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sábado, 3 de setembro de 2022

A rainha e o plebeu em Lótina



O conto era de fadas 
Mas somente quando a rainha fugia para a cabana de seu amante 
Uma vez que ela insinuou para ele ir vê-la, 
correndo todo tipo de risco por entre os cercados de seu castelo, 
mudou de ideia instantaneamente 
quando percebeu sua coragem ao nota-lo em sua porta 
Ignorou-o e o deixou ao relento
Rainha e plebeu ou a dama e o vagabundo, não importa! 
O que separa o verdadeiro do irreal ainda é o material. 
Esse fato sempre existiu e assim continua sendo...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Fuga para Lótina

Raptei-te de teu cárcere
E fugi contigo pelas sombras
Na calada noite sem lua
Perdi vidas pela tua
Mas devolvi-lhe a liberdade
De ti roubada sem ser vista
Atravessei mundos ao teu lado
Perdi guerras na penumbra
Lavei a honra com meu sangue
Batizei a terra com suor
Molhei-te a face com as lágrimas
Viajei contigo por mil reinos
Atravessei de peito aberto ao tempo
As paredes frias das minhas prisões
Elevei nossas almas em outra dimensão
E cheguei contigo no coração
Pelas entrelinhas da poesia
Que nos conduziram para a eternidade
Na sagrada terra da paixão
Lótina...

segunda-feira, 4 de julho de 2016

As bruxas em Lótina


As anomalias terrenas ressurgem 
Para o além dos pensamentos
E brotam na realidade de cada dia 
Elas reaquecem antigos mitos e medos
E fortalecem a incontrolável dimensão espiritual
Ora para o bem, ora para o mal
Cada ser dessa terra de guerreiros e forasteiros
Damas e prostitutas, anjos e demônios
Culpados e inocentes, alienados e subversivos
Carrega em si o receio, o ócio
A inocência e a culpa
Por ter alimentado incessantemente seus monstros 
Seus fantasmas e as bruxas em Lótina
Estas que tomam formas humanas
Aparentemente perfeitas, insanamente reais
Popularmente bruxas
Que dominam as esferas sentimentais
Devassam o campo do coração
E o transforma em deserto árido
Terra de ninguém, habitada por zumbis
Depois das banidas bruxas da inquisição
Que foram culpadas sem comprovação
Eis que a atmosfera de Lótina
Se insurge contra todos e contra ninguém
Uma vez que elas estão em outra dimensão...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Desembarque em Lótina


No irrestrito mito que precede o tempo
No perturbador imaginário que antecipa o ato
No esperado sonho que antecede o fato
No sonhado plano que aprimora o real
No sagrado solo que se deita ao léo
No profano mundo que desnuda o véu
Na estúpida vida que precede a morte

Eis o desembarque em Lótina
Onde a estrela foi brilhar à espera
De outros tempos
Outras vidas
Quimeras

O selo preciso em cada escrita
Vai deixando rastros por onde pisa
Enobrecido em suas escolhas
Exaltando rimas e colhendo flores
Deixando para trás o seu tormento
Vivendo o agora em seu momento
Desposando a vida em legítimo dolo
Revirando a mesa e quebrando protocolo
Segue rasgando as roupas e caminhando
Vai se despindo do mundo e se entregando
Colorindo o cinzento passado 
E reavivando seu coração gelado

Eis a distante terra de Lótina
O eterno lar
Sepulcro de silêncio
Pensamento 
Poesia

terça-feira, 28 de junho de 2016

Vou-me embora para Lótina


Vou-me embora para Lótina
Lá sou amigo de todos
Lá ninguém me conhece
Lá, só lá, impera o que não tenho
Lá não sou ninguém
Não tenho essa obrigação
Sou apenas eu
Sou liberdade
Sou coragem
Sou prosa
Sou vadiagem de pensamento
Me embriago em histórias
Me destorpeço dos sacrifícios
Me desapego dos mascarados
E me lanço sobre os poemas
Lá resgato minha memória
Desando-me na contramão
E embarco em qualquer estação
Vou-me embora para Lótina...

quinta-feira, 16 de junho de 2016

As noivas de Lótina


Antes, porém, da penosa viuvez estabelecida
Em que todos os sentimentos foram decapitados
Viviam harmoniosamente a intensidade do amor
As noivas desposadas daquele reinado
A fidelidade eterna ao coração aguerrido
Este que fora único e voraz
Em seus poucos longos anos vividos
E somente ele libertar foi capaz
Um mundo dentro de outros tantos
Um cavaleiro indomável
Histórias desentrelaçadas e prantos
E uma personalidade amável
Foi assim nestas longínquas terras
De passado tão presente e saudoso
Onde o amor fazia sua guerra
Ninguém perdia ou saía vitorioso
Este coração de sentimento alado
Que nascera para viver nas alturas
Não entregou seu sangue derramado
E somente a chama de seu corpo perdura
Foi assim, entre brasas e ausências
Como folhas levadas ao vento
Que a partida eternizada na essência
E as noivas se entregaram ao tempo...

sexta-feira, 27 de maio de 2016

As viúvas de Lótina


O apocalipse fora instaurado
O bom vilão, então, sacramentado
Hospedeiro de tantas vidas
Requisitado para o berço das almas
Entre a vida e a morte
Viveu seu adeus
Deixando na memória apenas a brisa
Estonteante antídoto do amor
Na cidade das sombras
Brilhou o seu olhar
Foi brasa, foi fogo
E jamais fora cinzas
Nas tempestades emergidas dos confins
Fora escudo, absurdo e ousado
Sob ataques foi ferido
Jamais, assim, vencido
De suas conscientes dores
Brotou-lhe a paz desejada
Quando sua páscoa lhe fora contemplada
E entre os perfumes de suas flores
Fora enterrado pelas viúvas
Da terra longínqua de Lótina...
Aqui jaz um eterno guerreiro.