O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
segunda-feira, 22 de abril de 2024
Resenha: Pedras, plantas e outros caminhos - por Lucimara Costa
Resenha: Pedras, plantas e outros caminhos
domingo, 1 de outubro de 2023
De setembro a setembro: refletindo o amarelo em todos os dias do ano
Porém, antes, vale uma pergunta de autorreflexão: *A DOR ALHEIA ME IMPORTA?* Obviamente não sabemos se uma pessoa próxima está passando por alguma dificuldade. Também não conseguimos mensurar o tamanho da dor de alguém, que no momento esteja atravessando problemas de várias ordens.
O que podemos fazer, primeiramente, seria mudar o nosso jeito, ativar o nosso *ser humano* e nos atentar para detalhes que antes não prestávamos tanta atenção. *COMO?* Quando começamos a fazer parte de algum ambiente, lugar, movimento, grupo (trabalho, faculdade, comunidade, bairro, igreja, família, etc), obviamente passamos a perceber as pessoas ao nosso redor. Cumprimentos básicos de "bom dia, boa tarde, boa noite" podem não apenas quebrar o gelo mas abrir possibilidades de aproximação. Perguntar se "está tudo bem" pode não ser nada, não representar nada para nós e simplesmente recebermos como resposta "sim, tudo e você?" Mas, pode ser, que esse cumprimento, seguido dessa pergunta, seja a única coisa positiva que impediu uma pessoa de atentar contra sua própria vida.
Acredito que muitos de nós conhecemos pessoas que tiraram sua própria vida. Talvez não conhecemos de perto mas, já ouvimos falar de conhecidos distantes, pessoas que um dia fizeram parte de nossa vida e acabamos perdendo o contato. As redes sociais nos mantém atualizados, principalmente quando o assunto é tragédia.
*TERÍAMOS NÓS ALGUMA RESPONSABILIDADE SOBRE A VIDA DE OUTRA PESSOA?* Sim e Não. Sim ou não. Cada um sabe de si. E em diálogo com uma amiga, falando sobre suicídio, logo após participarmos de um evento no dia 15/09/23, justamente sobre esse tema, o qual refletimos sobre o filme *ORAÇÕES PARA BOBBY*, chegamos à nossa conclusão de que temos sim responsabilidade e que podemos fazer nossa parte. Novamente: *COMO?* Acolhida, empatia, respeito, etc. Podemos, enquanto seres humanos, fazer um pouquinho a mais nesse sentido. Independentemente de crenças, fé e religiões, a qual acreditamos que todas pregam *AMOR À VIDA E AO PRÓXIMO*, podemos e queremos ressignificar o nosso papel aqui neste plano, no aqui e agora, de forma a contribuir COM A SAÚDE, COM A PSICOLOGIA, COM A VIDA.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
terça-feira, 16 de julho de 2019
Possessão ou obsessão demoníaca?
Bom, o assunto é delicado, polêmico e causa espanto e medo principalmente no público leigo. Quando se fala sobre possessão e manifestação demoníaca muita gente lembra do filme O exorcista. Eu, particularmente, não gosto do gênero, portanto não fiz questão de assisti-lo. Mas, deixando a ficção de lado, o tema esteve em pauta nas redes sociais após um episódio que marcou o final de semana dos fiéis que acompanhavam a celebração da missa, pelo Pe. Marcelo Rossi, num evento da CN (Canção Nova), no último dia 14/06/19. Uma mulher subiu ao palco e empurrou o sacerdote que caiu mas não teve nenhuma lesão grave, segundo o que ele mesmo relatou após o incidente.
Além de acompanhar pelos noticiários na TV também participei de algumas discussões na página de alguns amigos pelas redes sociais. É um absurdo ver o quanto as pessoas distorcem os fatos e dão seus vereditos sobre o ocorrido, mesmo não tendo conhecimento para tal. Muitos lacraram: "É o demônio agindo!"; "A mulher estava possuída pelo demônio, mas o padre é um ungido de Deus."
Graças a Deus o empurrão seguido do tombo não impossibilitou o padre de dar continuidade à missa no evento. Ato nobre o dele de não querer registrar B.O. e sua fala de "perdão" para com a mulher. Melhor ainda que não houve nada grave além das pequenas dores locais, conforme já mencionado anteriormente.
Por outro lado, eis a frase do padre Marcelo Rossi que deu um leque de interpretações: “Amados, vocês viram como o demônio me odeia”. Bom, não precisava estar lá para fazer uma simples interpretação ou correlação das coisas. Uma pessoa tão midiática como ele ao proferir tais palavras deixa a entender que tal ação foi motivada pelo demônio que pode ter usado aquela mulher. Manifestação demoníaca? Logicamente houve um alvoroço obsessivo para acreditar que sim.
Ora, há um grande abismo entre transtorno psiquiátrico (o que já ficou esclarecido pelos familiares e conhecidos da mulher) e possessão e/ou manifestação demoníaca. A própria igreja tem uma vasta gama de documentos que discorrem sobre o tema. Agora, o que está em pauta é o exagero dessas grandes instituições (CN, RCC e afins) e celebridades religiosamente midiáticas em querer dar um veredito sobre o assunto, sem antes ter um respaldo legal, no caso, o de um médico.
Essa obsessão de que tudo é obra do demônio só serve para engrandecer os negócios, mas de uma outra forma. Assim como se criam certas doenças para vender os remédios é necessário inventar demônios para vender a cura e os produtos da religião. Precisa-se de um capeta para vender o desencapetamento. Sei que isso é polêmico e talvez entendam até de maneira simplista. Mas, mais simplista do que a grande massa manipulada dar um aval patológico, psicológico e religioso, mesmo sem ser psiquiatra, psicólogo ou sacerdote, não tem.
No Doc. de Nº 53 da CNBB - Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica - especificamente no item número 67, segue: "Poder do mal e exorcismo: Cristo venceu o demônio e todo o espírito do mal. Nem tudo se pode atribuir ao demônio, esquecendo-se o jogo das causas segundas e outros fatores psicológicos e até patológicos." Nem os próprios carismáticos, muitos deles, não se dão ao trabalho de ler e estudar sobre o assunto. É de uma irresponsabilidade tamanha afirmar sobre certas questões sem o devido conhecimento...
Lembrei-me de um fato, que presenciei, e que agora já virou causo (rs). Voltava da faculdade e me deparei com várias pessoas no meio da rua em volta de uma mulher que estava deitada. Havia ali um pastor com um bíblia na mão e gritando, daquele jeito que todos já imaginam, palavras de ordem para que o demônio deixasse aquele corpo. Sugeri para levarmos a mulher para a calçada e imediatamente liguei para o Corpo de Bombeiros. Não se passaram nem 5 minutos e o pastor liberou a mulher "enferma" dizendo que ela já estava curada. Ela mal conseguia ficar sentada no chão, mas o religioso afirmava que ela poderia entrar para sua casa. Nesse momento eu disse que o Bombeiro já estava chegando e que era necessário uma avaliação. Ainda assim o homem com a bíblia na mão tentava lacrar com palavras do tipo: "eu já libertei ela"; "não tem mais demônio perturbando ela"... E por aí vai. Salientando que ele usava sempre o pronome "EU": eu fiz, eu aconteci!!! Os bombeiros chegaram e começaram os procedimentos. Enquanto isso conversei alguns minutos com a mãe da mulher enferma e o que descobri foi: "O demônio dela é cachaça, meu filho. Ela tá bebendo desde cedo porque eu chamei a atenção dela." Só informando que já eram umas 23 horas no momento do ocorrido. Enfim, ela tomou uma injeção de santa-glicose, foi para o P.S. onde passou por umas sessões de "soro-santo" e ficou curada desse capeta de cachaça, ou cachaça do capeta. O pastor, ainda todo pomposo, com sua bíblia debaixo do braço, foi-se embora afirmando que tinha expulsado o "demonho". "Questães de interpretaçães."
E depois de tudo, eis que fica a seguinte pergunta: será realmente possessão demoníaca ou mais uma situação de obsessão por demônios por parte da grande massa manipulada e induzida à tal conclusão?
No link, segue uma das matérias veiculada na mídia:
https://veja.abril.com.br/brasil/mulher-empurra-padre-marcelo-rossi-de-palco-durante-missa/?fbclid=IwAR151Von-NItkifZsYPuESU-TWTOM90Ie2BkcL_dZm6sHc6K3HBW8ccVzkE
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
É o que se tem pra hoje: AMOR!
A experiência ocorreu num ambiente que, literalmente é deixado de lado pelo poder público e por todos aqueles que fazem promessas antes de serem eleitos. A saúde pública sobrevive à deriva, ao relento, sob os desmandos dos políticos. E haveria linhas e linhas para se narrar acerca do que podemos presenciar em apenas alguns minutos pelas recepções e corredores das UAIs (Unidade de Atendimento Integrado) mas o foco é outro.
O que se espera quando a necessidade (emergência/urgência) te obriga a procurar um local como esse, a UAI, é um mínimo de respeito à sua pessoa por parte dos funcionários que ali estão. Entende-se bem o desgaste físico e emocional de quem trabalha nessa área uma vez que faltam verbas para as despesas básicas, para os itens necessários ao atendimento e, às vezes, até o salário. Mas, uma coisa é certa, quem procura esse "socorro" não o faz por prazer e já sabe em seu consciente o que irá enfrentar a partir do momento que pisa num local desses.
Estive numa dessas unidades no dia 01/08/18. Deixo o motivo para outro momento. Adianto apenas que era uma necessidade em caráter de urgência. Recepções lotadas, corredores abarrotados e funcionários que sequer respondem educadamente a uma simples dúvida. Crianças chorando no colo de suas mães, idosos em macas, gestantes e pessoas com as mais variadas expressões de dor, desconsolo e lágrimas, fazem parte do cenário que presenciei em pouco mais de meia hora.
De todos os funcionários que ali estavam naquele período, passando pela recepcionista, o setor de triagem, enfermeiras e médica, uma única pessoa... sim, uma única mulher não me permitiu perder a esperança, a fé e a paciência. Foram aproximadamente três trocas de palavras e bem curtas, mas que, pela forma com que ela atendeu fizeram toda a diferença.
Desnecessário descrever as características físicas dessa profissional mas é sublime poder descrever um pouquinho de sua generosidade e amor ao que faz com tanto zelo. Perdi a oportunidade de saber o seu nome mas jamais esquecerei o tom de sua voz e a forma carinhosa de tratar a todos e todas.
"Meu bem o que você está precisando?", "Oh meu amor, se você precisar volte aqui mais tarde, viu?". Narrando esse contexto por aqui com certeza não dá pra expor a dimensão desse atendimento ímpar. É justamente isso que a maioria das pessoas que adentram as UAIs precisam ouvir e sentir, um amparo incondicional, atenção e respeito. Ela não sabe que melhorou imensamente aquele momento e eu só posso ser grato por ter tido o privilégio de ter cruzado esse caminho. Ela só deu o melhor de si: AMOR.
Nem tudo está perdido. Ainda há esperança.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Diário das diárias
Amigos (as), preciso da oração de vocês. Minha mãe teve um AVC. Ela está na cidade de João Pinheiro e deverá ser transferida para Patos, onde há mais recursos. Estamos tentando fazer a transferência direto para Uberlândia. Resolvendo algumas questões burocráticas irei para lá (Patos ou João Pinheiro), ainda hoje, sem previsão de retorno. Não dá pra descrever a sensação de impotência. Obrigado. (24/11/14)
Bom dia a todos/as! Depois de 48 horas conseguimos a remoção da minha mãe, de João Pinheiro para Uberlândia (Medicina). No momento aguardamos a disponibilidade de um leito. O quadro clínico dela é estável e sem sequelas aparentes, porém não deixa de ser grave e requer cuidados especiais urgentes. Apenas uma forte dor na cabeça, devido ao "derramamento de sangue" (segundo o médico). Chegamos ontem por volta de meia-noite. Passei a noite acompanhando e hoje a vida volta à sua rotina normal. Agradeço a todos pelas orações. Confesso que tive momentos que o deserto era tão solitário que o medo e a incerteza me tiravam o chão. Nessas horas fechava os olhos e buscava a Deus e tenho certeza de que foram nesses momentos que encontrei a força necessária que chegou através de suas orações. Abs. (26/11/14)
Bom dia! Lembrei-me de uma palestra que assistimos na FCU (semana da Teologia), onde o médico falava que quando a pessoa morre acaba se transformando numa "coisa". A sensação, diante de tudo que tenho vivenciado nesses dias, é que muitas vezes somos essa "coisa" ainda em vida. Encontramos pessoas e pessoas pelo caminho. Vejo "gente" que ama o que faz e se dedica com respeito, compaixão e caridade para com o próximo aqui pelos corredores deste imundo chão da saúde. Vejo também, sentindo na pele, o descaso, a frieza, em alguns olhares que dão a sensação que você - "a coisa" - é um "peso" neste sistema (da saúde). Flores entre pedras (ajuda e amizade de onde menos esperamos) e flores de plástico (enfeitam mas não tem vida, estão próximas mas são indiferentes). Minha mãe aguardava em jejum absoluto, para "fazer" um exame (nas artérias - esqueci o nome), desde domingo a noite. Ontem, depois de ter conseguido a liberação, após muita conversa de pé de orelha, após tentar encontrar um "ser-humano" por detrás daqueles olhares frios que me atendiam, nos informaram que o aparelho para o exame estava queimado. Teríamos que aguardar a liberação para fazer em outro local que tenha o aparelho. Sabe-se lá quantas horas, ou quantos dias mais! O responsável por correr atrás desta liberação, falou que ela então poderia se alimentar. Os enfermeiros não se responsabilizavam. O médico responsável, que só a recepcionou no primeiro dia (e todas as conversas que quis ter com ele, foram pelos corredores, isso quando tive a sorte de encontrá-lo, estava em cirurgia. Pelo bem, pelo mal, a autorização e responsabilidade foram minhas. Ninguém aguentaria, naquelas condições de forte dor na cabeça (por conta do derramamento de sangue), vômitos e mal estar (portanto, fraca e debilitada) a ficar mais um dia sem se alimentar. Autorizei, por conta e risco, porém, ciente do que ela precisava. As dores espaçaram e pelo menos ela conseguiu descansar um pouco (se é que existe descanso numa maca de hospital). Pra se ter uma ideia, ainda em João Pinheiro, somente uma injeção de "dolantina" conseguiu dar algumas horas de alívio. Comentei com o Gilson Rocha, a importância e necessidade de se fazer algo nessa questão, principalmente pra quem adentra no sistema de saúde. Desde João Pinheiro vi tantos casos, tantas cenas, dores que acabaram cruzando com as da minha mãe e com as nossas também (minha, da minha irmã e das pessoas que nos acompanharam). Somos impotentes, somos reféns. E com cada profissional que encontrei e encontro por esses corredores, tento enxergar e extrair um pouco do humano e mostrar que não somos meramente "coisa". Desculpem a extensão do desabafo, mas para mim escrever é libertar-se! Jaqueline, sua indicação foi muito importante pois acelerou o processo da transferência da minha mãe para Uberlândia. Hoje, estarei com minha mãe das 20 às 6:30. Abs e tenho sentido muita falta de estar com vocês! Continuo contando com suas orações. (27/11/14)
A linha que separa a realidade do imaginário e o sonho do pesadelo chega a ser imperceptível em situações extremas que fogem às rédeas do controle. Essa é a sensação do momento diante das circunstâncias que tenho vivido. E sei que o grau de cansaço, misturado com a oscilação da esperança com o medo e da impotência com a fé, está apenas no começo. Desde o domingo a noite quando minha mãe passou mal e foi socorrida pelo meu cunhado e por alguns vizinhos (em Brasilândia) até este exato momento, muitos, mas muitos nomes cruzaram nossos caminhos. Não sei se terei capacidade para tanto, mas fiz questão de guardar cada nome para que em breve possamos ofertá-los aos pés de Nossa Senhora Aparecida e de Nosso Senhor Jesus Cristo, em sinal de amizade e gratidão. Orações, ajudas frente às burocracias do sistema, telefonemas, mensagens, tudo tem sido fundamental. Minha mãe segue com fortes dores (...) Ver alguém que a gente ama sem forças e entregue numa cama de hospital, à espera que "amanhã" estará melhor e que tudo será mais fácil, confesso, queria eu estar em seu lugar. Já fiz essa proposta pra Deus, mas parece que Ele não me deu ouvidos. Neste momento minha poesia e minha teologia só tem um sentido: Mãe. (28/11/14)
Boas notícias!!! Ontem a tarde ela já estava melhor, se alimentou um pouquinho e começou a "dar ordens" pra mim e pra Cinthia (rs)! Hoje, acordou com fome. Um pouco da fraqueza se deu por conta de ficar 72 horas sem se alimentar. Juntando com a dor e as altas doses de medicamentos fortes deixava o quadro dela ainda pior. Entendemos agora que ela precisava reagir para que em caso de cirurgia esteja bem preparada. Agradecemos e contamos com suas orações. (29/11/14)
"A Família do corredor" - (01/12/14) - http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/a-familia-do-corredor.html
"Vou fazer uma oração" - (01/12/14) - http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/vou-fazer-uma-oracao.html
Bom dia! Vencemos a etapa do "exame". Acabou de ser realizado e possivelmente a cirurgia será ainda nesta semana. O médico que o realizou explicou-nos a situação. Disse que, apesar dela estar aparentemente bem, é um caso grave e por isso a urgência de fazer logo essa cirurgia. Mais uma vez, diante de tudo, contamos com a força da oração de todos vocês. Ailton e Cinthia. (02/12/14)
"Desfecho no Encontro" - (02/12/14) - http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/desfecho-no-encontro-251114.html
Aguardamos ansiosos até a próxima segunda-feira (08/12/14), coincidentemente dia de Imaculada Conceição, para saber da Junta Médica qual será o procedimento necessário para minha mãe: cirurgia ou outro tipo de intervenção. (03/12/14)
"Uma noite, três histórias" - (03/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/uma-noite-tres-historias.html
No dia de Imaculada Conceição, aguardando a Junta Médica que decidirá qual procedimento será o mais indicado para o caso da minha mãe (cirurgia aberta ou via artéria), aproveito para agradecer alguns professores que foram, simplesmente, além de seu profissional. Foram humanos! Padre-Roberto Francisco e Silvano Dias, dispenso demais palavras de gratidão mas saibam que é um privilégio tê-los no rol dos Mestres e Amigos! Aos amigos da Teologia, agradeço imensamente pelas orações e força. E até o próximo período se Deus quiser. Imaculada Conceição Rogai por nós! (08/12/14)
"Nossa Senhora me dê a mão cuida do nosso coração que sempre bateu por nós: Mãe!" - (08/12/14)
A cirurgia da minha mãe iniciou as 9 da manhã e acabou as 18:15 hrs. A demora foi devido a dificuldade de encontrar o local exato do aneurisma. Não teve complicações durante a cirurgia. Vimos ela no corredor, quando saiu da sala cirúrgica direto para a UTI. Apesar do sedativo respondia a todos os sinais e quando eu e minha irmã falamos com ela. Aguardamos por uma hora e depois a vimos novamente na UTI. Da mesma forma respondia que nos entendia. Segundo o neuro-cirurgião o quadro de saúde dela teve uma boa evolução desde o dia 23/11 quando teve o AVC. Ele não sabia explicar como que minha mãe não teve sequelas ou pior que isso, não morreu, pois é algo inexplicável para a ciência. Nos tranquilizou e também falou de todos os riscos. Na UTI, ouvimos a conversa de dois médicos, durante a troca de turno, sobre a boa evolução no quadro dela, o sucesso da cirurgia, e que ela respondia a todos os sinais e ao som de vozes. Aparentemente, não havia perdido nenhuma função e não precisou ser "entubada". Nesse momento, eu e a Cinthia apenas agradecemos a Deus e às orações de todos, pois nossa mãe é um milagre! O horário de visita na UTI é restrito. Após as 16 horas teremos mais notícias. Obrigado mais uma vez. (09/12/14)
Boa tarde! E, com muita alegria, já respirando aliviado, agradecendo a Deus e a todos pelas orações (...): minha mãe já foi transferida da UTI para o leito do Cirúrgica I. Ela está um pouco inchada mas passa bem. A emoção do nosso reencontro foi tanta que eu não contive as lágrimas. Lágrimas de felicidade e gratidão. Por fim, ela que falou pra eu me acalmar. Me contou detalhes de sua primeira noite na UTI. Reclamou de um enfermeiro que demonstrava desinteresse pelo trabalho (rs). Pra variar um pouco me deu "ordens". Rimos bastante quando falei que ia comprar um "berço" e colocar ao lado da minha cama, para quando saísse do hospital. Bom, é isso! Com certeza, o nosso Presente de Natal chegou antecipado! Pessoal, obrigado de coração pelas orações e pela força! (09/12/14)
"Nossa Mãe é um milagre" - (10/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/nossa-mae-e-um-milagre.html
"Jamais seremos os mesmos" - (11/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/jamais-seremos-como-antes.html
"Estradas que se cruzam" - (11/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/estradas-que-se-cruzam.html
Amigos, amigas, minha mãe já está em casa. Essa foi nossa última noite no hospital, Graças a Deus. As palavras finais do médico para minha irmã, antes da alta: "O caso da sua mãe é gravíssimo e ela está viva por um milagre. Agradeçam a Deus". Se a ciência, pelas Divinas mãos humanas, rendeu-se à Fé, só nos resta agradecer a Deus e à Nossa Senhora. Obrigado a todos pelas orações, principalmente. Com certeza nosso Natal será diferente! (15/12/14)
"A cadeira e o tempo" - (16/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/a-cadeira-e-o-tempo.html
"Sinais" - (17/12/14) -
http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2014/12/sinais.html
"O mundo não parou na sua ausência, mas nós paramos o nosso mundo por você, Mãe. Nossa Senhora cuidou de ti." (15/12/14)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Estradas que se cruzam
Estradas que se cruzam, histórias que se entrelaçam,
Vidas que se achegam, memórias que celebraremos,
Eternamente.
Hoje, 11/12/14, adentrei mais uma vez aquele corredor da ala denominada Cirúrgica I - Hospital das Clínicas de Uberlândia (Medicina). Meu ombro já estava descansado, sem o peso da ansiedade e da espera por minha mãe. Aliviamos toneladas de tensão e saboreamos a sua recuperação, minuto a minuto.
Naquele corredor, sabemos, não era só a ela que necessitava de atenção com urgência. Muitos outros pacientes em situações, talvez, piores, também aguardavam o seu momento. Fui então visitar alguns leitos onde os enfermos e seus acompanhantes se fizeram próximos e solidários.
A começar pela nossa chegada na Medicina, madrugada do dia 26/11/14, enquanto aguardávamos no corredor por uma melhor acomodação para minha mãe, vi algumas cenas marcantes. Um casal de velhinhos, onde o senhor cuidava de sua esposa sobre a maca. Ele, sentado numa cadeira ao lado, sempre atento e prestativo aos movimentos dela. Amor e cumplicidade quase em extinção para os parâmetros modernos.
Ainda nesta madrugada uma mulher inerte sobre uma cadeira de rodas. Havia perdido um ente querido. Não soube se era seu marido ou filho. Ao seu redor vários familiares e amigos próximos a amparavam e sofriam a mesma dor. Ela, manteve-se forte sobre a cadeira, sem esboçar reação durante um bom tempo. Mas, a realidade lhe remeteu às lagrimas. No silêncio que já pairava naquela recepção fria eis que ela se desaba e leva outros pacientes à comoção. A morte, chega para todos e a vida deve ser vivida e celebrada a cada momento.
No corredor, onde nossa mãe aguarda pela alta médica, já famoso por nossas andanças, levaremos muitas recordações. Um rapaz, de frente ao leito 112, que aos 20 anos de idade fez duas cirurgias devido a um AVC, fora embora para sua casa na semana passada. Um senhor bem de idade que, durante a noite acompanha um paciente, pois a esposa só pode ficar durante o dia e os quatro filhos não se comprometem com o pai enfermo. De frente a este uma mulher também com aneurisma que teve seus dias de surto. Por fim caiu por cama e dali só piorou. Foi entubada, teve a morte cerebral confirmada e depois disso a falência múltipla dos órgãos. Dois filhos apenas sendo que a mulher de 23 anos demonstrava desinteresse e irresponsabilidade com a mãe. O rapaz de 20 anos, ao contrário do que a irmã dizia, foi mais humano, filho de verdade e muito mais responsável. Histórias e mais histórias de dor, superação, esperança e também de decepção.
Havia também no mesmo ambiente uma senhora, acompanhada pelo marido. Sem um pingo de humildade esboçava o descaso para com as outras pessoas. Sentia-se a melhor por ter uma condição financeira superior. Os pacientes que caiam com ela no mesmo quarto reclamavam. O tempo todo dizia que estava ali apenas porque a Medicina tinha os melhores aparelhos e médicos, pois, o seu convênio cobria qualquer hospital particular de Uberlândia.
As histórias que contamos e as figurinhas que trocamos madrugada afora ficarão seladas num grande álbum de recordação da memória. E não podíamos deixar de falar da companheira de quarto da mãe, a Fátima e sua mãe, dona Rita que a acompanhava. Pessoas simples que se tornaram praticamente familiares. Combinamos um encontro de comemoração, após a cirurgia de ambas.
Jamais seremos como antes
Desse tempo todo, desde aquele domingo, vinte e três de novembro de dois mil e quatorze, confesso que chorei apenas uns três dias. Isso na sua frente, porque nos outros dias, eu segurava as emoções para o silêncio do meu quarto ou bem longe de todas as vistas.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Nossa mãe é um milagre
Dentre os corredores que pisamos, o do Hospital de João Pinheiro foi o que mais me marcou. O encontro com Jesus Eucarístico me alimentou de esperança. Senti que a Luz estava acesa em nossas vidas e que nossa mãe estava divinamente amparada.
As dificuldades burocráticas e humanas foram muitas mas as intervenções dos nossos amigos e amigas, verdadeiros "anjos sem asas", e das orações vindas de muitos cantos foram um pedacinho de céu para nós e especialmente para nossa mãe.
O medo foi implacável conosco. Sei que minha irmã Cinthia sofria pelo mesmo motivo, o de imaginar cada cantinho de nossas vidas sem o "pitaco" de nosso "Pilar". Esses quinze dias, desde a sua internação, experimentamos a dor da espera e novamente, feito obra Divina do Criador, dona Claudete supera o problema e surpreende a todos. Teve uma evolução inexplicável em seu quado clínico.
Ontem, dia 09/12/14, todo o procedimento cirúrgico teve aproximadamente nove horas e quinze minutos de duração. Uma verdadeira agonia. Ouvimos dos médicos palavras positivas acerca da cirurgia. Apesar da complexidade não houve nenhum agravante. O pós-operatório também é demorado e requer cuidados. Acreditamos que onde as mãos do homem não chegam, Deus se faz presente através das orações de cada um. É nisso que nos agarramos.
Por falar em oração, fiquei inerte e não conseguia sequer um "Pai-Nosso". Tentava falar com Deus. Pedia perdão por não conseguir sequer orar. O máximo que fazia era o Sinal da Cruz. Ainda ontem visitamos nossa mãe na UTI após a longa espera pelo fim da cirurgia. Ela nos ouvia e respondia balançando a cabeça. Em seguida passamos na capela do Hospital e, mais uma vez, diante do Santíssimo choramos e pedimos apenas por sua saúde e por uma boa recuperação para que possa continuar a nos "co-mandar" do jeito que sempre fez.
Li no Evangelho de hoje, que Jesus chamou para Si todos os que estavam cansados e fatigados sob o peso de seus próprios fardos pois N'Ele teriam descanso. Lembrei-me então de outras passagens, sempre tão tocantes e profundas em cada releitura, como a da mulher hemorroína que puxou o manto de Jesus quando ele passava pela multidão. Jesus sentiu uma força saindo de Si. A fé da mulher foi tanta que ficou curada. Noutra passagem, aquele que gritou "Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!" As pessoas tentavam intimidá-lo para que se calasse e ele gritava ainda mais alto. Jesus o escuta e a fé leva o homem à cura. São sinais, milagres que o tempo não apaga e que alimentam principalmente a nossa fé.
Inacreditavelmente quando minha mãe foi parar no quarto 112, automaticamente pensei no dia de Nossa Senhora de Aparecida, celebrado em 12 de outubro. Claro que era apenas uma coincidência mas uma coincidência divinamente boa. No dia 08 de dezembro decidem o procedimento cirúrgico mais apropriado e, mais uma vez, é o dia de Imaculada Conceição. Fatos, números, datas que ficarão eternamente em nossos corações. Enfim, já estamos com nossa fortaleza e agora entramos na etapa da "recuperação" e de muitos e muitos agradecimentos.
Por falar em agradecimento, começamos agradecendo a Deus que neste ano antecipou o nosso presente de Natal: nossa Mãe está conosco, renascida, reerguida.
Nossa Senhora me dê a mão, cuida do nosso coração que bate fora de nós: MÃE, nós te amamos! Ailton e Cinthia
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Uma noite, três histórias
Na noite do dia 24/11/14, no hospital de João Pinheiro (MG), enquanto minha mãe era medicada num quarto do pronto-socorro eis que algumas histórias me chamaram a atenção. Na verdade era impossível não perceber o que acontecia naquele reduto.
Uma adolescente de aproximadamente 15 anos chega de ambulância direto da cidade de Brasilândia. Segundo sua mãe, a menina tomava banho descalça quando recebeu uma descarga elétrica no chuveiro. Era uma noite chuvosa e com muitos raios e trovões. Um desses raios caiu próximo de sua casa, o que, possivelmente atingiu sua filha no banho. Ela chegou com convulsões e queimaduras. Toda a equipe de plantão fora acionada. Os outros pacientes tiveram de aguardar. Um cardiologista foi requisitado às pressas. No desespero a mãe adentrava a sala onde faziam os primeiros socorros e saia aos prantos. Recostava sua cabeça na parede e pedia socorro à Deus para que salvasse sua menina. Não havia quem não se comovesse com a cena.
Uma hora depois, enquanto eu carregava meu celular na recepção do pronto-socorro chega uma senhora com fratura exposta na perna. Outra situação complicada e chocante. Nesse momento preferi não ficar perto. Fui para fora. De longe acompanhei a movimentação das pessoas que a trouxeram e juntamente com os enfermeiros a tiraram do carro. Ela aguardou um bom tempo no corredor até que houvesse profissionais disponíveis para atendê-la. Já não sabia o que era pior de se imaginar para aquela senhora: ser retirada do carro com sua perna enrolada numa toalha ou aguardar sobre uma maca naquele corredor tumultuado e nada higiênico.
A terceira cena que presenciei foi a chegada de uma mulher. Foi trazida num carro particular. Estava no banco de trás. Quatro homens a retiraram do veículo e assim que adentrou a recepção começou a se debater e gritar. Juntaram mais duas pessoas e ainda tiveram dificuldades para colocá-la sobre a maca. Sua filha e o porteiro a seguraram por algum tempo até que aplicaram-lhe uma injeção sedativa. A situação ficaria mais tensa. A mulher falava com uma voz estranha, como se não fosse ela. Xingava sua filha, o porteiro, os enfermeiros, a médica e quem cruzasse seu campo de visão.
Sua filha contou que ela estava frequentando uns "centros esquisitos". Pouco depois revelou que a mãe havia feito uso de cocaína. Por fim, logo falaram pelo corredor que a mulher estava possuída de um espírito maligno. Levaram-na para um quarto e a amarraram na cama. Sua roupa estava toda molhada de xixi. Vou te contar uma coisa, com umas doses de sabe-se lá o quê fica facinho de encapetar o sistema. Lembro-me de uma vez que arrisquei tomar uma garrafa de San Remy no bico. Aff! Foi o bicho pegando! Mas fui curado com uma santa glicose e um belo sermão da minha mãe. Creio que deva ser o caso dessa senhora.
Ela continuava no xingamento total e sua filha, no desespero, saia para fora e chorava no corredor. Tentaram desamarrá-la mas quando o enfermeiro soltou uma das mãos tomou uma bolacha no pé do ouvido que deve ter ficado com o barulho de telefone ocupado até hoje. Ele ficou com tanta raiva que ligou para a polícia e exigiu que a mulher fosse presa por desacato e desrespeito ao funcionário público. A filha entrou em pânico. Nesse momento a moça caminhava pelo corredor rumo à saída e eu a chamei. Eu estava com uma camiseta de Imaculada Conceição. Disse-me que era católica. Só não entendi porque ligaram para o pastor. Enfim, ofereci algo que carrego com muita estima e devoção, um crucifixo de madeira com a medalha de São Bento. Fiz questão de anotar num pedaço de papel a oração de São Bento e entreguei-lhe com a Cruz. Falei pra ela rezar toda vez que entrasse no quarto.
Enquanto isso, chegavam três viaturas policiais juntamente com mais duas motos. Eram dez homens para dar conta da pobre possuída que meteu a mão na cara do enfermeiro. Nada fizeram quando viram a mulher amarrada, se debatendo e falando com uma voz estranha. Formaram uma roda do lado de fora e ficaram falando sobre pessoas que pegavam espírito. Estavam era com medo.
Passado alguns instantes chega um pastor e logo foi levado até a enferma. Mais uns minutos e chega um segundo pastor. Eita! Sessão de desencapetamento por volta das 23:30 horas deste dia. E agora, qual bandeira seria a responsável pelo caso da libertação dessa senhora? Após curarem a mulher, quem levaria a fama e o veredicto final? O babado tava louco e eu não podia falar pra doutora do caso que uma boa dose de glicose no ato e um bom sermão após doze horas seriam suficientes.
Tive pena da filha que pagou o pato, passou vergonha e ainda implorou para não levarem sua mãe presa. O enfermeiro não quis dar continuidade na queixa. Ufa! Os policiais agradeceram. Ninguém queria encostar naquela pobre (...) Possuída?! Possuída sim, mas pela força do pózinho de pir-lim-pim-pim!
Horas mais tarde, madrugada do dia 25/11/14, encontrei a filha da senhora (ainda acamada, porém livre e desamarrada) pelo corredor. Sua mãe estava tranquila. Passou o efeito das drogas e o sedativo a possuiu geral. A mulher havia acordado e não se lembrava de nada. Sentia dores nos braços e nas pernas onde foram amarrados. Não sabia como chegara ali. Sua voz estava mansa.
Esses foram apenas os casos que presenciei. Não sei como foi que aconteceu, só sei que foi assim. Uma noite, três histórias: choque, fratura e desencapetamento do pir-lim-pim-pim.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Desfecho no Encontro - 25/11/14
Eu caminhava pelo corredor rumo à saída. Precisava tomar um pouco de ar. Minha mãe já havia sido retirada do pronto-socorro e transferida para o leito de um quarto no hospital de João Pinheiro. A cem quilômetros de Brasilândia, cidade que minha irmã residia com seu marido e filhas até então e quase quatrocentos quilômetros de distância de Uberlândia, João Pinheiro, infelizmente, faz parte da estatística das cidades sem recursos à saúde, principalmente em casos em que a necessidade de um atendimento específico seja urgente.
Desde domingo a noite (23/11/14), quando ela foi socorrida e levada por meu cunhado Lucas e alguns vizinhos para para o pronto-socorro de Brasilândia e posteriormente até João Pinheiro, permanecia no quarto das emergências. A visão deste ambiente era das piores. Poucos profissionais tem um atendimento adequado e ao nível merecido de cada ser humano. Desses dias guardamos o nome do Dr. Ricardo e da enfermeira Eva pela dedicação e respeito.
Havia deixado minha mãe sob os cuidados da minha irmã. A pessoa que agora dividia o quarto com ela também havia sofrido um AVC, porém, suas condições eram bem piores. Apesar dos pesares e das fortes dores na cabeça, dona Claudete estava sem sequelas aparentes.
Eram dezesseis e cinquenta e cinco e eu seguia caminhando por aquele corredor repleto de imagens que conseguia visualizar através das portas entre-abertas. Cenas que não tem descrição. Sofrimento estampado no semblante de cada habitante de cada quarto.
Logo após seguir pela direita e depois para a esquerda avistei uma senhora de casaco branco, Ministra da Eucaristia, caminhando na minha direção. Carregava cuidadosamente, envolto numa toalhinha, o Corpo de Cristo. Com um sorriso singelo e tranquilo ela me abordou e disse: "Jesus vem até você te dar um abraço." Retribui o sorriso mas continuei meu caminhar à saída. Parei. Hesitei. Não podia mais continuar naquela direção e então voltei. Eu precisava retornar para dentro da capela, onde Ele se encontrava.
Era uma celebração simples mas profunda. Fui tocado de forma que não há explicação. Enquanto rezávamos o Pai-Nosso minha irmã vinha me contar algo: "Conseguimos o OK para a transferência da mãe para Uberlândia. Aguardamos apenas a chegada da enfermeira que irá acompanhando na ambulância." Foram quarenta e oito horas desde domingo. O quadro dela era estável e, apesar das dores que a deixavam inquieta, disse que queria assistir uma Missa na Nossa Senhora da Abadia, cidade de Romaria (MG).
Recebemos muito apoio e não tem como falar de cada um. Todos foram essenciais para chegarmos até aqui e continuam sendo especiais para nós. O que sei mesmo é que naquele momento em que Jesus Eucarístico passou por mim, sem eu perceber Ele resgatou minha fé, renovou minhas forças e nos trouxe esperança.
Esse momento em especial havia partilhado apenas com dois amigos do Curso de Teologia, Gilson e Ricardo. Percebo agora que não é meramente um fato importante mas sim a história que vivenciamos nesses dias. É a história em que Jesus caminhou em nossa direção e se mostrou presente em nossas vidas. Quando mais sentimos o medo e a dor solitária da incerteza Ele vem até nós. E no desfecho desse encontro acalenta nossa alma e nos encoraja para a luta.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
A família do corredor
De repente, a dor que sinto já não é meramente minha ou de minha irmã. De repente estou, estamos, compartilhando a dor alheia daqueles que passam por situações semelhantes ou piores à nossa.
Uma movimentação maior que o normal acontece no
quarto de frente ao 112. Todos os que acompanham os pacientes nos outros leitos
se postam de prontidão nas portas de cada quarto. Enquanto o paciente é retirado
às pressas por uma equipe de enfermeiros e médico uma senhora sofre em
lágrimas. Soube mais tarde que ela é irmã do enfermo.
Neste corredor não há uma crença que impere e
domine. Existe apenas uma fé que nos une. Sabemos que há um Deus que nos ouve,
acolhe, cuida através dos profissionais que aqui estão. Na teologia deste
corredor, a vida acontece sem ritmo normal. A fé está no coração até mesmo dos
céticos. A poesia se tece em gotas de esperança. 


























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