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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Inquietações do mundo, desconstruções em mim


Em alguns instantes de puro devaneio várias questões me tiraram a leveza do descomprometimento universal. Sim, universal, pois esforcei-me para passar despercebido ao mesmo tempo em que nada quis enxergar. Tolo engano. Não tenho essa frieza viral dos donos do jogo sistêmico. Eles detêm as regras além do controle do tempo de jogo, bem como as cartas, os jogadores, a torcida, os juízes e tudo o mais que possam comprar ou usurpar. Esse tanto faz não me pertence.

Meus velhos fantasmas guerreiros ressurgiram e se rebelaram na fronteira do vácuo de meus pensamentos. Teimam eles em me interrogar sobre o sentido de estar aqui e agora. De modo massivo, questionam-me sobre o tipo de legado que estaríamos deixando, serão valores ou apenas instinto de sobrevivência que repassamos aos nossos? Dúvidas, incertezas, questionamentos, inquietudes...

Onde o ser humano existe irradia-se ambição, ganância, poder e destruição. Fato. E, à proporção com que isso se alastra, é descomunal e desproporcional ao se comparar com os poucos insurgentes que combatem o sistema armados apenas de esperança. Religiões de moral desvirtuadas e instituídas à base do sacrifício e da miséria humana formaram um verdadeiro império financeiro à custa da fé alheia. O resultado pode ser visto de algumas formas: para a massa, que tem sua fé manipulada e construída sem embasamento, custará o livre arbítrio e sua desobediência acarretará o castigo eterno (inferno); para os vendilhões e show-man's, que orquestram em seus palcos, altares ou púlpitos como instigadores do radicalismo institucional e do moralismo religioso, o resultado divide-se em poder, status, dinheiro e só.

E se elas (as religiões) continuam assim, o que se esperar de outros seguimentos como a política, por exemplo? Sim, as religiões não apenas "estão assim", elas "continuam assim" pois, desde os primórdios, sempre fizeram parte de algum golpe, alguma tragédia histórica, aconchavada com a política e com a elite interessada em poder, status e progresso, mesmo que tais ambições custem a vida e o sangue alheio.


Poucos são os que se revoltam com o que está imposto. Raros são os que ainda acreditam. Desapegar das instituições é um caminho não apenas de desconstrução que requer coragem, bom senso e, no mínimo, um pouco de esperança, mas não recear a solidão da estrada por onde andam todos os que se indispõem a conformar-se e a calar-se.

Acredito que, sendo devaneio, não tem começo nem fim. Não precisa ter uma resposta precisa diante de uma pergunta que nem sei qual é. Pouco me importa se a ala católica vai me excomungar por pensamentos que criticam o fanatismo doente da RCC, CN e outros afins, ou se ainda me indisponho e contrario os excessos moralistas incutidos nas entrelinhas dos documentos medievais... pouco me importa. Na verdade, foda-se! Aproveitando o gatilho, foda-se também os empresários da fé, de alas pentecostais, neopentecostais (primos mais velhos dos carismáticos católicos)...

Mais alguém? Vai um "foda-se" aí???

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Entre poderes e loucos


Essa lei que escolhe a quem servir
Essa lei que escolhe a quem abater
Essa política que segrega e oprime
Esses políticos que trabalham para se manter no poder
Esse país de paralelos
Esse país de poucos
Esse país de mazelas
De marginais poderosos e loucos...
Desconstrói-se a esperança dos dias
Comemoram os nobres da corte
Aniquilam sonhos e utopias
Mas o poder mantém os chefões com a sorte
Margens, mazelas, poesias e prantos
Sobrevivem na trama alguns outros poucos
Que desbravam fronteiras com lutas e cantos
E nesse mundão desmedido sobrevivem apenas os loucos...
Vida longa aos loucos!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Letras e cachaças


No empório das letras
Encontrei um destilado
Tinha verso, tinha álcool
Era livre o pensamento
Era forte a dose única
O tempo que me fadigou
Libertou e escravizou
Cegou e duvidou
Creu e resistiu
Em cada gota de pensamento
Sem ópio e sem tormento
Era assim, natural
O suicídio da alma
Fadada pela existência
Foi libertada nas prosas
Nas doses entorpecidas de poesia
O sentimento prometido
De outras vidas descumpridas
Era intangível e falso
Recostou sua cabeça
No primeiro deserto de toda vida
Preferiu a facilidade das coisas prontas
A tecer em teias a história
E o que era pra ser derradeiro
Tornou-se passageiro
O destino incerto desses corpos
Nas letras misturadas
À poesia desse copo
Me saciem a sede
E me livre desses medos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Descontruções


E neste processo
Quem tá longe se faz perto
E quem tá perto
Não te quer sentindo
Tantos amigos que eu ganhei de novo e sorrindo
Tanta gente que chegou saindo

A gente espanta
Com essa coisa braba
De quem não quer nada com nada
E não se perde a oportunidade
De usar a língua com vontade
Solta o verbo e não se cansa

Desconstruir-se faz sentido
Eu que já fui encontrado
Vou me fazendo perdido
E buscando razões em outros lados
Escrevendo certo onde tava errado
Retornando em terra que já fui banido

Minhas desconstruções serão eternas
Se Deus quiser serão
Enquanto estiver bem das pernas
Vou reaprendendo a desamarrar
Onde o ensino foi imposição
Vou reconstruir com outro olhar

A certeza certa e imediata
É não se limitar atrás do muro
Deste lado o cego-surdo-mudo
Segue a sua trilha obediente
Precisa agora de um destorpecente
Pra encontrar o rumo de sua jornada

Sigo a vida navegando
Em outras águas me encontrando
Beijando em sonho a minha rosa
Fazendo verso, tramando prosa
Sobrevivo à guerra sem razão
Reaprendendo em minha desconstrução

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Receptividade e Interatividade


Quando comecei a escrever tinha vergonha de expor meus pensamentos. Eram repletos de erros gramaticais graves. O sentimento, por vezes, ficava perdido no meio das contradições inocentes acometidas pela inexperiência. Ainda assim, ousava partilhar com os mais próximos. Minha professora de Português do colegial, Ana Cristina, foi uma das primeiras a ler e incentivar.

Tudo era guardado em agendas que eu mesmo criava. Não gostava de nada pronto. Foram inúmeros os momentos que sentia aquela vontade de explodir em escritas e me faltavam palavras. Outras vezes acordava de um sonho na madrugada e anotava no meu caderno aqueles pensamentos desordenados para compor algo no dia seguinte. Se isso é loucura, era um louco feliz. Na verdade, sou!

Passado algum tempo, deixei as agendas artesanais, que duraram até o ano 1999, e entrei num período de abstinência da escrita quando, em 2000, parti para a capital paulista. Foram longos dez anos de deserto sem nenhuma referência escritológica, nenhum devaneio, nenhum pensamento na madrugada. Uma vida sem poesia não é vida. Em 2009, já em Uberlândia (MG), reencontrei-me. Passei a anotar em cadernos e foi neste mesmo ano que criei o blog "Escritos: cantos & encantos da vida", que posteriormente se chamaria "Escritos em tempos" permanecendo até hoje.

Conheci muitos blogueiros profissionais. Verdadeiros artistas das escritas. Aproximei-me de alguns e distanciei-me de outros. A interação entre escritor e leitor é essencial. Percebi isso quando alguns amigos próximos passaram a comentar o seu sentimento diante das minhas escritas. Em algumas situações eu nem tinha muito o que responder, uma vez que a partilha que me retornava tinha muito mais significado e emoção do que as minhas próprias linhas. Essa interação é fantástica pois permite a quem escreve conhecer-se pelos olhares de fora.

Dos pensadores que me distanciei encontrei essa lacuna, ou melhor, essa inacessibilidade. Há momentos que o contato direto se faz necessário para ambos, mas, nem todos tem paciência e humildade para as retóricas, ou não querem perder o tempo lendo opiniões sobre suas obras.

Percebi essa necessidade de interação quando os primeiros comentários surgiram sobre os meus escritos. Alguns mais próximos conversavam diretamente comigo. Hoje, as redes sociais, os emails, o próprio blog e outros aplicativos da modernidade proporcionam essa aproximação e diálogo. Há quem eu nunca tenha tido uma única conversa e mesmo assim fez questão de deixar um recado sobre determinado texto.

Sendo assim não poderia jamais deixar de ser receptível. Esse é o meu respeito e agradecimento para quem gastou um pouquinho de seu tempo a navegar nas águas dessas linhas e entrelinhas. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A loucura move tudo


"A arte de ser louco é jamais cometer 
a loucura de ser um sujeito normal."
Raul Seixas


Eu me considerava louco
por gostar de coisas muito loucas 
Ainda mais que não tinha medo
ou vergonha de expor essas loucuras
Com o tempo descobri
que existe gente mais louca do que eu 
Senti alívio ao perceber 
que a embarcação não estava vazia 
A solidão já podia ser sentida
em maior número de loucos 
Identifiquei-me com eles 
Tornei-me fã desses declarados
e solitários loucos
Em comum o fato maior 
Não digo a loucura 
Mas a assumição dessa doidura desvairada 
a sã demência de quem não é um falso normal
Isso contraria 
aos que não conseguem se apresentar sem máscaras 
Causa-lhes espanto
intimidação 
Um louco assumido
incomoda 10 falsos oportunistas 
É um perigo para esta classe sem QI
Melhor sobreviver entre os loucos
a conviver com os falsetas
Com o tempo
o meu achismo virou certeza 
A loucura move tudo
E percebi que tudo isso era bom



"Há na loucura um prazer que só os loucos conhecem." (John Dryden)

"Loucos sempre existiram e sempre existirão: como tal sou qualificado pelos meus adversários... Felizmente já estou velho e não tardará que encontre no túmulo o esquecimento dos vivos." (Cezar Zama)

"A verdadeira loucura talvez não seja mais do que a própria sabedoria que, cansada de descobrir as vergonhas do mundo, tomou a inteligente resolução de enlouquecer." (Henrich Heine)