O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
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sexta-feira, 22 de julho de 2016
"Exija de Deus a sua parte"
Sim! É realmente com essa fala - "Exija de Deus a sua parte" - que o empresário-fundador-pastor da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) ministra suas pregações no altar de seu portentoso Templo de Salomão. Claro que há uma continuidade nessa fala que justificam-se os meios, os seus próprios meios: "...se você, enquanto cristão, fizer a sua." Basta um click no google e você terá um arsenal repleto de falas, mensagens, vídeos solicitando uma ajudinha dos fieis para as obras de seu Reino.
Exigir de Deus a sua parte enquanto o cristão fizer a sua, isenta a instituição e sua teologia de qualquer coisa que não dê certo na vida da pessoa, faz o indivíduo sair debaixo da saia do pastor. É uma jogada de mestre, não podemos negar, mas há controvérsias. A internet está repleta de pessoas que moveram ações judiciais contra a Universal por terem seguido a risca, doado tudo, e ficado na miséria. Por outro lado as falas dos designados bispos estão, além de inovadoras, cada vez mais abusadas. Pede-se cartões com senha, carros, casas, doações com valores altíssimos, dentre outras bagatelas.
Fazer a sua parte, essa é a máxima que os seguidores da IURD devem obedecer, ou seja, parte essa que não significa simplesmente atos de bondade e caridade e amor ao próximo. O objeto dessa fala está diretamente ligado às ações que as pessoas devem ter em relação à sua instituição, cumprindo todos os requisitos espírito-financeiros. Estão eles errados? Digo que não. Alienados, talvez. O que move aquelas pessoas é a fé, além do receio de não obterem a salvação por descumprir os desígnios do bispo Macedo e, ao contrário, ganharem a condenação eterna ao inferno. Mas sendo a fé um elo que liga a Deus, espero que Ele liberte os cativos e oprimidos das garras dos poderosos.
Edir é um cara inteligente, desenvolto, tem feeling para os negócios, visão-audição-lábia-olfato-tato devidamente aguçados. Construiu o seu próprio império, fruto do suor alheio arrancado em suas pregações alicerçadas na teologia da prosperidade. Dono, também, de um crescente e expansivo canal de TV. Sabe muito bem como entrar na mente do seu público fiel e colocá-lo em check com Deus.
Tem outros impérios em evidência por aí. Tomei a liberdade de falar apenas da IURD porque é uma das mais antigas e ainda em atividade crescente. Assembleia de Deus (Silas Malafaia), Igreja Mundial (Valdomiro Santiago), Igreja Internacional da Graça de Deus (RR Soares) são algumas das opções no mercado evangélico. Do lado Católico, temos algumas comunidades e movimentos, cito a CN (Canção Nova, fundada pelo Monsenhor Jonas Abib) e a RCC (Renovação Carismática Católica), ambas xerocópia do movimento neo-pentecostal.
Enfim, para finalizar essa cena, uma vez que as cortinas do show ainda não encerraram-se, devemos ter sempre em mente o livre-arbítrio, seja ele alicerçado pela nossa fé, pela nossa experiência de indivíduo em sociedade ou em ambas as situações. Sempre haverá um mentor para cabular a mente das pessoas porque nem todas estão preparadas para filtrar o conteúdo das mensagens enfadadas e deturpadas. A messe é grande, os operários são poucos, a matilha cresce deliberadamente e no momento existe um crescente número de lobos cercando ovelhas e conduzindo-as para um determinado pasto.
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quinta-feira, 21 de julho de 2016
Meu bom ateu
Andarilha
pelos becos à procura
Das
indigências expelidas pela realeza,
A
besta sociedade que se endeusa de poder,
E
toma para si as graças terrenas da sorte
Como
os nobres romanos divinizados pelos seus feitos
Aclamados
e glorificados feito deuses
Andarilha
pelos becos à procura
De
toda gente sem sorte
De
quem sobrevive à margem real
E
cura com lágrimas e sangue
O
câncer de cada faminto andante
No
abraço desmedido e sem barreira
Andarilha
pelos becos à procura
Do
Deus da nobreza que salva a realeza
E
pune a massa escalpelada e empobrecida
Vira
as costas pra miserável fome
Esquarteja
e maltrata a quem não o teme
Desqualifica
o maldito por ser pobre e sem vez
Andarilha
pelos becos à procura
Um
ser sem regras, sem quimeras
Destorpecido
das fadadas leis morais
Protegido
contra o Senhor vingador
Que
a sociedade deturpou e matou
Eis
um homem sem o vitimizado Criador
És
um santo descrente e sem deus
Andarilha
por aí o meu bom ateu
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sábado, 16 de julho de 2016
Guerrilha por Deus sem Deus
"Dá-me teus pertences
É Deus que te ordena
Dá-me teus bens
Dá-me teu suor
Dá-me teu sangue
DÁ-ME TUA VIDA!
Não ouses desobedecer
Não atreva-se a questionar
Ele há de castigar os
subversivos
Ao fogo eterno do inferno
Portanto, não relute
DEUS QUER TUA VIDA!"
DEUS QUER TUA VIDA!"
É isto que se escuta por aí
É isto que se comercializa nos templos dos algozes
Toca de lobos, forasteiros, carniceiros
Fábrica de massificação
Manipulação de mentes
Ópio maldito
Alienação de famintos
Essa guerrilha moderna
Que se destrava escandalosamente
Em nome de Deus
Jamais teve Deus
Em seu cerne, apenas bandeiras
Do dinheiro, da ganância, do poder
Em nome de Deus, a exploração inescrupulosa...
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terça-feira, 14 de junho de 2016
Sob condicional
"Se?" Sim. Se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc são conjunções subordinativas adverbiais condicionais, ou seja, aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração dependente, introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada. As conjunções condicionais no caso introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da principal. Nossa! Uma palavrinha pequena - "se" - expressa tanta coisa!
Mas para que tudo isso? Simples. Apenas para falar das questões condicionais de ordem religiosa que, através das leis que regem os bons modos e os costumes da fé propriamente dita, implicam diretamente na conduta "condicionada" de cada indivíduo promovendo-lhe a salvação ou a condenação. Ou, em outras palavras, a alienação e a libertação, respectivamente.
A visão que a estrutura religiosa mantém é que as pessoas só terão a salvação "SE" agirem conforme a instituição dita. Agindo sob a tutela da santa e pecadora igreja estaremos libertos e salvos. O contrário disso seria a condenação, ou seja, o sentenciamento ao fogo do inferno.
Mas, podemos também pensar de forma diferente. Levando em conta a diversidade de dons, carismas, o livre arbítrio, a espiritualidade e a própria fé, as condicionais que a instituição nos dá nem sempre valem como fonte de libertação e possível salvação. Salvação esta que configura ter direito ao Reino dos Céus. Penso até que a frase de Agostinho de Hipona (Fora da igreja não há salvação!) ao longo do tempo foi muito mais usada para exercer uma pressão psicológica e medo sobre os fieis, do que para mostrar um caminho de salvação através do amor e da caridade. Não só foi como ainda continua sendo usada dessa forma deturpada e bem longe da essência ao qual foi pensada e sentida.
"SE" a estrutura condiciona para salvaguardar o direito à salvação, "SE" ela impõe critérios vários para garantir aos fieis a sua entrada ao Reino dos Céus, automaticamente e na contramão, está criando mecanismos que impossibilitam a liberdade individual e, assim sendo, alienando os fieis. Muitas vezes a mensagem salvífica é transmitida de forma deturpada e o que era pra ser fonte de libertação torna-se um aprisionamento através da cultura do medo. E pessoas com medo de questionar a estrutura tornam-se escravas.
E, novamente utilizando a própria "condicional" sempre manifestada pelos cristãos de carteirinha, onde afirmam que só serão salvos aqueles que cumprirem o que a igreja diz, "SE" a instituição trabalha a salvação através da cultura do medo, ela está promovendo a alienação. Então, implica-me profundamente que, agindo e atuando descarregado de certas regras institucionalmente religiosas, conforme o livre arbítrio que me fora legado, consciente da minha fé e da mensagem cristã que é o amor-caridade estarei promovendo a minha libertação e também galgando o caminho da minha salvação. Condenado está aquele que se permitir ser acorrentado pela doutrinação desmedida.
Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
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