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quarta-feira, 19 de junho de 2024

O jardim



Meus Jardins
Eu planto na terra
Para que floresça no céu
Gramado novo, flores...
Tudo para que a chegada seja familiar
A estadia seja confortável
E a lembrança seja eterna

Sol, brisa gelada, um tempo bom
Pássaros nas árvores
Borboletas nas flores
O sol me acalenta
Me traz a leveza da vida, a esperança
A noite vem triste, escuro e solidão
Dor e saudade

Este não pode ser o fim
Eu preciso ver você correr pelo jardim
Sua morada, eterna morada,
Está além da fachada
Derradeira que preparei sob lágrimas
Na esperança de que você 
Em algum momento, entre pela porta

Você foi mas deixou seu legado
Viveu o que precisava ser vivido
No seu tempo 
Antes de ter partido
Nada justifica, nada apazigua
Só a dúvida infinita
A de que você logo correrá de volta pra casa

Meu coração, sua morada, meu jardim
Quem foi antes te espera
E juntos hão de olhar para a terra
E daqui, desta imensidão de véu azul
Continuarei elevando meu coração
Ao limiar da sua face
Meu jardim é o céu

Seu jardim é o meu coração
E aqui as flores nunca secam
Você está cuidado e protegido pelo meu amor
O meu jardim é o céu
Basta elevar meus pensamentos
E meus olhos te encontram
E eu sigo a te cuidar daqui...

quinta-feira, 21 de março de 2024

Ainda me lembro bem


Ainda me lembro bem das brincadeiras no quintal de terra na casa dos meus avós, Joaquim e Iolanda. Não tinha hora para acabar. Histórias inventadas, sonhadas, entre carrinhos, soldados e índios...

Ainda me lembro bem do medo de ficar na escola, de não ter ninguém a me esperar do lado de fora, das lutinhas com meu pai, das tarefas ao lado da minha mãe, do tempo que não volta mais...

Ainda me lembro bem dos almoços de domingo na casa da vó Cida. Vô Dito organizando o quintal, tratando das galinhas ou sentado na varanda olhando o movimento da rua.

Ainda me lembro bem ...

Em muitas datas especiais eu me dividia entre a tristeza pela ausência de pessoas queridas que já partiram ou de pessoas distantes separadas pela geografia, e a alegria pela presença viva dos que ali celebravam comigo. É uma batalha tão intensa quanto estranha, viver o presente sem se abater pela saudade...

Natais, Páscoas, aniversários, sempre há uma mistura de emoções e sentimentos que nos transbordam. São datas em que ajuntamo-nos com os nossos. Família, amigos, 

Sempre tem uma data chegando, uma saudade batendo, uma lágrima escorrendo, e uma esperança nascendo.

(12/01/21)

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Resenha - O velho que acordou menino


 

Rubem Alves é sinônimo de leveza, nostalgia, saudade, simplicidade e vida. Nesse livro ele faz uma verdadeira travessia pelas coisas de antigamente, com assuntos de família, fé, brincadeiras de criança, superação, curiosidades e muitos causos ouvidos e recontados. Uma leitura tão fácil quanto saborosa que nos remete a pensar e refletir sobre o quanto podemos ser felizes degustando da companhia dos que amamos. É nesse seio de amor, amizade e companheirismo que as histórias se tecem e se ajuntam ultrapassando gerações. Uma verdadeira colcha de retalhos de histórias vividas e que nos coloca como protagonistas em cada cena descrita.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Sol da primavera



(...) 
e, então, sigo para qualquer canto
onde o sol possa secar meu pranto
no deserto do silêncio aprisionado
o brilho da lua se torna solo sagrado
tocam minhas faces ventos de oração
enquanto o som da brisa se torna canção
é a saudade de quem já partiu
trazendo-me afagos do amor que sempre existiu
a dor que não se vê 
nas entrelinhas que não se lê
gritam-me os demônios de outrora
fazendo doer minha alma no agora
névoas que dificultam a travessia
sem luz, sem destino, em cada passo do meu dia
viajante do meu tempo
vagueando pelo sentimento
em busca do sentido
que ainda há de ser vivido
deixando pelo caminho
lembranças de dias sozinho
rascunhos de sonhos, desejos e espera
em tempos de sangue, suor e guerra
das dores de um passado recente
lembranças e cicatrizes ainda se fazem presentes
em dias de invernos sentimentos entre céu e terra
sigo noite adentro à espreita do sol da primavera

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Deixei de me amar



Eu deixei de me amar 
Quando não ouvi meus gritos no silêncio
Implorando por um olhar para dentro de minhas próprias estruturas
Que sucumbiam ao relento da solidão
Enxergando apenas a aura da companhia desejada

Eu deixei de me amar
Quando não coloquei meus sentimentos como prioridade
Aceitando as migalhas do escasso tempo ora me proporcionado
Que meus olhos sedentos vislumbravam naquele deserto de emoções
Acreditando ser o tudo que eu precisava ter

Eu deixei de me amar
Por te amar tanto assim
Aceitei o seu muito que me era tão pouco
E na tentativa de me saciar 
Deixei meu bem querer

Mas, num estalo do tempo
Do tempo em que meus sentidos se esvaíram
No tempo em que as estações se aproximavam
Os reflexos das incertezas me abriram os olhos
E eu me reencontrei entre pulsões de amor
Amor-cuidado, amor-próprio

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Carta para minha irmã - Parte 1 do infinito



Eu não sei o que dizer
Porque nunca aprendi a dizer adeus
Cultivar a proximidade é o que eu aprendi a fazer
Não significa não saber cortar o cordão
Está além disso
Eu não seria eu se não te apoiasse
Mas também não seria eu pra deixar de te dizer "não vá"
Meu coração bate assim, pulsando pra que você não vá
Para que vocês não vão
Porque metade da minha vida aqui é vocês
Meus sobrinhos... 
Ainda não assimilei
Ver vocês crescendo e conquistando as coisas aqui
É motivo de muita satisfação e orgulho
Sabe que isso é de coração
Porque eu sempre te quis o melhor
E sou orgulhoso de você e por vocês
O meu lugar de fala sempre se manterá assim
No cuidar de perto
E cuidar, na maioria das vezes, é só estar perto
Mesmo sem precisar falar, nem ouvir, nem ver
Apenas saber que está ali
Penso que nunca quis sair do lugar, do meu lugar
Não queria sair de Piraju, mas me vi obrigado
Foi necessário
Tive meus arrependimentos
Mas tenho também meus motivos pra sorrir diante da escolha
Hoje é só o começo de uma longa jornada até a partida
Ou melhor, até a despedida...
"A vida se dá é no meio da travessia"
Nunca se esqueça disso
O melhor da vida não é apenas a festa, a conquista, o topo...
Toda a vivência e experiência adquirida nessa travessia
Faz parte, e temos que aproveitar ao máximo
Eu sempre estarei aqui
Eu apenas não sei o que dizer...
Minha eterna "Companheira"

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Um lugar chamado saudade



Hoje eu tô navegando num lugar chamado "saudade"

minha alma veleja pelas águas do pensamento

em oásis inexplorados de sentimentos

cercado de solidão

mas que em algum lugar do paraíso chamado vida

habita uma alma que me espera

habita você, que eu sei, é de verdade

Estou num lugar chamado saudade

te esperando e aqui eu vivo

entre a criança que sonhou

e o futuro que virá

no tempo desse presente

eu me entrego em tempo

mas se por uma desventura

suas mãos não mais puderem me tocar

adentrarei na próxima estação

embarcarei sem destino

e soltarei ao céu

o meu coração 

rumo ao infinito

para que ele possa voar

e te encontrar

no céu dos meus sonhos

quinta-feira, 3 de março de 2022

Cansaços

Cansaços meus ... 

Cansado de esperar o tempo

Um tempo que corta feito navalha

Que vai sangrando aos poucos

Dia após dia

Você não morre de uma vez

Vai deixando de existir de dentro pra fora

Vai perdendo o brilho, o encanto

A esperança começa a ficar cada vez mais distante

E você se encontra num deserto de silêncio e solidão

Seu riso é caricatura rasurada

Inventada por um minuto de sobrevivência

O pensamento está preso

O corpo se movimenta pela necessidade

Não mais pela vontade

Tudo é demorado

Tudo são lembranças de um recente passado

E migalhas de esperança de um tempo sonhado

Feito areia no tempo

Que o vento carrega pra longe

Uma tempestade de esperas

Sem paisagens

Só miragens

Sem verdades

Só maldades

Sem vaidades

Só...

Contradições de um deserto

Que aplica golpes de visão

Quando se pensa estar perto de uma fonte

A resposta se esconde atrás de outro monte

E a caminhada se torna mais e mais difícil

Tão desgastado eu sigo

Aqui dentro, lá fora, sem abrigo

Só o tempo que me corta feito navalha...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Sabedoria do amor: reinvenção e saudade


Hoje lembrei-me da minha avó Iolanda. Ela fazia um pão frito ao ovo que era uma delícia. Tentei recriar o sabor da infância, reinventando sua prática. Incrementei com queijo fresco e temperos. Reinventar, recriar, reconstruir a partir de pontos que julgamos por vezes não conseguir mais, é algo que só o amor e a saudade permitem. E essa é a nossa vida, feita de encontros, reencontros e possibilidades que só o amor e a saudade podem entender...


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Então é Natal


Trago comigo lembranças...

Minha árvore já está montada.

Ela carrega nomes e saudades, sonhos e esperanças.

Foi construída com lembranças de pessoas queridas e amadas.

E são os enfeites recebidos que dão um ar especial.

Já tem um tempo que comecei a montá-la dessa forma. 

 

Trago comigo memórias...

Desde sempre admirava as árvores de Natal na casa dos meus amigos.

Na casa dos meus pais nunca teve. 

Porque talvez faltasse uma motivação.

No entanto eu e minha irmã sempre pensamos diferente. 

Hoje, capricharíamos nas nossas árvores.

Juntar os filhos, a família toda, montar e pendurar cada enfeite, cada lembrança, cada pedacinho de saudade, é uma arte, um sentimento de pertença também.

 

Trago comigo sentimentos mútuos de pessoas verdadeiras...

Amizades construídas e solidificadas no tempo.

Irmãos e irmãs que a vida e o tempo me deram.

Minha árvore têm histórias e, mais do que enfeites, tem carinho e reciprocidade.

Não é grande, mas aconchegante, abarrotada de detalhes e significados.

E somente quem é de verdade consegue sentir e compreender.

 

Trago comigo saudades...

A distância hoje está mais sofrida do que nunca.

Mas quando me deparo na beleza dos detalhes desta data e desta árvore, consigo sentir a presença de pessoas amadas.

Consigo também, imaginar o sorriso estampado no rosto de quem já partiu.

A data e o momento nos propiciam esse sentimento.

O coração aperta, as lembranças batem...

 

Trago comigo o tempo...

E nesse tempo eu escrevi nomes com tinta vermelho-sangue nas linhas da vida.

Nos caminhos que percorri, as vezes morri, mas também sobrevivi.

Em cada parada, cada estação uma memória a ser visitada.

E nesse tempo, luas e estrelas ressignificam a busca perfeita da sintonia do amor.

E nessa árvore, o que não falta é amor, é significado, é saudade...

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Meu luto, muitas lutas



Quanto tempo faz

Tanto tempo se passou

Entre a dor que me define

E o que de mim sobrou

A espera do que é meu

Meu pensamento vagueia sem rumo

Perdido entre o tempo de agora

E o que me resta nessa demora

Entre fios de esperança

E uma intensa agonia

A espera que se faz por amor

É também uma sentença impiedosa

Esperar é viver, 

Ter que sobreviver

Viver para esperar, 

Por simplesmente amar

Vivo o luto da distância

E a dor da ausência

Com minhas lutas diárias

De sangue, suor, lágrimas: amor

É somente e tudo o que eu tenho

A dor que por vezes me cega

Vem carregada de indagações 

E indignação

Maldade e injustiça!

Quantas noites sem dormir

Quantos abraços sonhados

Quantos carinhos imaginados

E quantas lágrimas ao despertar para a realidade

Aos poucos, lentamente, 

Fui obrigado a desfazer algumas arrumações

Guardar um pouco das lembranças

Para suportar essa espera

Tentei mascarar minha agonia, minha dor

Não deu...

Precisei de ajuda, muita ajuda

Para suportar essa espera

Espera de saudade, por amor...

Sinto sua falta meu bebê...

 


sexta-feira, 14 de maio de 2021

Tempo de adeus


Toda morte é injusta
Toda partida é sofrida
Quando o sol se põe 
Dá-se o lugar à angústia
E o luto se torna eterno
O vazio que limita nosso olhar
O silêncio interior que nos consome
Misturam-se às lágrimas 
E às perguntas sem respostas
Vontade de Deus?
Creio que não!
Deus é vida
Seguir o percurso é um processo natural
Tudo no seu tempo é natural
O que foge disso é intervenção 
Ou omissão humana
Ou ambas...
Entre orações espontâneas e ritos
Entre o som do choro 
E uma música chorada por um violino
Palavras de carinho
Para alguém que já se elevou 
Que voltou para Casa
Nos braços do Pai
O tempo ali junto 
Do corpo inerte e sem vida
Que representa o último encontro
A última despedida física
O último contato 
É algo surreal que aflige, apavora
Como continuar a vida?
Como seguir a normalidade, 
Os padrões,
Os compromissos?
Por quê?
Por quê...?!
Que a força do amor
Nos ajude a atravessar pelo luto
Que o legado de quem partiu
Nos ajude amenizar sua ausência
Que a vida que nos deixou
Nos inspire a viver o nosso melhor
Que nossas lágrimas
Sejam orações quando nos faltarem palavras
Que a dor da ausência
Nos dê força e esperança
Até nos revermos no Céu
Amém!



"O tempo que escoa não permite despedida
Todo dia ecoa uma nova chance
Todo dia destoa uma eterna partida
Há que nunca mais alcance
Viver a vida como haveria de ser vivida"
Cá de dentro (2015) - A.D.O.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Entre o rio e o sertão



Entre o rio e o sertão 

A distância e o tempo

Destinos e travessias

Contos e utopias

 

Meu rio que desce sem fim

Sonha em cortar seu sertão

Te encontrar, namorar, dar vida

Uma história prometida

 

Seu sertão que ecoa o silêncio

Anseia por declarações apaixonadas

Trazidas pelos raios da lua

De um rio de alma nua

 

Meu rio que de tempos em tempos

Se enche e transborda o amor

Ou quase seca na dor da saudade

Anseia teu cheiro de terra que invade

 

Minhas águas compreendem tua sede

Seu calor conforta o meu leito

Nesse conto real entre rio e sertão

A lua testemunha o nosso coração

 

Entre o rio e o sertão

A lua ilumina nossa história

Meu rio que atravessou cidades

No seu sertão encontrou amor de verdade

 

Você, meu sertão e calmaria

Companhia certa e silenciosa 

Minha fonte de inspiração 

Em toda e qualquer estação

 

Entre águas que invadem

E terras que se molham

Nem mesmo o tempo impede

Esse amor que não se mede

 


domingo, 21 de março de 2021

Preces sob o tempo, sobre o rio, a Deus



Quando penso no tempo

No que já foi e no que há de vir

Sinto-me como um rio

Que passa por entre margens

Redescobrindo paisagens

Contornando obstáculos

Seguindo seu destino

Mesmo sem visualizar o caminho

Mas sabendo do fim

Reencontrando com o mar

Voltando para casa

Se o mar é Deus

Que minha casa seja o céu

E que lá, quando me achegar

Eu possa misturar-me com outras águas,

Almas antigas e queridas

Fartando-me de saudosos abraços

E de água, de lágrimas...

 

Quando penso no tempo

Olho pelo caminho das águas

Toda a travessia

Em noites enluaradas

Manhãs de sol

Bem como os dias sombrios

E as noites escaldantes

Momentos em que o rio

Quase agoniza 

Sem forças para prosseguir

E em algum momento

Do céu vem o retorno

Vem água, a chuva, a esperança

E os leitos se enchem

E tornam a vida ao seu redor

Menos sofrida, mais alegre

Mais viva

 

Quando penso no tempo

Olho para o horizonte

E vislumbro novos sonhos

Sonhos repletos de sentimentos

Esses que não cabem no peito

No leito

E transbordam para além de si

Para além da terra, da alma

E o maior de todos os sonhos

É o de reencontrar-me

Com outras águas de minha própria fonte

Este que ainda corre pequeno

Inocente, sereno...

 

Quando penso no tempo

Nesse tempo de agora

Por vezes, sem forças 

Nem coragem de prosseguir

Sigo também empurrado

Por outras águas, outras almas

Rios irmãos que correm comigo em paralelo

Ora se cruzando na travessia

E dando força na correnteza

Ou apenas sendo minha única força e certeza

Ora sendo conduzido pela memória e esperança

Para fortalecer as águas

Que nasceram de minhas entranhas

E então seguirei em paz, pelo amor

Em todas as estações

Celebrando o reencontro

Reencantando-me com as águas dos meus...