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quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Falsos pastores midiáticos e seus demônios de araque


 Essa imagem foi printada de um vídeo que está rolando nas mídias sociais. Um pastor, que não aparece no vídeo, a mulher e sua personagem endemoniada, uma outra mulher de vestido nas costas, que deve ser figurante de suporte, e a plateia que interage em meio a vozes de crianças. Só pelo fato de ter crianças presentes nessa situação, acredito que o Ministério Público deveria ser acionado e consequentemente até o Conselho Tutelar. 

A dramatização em si, da ordem da quinta categoria abaixo de zero, traz a voz de um pastor, que na trama exerce o papel de mediador e invocador de entidades. Ele pergunta à mulher possuída qual o nome da entidade que tomou posse do corpo de alguns nomes da política. A mulher responde, com uma voz forçada, movimentando a cabeça e os cabelos, assim como fez aquela Janaína Paschoal, certa vez, num palco de comício. Mesmo que virasse a cabeça em 360º sobre o pescoço, ainda haveria muitas dúvidas sobre a veracidade dos fatos. 

Teologicamente essa encenação fere princípios éticos sociais e de outras religiões e religiosidades, ao usar nomes de entidades que não pertencem a essa denominação. 

Religiosamente, o cristianismo verdadeiro não carrega esse fetiche de evidenciar o demônio para tirar proveito próprio: status midiático para saciar o pecado do ego. 

Casos raros de pessoas endemoniadas e a prática do exorcismo não são jamais midiatizadas e, tampouco, tratadas como um teatrinho infantil; os ritos utilizados no exorcismo, criados no seio cristão, especificamente no catolicismo, são tratados de forma rigorosa, ética e principalmente científica, e posteriormente, como questões de ordem religiosa e de fé. 

Psicologicamente pode haver alguma explicação para os protagonistas em questão, o pastor, a endomoniada e a plateia: "uma espécie de psicopatologia que oscila entre o dinamismo psicótico-paranoide-delirante e o dinamismo psicopático-perverso". 

Cinematograficamente não serve nem pra comédia, nem pras pegadinhas do Silvio Santos. 

Juridicamente, acredito que tudo se encaixa bem no artigo 171 do código penal.

Vídeo: https://www.brasil247.com/midia/pastor-bolsonarista-faz-suposto-exorcismo-em-fiel-e-diz-que-demonio-controla-lula-e-janja-video

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

sábado, 16 de setembro de 2023

De setembro a setembro


Um olhar humanamente teológico sobre as pessoas que perderam o encanto pela vida, o sentido da existência e a esperança no mundo. Setembro Amarelo deveria ser uma luta de todos os dias e não somente quando as mídias jogam os holofotes para o assunto. É positivo entrar nessa campanha de mobilização e prevenção ao suicídio. Porém, mais belo do que estampar os perfis de amarelo e cobrir com frases de efeito é necessário se atentar para o nosso papel social enquanto indivíduos de um sistema que oprime, desqualifica, exclui, negligencia e ignora os verdadeiros motivos que têm levado algumas pessoas a pensarem na possibilidade de atentar contra a própria vida e outras, de fato, na esperança de se curarem das dores da alma, infelizmente, executam seu plano. 

Se a dor de quem fica é grande, imagina a dor de quem preferiu não viver mais. Não existe covardia nem heroísmo nesse ato, ou, dependendo da óptica, também pode ser ambos. Pecado? Talvez. Olhando pela bíblia cristã, o quinto mandamento diz "não matarás". Sendo assim, tirar a própria vida, segundo a bíblia cristã é um pecado. Porém, ainda segundo a mesma bíblia cristã, não é algo digno de condenação eterna e sem direito a perdão. Esse é um pensamento popular que ganhou força nos redutos das igrejas mas que não tem fundamento bíblico. Segundo o livro sagrado cristão, o único pecado que é causa de condenação eterna ao inferno é o de "blasfemar contra o Espírito Santo". 

Se considerarmos as pessoas que dão sua vida em prol de uma causa religiosa, conforme algumas religiões ultra radicais, que as instigam a se tornarem verdadeiros homens ou mulheres bombas, as mesmas são consideradas mártires com promessas e garantias de uma vida eterna e digna no Paraíso, no Céu, etc. Durante as guerras surgiram os camicases que, não tendo mais o que fazer, lançavam-se com seus aviões no território inimigo na tentativa de abater o maior número de adversário possível. 

O que difere cada ato de tirar sua própria vida: uma causa, uma esperança, uma promessa, um sentido? Ou, talvez, a falta de cada uma dessas possibilidades ou, todas e mais um pouco? A esperança que um homem bomba tem ao se permitir explodir em prol de uma causa político-religiosa não seria a mesma esperança que uma pessoa, que perdeu seu sentido de viver, tem para amenizar sua dor da alma? Essa última perdeu o sentido da vida, mas está sobrecarregada de dor. Tirar a vida não significa covardia mas, livrar-se da dor que ninguém sabe que existe nela, e por mais que saiba não consegue entender.  Como não teremos jamais a resposta sobre o motivo de tal ato, sempre dialogaremos a partir dos relatos deixados de sua caminhada. A cadeira vazia será apenas um cenário de dor e luto por parte de quem ficou sem respostas. 

E qual seria o nosso papel social, religioso, político ou simplesmente humano (o mais importante) para contribuir com essa luta de prevenção ao suicídio? Estamos numa era em que as informações que nos chegam são como uma tempestade em nossos pensamentos. Creio que não percebemos mas, muita gente se encontra esgotada mentalmente pelo excesso de informações que são oferecidas aos milhões, minuto a minuto. Esse excesso também pode contribuir para o desequilíbrio emocional, o que afeta diretamente as relações diretas e indiretas de cada pessoa. 

A sociedade egoísta que ignora; as religiões com suas regras morais que exaltam as leis em detrimento do ser humano e da vida; as políticas, sejam as públicas que são falhas por conta do dinheiro que se desvia e não chega aonde precisa, sejam os representantes escolhidos pelo voto nos Estados e municípios, que se esquecem do seu compromisso com o povo e legislam em causa própria. Junte-se a isso a falta de recursos para coisas básicas. Muitos "próximos" sucumbem à tentação de deixar de existir num mundo onde não apenas se sentem invisíveis mas são tratados como escória. 

Numa pesquisa de trabalho realizado durante o curso de Teologia, nos deparamos com índios da tribo Guarani-Kaiowás que preferiam tirar sua própria vida a viverem fora de suas terras, que naquele momento foram tomadas por latifundiários. A dor de viver fora do seu habitat, da sua casa, e sobreviver nas beiras das estradas, era um dos motivos de desordem emocional e desonra para si. 

A dor alheia é algo que não conseguimos mensurar. Seja uma dor física ou, pior ainda, uma dor da alma, aquela que não se vê mas que mexe com todos os sentidos. Para a dor física existem remédios de resolução imediata. Para a dor da alma, existe uma demora para se chegar num ponto satisfatório de entendimento para então, de forma lenta e gradativa organizar as coisas que estão fora do lugar em seu pensamento, em seu íntimo, em sua história e na falta de expectativa. 

Enquanto seres humanos, não nos custa levar um pouquinho de alegria, ou no mínimo ouvidos para as pessoas ao nosso redor. Não temos condições para salvar o mundo, mas podemos contribuir dando um mínimo de atenção para aquela pessoa que antes sorria atrás de um balcão e hoje se quer solta um "bom dia". Familiares que passam a reclamar da vida mesmo não faltando nada. Solitários ao nosso redor, regados de silêncio, timidez, e dificuldades de interação, dentre outros tantos, não custa acolher. Acolher no sentido de deixa-la sentir-se vista, notada, ouvida. Não precisa de muito. Um simples "tá tudo bem?" pode ser o essencial para salvar o dia e os pensamentos de alguma pessoa próxima que vive seus dias de tribulação.

Não importa a orientação sexual. Pecado é não amar! E, não há cura para o que não é doença! Antes da piada, antes da crítica, pense que uma palavra pode ser a melhor ou pior coisa que a pessoa com ideação suicida pode ouvir naquele momento e você nem sabe. Não sabemos quantas guerras habitam na pessoa com quem cruzamos todos os dias de nossa jornada. Por isso, empatia e respeito, é a melhor acolhida que podemos dar. 

Para quem sempre cita a bíblia, em especial as rígidas leis do Antigo Testamento, eis que me deparo com um pensamento, o qual desconheço seu autor, mas que simplifica e alivia quando me deparo com pregações grotescas e de ódio: "Jesus não voltou durante a escravidão. Não voltou durante o holocausto e nem durante as cruzadas. Mas, vai voltar agora por causa do gênero de alguém."

Uma igreja que não acolhe as minorias e suas diversidades já perdeu seu papel aqui na Terra. Uma política que não cumpre com sua função de bem comum só serve para alimentar os lobos no poder. Uma sociedade que não percebe a dor alheia, já deixou de ser humana com seus semelhantes. E por que esse discurso em meio à campanha Setembro Amarelo? Porque tudo isso pode ser causa, mínima ou máxima para alguém que está desacreditado de si, sobrecarregado de dores, cometer suicídio. 

Há inúmeros fatores que levam as pessoas a buscar o suicídio: a inundação da dimensão de sombra, transtornos psicológicos, doenças incapacitantes, profundas decepções e prolongadas depressões. Mas mais que tudo, a perda do sentido da vida que suscita nas pessoas vulneráveis o impulso de desaparecer. Não raro, tirar a própria vida é uma forma de buscar um sentido que lhe é negado nesta vida (franciscanos.org.br). E "Não é a maneira como uma pessoa morre que determina se ela é salva ou condenada" (https://teologiabrasileira.com.br/o-suicidio-da-razao/).

Somos corresponsáveis direta ou indiretamente pelas vidas ao nosso redor. A omissão é algo que poderemos somar na cartilha da consciência como culpa, frente ao que poderíamos ter contribuído mas não o fizemos. 

A imagem desse texto foi utilizada como convite para o evento do dia 15/09/23, na Casa das Cenas, em Uberlândia-MG, para um encontro realizado com pessoas de diversos segmentos da sociedade. Um público misto em todos os sentidos. Através do Psicodrama e Cinema, trazendo uma ótica da Psicologia pela minha colega Ana Elisa, enquanto eu, da Teologia, discutimos o suicídio dentro do contexto do filme "Orações para Bobby". É um filme que está disponível no youtube, portanto de fácil acesso. Ali, sentimos o peso da falta de apoio familiar diante da homoafetividade por um dos membros dessa família, o peso do conservadorismo religioso que passa a manifestar um moralismo seletivo, a sociedade que exclui, os familiares que se afastam, as auto condenações por conta do que se considera pecado conforme os ditames de sua religião, até a ideação suicida. Deixo aqui, como forma de continuidade nessa reflexão, um convite para que assistam ao filme. 

https://www.youtube.com/watch?v=IIYNfCoGgUQ



sexta-feira, 23 de junho de 2023

Relação de avatar



As pessoas se impressionam com as imagens postadas. O encantamento gera sentimentos, paixões, fetiches e aquela imagem passa a ser objeto de desejo por quem se sentiu atraído por ela. Quando há uma reciprocidade de atenção e interesse, e a possibilidade de conhecimento é real, os anseios para um romance ou um encontro trivial crescem. Muitos procuram algo estável. Porém a realidade é outra a partir desse conhecimento real. Muitas vezes, aquilo que era desejo, torna-se frustração. A imagem do post era apenas uma imagem. A ilusão criada pelas caras e bocas, pinturas esculturais na imagem, que provocaram o pensamento, o instinto, o sentimento em si, foram desconstruídas à medida que a realidade se mostrou além do sorriso, do olhar da figura retratada naquela imagem. O sentimento foi por um avatar, um sentimento por algo figural, esculturado e cultuado nas redes sociais que, hoje, tem um poder de persuadir de forma ampla. Amor Líquido de Baumann traz essa fragilidade das relações atuais, que são superficiais, rápidas, descartáveis. Tudo muito passageiro devido ao interesse de momento que não tem perspectiva de amadurecer e crescer para a continuidade. As relações estão assim, cada vez mais superficiais. Tudo é apenas uma questão momentânea que, em sua maioria, não é nem a busca por uma satisfação rápida, mas a necessidade de se ter o protagonista daquela imagem para si. No mundo virtual tudo dá certo, é lindo, perfeito. Os avatares tomam conta dos espaços. Trazer a figura, o avatar, para o mundo real é um caminho em que as máscaras maquiadas caem, o visual que fora encantador é destronado pela falta da essência. Não é regra, mas isso faz parte do cotidiano e da vida de muitos. 

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Sobre Leituras & Escritos



Somos o ser que mais demora para crescer e se adaptar à vida. Demoramos para ter autonomia e destreza de movimentos enquanto que a maioria dos seres vivos já nascem com um instinto de sobrevivência quase que totalmente pronto. Animais desenvolvidos podem adquirir hábitos diferenciados mas ainda assim não conseguem superar a inteligência humana. 

Nós, humanos, somos seres em construção. Podemos atingir um grau de maturidade, independência, conquistar títulos, alcançar objetivos, produzir, superar metas, etc, mas tem algo que sempre nos motiva a um próximo passo, uma próxima caminhada, mais uma travessia, e em cada passo, a cada nova etapa ou meta, sempre aprendemos mais. E como disse Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas: "A vida se dá é no meio da travessia". 

Travessia... E o que isso significa para nós hoje? Digo por mim em especial que, aprendi no decorrer da vida, o objetivo ou a meta maior não é simplesmente conquistar o primeiro lugar do pódium, ou simplesmente chegar no topo da montanha, vai muito além de conquistas e recompensas. Parece clichê se você olhar superficialmente e não sentir nem vivenciar isso ou não se permitir fazer essa experiência. Depois de um pódium, já visualizamos novas metas. 

No meio da travessia é que está a experiência, a possibilidade das descobertas e o crescimento individual e único. O caminho, que tem um início e um fim, tem algo a mais que quase ninguém percebe: a travessia. No meio da travessia encontramos paisagens, obstáculos, fazemos descobertas, aprendemos a nos virar frente aos imprevistos. Pensemos numa festa. Tem toda uma preparação. Se focarmos apenas na festa, o evento em si, perderemos a possibilidade de contemplar os detalhes. E grande parte da riqueza se encontra nos detalhes. São os detalhes de uma pessoa que nos causa encantamento e abre espaço para a paixão. São os detalhes de um texto que nos chamam a atenção. São detalhes da vida que nos motivam, nos marcam e se eternizam em nossos corações.

Nós, seres humanos temos o diferencial de sonhar! Sonhos nos motivam. Sonhos nos possibilitam ir além. E após cada meta batida, obstáculo superado, sempre "sonhamos" com um próximo passo. Como já mencionei, somos seres em construção. Sonhar faz parte desse processo e/ou projeto.

Leitura faz parte do nosso processo de amadurecimento, crescimento. Quando gostamos da leitura é sinal que o autor conseguiu nos conectar em sua história. Sua mensagem nos atingiu de modo que, por vezes, fazemos questão de partilhar nossa experiência com outras pessoas. Muitas vezes nos perguntamos: "Como pode essa pessoa desenvolver um livro tão bom assim?"

Ler é libertação, é possibilidade de novos horizontes, conhecimentos. E todo conhecimento, muitas vezes é romper-se de certas amarras, sejam elas sociais, religiosas, políticas e até mesmo familiares. Melanie Klein pensou e partilhou algo magnífico: "Quem come do fruto do conhecimento sempre é expulso de algum paraíso." 

Existem inúmeros filmes que retratam histórias verídicas de pessoas que buscavam ler escondidas, uma vez que o sistema (religioso e político principalmente) as proibia. Mulheres eram as mais afetadas. Em alguns países da atualidade isso ainda ocorre.

Ler e escrever. 

Cartas da prisão - solilóquios

Cartas da guerra
(20/08/22)

quinta-feira, 30 de março de 2023

Até breve, Vôlei - carta


Venho aqui hoje pra deixar um "até breve"! As aulas da faculdade recomeçam semana que vem e aí vai ser complicado participar dos rachas. Mas, se eu puder permanecer aqui no grupo, sempre que tiver uma oportunidade (depois que cuidar dos meus ombros) com certeza eu irei (se não puder, também entendo). A gente chega pelo vôlei mas permanecemos pelos vínculos de amizade que se criam. Além disso, a dinâmica do grupo, as brincadeiras e os assuntos tem um astral positivo.

Aproveito também para agradecer a todxs pela alegria, pela receptividade, pelas brincadeiras e em especial pra quem teve um plus de empatia e humildade na hora dos rachas e soube "falar de boa" quando as levantadas não saiam de acordo. Afinal mais de 16 anos sem entrar em quadra a gente fica enferrujado. E o tempo não perdoa ninguém... O respeito é para com todxs mas, alguns nomes, com certeza, levo com grande carinho e admiração, não pelo nível de vôlei desenvolvido em quadra, mas pela sua "essência" enquanto ser humano, a empatia, o respeito, a paciência, a alegria e a boa energia.

Cheguei aqui através de um amigo da faculdade, o Victor Carvalho e, já que ninguém me tirou, eu fui ficando e contrariando alguns olhares de desaprovação. Com 4.6 no currículo, e contrariando também as restrições do ortopedista que, devido a uma tendinite crônica inicialmente no ombro direito (agora no esquerdo também), havia o risco da lesão se agravar e aí somente cirurgia pra "tentar" resolver, é hora de dar um tempo e tentar amenizar essas "ites" da vida e do tempo. 

Os ombros estão como uma engrenagem de moinho de café que, quando vc gira a manivela, sente o atrito dos grãos sendo moídos. No caso, sinto o atrito das articulações estalando e isso dói muito. Mesmo seguindo a risca todas as outras orientações médicas (musculação, fisioterapia, pilates, antiinflamatórios diversos, gelo,...), o fato de ter insistido no vôlei trouxe uma piora na inflamação. 

Joguei assiduamente até os 28/30 anos mas, devido a diversas mudanças de trabalho, de cidade e na vida, o vôlei acabou ficando de lado. Entrar em quadra novamente (desde setembro/2022), depois de tanto tempo, me fez sentir como uma criança entrando num parque de diversão. Foi ótimo, maravilhoso, uma verdadeira terapia num momento "foda da vida". Claro, tudo isso em especial pelas pessoas que fazem parte do ambiente dos rachas. 

A pandemia deixou sequelas e fez a gente se reinventar e repensar sobre tudo e todxs. Não bastasse, cada pessoa ainda teve que lidar com seus anjos e demônios particulares. Comigo não foi diferente. Mas não cabe falar aqui. Problemas todos temos e quando não damos conta de resolver sozinhos, é necessário correr atrás de ajuda, colocar a cabeça no lugar e se conscientizar de que não temos a resposta nem a solução pra tudo. Família, amigos são muito importantes. Espiritualidade, fé, ciência (medicina) e o esporte, principalmente, estão aí pra nos socorrer. 

Paciência e aceitação, essas são as palavras da minha autorreflexão. Sendo seres limitados e com prazo de validade, uma hora a conta chega para todxs. Nos últimos rachas senti uma piora significativa. Em alguns movimentos a dor é tanta, que chego a perder a força seja pra dar um simples toque na bola. Sacar já me exigia muito e atacar é impossível! Isso gera uma sensação de incapacidade absurda, pois vc sabe o que fazer e como fazer, vc quer fazer, mas está limitado... É foda! 

Vale lembrar também, que muita gente busca diversas alternativas para equilibrar a vida entre os dias de luta e os dias de glória. O vôlei, como todo esporte, é uma das melhores que já conheci e participei. Importante ressaltar que, muito além do jogo em si e da disputa, existem outras prioridades que, as vezes, passam despercebidas: empatia, acolhida, respeito e inclusão sempre. Isso é o esporte. Esse é um dos legados do vôlei. Nem tudo está no fato de ganhar ou perder. Acredito que o tempo pode trazer um pouco mais de leveza para cada um e cada uma em particular.

Bom, desculpem-me pelo textão e desculpas tbm se, por brincadeira ou no calor do momento, disse algo que soou de forma negativa. Tenho 2 filhos, Felipe e Joaquim, e por eles eu me empenho em ser uma pessoa melhor a cada dia, agindo com empatia e respeito com cada pessoa que cruza meu caminho seja no trabalho, na faculdade, na rua ou em quadra. A gente se vê por aí nas esquinas da vida, nos bares, nas lutas ou nas quadras. 

* Não dá pra perder uma boa briga por uma boa causa! Boas prosas sempre me inspiram, geram ótimas ideias, motivações várias e no mínimo me possibilita uma troca de experiência e aprendizagem. Então, me coloco a disposição sempre.

"Nesse mundo somos uns pelos outros." (Essa frase carrego comigo em todos os meus dias. Ouvi de um senhor carpinteiro, que na época era meu vizinho, quando precisei de um serviço seu depois que estourei um cano no quintal com uma enxadada. Ele não quis me cobrar e soltou essa pérola. E assim compartilho com vocês: "somos uns pelos outros.")

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segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Alienação, hipocrisia, desrespeito: CHEGA!



Hoje, após compartilhar uma mensagem em diversos grupos que faço parte, falando sobre pessoas de opiniões políticas diferentes e que nem por isso sua índole e caráter são duvidosos, alguém postou em seguida, num determinado grupo, a imagem de uma "enxada" com os dizeres "Varinha mágica pra trazer cerveja e picanha". 

Refleti muito sobre a minha postagem antes de responder, se havia algo provocativo da minha parte, mas não. Foi uma mensagem encaminhada e de autor desconhecido. Segue: 
- "Aprendi que existem pessoas maravilhosas que votam no Bolsonaro e existem pessoas maravilhosas que votam no Lula. Há extremistas dos dois lados. A escolha por um desses candidatos não define o caráter de alguém. Ela é baseada nos conhecimentos e experiências de vida e sobretudo como cada indivíduo significou tudo isso. Isso não faz das pessoas melhores ou piores, são apenas pontos de vista e expectativas diferentes. No entanto, a forma grosseira de lidar, julgar e acusar o outro porque ele pensa diferente, supor que você é mais inteligente, vivido, esclarecido... enquanto o outro é alienado, ignorante, manipulado, isso sim diz MUITO sobre você! Cuidado com as projeções pessoais, elas tem mais a ver com a gente do que com o outro" (autor desconhecido).

Me senti não apenas no direito mas na obrigação de responder de forma clara, simples e sem perder a noção e limite do meu espaço. Minha resposta: 
- "Isso é lindooooo!!! Vejo com bons olhos e orgulhoso da minha origem. Meus pais e avós são da roça, da terra. Mas, teologicamente falando, sendo o crucificado alguém que veio das mazelas da pobreza, e teve ao seu lado todo o tipo de excluídos e pobres (ladrões, prostitutas) me sinto duas vezes abençoado."

Tentei refletir sobre essa imagem a partir de várias ópticas mas, em nenhuma eu consegui ver algo que não fosse pejorativo; foi apenas no sentido de debochar. E, debochar de quem é simples e usa de trabalho braçal e pesado para sobreviver, tal como pessoas que trabalham no campo, na lavoura, na roça soa estranho demais para quem se julga "do bem", "cristão" e "patriota". Me questiono se o que se passa em certas cabeças seria que "uma pessoa da classe dos trabalhadores braçais não poderia então tomar sua cerveja e comer uma carne melhor"? 

Sem muitos questionamentos, me apego em três pontos: a minha origem e ou minhas raízes; os trabalhadores braçais, em especial os que utilizam da enxada, defendendo a premissa de que todo trabalho é abençoado e digno; o olhar teológico que, numa simples passada de olho pelos diversos livros sagrados, em especial a Bíblia cristã, todos falam sobre amor ao próximo, falam em especial sobre os excluídos, as minorias rejeitadas pelo sistema, pelos doutores da lei, pelos homens do poder, pelos abastados que se encontram no topo da pirâmide. 

Sem trabalhar ninguém se mantém, ninguém sobrevive. A injustiça está em todo canto, em todo campo. Trabalho escravo ainda existe em pleno século 21. Meus avós não tinham boa escolaridade mas eram sábios em seus ensinamentos, lições e exemplos. A classe trabalhadora, operária, braçal, não pode ser resumida a isso. Enxada, foice, martelo são ferramentas e símbolos de quem trabalha de forma pesada, de sol a sol, em sua maioria com um salário de fome; têm suas mãos calejadas, rachadas, cheias de bolhas de sangue; suas peles são queimadas pelo sol e muitas pessoas aparentam mais idade que de fato tem. 

O dito "cidadão de bem" faz o bem para quem? O "patriota" usa seu patriotismo para defender qual tipo de valor? O "cristão" usa o "seu deus" pra acolher ou pra julgar e sentenciar? Usa sua religião pra libertar ou pra alienar? Usa sua oratória pra trazer amor e paz ou pra esbanjar ódio, intolerância, discriminação, guerra e morte? 

Seguindo os valores do evangelho cristão, prefiro estar com os loucos do que com os falsos; falsos esses que na expressão de Jesus eram os hipócritas do templo e da sociedade que batiam no peito mas era verdadeiros sepulcros caiados. Prefiro estar com os excluídos, os pobres, as putas, as LGBTQIA+ do que com a cristeirada hipócrita de armas na mão. A diferença entre os lados é que os bandidos da elite se vestem bem e são protegidos pelo sistema. 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Rosas e muros



Andando por algumas ruas da cidade ainda é possível encontrar casas com grades às quais nos permitem olhar para sua frente. Dessas casas uma minoria ainda possui um canteiro com flores que ornamentam a vista. Dentre as flores, destaque para as roseiras. As flores em si sempre me trazem boas recordações, mas as rosas remexem no baú da saudade. Meus avós Joaquim e Iolanda tinham dois canteiros na frente de sua casa e ali cabia uma variedade incrível de plantas e flores. Obviamente não faltavam rosas das mais variadas cores. Vez ou outra, alguém pedia uma rosa e minha avó ia lá cortar com cuidado. Não havia grades, apenas um muro que de tão pequeno servia de banco nos finais de tarde em que meu avô e alguns vizinhos sentavam-se para prosear. Era um tempo sem tantas preocupações.

O passar dos anos fez com que meu avô colocasse grades altas em cima dos muros. Perdemos o banco no intuito de ganhar um pouco de segurança. Hoje, a fachada da maioria das residências tem muros altos, com cercas elétricas ou serpentinas. Quem está dentro não consegue ver o movimento da rua e quem está fora não consegue apreciar os canteiros que podem existir atrás dos muros. Ficamos todos presos por dentro e por fora, reféns do medo, da insegurança e da própria sociedade adoentada. Caminhamos para um isolamento social e as antigas e boas relações seguem para sua extinção. Nossos filhos e netos talvez nunca possam desfrutar das brincadeiras que um dia tivemos, na rua, ao ar livre, na chuva e curtindo o anoitecer com o céu repleto de estrelas. 

Numa outra realidade lembro-me de quando entrei para o mundo virtual, especificamente no facebook. A possibilidade de reatar laços e manter o contato com pessoas distantes era o máximo. Amigos de infância tinham a possibilidade de trocar experiências, formar grupos, comunidades com interesses afins e desenvolver bons diálogos. A possibilidade de fazer criar novas amizades também era positiva. Tudo concorria para uma boa evolução.

Porém, com o tempo e a evolução das redes sociais, o cenário que até então era místico, belo e com perspectivas positivas acabou se tornando um campo minado, permitindo que as pessoas se manifestassem sem suas devidas máscaras e o resultado é que esses espaços se tornaram palcos de guerrilhas com atenuantes para a violência e para o ódio, sem mencionar diretamente o preconceito e o deboche com a dor alheia que o ambiente propicia. O belo, o lúdico, a poesia, a arte, a vida em si, perderam espaço.

Em suma, o ser humano é a sua própria desgraça. Tem olhos mas não enxerga o que seus atos e pensamentos podem causar. Espero que a evolução seja realmente cíclica e que num futuro não distante possamos sentir o cheiro das flores ao passear tranquilamente pelas calçadas do seu bairro, que possamos também sentir o cheiro das cartas perfumadas que traziam notícias de alguém tão querido, e que a tranquilidade nos permita andar de bicicleta à luz do luar. Ou então, caminharemos para o abismo da apatia solitária, sem amigos reais, presos em nossa própria solidão e cercados por muros.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Contrapontos sociais: a hipocrisia travestida

Algumas coisas marcaram de forma ímpar a sociedade brasileira antes, durante e após as últimas eleições ocorridas em 2018. Particularmente me atentei para os discursos inflamados de algumas que se julgavam acima do bem e do mal. Frases de efeito que se tornaram bordões na boca dos cidadÕEs de beim.

Dentre frases, citações, discursos carregados de ódio, destaco algumas pérolas que tive a infelicidade de presenciar ou simplesmente acompanhar pelo mundo virtual:

O rapaz que se passa por mendigo para pedir esmola no semáforo, ao final do expediente troca suas roupas, monta em sua moto semi-nova e vai para casa. 

A colega que se tornou empresária, não frequentou faculdade mas comprou seu diploma, tornou-se militante virtual anti-esquerda e anti-PT principalmente, com recalques de anticorrupção.

O sucedido homem de negócios que adquiriu objetos, produtos de furto, por serem mais baratos.

O cristão que abomina o aborto mas é a favor da pena de morte. Faz o sinal da cruz dentro da igreja e fora dela faz arminha.

Por incrível que pareça, esses exemplos reais trajavam a armadura verde-amarela com slogans anticorrupção, demonizaram a esquerda como um todo e apoiaram o presidente eleito em nome de "Deus, da Pátria e da família".


Porque todo cidadão de bem precisa se auto afirmar para que ele mesmo possa acreditar nessa máxima travestida de hipocrisia.

Por fim, compreendo que a corrupção não está no partido mas sim nas pessoas, independente do seu partido, do seu lado e da sua religião. O contraposto disso é a tão condenada hipocrisia.


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Filosofia de expurgo - 01/01

"divino-política-sócio-educativa-financeira-libertária-brasileira-guarani-kaiowá-casaldáliga-francisco"


"Saudade do tempo em que os votos eram secretos. 
Havia mais respeito e as amizades não se acabavam". 


Bom, a coisa degringolou. Não se discute sobre "política", nem sobre projetos, nem nada. As pessoas não conseguem ou talvez nem saibam manter a discussão no campo das ideias. Realmente isso não é pra qualquer um.

De todos os candidatos que estão no páreo, particularmente só não voto em um. E é justamente aquele que não sabe debater, que nunca fez nada pelo país em sua vida pública além de colocar todos os seus descendentes no mesmo esquema, não consegue expor ideia alguma sem ter que apelar pra hostilidade e, usando como pauta de campanha aqueles jargões encharcados de hipocrisia como "lutar pelos cidadãos de bem, pela família, pela moral cristã" para iludir muitos dos que estão querendo uma virada de mesa nesse cabaré que virou o Brasil, vem se fazendo como "a solução". SQN!

Conheço e tenho amizade com muitos que apoiam tal candidato. Não pretendo que amizade alguma se dissolva por isso, porque as eleições vão passar e no fundo, bem no fundo, todos querem o melhor. Não vou na página alheia pra discutir em vão e da mesma forma não tolero que o façam na minha. Sigamos o fluxo!

Resta aguentar essa "guerrilha" que virou o período pré-eleitoral. O nível de "politicagem" que se vê por aí é decadente. Ódio externado em violência contra quem tem opção e visão diferente. E isso tudo é algo que partiu também do próprio tal candidato, seguidores radicais, bem como de grupelhos intitulados de "direita" e de cristãos ultra-radicais.

Tem horas que, apesar de caótico, chega a ser engraçado. A maioria das pessoas que são contra o comunismo, o marxismo, a esquerda política (eu digo política, não partidária, se é que vocês me entendem), na verdade nem sabem o real significado. Só estão repetindo o que os seus "inflamadores" gritaram em certo momento. A situação lembra muito os ventríloquos.

Particularmente, não consigo pensar numa política que não seja de inclusão e para isso a questão é analisar o candidato que apresenta não apenas as melhores propostas mas as mais viáveis e o mais importante, o que esteja melhor preparado e tenha condições de conduzir a nave, a tripulação e os passageiros.

Se tenho amigos ou parentes que discordam, foda-se! Essa é a minha análise, é a forma que vejo o contexto e tiro as minhas conclusões. Quando vejo ataque de chilique de gente que se acha acima da média porém sem um pingo de bom senso, nem conhecimento de causa (informação), nem respeito, nem "nada" eu fico entre a "pena", a "vergonha alheia" e o "asco". É muito sabidão diplomado em redes sociais que deveria estar no Palácio do Planalto! Não sei como o mundo ainda não notou tamanha celebridade desperdiçada nessa terra Tupiniquim!

Nos vemos nas urnas ou até o próximo expurgo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

"A dama e o vagabundo"

 *Snoop 

ATENÇÃO!                                  
"Não, não é um comentário sobre o romântico
 desenho da Walt Disney nem paródia musical." 

"Segue adiante o dependente químico em seu rotineiro estado 'zumbi', marcha compacta de ritmo constante, sem visão lateral do mundo e sem se dar conta do mundo que o observa. Nada lhe importa mais do que aproveitar oportunidades e descuido da sociedade para furtar coisas que possam lhe render alguma grana e assim manter o seu vício.

Segue, também, na cola do indivíduo uma tresloucada gritando, esbravejando, ameaçando-o com uma surra caso ele cometa delitos por ali. Em uma grotesca cena para chamar a atenção de outras pessoas e assim conseguir comparsas imediatos para sua causa fortuita a dama da sociedade protagonizou o que podemos considerar de 'o monólogo da hipocrisia'.

Creio que os dois precisam de tratamento: ele, o vagabundo drogado, para sua dependência química; ela, que se disfarça de dama no rol da sociedade entre o status familiar, profissional e religioso, para sua dependência de aparência e hipocrisia tresloucada."

Sem defender a quem comete delitos nem atirar pedras em quem usa máscaras, eis que ficam as perguntas:

O que você vê ao ler isso? 
O que sente?
O que te incomoda?
Quem é culpado?
Quem é inocente?
Onde está o erro?


*Laura Cardoso interpretando D. Doroteia no seriado Gabriela

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Palavras em alta, pessoas em baixa


Dias atrás postei um link no meu perfil da rede social sobre o ex-presidente cubano, Fidel Castro, que por conta de seu falecimento muitas histórias vieram à tona. A matéria em si retratava toda a sua trajetória de maneira imparcial, relatando pontos positivos e negativos bem como sua popularidade exaltada por parte de alguns e os que o consideravam um verdadeiro algoz. Longe de querer enaltecer apenas o lado bom da história, tampouco fazer qualquer julgamento acerca de seus atos passados, a ideia foi apenas a de compartilhar os fatos. 

Mas, aí, vieram os doutos virtuais de plantão com seus comentariozinhos ridículos, balbuciando aqueles velhos jargões de sempre, como se eu estivesse ali, na minha página, fazendo algum tipo de apologia negativa. E, mesmo que estivesse, a página é minha e foda-se! A questão não é e nunca foi o pensamento contrário mas sim a forma irônica e abusada com que a pessoa que está no rol dos "conhecidos virtuais" (que, graças a Deus, nunca tive o desprazer de conhecer pessoalmente) se manifesta. A resposta foi dada de maneira sensata e educada, com a devida paciência e educação para explicar o motivo do link e o conteúdo da matéria, que até então, tenho certeza que o indivíduo nem leu.

A possibilidade da reciprocidade veio recentemente. Na página da mesma pessoa, uma postagem de autoria de um desses movimentozinhos que vêm apoiando golpes e, estão diretamente ligados à tucanada e aos peemedebistas, e têm em seu arquivo inúmeras selfies com Cunhas, Aécios, Renans e outras escórias. Uma verdadeira hipocrisia. 

Enfim, teci um comentário dizendo que o tal movimento era tão idôneo quanto o "Cunha". Foi o que bastou para que o indivíduo se translouquecesse. A resposta não teve gotas de paciência nem foi educada. Nesse momento desconheci a personalidade do cara e fiz questão de "discursar" na página dele. Óbvio que não gostou e o resultado se deu por encerrado com a minha tréplica: "Do mais, se não gosta que as pessoas venham expor o que pensam por aqui, também não devia dar pitacos no vizinho, principalmente quando não se concorda com o que o colega posta ou pensa." 

"Amizade virtual desfeita" e um hipócrita a menos pra tolerar. Ótimo, que eu nem tive que ter o trabalho de ir lá e desfazer, uma vez que o adulto de mentalidade infantil, que nesse exato momento deve estar falando sobre democracia, fez esse favor por mim. Tchau, querido!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quer votar por amizade ou parentesco?

Eleições chegando e as figuras mais escrotas se rasgando em pronúncias na TV. Santinhos entupindo as caixas de correio, bueiros e lixos. Cabos eleitorais pedindo voto para seus patrões candidatos via facebook, whatssap, sms, etc. Se pelo menos os funcionários eleitorais se atentassem para o fato de que o seu candidato é lá da cidade do "Karai", e pior, de outro Estado totalmente diferente e distante do lugar onde resido e voto... mas nem isso o fazem! 

Tormentas à parte, vamos para o caos propriamente dito. Nunca votei por questões de partido político ou legendas coligadas. Nunca votei por interesses particulares. Nunca votei por questões de amizade nem tampouco por grau de parentesco. Taí algo que minha consciência jamais permitiu fazer foi entregar voto para agradar a terceiros, mesmo que esses terceiros fossem sangue do meu sangue. Enfim, nunca votei pela obrigação mas sempre pautei a vida da pessoa, sua disposição e capacidade de atuar na referida função, atribuindo a isso uma avaliação ao seu caráter principalmente. 

Portanto quem fizer sua escolha apenas pelos laços afetivos, sente-se e aguarde o abestado foder com resto do sistema. E se um dia ousar a falar que a política é suja só não esqueça que quem contribuiu para que a sujeira continuasse a proliferar e feder foi você, ao escolher o referido meliante! Entendeu?

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Bataclã Planalto: renúncia maldita


Aos 45 do segundo tempo, dentro do prazo hábil para realizar um último ato e fazer uma estratégica saída pela tangente, em uma infame e indigna encenação de quinta, o ex-chefe da casa grande, o cacique que escorregou em sua própria lama, este que comandava a orgia política no parlamento, manipulando insanas (des) aprovações, corrompendo o papel a que lhe foi atribuído, tudo por benefício próprio ou, no mínimo, por interesses de terceiros que lhe trouxessem benefícios prósperos, o ex-líder das absurdas jogatinas de poder no bataclã planalto protagoniza um desfecho melodramático com direito a lágrimas e faz a tão esperada, pelos brasileiros, renúncia maldita. Tchau, seu Cunha, querido! 
PRÓXIMOOO!!!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

A mistura de todas as coisas



Dias atrás recebi essa montagem acima e fiquei inquieto com a intenção de quem a fez e também com a inocência de quem ajudou a propagar. Em tempos de rápida viralização virtual, quanto mais carregada a mensagem, de incitação contra "certas causas", melhor. E assim se procedeu. Meu primeiro contato com a imagem foi num grupo de whatssapp e ao retornar às redes sociais após um período de abstinência pude entender algumas questões.

A repúdia maior, aqui no Brasil, começou quando Viviany Beleboni desfilou crucificada num carro alegórico durante a Parada LGBT de São Paulo no dia 07/06/15. Na placa acima de sua cruz ressaltavam os seguintes dizeres: "Basta de HOMOFOBIA com LGBT". Nem preciso lembrar-lhes que ela é transsexual, uma vez que virou notícia, vidraça e caça dos homens preservadores dos bons costumes (Malafaias, Felicianos, Paulos Ricardos, homofóbicos, preconceituosos e mais um monte de hipócritas dessa estirpe). Os hómes da lei entenderam como um chamamento para a briga. Bom, a pauta aqui não está para defender a protagonista deste enredo, muito menos crucificá-la. Já o fizeram bastante.

Mas, o que mais trouxe repercussão e causou incômodo nas alas conservadoras foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA. A partir daí o facebook possibilitou, a quem quisesse mostrar apoio a causa, colocar as cores do arco íris em sua foto de perfil.  Muitas celebridades aderiram. Foi também uma maneira de se mostrar indignado contra os reacionários homofóbicos. O assunto ganhou notoriedade tanto quanto a cultura de incitação ao ódio, provocada pela fala de quem deveria pregar o amor, teve um aumento considerável.

A foto da criança engatinhando, sofrendo pela dor da fome, pode ser do sul-africano, Kevin Karter. Se sim, data de 1993 e foi tirada no Sudão. O fotógrafo que registrou este momento em suas lentes, apesar da foto ter ganhado prêmio em 1994, entrou em depressão profunda e suicidou-se nesse mesmo ano, aos 34 anos de idade. Não suportara o bombardeio de críticas recebidas. Deixou uma carta de suicídio facilmente encontrada na internet. De qualquer forma a foto é tão antiga que muita gente não a conhecia e assim tornou-se novidade nas redes sociais e viralizou pelas vias dos ingênuos, dos inertes e dos regados de consciência mágica.

Então, vem agora o objeto destas linhas, "A mistura de todas as coisas": o que tem a ver "desigualdade social", representada na foto pela fome da criança que se arrasta no chão de terra, com as cores da bandeira que representa o movimento LGBT? Suponho que a intenção é dizer que uma causa que vale a pena lutar (no caso a fome no mundo) está longe dos holofotes, enquanto um assunto de menor significância (preconceito - casamento gay - LGBT) está estampado em várias capas e tem célebres defensores manifestando-se em massa.

Duas situações embutidas no mesmo pacote. Ambas são injustiças, merecem atenção e são de responsabilidade de todo cidadão, principalmente quando se intitula cristão. Mas (...), passaram a régua e soltaram na net. De um lado o discurso adotado é o da necessidade de acabar com a fome no mundo. Na via contrária é outro, pois são disseminados toda a intolerância e preconceito contra quem não está adequado aos padrões religiosos, sociais e culturais impostos pela ditadura homofóbica. Eu resumo como um discurso falido pela hipocrisia.

Nos dizeres da montagem, entendi que a pessoa que a fez, juntamente com todos os que compartilharam, só irão PARTICIPAR na luta da "causa (contra a fome) quando toda uma nação se unir em prol da mesma". Esquisito demais! Enquanto isso vão acomodar o traseiro e esperar. Não irão fazer mais nada por ninguém. Ou "SEJE" (*), pode o mundo acabar, pode o céu desabar, e tudo acabar em pizza que as personalidades de plantão estarão à espreita de um "grand espetáculo".

Enfim, nem tudo é o que parece ser. As personas são tendenciosas e se deixam levar pela primeira impressão visual. São facilmente manipuladas diante de uma imagem montada. Falta, então, um "quezinho" de senso crítico, senão, uma simples questão torna-se uma tremenda confusão. Aquelas velhas piadinhas que a gente aprendeu na adolescência são bons exemplos: "Não confunda: Bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha; Gentileza com gente lesa; A moribunda com amor e bunda; O homem documentado com o homem do cu mentado" dentre outras tantas. Portanto, abre o zóio e analisa sem pavoramento, pois "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa"!



Nota:
(*) Seje = A escrita correta é "SEJA". No texto foi colocado intencionalmente errada. 

terça-feira, 17 de março de 2015

O jargão da hipocrisia



Eis que um novo ópio surge e, como na maioria das vezes, de cima para baixo. O que vimos e assistimos nos últimos dias na imprensa áudio-televisiva e escrita, e principalmente nas redes sociais é o maior dos absurdos. Nada concreto, apenas uma anarquia generalizada. A cara que se mostra não é de um nível de intelectualidade superior e que sabe o porquê e para quê se manifesta. As pessoas entrevistadas durante o estardalhaço, em sua maioria, nem sabiam o que responder aos repórteres. 

Um pequeno grupo resolveu insurgir-se dando um tiro no escuro para ver se atingia algum alvo. Acabou dando certo. As redes sociais, a imprensa golpista, e muitos oportunistas de plantão trataram de disseminar as mazelas da desinformação. A oposição insatisfeita que representa a classe elitizada fomentou e financiou a tentativa de golpismo. Saldo: a cara da riqueza apresentada nas manifestações foi a que mais lucrou com esse show pirotécnico. Não fizeram nada mais nada menos que apertar o botão do "FODA-SE" ou em outras palavras "não quero nem saber em quem estou batendo, quero mais é dar porrada!" 


O tom dos discursos dos organizadores dos M.O.P.s (Movimentos Oportunistas de Plantão) era de ódio e por consequência a violência era inevitável. As agressões ocorridas sempre partiram da ala manifestante. Além de tentar intimidar a quem se opusesse faziam seus ataques verbais no naipe do calão mais baixo possível. Muitas faixas com frases discriminatórias foram fotografadas. Bonecos que representavam lideranças do Governo sendo enforcados. Um belo exemplo de movimento golpista.


Até mesmo o Aécio Forever Bebaço Neves postou um vídeo explicando sua ausência no dia "d". É muito repugnante um cara desse desnível fazer uma "chacota" assim. Como esse "ser", que ferrou com Minas Gerais, teve tamanha audácia? Esqueceram que ele bate em mulher! Foi pra encerrar com chave de "fenda". 


Mas quem está por detrás dessa cretinice toda? Tem gente grande sinsinhô! Políticos, grandes organizações midiáticas, empresários, um bando de oportunista, outro tando de golpista, um monte de otário, e uma maioria sem senso-crítico que adora agitação. Disso tudo dá pra salvar uma meia dúzia que manifestou conscientemente por melhorias. 


Agora, a frase que não param de falar em cada vídeo babaca que os revoltosinhos postam: "Juntos somos mais fortes e com Deus à nossa frente somos imbatíveis." É, Deus virou partidarista, apoia a miséria, apoia a lei do rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre, gosta do discurso de ódio, da incitação à violência, da anti-democracia. Meu Deus! Perdoa, eles não sabem o que dizem!


Outro dia li um artigo muito bom, o PIB: "Perfeito Idiota Brasileiro". Trata da corrupção independente de classe social ou partido político. É interessante porque as pessoas veem a corrupção apenas no Governo vigente sendo que foi o que mais a combateu. Esquecem que ela é herança presenteada pelos colonizadores. O jeitinho brasileiro é um exemplo típico e moderno. Furar a fila, estacionar em lugar exclusivo para deficientes ou idosos, não devolver o troco quando recebê-lo a mais, dentre tantas outras cositas, especificam melhormente os modelitos de corrupção que pouca gente se atenta. Os protestadores passaram bem longe desta aula de cidadania. 


Bom, chega! Cansei de escrever sobre golpistas, oportunistas, políticos bebaços e cheiradores de pó, porque a maioria errante está no climax do êxtase causado pela efervescência do mais novo ópio: a hipocrisia renovada. A cara da riqueza não luta mas briga, não pra ter melhorias ao país mas sim privilégios exclusivos à sua classe. VÃO SE FERRAR OTÁRIOS!!! 


sábado, 14 de março de 2015

Trabalhar pra quê?



"Não dá pra negar o aumento da participação leiga nas manifestações políticas. Um bom sinal de que as pessoas estão mais interessadas e ativas. Mas, como nem tudo são flores, pena que o número de oportunistas e golpistas que transformaram as mesmas em uma empresa de negócios e falcatruas praticamente triplicou. Trabalhar pra quê se se pode investir num merchandising, barato e repugnante por sinal? Fazer discursinho medíocre e postar nas redes sociais tornou-se o método mais fácil para atingir o posto de celebridade. E neste patamar, além reles mortais, já não há a necessidade de laborar honestamente. Quem mantém o ópio está coligado ao poder paralelo. Simples: é só olhar a cara 'revoltada' dos folgados 'online' e os imbecis súditos que tentam escandalizar a democracia. Babacas, vocês são o próprio escândalo!"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Profecia VS Especulação



Nos relatos bíblicos sempre se houve falar em profetas e profecias. Muitas histórias, sejam em livros ou filmes, trazem em seu enredo o profeta como um ser mágico que consegue, principalmente, prever o futuro.

No curso de Teologia, especificamente na disciplina de Bíblia, entendemos que o profeta é uma referência de personalidade de sua época. Ele é tido como a voz da sabedoria para o povo e seus dirigentes. É aquele que anuncia, mas acima de qualquer coisa, e principalmente, denuncia com veemência e sem temor.


O termo profeta tem sido bastante utilizado no marketing das religiões, principalmente essas neo-pentecostais que se proliferam desproporcionalmente. Essas tais, que estão mais para seitas que propriamente religiões, trabalham massivamente para se exporem de forma que possam angariar mais adeptos. Ter alguém com o título de profeta, ou apóstolo, ou missionário, ou pregador, ou bispo, ou tudo junto e misturado, é um quilate à mais que a coloca na frente das outras na corrida pelo ouro dos fieis.


A profecia virou mais um sub-produto do capitalismo religioso. A religião já é mercado de longa data, e como tal, tem o seu lado prostituído. O que de fato deveria ser a profecia na religião acabou virando especulação. Uma inversão de valores. Enquanto se vivencia a especulação do capitalismo religioso nesse mercado da fé, a essência da religião é deixada de lado. A profecia, tal como exposta na bíblia, então fica banalizada. O que deveria ser o caminho de salvação é sim caminho de alienação, mercado opressor, balela de um-sete-um.


Os profissionais da fé são verdadeiros manipuladores de mente. Na verdade são artistas em suas dramatizações. O que Marx disse sobre a religião "ser o ópio do povo" tem infinita razão quando não é usada como fonte de libertação.

Entendo que o sagrado pode estar contido até mesmo nos aspectos e meios mais profanos da sociedade e também da religião, como por exemplo, a fé dos fieis, inerte à conduta e intenções de seus dirigentes. No entanto, o profano sem o sagrado não passa de um objeto sem sentido, corrompido e deturpado. Neste caso, os administradores religiosos. 


Hoje, assistimos a uma safra de especuladores do mercado religioso bancando de profeta. E o são, porém, do capitalismo incrustado e escancarado dos templos profanados. Lançar tudo o que tem no bolso e na carteira, no dia da pedida, pela cura e libertação dos males que atravancam a prosperidade financeira, ou, comprar o lencinho milagroso do bispo fazendeiro, se não for o de R$ 500,00 que dá direito a um milagre maior, pode ser o de cinquentão que também lhe garante um mais modesto, ou ainda, vender alguns objetos de valor de sua casa e levar a verba para a tal fogueira santa são apenas algumas das armas usadas nesse verdadeiro marketing, não de guerrilha nem de guerra santa, mas, de conspiração mercadológica. 


Espero, tão apenas, que os magos do poder financeiro-profético que detém a fé das pessoas deixem de vender terrenos no céu com seus shows milagreiros. Chega de falcatruas e covardias! Uma pitada de respeito, sem cobrar por isso, por favor!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PJ - Grupos, Virtualização e Participação: repensando conceitos

 
Imagem: Igor Abreu


Os grupos formados nas redes sociais tem sido não só um mero ponto de encontro entre pessoas e amigos que curtem os mesmos gostos mas também tem servido como espaço para um processo vivo de formação e informação quando usados coerentemente. Claro que existem os que se utilizam para incitar contra os objetivos do grupo, assunto este que não merece comentários.

As pessoas tem buscado constantemente fazer parte de algo, assim como no passado, só que agora no cenário virtual. Essa necessidade de fazer e sentir-se parte também é antiga. Estudos antropológicos mostram que o ser humano sempre se agrupou por afinidades.

Tais grupos têm se modernizado e atingido várias camadas e nichos de pessoas. O acesso ao mundo virtual em tempos atuais está cada vez mais fácil. Existe um certo comprometimento com aquilo em que se participa, que se faz parte.

Nota-se, com esse avanço tecnológico e de relacionamentos virtuais, que o sentimento tem sofrido também uma virtualização. As relações da vida real seguem na mesma velocidade com que as pessoas adentram, saem e ou perambulam de grupo em grupo até se deparar com sua identidade. Rapidez, superficialidade, tendência à frieza e outras coisas mais caracterizam as relações.

Dos participantes de cada grupo uma grande parcela, se não a maioria, são apáticos, não participativos e muitos nem sabem o real objetivo do espaço onde estão. Uma outra parcela, pouco menos significativa, tem o hábito de postar imagens com pequenas frases de pensamentos feitos. Alguns postam para si mesmos, não levando em conta a inocência ou inutilidade de seus posts. Há os que almejam uma vitrine para serem virtualmente reconhecidos e famosos. E como diz uma velha frase "ser famoso no facebook é o mesmo que ser rico no banco imobiliário". Por fim, uma minoria, bem menos que 10% dos membros, realmente estão em sintonia com o grupo, participam e contribuem para boas discussões.

A proliferação dos interessados em participar dos grupos é uma preocupação para alguns administradores nas redes sociais, levando em conta que a quantidade atrapalha o bom andamento da qualidade. Uma mudança se fez necessária para que os grupos preservassem sua identidade, essência e objetivos. Normas, regras e cuidados tem sido elaborados e gerados para se manter uma boa convivência virtual.


Uma outra pauta, para outro momento é o fato de quem cria falsas identidades para fomentar o ódio, a violência e a intolerância religiosa. Geralmente são perfis de pessoas que não assumiram nada em suas vidas reais. São de uma determinada religião e criticam tanto as outras como as que se dizem ser os únicos e fiéis seguidores. Esses tais são identificados curiosamente como "catolibãs".

Pela extensão e profundidade este assunto não se encerra por aqui e jamais um grupo virtual substituirá o calor humano e a vivência de um grupo formado na vida real.



***** Deixamos aqui algumas perguntas básicas que ficam perpetuando em nossos pensamentos acerca do que os grupos de Pastoral da Juventude nas redes sociais representam na caminhada real de cada um e no ambiente que convivem. Seguem:

1) O que os grupos de discussão (de PJ's no caso) mudam em nosso cenário na vida cotidiana, para além das telas?

2) As discussões e postagens nos inspiram em algum sentido? Nos motivam a refletir pelo menos?

3) Ou somos expectadores sempre prontos a aplaudir, ou seja, curtir as belas montagens e frases feitas?

4) A causa alheia me interessa? A causa que Jesus defendeu me anima a continuar lutando?

5) Ou tenho uma causa própria e uma razão extra para estar aqui?...

6) O que significa fazer parte de um grupo de discussão nas redes sociais?


Pensemos...