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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Entre o rio e o sertão



Entre o rio e o sertão 

A distância e o tempo

Destinos e travessias

Contos e utopias

 

Meu rio que desce sem fim

Sonha em cortar seu sertão

Te encontrar, namorar, dar vida

Uma história prometida

 

Seu sertão que ecoa o silêncio

Anseia por declarações apaixonadas

Trazidas pelos raios da lua

De um rio de alma nua

 

Meu rio que de tempos em tempos

Se enche e transborda o amor

Ou quase seca na dor da saudade

Anseia teu cheiro de terra que invade

 

Minhas águas compreendem tua sede

Seu calor conforta o meu leito

Nesse conto real entre rio e sertão

A lua testemunha o nosso coração

 

Entre o rio e o sertão

A lua ilumina nossa história

Meu rio que atravessou cidades

No seu sertão encontrou amor de verdade

 

Você, meu sertão e calmaria

Companhia certa e silenciosa 

Minha fonte de inspiração 

Em toda e qualquer estação

 

Entre águas que invadem

E terras que se molham

Nem mesmo o tempo impede

Esse amor que não se mede

 


domingo, 21 de março de 2021

Preces sob o tempo, sobre o rio, a Deus



Quando penso no tempo

No que já foi e no que há de vir

Sinto-me como um rio

Que passa por entre margens

Redescobrindo paisagens

Contornando obstáculos

Seguindo seu destino

Mesmo sem visualizar o caminho

Mas sabendo do fim

Reencontrando com o mar

Voltando para casa

Se o mar é Deus

Que minha casa seja o céu

E que lá, quando me achegar

Eu possa misturar-me com outras águas,

Almas antigas e queridas

Fartando-me de saudosos abraços

E de água, de lágrimas...

 

Quando penso no tempo

Olho pelo caminho das águas

Toda a travessia

Em noites enluaradas

Manhãs de sol

Bem como os dias sombrios

E as noites escaldantes

Momentos em que o rio

Quase agoniza 

Sem forças para prosseguir

E em algum momento

Do céu vem o retorno

Vem água, a chuva, a esperança

E os leitos se enchem

E tornam a vida ao seu redor

Menos sofrida, mais alegre

Mais viva

 

Quando penso no tempo

Olho para o horizonte

E vislumbro novos sonhos

Sonhos repletos de sentimentos

Esses que não cabem no peito

No leito

E transbordam para além de si

Para além da terra, da alma

E o maior de todos os sonhos

É o de reencontrar-me

Com outras águas de minha própria fonte

Este que ainda corre pequeno

Inocente, sereno...

 

Quando penso no tempo

Nesse tempo de agora

Por vezes, sem forças 

Nem coragem de prosseguir

Sigo também empurrado

Por outras águas, outras almas

Rios irmãos que correm comigo em paralelo

Ora se cruzando na travessia

E dando força na correnteza

Ou apenas sendo minha única força e certeza

Ora sendo conduzido pela memória e esperança

Para fortalecer as águas

Que nasceram de minhas entranhas

E então seguirei em paz, pelo amor

Em todas as estações

Celebrando o reencontro

Reencantando-me com as águas dos meus...


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Rio e Céus

E pra quando se for
Tudo se for
Eu me for...
Como serão os reencontros?
Como será o saudoso abraço?
Sentir aquele cheiro único
Me esperando no terraço?
A casinha da minha infância
Estará em algum lugar?
Aquela terra onde eu fui criança, 
Fiz arte e extravagância
Sem perder a esperança
Será que então poderei pisar?
Saberei andar, falar e ver?
Poderei sentir, ouvir e correr?
Haverá casas, pessoas e ruas?
Haverá tardes e noites de lua?
Sentirei o vento refrescando o dia?
Nas manhãs farei poesia?
Será que o Rio correrá para o mar?
Será que o mar se perderá na imensidão?
Sentirei suas águas a me banhar?
Ou será que o Rio se findará no sertão?
Serei pequeno ou gente grande?
Não importa, nem por onde eu ande
Na verdade, quero apenas percorrer
Subir, descer, correr e ser
Banhar, molhar, irrigar e nascer
Quero ser travessia
Alegria sem véu
Que leva vida e utopia
E em dias de calor, chuva ou frio
Onde o vento não bate os Céus
Eu, apenas, quero ser Rio...

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Travessias de um Rio


 Na vida que se faz vida
Um Rio que abraça memórias
Sem temer a própria morte
Segue o destino com maestria
Rio que traz e leva a vida
Conduz em seu leito histórias
Deriva em si à própria sorte
Traquino e menino em travessia

No espírito da água da vida
O Rio é a sua própria teologia
Com seus cantos e irrestritas danças
Rompe as margens sua espiritualidade
Espírito de um Rio de vida
Que ao próprio ego silencia
Dissipa, limpa e dá de si em esperança
Travessias de um Rio em liberdade

Ah, se todo mundo tivesse um Rio
Se o espírito do Rio habitasse o mundo
Se a liberdade fosse uma mera travessia
Se a travessia não se perdesse em liberdades
Ah, se toda vida respeitasse o Rio
Se o próprio Rio não tivesse roubada sua vida
Se a espiritualidade fosse mais vivida que falada
Se a fala imposta não lhe usurpasse a espiritualidade

Travessias de um Rio...


(*) Fotos: Rio Paranapanema - por A.D.O.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pra quando for a hora...


Eu vejo mensagens de despedida
Para quem partiu desta vida
Vejo declarações comoventes
Com imagens de um luto indecente

Eu vejo o adeus na boca do humano 
Tão vazio, sem sagrado, sem profano
Vejo, porém, atitudes idealmente surreais
Quando se trata de outros animais

De minhas quimeras, que se façam partes
Em cinzas, me devolvam com arte
À terra, um pouco sob a lápide fria
Para as rezas e os ritos, silêncio da travessia

Outra parte, aos pés de uma roseira
Às águas do Panema, meu rio, uma terceira
E por último nas águas desta terra em que estou
Aonde amei o amor e o amor me amou

Eu sugiro uma bela canção
Nas vozes dos meus amigos do coração
Recitem versos, os meus preferidos
E dispensem aquelas falácias dos meus esquecidos

Abominarei, de onde estiver, e vou
Qualquer menção de quem nunca se importou
E o velho discurso de que fora uma pena não ter ficado
Mais pena é saber de que em vida não fora lembrado

Expulsem a chicote os ausentes
Deixem-me em paz com os meus presentes
Não permitam, eu peço, por favor
Nenhuma lágrima de falsa dor

A herança será o que eu fui, a minha história
E nas entrelinhas jazerá a minha memória
Travessia de um deserto penoso e feliz em flor
Vou aonde há de ser, com fé, saudade e amor

* Para este dia dispensem as tecnologias!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Rio Paranapanema eu te quero vivo!" - frases e pensamentos






(19/09/11)
‎"A ESCOLHA É UM DIREITO. ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS É UMA OBRIGAÇÃO, AS VEZES DE GOSTO AMARGO."

"Minha posição está na defesa do Rio Paranapanema, doa a quem doer!!!"


(19/09/11)
‎"A CONTRAPARTIDA QUE EU ESPERO É QUE A JUVENTUDE ABRA OS OLHOS, SE POSICIONE E NÃO SE ACOMODE COM AS SITUAÇÕES IMPOSTAS DE CIMA PARA BAIXO."


(19/09/11)
‎"SE VOCÊ NÃO TEM O CONHECIMENTO DA CAUSA CORRE O RISCO DE ESTAR APENAS ILUDIDO, MENOS MAL, POIS AINDA HÁ TEMPO DE RECONHECER O ERRO E REFAZER O CAMINHO, MAS SE VOCÊ CONHECE O CAMPO QUE ADENTRA E O FAZ POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE, SABENDO DOS RISCOS E PREJUÍZOS A TERCEIROS, A UMA CIDADE, À NATUREZA, APENAS POR UMA ILUSÓRIA PROMESSA QUE NÃO DÁ NENHUMA GARANTIA FUTURA, ENTÃO, LAMENTO... ESTAIS CORROMPIDO..."

"Rio Paranapanema, eu te quero vivo!!!"


(19/09/11)