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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Senhor do destino


Ela, em seu tempo, vai perdendo suas asas
Tão feliz quanto a certeza de ter voado em liberdade
Quisera eu viver com tanta destreza
Sem ser refém do mundo ou de minhas vaidades

Ah, esse tempo, maldito seja
Endiabrado, infiel, ladrão
Carrega para longe o pensamento
Distancia o coração

Mas não é o tempo, é o homem
Que persiste nas insanas travessias
Na rebuscada investida pelos dias
Desertos, consertos, utopias

Do tempo ao tempo, alegria ou tormento
É o desejo, é a escolha, emoção e razão
Asas que se desfazem pelos céus desta vida
Libertaram-se para o destino da imensidão

É o tempo, chegado o momento
As cores empalidecem sobre a asa
Nada perdura, tudo se eterniza 
E a alma retorna pra casa

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Dama da noite

O que nos causa boas recordações? O que nos faz viajar pelo tempo e permitir suspirar a fragrância da saudade? O que nos conecta com as lembranças do passado onde a vida tinha uma significância mais simples mas que saciava a alma?

Não há resposta exata. Cada um que se ousar a refletir, percorrerá pelas entranhas de seu próprio pensamento em busca de uma essência de valor. O resultado se dará por sentimentos... Hoje eu fiz esse trajeto enquanto enamorava uma dama da noite. É um cheiro que dava as boas vindas na frente da casa de meus avós Joaquim e Iolanda. Ambos amavam todo o tipo de planta e flores e por isso tinham o seu próprio jardim e sua pequena horta no quintal, esta que foi o grande palco de minha infância.

O rústico, o improvisado, o artesanal, o inventado, a natureza, os bichos, enfim, o simples, são coisas que saciam uma parte do meu coração pois fazem parte da vida que tive junto deles. Os ensinamentos muitas vezes não se davam com palavras ou sermões, mas no olhar atento que eu tinha quando assistia meu avô trabalhando no quintal. Seu amor pela natureza me ensinou mais que as cadeiras acadêmicas.

O fascínio pelas flores, em especial, é algo natural. Elas me encantam e me prendem o olhar. Sou capaz de permanecer estático em plena contemplação e vislumbre, no silêncio absoluto, sem me importar com o tempo. E nessa conexão eu sinto meus avós vivos em meu coração, na lembrança. Eu simplesmente resgato um amor puro.

A dama da noite foi plantada na calçada. Com o tempo, por conta das folhas que forravam o chão, minha avó pediu para meu avô cortar. Mas nunca ficou sem um verde para ornamentar e sombrear a frente da casa.  Meu quarto tinha a janela voltada para a rua. O cheiro penetrava em seu interior. Admirar as plantas é cultivar o respeito que meus avós tinham para com a natureza. Isso é amor, é lembrança, é saudade, é ensinamento, é legado... 

Dama da noite e sua fragrância seduzente, hoje me conectaram com a essência da minha vida...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A pequenez sob o céu


Observando o mundo através da lente de uma câmera encontrei cores e vida que até então não percebia. Se via, não dava atenção. Coisas pequenas, comuns, acabam não tendo significância em nosso espaço e tempo.

Plantas que brotam em todo canto de terra, entre pedras, entre muros, no asfalto, em qualquer espaço, em qualquer tempo. Espécies desprezadas, ora pragas, ora matos, selvagens, indefesas, insistentes... coloridas, bonitas...

Da derivação dos verdes às miniaturas das flores descobri o universo da pequenez, uma contramão do mundo que exige de nós o esforço pelas coisas grandes, de renome, de retorno, de status... 

Nenhuma pequenez é insignificante. Todo detalhe tem sua importância. Depende apenas do olhar que descobre e registra o tempo. 

"Sob este céu, toda vida tem sua significância...
Sob este céu, somos todos pequenos, 
Somos obra do Criador..."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Na medida justa


Entre cores e matos
Instala-se o imperceptível
É também a vida no diminutivo
Jamais no pejorativo
Faltam fragrâncias
Extrapolam-se em essências
Nem demais, nem de menos
Na medida justa para o olhar
E o olhar dispensa palavras
O que se sente não se explica
Eis que isso poderia se aplicar ao amor...

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Águas que lavam e levam


Desce dos céus
Lava meus pés
Varre esta terra
Acalenta minh'alma

     Vem pra molhar
     Leva pro rio
     Do rio ao mar
     A sujeira do tempo

          Lava meus dias
          Leva pro rio
          Lava minh'alma
          Leva pro mar

Água dos céus
Lava esta terra
Traz flores à vida
Em vida o amor

Água da alma
Que lava a face
Suplanta minha dor
Que ficou no caminho

Desce dos céus     
Brota da alma     
Molha meus pés     
Renova meu ser     

Lava esta terra          
Lava esta alma          
Leva a sujeira          
Leva a tristeza          

segunda-feira, 11 de julho de 2016

As empreiteiras das queimadas


Já tem um bom tempo que venho observando o trabalho das empreiteiras responsáveis pela manutenção das rodovias, que além de fazer a famosa operação tapa buracos, inclui em sua lista de obrigações cortar o mato no canteiro central e nas margens. 

Uma vez a cada seis meses encontramos homens e máquinas trabalhando de sol a sol. Legal de se ver. Sem mato, a sensação de cuidado fica em evidência. Parece até que o dinheiro tá sendo bem utilizado. O nosso dinheiro!

O serviço de manutenção, pós operação "cortar mato", é que tem sido espetacularmente continuo. Ainda não vi a cara do(a) infeliz que promove a mal feitoria, mas toda semana, as vezes em dias subsequentes, existe um foco de queimada na beira da pista. 

Ontem por exemplo, havia diversos focos de queimada atrás de uma comunidade de assentados à beira da pista. A fumaça encobriu os barracos. Óbvio que ninguém viu e, se reparou, não se importou com a possibilidade do fogo devastar aquela pequena comunidade de despossuídos. 

Mas então, se a empreiteira já ganhou a licitação e recebe para realizar as obras ao qual fora contratada, utilizando os meios legais, homens e máquinas, por que se atreve a tocar fogo? Simples. Bem simples: corte de custos. Uma única pessoa é suficiente para atear fogo em pontos aleatórios e em dias alternados. Imaginem o quanto se economiza de mão de obra! Capitalismo selvagem? Não somente. Corrupção premeditada.

E quem fiscaliza essa joça? Ninguém!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pra quando for a hora...


Eu vejo mensagens de despedida
Para quem partiu desta vida
Vejo declarações comoventes
Com imagens de um luto indecente

Eu vejo o adeus na boca do humano 
Tão vazio, sem sagrado, sem profano
Vejo, porém, atitudes idealmente surreais
Quando se trata de outros animais

De minhas quimeras, que se façam partes
Em cinzas, me devolvam com arte
À terra, um pouco sob a lápide fria
Para as rezas e os ritos, silêncio da travessia

Outra parte, aos pés de uma roseira
Às águas do Panema, meu rio, uma terceira
E por último nas águas desta terra em que estou
Aonde amei o amor e o amor me amou

Eu sugiro uma bela canção
Nas vozes dos meus amigos do coração
Recitem versos, os meus preferidos
E dispensem aquelas falácias dos meus esquecidos

Abominarei, de onde estiver, e vou
Qualquer menção de quem nunca se importou
E o velho discurso de que fora uma pena não ter ficado
Mais pena é saber de que em vida não fora lembrado

Expulsem a chicote os ausentes
Deixem-me em paz com os meus presentes
Não permitam, eu peço, por favor
Nenhuma lágrima de falsa dor

A herança será o que eu fui, a minha história
E nas entrelinhas jazerá a minha memória
Travessia de um deserto penoso e feliz em flor
Vou aonde há de ser, com fé, saudade e amor

* Para este dia dispensem as tecnologias!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Águas profundas

 

Ousar.
É um risco.
Fincar os pés na areia e não partir também é.
Manter-se firme no reduto conhecido, por medo das ondas, é uma opção.

As águas são perigosas mas, também, são apaixonantes, viciantes.
Somente através delas se pode conhecer outras terras, outros céus, outros saberes.
Porém se, por medo dos riscos, não se ousar, a sentença é morrer intacto.
Intacto na inexperiência, no saber restrito, no sonho não contemplado.

Há quem consiga apenas molhar os pés nas águas, mas quando a onda vem mais forte, afasta-se.
Há quem tente ir mais além e ao se dar conta da distância da terra firme, o desespero o sucumbe a voltar.

Há então os que se lançam em águas mais profundas, superam as ondas, conhecem outros mares, outros ares, outros saberes, novos recantos.
Estes não se cansam das águas, nem do tempo e das dificuldades, uma vez que o que se adquire quando se lançam são, no mínimo, uma experiência e um conhecimento novos.

A dificuldade encontrada por quem não se permite experimentar novos saberes, nem ao menos se quer conhecê-los, se dá pela diretriz incorporada de que não existe nenhuma outra verdade que aquela que adotou para si.

Lançar-se em outras águas não significa negar sua origem ou abominar o que lhe incutiram.
Ao contrário, é dar-se a oportunidade de agregar outros conhecimentos e experimentar outras fontes.
Fundamentar-se em seu reduto consagrando-o como único viés plausível e capaz e desprezar o que não se conhece, é prática fadada ao ócio por medo.

Ninguém se constrói sozinho.
Arriscar é preciso.
Ousar, mais ainda.


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Eternamente travessia


Somente uma casa no meio do nada
Sem sombra de pedras
Sem as copas dos monumentos
Que vedam o deleite da lua
E ofuscam as estrelas da cortina escura

Quero o silêncio da terra
O choro dos rios
O canto encantado da passarada
As cores da vida verdadeira
O desfecho que, tão a mim, espera

Quero a menina dos olhos
Dos olhos, a menina, me fulminam
Quero cantar-lhe meus cantos
E quando o pôr do sol se achegar
Tombaremos no regaço do abraço

Hei de recostar na rede
Que jaz permanente na varanda
Chamarei cada qual pelo nome
Enquanto a memória se perfazer viva
E no apagar das velas rezarei novamente

Na mesa grandiosa 
Ao redor comemoram cada meu
Histórias, memórias, glórias
Saudade, pensamentos, esperança
É o espaço de nós

Farei poesia a cada dia
Trarei pertinho meus poetas guerreiros
Entoarei hinos aos mártires
Saudarei minha terra com os meus
Minhas montanhas, meus sertões louvarei

Não guardarei mais passado
Trarei apenas lembranças de vida
Meus escritores para sempre do lado
Enquanto a luz ainda me guiar os olhos
E minha boca prosear sobre os tons

Tão duras estradas até aqui
Tão cruéis meus algozes
Tantos fantasmas que gerei e alimentei
Vão se desfazendo em cada estação que acheguei
E mais uma vez sigo o leito do peito

As cercas não têm porteiras
Bichos e gente vão se achegando
Meu altar é o chão com roseiras
O nascer de cada dia é o presente
Que a gente abre, abraça e sente

Minha história não terá fim
Meu nome ninguém saberá
Entre dores, amores e alegrias
Sei que vivi à frente de qualquer morte
Mas hei que um dia também serei travessia

Flores que rodeiam este sertão
Rios que cortam esta montanha
Fontes que o mundo não me deu
Altar que guerreei para encontrar
Silêncio, oração, esperança, amor: utopia


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Água, Catolibã e Quengas


"ÁGUA"
Apesar de todas as informações veiculadas até agora sobre a escassez da água e da importância de economiza-la, ainda tem gente que lava a frente de sua casa e o quintal todo dia. Se faz isso às claras imagina como é o desperdício lá dentro!!! Aquela velha máxima de que brasileiro é assim mesmo (folgado?!) já era! A questão é querer entender a situação e colaborar economizando, coisa que qualquer ser humano de bem não precisaria de esforço algum para tal consciência. Mas, infelizmente a "educação" e a "cidadania" não atingiram esse nicho de placentas, digo, placentas mesmo porque a criança deve ter sido deixada na maternidade. (18/10/14)



Catolibã, você sabe o que significa e o que representa?
É um dito católico que bate no peito, esboçando autoritarismo em sua fala, a demonstrar que é único e talvez o último modelo de cristão. Todos devem imitá-lo, muito mais que ao próprio Cristo. Esse é um dos seus desejos mais enrustidos. Não liga a mínima para os pobres do Evangelho. Endeusa loucamente a estrutura da igreja e por tal é capaz de fazer horrores. Pelas estruturas, que são amarradas pela hierarquia, defende com veemência a burguesia em qualquer instância. Diz que é contra o capitalismo mas defende governos que vivem do consumismo. É contra qualquer projeto social que beneficie a classe que vive à margem da sociedade. Tem um discurso cristão "lindo" mas é incapaz de pensar em igualdade para todos, principalmente se isso afetar o seu próprio bolso. Mascaradamente apoia partidos que vão contra o povo. Representa a elite futebol clube. Na verdade é um egoísta de mão cheia, muita fala e pouca prática. (09/11/14) 



Mais uma vez a tal bancada religiosa atrasando e atrapalhando o andar da carruagem. Os homens da fé - guardiões da boa conduta - ditando o que se deve e o que não se deve acontecer na sociedade. (Lembrando que, D. Doroteia - seriado Gabriela - era o maior pilar moral da sociedade de Ilhéus, porém teve um passado de quenga! - ficção). Eles são "os" caras - realidade [...] Seriam de Ilhéus tbem? (10/11/14)

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A velha senhora e o seu velho cachorro


Todos os dias, entre uma jornada e outra, um período e outro, passo quase sempre pelas mesmas avenidas, ruas e ruelas até o destino que me aguarda. Entre idas e vindas, recorto com olhares atentos as paisagens que a sobrevivente natureza teima tanto em presentear a quem pouco se importa com ela. Contemplo as mesmas paisagens, por vezes os mesmos personagens, cada um com sua pressa e seus afazeres. Tantas vidas que se cruzam. Tantos destinos que seguem, cada um rumo ao seu objetivo. 

Sigo um protocolo no tempo, pra não chamar de uma rotina sã, que de certa forma me guia para um determinado fim. Em meio a tantas regras é permitido ainda apreciar, degustar, aprender e crescer. Basta que haja um minuto de desatenção, desatenção daquilo que nos aprisiona sem mesmo sabermos direito como e porquê. Basta uma boa dose de "vida" no âmbito de cada regra. 

Seguir o protocolo, ou melhor, as regras não é o problema. Eles foram criados, de certa forma, para gerar segurança e facilidades, no mínimo. O maior mal nisso é que as pessoas, com o tempo, ficam tão habituadas em cumprir com suas tarefas que acabam se tornando verdadeiras máquinas. Tão frias e descuidadas de si mesmas, como esperar que se atentem a enxergar o belo nos detalhes que as cercam?

E num desses cruzamentos em fim de tarde, após o expediente de trabalho, quase sempre encontro uma velha senhora passeando com seu velho cachorro. De vestido florido e longo, uma blusinha de lã por cima, meias e sandálias, que por meus olhos e sentimentalismo poderia muito bem dizer que está tipicamente de vovó. 

Segue a senhora num lento caminhar, com uma das mãos apoiando numa bengala e a outra segurando o seu companheiro. Ele, o cão, com uma certa vestimenta, de coleira e bem cuidado, também segue no ritmo de sua dona. Ambos não têm mais a pressa ou a necessidade de se cumprir com as regras que virariam rotina. O protocolo que cumprem nos fins de tarde na verdade não o são. São meros momentos destinados ao deleite, ao desfrute da companhia fiel. 

Por vezes me pergunto se é a senhora que leva o cão ou o cão que conduz a senhora. Não sei. E também não me importa. O que sinto e degusto sem palavras, no silêncio do coração é que há uma mística nesse protocolo. Há uma pureza nos detalhes, nas ações repetidas de todos os dias. Este sentimento, se assim posso dizer dessas sensações que me guiam à reflexão, simplesmente não tem explicação. É preciso apenas se atentar.

Nunca sei quanto tempo dura o passeio da velha senhora juntamente com o seu velho cachorro. O protocolo que sigo, na rotina do tempo, ou o tempo em si, não me permitem sequer acompanhá-los para saber mais, para apreciar mais aquilo que eu ainda não sei fazer com calma. Não sei nada desta personagem que cruza o meu caminho, sem mesmo saber que já se tornou parte do enredo de meus pensamentos e reflexões. Não sei de sua escolaridade ou se ela tem, além do seu fiel cãozinho, filhos, marido, parentes... Enfim, nada sei.  

E assim, como esta dupla que me encanta nos dias que os encontro, existem tantos outros personagens de naturezas diversas, pressas variadas, temperamentos absurdos que atravessam nossos caminhos feito vento. Não vemos de onde vem, nem para onde vai, mas que de certa forma sentimos, ou vemos, ou assistimos, ou sorrimos, ou quem sabe, além do protocolo, aprendamos vivendo...

Por mais um dia, de vida, que vivo e cumpro sagradamente no protocolo diário, estabeleço a relação mística e sacra com a própria vida, dádiva e divina, à qual me impulsiona e me faz atentar a não me tornar refém de uma rotina fria e sem sabor. Com tantos personagens que meus olhos vislumbram, com tantos cenários que eles enxergam e recortam, faço deste desfecho um agradecimento silencioso ao Deus da Vida que com ela me (nos) presenteou (...).

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Humanos desalmados



O sentido da vida está bem longe de se ter um verdadeiro sentido para certos homens e mulheres. A busca por melhoras materiais e crescimento financeiro tornou-se uma verdadeira caça onde os fatos ao redor, as paisagens positivas ou negativas, não têm a menor importância ao valente perseguidor. Quiçá os outros homens e mulheres que aparecem por seu caminho.

Creio cada vez mais que quanto mais procuro compreender a razão maior da existência dos seres nesse mundo, para que a vida também possa ter uma explicação e um sentido além do palpável, mais me deparo com animais bípedes que no auge de sua ignorante inteligência é incapaz de sentir, respeitar, amar o que está ao seu redor, e muito menos praticar o que muitos hipócritas chamam de caridade.

Deparo-me constantemente com pseudo-cristãos que esquentam o banco das igrejas para "assistir" as missas dominicais e assim dizer que é católico praticante; outros (católicos e também evangélicos) que decoram as normas e regras da instituição, vivem com joelhos calejados e as mãos para o alto, sentenciam, determinam quem é digno de Deus ou não, excluem e, pior, esquecem de apenas praticar a ação do verbo contido nos dois maiores mandamentos, amar. Deparo-me com essa raça desalmada, seres racionalmente hipócritas, vergonha desumana, peso amorfo e inerte neste chão, acomodados que não movem uma palha diante de qualquer situação...

Diante disso a indignação toma conta frente a tanto egoísmo e a uma guerra de interesses entre as pessoas de todas as classes. Canalizar essa revolta e cuidar para que eu não seja simplesmente mais um a passar em vão por este mundo é uma tarefa diária. Não posso me conter! Não posso me calar! Sem utopia, sem poesia, muito menos demagogia mas gana de mudança! Terra, plantas, ar, água e todos os animais à mercê de um animal que se diz racional.

Manhã do dia 23 de julho de 2013. Uma senhora encurvava-se para verificar o que acontecia com o cachorro esticado na calçada na porta de sua casa. Os latidos eram de dor. Diminuí os passos para tentar entender aquela cena que numa distância de menos de meio quarteirão me proporcionava uma visão nítida. Voltando do meu destino passei novamente pelo local e lá já estavam dois senhores ao redor do cachorro. Sem pestanejar aproximei-me e perguntei o que acontecera com o cachorro. O bichinho agonizava de dor e frio. Possivelmente fora atropelado e passara a noite toda ali naquela calçada, no relento da fria madrugada, sem que um "coração humano" pudesse acolhê-lo por algumas horas ou lhe servir água que fosse...

Quis saber de quem era o cão mas pelo jeito não tinha dono. Mais uma pobre criatura abandonada por um diabo infeliz chamado de "pessoa". O senhor, já idoso, me disse que ligou para a Zoonoses, ou seja, seria sacrificado. Zoonoses aqui é sinônimo de extermínio, nada mais. Procedimento normal nessas áreas. Com o coração apertado fui para o trabalho.

Não contente, voltei para o local meia hora depois e vi que o cachorro já não estava mais lá. Acreditei que a Zoonose, antes chamada de "carrocinha", já havia passado. O cãozinho estava debaixo de uma árvore, cercado de papelão, e coberto num grosso carpete que um rapaz simples, dono de uma empresa humilde, providenciou.


Falei com o rapaz e por fim colocamos o cachorro dentro do seu estabelecimento. Comprei dipirona e demos para que pelo menos a dor melhorasse. Preparei soro e ensinei a ele como colocar na boca do animal. Percebi que ele não sabia como lidar com animais e talvez por isso, em seu íntimo, o simples fato de arrumar o papelão e o carpete já era algo suficiente. Pelo menos, esse gesto foi real e sincero. Ainda existem humanos com alma e que honram o sangue que corre em suas veias. Como diria Renato Russo, "Nem tudo está perdido!"

No meu horário de almoço fui novamente ver como estava o nosso mais novo mascote e amiguinho. Já tinha nome: "Dezoito"! Esse nome foi escolhido por conta da sorte que trouxera, segundo o rapaz. Dei mais soro e outras gotas de dipirona. No final da tarde após sair do trabalho, mais uma visitinha ao nosso paciente canino. Havíamos providenciado uma caminha de espumas e alguns mantos para que ele pudesse passar a noite aquecido. A temperatura caia rapidamente.

Manhã do dia 24 de julho de 2013. Trouxera ração e um antibiótico para animais de pequeno porte, que os meus cachorros já haviam usado, mas... infelizmente foi tarde... O Dezoito não sobreviveu. Talvez, se algum ser de alma nobre tivesse tomado alguma atitude na noite anterior, o resultado fosse diferente. Percebi que o rapaz que o acolheu sentiu muito, tanto quanto eu. Já tínhamos planos para encontrar um dono para o Dezoito. Pena...

As pessoas gastam seu tempo para construir impérios e conquistar fortunas. Esquecem-se da essência de toda a vida existente e gerada nesse universo que nos circunda. Desvalorizam o que está ao nosso redor, alguns por ignorância, outros pela falta de caráter e pela cega ganância do poder. Ambos assemelham-se no comodismo frente aos contextos não naturais. Quanto mais no topo da pirâmide capitalista mais pacato e frio com a desgraça alheia o tal ser se torna.

Esperar que um "pessoa" volte seus olhos de compaixão e caridade para um animal é viver à espera de um milagre, ainda mais levando em conta que esse vulgo olhar não se volta nem mesmo aos de sua espécie...

Que nosso corpo deixe de ser simplesmente uma máscara. Que consigamos transpor as barreiras frias dessa casca que nos aprisiona. Que o nosso coração possa ditar os compassos certos para a vida. Que nossa essência, nossa alma, aquilo que realmente somos possa brotar, florescer e multiplicar. Que façamos a vida valer a pena!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sou desse chão, dessa água



"Tá chegando o dia, a hora
Já estou quase aí
Já me sinto aí
Terra minha tão saudosa
História viva dos meus entes


Teu rio são risos, são lágrimas
De amor e de dor
De volta ao teu aconchego
Renovo minhas forças
Reencontro os passos que trilhei


Foste amparo
Foste escuta
Eternizada estás
Terra querida
Que me viu andar


Banho-me em tuas águas
Como se fosse a primeira vez
E assim, antes mesmo de chegar
Já sofro com a partida
Neste chão da minha vida

Terra e ar

Céu e águas
História, suor e lágrimas
Gente que labuta
Que batalha, que sonha e que luta

Sou desse chão e não mudo...
Sou do dia, sou alegria

Sou sonhador, sou lutador
Sou natureza, sou proeza
Sou águas, sou do Rio...
Sou filho teu que não te deixa
Não se rende e não te vende!..."

Obs.: Obrigado, minha amiga Isabel Cristina Dell Agnolo, pela foto cedida.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Canção das rosas

“Tão solitária, formosa e bela
Do jardim da noite
Sob a irradiante lua
Inspirou-me a alma
Coração descompassa
Calor que acalenta
Acalma, desorienta

Tão fascinante, única e singela
Plantada foste
Pelas mãos nuas
Na sua cor a calma
Vermelhão, caçador ou caça
Paixão que aparenta
Sentimento que arrebenta

No jardim da lua
Na lagoa do céu
Uma noite nua
As estrelas são o véu
A inspiração que aflora
São a paixão e a cor
A dor de agora
São dos olhos o sabor

Meiga, doce, vigorosa flor
Protagonista de poesia e prosa
Ao meu doce e faceiro amor
Eis a Canção das Rosas”

Ailton Domingues de Oliveira
30/10/11

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Rio Paranapanema eu te quero vivo!" - frases e pensamentos






(19/09/11)
‎"A ESCOLHA É UM DIREITO. ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS É UMA OBRIGAÇÃO, AS VEZES DE GOSTO AMARGO."

"Minha posição está na defesa do Rio Paranapanema, doa a quem doer!!!"


(19/09/11)
‎"A CONTRAPARTIDA QUE EU ESPERO É QUE A JUVENTUDE ABRA OS OLHOS, SE POSICIONE E NÃO SE ACOMODE COM AS SITUAÇÕES IMPOSTAS DE CIMA PARA BAIXO."


(19/09/11)
‎"SE VOCÊ NÃO TEM O CONHECIMENTO DA CAUSA CORRE O RISCO DE ESTAR APENAS ILUDIDO, MENOS MAL, POIS AINDA HÁ TEMPO DE RECONHECER O ERRO E REFAZER O CAMINHO, MAS SE VOCÊ CONHECE O CAMPO QUE ADENTRA E O FAZ POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE, SABENDO DOS RISCOS E PREJUÍZOS A TERCEIROS, A UMA CIDADE, À NATUREZA, APENAS POR UMA ILUSÓRIA PROMESSA QUE NÃO DÁ NENHUMA GARANTIA FUTURA, ENTÃO, LAMENTO... ESTAIS CORROMPIDO..."

"Rio Paranapanema, eu te quero vivo!!!"


(19/09/11)

sábado, 17 de setembro de 2011

A natureza geme em dores de parto (CF 2011)

“Filhos desta terra que permitem sua invasão e destruição,
Não esqueçam este berço em que vocês nasceram
Não esqueçam os pés que outrora aqui pisaram
Não esqueçam as mãos que por aqui calejaram
Não esqueçam aqueles que em vós confiaram
Não se rendam aos encantos de quem promete
Não se curvem nas intenções de quem não tem cara
Não se iludam, a hipocrisia se porta bem

Aderir à esta falsa moral
É entregar não só a natureza de mãos beijadas
Mas trair o seu povo, seu berço, sua história
É pensar, de forma egoísta, apenas em sua glória
Judas pagou um alto preço por seus atos
É lembrado como o maior traidor de todos os tempos
Preferível o anonimato mas honroso
Que a fama ao preço de uma traição
Prefiro acreditar que estejam apenas iludidos a corrompidos...”

"Em prol do meu povo pirajuense que luta em meio à politicagens contra a possibilidade da construção de uma nova usina. Não bastasse, os atletas da seleção brasileira de canoagem, sendo alguns filhos desta terra, estão favoráveis à esta nova usina..."


Ailton Domingues de Oliveira

(17/09/11)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Frases & Pensamentos IV



01/07/11 - "No Sonho, na Fé e na Luta...
Ontem, 30/06/11, na celebração dos primeiros mártires romanos que levaram até o fim a fidelidade ao projeto de Jesus, pensei em quantas lutas já travamos até hoje, na individualidade ou no coletivo, no silêncio ou nas ruas. Tantos adolescentes, jovens, leigos, consagrados que dedicaram e dedicam sua vida a este mesmo projeto, seja com os idosos, excluídos, operários, estudantes, sem-teto, jovens, adolescentes, enfim... Ontem ainda, na missa, no momento da comunhão, em pensamento procurei comungar com 'cada um', em especial com os que estão vestindo a camisa na defesa do Rio Paranapanema (Piraju-SP), que não só embeleza a cidade, mas que também dá vida... faz a vida florescer...”