Mas eu, ah!
O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
O caos na calmaria do sistema
Mas eu, ah!
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Distopias de uma cegueira social
quinta-feira, 21 de março de 2024
Das lutas nas tempestades às tempestades sem lutas
13/04/2016 e 08/01/2023 foi um tempo atípico em muitas concepções. Momentos grotescos na história da democracia brasileira. Ideologias em alta. A ebulição do ódio já fumegava pelas têmporas e vísceras de demônios despertados pela cobiça do poder pelo poder. Um golpe político partidário desestabilizou a ordem. Motivos forjados que levaram o parlamento a sentenciar uma pessoa inocente, não chegaram nem perto de crimes cometidos por um desgoverno nefasto, promíscuo, criminoso, prostituído de ideologias corrompidas em prol de mero enriquecimento ilícito e uma necessidade quase sexual de se ostentar no trono do poder. Talvez, nada disso tivesse acontecido se, quando um boçal exaltou um torturador, tivesse saído algemado e preso do parlamento. Faltou a ordem para impedir o desprogresso que se viria nos anos seguintes. Com um golpe teatral, uma cena grotesca que não derramou uma gota de sangue diante de uma "fakeada", que posteriormente se tornaria evidente a armação para a realização de uma cirurgia, ele fez fortalecer sua campanha. E conseguiu chegar lá. Nesse entremeio uma pandemia assolou o mundo. O sangue que não saiu de seu corpo escorreu por suas mãos e nas de seus asseclas quando sua estupidez maléfica não apenas permitiu mas colaborou com a morte de milhões de inocentes. Disso tudo ficou a lição de que não é a igreja o caminho para um bem maior, tampouco para o céu. Não é o pastor, o padre ou qualquer líder religioso que te dará a luz necessária para o caminho da salvação. É necessário filtrar e podar toda e qualquer ideologia política estruturada em esquemas religiosos de negócios. Já diziam alguns visionários do passado que era necessário todo o cuidado com algumas seitas que brotavam no mercado milionário da fé, pois uma vez adestrando e alienando seu público nas estruturas da igreja, seria necessário se infiltrar e dominar o mundo da política. As tempestades que caíram sem luta propiciou uma devastação sem tamanho. As lutas que se seguiram pelas tempestades tombaram muitos guerreiros e guerreiras. De tudo fica a lição de que não se pode vacilar, nem se calar, tampouco se acomodar. Omissão nunca pode ser uma opção. (27/09/23)
quinta-feira, 14 de março de 2024
A hipocrisia escancarada na tal "corrente do bem"
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
Resenha - O Martelo das Feiticeiras
Essa obra retrata, logo em suas primeiras cinquenta páginas, o quanto a mulher tinha um maior papel de destaque e importância em outras épocas, e aborda sobre como o patriarcalismo foi tirando-a de seu protagonismo, deixando-a em segundo plano, e colocando o homem como centro de tudo, seja na sociedade, na família, na política e em especial nas questões de fé e nas religiões. Vale muito a pena essa leitura, sem contar que esse livro retrata como e porque muitas mulheres foram consideradas bruxas e, por tal, condenadas e sentenciadas às mais diversas penas de morte, como a fogueira, forca e outros mais atuais como o apedrejamento. Sendo tudo isso de responsabilidade da famosa "Santa Inquisição", ministério da igreja católica na idade antiga e média, e atualmente extinta. Em sua segunda parte, esse livro traz o manual da inquisição: como reconhecer as consideradas bruxas, sentenciá-las e aplicar-lhes a pena devida.
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
"Não há cura para o que não é doença"
Tanto no âmbito político quanto, e principalmente, no religioso, existem prós e contras. Não é uma luta em prol da vida e da dignidade humana diante do que a pessoa realmente é e da forma que escolhe viver mas, sim uma luta por poder, como descreveu Michel Foucault em Vigiar e Punir (1975) e Microfísica do Poder (1978): o poder de mandar e desmandar sobre os atos alheios. Não é uma luta de defesa mas sim uma guerra de imposições. Imposições que vêm regada de ameaças de punições religiosas e sanções sociais com avais políticos.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Falsos pastores midiáticos e seus demônios de araque
Essa imagem foi printada de um vídeo que está rolando nas mídias sociais. Um pastor, que não aparece no vídeo, a mulher e sua personagem endemoniada, uma outra mulher de vestido nas costas, que deve ser figurante de suporte, e a plateia que interage em meio a vozes de crianças. Só pelo fato de ter crianças presentes nessa situação, acredito que o Ministério Público deveria ser acionado e consequentemente até o Conselho Tutelar.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
domingo, 1 de outubro de 2023
De setembro a setembro: refletindo o amarelo em todos os dias do ano
Porém, antes, vale uma pergunta de autorreflexão: *A DOR ALHEIA ME IMPORTA?* Obviamente não sabemos se uma pessoa próxima está passando por alguma dificuldade. Também não conseguimos mensurar o tamanho da dor de alguém, que no momento esteja atravessando problemas de várias ordens.
O que podemos fazer, primeiramente, seria mudar o nosso jeito, ativar o nosso *ser humano* e nos atentar para detalhes que antes não prestávamos tanta atenção. *COMO?* Quando começamos a fazer parte de algum ambiente, lugar, movimento, grupo (trabalho, faculdade, comunidade, bairro, igreja, família, etc), obviamente passamos a perceber as pessoas ao nosso redor. Cumprimentos básicos de "bom dia, boa tarde, boa noite" podem não apenas quebrar o gelo mas abrir possibilidades de aproximação. Perguntar se "está tudo bem" pode não ser nada, não representar nada para nós e simplesmente recebermos como resposta "sim, tudo e você?" Mas, pode ser, que esse cumprimento, seguido dessa pergunta, seja a única coisa positiva que impediu uma pessoa de atentar contra sua própria vida.
Acredito que muitos de nós conhecemos pessoas que tiraram sua própria vida. Talvez não conhecemos de perto mas, já ouvimos falar de conhecidos distantes, pessoas que um dia fizeram parte de nossa vida e acabamos perdendo o contato. As redes sociais nos mantém atualizados, principalmente quando o assunto é tragédia.
*TERÍAMOS NÓS ALGUMA RESPONSABILIDADE SOBRE A VIDA DE OUTRA PESSOA?* Sim e Não. Sim ou não. Cada um sabe de si. E em diálogo com uma amiga, falando sobre suicídio, logo após participarmos de um evento no dia 15/09/23, justamente sobre esse tema, o qual refletimos sobre o filme *ORAÇÕES PARA BOBBY*, chegamos à nossa conclusão de que temos sim responsabilidade e que podemos fazer nossa parte. Novamente: *COMO?* Acolhida, empatia, respeito, etc. Podemos, enquanto seres humanos, fazer um pouquinho a mais nesse sentido. Independentemente de crenças, fé e religiões, a qual acreditamos que todas pregam *AMOR À VIDA E AO PRÓXIMO*, podemos e queremos ressignificar o nosso papel aqui neste plano, no aqui e agora, de forma a contribuir COM A SAÚDE, COM A PSICOLOGIA, COM A VIDA.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
@teologia_para_insatisfeitos
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
Marx, Freire e o Marco Temporal
Bom, a ideia sobre a questão do "Marco Temporal" é usar como linha de corte o dia, mês e ano em que a Constituição Federal Brasileira foi promulgada, 05/10/1988. E isso implica que as terras consideradas indígenas, só serão de fato dos povos originários, as que constam até essa data da CF. Após essa data, todas as questões de terra seriam revistas e, inclusive, haveria de mexer no que já estaria acentuadamente acordado e resolvido.
Agora, imaginem que algumas questões de terra já tenham sido resolvidas no ano subsequente à promulgação da CF, no caso em 1989. Povos originários assentados em suas terras e, de repente, com a aprovação do Marco Temporal, eles poderiam (e com certeza seriam) retirados de seu habitat novamente. Uma guerra iminente seria provável. Há quem seja favorável ao marco mas há muito mais que lutam contra. Há quem se beneficie com a aprovação desse marco, e com certeza "peixe grande" mas, há quem seja contrário por simples razões. Não tem como se beneficiar com nada sendo contrário ao Marco Temporal. E, a partir disso, claro que estou do lado contrário ao tal "marco".
Aprovar isso seria jogar o destino e a vida dos povos indígenas ao léu. Já existe uma invasão sem limites acontecendo, totalmente descontrolada, que ganhou força no governo anterior (que não faço questão de mensurar o nome, uma vez que só intensificou o ódio, criou o caos e gerou mortes a partir do ódio e do caos...) e isso, independe de fiscalização e policiamento. Invadir terras indígenas, a maioria regada de riquezas naturais, é algo não apenas fácil mas lucrativo. E quem sempre ganha são os que continuam ganhando, os que estão lá no cume do topo da pirâmide: latifundiários por exemplo.
"A história da humanidade é a história da luta de classes." Sim, Karl Marx tinha razão, porque a força propulsora da história se baseia na história da luta de classes. Quantos e quantas que, emergiram da pobreza, tiveram suas dificuldades durante a jornada em ascensão e ao atingir um novo patamar social, tornaram-se algozes de quem ficou num patamar inferior? Não são poucos, aliás, são incontáveis os casos em que o "sonho do oprimido de se tornar opressor", e nisso Paulo Freire também tinha total razão, se justifica na história passada, recente e presente.
Durante o curso de Teologia, fiz um trabalho sobre a situação dos Guaranis-Kaiowás que, expulsos de suas terras por fazendeiros, eram obrigados e sobreviver acampados às margens de rodovias. Muitos jovens dessas tribos, diante da dureza da vida longe de seu habitat, do sofrimento e da falta de recursos, sem voz e sem vez, e frente à tristeza de ver os seus perecendo cruelmente, acabavam tirando sua própria vida como forma de aplacar a dor; um verdadeiro protesto, à base do seu sangue e da sua vida, para que as autoridades tomassem as devidas providências.
Caberá à Justiça resolver a questão e os casos diferenciados. Concordo que pessoas que tem o seu pedaço de terra para subsistência e, que em sua maioria adquiriram as posses de forma não regulamentada, muitas vezes compradas de usurpadores, deverão ter um olhar atento para sua situação. Bem como, os que adquiriram suas terras para projetos de lazer em áreas de preservação ambiental e território indígena, que cientes das circunstâncias e riscos iminentes, devido à irregularidade da aquisição, poderão perder o investimento. Há aqui um grande contraponto entres os dois exemplos que mencionei. Os que foram enganados e lesados mas que dependem da terra e os que não foram enganados, assumiram o risco e investiram seu dinheiro mas, porém, podem ser desapropriados e assim, lesados. E quanto a esses que entraram conscientes, não há inocentes.
E, nesse momento, a luta é contra o "Marco Temporal". Seria desumano e injusto mexer numa demarcação que já está corrigida e resolvida. Voltar ao ano de 1988 para refazer as demarcações seria uma violência contra os povos originários. Se, em nome da ganância e do poder, os defensores do moralismo seletivo justificarem seus atos de ódio contra as minorias, conforme aconteceu nos últimos 4 anos, para continuarem invadindo, matando e expulsando os verdadeiros donos das terras, invocamos aqui a questão religiosa como uma força de origem centrada capaz de manipular ou libertar o indivíduo. Nem social, nem política e nem religiosamente, não há viés plausível para a aprovação do marco temporal. O que justifica essa ganância de poder pode ser visto sob a história da luta de classes e sobre as lutas entre oprimido e opressor.
sábado, 16 de setembro de 2023
De setembro a setembro
Um olhar humanamente teológico sobre as pessoas que perderam o encanto pela vida, o sentido da existência e a esperança no mundo. Setembro Amarelo deveria ser uma luta de todos os dias e não somente quando as mídias jogam os holofotes para o assunto. É positivo entrar nessa campanha de mobilização e prevenção ao suicídio. Porém, mais belo do que estampar os perfis de amarelo e cobrir com frases de efeito é necessário se atentar para o nosso papel social enquanto indivíduos de um sistema que oprime, desqualifica, exclui, negligencia e ignora os verdadeiros motivos que têm levado algumas pessoas a pensarem na possibilidade de atentar contra a própria vida e outras, de fato, na esperança de se curarem das dores da alma, infelizmente, executam seu plano.
Se a dor de quem fica é grande, imagina a dor de quem preferiu não viver mais. Não existe covardia nem heroísmo nesse ato, ou, dependendo da óptica, também pode ser ambos. Pecado? Talvez. Olhando pela bíblia cristã, o quinto mandamento diz "não matarás". Sendo assim, tirar a própria vida, segundo a bíblia cristã é um pecado. Porém, ainda segundo a mesma bíblia cristã, não é algo digno de condenação eterna e sem direito a perdão. Esse é um pensamento popular que ganhou força nos redutos das igrejas mas que não tem fundamento bíblico. Segundo o livro sagrado cristão, o único pecado que é causa de condenação eterna ao inferno é o de "blasfemar contra o Espírito Santo".
Se considerarmos as pessoas que dão sua vida em prol de uma causa religiosa, conforme algumas religiões ultra radicais, que as instigam a se tornarem verdadeiros homens ou mulheres bombas, as mesmas são consideradas mártires com promessas e garantias de uma vida eterna e digna no Paraíso, no Céu, etc. Durante as guerras surgiram os camicases que, não tendo mais o que fazer, lançavam-se com seus aviões no território inimigo na tentativa de abater o maior número de adversário possível.
O que difere cada ato de tirar sua própria vida: uma causa, uma esperança, uma promessa, um sentido? Ou, talvez, a falta de cada uma dessas possibilidades ou, todas e mais um pouco? A esperança que um homem bomba tem ao se permitir explodir em prol de uma causa político-religiosa não seria a mesma esperança que uma pessoa, que perdeu seu sentido de viver, tem para amenizar sua dor da alma? Essa última perdeu o sentido da vida, mas está sobrecarregada de dor. Tirar a vida não significa covardia mas, livrar-se da dor que ninguém sabe que existe nela, e por mais que saiba não consegue entender. Como não teremos jamais a resposta sobre o motivo de tal ato, sempre dialogaremos a partir dos relatos deixados de sua caminhada. A cadeira vazia será apenas um cenário de dor e luto por parte de quem ficou sem respostas.
E qual seria o nosso papel social, religioso, político ou simplesmente humano (o mais importante) para contribuir com essa luta de prevenção ao suicídio? Estamos numa era em que as informações que nos chegam são como uma tempestade em nossos pensamentos. Creio que não percebemos mas, muita gente se encontra esgotada mentalmente pelo excesso de informações que são oferecidas aos milhões, minuto a minuto. Esse excesso também pode contribuir para o desequilíbrio emocional, o que afeta diretamente as relações diretas e indiretas de cada pessoa.
A sociedade egoísta que ignora; as religiões com suas regras morais que exaltam as leis em detrimento do ser humano e da vida; as políticas, sejam as públicas que são falhas por conta do dinheiro que se desvia e não chega aonde precisa, sejam os representantes escolhidos pelo voto nos Estados e municípios, que se esquecem do seu compromisso com o povo e legislam em causa própria. Junte-se a isso a falta de recursos para coisas básicas. Muitos "próximos" sucumbem à tentação de deixar de existir num mundo onde não apenas se sentem invisíveis mas são tratados como escória.
Numa pesquisa de trabalho realizado durante o curso de Teologia, nos deparamos com índios da tribo Guarani-Kaiowás que preferiam tirar sua própria vida a viverem fora de suas terras, que naquele momento foram tomadas por latifundiários. A dor de viver fora do seu habitat, da sua casa, e sobreviver nas beiras das estradas, era um dos motivos de desordem emocional e desonra para si.
A dor alheia é algo que não conseguimos mensurar. Seja uma dor física ou, pior ainda, uma dor da alma, aquela que não se vê mas que mexe com todos os sentidos. Para a dor física existem remédios de resolução imediata. Para a dor da alma, existe uma demora para se chegar num ponto satisfatório de entendimento para então, de forma lenta e gradativa organizar as coisas que estão fora do lugar em seu pensamento, em seu íntimo, em sua história e na falta de expectativa.
Enquanto seres humanos, não nos custa levar um pouquinho de alegria, ou no mínimo ouvidos para as pessoas ao nosso redor. Não temos condições para salvar o mundo, mas podemos contribuir dando um mínimo de atenção para aquela pessoa que antes sorria atrás de um balcão e hoje se quer solta um "bom dia". Familiares que passam a reclamar da vida mesmo não faltando nada. Solitários ao nosso redor, regados de silêncio, timidez, e dificuldades de interação, dentre outros tantos, não custa acolher. Acolher no sentido de deixa-la sentir-se vista, notada, ouvida. Não precisa de muito. Um simples "tá tudo bem?" pode ser o essencial para salvar o dia e os pensamentos de alguma pessoa próxima que vive seus dias de tribulação.
Não importa a orientação sexual. Pecado é não amar! E, não há cura para o que não é doença! Antes da piada, antes da crítica, pense que uma palavra pode ser a melhor ou pior coisa que a pessoa com ideação suicida pode ouvir naquele momento e você nem sabe. Não sabemos quantas guerras habitam na pessoa com quem cruzamos todos os dias de nossa jornada. Por isso, empatia e respeito, é a melhor acolhida que podemos dar.
Para quem sempre cita a bíblia, em especial as rígidas leis do Antigo Testamento, eis que me deparo com um pensamento, o qual desconheço seu autor, mas que simplifica e alivia quando me deparo com pregações grotescas e de ódio: "Jesus não voltou durante a escravidão. Não voltou durante o holocausto e nem durante as cruzadas. Mas, vai voltar agora por causa do gênero de alguém."
Uma igreja que não acolhe as minorias e suas diversidades já perdeu seu papel aqui na Terra. Uma política que não cumpre com sua função de bem comum só serve para alimentar os lobos no poder. Uma sociedade que não percebe a dor alheia, já deixou de ser humana com seus semelhantes. E por que esse discurso em meio à campanha Setembro Amarelo? Porque tudo isso pode ser causa, mínima ou máxima para alguém que está desacreditado de si, sobrecarregado de dores, cometer suicídio.
quarta-feira, 5 de julho de 2023
Rebatando a paquita do capeta - parte II
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Rebatando a paquita do capeta - parte I
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
quinta-feira, 13 de abril de 2023
Convenção nos autos da praça V: hipocrisia social
Rascunhos incompletos III - modismos de massa
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
A bem da verdade, pratique o amor - parte II
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
1. Quando os pés o chão tocarem
Para a dança começar
Quando as mãos se entrelaçarem
Vida nova há de brotar
2. Toma, ó Pai, o amor perfeito
Pelo rio, a mata, a flor
Que o índio traz no peito
É louvor ao Criador!
Uma só será a mesa
Terra-mãe será o altar
O sustento, a natureza
Em milagres, vai nos dar!
3. Eis aqui, Senhor, as dores
Deste Cristo-Povo-Irmão
Sejam hinos seus clamores
Na defesa de seu chão
4. Nova Terra nós sonhamos
Onde todos têm lugar
Os direitos nós buscamos
Vida, pão, respeito, lar
5. Povos todos, terra inteira
Te pertencem, ó Senhor!
Que os males e as fronteiras
Deem lugar ao Pleno Amor
domingo, 19 de fevereiro de 2023
A bem da verdade, pratique o amor
Quando se faz com amor, o resultado obtido é melhor que o esperado. Toda atitude de amor, por si só, é capaz de mudar-melhorar-contagiar para quem é realizada, por quem realizou, por quem presenciou ou por quem simplesmente ouviu o resultado da boa ação praticada.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
domingo, 6 de novembro de 2022
Marginal social ou sociedade marginal
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
Alienação, hipocrisia, desrespeito: CHEGA!
Hoje, após compartilhar uma mensagem em diversos grupos que faço parte, falando sobre pessoas de opiniões políticas diferentes e que nem por isso sua índole e caráter são duvidosos, alguém postou em seguida, num determinado grupo, a imagem de uma "enxada" com os dizeres "Varinha mágica pra trazer cerveja e picanha".
Refleti muito sobre a minha postagem antes de responder, se havia algo provocativo da minha parte, mas não. Foi uma mensagem encaminhada e de autor desconhecido. Segue:
- "Aprendi que existem pessoas maravilhosas que votam no Bolsonaro e existem pessoas maravilhosas que votam no Lula. Há extremistas dos dois lados. A escolha por um desses candidatos não define o caráter de alguém. Ela é baseada nos conhecimentos e experiências de vida e sobretudo como cada indivíduo significou tudo isso. Isso não faz das pessoas melhores ou piores, são apenas pontos de vista e expectativas diferentes. No entanto, a forma grosseira de lidar, julgar e acusar o outro porque ele pensa diferente, supor que você é mais inteligente, vivido, esclarecido... enquanto o outro é alienado, ignorante, manipulado, isso sim diz MUITO sobre você! Cuidado com as projeções pessoais, elas tem mais a ver com a gente do que com o outro" (autor desconhecido).
Me senti não apenas no direito mas na obrigação de responder de forma clara, simples e sem perder a noção e limite do meu espaço. Minha resposta:
- "Isso é lindooooo!!! Vejo com bons olhos e orgulhoso da minha origem. Meus pais e avós são da roça, da terra. Mas, teologicamente falando, sendo o crucificado alguém que veio das mazelas da pobreza, e teve ao seu lado todo o tipo de excluídos e pobres (ladrões, prostitutas) me sinto duas vezes abençoado."
Tentei refletir sobre essa imagem a partir de várias ópticas mas, em nenhuma eu consegui ver algo que não fosse pejorativo; foi apenas no sentido de debochar. E, debochar de quem é simples e usa de trabalho braçal e pesado para sobreviver, tal como pessoas que trabalham no campo, na lavoura, na roça soa estranho demais para quem se julga "do bem", "cristão" e "patriota". Me questiono se o que se passa em certas cabeças seria que "uma pessoa da classe dos trabalhadores braçais não poderia então tomar sua cerveja e comer uma carne melhor"?
Sem muitos questionamentos, me apego em três pontos: a minha origem e ou minhas raízes; os trabalhadores braçais, em especial os que utilizam da enxada, defendendo a premissa de que todo trabalho é abençoado e digno; o olhar teológico que, numa simples passada de olho pelos diversos livros sagrados, em especial a Bíblia cristã, todos falam sobre amor ao próximo, falam em especial sobre os excluídos, as minorias rejeitadas pelo sistema, pelos doutores da lei, pelos homens do poder, pelos abastados que se encontram no topo da pirâmide.
Sem trabalhar ninguém se mantém, ninguém sobrevive. A injustiça está em todo canto, em todo campo. Trabalho escravo ainda existe em pleno século 21. Meus avós não tinham boa escolaridade mas eram sábios em seus ensinamentos, lições e exemplos. A classe trabalhadora, operária, braçal, não pode ser resumida a isso. Enxada, foice, martelo são ferramentas e símbolos de quem trabalha de forma pesada, de sol a sol, em sua maioria com um salário de fome; têm suas mãos calejadas, rachadas, cheias de bolhas de sangue; suas peles são queimadas pelo sol e muitas pessoas aparentam mais idade que de fato tem.
O dito "cidadão de bem" faz o bem para quem? O "patriota" usa seu patriotismo para defender qual tipo de valor? O "cristão" usa o "seu deus" pra acolher ou pra julgar e sentenciar? Usa sua religião pra libertar ou pra alienar? Usa sua oratória pra trazer amor e paz ou pra esbanjar ódio, intolerância, discriminação, guerra e morte?
Seguindo os valores do evangelho cristão, prefiro estar com os loucos do que com os falsos; falsos esses que na expressão de Jesus eram os hipócritas do templo e da sociedade que batiam no peito mas era verdadeiros sepulcros caiados. Prefiro estar com os excluídos, os pobres, as putas, as LGBTQIA+ do que com a cristeirada hipócrita de armas na mão. A diferença entre os lados é que os bandidos da elite se vestem bem e são protegidos pelo sistema.
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
O sequestro de Deus
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Crítica: "Sintonia"
“Sintonia” é uma excelente série brasileira da Netflix que
retrata com perfeição o cotidiano das pessoas que habitam a periferia de São
Paulo, também conhecida como favela para quem vê apenas por fora e de
comunidade para quem enxerga por dentro.
Os protagonistas são três jovens amigos que cresceram juntos, cada um com seu grande sonho de realização e sucesso. Apesar de caminhos diferentes a amizade é algo forte, sólido e sempre presente. Talvez por isso o título da série: "Sintonia". Existe um respeito mútuo, cuidado, amor e dentro do possível se encontram para prestigiar as conquistas do outro.
Eles conseguem se realizar naquilo que tanto sonharam, mas nada foi fácil e não continua sendo. Entre acertos, riscos, consequências e muita superação o trio caminha por suas escolhas sem perder o contato e as raízes, algo muito típico do espírito de comunidade que habita nos moradores da periferia. Quem expande para o sucesso não esquece suas origens.
Um conseguiu evoluir na carreira artística como MC. Outro se reencontrou dentro da religião. O terceiro conseguiu seu tão almejado posto dentro do tráfico. A realidade na periferia é tal como descrito na série, tanto no quesito de comunidade, em que todos se ajudam e se respeitam, como na questão do crime, da ordem imposta para uma boa convivência entre os membros da comunidade e a "lei do crime" que age quando alguém trai a confiança da "irmandade", quando alguém tenta explorar trabalhadores honestos.
As drogas são o carro chefe. Por isso evita-se todo tipo de violência para não chamar atenção da polícia. Há policiais corruptos, bem como bandidos que exercem um papel conciliador e protetor da comunidade. Uma inversão não apenas de valores, mas de papéis. A polícia acaba sendo conivente com o tráfico e ganha por isso. Policiais são comprados. Traidores do tráfico são punidos e silenciados com a morte. Retaliações acontecem quando matam policiais, quando morrem bandidos e quando matam inocentes.
Há um tripé essencial entranhado não apenas no enredo da trama mas na realidade que assola as grandes comunidades periféricas brasileiras: fama, religião e crime. A fé que salva e aliena, o sucesso que dá e tira, o tráfico que mata mas as vezes é a única forma de sobrevivência. Contextos reais, vidas paralelas intimamente ligadas. A verdade tal como é sua realidade. Caminhos de fama e sucesso, dinheiro e prosperidade, fé e religião, crime e ilusão, vida e morte.


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