O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
quinta-feira, 21 de março de 2024
Das lutas nas tempestades às tempestades sem lutas
13/04/2016 e 08/01/2023 foi um tempo atípico em muitas concepções. Momentos grotescos na história da democracia brasileira. Ideologias em alta. A ebulição do ódio já fumegava pelas têmporas e vísceras de demônios despertados pela cobiça do poder pelo poder. Um golpe político partidário desestabilizou a ordem. Motivos forjados que levaram o parlamento a sentenciar uma pessoa inocente, não chegaram nem perto de crimes cometidos por um desgoverno nefasto, promíscuo, criminoso, prostituído de ideologias corrompidas em prol de mero enriquecimento ilícito e uma necessidade quase sexual de se ostentar no trono do poder. Talvez, nada disso tivesse acontecido se, quando um boçal exaltou um torturador, tivesse saído algemado e preso do parlamento. Faltou a ordem para impedir o desprogresso que se viria nos anos seguintes. Com um golpe teatral, uma cena grotesca que não derramou uma gota de sangue diante de uma "fakeada", que posteriormente se tornaria evidente a armação para a realização de uma cirurgia, ele fez fortalecer sua campanha. E conseguiu chegar lá. Nesse entremeio uma pandemia assolou o mundo. O sangue que não saiu de seu corpo escorreu por suas mãos e nas de seus asseclas quando sua estupidez maléfica não apenas permitiu mas colaborou com a morte de milhões de inocentes. Disso tudo ficou a lição de que não é a igreja o caminho para um bem maior, tampouco para o céu. Não é o pastor, o padre ou qualquer líder religioso que te dará a luz necessária para o caminho da salvação. É necessário filtrar e podar toda e qualquer ideologia política estruturada em esquemas religiosos de negócios. Já diziam alguns visionários do passado que era necessário todo o cuidado com algumas seitas que brotavam no mercado milionário da fé, pois uma vez adestrando e alienando seu público nas estruturas da igreja, seria necessário se infiltrar e dominar o mundo da política. As tempestades que caíram sem luta propiciou uma devastação sem tamanho. As lutas que se seguiram pelas tempestades tombaram muitos guerreiros e guerreiras. De tudo fica a lição de que não se pode vacilar, nem se calar, tampouco se acomodar. Omissão nunca pode ser uma opção. (27/09/23)
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
Um dedo de prosa, um cheiro de rosa
sábado, 10 de junho de 2023
Carta aberta: orgulho x hipocrisia
Nesse mesmo tempo em que uma instituição, que prega fé cristã, através de seu líder que usa das mídias, inclusive de seu canal de TV para segregar, dizendo que Deus odeia o orgulho, referindo-se ao ORGULHO LGBTQIA+, isso literalmente é tido como uma incitação nada velada de ódio e que pode acarretar formas violentas de expressão contra os protagonistas desse movimento, a PARADA. Na mesma semana em que esse líder religioso se manifesta, o pastor de uma de suas filiais foi preso, suspeito de estuprar adolescentes. Talvez, se o dono desse templo institucional se preocupasse menos com a sexualidade alheia e tomasse conta dos gestores de suas filiais, dito religiosas, crimes assim não aconteceriam. Isso vale para toda pessoa e para todo tipo de instituição que se acha detentora exclusiva da verdade e no direito de classificar quem é ou não digno de sua aprovação arcaica. Veio à tona também, nas redes sociais que, sua instituição foi uma das que mais lucrou no Governo passado. Nesse caso, o silêncio tornou-se ensurdecedor. Os tempos mudaram mas os excluídos ainda existem e resistem contra o sistema discriminatório. Infelizmente os hipócritas também estão por aí e à solto.
Nascido em berço Católico, conheço a fundo as diversas ideologias religiosas existentes nos bastidores da igreja. Devida à sua extensão, existem inúmeros braços e formas de se trabalhar mas, infelizmente , também está regada de moralismo seletivo, hipocrisia, deturpadores da fé e bandidos disfarçados de cidadão de bem. Minha formação e atuação sempre se deu através da Pastoral da Juventude, que tem uma representatividade muito forte nas questões sociais, políticas e lutas de inclusão. Sempre me mantive alheio aos exibicionismos de fé e shows milagreiros e midiáticos. A maior forma de se viver uma espiritualidade e praticar a fé é respeitando o outro, o próximo. O que não se pode tolerar são as formas de segregação que culminam em discriminação e preconceito. Falo aqui da vertente cristã (católica, evangélica, protestante, pentecostal, neo-pentecostal, etc...) porque é a que tem mais adeptos. Demais religiosidades, como budismo, espírita e as de matrizes africanas têm uma prática mais inclusiva e social.
Essa luta não pode se findar nas palavras. PARADA DO ORGULHO LGBTQIA+ aí vamos nós!!!
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Recortes & Rascunhos II - Lágrimas
Chuvas e lágrimas
Chuva cai lá fora
Minhas lágrimas aqui dentro
Ambos escorrem
Lavam
Levam dores
Regam lembranças
Tempo e desconstrução
Eu, por um momento
Volto no tempo
Desconstruindo maldades
Com sólidas verdades
Preenchendo o vazio
Com amor
Mágoas e
lutas
Mágoas
geram dores
Que geram
sofrimentos
Que criam
raízes
Que
corrói e destrói
Que
enlouquece
Mas o
morto ainda vive
E luta
Fria e seca
Não nasci pra esse mundo
De covardes e mentirosos
A ****@ fria e seca
Jogou o jogo da mentira
Manipulação e morte
Porque nunca teve amor
Nem de berço
Nem o meu
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Ano 45
E a outra também"
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Esperas ou esperança?
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
Malabares da vida

"Se você tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer verdades
Teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando
Eu falei muitas vezes como palhaço
Mas nunca desacreditei da seriedade da plateia que sorria"
Clarles Chaplin
Na linha tênue impostamente margeada pela hipocrisia
São vítimas de uma invisível guerra
É não se abalar pelo olhar indiferente
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Retratos do meu interior
com quintal e uma janela só pra ver o sol nascer"
Eu vim de lá do interior, duma casa simples de chão com vermelhão, terraço adornado com primaveras e um jardim repleto de variedades: roseiras, samambaias, copo de leite. E uma horta bem diversificada, com couve, quiabo, alface, limão, laranja, acerola, cebolinha, abóbora, alecrim, hortelã... Era o meu reduto, meu mundo, meu recanto sagrado... o meu interior.. a casa de meus avos.
Este quadro tem uma conotação diversificada. A elaboração, a visualização gerada na mente até a construção de cada detalhe, tudo feito com materiais naturais. O simples, o rústico, a leveza de um retrato interiorano que traz memórias de um passado vivo, saudoso e repleto de amor.
Numa outra óptica, a paisagem retrata um sonho, o sonho da paz e do amor vivido com profundidade na infância, adolescência e juventude, na casinha simples com terraço, jardim e quintal. As lições de sabedoria deixadas por meus avos. A capela, símbolo de fé, que remete ao sagrado, das lições de vida às cobranças sobre conduta e religiosidade que minha avó mantinha firme e acesa. O poço, a água, a natureza, que me remete à luta, às grandes lutas da vida travadas diariamente. A água, que contorna seus obstáculos, que vence sua batalhas e modifica a paisagem ao seu redor.
Histórias e lições que trago vivas no coração. Lembranças de um tempo que não volta mais. A imagem do quadro é diferente do retrato da casa de meus avós, ainda bem fresco na memória. Há uma mística nisso tudo que ainda levo tempo e silêncio pra compreender e decifrar. Serve para lembrar do passado, do alicerce, da saudade, do amor, e muito mais para alertar que um dia, um dia tudo se tornará pó ou memória.
A cada tempo, em cada estação, em cada travessia após uma longa jornada, me pego de volta nesse interior. Por hora, é o meu refúgio, guardado num lugar especial e exclusivo, onde o acesso se dá de tempos em tempos ou quando se faz necessário. Já fiz esse caminho diversas vezes, ora feliz e vencedor, ora derrotado e destruído. E quando me pegava a desanimar era ali, aí nesse reduto de interior que encontrava o meu descanso, o meu alento. Aonde minhas lágrimas eram secadas, meu suor enxugado e minhas feridas curadas no tempo e na saudade.
Eu vim de lá do interior...
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Cenas do cotidiano
Cena 1: Adentrei ao supermercado como sempre para comprar aqueles pãezinhos feitos na hora. Fila pequena, apenas um senhor na minha frente. Num espaço pequeno em que duas pessoas por vez podem escolher seus pães, ele iniciou um assunto que aos poucos me fez atentar. "Um dia meu pai tirou um dente meu no tapa. Ele me chamou e ao invés de responder 'sim senhor' apenas falei 'oi papai'. Eu tinha 5 anos de idade e quando cheguei perto dele levei um tapa na boca que meu dente voou longe. Tudo porque não respondi 'sim senhor'. Nunca me esqueci dessa lição..." disse o senhor. Peguei meu pacote de pães, passei pela fila do caixa e fui para casa, pensando...
Cena 2: Parei de moto aguardando o semáforo liberar para eu prosseguir rumo ao meu destino e enquanto isso observei, no canteiro central da avenida que atravessaria, um rapaz que faz malabarismos em troca de alguns trocados brincando com um filhotinho de cachorro sobre a grama. Cachorrinho bem cuidado, de coleira, pacote de ração do lado e muita atenção de seu dono. Uma verdadeira distração aos motoristas que param para aguardar sua vez de prosseguir. Abriu o sinal, minha vez de acelerar e seguir adiante, pensando...
Cena 3: Fui até um posto de combustível para calibrar os pneus da moto. Enquanto o fazia vi ao fundo um funcionário sentado ao chão do local onde realizam troca de óleo, almoçando de marmita na mão. Concentrado em sua refeição que não arredava os olhos para lugar algum. Parecia pensativo sobre a vida durante o tempo que saciava sua fome. Mais uma vez parti, pensando...
Cena 4: Homens da prefeitura recolhendo pertences de pessoas que dorme sobre papelões nos canteiros das avenidas. Homens em bando, de crachás e luvas nas mãos, óculos escuros e pouca conversa, cumpriam ordens e obrigações. Sua tarefa? Retirar tudo aquilo que polui o ambiente visual da cidade. Eu? Sigo juntando as peças de cada cena, pensando...
Pensando sobre tempos severos de pessoas que sobreviveram à rigidez e brutalidade da educação de antigamente. Pensando sobre o amor daqueles que nada tem podem dar a outros seres muitas vezes abandonados por seus antigos donos. Pensando no sacrifício daquele que se sujeita a muita coisa para dar o melhor aos seus. Pensando que somos escravos e senhores, vítimas e culpados, cegos, inocentes e coniventes com todo tipo de sistema opressor que paira sobre nossas vidas... Apenas, pensando...
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Pode ser IV - "Sempre poderá ser"
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Sobrevivência e vaidade
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Meu bom ateu
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Das lutas nas tempestades
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Águas profundas
Há quem consiga apenas molhar os pés nas águas, mas quando a onda vem mais forte, afasta-se.
Há então os que se lançam em águas mais profundas, superam as ondas, conhecem outros mares, outros ares, outros saberes, novos recantos.
A dificuldade encontrada por quem não se permite experimentar novos saberes, nem ao menos se quer conhecê-los, se dá pela diretriz incorporada de que não existe nenhuma outra verdade que aquela que adotou para si.
Lançar-se em outras águas não significa negar sua origem ou abominar o que lhe incutiram.
Ninguém se constrói sozinho.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Os imigrantes e o menino poeta
Duas histórias distintas através de um único olhar sobre a vida dos que carregam em si a esperança. Histórias que nunca se cruzaram. Vidas que não se conheceram. Enredo que se tece apenas nos detalhes do coração e que somente a nudez do olhar é capaz de absorver.
Nos arredores da minha rua existem pessoas que vieram de outros lugares. Com certeza são de outro país. Continente, talvez. Imigrantes, é isso! Ressoam uma conversa que não se entende por quem passa perto. Ninguém se aproxima deles. São estranhos. São diferentes. Falam meio gritado. Vivem entre si e isolados do resto do mundo. Creio, são obrigados a se firmarem nessa terra que escolheram para desbravar. São felizes, eu vejo. São tristes, eu percebo. Sinto. Conversam apenas entre os seus. Tenho vontade de ir lá. Meu receio não permite. Então eu escrevo de forma orante. Uma escrita simples e que só cabe a mim e Deus entender.
Tento imaginar o que os fez chegarem nessas terras. Guerras em seu país natal? Massacres, fome, miséria? Como saíram? Como chegaram? Do que vieram? Passaram fome, tiveram medo, foram explorados nessa travessia? A quem deixaram? O que buscam? Queria saber de suas vidas, sua fé, familiares deixados em outro canto do mundo. Queria saber o que esperam daqui. Eu sei que esperam. Carregam em si uma única força que os motiva: a esperança. Tive vontade de aproximar. Mas até o momento essa vontade ficou na inércia da não-ação.
E dessa força que nos motiva a prosseguir, alimentada pela fé e pelo sonho, eu encontro a esperança. Morrer é um dilema para quem está vivo mas nem todo homem ou mulher vivos conseguem viver. Esses que trazem a insignia da esperança em seus olhares, já são gente libertada e que vive a vida a cada dia.
Outro dia deparei-me com um menino, adolescente de uns quinze anos de idade, que pensa grande com coisas pequenas. Ele já trabalha duro. Tem traços de homem responsável e sonhador. Tem a arte em seu olhar. Sonha o sonho do poeta com sensibilidade. É diferenciado na prosa. Gosta dos versos e das boas músicas. Pasmei durante a conversa que tivemos ao enxergar tamanha coragem num garoto de pouca idade. É quase um achado para os padrões atuais.
Primeiramente o adolescente interessou-se pela conversa que eu tinha com outra pessoa, sobre livro de poesia. Começou a perguntar educadamente sobre os meus escritos. Depois abriu-se e disse que também gostava de escrever e de ler. Sua preferência: literatura barroca. O espanto foi grande! Contou-me também, nos minutos que teve ali, sobre sua paixão pela música e os instrumentos que toca. É um garoto diferenciado, sem dúvida alguma, e carregado de esperança. Da minha parte apenas disse que não deve desperdiçar os pensamentos e ao contrário, organizá-los num caderno. Foi assim que eu comecei até chegar ao blog.
Daqui do meu lugar, ou do não-lugar, encontrei em comum no olhar de cada um dos personagens dessa história a certeza da esperança. A gana pelo desbravar de outros mundos, por vezes tão próximos e sem fronteiras, por outras tão guerreados pelas estradas desconhecidas em que se põem a caminhar, essa, é força contida e gritada por gente que ainda tem um pouco de humanidade em seu ser e seu olhar. A esperança assim, não é mérito de poucos abastados. Ela é fruto nascido no coração de poucos e que se expande de tal forma a quem ainda consegue enxergar. Sou imigrante, sou menino poeta, tenho esperança e teimo em viver.
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