O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
domingo, 20 de abril de 2025
Resenha Crítica - "Cilada"
terça-feira, 1 de abril de 2025
Resenha Crítica: "1883"
quarta-feira, 12 de março de 2025
Resenha Crítica: Os enviados
segunda-feira, 22 de abril de 2024
Resenha: Pedras, plantas e outros caminhos - por Lucimara Costa
Resenha: Pedras, plantas e outros caminhos
segunda-feira, 8 de abril de 2024
Crítica: Dexter - "o retorno"
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
Resenha: Léo e Croods 2
domingo, 24 de setembro de 2023
Crítica: Sex Education
A série, que mistura comédia, drama e realidade no mundo adolescente-jovem, tem em seu enredo um mix de assuntos próprios da idade: descobertas; conflitos pessoais, de relação e familiares; escola e bulling; mudanças hormonais; dúvidas sobre o futuro; responsabilidade precoce; sexo e sexualidade; inclusão e discriminação; religião e aceitação; LGBTs; etc.
A linguagem, ora descolada, ora exagerada, intercalando cenas sensíveis, sexo explícito e diálogos emocionantes, da realidade ao fantasioso, são elementos que já vimos e ouvimos falar. O diferencial que o cinema traz é algo que podemos assistir sem as cobranças moral e religiosa, mas com senso-crítico, refletindo e extraindo o melhor para a construção de novos pensamentos e deixando de lado aquilo que não nos agrega.
Relações de classes sociais, conflitos entre pais e filhos, disputas das mais diversas possíveis dentro desse universo adolescente-juvenil, temperados com sentimentos de medo, ousadia, angústia, solidão, rejeição, descobertas, traição, vão deixando o sabor cada vez mais envolvente e viciante para quem gosta de uma boa trama.
Vale ressaltar que um dos pontos fortemente de destaque na trama é a busca por orientações sexuais e de sexualidade. Tudo parte da premissa da descoberta, seja solo ou numa relação. Há também um devido cuidado para deixar uma mensagem positiva em evidência, pois algumas coisas que correm soltas na série podem e ou devem ser evitadas enquanto que outras devem ser contempladas e trazidas para o contexto real.
É possível distinguir o exagero do socialmente aceitável, bem como perceber que a ficção é uma pintura da realidade mas, cada um pode adaptar o seu olhar crítico para o cotidiano a que pertence. Vale a pena assistir!
Crítica: Dexter
domingo, 26 de fevereiro de 2023
Das Veredas do Grande Sertão para a vida
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
Crítica: "Dahmer"
"Dahmer"... Respirar fundo é preciso...
Uma pausa para analisar a história recontada nessa série. É macabro, surreal, triste, carregado de angústia, dor, crueldade e ao mesmo tempo, com ausência de empatia, de sentimentos, de humanidade... Se é angustiante assistir, tento imaginar como deve ter sido a sobrevivência dos familiares das vítimas. Tento imaginar como cada uma delas passou suas últimas horas nas mãos de Jeffrey Dahmer. Porém, me abstenho de comentar o que já está bem explicitado em cada um dos 10 episódios da série da Netflix.
Em termos de estudo, para o aprendizado através das ciências que investigam comportamentos como o de Dahmer, vale a pena se atentar. Não dá para olhar com olhos clínicos somente sem se comover pelo lado humano. É um mix de sentimentos que envolvem ao telespectador.
Da história em si guardo apenas o memorial de fotos das vítimas exposto no final do último episódio. 17 vidas ceifadas, carregadas de sonhos, desejos... Jovens que foram ludibriados por uma mente perturbada e ou maligna e a seguiram para um triste fim.
Atentei-me para um fato que foi contado nessa história e que, não sei se foi perceptível por outros olhares mas, o quanto algumas pessoas se sentiram envolvidas e atraídas por Dahmer após ele ter sido preso. A quantidade de cartas de pessoas que se declaravam como fãs e seguidores era enorme. A maldade também atrai adeptos, mesmo que seja uma maldade que esconde diversos transtornos.
Transfiro agora para a atual realidade em que vivemos uma acirrada "briga" política. Pretendo ser objetivo em minhas colocações. O bem inspira o bem tanto quanto o mal conquista seguidores. Levando em consideração o tipo de discurso que ouvimos dos candidatos e seus seguidores é nítido entender quem prega paz e quem prega guerra, quem distribui valores e quem escancara manifestações de ódio.
A exemplo de seus líderes, os seguidores tendem a extremizar aquilo que fica explícito nos discursos e nas ações. Até mesmo a forma de se referir ao adversário, de forma pejorativa e negativa, pode estimular de crianças a idosos. Como combater o bulling nas escolas se temos candidato que trata o outro com falta de respeito? Como combater a violência se o mesmo incita seus seguidores a "metralhar" os do adversário? Como lutar pelas minorias, pelas mulheres, se o mesmo faz piadas, desrespeita e passa um péssimo exemplo à sociedade?
Dahmer ficou conhecido como um serial killer que dopava suas vítimas, praticava alguns procedimentos considerados bárbaros e depois delas mortas praticava o canibalismo. Ainda assim, diante de tantas histórias de perversidade pelas quais suas vítimas passaram, encontrou fãs e seguidores que o idolatravam.
Hoje, diante do que vemos e ouvimos através de uma análise de conjuntura na política nacional, bem como somos vistos por entidades internacionais de renome e até por líderes de outros países, podemos comparar que o mal, em suas mais diversas formas, atrai seguidores fiéis que estão dispostos a matar em nome de sua nefasta ideologia.
Nessa era de explícita tecnologia, a desinformação é o carro chefe de quem joga sujo. A polarização chega ao ponto extremo de inventar mentiras para confundir quem não entende e ao mesmo ponto serve para escancarar o mal que habita no lado sombrio do humano mas que agora encontrou um porta-voz que dá liberdade e proteção para seus asseclas cometerem as mais diversas atrocidades.
A diferença entre Dahmer e um certo candidato brasileiro é que o serial killer matou 17 pessoas enquanto que o "tal" pratica crimes de todas as formas possíveis, seja por ação, omissão, incentivo ao ódio que resulta em ataques contra opositores, acobertamento de seus comparsas, e uma ditadura velada, sem contar as ameaças às mais diversas instituições de poder. O crápula deixou um rastro de mortos, simplesmente por necessidade particular de boicotar as vacinas...
domingo, 4 de setembro de 2022
Crítica: "A desordem que ficou"
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
Diálogos sobre a vida
quinta-feira, 12 de maio de 2022
Crítica: "O último xamã"
O filme "O último xamã"
(Netflix) é simplesmente excelente! Na verdade é um documentário muito bem
produzido. O protagonista é um jovem, filho de médicos americanos que, em
determinado ponto da vida entra numa fase de forte depressão. Em busca de
sentido para sua vida, de ressignificação de valores, de luta por sobrevivência
contra seus demônios interiores, ele segue em busca de diversas alternativas
para prosseguir com sua jornada. Ele mesmo estipula uma norma para si num tempo
determinado para que consiga sair desse buraco, desse poço que o consome cada
vez mais. Se em 10 meses não houver melhora, ele estaria decidido a tirar sua
própria vida. Os relatos são preciosos e verdadeiros. Em vários momentos fiz
uma comparação com fatos da minha própria vida. Muitas vezes passamos por
verdadeiros desertos (tempo de silêncio e solidão), tempos de travessias
(caminhos certos, incertos, obstáculos...), ou em busca de um sentido maior
para nossa existência (já leram "Em busca de sentido", de Viktor
Franklin?), busca de respostas para muitos fatos e acontecimentos que nos
perturbam o pensamento, a memória, coisas entre filhos e pais, talvez. E, é
justamente isso que na maior parte dos relatos fica nitidamente explícito. A
última parada desse jovem rapaz é uma aldeia onde ele experimenta a
"ayhuasca". Ele deixa claro que esse chá em si não faz mágica. Eu
considero que o tempo que ele se retirou em seu próprio deserto de silêncio e
solidão, em busca de respostas e libertação, em busca de seu eu (ouçam a música
"Caçador de mim" de Milton Nascimento), foi o ato mais importante.
Vale muito a pena assistir e refletir.
O que te faz sentido? Riqueza, status, dinheiro, poder? Qual o critério para ser feliz? O que é ser inteligente? Qual o padrão da inteligência? Sabedoria ou inteligência? Não ter complexo de inferioridade. Não precisar provar que você é inteligente. Reprogramar-se. Não tenho que me provar nada, não tenho essa ambição de provar que eu sou inteligente ou provar que eu sou bem sucedido.
“O xamã Pepe é alguém que olha o mundo e não vê matéria desprovida de espírito. Ele vê vida em tudo. Ele vê uma inteligência tecer o seu caminho pelo nosso corpo através das pedras, árvores, universo, cosmo inteiro. Uma inteligência que vai muito além de qualquer coisa que o homem seja capaz de entender ou compartilhar.
Preciso 'voltar para casa' e organizar tudo o que aprendi aqui, para fazer as pazes com os lugares de onde eu vim. Eu não estou aqui para dominar o mundo. Eu não estou aqui para ser alguém grande. Eu estou aqui para ser uma pequena parte de algo muito maior que eu e isso é libertador. Eu encontrei um lugar de paz dentro de mim. Acho que desde que eu aprenda a viver neste centro de paz, eu acredito que todo o resto vai voltar.
Tive que passar de reagir ao plano dela, de suas mentes. O seu plano para fazer isso não tava funcionando. Mas o que me fazia continuar era o coração deles.
A ayhuaska não deve ser idolatrada. Não
acho que a ayhuaska dê coisa alguma que já não exista dentro de você. E
essa foi uma mensagem dada a mim pelos espíritos das plantas. Que a chave está
dentro de mim para fazer qualquer coisa que for preciso para ficar bem. Apesar
de não ter sido curado sinto que eu tinha voltado com vontade de viver.
Um dia de cada vez. (James)”
sábado, 9 de abril de 2022
Crítica: "Um sonho de liberdade"
Enquanto os guardas realizam sua busca, Andy se faz passar por Randall Stephens e visita vários bancos para retirar o dinheiro lavado, em seguida envia o livro de contas para um jornal local como prova da corrupção em Shawshank. A polícia chega na penitenciária e prende Hadley, o guarda chefe, enquanto Norton comete suicídio antes de ser pego.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Crítica: "Um crime de mestre"
"(...)
Você se atreve a
sair?
Você se atreve a
entrar?
Quanto pode perder?
Quanto pode ganhar?
Se você entrar vai
pra esquerda ou direita?
Vai até a metade ou
nem isso tenta?
Você ficou tão
confuso que começa devagar
Pistas longas e com
curvas e você tem que acelerar
E andar muitos
quilômetros em todo tipo de lugar fútil
Até que chega com
temor a um local ainda mais inútil
O lugar de espera...
A gente apenas
esperar...
Por um trem que vai
partir
Ou um ônibus que vai
chegar
Ou o avião decolar
Uma correspondência
chegar
Ou a chuva passar
Ou o telefone tocar
Ou a neve tocar o
chão
Ou esperar por um sim
ou um não
Ou um colar de
pérolas
Ou um olhar de
relance
Ou uma peruca com
cachos
Ou outra
chance..."
O filme "Um crime de mestre", da Netflix, retrata uma verdadeira batalha
psicológica e de evidências entre o acusado de matar sua esposa e um jovem
promotor que de início estava cegado pela vaidade, mas depois de aprender com
os erros encara seu adversário de forma inteligente. É uma produção digna de
análise e não deixa aquém da expectativa. A trama como um todo é instigante.
Não há muito o que dizer, apenas assistir e se atentar para os detalhes.
Já o poema transcrito acima faz parte
de uma cena emocionante quando o promotor o lê para a mulher do acusado de
homicídio, que se encontra num leito de UTI entre a vida e a morte. Em se
tratando de poema, não importa o gênero do filme ou da série, pois a arte como
um todo tem suas derivações e conexões. Um verdadeiro complemento que eleva a qualidade
da história trazendo reflexões à parte sem desfocar do assunto principal.
Particularmente, toda arte é uma
espécie de poesia, seja falada, cantada, pintada ou interpretada. Vai mais dos
olhos e ouvidos de quem enxerga e se atenta do que do conteúdo propriamente
exposto. Mais um filme que vale a pena conferir
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Crítica: "Sintonia"
“Sintonia” é uma excelente série brasileira da Netflix que
retrata com perfeição o cotidiano das pessoas que habitam a periferia de São
Paulo, também conhecida como favela para quem vê apenas por fora e de
comunidade para quem enxerga por dentro.
Os protagonistas são três jovens amigos que cresceram juntos, cada um com seu grande sonho de realização e sucesso. Apesar de caminhos diferentes a amizade é algo forte, sólido e sempre presente. Talvez por isso o título da série: "Sintonia". Existe um respeito mútuo, cuidado, amor e dentro do possível se encontram para prestigiar as conquistas do outro.
Eles conseguem se realizar naquilo que tanto sonharam, mas nada foi fácil e não continua sendo. Entre acertos, riscos, consequências e muita superação o trio caminha por suas escolhas sem perder o contato e as raízes, algo muito típico do espírito de comunidade que habita nos moradores da periferia. Quem expande para o sucesso não esquece suas origens.
Um conseguiu evoluir na carreira artística como MC. Outro se reencontrou dentro da religião. O terceiro conseguiu seu tão almejado posto dentro do tráfico. A realidade na periferia é tal como descrito na série, tanto no quesito de comunidade, em que todos se ajudam e se respeitam, como na questão do crime, da ordem imposta para uma boa convivência entre os membros da comunidade e a "lei do crime" que age quando alguém trai a confiança da "irmandade", quando alguém tenta explorar trabalhadores honestos.
As drogas são o carro chefe. Por isso evita-se todo tipo de violência para não chamar atenção da polícia. Há policiais corruptos, bem como bandidos que exercem um papel conciliador e protetor da comunidade. Uma inversão não apenas de valores, mas de papéis. A polícia acaba sendo conivente com o tráfico e ganha por isso. Policiais são comprados. Traidores do tráfico são punidos e silenciados com a morte. Retaliações acontecem quando matam policiais, quando morrem bandidos e quando matam inocentes.
Há um tripé essencial entranhado não apenas no enredo da trama mas na realidade que assola as grandes comunidades periféricas brasileiras: fama, religião e crime. A fé que salva e aliena, o sucesso que dá e tira, o tráfico que mata mas as vezes é a única forma de sobrevivência. Contextos reais, vidas paralelas intimamente ligadas. A verdade tal como é sua realidade. Caminhos de fama e sucesso, dinheiro e prosperidade, fé e religião, crime e ilusão, vida e morte.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Crítica: "Missa da meia noite"
Transcrevo aqui a parte de um diálogo ocorrido a
partir dos quinze minutos finais do 7º episódio da 1ª temporada da série
"Missa da meia noite", da Netflix. Mas antes de dar
seguimento no mesmo e de continuar minha percepção e crítica à reflexão que se
tece pela fala da personagem sobre a morte e consequentemente a vida, a
travessia ou o ciclo, me atenho a dar alguns adjetivos em todo o enredo, porém
com o devido cuidado para não dar spoilers.
O cenário da trama é uma pequena cidade construída
numa ilha afastada do continente. A religião predominante é a católica, com
alguns personagens muçulmanos e ateus. Existem outros diálogos profundamente
interessantes com teor filosófico e reflexivo, tanto quanto questionamentos
sobre a fé e a verdade que muitos buscam e outros mais tentam deter para
si.
Há também a parte fantasiosa sobre o mal disfarçado
numa figura bíblica em que podemos tanto interpretar biblicamente como de forma
analogicamente figurada para a nossa realidade. Tem romance, têm exageros, têm
verdades, tem maldade e bondade tal qual vemos no dia a dia e, principalmente, uma grande pitada de fanatismo religioso que se manifesta pela detenção de uma
verdade deturpada por quem quer poder para controlar os demais.
Uma das coisas que chama muito a atenção nesse diálogo, além do teor profundamente reflexivo, é a interpretação do casal. A concentração e a troca de olhares durante a fala, que é feita com perfeição de entonação e sintonia, consegue nos possibilitar a conexão com cada palavra dita, que de certa forma estabelece uma ponte entre o fictício e o real, a nossa realidade. Vale muito a pena conferir.
*****
- O que acontece?
- O que?
- Quando a gente morre, o que acontece?
- O que que acontece?
- O que acha que acontece quando a
gente morre?
- Falando só de mim?
- Falando por você.
-
De mim... Só de mim. Esse é o problema. Esse é o grande problema da questão.
Esse conceito "eu", isso não existe. Não tá certo. Não é... Não
existe. Como eu esqueci isso? Quando eu esqueci isso? O corpo para uma célula
de cada vez mas o cérebro continua disparando os neurônios, como mini raios,
como fogos ali dentro. Eu pensei que fosse desesperar, sentir medo, mas eu não
senti nada disso. Nada. Porque eu tô ocupada demais. Ocupada demais no momento,
lembrando. Claro, eu lembro que cada átomo do meu corpo foi forjado numa
estrela. Essa matéria, esse corpo é praticamente só espaço vazio no fim das
contas e matéria sólida? É só energia vibrando lentamente. E não existe eu.
Nunca existiu. Os elétrons do meu corpo interagem e dançam com os elétrons do
chão embaixo de mim e do ar que eu não respiro mais. E eu lembro, não existe
sentido onde tudo aquilo acaba e eu começo. Eu lembro que eu sou energia. Não
memória. Não "eu". O meu nome, a minha personalidade as minhas
escolhas, tudo vem depois de mim. E eu era antes deles e eu vou ser depois. E
todo o resto são imagens que eu juntei no caminho. Breves sonhos passageiros
impressos no tecido do meu cérebro morrendo. E eu sou raio saltando ali, eu sou
a energia disparando os neurônios e... Eu tô voltando... Só de lembrar, eu tô
voltando pra casa. É como uma gota d'água caindo de volta no oceano. De onde
ela sempre fez parte. Todas as coisas fazem parte. Todos nós somos partes,
você, eu, a minha filhinha, minha mãe e meu pai. Todos que já existiram, toda
planta, animal, todo átomo, toda estrela, toda galáxia, tudo. Tem mais galáxias
no universo que grãos de areia na praia e é disso que nós estamos falando
quando falamos Deus. O Deus. O cosmos e seus infinitos sonhos. Nós somos o
cosmos sonhando consigo mesmo. É só um sonho que eu penso que é a minha vida,
toda vez. Mas eu vou esquecer isso. Eu sempre esqueço. Eu sempre esqueço os
meus sonhos. Mas agora nesse milésimo de segundo, no momento que eu lembro, no
instante que eu lembro, eu compreendo tudo de uma vez. Não existe tempo. Não
existe morte. A vida é um sonho, é um desejo, que fazemos de novo, de novo, de
novo, de novo e de novo. E é assim por toda eternidade. Eu sou tudo isso. Eu
sou tudo. Eu sou todos. Eu sou o que sou.
*****
Esse diálogo penetrou em meus pensamentos de forma
poética, livre de preceitos religiosos e outros mais. Por isso se tornou belo,
distinto, mágico, independente, uma verdadeira arte final à parte diante de um
contexto que teve seus altos e baixos, ficções verdadeiras e pseudo-realidades.
Me levou a um nível de reflexão além do fictício e do imaginário. Talvez pelo
momento pandêmico que vivemos em comum, que nos traz consequências várias e
tudo isso juntado aos problemas particulares de cada um. Outro ângulo para
pensar é que que nem tudo o que parece é. As coisas são vendidas de forma
bonita, com um marketing pesado por trás. Assim também são as pessoas que se
vendem, ou melhor, se apresentam pela aparência. Elas demonstram ser aquilo que
têm, que possuem. Estamos carentes de essência... de coisas reais... de pessoas
de verdade...











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