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domingo, 21 de janeiro de 2024

Resenhando com a EJA: projeto tour pela biblioteca



Faltam adjetivos para descrever sobre as linhas que se seguem. Talentos natos irrigados de extrema sensibilidade, conseguiram reproduzir para além de uma simples resenha crítica. Trouxeram o seu olhar clínico, puro, que atravessa o enredo de cada obra e nos retorna em expressões de pura maturidade, responsabilidade e sentimentos vários. 

Para os dias atuais, a leitura já é algo difícil por si só, seja para estudantes, seja para as pessoas em geral. A falta de tempo, os compromissos do cotidiano e até a nossa falta de motivação são alguns dos itens que contribuem para a não leitura. Sabemos, que tanto a leitura como a escrita são elementos que nos promovem a libertação. Libertação de corações, de almas, de sentimentos e de quebra nos possibilita conexões e ressignificações de vida. 

Agora, uma leitura, seguida de uma resenha crítica é algo que está anos luz à frente de qualquer tempo. É preciso reconhecer e aplaudir tais talentos, tais olhares que, quebraram os padrões e se debruçaram na produção de algo tão valioso e sensível quanto essa obra. Diante de tantas adversidades enfrentadas nas lutas diárias, trazer essa obra à público é mais do que necessário, é como hastear uma bandeira de vitória após duras batalhas. 

É preciso que esse projeto continue, com gana, coragem, e muitas vidas envolvidas que se beneficiarão. É urgente que tais talentos, com essa produção, inspirem novas turmas a descobrirem os seus. Parabéns a todas e todos. O início já é agora, o fim um dia virá, mas, como disse Guimarães Rosa "a vida se dá é no meio da travessia". 

Parabéns à professora Heliene Rosa pela iniciativa e pelo belo trabalho que possibilita aos estudantes romper barreiras e estigmas através da leitura e da escrita. E parabéns à escola Mário Godói por propiciar esse espaço de crescimento, interação e arte. 


terça-feira, 23 de novembro de 2021

Aos mestres com carinho IV - Psico



E de repente um novo ciclo acontece. A travessia continua. E é no meio dela que a vida se tece e o que é bom se perpetua na história, na memória, no coração e na alma. E o que não nos serve e não agrega se desfaz pelo meio do caminho. A correnteza da vida se encarrega. É clichê mas também é fato que "a vida é feita de recomeços" e cá estamos nós fazendo e acontecendo, sonhando a realidade e realizando sonhos tecidos no auge da adolescência. Psicologia já é realidade na minha vida. 

Todo começo gera expectativas e receios também. Com certeza haverá superação de expectativas bem como frustrações ao decorrer de toda a jornada. E tudo poderá ser considerado como aprendizado e material para construções e desconstruções no futuro. Dependerá apenas da óptica, da sensibilidade para transformar, da paciência para lapidar e da vontade em melhorar. A imagem escolhida para este escrito tem tudo a ver com recomeço, esperança, novos olhares e possibilidades: despendurando as luvas, a bolsinha de canetas. 

Mais um clichê que "é o aluno quem faz a escola" também cai muito bem mas, vale ressaltar e dar ênfase que, entre as multiplicidade de personalidades profissionais que abordam sua disciplina de maneiras diversas e que, de certa forma, contribuem muito para o melhor desempenho do aluno, há algo a mais que eu diria que seria o diferencial.

Mas, antes de explicitar esse diferencial, vale considerar a empatia, a didática, o conhecimento que o profissional agrega, sua dinâmica, sua visão além da disciplina que permite ao aluno correlacionar vários saberes de outras ciências com a que ele ministra. Amor é a palavra mestra! Amor ao que se faz transforma a profissão e o profissional em si. Há uma energia que brota pela fala, pela emoção, pelo olhar de quem vive sua profissão não apenas como escolha e vocação, mas com um propósito muito além, o de possibilitar a transformação. E somente quem ama o que faz pode proporcionar isso, sendo luz, sendo caminho, e muitas vezes sendo companhia nessa longa travessia.

Quando optei por fazer Psicologia na Unitri, além da vontade imensa, do sonho da adolescência com essa profissão, do sentimento e da vocação que se materializam a cada dia e em cada aula participada até agora, preciso ressaltar a importância da pessoa que hoje está de Coordenadora desse curso: Marilane. Eu já disse isso pessoalmente a ela mas vale repetir: 90% da minha opção em ingressar na Unitri se deve ao fato de conhecer o trabalho dela desde outra instituição. Seu profissionalismo, sua dedicação ao que faz, sua competência e principalmente o amor envolvido é o que fazem toda a diferença e proporcionaram total segurança à minha escolha.

E assim, como sempre faço questão de lembrar dos "Bons Mestres" com muito carinho, desde a minha infância, das escolas que frequentei, das faculdades anteriores, quero eternizar aqui os novos profissionais por quem já carrego não apenas respeito e admiração, mas uma gama de saberes e novos olhares adquiridos através do que puderam propiciar e transmitir nessa nova etapa da minha vida. 

Então eu correlaciono esse início de um novo ciclo da seguinte forma: havia a minha vontade e o sonho e a dúvida de como realizar de uma forma que valesse a pena. Marilane foi o ponto fundamental para a minha escolha. Hoje, eu posso dizer que estou feliz, e me realizando em cada aula. Sei que o processo é longo, a travessia é árdua e repleta de obstáculos também, mas se antes havia uma motivação para entrar, hoje tenho várias para permanecer, e a principal se deve aos "Humanos Profissionais" que tive o prazer de encontrar: Prof.ª Lia, Profº Daniel e Profª Suziani. 

Professores, Mestres, Humanos, Profissionais... é divino poder falar do orgulho de tê-los em minha caminhada, como fonte de inspiração, como modelo de profissional e como exemplo de ser humano. Até aqui já valeu muito a pena! E com certeza levo um pouquinho de vocês para a minha vida e minha futura carreira. 

Todo encantamento precisa de um modelo inspirador. Lembro da minha professora do pré, D. Márcia, com muito carinho pela forma que tratava seus alunos. Lembro também da professora de Português e Literatura do antigo colegial, Ana Cristina, que me fez apaixonar pelo mundo literário, pela leitura, pela escrita perfeita, e assim me possibilitou um despertar pela arte de escrever. E agora, tenho vocês, que fazem parte da minha coleção de pessoas queridas e imortais. Obrigado Marilane, Lia, Daniel e Suziani. 

Tudo acontece num momento crucial da minha vida. Além da pandemia creio que cada pessoa têm suas próprias batalhas pessoais e suas guerras internas. Estou nesse barco também, enfrentado as marés, porém já não me sinto só. Creio que professores são heróis, mesmo sem saber. Eles têm poderes que desconhecem, mas quem é atingido reconhece o efeito desse poder. Assim que me sinto, recarregado de novas possibilidades, saberes e totalmente agradecido. Nesse mar furioso, eu já tenho mais controle do meu barco, vejo horizontes e terra firme, tenho esperança e me espelho em vocês.

Faço Psicologia em todos os sentidos possíveis, estudando, aprendendo, caminhando por onde a ciência já trouxe luzes, refazendo trajetos e redescobrindo possibilidades. Do mais, só posso dizer que estou feliz com essa escolha que me propiciou tantas descobertas.


"Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro!" - Belchior




" (...) Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido

De me apaixonar todo dia
E ser mais jovem que meus filhos
De ir aprendendo com eles
A magia de nunca perder o brilho

Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio deus
Viver menino, morrer poeta."

(Alma Nua - Vander Lee)

quarta-feira, 7 de março de 2018

20 anos depois


1998. Formatura da turma de Administração de Empresas - FIO - Ourinhos-SP.
2018. Formatura da turma de Teologia - PUC - Uberlândia-MG.

Uma das palavras de otimismo que mais recebemos nesses momentos é, sem dúvida, "sucesso". Ela vem carregada de muitos significados, na maioria, o desejo de uma carreira brilhante, financeiramente rentável e de reconhecimento a qual nos traga também a tão desejada felicidade. E tudo isso não é apenas válido mas muito bom para o ouvido e para a alma. 

Hoje, reconheço meu sucesso diante das pessoas que se tornaram próximas e amigas bem como as que se tornaram distantes e até aos desafetos. Sucesso, sem demagogia, é ter histórias, é ser memória na vida dos que você ama. Sucesso é ter amizade e pessoas que são verdadeiramente recíprocas com você. 

Talvez, esse não seja o sucesso etiquetado nas vitrines e estipulado pela sociedade, tampouco o que as pessoas esperam e exigem de você. Mas e daí? O que importa? Cada um sabe o que é melhor pra si. E nem tudo o que os outros gostam e fazem é agradável para mim. Então, que se dane! 

Quando optei por fazer Administração eu já havia tentado por duas ou três vezes ingressar na faculdade de Direito. Que bom que não deu. O tempo me provou com tantos frutos que colhi nessa travessia que foi uma ótima jornada e apenas isso já me enche o coração de orgulho. Na verdade, foi uma escolha de alternativa única. Era o que se tinha para fazer e o que dava para se fazer. Por vezes pensei em mudar de curso e até desistir mas acabei resistindo até o final. Minha mãe e minha avó Iolanda foram vozes insistentes para que eu não parasse no meio do caminho.

Não posso deixar de expressar um desejo eterno de ingressar em outras áreas do conhecimento que, desde a adolescência, sempre estiveram bem guardados no coração, letras e literatura e até psicologia. Quem sabe um dia?

Quando optei por fazer Teologia, eu realmente escolhi conscientemente. Foi mais prazeroso. Já não tinha a obrigação de apenas concluir a faculdade e obter um diploma. Entrei para "aprender mais". O desejo de conhecimento, de entender e compreender melhor as coisas, de trilhar novos caminhos do saber são alguns pontos dessa jornada que durou quatro anos e meio.  

Vinte anos se passaram entre um formatura e outra e uma das coisas que nunca deixei apagar é o sonho, ou melhor, o ato de sonhar sempre. Sonhar é preciso para que haja esperança de dias melhores, para que possamos acreditar numa vitória, por mais incerta que seja. Sonhar é para os fortes, uma vez que, até isso, o mundo tenta nos tirar. 

Hoje, posso dizer que vejo e sinto o meu sucesso no brilho dos olhos das pessoas que eu amo e estão presentes em minha vida. Quando elevo meu pensamento aos que já partiram dessa vida, sinto que cada esforço valeu a pena. Quando reflito também sobre os que se ausentaram e sumiram, só compreendo que nunca estiveram presentes de verdade. "É a vida, é bonita e é bonita!" 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Travessia teológica



Um pouco mais de 4 anos se passaram. Lembro-me da primeira aula quando uma professora perguntou para cada aluno presente qual tema gostaria de ver em sua disciplina. Na minha vez: "Teologia da Libertação!" Como eu estava sentado ao fundo, percebi alguns corpos se remexendo na cadeira, alguns pescoços quebrando de lado na tentativa de reconhecer a origem da voz que ousou mencionar tal blasfêmia (rsrs). Engraçado mesmo é que os incomodados não permaneceram nessa empreitada teológica.


Amizades. Muitos conhecidos, muitos colegas de turma, de outras turmas, de outros cursos e uma seleta gama de amigos. Ambiente ímpar que os companheiros de caminhada proporcionaram. Discordâncias à parte, ainda bem que cada um tinha sua opinião bem centrada, pois foi o senso crítico e as diferentes ópticas sobre os temas que nos propiciaram grandes diálogos, discussões e embates positivos. Nem tudo são flores, mas os espinhos também nos ensinam.

Educação I. É fato que existem profissionais e profissionais. Há quem esteja pelo valor, e ainda há quem esteja pelo amor. Estes são poucos, mas ainda existem. E... são justamente esses que eu quero exaltar. Tive a oportunidade e o privilégio de conhecer "nomes de renomes", os quais merecem todo o respeito e minha eterna gratidão. Agradeço ao Prof.º Manoel Messias que foi o nosso primeiro coordenador do curso, ao Prof.º Pe. Flávio - atual coordenador, ao Prof.º Márcio Fernandes - o meu Orientador e à Prof.ª Margarete - por todo o seu apoio. Existem muitos nomes para agradecer e cada um, tenho certeza, sabe bem o valor que teve...

Educação II. Mas existem também os que, infelizmente, só detém o título, o diploma, e não conseguem sequer serem organizados. Sim, perdemos muito tempo com alguns professores e isso gerou um atraso, ou um desperdício. Prefiro manter o sigilo quanto aos nomes, pois não foram poucos. Entretanto, é necessário que a Instituição se atente a fim de que se evite os mesmos eventos num futuro próximo. Mas, pior mesmo, é aquele tipo que não é nada daquilo que diz e que prega. Hipócrita! Descobrimos à tempo, novamente, que "as aparências continuam enganando sim". Falso! O asco e o desprezo como retribuição...

Travessia. Gosto dessa palavra e do que representa para mim. Tem uma conotação poética, profética, de sonhos, fé e lutas. Poesia e profecia, uma alquimia  regada a sonhos, muitos sonhos, por uma fé desconstruída e alicerçada sem amarras e sem alienação, e muita luta, principalmente contra as imposições de quem ainda persiste em condenar em nome de Deus: Medievalismo Contemporâneo, guardem esse nome! Uma Travessia que perpassa caminhos, trilhas, rios, montanhas, céu e inferno, aqui e agora, realidade e imaginação, desertos e sertão...

Sim, valeu a pena! Todo ofício tem seus gargalos. Adquirir o pacote tem lá suas desvantagens, pois não dá pra selecionar o que tem dentro e não tem como escolher pela aparência. Os bons mantiveram o nível. As amizades ajudaram a contornar o que tava ruim, ou perdido. O curso finalizou, mas a Teologia, ou as Teologias, permanecem A Caminho.

Obrigado a todos e todas.

















terça-feira, 26 de julho de 2016

Do simples, do rústico e do improviso

No improviso das calejadas mãos
Teciam-se remendos, arranjos 
Enfeites e ferramentas 
Nada se perdia, nada se desperdiçava
Tudo se transformava, tudo se aproveitava
Não existiam problemas, tudo se ajeitava
Pobres segundo os conceitos da cultura social 
Mas com uma riqueza que não se encontra por aí
Nos altos escalões da nobreza moderna
No quintal havia variedade de frutas, folhas e legumes 
Pelo dom de suas mãos...

Tão rústico quanto bruto 
Sangue quente nas veias e de poucas palavras 
Tão caipira quanto amoroso 
Pavio curto e dedicado
Crescido na roça, sofrido na vida
Não esmorecia pelo penoso passado
Importava com seu recanto
Sua casa, suas obras
Sua companheira, sua família
E comigo, seu neto...

Do simples
Tão simples quanto a prosa
Que de tão prosa se fez verso em meus ouvidos
Lateja no peito e na alma as lembranças
Tão simples quanto a vida poderia ser
No antigamente daquele tempo
Em que existia também uma prosa que se tecia a dois 
E continha nela aquele amor de respeito
Naquela casa que se fazia reza e novena
O almoço de domingo depois da missa
Ali, tão perto do coração
Lá, tão longe das minhas mãos
Para o que não se tinha, tinha o improviso
Para o contraposto do pronto, havia o rústico
E para me fazer contemplar a vida, apenas o simples...

Ao som de uma moda de viola
Meu coração percorre longe
Passando pelo jardim das rosas
Das primaveras
Entrando pela porta da sala
Atravessando a pequena cozinha
Em direção ao quintal
Meu pé de ameixa
Que fora o avião das minhas brincadeiras
O gramado que fora o mar
A terra em que construí castelos
Então, volto sujo do quintal pro bom banho
Dali pra janta tão mais simples e saborosa
Um pouco de sala, causos e mais prosa
Até partir pra cama em quase tarde da noite
Enfeitada com a colcha de retalhos pelas mãos dela
As mesmas mãos que se me espera a tua benção...





sábado, 9 de julho de 2016

Um pouco de "Cá de dentro"



Os olhinhos estavam brilhando. Expectativa por parte deles. E eu? Nem dá pra falar, tamanha a minha emoção neste encontro... 

Essa semana fui visitar e levar alguns exemplares do livro "Cá de dentro" na escola em que o Felipe estuda, especificamente para toda a sua turma do 7º ano. Alguns rostinhos já são bem conhecidos pois estão juntos desde o maternal. Fiz questão de fazer uma dedicatória para cada um dos alunos e alunas. 

Pré-adolescentes inteligentes, raciocínio rápido, alegres, brincalhões, respeitosos e com um alto astral maravilhosamente contagiante. Me senti à vontade. Contei um pouquinho da paixão pela escrita e como ela despertou em mim. 

Era aula de português. Não podia ser diferente. Devo muito aos meus professores mas tenho um enorme carinho por esta disciplina e pelos mestres que me incentivaram. A recepção foi simplesmente fantástica por parte da professora, coordenadora e diretora.

Acredito muito que naquela turminha existem talentos em formação e grandes apaixonados pela arte de escrever. Que o tempo conserve a essência e a pureza no coração desses jovenzinhos. Que no futuro as lembranças sejam fontes de inspiração e de muita poesia viva. Ousem!

domingo, 6 de dezembro de 2015

Aos mestres com carinho - III



Professor. Professores. Então, após dar um passeio no tempo e recordar com saudade sobre os primeiros passos da alfabetização mergulho no presente dessa semana. Dois momentos ímpares que me fizeram pensativo. Ainda mais. Agradecido também.

Segunda feira, último dia de novembro. Estávamos na cantina da faculdade, eu, alguns amigos e o professor Márcio Fernandes, doutorando em Filosofia na USP, que abre o livro "Cá de dentro" e nos lê o poema "Ecos do Tempo". Indescritível a sensação de ouvir o seu pensamento recitado pela boca de um Mestre. Interessante o sentimento que ele depositou ao encontrar-se nessas linhas. Gratificante tudo isso.

Já na terça feira, primeiro dia de dezembro, aconteceu a última avaliação do 5º período do curso de Teologia. Ao me dirigir para entregar a prova o professor Antonio Jacaúna me disse que precisava de umas "Doses diárias" de poesia, de Drumonnd, Quintana. Imaginei que sua vontade tivesse sido despertada ao ler alguns dos meus poemas. A surpresa maior foi quando ele olhou em meus olhos e disse "escrevo porque escrevo". Assim caiu a ficha que ele estava literalmente me dizendo frases do meu livro "Cá de dentro". Fiquei sem palavras e só soube sorrir desconcertado. Gratidão!

No texto anterior citei as minhas primeiras professoras. Neste, comentei sobre dois professores do meu atual curso. Em comum, eu estava apenas escutando. E justamente por isso a frase do Rubem Alves no final deste escrito. Creio que a mesma surpresa ao conseguir escrever e ler as primeiras letras se deu neste outro momento que ouvi minhas poesias recitadas em outras vozes.


Minha admiração é eterna por todos os professores. Admiração! Óbvio que empatia é algo à parte que não se impõe, apenas flui natural ou não.  Encontrei profissionais, mestres, doutores aos quais tive a oportunidade de partilhar meus escritos. A todos vocês, professores do curso de Teologia, que dividiram momentos ímpares em nosso espaço sagrado, simplesmente meu muito obrigado!



sábado, 5 de dezembro de 2015

Aos mestres com carinho - II



Professor. É arte. É dedicação. É amor. Há quem assim nasceu. Dom total. Há quem se esforce para ser bom profissional nessa arte. As vezes dá certo. Em sua maioria não. 

A experiência dessa semana me remeteu ao passado. Começo então pelo passado para achegar-me ao presente. Antes de aprender a ler e a escrever a gente ouvia o professor ensinar. Há também quem teve um apoio extra em casa para o início da alfabetização mas nada comparado aos professores. Esses são mágicos, místicos, tem poderes. Creio que a tarefa mais difícil se deu no pré e no antigo primeiro ano. Minhas professoras foram Márcia Leão e Leni, respectivamente.

O que se via na lousa da Escola Moreira Porto não passavam de rabiscos. Era interessante, legal, e por vezes complicado fazer o contorno adequado conforme cada letra desenhada no quadro. Os primeiro garranchos eram os piores. Muito tempo depois eu me recordo com saudade daquela época, das artes e dos meus ídolos. Sim, são ídolos. E por ter tido o privilégio de tê-los em minha vida, em vários momentos quis fazer o que eles fizeram: ensinar com arte e amor. 

Mas, hoje concluo que talvez não seria uma boa ser professor. Não quero ser ídolo. Quero tê-los apenas. São únicos e a eles me reverencio toda vez que penso na minha história de educação escolar, quando os encontro e também nas possibilidades que a vida me proporciona de conhecer outros mestres nessas doces travessias. 

Gratidão eterna!

* Continua no próximo sobre o "presente".




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Descontruções


E neste processo
Quem tá longe se faz perto
E quem tá perto
Não te quer sentindo
Tantos amigos que eu ganhei de novo e sorrindo
Tanta gente que chegou saindo

A gente espanta
Com essa coisa braba
De quem não quer nada com nada
E não se perde a oportunidade
De usar a língua com vontade
Solta o verbo e não se cansa

Desconstruir-se faz sentido
Eu que já fui encontrado
Vou me fazendo perdido
E buscando razões em outros lados
Escrevendo certo onde tava errado
Retornando em terra que já fui banido

Minhas desconstruções serão eternas
Se Deus quiser serão
Enquanto estiver bem das pernas
Vou reaprendendo a desamarrar
Onde o ensino foi imposição
Vou reconstruir com outro olhar

A certeza certa e imediata
É não se limitar atrás do muro
Deste lado o cego-surdo-mudo
Segue a sua trilha obediente
Precisa agora de um destorpecente
Pra encontrar o rumo de sua jornada

Sigo a vida navegando
Em outras águas me encontrando
Beijando em sonho a minha rosa
Fazendo verso, tramando prosa
Sobrevivo à guerra sem razão
Reaprendendo em minha desconstrução

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Receptividade e Interatividade


Quando comecei a escrever tinha vergonha de expor meus pensamentos. Eram repletos de erros gramaticais graves. O sentimento, por vezes, ficava perdido no meio das contradições inocentes acometidas pela inexperiência. Ainda assim, ousava partilhar com os mais próximos. Minha professora de Português do colegial, Ana Cristina, foi uma das primeiras a ler e incentivar.

Tudo era guardado em agendas que eu mesmo criava. Não gostava de nada pronto. Foram inúmeros os momentos que sentia aquela vontade de explodir em escritas e me faltavam palavras. Outras vezes acordava de um sonho na madrugada e anotava no meu caderno aqueles pensamentos desordenados para compor algo no dia seguinte. Se isso é loucura, era um louco feliz. Na verdade, sou!

Passado algum tempo, deixei as agendas artesanais, que duraram até o ano 1999, e entrei num período de abstinência da escrita quando, em 2000, parti para a capital paulista. Foram longos dez anos de deserto sem nenhuma referência escritológica, nenhum devaneio, nenhum pensamento na madrugada. Uma vida sem poesia não é vida. Em 2009, já em Uberlândia (MG), reencontrei-me. Passei a anotar em cadernos e foi neste mesmo ano que criei o blog "Escritos: cantos & encantos da vida", que posteriormente se chamaria "Escritos em tempos" permanecendo até hoje.

Conheci muitos blogueiros profissionais. Verdadeiros artistas das escritas. Aproximei-me de alguns e distanciei-me de outros. A interação entre escritor e leitor é essencial. Percebi isso quando alguns amigos próximos passaram a comentar o seu sentimento diante das minhas escritas. Em algumas situações eu nem tinha muito o que responder, uma vez que a partilha que me retornava tinha muito mais significado e emoção do que as minhas próprias linhas. Essa interação é fantástica pois permite a quem escreve conhecer-se pelos olhares de fora.

Dos pensadores que me distanciei encontrei essa lacuna, ou melhor, essa inacessibilidade. Há momentos que o contato direto se faz necessário para ambos, mas, nem todos tem paciência e humildade para as retóricas, ou não querem perder o tempo lendo opiniões sobre suas obras.

Percebi essa necessidade de interação quando os primeiros comentários surgiram sobre os meus escritos. Alguns mais próximos conversavam diretamente comigo. Hoje, as redes sociais, os emails, o próprio blog e outros aplicativos da modernidade proporcionam essa aproximação e diálogo. Há quem eu nunca tenha tido uma única conversa e mesmo assim fez questão de deixar um recado sobre determinado texto.

Sendo assim não poderia jamais deixar de ser receptível. Esse é o meu respeito e agradecimento para quem gastou um pouquinho de seu tempo a navegar nas águas dessas linhas e entrelinhas. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Águas profundas

 

Ousar.
É um risco.
Fincar os pés na areia e não partir também é.
Manter-se firme no reduto conhecido, por medo das ondas, é uma opção.

As águas são perigosas mas, também, são apaixonantes, viciantes.
Somente através delas se pode conhecer outras terras, outros céus, outros saberes.
Porém se, por medo dos riscos, não se ousar, a sentença é morrer intacto.
Intacto na inexperiência, no saber restrito, no sonho não contemplado.

Há quem consiga apenas molhar os pés nas águas, mas quando a onda vem mais forte, afasta-se.
Há quem tente ir mais além e ao se dar conta da distância da terra firme, o desespero o sucumbe a voltar.

Há então os que se lançam em águas mais profundas, superam as ondas, conhecem outros mares, outros ares, outros saberes, novos recantos.
Estes não se cansam das águas, nem do tempo e das dificuldades, uma vez que o que se adquire quando se lançam são, no mínimo, uma experiência e um conhecimento novos.

A dificuldade encontrada por quem não se permite experimentar novos saberes, nem ao menos se quer conhecê-los, se dá pela diretriz incorporada de que não existe nenhuma outra verdade que aquela que adotou para si.

Lançar-se em outras águas não significa negar sua origem ou abominar o que lhe incutiram.
Ao contrário, é dar-se a oportunidade de agregar outros conhecimentos e experimentar outras fontes.
Fundamentar-se em seu reduto consagrando-o como único viés plausível e capaz e desprezar o que não se conhece, é prática fadada ao ócio por medo.

Ninguém se constrói sozinho.
Arriscar é preciso.
Ousar, mais ainda.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

oS ridÍKulOs


Antes da pitoresca entrada solada, procurei o "pai-dos-burros" no google, facilmente acessível e acessável por qualquer um que queira satisfazer sua curiosidade quanto ao significado das palavras. No meu caso digitei "RIDÍCULO". Do resultado da pesquisa, sem tirar nem por, apenas copiei e colei da forma que segue abaixo:

a) Significado de Ridículo: adj. Risível; digno de riso; merecedor de escárnio ou de zombaria.
Insignificante; de valor irrisório; de pouco ou nenhum valor: quantia ridícula.
s.m. Pessoa que submete à zombaria, ao riso; quem se comporta ou diz algo que desperta o riso por ser muito engraçado ou constrangedor.
Algo ou alguém que é ridículo: o ridículo ainda não chegou?
Expor ao ridículo. Apresentar algo ou alguém de modo a causar risos.
Expor-se ao ridículo. Colocar-se numa situação de zombaria.
(Etm. do latim: ridiculu.a.um)


b) Sinônimos de Ridículo: esquisito, estrambólico, excêntrico, extravagante, heteróclito, insignificante risível
c) Antônimos de Ridículo: elegante, fino, chique, lógico, sensato e razoável

d) Definição de Ridículo:
Classe gramatical: adjetivo e substantivo masculino
Separação das sílabas: ri-dí-cu-lo
Plural: ridículos
*Fonte: www.dicio.com.br

Simbora que rapadura é doce mas num é mole não! O que sassucede é que niquiquando você discorda da opinião alheia, tem autor de alheice que se ofende e ataca barraqueiramente a tu, o discordante.

O episódio ocorreu numa instituição acadêmica. Professor, disciplina e tema não vêm ao caso. Participantes, entre eles estava eu, opinaram acerca do tema em discussão. Favoráveis, contras, alternativos e não optativos eram os que compunham a orquestra. Como em tudo que se refere a assuntos de ordem religiosa, principalmente quando se tratam de regras institucionais e dogmas de fé pouco conhecidas e discutidas, portanto mal interpretadas em sua maioria, onde a própria instituição religiosa ainda caminha rumo a melhores esclarecimentos e compreensão, toda opinião de qualquer leigo merece, no mínimo, respeito. É o que se espera de graduandos de um 4º período de Teologia que ali estão não por acaso.

A cena desrespeitosa foi que um participante esporádico, desconsiderando os comentários de um colega de sala, saiu do campo da discussão acadêmica e desdenhou com gestos e palavras a este. O colega apenas manteve o foco no embate. O participante reclusou-se no silêncio e no desdenho. Posterior a tal fato a sala manteve-se sem a presença esporádica de quem não gostou de ouvir outras vertentes sobre o mesmo assunto. Eu, quanto a essa digníssima ausência, quase não tenho dormido direito!

Não bastasse nos honrar com sua ausência ainda necessitou destilar sua profunda mágoa e incômodo, quanto ao episódio ocorrido a mais de mês e devidamente citado acima, contemplando nossa sala de "ridícula". Infelizmente, fui eu quem escutou no corredor desta instituição acadêmica a persona de orgulho ferida a nos adjetivar de ridículos. Aí pergunto: "Que tipo de teólogo vai sair dessa academia? Que tipo de líder é esse que não aceita discordância de sua opinião?" Pior que isso: "O que é que a pessoa desenrola e verbaliza nos momentos que ministra o seu movimento universitário?" Pseudo-cristianismo, eu penso!

Por isso me reservei, desde os primeiros momentos de faculdade, a não participar de certos eventos universitários que começam sem pé nem cabeça. Recusei veemente os inúmeros convites e afirmei que alguns movimentos acadêmico-religiosos não eram a minha praia! Geralmente quem atua em certas bandas religiosas que descartam o estudo e a discussão sadia e fincam o pé numa trilha regada de ingenuidade mística e espirituosa são travados para acolher o diferente. A acepção de pessoas já se dá a partir do pensamento alheio.

Estar num ambiente acadêmico requer, antes de qualquer coisa, prontidão para se desconstruir. Há quem queira somente o título e prefira manter sua catequese de raiz intocável. Enveredar pelo caminho da ciência é correr o risco de se deparar com verdades diferentes das que nos foram repassadas um dia. Se durante o percurso os sinais de fé se estremecerem com o novo isso não será o problema vital, mas é um grande sinal de que precisamos continuar buscando respostas. Todo o conhecimento deve propiciar-nos a desconstrução dos pensamentos e possibilitar-nos o reerguimento de um alicerce com verdades pertinentes à nossa caminhada de fé. Se ao final de quatro anos acadêmicos nada mudar, o tempo fora perdido.

Quanto a adjetivada que nos foi tacada não vejo como um peso negativo, quiçá desonroso, nem que influenciará na academia, tampouco na caminhada de fé. Quando crianças, épocas de pré-escola, quando o coleguinha dizia alguma coisa que não gostássemos a reação era mostrar a língua e xingar de chato. Em tempos acadêmicos a reação evoluiu para o desdenho e o ridículo. Pena que esse mesmo grau de evolução não se dê na abertura para o novo e para o diálogo saudável. De qualquer forma eu PREFIRO SER UM RIDÍCULO MAS VERDADEIRO A UM HIPÓCRITA E ALIENADO!

Ou, como diria o grande Rauzito: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."

sábado, 20 de dezembro de 2014

Agradecimento - Educadores e Educandos da FCU



“E agora, José? 
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, José? 

(Pausa)

E agora, José’s?
O período encerrou,
O ano acabou,
As notas vieram (...)
Vieram ?!!!
Enfim, férias.
Estamos de férias?!
Férias pra que, né, José’s?
Que nos venha 2.015!
Nos venham os trabalhos,
Nos venham as provas,
Até a tal da ABNT (...)
Que venha! Se quiser, é óbvio. 
Porque, José’s, vocês são os caras!”



Dois mil e quatorze foi um ano movimentado no ambiente acadêmico da Faculdade Católica de Uberlândia. Acreditamos SIM que o saldo foi positivo. Acreditamos, também, que podemos avançar e melhorar, tanto no individual quanto no coletivo. A evolução alcançada, aos nossos olhos, é medida pelo grau de satisfação tanto da “Casa” quanto de seus “Membros”. Não ousemos vendar os olhos para nossas falhas, isso seria hipocrisia. Ao contrário, assumamos nosso papel de verdadeiros educadores e educandos, com humildade, humanidade, dedicação e, principalmente, amor à causa. Quando o profissional, seja da parte de quem ensina ou da parte de quem aprende, esquece alguns valores humanos, coloca em xeque todo o trabalho empenhado e, assim, o tempo gasto pode ter sido em vão. Em contrapartida, quando o humano e o profissional se mesclam no individual de cada um de nós, o resultado alcançado é maior que o esperado.

Este ano que se encerra celebramos muitas conquistas mas, também, sofremos diante dos obstáculos da vida. Como uma família que se forma em cada turma de cada curso, nos solidarizamos com as dificuldades de nossos amigos e amigas. Muitas vezes o inexplicável e o fatídico nos deixaram um saldo de dor e incerteza sobre a vida. Alguns de nós experimentaram muitas dores como: distância de pessoas queridas, problemas de saúde na família e a perda de um ente querido para a morte. Neste último caso, um sentimento que o nosso lado humano ainda busca responder diante da ciência e da fé. Nessas horas, nesses momentos de angústia e sentimento de solidão, inevitáveis, podemos sim ultrapassar as barreiras institucionais para sermos simplesmente humanos. Esse é um papel para todos, principalmente, em nosso ambiente acadêmico.

Neste tempo de advento, celebremos, pois, a esperança depositada em cada membro desta imensa família que é a Faculdade Católica de Uberlândia. Que cada um possa cumprir com dignidade e honradez o seu papel na sociedade. Celebremos também a certeza que a ciência busca o seu melhor caminho com ética e respeito em prol da vida, da justiça e da verdade. Acreditemos, e nos empenhemos para tal, para que não façamos parte, simplesmente, de uma estatística de graduandos e graduados, ou, alunos e mestres, da cidade de Uberlândia. Sejamos mais! Sejamos um diferencial nesta sociedade e na vida de cada um que nos rodeia! E, então, celebremos com muito SONHO, muita FÉ e muita LUTA esse tempo de preparação para a chegada do Menino Deus, Ele que atravessa séculos e gerações com seus ensinamentos de amor. Abramos as portas de nossos corações e acolhamos com simplicidade Àquele que há de chegar e restaurar a Paz.

Feliz Natal a todos e que nos venha 2015 com muitas conquistas, Saúde, Paz e Amor!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Antes de tudo


"Professor Mestre
Poderia dizer-lhe
o quão és inteligente
agraciado abençoado
dedicado humano
cristão
Mas para não estender em adjetivos
e por acaso deixar algum de fora
apenas lhe digo que
antes de tudo tu és um poeta
tens a leveza da brisa
e a força da tempestade
a dedicação de um pai
e a sensibilidade de uma criança
a arte de ensinar
com a profundidade do amor.
És um ser em extinção"

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Privilégios para uma classe é o escambau!


"Antes ouvir asneira do que ser surdo! Ou, seria a recíproca verdadeira e melhor?" E foi com essa frase que, indignado, refleti sobre a exposição de um argumento de defesa empregado por um rapaz, filho de pais classe média (que por acaso tiveram sua origem na classe trabalhadora, o povão), ao defender seu apoio ao play-boy candidato: "Voto no Aécio para defender a minha classe!" Classe? Vamos lá! Classe: biologicamente significa um conjunto de seres vivos com características em comum; socialmente é um grupo de pessoas que têm status social similar. O botânico francês Joseph Pitton de Tournefort utilizou este termo pela primeira vez na obra Eléments de Botanique em 1.694. #Fica a dica!

Todos os ascendentes sociais (os que subiram de classe) ou pelo menos a maioria um dia já foram revolucionários e visaram a igualdade. Igualdade esta que também lhes seria oportuna. Mas, a questão é diferente na prática. Totalmente diferente! Uma vez experimentando o gostinho da "droga" do poder e do status, em questão de pouco tempo todo o histórico de lutas e dificuldades fica de lado e o alvo é sempre mais e mais e mais. E o povo (que agora ele já não faz parte, ou seja, é uma classe distante da sua atual) é um sanguessuga que vive nas tetas do Governo através das "bolsas". O capitalismo, passagem única e direta para o consumismo é impregnante e atinge dos pequenos aos mais velhos. 

Quem é o responsável direto e indireto pela cegueira causada nas gerações que cada vez mais deixam o senso crítico de lado e mergulham no mundo do ter? É [...], o senso-crítico está em extinção! Acredito piamente que alguém se favoreça com a ingenuidade das pessoas. É preciso que haja pessoas acostumadas com o mínimo possível, o resquício da fatia, as migalhas que caem das fartas mesas. São muitas e muitos que dividem esse micro pedaço pois a maior parte do bolo ainda se concentra nas mãos de poucos.

Dificultar o crescimento da classe trabalhadora, aquela taxada de pobre, é sem dúvida o melhor caminho para não criar pensadores capazes de libertarem a si próprios e a outros. E a melhor maneira de gerar dificuldade é simplesmente não fazer nada. Tolher o sonho, relaxar com a educação, dentre outras inúmeras coisas, são fatos consumados Brasil afora. Quem está no "poder" (não me refiro a quem está no Governo que por vezes tem menos poder do que quem coroneliza o sistema) tem a intenção de camuflar a verdadeira intenção. Tampam o buraco da sua rua porque é visível mas com certeza tiram o seu direito à educação, principalmente. As ditas oposições são especialistas em construir obstáculos ao invés de pontes e melhores mestres na arte de jogar a culpa para a administração que paga o pato.

Não acredito em Governo perfeito. Não acredito que não haja falhas. O que eu acredito é que ainda existam pessoas que sonham e sonham conjuntamente com e pela maioria desassistida. Os opositores desse tipo de política (política: arte do bem comum) são os que não querem em hipótese alguma deixar de ganhar abastadamente, quando não sorrateira e desonestamente. Os coronéis do poder ainda escravizam de maneira inescrupulosa quando dificultam a igualdade para todos. E não falo apenas em questões financeiras mas principalmente em quesitos que são direitos básicos, tal como é a educação.

Diretamente, na trilha da formiguinha, podemos começar a arar a terra, plantar, cultivar e cativar as próximas gerações. Em casa, no trabalho, na escola, enfim, enquanto cidadãos (seja qual for o papel que exerçamos na sociedade) temos não só o direito mas a obrigação de fazer a diferença. Não precisamos de belos discursos tal como a cínica e hipócrita falácia de quem defende privilégios para uma "classe". Precisamos de pessoas de bem e que visem o bem comum. Precisamos que cada ser humano, por educação, por obrigação, por respeito, por justiça apenas e necessariamente não se corrompa. Privilégios para uma classe é o escambau!!!