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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O que ninguém vê


Repousa à margem social
Da vida medíocre e sem igual
De uma classe que acusa, julga e condena
Mas que que ao marginalizado não se atenta


Repousa sob a penumbra invisível
Aos olhos de quem menospreza o sofrido
História do carrasco terrível
Memória de quem não se dá por vencido


Repousa sob alertas pichados
Aos cidadãos que estufam de falácias
Um pedido que ecoa silenciado
Pois, sobreviver é afronta, é audácia


Repousa entre muros de papel
Sob os holofotes de olhares e faróis 
Tendo seu teto não menos que o céu
E os papelões como seus lençóis


Repousa ternamente sem berço esplêndido
Um filho teu que luta pela sobrevivência
E foge das armas do olhar pervertido
E dos apontamentos da fria aparência

Repousa nas calçadas sem liberdade
Sem o amor e a esperança dessa terra incerta
Há quem diga que há penhor na igualdade
Mas a verdade é que ela exclui e enterra

Repousa absoluto em seu canteiro
E se ergue sem a clava forte da justiça e esquecido
O que é liberdade, às vezes, é cativeiro
E por fim, nem todo filho é gentilmente reconhecido

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Amor não se cria, ou se tem ou é vazia



Vagueia perdida entre os escombros da vida

Minh' alma que se recupera das lutas vividas

Na escaldante solidão dos desertos incertos 

Em que no sonho irreal a dor é o concreto 

O grito interrompido pela espera no tempo

As lágrimas que banham minha face ardente

Face ao veneno trazido escondido

Nas facetas da vil e ardilosa frieza

Que sem pudor usurpou sem meu consentimento

Cenas e capítulos da minha "pequena" alegria

Jogou injúrias e calúnias ao vento

Mas jamais teve a impetuosa destreza

Para punir a quem de fato lhe causou sofrimento

E cobrar a quem lhe virou as costas no momento

Preferiu transferir a sentença

Por saber que seu próprio jeito frio de ser

Ao meu amor jamais conseguiria fazer frente

Pois a mim que fui criado no amor e na simplicidade

Daria e dou minha vida a bem da verdade

Mas para aquela que nunca soube amar

Porque nunca fora amada

Sobrou-lhe da vida a desilusão

E mesmo que tenha lutado 

Para viver uma vida ao meu lado

Não passava de mentira inventada

Para realizar seus caprichos

Às custas do amor que tenho aos meus

Mas para aquela que nunca soube amar

Porque nunca fora amada

Pois ao invés de ser protegida e cuidada

Por aqueles que deveriam

Fora simplesmente abusada e desacreditada

E um dia será desmascarada

O preço justo no tempo pagando

E em seu próprio veneno se afogando

A vida dá, a vida ensina

A vida tira, a vida é traquina

Se tem algo que o ser humano pode é poder

Mas o que ele não pode é ferir para se satisfazer

Passe o tempo que passar

Que eu tenha que morrer

Um dia a cobrança irá lhe chegar

E onde quer que eu esteja 

Estarei assistindo sua derrocada com certeza

Brindando com meu próprio sangue

À luz de vela, ou de minha alma...

Tentou inventar amor mas falhou sem alegria

Amor não se cria, ou se tem ou é vazia


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2020, o ano que não terminou



2020 poderá ficar marcado para sempre como o ano que nunca se acabou. As consequências de tudo o que vivemos e passamos serão marcas eternas em nossa vida, em nossa alma. 

Muitos distantes que se fizeram próximos, muitos próximos que se distanciaram. Enquanto fomos obrigados a usar máscaras por um bem maior, muitos seres tiraram a máscara e mostraram sua verdadeira face.

Vidas se perderam e com o distanciamento percebemos o quanto um tato, um contato, um abraço faz falta.

Se eu tiver que escolher algo em que acreditar e levar para o próximo ano, se eu puder ter esperança em algum sentido, depositarei toda a minha fé na Justiça, a dos Homens e a Divina.

Que 2021 não seja apenas o reflexo ou simplesmente a sequela do que passamos até agora, mas que realmente seja um ano de muita humanidade, sensatez, esperança, fé, e que o sonho jamais se acabe... "E que a maior revolução seja o Amor!"

Feliz Ano Novo!