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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Otariano Bour-Scariotes



Otariano era um cara mediano nas convicções. Usava de modéstia para destilar uma simplicidade forçosamente teatral. Culto e intelectual eram os adjetivos que gostava de ouvir na boca dos alunos. Ah, atuava como professor. Suas aulas teatrais eram uma mistura de pensamentos modernos e antigos, regados de boas palavras e repetidas poesias. Nada de novo ou anormal para quem entendia e compreendia a pseudoemoção entre os tons e subtons de suas prosas, que se tornaram meras falácias. Tinha o dom de manipular o clima do ambiente, mas não por muito tempo. Tornara-se cansativo o assistir numa espécie de palco e holofotes que ele se dava ao luxo de produzir e se sentir o maestro da vez. Tolo! Não passou de um indivíduo cheio de manias, uma escória deprimente de um ser que denigre uma classe. Não merecia tantas considerações, tampouco estar ali. Um lobo bem disfarçado. Um judas moderno. Um falso ser escondido entre olhos, boca, ouvidos e casca. Um cara repugnante digno de todo o asco. E tamanha eram suas falcatruas que Otariano simplesmente se fodeu de verde-amarelo, num desfecho hilariante que ao mesmo tempo lavou a alma de muita gente. A ele, o meu total desprezo. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Não! O show não tem que continuar!


Episódio de hoje: "A bagaça só termina quando digo amém! Améiiiimm?!"

Mais importante que a história a ser passada é o cenário com seus aparatos e a interpretação do elenco. O ambiente do palco tem que ser o mais perfeito possível. É preciso atingir o público, arrancar-lhe risos mas levar em conta a exacerbada preferência pelas lágrimas também. Sobrecarregar as emoções é garantir sucesso de bilheteria e aumento de público fiel. Reconhecimento, sucesso, estrelato, fama e patamares cada vez mais ambiciosos. É o que se busca.

Tudo seria normal se a realidade fosse nos palcos das artes cênicas. Não é o caso tratado neste escrito. Reconfiguremos a mesma situação num ambiente sacro, ou melhor, dentro dos pilares de uma igreja. Ousemos afunilar ainda mais e foquemos determinado movimento de uma igreja, a Igreja Católica. Chegaremos fatidicamente a um único denominador comum. Améim???

A arte de levar emoção aos fieis entranhou-se no seio dos movimentos católicos; estes que copiaram tal feito dos neo-pentecostais ao longo dos anos. O plágio não se deu somente na forma melancólica de ministrar encontros e eventos. Vai além, muito além. A imponência dos pregadores, que se portam como únicas pessoas capazes e escolhidas, se evidencia na tônica de suas palavras sempre acobertadas por um deus-castigador que lhes conferem o título de dono da fala.

Como disse, o plágio se estende além do que os olhos veem. Até mesmo a Teologia da Prosperidade, criada a partir de denominações como a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), não está mais incutida mas explicitada em atos e palavras das pregações que propiciam ao público leigo a insana interpretação de que "pessoa agraciada, ungida ou próspera, é aquela bem sucedida social e financeiramente; o contrário é o óbvio, quem não atingir e não conquistar sua graça nos moldes estipulados pela ordem dos movimentos corre o risco de levar o rótulo de amaldiçoado". Améim???

Parece arcaico mas é tão atual quanto real. Os movimentos que caminham em paralelo com a igreja tem suas regras próprias e por vezes destoam no que tange os princípios da instituição. Como diz Francisco "quem procura a igreja precisa encontrar as portas abertas e não fiscais da fé". A arte de rotular a quem não comunga da mesma ideia também faz parte da lista que fora importada de outras denominações. Apesar de que a nossa história também é rica nessa tarefa de rotular. Chega a ser uma santa e pecadora escola primeira. Mais pecadora do que santa.

Sempre me coloco em check diante dessa fala do Papa Chico. Estou sendo tão fiscal quanto os fiscais carismáticos? Ou, estou me tornando um fiscal que fiscaliza fiscais? Nem uma nem outra. O que ocorre é que não tem como evitar certos tipos de contatos e embates com pessoas que fazem do templo o seu espaço para um show particular, aonde o altar vira palco, os pregadores são os heróis ungidos que detém a palavra única de salvação e Aquele Moreno de Nazaré... Ah! É só um mero coadjuvante. Améim???

Pra conferir a balbúrdia desses encontros que se diz de oração, primeiramente passe perto da Universal e depois confira alguns encontros de Movimentos Carismáticos Católicos. A linha que separa uma da outra chega a ser somente a denominação. Verdadeiras primas siamesas. Sem querer ser "TÃO" pessimista mas tentando enxergar até onde e quando essa onda vai levar o senso crítico das pessoas, além do que a história já mostrou e diante do que concorre nesta realidade, só percebo que esse mesmo movimento tem forte tendência a se desvincular de seu berço romano e fundar sua própria instituição.

Talvez eu nem esteja por aqui pra ver esse bagaça virar a casaca, mas, por hora encerro esse monólogo de dois e sempre pensante no que ainda verei em breve. Sendo assim, para mim esse espetáculo vulgo sacro se acaba cada vez mais sem graça. Tão sem graça que os donos da bola nem se prestam a decorar o texto. O show é de improviso, o elenco é amador e sem perspectiva para melhorar; em suma, diante das palavras soltas de cada pregação, sem fundamento e sem argumento, os cabeças são destituídos de qualquer preparo. Mas, eles são "os escolhidos", né?! Quanto a nós, reles mortais, temos a opção de escolher um show de verdade para assistir, ou mudar de canal! Améim???

terça-feira, 5 de maio de 2015

Vida virtual, morte real


O "já é hoje" se repete a todo momento de cada dia. É um tempo em que o tempo perpassa, descruza e enlaça a desmedida da vida, por vezes tão pouco vivida, que sem saber caminha insegura, infeliz, no sentido da morte que um dia certeiramente chegará. Viver é um dilema que requer a ingênua descompreensão das coisas. A recíproca deste viver que aflorada está em cada ser é que é o problema. 


Os devaneios, cada vez mais loucos e ousados, além dos olhares de custódia da ordem dos politicamente sensatos, são caminhos não só de libertação mas de busca de sentido real. Sentido este que tem se confrontado com a virtualização das relações.

Estamos reféns da tecnologia. Já não sobrevivemos sem esse aparato. As relações se perfazem em meio a comunicações digitais. Não há limites para o alcance dessa era tecnológica. O próprio facebook, vitrine para as novelas diárias da vida alheia, perdeu um pouco para o famoso whatsapp, a mais nova menina dos olhos da população de todas as classes. 

Sem muito mais explicações, nem tentativa de fazê-las, o que se percebe é um empobrecimento das relações nessa era de exagerada virtualização. Comunicar-se se faz por cliques. Pesquisas, estudos, reuniões, tudo está centralizado nesta dimensão virtual. Bibliotecas, já obsoletas para muitos e desconhecidas por grande parte das novas gerações, tendem a se transformar em museus.

Os comportamentos digitais, antes individualizados, tornaram-se coletivos e públicos. O tato, o olfato, a visão, o contato como um todo perdeu espaço para as mais novas figuras de comunicação disponíveis em cada nova invenção tecnológica. Essa necessidade de sintonia digital já impregnou no seio social. Poucos insurgentes, ou sobreviventes, de uma era mais real e palpável estão sentenciados a solidão ou então que se rendam à modernidade das comunicações em seus vários estilos.

Causa e efeito. Se, os efeitos desse excesso de tecnologia ou virtualização de tudo estão esfriando as formas de relação em sua essência, por outro lado, o caminho da desvirtualização tem causado o contrário: síndrome da abstinência. Abstinência virtual! 

Vida cíclica. Se, o fim de tudo é voltar ao começo, pois o novo está em redescobrir o que deixou de se viver, aprender e conhecer, então que seja logo. Este emaranhado de fios, arranha-céus, estão nos fazendo tropeçar nos obstáculos tridimensionais já não mais invisíveis. As pessoas, amorfas, de tão conectadas em seus aparelhos modernos caminham feito zumbis para não perderem a conexão com o mundo. Para estes só falta conhecer a vida e vivê-la pelo menos um pouquinho antes que o tempo desvirtualize-se de sua vida. Há um grande grande risco para muitos dessa nova geração que o primeiro contato com uma flor seja apenas no dia de seu velório. Assim caminha a humanidade.

Já é hoje... mais uma vez, é hoje!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PJ - Grupos, Virtualização e Participação: repensando conceitos

 
Imagem: Igor Abreu


Os grupos formados nas redes sociais tem sido não só um mero ponto de encontro entre pessoas e amigos que curtem os mesmos gostos mas também tem servido como espaço para um processo vivo de formação e informação quando usados coerentemente. Claro que existem os que se utilizam para incitar contra os objetivos do grupo, assunto este que não merece comentários.

As pessoas tem buscado constantemente fazer parte de algo, assim como no passado, só que agora no cenário virtual. Essa necessidade de fazer e sentir-se parte também é antiga. Estudos antropológicos mostram que o ser humano sempre se agrupou por afinidades.

Tais grupos têm se modernizado e atingido várias camadas e nichos de pessoas. O acesso ao mundo virtual em tempos atuais está cada vez mais fácil. Existe um certo comprometimento com aquilo em que se participa, que se faz parte.

Nota-se, com esse avanço tecnológico e de relacionamentos virtuais, que o sentimento tem sofrido também uma virtualização. As relações da vida real seguem na mesma velocidade com que as pessoas adentram, saem e ou perambulam de grupo em grupo até se deparar com sua identidade. Rapidez, superficialidade, tendência à frieza e outras coisas mais caracterizam as relações.

Dos participantes de cada grupo uma grande parcela, se não a maioria, são apáticos, não participativos e muitos nem sabem o real objetivo do espaço onde estão. Uma outra parcela, pouco menos significativa, tem o hábito de postar imagens com pequenas frases de pensamentos feitos. Alguns postam para si mesmos, não levando em conta a inocência ou inutilidade de seus posts. Há os que almejam uma vitrine para serem virtualmente reconhecidos e famosos. E como diz uma velha frase "ser famoso no facebook é o mesmo que ser rico no banco imobiliário". Por fim, uma minoria, bem menos que 10% dos membros, realmente estão em sintonia com o grupo, participam e contribuem para boas discussões.

A proliferação dos interessados em participar dos grupos é uma preocupação para alguns administradores nas redes sociais, levando em conta que a quantidade atrapalha o bom andamento da qualidade. Uma mudança se fez necessária para que os grupos preservassem sua identidade, essência e objetivos. Normas, regras e cuidados tem sido elaborados e gerados para se manter uma boa convivência virtual.


Uma outra pauta, para outro momento é o fato de quem cria falsas identidades para fomentar o ódio, a violência e a intolerância religiosa. Geralmente são perfis de pessoas que não assumiram nada em suas vidas reais. São de uma determinada religião e criticam tanto as outras como as que se dizem ser os únicos e fiéis seguidores. Esses tais são identificados curiosamente como "catolibãs".

Pela extensão e profundidade este assunto não se encerra por aqui e jamais um grupo virtual substituirá o calor humano e a vivência de um grupo formado na vida real.



***** Deixamos aqui algumas perguntas básicas que ficam perpetuando em nossos pensamentos acerca do que os grupos de Pastoral da Juventude nas redes sociais representam na caminhada real de cada um e no ambiente que convivem. Seguem:

1) O que os grupos de discussão (de PJ's no caso) mudam em nosso cenário na vida cotidiana, para além das telas?

2) As discussões e postagens nos inspiram em algum sentido? Nos motivam a refletir pelo menos?

3) Ou somos expectadores sempre prontos a aplaudir, ou seja, curtir as belas montagens e frases feitas?

4) A causa alheia me interessa? A causa que Jesus defendeu me anima a continuar lutando?

5) Ou tenho uma causa própria e uma razão extra para estar aqui?...

6) O que significa fazer parte de um grupo de discussão nas redes sociais?


Pensemos...