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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O futuro num passado presente



"O ano é 2020.

O caos tornou-se uma realidade. A ditadura já havia ganhado a cabeça das pessoas. As eleições nem mesmo tinham acabado e a onda de violência já era noticiada. O presidente eleito até tentou conter os ânimos durante o primeiro mês. Só que a situação saiu de controle. Os apoiadores da ditadura sentiam-se não apenas no direito mas no dever de caçar e punir qualquer opositor que se manifestasse. Esse ainda era o ano de 2019.

Medo e insegurança nos olhares das pessoas. Sair de casa era um risco de não voltar mais. Grupos radicais faziam rondas por todas as ruas e bairros de cada cidade. Isso quando a própria polícia era quem reprimia descontroladamente a qualquer suspeito. Subversão e oposição ao sistema já era um crime.

Num dia de domingo fui abordado por policiais e automaticamente acusado de subversão. Minha família foi liberada para voltar pra casa, sem nada dizer, sem ter a quem recorrer. Nesse momento, o Estado era o dono da minha vida. O castigo era inevitável. Queriam, a todo custo, e por todos os meios, que eu assumisse uma culpa que não era devida. O meu silêncio custou caro, muita dor, muito sofrimento... e um fim iminente.

A pena de morte foi instituída nos primeiros meses do novo governo. Não precisava mais de um crime para ser penalizado e mandado para o abate. Bastava apenas pensar diferente... Esse foi o meu caso. Não deixei de escrever os pensamentos que iam de encontro ao sistema opressor. Não apenas eu, mas uma leva de companheiros e companheiras, tivemos o mesmo destino...

2019 foi considerado como o ano da caça as bruxas. Uma inquisição moderna que tinha alguns tentáculos religiosos unindo forças ao Estado. A minha sentença já era certa. Seria em praça pública, porém não mais numa fogueira, como na era medieval. Um tiro, por um soldado, ou por um lunático seguidor do governo que se habilitasse. Acredito que, no meu caso, haviam muitos interessados em apertar o gatilho, inclusive amigos e parentes.

Eu tinha direito a um último telefonema e desejei falar com o meu pai. Preferi que ninguém da minha família estivesse presente, mas fiz questão de me despedir e dizer que ele também foi iludido. Não tinha mágoa e por tanto não precisava perdoá-lo de nada, mas a dor que ele carregaria seria apenas dele... 'Adeus, Pai'. E meu corpo tombou numa praça em frente a uma capela."

PS.: Foi apenas um pesadelo, mas não estamos longe disso acontecer com pessoas que amamos.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Curso de hipocrisia com Hipócrita-Liciano



Tem rodado nas redes sociais um vídeo de autoria do Deputado-Pastor Marco Feliciano[1] falando especificamente sobre o enredo da novela global "A força do querer". Como se fosse o maior gestor da moralidade humana e de uma conduta literalmente ilibada, o pastor inicia o seu merchan , sempre de maneira irônica, afirmando uma parceria entre a emissora e o tráfico. O vídeo todo é carregado de ironia. Não precisa ser gênio para entender que o foco não é apenas pagar de "bom moço que preza pela família tradicional brasileira e pelos bons costumes e bla-bla-bla"; é óbvio que o objetivo é a autopromoção de sua imagem política-religiosa.

Esse pastor é aquele mesmo que usou a Bíblia para dizer que o povo da África é um povo amaldiçoado[2], o mesmo também que estava diretamente envolvido num episódio (de tentativa) de estupro com uma jornalista e que seus comparsas de partido fizeram de tudo para abafar o caso e ainda lançaram na mídia que a vítima sofria de perturbações (Google: "pesquisar sobre").

O senhor hipocrisia também comenta que a novela ensina sobre "gerenciamento de bocas de fumo, traficantes, golpes em geral"... É pra rir ou pra rezar? Meu caro, golpes em geral o senhor já aplica desde que virou pastor e se tornou expert quando entrou na política!

Não estou em defesa da Globo, até porque ela não precisa, nem tampouco defendo o enredo da novela, mas o que se entende, o que se vê é que a novela retrata o que já acontece no cenário real. A obra televisiva não traz nenhuma novidade além do que de fato se vive além das telas. Se a estranheza de alguns hipócritas políticos e religiosos se dá por conta da realidade que se mostra na TV, então os senhores e senhoras precisam se informar melhor.

Por outro lado, se o ator, no papel de vilão, consegue fazer com que sua personagem seja tão carismática a ponto de atrair fãs e seguidores, a arte atingiu seu objetivo. Quem assistiu a série Narcos, em que o ator Wagner Moura atua como Pablo Escobar entende o que eu digo. O narcotraficante da série se tornou uma persona querida pelo seu carisma por mais que suas ações, na maioria das vezes, atentavam contra a vida humana. Na vida real, foi amado e odiado. Até hoje existem pessoas que o cultuam como um "herói" e um "santo", apesar do legado de morte que ele deixou na história. Matérias, livros, depoimentos e diversas obras mostram sobre esse bandido-herói, ou como ele mesmo se declarava: "Yo soy un bandido!"

Do mais não é nenhuma novela que vai influenciar a tendência das pessoas. Há quem nasça na favela, de frente pra boca de fumo e consiga viver a vida sem nunca experimentar droga. Existem também pessoas de classe média alta que nascem num verdadeiro berço esplêndido mas buscam uma vida de poder e glamour no crime, como o filho da desembargadora que traficava 130 kg de maconha e ainda assim sua mãe conseguiu um jeitinho de tirá-lo da prisão para um suposto tratamento, pois o bebê sofria de transtornos[3]. Para o senhor deputado que está a serviço da moral de nosso país, tome frente junto a esta situação e exija a justiça da Justiça!

Em se tratando de obras, as lutas, as guerras, os tiroteios acontecem desde os tempos dos filmes de bang-bang e faroeste quando os índios eram sempre tidos como inimigos e maus, ficando o papel de bons mocinhos para os soldados que defendiam o "forte". Ainda hoje assistimos no Brasil, já na realidade, os índios de nosso país sendo banidos de suas terras; os que resistem, morrem. Eis aí mais uma boa causa para o senhor se preocupar, caro deputado!

"Traições, jogos clandestinos, patrão do tráfico ou gerente, mulher de bandido, gay ou lésbica, golpe da barriga, mudança de sexo", isso já acontece, mano!!! Não que seja normal mas sempre aconteceu!!! Creio que na bíblia a gente também encontra traições, brigas por poder, homossexualismo, o próprio Cristo foi vítima de uma conspiração político religiosa. Hipocrisia demais! 

Já visitou alguma favela??? Já morou numa??? A questão é que certos caminhos são escolhas e outros não! Algumas coisas na vida são opções e outras são a falta de uma. Em muitos lugares que a política e a justiça não fazem o seu papel, é o crime que cuida da comunidade. Eis uma boa causa para o senhor pastor se preocupar: Vá defender os índios do nosso país e a Amazônia que o Temer está dando aos gringos. O senhor tem culpa nisso, afinal apoiou o golpe!

Linda frase do Cazuza que o pastor usa em seu vídeo: "Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro". Creio que essa seja a única frase útil no seu vídeo. Esse "puteiro" existe há mais de 500 anos, e digamos, de puteiro o senhor entende bem. Seria esse "puteiro" uma outra maldição bíblica? Diga-nos, ó venerável deputado! Outra hipocrisia deslavada é o senhor, homofóbico assumido, usar a frase de um artista homossexual para justificar suas sandices. Incoerências de um falacioso. Caro pastor, Cazuza também escreveu "A burguesia fede" e, sendo assim nobre de-puta-do, as suas palavras fedem a enxofre!!!

Assistir a este vídeo é o mesmo que assistir a uma pregação de Judas Iscariotes falando sobre lealdade, Suzane Richthofen fazendo seminário sobre amor aos pais, o “maníaco do parque” dissertando sobre a valorização da mulher, ou ainda, o mais recente caso do “tarado do busão” que ejacula na mulherada palestrando sobre bons modos e costumes em transporte público.

Se você gostou, bem, se não, foda-se junto com o pseudo pastor! 
Tchau-brigado!





[1] https://www.youtube.com/watch?v=TjvMrI-FbQs
[2] https://www.youtube.com/watch?v=w5XqfADjzzI
[3] https://www.youtube.com/watch?v=lyi6U2331Po

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Subversivando


Do tempo ao tempo procuro meus dias
Os que passaram, os que virão
Deitado na rede dos sonhos
Ora agarrado na soleira da esperança
Ironizo as dores que o corpo carrega
E aniquilo os algozes que o mundo impõe

Rasgo as regras que as sociedades forjaram na lama
E aos senhores de leis de templos e palacetes
Que manipulam destinos em nome de si
Deturpam verdades e promovem desesperança
Com o suor alheio de quem sobrevive
Vendem a fé e corrompem justiças
Meus punhos subversivos permanecem cerrados

Debruço-me na terra que foi regada de vida
As flores nascentes já tem na veia o sangue
E a utopia eterna que inflama a alma
Saúdo a história vivida com fé
Brindo o futuro sem rumo que espreita
E na certeza dos passos a luta prevalece
Na saudade de um tempo que não se vendeu
E guardou na memória as lições que aprendeu

Nos dias de guerra, nos dias de glória
Desapego das regras e me apego nas causas
Se a lição deixada continua sendo o amor
Entendível está a banalização da mensagem
Que no final da sentença o que se almeja é o poder
Na mente corrompida de quem desconhece o legado
E alimenta a vaidade de seu ego de trevas
Mas um dia esta terra sem lei que alimenta hienas
Que para poucos foi palco de vida e de sonho
De tempo e de história, luta e fé
Se deitarão os justos na honra de suas almas
Enquanto os vendilhões dessa terra afogarão em suas lamas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Sociedade Secreta: das regras à realidade.


Reza a lenda que um grupo secreto foi criado por homens com o objetivo de guardar um segredo milenar. O segredo porém, só os membros que atingissem o grau mais alto da hierarquia interna da organização, após longo e indeterminado tempo de preparo e espera, provando merecimento e lealdade, estaria apto para guardá-lo.

Antes, para fazer parte deste seleto grupo de homens distintos é necessário passar pelo crivo de membros mais antigos dentre outros processos investigativos que variam desde a conduta social, profissional e religiosa até a renda mensal, considerando para este último quesito, que o candidato deve ter uma condição financeira notável. Após ser escolhido, convidado e aprovado é necessário ainda passar pelo rito de iniciação e só assim será considerado como membro da irmandade.

O que se prega nas reuniões semanais é a necessidade da expansão da sociedade secreta, visando a ajuda mutua entre os membros, que em sua maioria exercem cargos de destaque e influência na sociedade. Há uma segunda intenção que é a de fazer algum tipo de caridade na sociedade, levando em conta a necessidade extrema de destacar os feitos, a título de honras e méritos. Tudo o que acontece no interior deve ser mantido sob segredo, sujeito a sanções para quem infringir as regras. Em épocas medievais, os que as transgrediam tinham o pescoço cortado de ombro a ombro.

A justiça, a verdade, a conduta moral e ética são pontos de extrema relevância, que cada membro deve carregar em si e exercer, para que mantenha a imagem da sociedade secreta sempre bem vista. Esse é um relato que conheço por experiência e talvez eu não tenha muita coisa pra detalhar do que vi e ouvi lá dentro mas posso dizer que o que se prega não se vive. A curiosidade me levou até lá e a decepção me fez sair.

Dias atrás deparei-me com um membro da organização que já era antigo na casa quando lá cheguei. Nosso encontro permitiu-me relembrá-lo da minha pessoa. Estou afastado a um bom tempo e isso com certeza contribuiu para a demora de sua lembrança. O fato marcante deste encontro se deu pela situação que nos deparamos. Uma sala de audiência em que eu representava a parte autora e ele defendia o acusado.

O histórico e os motivos são desnecessários mas posso garantir que minha escolha em sair desta irmandade foi certeira. Não precisamos estar inseridos em grupos, sociedades ou religiões para desempenhar o papel de um bom cidadão e ter uma conduta social ilibada, mantendo a justiça sempre à frente de nossas mais importantes decisões. O que ficou de lembrança é apenas a mais celebre palavra, tão usada por quem cobra atitudes de terceiros enquanto sua própria conduta não condiz com as regras, tampouco com suas próprias pregações: hipocrisia.

Contudo, para finalizar, escolhi a frase de um desenho animado que pode muito bem ser levada a sério, especialmente no que tange o tal segredo milenar que a poucos homens de boa fé é revelado: "O segredo do tempero da sopa de vegetais é que não existe segredo" (By: Kung Fu Panda).

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Guerra dos Mundos IX: cortaram as luzes


"O braço que detém o poder não é apenas
 forte mas é rápido, impiedoso e age
 em benefício dos que o manipulam. 
Sempre foi e sempre será assim..."

Um fato obscuro chamou minha atenção. Na rodovia de acesso ao bairro em que moro, recentemente palco de grandes queimadas arquitetadas pelos responsáveis da manutenção, cortaram as luzes de alguns postes. Num raio de aproximadamente 200 metros até a entrada principal não há iluminação pública, diga-se de passagem, aquela que pagamos mensalmente.

O motivo? Não há nenhum indício de uma pane em apenas 10 ou 12 postes, justamente naquela área que, por coincidência, é um trecho onde ocorrem alguns incêndios premeditados. Parece até teoria da conspiração mas não é. Dá para se ter uma conclusão melhor sobre o episódio.

Existe ali na entrada do bairro, num terreno grande, umas dez famílias assentadas. Creio que, entre eles mesmos, já simularam uma demarcação e cada uma ocupou sua parte. Aparenta que o terreno pode ser do Governo, mas se fosse não haveria o porquê de uma significativa empreitada contra os posseiros.

O mais provável é que existe um dono daquele espaço, que antes era apenas um terreno baldio e que já serviu de lixão. Se não há como bater de frente com os atuais ocupantes da área, o que restou foi articular para que eles não tivessem uma boa estadia em seus pseudos terrenos. Sendo assim, o passo mais favorável foi cortar a energia.

Antes do repentino apagão das luzes dos postes da rodovia, que ficam próximos a entrada do bairro, os barracos tinham iluminação. Agora, sem energia, vão ter que improvisar e resistir aos próximos contratempos do destino. Quem engenhou tais eventos, com toda certeza, se não for dono do terreno, está incomodado com a paisagem formada de barracos e seus habitantes.

Bairro Tocantins - Uberlândia - MG

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Bataclã planalto: a democracia violentada


Que a arte do bem comum deixou de sê-la a muito tempo, disso não temos dúvidas. Na verdade a política é algo primorável apenas nos livros, principalmente nos de filosofia. Na prática creio que nunca tenha atingido o ápice e o objetivo ao qual fora criado. Talvez deva entrar para a galeria dos contos. Bom, mas isso pode denegrir os bons contos da literatura e influenciar negativamente as futuras gerações. Deixa quieto.

Pior do que os políticos prostituidamente corrompidos pelas cifras do poder são os seres que marionetemente repetem as falácias oriundas das quengas do congresso como típicos papagaios de pirata. Peço desculpa aos papagaios.

Ninguém nunca estudou história? Ninguém nunca leu pelo menos para que a política de verdade serve? P*#@@!!! E agora que a merda está posta queria ver os "verdes louros desta flâmula" dizer alguma coisa que não seja desculpa esfarrapada.

Mazelas! É preciso que elas persistam. A antipolítica trabalha contra qualquer sistema de governo. A atual está escrachadamente puta e faz um trabalho ímpar para manter o caos em nível alto. 

Sinto que o bataclã tem recrutas, associados e voluntários em todos os escalões sociais. Um verdadeiro exército de pouca-prática mantidos sob uma overdose alienante e manipulável de falsas informações. 

Violentaram a democracia no instante que instauraram uma crise forjada. O que existia porém era um governo sem "braço forte" para orquestrar a bagaça. Os donos desta zona, neste instante, com certeza não estão trabalhando para sanar essa "tal crise", nem tampouco preocupados com a situação da população em geral...

E assim caminhamos todos... Entre pensadores, quengas, papagaios e nada de política.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Ditadura travestida: da revolta das quengas à insurreição dos hipócritas



Escritos em Tempos também dedica o espaço, as linhas e entrelinhas, o tempo e o verbo para registrar as aberrações apocalípticas do atual status político tupiniquim. Para quem não "veu" ou não "liu" seguem os links dos primeiros capítulos:
17/03/16 - Jeitinhos e manobras - (http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2016/03/jeitinhos-e-manobras.html);
21/03/16 - Bataclã Brasília - (http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2016/03/bataclan-de-brasilia.html);
30/03/16 - Bataclã planalto: enfim sós, PMDB e o tão sonhado trono - (http://escritosemtempos.blogspot.com.br/2016/03/bataclan-planalto-enfim-sos-pmdb-e-o.html);

Falar desse circo de horrores é foda! Não sei se dou risada da desgraça não-alheia ou se lasco de vez com minha gastrite! Direto do cabaré mais mal frequentado do (des)politizado mirante da Terra de Vera Cruz seguimos arretados com mais um capítulo do diário da quengas

Depois da revolta das biscates do Bataclã Planalto, onde os jeitinhos e manobras ficaram escancarados principalmente quando o PMDB vulgarmente mostrou-se apto a deitar-se com quem lhe rendesse mais, chegamos ao dia "d". O dia da Insurreição dos Hipócritas! Salve, salve!

O espetáculo dos horrores manchou de vez a história e os protagonistas da demente Casa fizeram jus ao venerado título que simplesmente ostentam. Independente se SIM ou se NÃO, pouquíssimos honraram o seu minuto de fama na tribuna. Dia 17/04/16 deveria ter sido um dia para nós brasileiros nos lamentarmos enquanto os olhos internacionais ririam do indecente show. Engraçado é que os papéis se inverteram, pois a lamentação acerca da tramoia partiu da imprensa gringa enquanto alguns descendentes desta terra gozavam histericamente feito loucas num bordel...

O dia "d" foi marcadamente televisionado por mais de quatro horas-aulas com verdadeiros mestres em hipocrisia. Eram como bestas soltas babando asneiras desconexas e endoidecidas com seu venenoso discurso de intolerância e ódio. Alguns nomes famosos oriundos do circo, da música, das religiões e algumas viúvas da ditadura roubaram a cena. 

E o que foi incutido na cabecinha de milhões de telespectadores foi justamente que "a continuidade da intolerância e do ódio deveria ser seguido por todos os brasileiros". Pior que não usaram de forma subliminar para repassar o legado as cidadãos, tudo aconteceu de maneira obscenamente clara.

A ditadura já está entre nós, travestidamente em vários meios. Todos os que apoiaram os discursos de seus representantes sentem-se no direito de desferir "golpes" aos que não pensam como eles. Inflamam-se como recém iniciadas quengas que almejam um dia o destaque da cafetina-mor. A previsão do Tempo é que quando você pensa que tudo já lascou geral, a tendência é piorar um pouco mais... Mas, nóis é braselero e não desésti nunca!


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Trilogia picante: Chico, Sarah e Jarbas

24/09/15 - Papa nos E.U.A.: "Se eu sou socialista, Jesus também era."
Eitaaa! Vai ter fundamentalista se revirando no túmulo!
"Herege! Comunista! Marxista! Socialista!" gritavam aqueles que queriam vê-lo condenado... Que em seu papado, Francisco não se esmoreça diante das barreiras impostas pelo poder! É nóis Chico!(Fonte: http://portalmetropole.com/2015/09/papa-nos-estados-unidos-se-eu-sou-socialista-jesus-tambem-era.html)


11/03/15 - A partir da leitura do pronunciamento de um Cardeal: Sarah...
A igreja não faz política? Jesus não fez política? Depende da óptica de quem vê e de onde se está sentado. A igreja foi construída sob pilares políticos. Fato histórico! Jesus foi um grande contraventor sócio-político. Fato bíblico! O Papa Chico está fazendo o quê neste exato momento? Cuba que o diga! Engraçado como algumas estruturas hierárquicas da instituição, ainda em mentalidade medieval, dificultam e dilapidam as tentativas da "igreja" em se tornar realmente acolhedora. Tudo em função de razões humanas, regras dos homens, hierarquia, fundamentalismo...
(Fonte: http://fratresinunum.com/2015/03/11/cardeal-sarah-faco-parte-daqueles-e-somos-muitos-que-nao-permitirao-que-a-pastoral-substitua-a-doutrina/)



23/09/15 - "Eli, Eli, Lamá Sabactâni!"
1º) André Valadão?! Pop-star gospel?! Não curto!
2º) "A minha igreja?!" Ele construiu um templo para si? O Templo do Valadão?! Como o de Salomão, do Edir Macedo?! No momento, não me interessa.
3º) Tabernáculo?! Davi?! Trombeta?! - *@#$% ?! "Jarbas?! Meu pai?! Cê é loko cachoera?" 
(Youtube: "Jarbas, meu pai?" e "Cê é louco Cachoera?"

quarta-feira, 8 de julho de 2015

A mistura de todas as coisas



Dias atrás recebi essa montagem acima e fiquei inquieto com a intenção de quem a fez e também com a inocência de quem ajudou a propagar. Em tempos de rápida viralização virtual, quanto mais carregada a mensagem, de incitação contra "certas causas", melhor. E assim se procedeu. Meu primeiro contato com a imagem foi num grupo de whatssapp e ao retornar às redes sociais após um período de abstinência pude entender algumas questões.

A repúdia maior, aqui no Brasil, começou quando Viviany Beleboni desfilou crucificada num carro alegórico durante a Parada LGBT de São Paulo no dia 07/06/15. Na placa acima de sua cruz ressaltavam os seguintes dizeres: "Basta de HOMOFOBIA com LGBT". Nem preciso lembrar-lhes que ela é transsexual, uma vez que virou notícia, vidraça e caça dos homens preservadores dos bons costumes (Malafaias, Felicianos, Paulos Ricardos, homofóbicos, preconceituosos e mais um monte de hipócritas dessa estirpe). Os hómes da lei entenderam como um chamamento para a briga. Bom, a pauta aqui não está para defender a protagonista deste enredo, muito menos crucificá-la. Já o fizeram bastante.

Mas, o que mais trouxe repercussão e causou incômodo nas alas conservadoras foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA. A partir daí o facebook possibilitou, a quem quisesse mostrar apoio a causa, colocar as cores do arco íris em sua foto de perfil.  Muitas celebridades aderiram. Foi também uma maneira de se mostrar indignado contra os reacionários homofóbicos. O assunto ganhou notoriedade tanto quanto a cultura de incitação ao ódio, provocada pela fala de quem deveria pregar o amor, teve um aumento considerável.

A foto da criança engatinhando, sofrendo pela dor da fome, pode ser do sul-africano, Kevin Karter. Se sim, data de 1993 e foi tirada no Sudão. O fotógrafo que registrou este momento em suas lentes, apesar da foto ter ganhado prêmio em 1994, entrou em depressão profunda e suicidou-se nesse mesmo ano, aos 34 anos de idade. Não suportara o bombardeio de críticas recebidas. Deixou uma carta de suicídio facilmente encontrada na internet. De qualquer forma a foto é tão antiga que muita gente não a conhecia e assim tornou-se novidade nas redes sociais e viralizou pelas vias dos ingênuos, dos inertes e dos regados de consciência mágica.

Então, vem agora o objeto destas linhas, "A mistura de todas as coisas": o que tem a ver "desigualdade social", representada na foto pela fome da criança que se arrasta no chão de terra, com as cores da bandeira que representa o movimento LGBT? Suponho que a intenção é dizer que uma causa que vale a pena lutar (no caso a fome no mundo) está longe dos holofotes, enquanto um assunto de menor significância (preconceito - casamento gay - LGBT) está estampado em várias capas e tem célebres defensores manifestando-se em massa.

Duas situações embutidas no mesmo pacote. Ambas são injustiças, merecem atenção e são de responsabilidade de todo cidadão, principalmente quando se intitula cristão. Mas (...), passaram a régua e soltaram na net. De um lado o discurso adotado é o da necessidade de acabar com a fome no mundo. Na via contrária é outro, pois são disseminados toda a intolerância e preconceito contra quem não está adequado aos padrões religiosos, sociais e culturais impostos pela ditadura homofóbica. Eu resumo como um discurso falido pela hipocrisia.

Nos dizeres da montagem, entendi que a pessoa que a fez, juntamente com todos os que compartilharam, só irão PARTICIPAR na luta da "causa (contra a fome) quando toda uma nação se unir em prol da mesma". Esquisito demais! Enquanto isso vão acomodar o traseiro e esperar. Não irão fazer mais nada por ninguém. Ou "SEJE" (*), pode o mundo acabar, pode o céu desabar, e tudo acabar em pizza que as personalidades de plantão estarão à espreita de um "grand espetáculo".

Enfim, nem tudo é o que parece ser. As personas são tendenciosas e se deixam levar pela primeira impressão visual. São facilmente manipuladas diante de uma imagem montada. Falta, então, um "quezinho" de senso crítico, senão, uma simples questão torna-se uma tremenda confusão. Aquelas velhas piadinhas que a gente aprendeu na adolescência são bons exemplos: "Não confunda: Bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha; Gentileza com gente lesa; A moribunda com amor e bunda; O homem documentado com o homem do cu mentado" dentre outras tantas. Portanto, abre o zóio e analisa sem pavoramento, pois "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa"!



Nota:
(*) Seje = A escrita correta é "SEJA". No texto foi colocado intencionalmente errada. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eu, nós mesmos e a inquisidura


Final de semestre. Férias da faculdade. Sensação de dever cumprido. Avaliação de caminhada e lembranças de um tempo bem aproveitado.

O confronto de ideias se fez necessário em belas oportunidades. E o melhor de tudo não é a satisfação por ter alcançado excelentes notas mas sim pelo processo de desconstrução e reconstrução de pensamento que possibilitou novas visões sobre o mesmo, antigo e moderno enfoque. 

Nem tudo são flores. Contemos com os espinhos. Somos pedra, mas também vidraça. Sair para um franco confronto é dispor-se a acertar e ser acertado. Risco que vale a causa. Mais importante é a disposição e o despojamento. Pena, nem todos são assim.

Tenho o privilégio de estar entre pessoas que anseiam pelo conhecimento. Origens diferentes, perspectivas também, e muito contrassenso no modo de enxergar o mesmo pontinho no quadro branco. 

De um modo geral tudo muito bem, obrigado. Colegas, amigos, irmãos, profissionais, educadores, professores, mestres, tem de tudo nesse auê. Exceções também, óbvio. Saldo positivo!

De um modo específico, dentre as coisas que faço questão de salientar, é a eloquência do discurso falido de quem se assenta na cadeira como se fosse um trono de doutor da lei e dali tece suas premonições, teses e julgamentos sobre os outros. Não se manifesta com o que é preciso mas critica a quem o fez. Porta-se de uma maneira mascarada, tudo para ficar bem na fita com a instituição. Hipocrisia.


Se fosse para vendar meu olhos, tapar os ouvidos e calar a boca, aceitando tudo o que é colocado, simplesmente para manter um status de boa cordialidade na relação, preferia nem estar ali. E sei que não estou neste meio para contrapor a tudo e a todos, nem tampouco aceitar calado quando a incoerência está gritante e atrapalhando o fluxo. O ambiente tem que ser e estar propício. 

Entendo que há quem assuma o papel de nada dizer, nem ver, nem ouvir. Fazer, nem pensar! É a santa inquisidura academicista que aparece na figura de douto da lei, o mesmo do Evangelho. Ao mesmo tempo se incomoda com quem não tem medo, nem receio, nem rabo preso para se expor. 

Já fomos tachados de ridículos por uma mazela tapada que tem medo e não aceita o processo de desconstrução. Lancei meu protesto e to aqui, to aí, pro que der e vier. Agora, porém, encerramos o período com o gosto do afrontamento através de um discurso de quem tenta manter-se no topo da cadeia, portentosa, jubilosa, regateira e mascarada. E viva a santice desvairada!

"Eu, nós mesmos e a inquisidura" ainda nos cruzaremos por aí. Aguarde cenas dos próximos períodos. 


Notas de rodapé:

"É melhor ser rejeitado por ser sincero, do que ser aceito sendo hipócrita." (autor desconhecido)

"Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo." (Raul Seixas)

"Antes ser um ridículo do que um hipócrita alienado." (Eu e nós)

sábado, 23 de maio de 2015

Deus e o diabo no sertão


"666". Uau! Este é o escrito de número seiscentos e sessenta e seis. Pensei em usar o próprio número como tema mas, parei, pensei e recuei. Haveria um certo risco de deparar-me com uma comitiva inquisidora pronta pra me levar ao julgamento. Eu seria obrigado a renunciar o meu pensamento, pedir perdão pelas palavras usadas, ser pendurado em praça pública, uma fogueira pronta pra me consumir e com a gran'sentença da ex-comunhão institucional, etc.

Putz! Viajei legal! Nada disso sô! Apesar da sensibilidade exacerbada de alguns radicais, creio que não chegariam a tanto. Levando em conta que o próprio Moreno de Nazaré, Jesus, não sentenciou a ninguém, tampouco ex-comungou, o que pensam as mazelas do poder religioso não me incomoda. Relaxem que dói menos!

O "meia-meia-meia" seria o quê, então? Algo cabalístico? Apocalíptico? Os sorrateiros doutos da fé têm uma interpretação leviana e amadora. Utilizam o tema e suas nuances para armar um circo sobre seus altares. Um verdadeiro espetáculo forjado por oportunistas que objetivam holofotes, ibope e renda. Casadinha mega-infernal, por sinal. Ou, conspiração religiosa, pois precisam evidenciar o mal para que seus mega poderes sejam televisionados.

Em poucas inteiras palavras a Bíblia trata o 7 como o número da perfeição, portanto que representa o Bem, Deus. O 666 é a imperfeição que representa o mal, portanto nunca atingirá o estado perfeito. Do mais, é conversa midiática pra vender shows, CD's melodramáticos, e livros de auto-ajuda. As instituições precisam se manter, principalmente no que tange a vaidade de seus líderes.




Pegando um gancho do grande poeta dos sertões, João Guimarães Rosa, faço agora minha travessia nesse enlace escriturístico a provocar a sã demência dos livre pensadores, contrapondo a hipocrisia disfarçada dos mestres da lei e a "bestage" dos alienados à supra-corte hierárquica.

"O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar (G. Rosa)." O sertão habita no universo de cada homem tanto quanto o bem e o mal que ele pode nutrir. O chão deste sertão é livre, quase terra sem lei ou terra de ninguém e nele se planta o que melhor lhe há de convir. Cada um planta o que tem. Se bom ou ruim, o gosto do fruto depende da escolha.

Por isso, a questão da existência do mal em tudo quanto é coisa que existe no sertão desse mundão parte muito mais da eloquente necessidade que muitos neuróticos da fé cultivam em si. Travar aquele espetáculo apocalíptico, típico de batalha de juízo final, ou star-wars, é indispensável para que na contra medida os experts da fé expunham seus multi poderes paranormais. E assim se dizem ungidos, poderosos, milagreiros. Os justiceiros do apocalipse, gladiadores do altar, e outras entidades pseudo cristãs são como os grandes inventores de anti-vírus. Primeiramente criam o vírus. Posterior, criam o antídoto e o vendem inescrupulosamente. É o sistema. Isso sim é uma conspiração de ordem social e com objetivos capitalistas e consumistas.

O fantasma do sertão de nós está extravasado do lado de dentro. Ele não se alimenta por si só. Requer trato especial, ou seja, quanto mais enfoque se dá mais ele se fortalece. Prático e necessário para a atualidade evidenciar o diabo. Pena que os sistemas de teologias usadas nos mercados religiosos servem apenas para massificar e alienar os seguidores. Construir uma cadeia de pensadores é escolha que atrapalha a fluência das valorosas bolsas religiosas.

Se a liberdade consiste em escolher o caminho, não há que insistir em endiabrar o sistema. O sertão está em todo lugar, está dentro de cada um. Nele, como todo homem que se é criação, a presença do bem e do mal existe. Da escolha de qual lado prevalecerá no controle é que dependerá a sobrevivência do errante solitário no sertão deste mundão. "Deus e eu no sertão."