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domingo, 14 de agosto de 2022

"A alegria que me dá, isso vai sem eu dizer"



Das coisas boas dessa vida
Não gosto de passar vontade
Um café com prosa dividido
Com pessoas de verdade
Gosto da brincadeira de aventura, uma leitura
E no café um pedacinho de rapadura
Sou fã das coisas simples
Feitas com amor e intensidade
Arroz e ovo são banquetes
Que dispensam aparências e vaidades
Das minhas preferências
Sempre foco na essência
E dispenso a frieza das aparências
Mas se tem algo que me realiza
Que sempre carreguei 
Pra onde quer que a alma vai
É a alegria que me causa
Essa certeza de que nasci para ser Pai




quarta-feira, 7 de julho de 2021

Esquinas da vida


Seguia meu trajeto de carro, pelo mesmo percurso de sempre e parei num semáforo. Aguardando o tempo, pensando, observando. O bom de se passar pelo mesmo lugar é que você passa a observar os detalhes da paisagem e as pessoas que circulam por ali. Sabe que pela manhã a senhorinha sai para varrer as folhas caídas em sua calçada. O senhorzinho leva seus cachorros para um passeio. Casais retiram o carro da garagem. Os garis começam sua rotina de trabalho deixando as calçadas limpas. Cada um na sua rotina. 

No semáforo um homem de meia idade vende gominhas. Ele passa por entre os carros oferecendo. Na calçada, seu filho de 6 ou 7 anos também oferece doces para os veículos mais próximos. Ambos são cordiais, educados e mesmo de máscaras percebo o olhar humilde e singelo de quem cumpre com seu trabalho de forma digna e honrosa. O filho, companheiro de seu pai, trabalha com o mesmo empenho. Chama cada motorista em seu veículo e oferece seu produto. Sente-se feliz por isso. Trabalhando, ajudando seu pai. 

Na calçada estavam seus pertences. Duas mochilas, uma do pai, outra do filho. Todo o suor, dever, esperança carregados em poucas coisas. O descanso, o momento para um gole de água, a própria refeição se dão ali, debaixo de uma árvore que sombreia calçada e parte da rua. Ali é o seu reduto sagrado para se ganhar o pão. O pai não tem vergonha de vender doces no semáforo. O filho sente orgulho de seu pai. É tudo notável. Respeito e dignidade no olhar.

Como o carro estava na faixa que beirava a calçada fui abordado pelo menino. O vidro do meu lado já estava abaixado. Acabara de comprar pão de queijo na padaria. Estavam quentes e eu já vinha degustando pelo caminho. Seguia observando o trabalho do pai e o movimento do filho que se espelhava nele. O menino então me oferece seu docinho. Naquele momento, desprevenido, não pude contribuir para o trabalho de ambos, mas ofereci pão e queijo quentinho. E esse foi o momento ímpar.

- Não tenho dinheiro amiguinho, mas você gosta de pão de queijo?
- Gosto sim!
- Você aceita pão de queijo quentinho?
- Aceeeito! Muito obrigado.
- Por nada...

Nossos olhares se sorriram. Ele correu para contar e mostrar para o seu pai. A luz verde do semáforo me fazia prosseguir. E eu só pude ver pelo retrovisor o sorriso do pai e um sinal de positivo enquanto ele agradecia: "Deus abençoe!" 

É uma cena corriqueira, cotidiana a qual nos deparamos diariamente. Pessoas nos diversos cruzamentos dos grandes centros e bairros movimentados fazendo esforços em busca do auto sustento e o dos seus. Peças de veículos, frutas, doces, malabares, encontramos de tudo nas esquinas da vida. E o que eles têm em comum é a necessidade de sobrevivência, a coragem de correr atrás, a dignidade em forma de simplicidade, e poucos olhares atentos que se voltam para eles.

De tudo, nessa cena, ficam o olhares, da criança e do pai. Olhares que foram literalmente a minha benção do dia. Pai e filho, numa esquina qualquer em busca do pão... Juntos, felizes e unidos...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Doce reencontro


Foi assim
Foste meu
Foste tudo
O alicerce e o muro
Até que desfez o meu mundo

Foste para mim
O bom homem e amigo
O versátil e sabido
Tão justo e tranquilo
Meu herói mas também bandido

Na solidão do deserto
Em que te quis tão perto
E me trancafiava em pensamento
Entre sua ausência e meus lamentos
Aguardando um desfecho incerto

Quis pagar-lhe em vida a minha morte
Tamanha minha dor de ti nesse corte
Deixando-lhe na penumbra de sua (in) consciência encarcerada
Com os horrores do peso de sua ausência gelada
A lhe atormentar pelo o tempo de sua eterna jornada

Não quis assim a vida
Foi preciso virar a página sofrida
Aproximar do teu calor
Pra sentir outra vez o teu amor
E entender que tu jamais deixou de receber o meu valor

Não sei se foi uma religiosa profecia
Se foi o tempo, maturidade ou magia
Mas posso lhe dizer, meu pai, que a vida é poesia
E nesses versos que em monólogo eu proseio
Você foi partida, foi meu fim e é o meu precioso meio

Descobri nesse novo tempo
Que minhas dores e meus lamentos
Era a incerteza de querer teus braços
A saudade em nó sem laço
E tua figura pra reafirmar meus passos

Nosso reencontro foi mais que alegria
Foi conhecimento, foi respeito, cerveja e companhia
Foi crescimento, foi perdão, emoção e poesia
Que depois da espera do tempo sofrido
Valeu cada segundo vivido e merecido

Sou de ti, meu pai, um admirador
Que extraiu do silêncio e da dor
O que há de mais sincero para lhe dedicar meu amor
De ti, muito mais que lembrança e saudade
Novo tempo, esperança e amizade...


Ao meu pai Derci Domingues de Oliveira


 














sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Linha do tempo


"Linha do tempo" foi o relato, o resumo de fatos da minha vida, apresentado e compartilhado no 3º Período de Teologia, disciplina de Bíblia III. Momento importante e de fortes emoções.

O primeiro filho; primeiro neto; primeiro bisneto; primeiro sobrinho. O fato de ter sido o primogênito e ter se mantido como único durante 10 anos, renderam-me várias regalias, coisas que meus avós sempre faziam questão de me contar. Ainda por conta dessa honraria toda, tive o privilégio de ter passado bons longos períodos na casa de meus avós paternos (Benedito e Maria Aparecida) e maternos (Joaquim e Iolanda), principalmente. Minha irmã, Cinthia, nasceu quando eu já tinha 10 anos, uma diferença de idade que não foi empecilho em nossa intensa relação de amizade e cumplicidade.

Meus pais, hoje separados, chegaram a participar do ECC e também do Cursilho. Meus avós (de ambas as partes), sempre foram católicos, mas do lado da minha mãe principalmente a religiosidade ainda era mais evidente e participativa. E foi graças a estes que minha base religiosa, considero, foi essencial para a formação.

Avó Iolanda, mãe da minha mãe, tinha um sonho: ver-me tocando violão na igreja. Esse gosto eu pude dar à família. Meu primeiro violão foi comprado em Aparecida no Norte quando eu tinha ainda 8 anos de idade. Tive duas aulas apenas. O resto foi esforço e vontade.

Professores. Sempre tive muita admiração e respeito por cada um que passou pela minha vida. Hoje, recordo com saudade e gratidão de cada um em particular, pois seus ensinamentos, fruto do amor com que se dedicavam à educação é trazido comigo no coração. 

Após a Crisma, entrei em grupo de adolescentes, passei para grupos de jovens, fui coordenador em ambos, coordenador da comunidade, da Paróquia, fiz parte da equipe de coordenação Diocesana e representava a Diocese no Sub-Regional. Tudo isso no ambiente Pastoral da Juventude. Enquanto participante dos grupos de adolescentes fiz muitos teatrinhos e escrevi alguns que ficaram marcados, um sobre "Família", outro intitulado "Menino de Rua", que guardo com carinho até hoje e um outro que foi sobre a história de vida dos meus coordenadores João e Marisa, meus grandes amigos e hoje compadres, pois me deram a honra de batizar o seu segundo filho, o Felipe. Fui um adolescente custoso, no sentido namoro. Nos retiros de adolescentes haviam sempre monitores olhando a turma de longe e uma dupla exclusiva para me olhar de perto. Lembro que quando a gente começava a namorar, o estilo autoritário e paternalístico dos coordenadores nos obrigava a contar para os pais, principalmente das meninas. Passei uma vez por essa corte! (Rs). Um dia, fui lá conversar com o pai da minha namoradinha. A primeira vez a gente nunca esquece. Nessa época haviam também muitos rivais. As famosas rinchas. Eu e mais 2 amigos não podíamos sair sós que o risco de ser linchado era grande. O motivo causador era simples, pois enquanto a molecada saia para aprontar farras e brigar, nós saímos para a famosa paquera, o início do "ficar". Essa diferença de atitudes pra época desqualificava nossos algozes para arrumar uma namoradinha e nos deixava em evidência. 

Tamanho e peso. Precisava superar meus limites. Não era muito bom com o futebol. O contato corporal no esporte me fazia ser um risco para a equipe. No menor dos esbarrões eis que o sangue quente subia rápido demais e a porrada corria solta. Eu precisava me superar tanto na questão disciplinar do auto-controle quanto na minha auto-confiança. Primeiramente o vôlei de dupla. Sábados e domingos eram numa quadra de cimento de um clube modesto da vila onde morava. Passávamos o dia, eu e mais alguns colegas, apenas com garrafas de água que levávamos de casa. Vez ou outra um pão com mortadela. Ainda no quesito superação, era necessário extravasar aquela energia de uma outra forma. Foi onde entrei para o Muay Thai. Foram 6 anos com direito a 5 lutas. Da mesma forma, sem altura e com peso baixo, precisava compensar com agilidade e esperteza para não ser apenas o saco de pancada da vez. E assim se fez. Das lutas, 4 foram vitórias. Apenas a primeira, para um exame de faixa com um graduado mais alto e mais pesado que o castigo foi forte. Ossos do ofício.

A fome pelo vôlei era tanta que aos 16 ou 17 anos, eu e mais um amigo da época movimentamos um torneio masculino e feminino entre as comunidades da Igreja Católica de Piraju. Conseguimos patrocínio, ganhamos uma semana grátis no Ginásio de Esportes da cidade, compramos um jogo de camisa, rede, bola e ainda contratamos os juízes. A abertura oficial do torneio contou com o ginásio lotado. A entrada dos times uniformizados com as respectivas bandeiras de sua comunidade deu um ar de seriedade e comprometimento mostrando que as disputas seriam acirradas. O pároco fez uma celebração abençoando aquele momento, os participantes e toda a comunidade presente. Haveria premiação para a melhor equipe, ou seja, aquela comunidade que conseguisse fazer seus times (masculino e feminino) chegar mais perto das finais. Os melhores atacantes, levantadores e destaques também seriam premiados. Mais uma vez, vai eu correr atrás do déficit de altura. Compensar de que forma? O peso leve me dava a vantagem da impulsão. Então, durante a preparação do campeonato que durou cerca de 2 a 3 meses restava-me trabalhar todos os fundamentos do vôlei para chegar ao melhor grau possível da perfeição. Trabalhava a impulsão correndo na areia e com exercícios específicos. O resultado foi positivo. Nossa comunidade ganhou em primeiro lugar no masculino e no feminino, levando assim o troféu de melhor equipe. Levamos também o destaque feminino, atacante masculino e por último eu fiquei com o troféu de melhor levantador da liga. Além desse torneio de equipes, realizamos outros 3 torneios de vôlei de dupla, dessa vez só entre as pessoas de nossa comunidade.

Amizade. Sempre fui dedicado com minhas amizades mas nem sempre a recíproca foi verdadeira. Hoje, olhando para trás, tento entender porque algumas pessoas às quais me dediquei só estiveram presentes enquanto precisavam de algo em troca. A pergunta já é uma resposta. Há amigos e amigos. O tempo se encarregou de afastar de mim aquilo que não era verdadeiro. Um desses amigos, ou ex amigo, é justamente este que foi meu parceiro em tantas partidas de vôlei de dupla e que me ajudou a organizar aquele torneio entre as comunidades. Por outro lado, algumas pessoas daquela época de adolescência, e que eu não tinha muita amizade, hoje nos aproximamos e nos redescobrimos. Para essas situações tenho alguns escritos no blog: "Controvérsias da Amizade I e II" e também "Defuntos Vivos".

Farmácia Drogamed. Um trabalho que durou 10 anos, rendeu-me experiência e uma amizade eterna. Heloise, foi mais que amiga, foi uma irmã. Torcemos para o mesmo time, Corinthians. Ela, fanática por esporte, também jogava futebol. Após 3 anos trabalhando comecei a receber propostas de outras concorrentes até que numa terceira ou quarta vez ela não quis cobrir e eu saí. Arrependimento desde o primeiro dia de trabalho no novo lugar. Foram quase 1,5 anos até que pedi as contas. Um representante de laboratório, amigo em comum entre eu e a Heloise, comentou com ela sobre minha saída da outra farmácia. Automaticamente, sem eu saber, ela dispensou um funcionário para me recontratar. Foi o céu para mim. Quando recomecei o trabalho com ela, logo percebi que havia algo estranho acontecendo. Ela e seu esposo (pessoa que guardo muita admiração e respeito) já não se entendiam bem. O tempo que ela estava deixando a farmácia para jogar futebol era o motivo mais aparente daquele clima hostil entre ambos. Fui me inteirando de tudo e percebendo muitas pessoas estranhas passando por ali, todas, fruto de sua nova fase de amizades trazidas pelo futebol. A separação deles coincidiu com a separação de meus pais. Fomos ponto de apoio um ao outro. E após o Curso de Inverno de 99, quando comentei com ela da experiência que vivi lá, ela abriu-me o coração. (...) Sua nova fase não seria fácil. Seus pais praticamente a condenaram. Hoje não mais. Está tudo resolvido na família. Mas, na época, somente eu, ali, de apoio. Durante muito tempo levava almoço de casa para ela.

Formei-me em Administração de Empresas em 1998 e foi no ano seguinte a experiência que considero como um divisor de águas em minha vida: o Curso de Inverno da Pastoral da Juventude. Foram 10 dias vivenciando a Espiritualidade - Sonho, Fé e a Luta - com irmãos e irmãs que congregam da mesma caminhada. Ainda neste ano, outros grandes marcos extra-caminhada aconteceram. Foi um grande amadurecimento enquanto pessoa.

Anos antes (1996), ou melhor, um ano após a morte do meu avô paterno, Joaquim (+ 1995), meus pais se separaram. Foi um grande obstáculo. Sentia a família desestruturando. Acabei me afastando de todo tipo de trabalho na comunidade, retornando no ano seguinte, 1997. A maior dificuldade foi assumir as responsabilidades de casa, coisa que o meu pai até então o fazia. 

No ano de 2000 mudei-me para São Paulo. Havia uma proposta de emprego modesta. Seria um novo começo. Seria. Fiz a entrevista e fui contratado juntamente com mais dois colegas. Morando na capital, logo no primeiro dia de trabalho, a diretoria daquela multinacional francesa negaria a contratação que o gerente realizara semanas antes. Ficamos na mão. Eu, demoraria 3 meses a conseguir meu primeiro emprego paulistano.Um longo período de deserto, solidão, medo e por vezes, desesperança. 

Na capital, jogando volei num condomínio em Alphaville, centro do capitalismo exacerbado, conheci um empresário de bom coração que me abriria as portas. Ele, convidou-me a trabalhar numa instituição, a qual era vice presidente, que cuidava de crianças em situação de risco de morte numa região conhecida como "triângulo da morte" (formada por 3 bairros de alta periculosidade e violência). Após 6 meses, seria transferido para seu escritório em Alphaville, que atuava como uma trading. 

Nesse período conheci a mãe do meu filho, Felipe. Cheguei a morar aqui durante um ano e meio mas acabei voltando pra capital paulista. Dois anos após o nosso rompimento, e já com quase 10 anos de São Paulo, resolvi deixar a vida com bons rendimentos financeiros para estar junto de meu filho. Foi a melhor escolha. Já se completam 6 anos de Uberlândia.

Meu filho. O Felipe foi desejado, foi querido e planejado. E ele sabe que toda a minha mudança é em prol de estarmos juntos, próximos e sempre unidos. Nossa relação pai e filho, posso dizer, que vai além de qualquer expectativa. Somos amigos e também confidentes. Temos carinho e respeito. Somos eternos companheiros.

Entre idas e vindas a escrita sempre esteve presente no meu dia a dia. Esse gosto (também pela Língua Portuguesa e pela Literatura) foi reforçado em 1993 por uma professora de Português, Ana Cristina. Desse ano que comecei a esboçar meus primeiros rabiscos de pensamentos. 99, seria meu último ano de escrito e retomaria somente em 2009, já morando em Uberlândia.

Durante os quatro festivais de músicas inéditas que aconteceram em Piraju, minha cidade natal, (1996 a 1999), juntamente com o grupo de canto que eu participava, ganhamos duas vezes em primeiro lugar, uma em segundo e outra em terceiro, todos com músicas de minha autoria. 

Em São Paulo cheguei a ficar 5 anos afastado totalmente da igreja. Foram épocas incertas. Páginas não escritas. Mas, num dia de domingo, resolvi dobrar os joelhos e pedi ajuda a Deus. Em menos de 30 dias eu já estava morando em Uberlândia e trabalhando. Sonho realizado. Tenho uma música escrita que conta em detalhes esse episódio com o título "O retorno". Há um sentido especial nesse retorno que simboliza não só a minha volta pra perto de meu filho mas também para perto de Deus e na caminhada pastoral na igreja. A partir desse domingo, após muita lágrima e conversa íntima com Deus, fui numa missa na Igreja de Nossa Senhora Aparecida em São Caetano do Sul, cidade que então morava. Salientando que minha comunidade em Piraju também era de Nossa Senhora Aparecida. Na semana que se seguiu, procurei me confessar e participar da Missa todos os dias as !5 horas na famosa igreja de Santa Edwirges. E, não lembro ao certo como e quando, mas creio que eu estava nessa igreja, numa dessas tardes, debruçado sobre o braço e pensando sobre o que seria o meu futuro próximo e ao mesmo tempo esperançoso de que algo bom aconteceria, de olhos fechados, a visão que me ocorreu foi "ao olhar do lado de dentro de um determinado lugar, lá fora havia um gramado bem verde e com algumas árvores". Só fui me dar conta do que seria isso, quando morando em Uberlândia, ao sair da Igreja de Imaculada Conceição, hoje minha comunidade, ao olhar para fora, vejo aquele mesmo gramado que havia visualizado quando ainda estava em São Paulo.

Num determinado momento, desempregado, ingressei-me no cursinho, específico para o Concurso da Polícia Federal. Lá conheci um capitão da polícia militar que atuava no batalhão de choque da capital. Esteve presente no fatídico episódio do Carandiru, onde resultou o filme. Fazia questão de falar como realmente acontecera naquele trágico dia, mas com o olhar de um PM a trabalho. Dizia que o filme era muito romântico e só mostrava um lado. O homem era louco. Puro sangue no "zói". Suas aulas eram motivadoras, engraçadas e me marcaram muito principalmente por sua coragem de nos contar tudo o que acontecia pelas ruas de SP. Ele era um cara perturbado. Tomava remédios controlados e não cansava de dizer que falava com os espíritos. Vez ou outra ele acaba falando alguma coisa sozinho. Ele dizia que havia uma velha que sempre o incomodava mas que não lhe causava medo. Ficamos próximos, trocamos muitas ideias. Apesar de sua vida louca, descontrolada, incerta, eu o admirava muito.

Nesse período, morando na casa de um primo, no Heliópolis (hoje não mais uma favela mas um bairro que pode ser considerado uma cidade à parte), conheci de perto vários tipos de personalidades locais: o assaltante, o traficante, os contrabandistas, os desviadores de cargas, os sequestradores, os golpistas de cartões, etc. O código de conduta local se resumia em poucas coisas. O principal era não ter nenhum tipo de confusão que pudesse trazer a polícia para dentro do bairro, uma vez que atrapalharia o tráfico. E quando tinha briga entre vizinhos chamava-se os líderes das bocas para apaziguar. Não resolvido, em última instância, viria o "chefe" (o cara que comanda geral) e neste momento ouviria a versão de cada parte e de mais duas testemunhas próximas. Era dado o ultimato. Se a parte errada voltasse a causar problema seria expulsa do local em menos de 24 horas. Muitos saíram dessa forma deixando todos os pertences para trás. Outro "artigo" do código de conduta seria a proibição de qualquer tipo de roubo entre vizinhos. Estupradores não tinham vez. Caso fossem pegos eram levados diretamente para o tribunal do tráfico. A sentença era a morte. Havia uma sala que ninguém sabia onde, conhecida como sala da "maquita". Ouvi histórias de pessoas que entraram lá para serem julgadas e condenadas e voltaram aos pedaços em sacos plásticos.

Recém chegado nesse lugar, meu primo sabendo que eu havia trabalhado em farmácia durante muito tempo, pediu-me para que fizesse um curativo na mão de um vizinho, amigo dele. Após todo o processo de assepsia e curativo sentamos à mesa para comer uma bandejada de peixe frito. Papo vai, papo vem, aquele senhor, nordestino, pedreiro forte começou a contar seus feitos. Simples, trabalhador, do tipo que não leva desaforo pra casa. O caso que mais me chamou a atenção foi como ele e seu compadre armaram uma emboscada para matar um "mala" que já havia matado algumas pessoas do bairro. Moradores da rua que seria o palco para o desfecho foram avisados com antecedência para que se recolhessem e não abrissem as janelas de suas casas em hipótese alguma. Outros duas pessoas, num total de quatro, fizeram parte do esquema. Uma pessoa numa esquina com chapéu na cabeça dava o sinal (abaixando seu chapéu) para um segundo que faria uma abordagem natural, tempo necessário para os dois compadres entrarem em cena para a cena final. Quando este segundo membro vira as costas chegam aqueles que acertariam as contas. Já cientes de que seu algoz, hoje no papel de vítima, não estaria armado, encurralam-no numa parede. Vieram de pontos diferentes impossibilitando que ele corresse para qualquer lado. Foram mais de 30 tiros e segundo relatos deste senhor da mão ferida, que eu acabara de cuidar, o cara ainda conseguiu se sentar no asfalto. O golpe final e brutal seria um bloco de concreto arremessado em sua cabeça.

Um jovem de 17 anos conhecido como Rubão, pessoa amável mas que praticava assalto. Almoçou várias vezes na minha casa. No seu aniversário de 18 anos, período em que eu trabalhava como representante de uma marca de energético importado, dei-lhe 2 desse produto para que festejasse. Ele dizia que as pessoas não acreditavam que ele duraria até a maioridade devido ao alto grau de perigo que se arriscava nas aventuras de roubo, enfrentando outros criminosos e também a polícia. 15 dias após seu aniversário chega a notícia de que ele fora pego com mais 3 colegas. Roubaram um banco mas havia gente que sabia do esquema do roubo e a ROTA (PM) estava na espreita. Bandido traindo bandido. Assim que eles saíram com o produto do roubo foram cercados e alvejados de tiros. Rubão, segundo relatos, sozinho conseguiu levar mais de 40 tiros. Seus braços chegaram a ser arrancados. Enfim, o que era a vida ali, naquele lugar?

No trânsito em SP. No auge de meus problemas, já com grandes perdas das figuras mais importantes da minha vida (meus avós maternos), a paciência e a calma não passava nem perto da minha lembrança. O trânsito da capital paulista não é apenas carregado pelo excesso de veículos. Existe um clima de tensão, medo, intolerância que ao menor do descuido pode ser fatal. Já fadado pelo estresse, pra não dizer desorientado, comecei a carregar um cabo de machado dentro do meu carro uma vez que se eu tivesse arma de fogo o resultado poderia ser ainda pior. Uma única vez passei por um desentendimento com um motorista de ônibus. O folgado não  me deixava entrar em sua frente e quando eu diminuía a velocidade ele também o fazia, impossibilitando de ficar em sua traseira. Numa brecha, acelerei o carro, passei à sua frente, parei o carro atravessado, abri a porta e desci. Cego de raiva, fui caminhando em direção ao ônibus (mas sem o cabo de machado). Chamei o motorista para fora. Xinguei-o de formas carinhosas que nem dá pra escrever (rs), sem contar os acenos. Ele não desceu, Graças a Deus. Não seria a minha hora de partir, nem tão  pouco a dele. 

A figura paterna na minha vida ressoa de várias formas. Meu pai, Derci, foi o famoso "herói e bandido". Nossa relação não é das melhores. Somos ausentes. Basicamente ele não sabe nada do que penso ou do que sinto. É uma ferida incurável. O que posso resumir de nós dois está no blog, com uma pasta somente de coisas que escrevi a nosso respeito. O mais marcante é "Doce Abandono". Dele, eu levo a experiência daquilo que eu não gostaria de me tornar: um ausente na vida de meu filho. 

Por outro lado, tenho em meus avós o exemplo de família, união, companheirismo, amor sincero mesmo diante das dificuldades. E é com essa simplicidade que procuro impulsionar minha vida e solidificar minha fé. 

Minha mãe, Claudete, considero uma pessoa guerreira, sofrida e também difícil de se entender, mas que está sempre pronta ao nosso lado. Nos acompanha, de perto ou de longe. E, por mais que não possa fazer ou dizer nada que melhore algumas situações adversas, o importante é saber que ela está ali.

Posso dizer que tenho muito mais dos meus avôs e avós que propriamente de meus pais. Tenho vários escritos que retratam um pouquinho de cada um desses quatro pilares da minha existência. Um, em especial, chama-se "Não aprendi dizer adeus".

Particularmente carregava uma certa dor de culpa, por não estar próximo de cada um deles, quando a vida lhes chegou ao fim. As lembranças são fortes e marcantes e não teria como retratar aqui. Hoje, mais maduro, entendo que nada do que estou vivendo seria possível se, naquele ano de 2000, numa noite fria e estrelada de junho, viajando madrugada adentro rumo ao sonho da conquista da cidade grande, entre móveis e esperança, deitado sob um colchão na carroceria de um caminhão, eu não tivesse ousado correr o risco de um futuro incerto ou promissor, ao qual hoje definiria como sonho. O futuro chegou e muitos sonhos também.

E pra finalizar deixo aqui duas estrofes de uma música de minha autoria que retratam tempos idos, tempos de agora e tempos que virão:

"Busquei meu motivo para viver
Descobri que nasci pra fazer
Não pra sentar e assistir a história acontecer"

"Sigo nos passos do Criador

Que abriu os braços e morreu por amor
Um destemido e sofrido que não se calou"

Música: Ideologia Santo Jovem - 1998

Ailton Domingues de Oliveira

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Aos 7 anos - medos



Estava na primeira série, antigo primeiro grau. Tinha 7 anos na época. Minha professora se chama Leni. Exigente. Eu a considerava brava. A gente tinha medo dos professores mas havia muito respeito. Caso houvesse reclamação por mau comportamento, com certeza o castigo da minha mãe seria escrever os números de 1 a 1000, perdendo assim o tempo de brincar. Que trauma!

Pior do que isso era pensar que meu pai poderia ficar bravo e me dar umas palmadas. Até essa idade eu só havia apanhado uma única vez por conta da birra no dia da quadrilha do pré. Eu queria cachorro quente antes de dançar. Ele só me daria após terminar a quadrilha. Devia ser para evitar que eu me sujasse todo. Enfim... odeio cachorro quente!


Engraçado como carregamos alguns medos durante toda a nossa vida. Um desses medos era o de ficar só. Desde pequeno ele me acompanhara. Quando tocava o sinal do Moreira Porto, que na verdade era um sino, eu já começava a me apavorar ao imaginar que ninguém da minha família estaria ali me esperando. Eram minutos que pareciam uma eternidade.

Alguns pais adentravam no pátio da escola. Outros aguardavam no portão. Fato era que eu tinha medo de ficar preso na escola. Imaginava a noite como devia ser assombroso ficar ali naquele complexo sem meus amiguinhos, sem professores, só e abandonado... 

Passavam mil coisas pela minha cabeça, nesse espaço de tempo que meus olhos percorriam cada centímetro daquele lugar, desde que pisava além da porta da sala de aula. Ficar trancado ali sem ninguém era um medo meu e não adiantava meus pais me garantirem na presença do diretor e de outros funcionários da escola, que ela não fecharia porque a noite haveria a turma do ginásio, antigas 5ª à 8ª séries. Não adiantava.

Eu saia em disparada e quanto mais eu corria em direção à saída maior a ansiedade e o medo. Era uma verdadeira manada de crianças fazendo esse mesmo trajeto. Claro que nem todas tinham esse medo e muito menos sabiam do meu. No portão eu via e sentia que em poucos minutos a escola se fecharia porque o movimento de crianças e pais diminuía. Era uma lógica natural na minha cabeça, por mais que insistiam em me explicar o contrário. A sensação de alívio e conforto se dava no momento que meus olhos encontravam um semblante familiar.

Um belo dia fazendo o mesmo trajeto, com os mesmos anseios e medo, da sala até o portão, após os badalos do sino nas mãos do Sr. Luís Teixeira ou da dona Iara, eis que a chuva caia. Da sala para o pátio do recreio. Do pátio até a porta da biblioteca, local onde se via claramente o portão de saída e aguardando, com as mãos no bolso da minha jaqueta de nailon de touca e com a mochila nas costas, o primeiro rosto familiar aparecer.

Acontecia naquele momento a realização do meu medo. As últimas crianças saindo e ninguém pra me apanhar. A chuva estava forte e a todo momento eu corria até o portão e voltava para a frente da biblioteca. De repente, só a responsável pela arrumação das salas andando de um lado para o outro. Eu tinha certeza de que ela me trancaria ali dentro e eu não voltaria mais pra casa naquele dia.


Fui até o portão e ali fiquei debaixo de chuva. Nesse momento, água da chuva lavava meu rosto de choro repleto de lágrimas. Uma angústia inexplicável. Vivia ali um pesadelo. Sentia-me abandonado. E agora, será que não verei minha família nunca mais? Fui caminhando até as árvores do outro lado da calçada. Descumpria ali a regra que meus pais me deram, de não sair da escola até a chegada deles. Eles também descumpriram a promessa que me fizeram, a de estar ali me esperando quando o sino badalasse. 

Já todo ensopado com aquela chuva, eu debruçava sobre meu braço e chorava encostado na árvore. Alguém que fora buscar seu filho na escola, que não faço ideia de quem seja, parou perto de mim e com pena se colocou pronto a me ajudar chegar até em casa. Naquele tempo eu nem sabia voltar pra casa sozinho.

No carro de um estranho, aguardava-o voltar com seu filho para que me levasse embora. Batendo o queixo, tremendo e já sem lágrimas imaginava como seria reencontrar minha família. Ele retorna e com um homem alto que me parecia familiar. Era meu pai... Nesse momento eu já não sabia qual medo era maior, o de ficar só e esquecido ali na escola ou da expressão de braveza que ele me dirigia. Não importava mais. Eu estava a salvo.

Entramos no carro e lá estava meu tio, seu irmão. Eu já estava todo sorridente, apesar de ter me acabado em lágrimas e chuva e quase ter ido embora com um estranho que naquele momento era um anjo. Meu pai, lembro-me bem, questionou-me tentando conter sua ira, o porquê de não tê-lo esperado la dentro. Apenas respondi que tinha medo de ficar trancado lá...


Esse fato, já passado a exatos 30 anos, reaparece na caixa da memória de forma clara e nítida. Medos que adquirimos ao longo da vida, desde o útero materno e durante toda a nossa travessia. Alguns, conseguimos despachar pelo caminho, enterrando ou afogando. Outros persistem, os controlamos ou deixamos que nos controlem. Não importa, medo é medo. Cada um tem o(s) seu(s). 

O que vale nessa reflexão é a devida atenção que dispensamos a quem está sob nosso cuidado. Não posso condenar meus pais por não terem compreendido melhor a dimensão desse medo de ficar trancado na escola. Hoje, isso é fato cômico a ser lembrado ao redor da mesa quando nos encontramos. Esse medo já não me perturba mais. Ficou pelo caminho, enterrado não sei onde. Tenho outros, com certeza, mas que não permito que dominem minha razão nem a emoção. Respeito meu ser, meu espaço, meu tempo e não forço o impossível para além dos meus limites. A superação de cada um se faz no momento certo, com entendimento e compreensão, paciência e persistência.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Aprendendo ser pai e ser filho












Não existe fórmula secreta e mirabolante que nos dê a ferramenta adequada ou a palavra certamente sábia para os nossos filhos. Um dia, talvez, sejamos ultrapassados. Mas, enquanto não chega, coloquemos a vestidura do herói maior para livrar nossos tesouros do mundo.


Aprendemos a ser filho com os filhos e aprendemos a ser pai com os pais. Melhoramos de geração em geração. E a cada uma, somos ultrapassados na fronteira do saber, do dizer, da vida e do mundo que se modifica feito camaleão em carnaval.


Herói e bandido, uma linha tênue, que basta uma contraposição para saltar de um lado para outro. O "não" dado naquele exato momento é o pavil para que isso ocorra no campo do coração. Seremos, futuramente, reconhecido pela firmeza deste "não" mas, jamais o seríamos se o pulso das palavras não tivesse força e convicção.


Em completa mudança em busca de melhorias, ou estacionados no canto do mundo escolhido para viver sem se prestar a querer que realidade mude, participamos ou então meramente assistimos os fatos em andamento. A opção de escolha é livre. Podemos ser pais de verdade e participar ativamente ou podemos ser pais também de verdade e deixar que o único título, o de bandido, nos atormente pelo resto de nossas vidas.








Não se mantém uma relação somente de imposições. A amizade, cumplicidade, lealdade só se adquirem na vivência despojada de limitações. Fazer-se presente não é simplesmente deixar ou não realizar cada atividade. Ao contrário, é levantar questionamentos, é fazer pensar, é correr junto, é rezar e orar de mãos dadas em cada momento possível. É mostrar seu sentimento diante do que é bom. É abraçar forte e saber dizer "eu te amo meu filho e que mesmo não sabendo a resposta para todas as perguntas estou aqui do teu lado para ajudá-lo a descobrir, bem como o que fazer diante de cada obstáculo da vida".


Ailton Domingues de Oliveira
09/08/12

O balanço.







"Sentado no balanço, de olhos fechados
Seguro firmemente as cordas presas na árvore
Cabeça baixa, eu espero que a brisa se torne vento
E o balançar aconteça...





Resgato no fundo as lembranças de outras épocas
Busco tua companhia, tua presença, teu calor
Ainda, somente o silêncio a me acompanhar
Já faz tempo...





Sonho com o que não vivemos 
Com o que deixamos de viver
Com o que poderíamos ter vivido
Dias de angústia, sofrido,
Que vem e vão, suas feridas




Eu, poderia ter sido mais, sei disso
Me questiono e me cobro, tive medo
Tu poderia ter sido mais, sabes disso
Tão distante, de corpo e de alma
Poderia ter te arriscado mais em meu mundo
Tão pequeno perante o seu




O tempo continua contra nós
A cada dia a lembrança fica mais distante
E a dor, ainda maior, nos coloca
Em posições de pura indiferença na vida de cada um





Teu colo, meu pai, teu colo
Teu abraço, meu pai, teu calor
Tua voz a me acalmar
Tua mão a me assegurar
Tua vida em minha vida
Minha vida em tuas mãos






Ainda me sinto tão pequeno e tão só de tua companhia
Passarão os dias e não me verei maior que tu
Não me deste o que precisava, o que mais precisava
Tua presença em minha vida
Tão só, sem tua companhia






Sentado no balanço, olhos fechados e cabeça baixa
Sinto, como num sonho, que o balanço recebe um empurrão
Rezando para que sejam tuas mãos
Que a cada vez me levam mais perto do céu







É um sonho, meu pai, um sonho
Talvez, Deus em sua bondade
Me propiciou este momento
Para que me deliciasse diante daquilo 
Que eu gostaria de ter vivido ao teu lado




Desço deste balanço
Na esperança de encontrar-me criança
No tamanho e no coração
No pensamento e na ação
E vejo que tudo está mudado
Continuo sem te ver ao meu lado
Sofrendo... e calado...





Na distância que nos limita
Talvez não tenhamos tanto tempo assim
Para um dia, quem sabe, se der
Colocarmos em dia cada minuto da ausência







Sabe, não invejo ninguém
Por terém o seu herói por perto
Apenas, sinto a falta do meu...
Falta de suas mãos para empurrar
O balanço da minha vida..."





Perdoe-me o sentimentalismo nostálgico
Mas, a única coragem que tenho
Está aqui, neste espaço que tudo aceita
Sem me questionar, sem me apontar...






Ailton Domingues de Oliveira

09/08/12

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Meu filho, minha estrela, meu tesouro."




"Meu filho,
Alegria que contagia
Amor com fulgor
Beleza e destreza
Amizade e lealdade
Minha vida, bela e florida
Sempre ao teu lado
Meu menino, tão amado!!!




Minha estrela,
Lua inteira no meu céu
Raios de sol que alumia
Meu doce encanto
Primavera dos meus dias
Verão do meu coração
Razão com a emoção
Emoção sem ter razão!!!









Meu tesouro,
Sensíveis olhinhos
Coração de ouro
Suave melodia,
Estrepolias e alegrias
Meu momento eternizado
Minha esperança e meu legado
Minha criança
Meu menino muito amado!!!


A cada dia
Me ensinas a ser pai
Me ensinas a ser forte
Me mostra em tons de simplicidade
O eterno valor da nossa amizade
Estarei sempre ao seu lado
Meu forte menino homem tão amado


Se um dia não mais me ouvir
Nem me ver e nem minhas mãos sentir
Estarei perto, de alguma forma, estarei
Mesmo que lhe falte a minha mão
E o carinhoso afago também
Feche os olhos e sinta o coração
Ao teu lado estarei, meu menino homem
Em tuas veias continuarei
Em tua vida, sempre a existir
Neste teu sorriso suave e maroto
Que a mim proporcionaste
O melhor que a vida podia dar
Meu filho, minha estrela, meu tesouro
Vivi pra te amar..."


Ailton Domingues de Oliveira

30/07/12