O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
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segunda-feira, 8 de junho de 2015
Não! O show não tem que continuar!
Episódio de hoje: "A bagaça só termina quando digo amém! Améiiiimm?!"
Mais importante que a história a ser passada é o cenário com seus aparatos e a interpretação do elenco. O ambiente do palco tem que ser o mais perfeito possível. É preciso atingir o público, arrancar-lhe risos mas levar em conta a exacerbada preferência pelas lágrimas também. Sobrecarregar as emoções é garantir sucesso de bilheteria e aumento de público fiel. Reconhecimento, sucesso, estrelato, fama e patamares cada vez mais ambiciosos. É o que se busca.
Tudo seria normal se a realidade fosse nos palcos das artes cênicas. Não é o caso tratado neste escrito. Reconfiguremos a mesma situação num ambiente sacro, ou melhor, dentro dos pilares de uma igreja. Ousemos afunilar ainda mais e foquemos determinado movimento de uma igreja, a Igreja Católica. Chegaremos fatidicamente a um único denominador comum. Améim???
A arte de levar emoção aos fieis entranhou-se no seio dos movimentos católicos; estes que copiaram tal feito dos neo-pentecostais ao longo dos anos. O plágio não se deu somente na forma melancólica de ministrar encontros e eventos. Vai além, muito além. A imponência dos pregadores, que se portam como únicas pessoas capazes e escolhidas, se evidencia na tônica de suas palavras sempre acobertadas por um deus-castigador que lhes conferem o título de dono da fala.
Como disse, o plágio se estende além do que os olhos veem. Até mesmo a Teologia da Prosperidade, criada a partir de denominações como a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), não está mais incutida mas explicitada em atos e palavras das pregações que propiciam ao público leigo a insana interpretação de que "pessoa agraciada, ungida ou próspera, é aquela bem sucedida social e financeiramente; o contrário é o óbvio, quem não atingir e não conquistar sua graça nos moldes estipulados pela ordem dos movimentos corre o risco de levar o rótulo de amaldiçoado". Améim???
Parece arcaico mas é tão atual quanto real. Os movimentos que caminham em paralelo com a igreja tem suas regras próprias e por vezes destoam no que tange os princípios da instituição. Como diz Francisco "quem procura a igreja precisa encontrar as portas abertas e não fiscais da fé". A arte de rotular a quem não comunga da mesma ideia também faz parte da lista que fora importada de outras denominações. Apesar de que a nossa história também é rica nessa tarefa de rotular. Chega a ser uma santa e pecadora escola primeira. Mais pecadora do que santa.
Sempre me coloco em check diante dessa fala do Papa Chico. Estou sendo tão fiscal quanto os fiscais carismáticos? Ou, estou me tornando um fiscal que fiscaliza fiscais? Nem uma nem outra. O que ocorre é que não tem como evitar certos tipos de contatos e embates com pessoas que fazem do templo o seu espaço para um show particular, aonde o altar vira palco, os pregadores são os heróis ungidos que detém a palavra única de salvação e Aquele Moreno de Nazaré... Ah! É só um mero coadjuvante. Améim???
Pra conferir a balbúrdia desses encontros que se diz de oração, primeiramente passe perto da Universal e depois confira alguns encontros de Movimentos Carismáticos Católicos. A linha que separa uma da outra chega a ser somente a denominação. Verdadeiras primas siamesas. Sem querer ser "TÃO" pessimista mas tentando enxergar até onde e quando essa onda vai levar o senso crítico das pessoas, além do que a história já mostrou e diante do que concorre nesta realidade, só percebo que esse mesmo movimento tem forte tendência a se desvincular de seu berço romano e fundar sua própria instituição.
Talvez eu nem esteja por aqui pra ver esse bagaça virar a casaca, mas, por hora encerro esse monólogo de dois e sempre pensante no que ainda verei em breve. Sendo assim, para mim esse espetáculo vulgo sacro se acaba cada vez mais sem graça. Tão sem graça que os donos da bola nem se prestam a decorar o texto. O show é de improviso, o elenco é amador e sem perspectiva para melhorar; em suma, diante das palavras soltas de cada pregação, sem fundamento e sem argumento, os cabeças são destituídos de qualquer preparo. Mas, eles são "os escolhidos", né?! Quanto a nós, reles mortais, temos a opção de escolher um show de verdade para assistir, ou mudar de canal! Améim???
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
O teatro
No silêncio vazio do palco, a
solidão angustiante torna-se novamente protagonista. O que fora luzes, cores e
movimentos, com a retórica e o reflexo das palmas, agora jaz inerte por trás
das cortinas. E quando elas se encerram começa a verdadeira cena. A cena real.
Bandidos e mocinhos destrocam seus papéis. É hora de separar os meninos dos
homens. Cada espaço, cada traço, cada fala re-significa-se no íntimo de seus
atores. É hora de enfrentar a pior de todas as cenas: enterrar o herói e
encarar o seu algoz. O que fora espetáculo de sonho, amor e alegria, percorrido
por entre os caminhos da realidade, da dor e da tristeza, sucumbe aos planos e
suas dimensões. Emerge-se para a vida trazendo à tona seus piores pesadelos,
seus medos. É o mundo! Tão sóbrio e tão bêbado; ora fantasiado, ora desnudado;
onde as flechas são reais e o vermelho é sangue vivo. As flores que estão no
vaso da sala são de plástico. Não há perfume. O cenário é fictício,
mas quisera fosse verdadeiro. Pois, ali o deleite é permitido sem perjuras. És o
que és, ou o que gostaria de ser. Diga-se, de passagem, cada ato é um
romper-se de sua mesmice. E por mais que eles se repitam constantemente, ainda
assim, há motivos reencontrados. No canto da sala uma mesa e suas cadeiras. É o
recanto inocente do doce encontro planejado. Sonhos vividos no cenário de um
palco que faz da ausência do passado a esperança presente de que um dia, ainda,
quem sabe, aconteça. No desfecho de cada noite, no sombrio e escuro silêncio,
meus fantasmas me aguardam. Sorriem e me aguardam. Não ousam atentar-me a
remexer no baú. Ele também está aberto noutro canto da velha sala. De
particularidade do cenário à peça real da vida. É este palco (da vida) que
agora protesta contra a morte. Derradeira coadjuvante que espera, um dia,
encerrar o espetáculo e roubar a cena. De volta ao mundo, não sei qual dos
palcos é o mais real, o da vida emergida e encontrada na entrega dos atos de
cada cena ou a que, em sua falsa liberdade protocolizada, é obrigado a ensaiar
e viver como determinam as regras. Quando se abrem as cortinas, há sempre
esperança de que, após o fim, a magia e a beleza perdurarão. Quando se abrem os
olhos em cada manhã, há sempre um motivo para vencer seus medos. Por fim, todo
homem morre, mas nem todo homem vive. Que se abram as cortinas! É hora de
entrar em cena.
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