fotos como essa, de uma certa forma trazemos para perto todos aqueles que amamos incondicionalmente. Lembramos dos amigos, os ex-amigos, os parentes de perto e de longe, os presentes e os ausentes, e principalmente aqueles que já se foram mas que deixaram em nós uma semente de vida, de alegria e de fé que nos norteia em nossa eterna travessia." Ailton Domingues de Oliveira

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz dia Internacional das Mulheres!





"E o que dizer?
E o que fazer?
E como seria
Sem sua doce existência?
Um mero mundo sem cores
Sem sabores, sem frescores...
Mas, tu, és divina, 
Angelical,
Tão única, tão digna, 
És Mulher!
És vida, és alegria
Força e Coragem 
Destreza e leveza
Em doses de luta
E de poesia:
Mulher!
Sem tu, nada haveria
De pranto, de encanto
De céu e de magia
Nem canto
Se ouviria
Pois cada canção
Seria em vão
Se não batesse alto
Teu guerreiro coração..."

Feliz dia Internacional das Mulheres!!!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Soneto em tom de SI para MI





A musa das minhas loucas paixões
Em insanos pensamentos me arrebata 
Pro céu do sonho intenso, nesse ensejo

Exalaste no tempo em fortes extensões
O perfume do sentimento contido que mata
E carregaste em si o antídoto pra curar esse desejo

No desfilar de teus passos
Em sintonia com teu doce olhar
O mundo que se paira em teus compassos
Meu corpo e coração já a postos à te procurar

No aguardo, nesse manso regaço
De você ao meu encontro caminhar
E deliciar-me nos teus braços
Até não poder mais deixar de te amar

http://www.youtube.com/watch?v=CVnXmAtzMLw

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pensamentos - "Gotas de pensamentos..."



"Se um dia tivesse a oportunidade de renascer
E Deus me desse a escolha em ser homem ou Mulher
Ainda assim, por mais fascínio que este universo feminino propõe

Sendo causa de minha grande e terna admiração
Ainda assim, escolheria sem hesitar mais uma vez e outra e outra, ser homem
Pois penso, que de fora deste contexto paraíso
Consigo enxergar além que os olhos me permitem
Coisa que, talvez, de dentro, essa sensibilidade
Se perdesse de mim..."


"Ah, fascina-me teu mundo
Encanto e doce universo
Que na vida floresce
De quem lhes conhece
Tão menina, tão madura

Tão mulher...
Flores no jardim
Para toda a vida..."

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Universo em cores de Mulher e doce Poesia



Do universo em questão
Estais a vaguear entre a multidão
Rostos sublimes
Histórias, relatos, retalhos
De vidas escondidas
Vividas e feridas

Do universo do coração
Estais a buscar na imensidão
Força e arrime
Prosas, versos, romance
Em caminho que se trilha só
A vencer e a desatar nó

Do universo da razão
Estais a lutar em convicta direção
Mulher e menina
Algoz, veloz, coragem
Pelo que lhe há de melhor
Mesmo na dor, o que vale é o amor

Do universo que assisto
Persisto perplexo
Teu côncavo, teu convexo
Doce dama
Olhar que inflama
No sangue e na alma
Do guerreiro sonhador
Do poeta trovador
No pulsar do amor

Do universo que admiro
Não me canso de o fazê-lo
Mesmo no meu vago caminhar
Vejo tão musas a desfilar
Como em ruas de aquarela
Vocês transcendem a passarela
Derrubam os brutos
Espantam os vultos
Adoçam os incultos

Do universo que me vislumbro
Ah, tanta magia
Tanta dor e alegria
Sofrimento e ousadia
Enxergo o que minha alma sente
E o que meu coração não demente
Apanha neste peito eloqüente
Diante de tão formosa e bela
Esplendorosa em cela
De uma vida sem quimeras

Do universo que a vida me propiciou
O maior deste é apreciar
Em tons maiores de som e de cor
Aquelas que abrilhantam
Fascinam, encantam e arrebentam
Calçadas e corações
O mundo agracia
Tamanha magia
Em cores de mulher em doces poesias...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Mulher do SIM!




Maria,
Maria,
Maria,
Maria

Maria,
Maria mulher
Maria menina
Maria do Céu
Maria da Terra

Maria,
Maria do Sim
Maria do amém
Maria a mãe
Do Filho de Deus

Maria,
Maria que vem
Caminhar com seu povo
Maria que vai
De encontro ao novo

Maria,
Maria Fiel
A Seu Deus e Senhor
Maria do Céu
No amor e na dor

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Andares

"Nos deslizes por sobre os solos
Seus andares em plataformas 
Sob vestes e sobre saltos
Em sobressaltos abrem espaço
Seus caminhos são passarelas, seus altares
Cambaleiam, envergam-se, posturam-se 
Andares que vêm e vão
Alinhados, desenfreados, desesperados...

Por vezes sobrevoam em firmes pisados
Por vezes encurvam-se em lágrimas
Sem perder a confiança na postura
Nem tão frágil nem tão dura
Em passos, por vezes descompassados,
Formulam compassos, em ritmos próprios
Andares que vêm e vão
Calejados, avançados, requebrados...

Na lentidão, na pressa, na calmaria e na ventania
Erguem-se em vôos rasantes
Deixam rastros marcantes
Cada uma em sua pista
Em contínuo avanço
Tão única, tão solo, tão...
Andares que vêm e vão
Esvoaçados, aterrizados, libertados...

Andares...
Doce, sereno, suave, moreno
No frio ou no calor,
No gelado ou no fervor,
Na alegria e na dor,
No ódio e no amor
Andares que vêm e vão
Desalinhados, pesados, ousados... 


Andares...

Suaves, passageiros, corriqueiros
Despretensiosos, esperançosos
Instigantes, mirabolantes, rebolantes
Compassos em passos descompassantes
Em plumas, paetês, e descalços
Tão leves, delirantes, envolventes
Andares que vêm e vão

Revoltados, atrasados, determinados...

Andares...
Só tu, mulheres, 
Só tu, divinas poesias
Tão líricas, tão meigas
Tão místicas, tão...
Obras literárias,
Artes do Artista,
Inquietudes faceiras

Em prosa, em verso,
Em melodia e harmonia,

Nos contrapassos e inversos
Ainda assim, tão mulheres...


Andares...
Só tu, mulheres, os têm
E nós, pobres mortais,
Homens deste reino,
Nos resta, admirar-te

Em suas alegorias desfilar
Em sobressaltos voar
Neste sertão, neste chão
Neste céu do nosso coração

Que precisa destes vossos encantos
Neste compasso agraciado
Tão único, tão belo... inusitado
Andares, só tu, mulheres, os têm!"

domingo, 11 de março de 2012

Homenagem ao Dia Internacional das Mulheres - 08/03/12

"...Através D'Ela veio a melhor bebida...
Maria intercedeu junto a seu filho
Quando soube que na festa faltara vinho...
Somente uma alma humanamente sensível,
Um coração de mulher e mãe, poderia,
De certa forma, interferir naquele episódio.
O Filho A atendeu."

A mulher carrega em si um poder que
homem algum poderia alcançar
Poder de vencer a sua dor, superação
Poder de deixar seus problemas de lado,
Ultrapassar os obstáculos, quaisquer que sejam,
Para se doar aos seus...

A mulher é o oposto das medidas, sempre na dose certa:
Doce e amarga
Flor e pedra
Ternura e força
Amor e guerreira...
Carrega em suas mãos e coração tudo isso e muito mais...
E sabe como usar cada virtude em sua hora oportuna...

Tem o dom divino de gerar a vida...
Mulher, Mulheres,
Em cada face, em cada olhar
A expressão do amor,
Composto em várias notas, essências e cores...
Sem a presença delas o mundo estaria
sem tom, sem cheiro e sem vislumbre..."

Esta homenagem ao Dia Internacional das Mulheres foi escrita no dia 06/03/12.
Parabens à essas Guerreiras, Flores, Rochedos, Parceiras, Companheiras, Amigas, Mães... sempre MULHERES!!!

sábado, 21 de maio de 2011

Mulheres de fibra

"Tudo está tranqüilo
desde que ninguém invada o seu espaço,
ocupe o seu lugar e toque no que considera propriedade sua.
Dentro das oportunidades de presenciar, ouvir e participar de fatos do tipo
eis agora as considerações ...
Na terra do nunca (lugar de Peter Pan – desenho infantil),
onde tudo é permitido fazer para se alcançar fortes emoções e aventuras,
o ser humano sai em busca ou acaba cedendo as tantas tentações.
Ciente de que nada lhe acontecerá de mau
nas aventuras escolhidas, tudo será normal,
arrisca-se em terras proibidas ...
Só não contava que o que considerava propriedade sua
no caso, a verdadeira companheira, que deixou em casa
aquela que o ajudou a constituir sua família,
um dia se veria livre de suas correntes,
um dia caminharia, mesmo só,
pela mesma calçada, que outrora andaram juntos
E hoje, com a alegria da liberdade imposta,
quem mais perdeu, foi quem se aventurou,
foi quem não se dispôs a inovar,
foi quem sucumbiu as paredes do lar,
foi quem não valorizou o outro.
As lágrimas que hoje te escorrem pela face
são pura e simplesmente, pela perda de sua propriedade,
Aquela que não tinha voz diante de tua falta de verdade,
Está de pé, mantendo forte e reerguendo o que ficou em ruínas.
A felicidade dela é o que te aflige
Pois essa felicidade, é o sinal de que não há mais nada
que a prende ao passado de dor e lágrimas que você cultivou.
Mulheres de fibras são assim
Doces, suaves, flores ou
Fortes, destemidas, feras
Ao dar-se conta que os teus caminhos é que te levaram a este ponto
realmente a dor fica pior.
Não é desdenho, nem desejo maldito que se afunde na lama,
é apenas a realidade nua e crua de quem trilha as aventuras do mundo.
Aquelas que sobreviveram e se libertaram
que sejam exaltadas e agraciadas, sirvam de exemplo
Aquelas que ainda não encontraram a sua chave para a liberdade
apenas lembrem-se que
Deus não apóia nenhum tipo de sofrimento”


“Homenagem às tantas mulheres,
Mães, irmãs, amigas,
As “Marias” que se fortificaram,
Sobreviveram, se libertaram,
Diante de cada sofrimento imposto”

Ailton Domingues de Oliveira

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Flores de outono

 “Tempo que sucede o verão, que antecede o inverno
Tempo de mudanças bruscas, características, bem definidas, das duas estações
Queda na temperatura, calor agradável, um convite ao romance
Transição, chuvas amenas, nevoeiros
O amarelar das folhagens, amadurecimento,
Ora em tons avermelhados, o vigor da paixão, da luta, do quente,
Indica tal passagem. Begônias, Jasmim, Paineira...
Período de grandes colheitas, frutas maduras
Tempo de flores, ainda mais que especiais...
‘Amor perfeito’, Margarida, Íris...
Assim, são elas, mulheres,
De tantas cores, sabores
De tantas classes, enlaces
De tantos tons e sobre-tons
De tantas essências ...
Em seu íntimo esconderijo aguardando a chegada de sua estação
E no momento certo se abrir em flor e frutificar em vida
Azaléias, cravos, petúnias...
Há em cada uma o segredo simples que a liberta,
Basta apenas o olhar atentamente sensível
E os ouvidos prontos para os gritos ecoados no silêncio de seu coração
Ela não mais propriedade, mas proprietária de sua autonomia
Destreza e realeza em seu mundo, por si e pelos seus
Deixa-se de lado, sacrificando seu ‘eu’
Para garantir a quem ama a solidez e alicerce necessários. Faz, se esquecer-se ...
No momento de sua maturidade maior,
No seu verdadeiro outono, com o tratamento certo ela pode ainda se desabrochar ...
Quando nem ela mesma se acredita mais, mesmo assim ainda pode...
Nesta altura, ela se redescobre em vida,
Como que capaz de amar e ser amada,
Como prova viva de superação e dedicação
Como mulher, unicamente mulher,
Amada, amante, amiga, dócil, reluzente, mas transparente ...
Tem na sua estação a intensidade do amor profundo, o amor perfeito, maduro, recíproco
Sabe o que quer, quando e da maneira que quer
Tem voz, tem conteúdo,
Sabe refrescar, arejar seu ambiente no calor
Sabe aquecer nas quedas de temperatura
Por sua independência e experiência, torna-se um ser a ser redescoberto
Quando se consegue atingir a essência dessa mulher,
A intensidade da cumplicidade é surpreendente...
Dê a chance para ser ela mesma e terá sua flor de outono em todas as estações...
Flores de outono, folhagens amareladas, avermelhadas, frutos maduros, grandes colheitas...
Mulheres de outono,
Amadurecidas,
Vividas,
Experientes,
Eloqüentes,
Quentes,
Aguardando o seu desabrochar de flores
E o frutificar do seu escondido tesouro
Para quem ainda a tem, ainda há tempo de redescobri-la,
Ou então, procura-la...”

“Homenagem as mulheres:
amadas – amigas – amantes
Agraciadas, amadurecidas, vividas
Cada uma com sua essência em flor
Seu sabor em fruto
Procurem-se por si
Em sua mais íntima sala
E se verão livres, vivas
Prontas para o ‘amor perfeito’”


Ailton Domingues de Oliveira