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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Distopias de uma cegueira social




Inocência, Ignorância e Conivência são elementos extremamente importantes que alguns líderes procuram diante da fragilidade alheia. E quando farejam, feito lobos em busca de ovelhas, partem em verdadeiras cruzadas praticando o terror psicológico até aliciarem seu rebanho que os seguem ao matadouro sem questionar.

Como administrador eu entendo as igrejas como instituições sem fins lucrativos. Assim deveria ser, somo via de regra. Mas, o que a realidade mostra são empresas isentas de impostos que hoje estão inseridas em outros setores influenciando o andamento do país. Perdeu totalmente a identidade de sua atividade fim. Uma empresa é um negócio. O mercado da fé está em alta.

Como teólogo entendo que as múltiplas denominações religiosas multiplicaram exponencialmente. A questão da fé ficou em segundo plano. Há um certo modo operante típico de um medievalismo que aplica o medo como meio de dominação da pessoa, esta que, muitas vezes cegada pela inocência, sucumbe aos caprichos de seus líderes. A função das religiões (religare) se perdeu diante do fanatismo, do ultra conservadorismo radical, das aberrações proferidas por diversos líderes bilionários, e se tornou uma verdadeira máquina de alienação. Quanto mais cegos alienados maior a continuidade e a rentabilidade.

Como estudante de psicologia, ainda me faltam argumentos científicos para expor minha óptica mas arrisco dizer que os líderes religiosos, em sua maioria, trazem o mesmo discurso, o que impõe regras, causa medo, e pune com sentenças do além a todos os que pisam fora da margem estipulada pela instituição. Tais líderes são capazes de causar histeria coletiva, cegueira intelectual e alienação exacerbada.

A religião que vive a pregar contra minorias sociais e outras religiões tem em seu cerne não os fundamentos cristãos de edificação de si e da comunidade, o amor em si, mas a estratégia escancarada para disseminação de ódio e guerra, reforçando uma rivalidade sanguinária contra quem exerce sua fé de maneira diferente. O que mais presenciamos hoje nos cultos e celebrações ditas religiosas são pregações contra a fé alheia e não mensagens edificantes de amor e paz, perdão e alegria. Acusa-se de obras demoníacas tudo aquilo que está fora dos redutos daquela denominação. Não veem as pessoas de outras denominações e fé como irmãos de uma mesma e única pátria, mas como concorrentes,  adversários e até inimigos. A luta dessas atuais pseudorreligiões é a busca incessante pela dominação global, o controle absoluto de poder, status e dinheiro. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Falsos pastores midiáticos e seus demônios de araque


 Essa imagem foi printada de um vídeo que está rolando nas mídias sociais. Um pastor, que não aparece no vídeo, a mulher e sua personagem endemoniada, uma outra mulher de vestido nas costas, que deve ser figurante de suporte, e a plateia que interage em meio a vozes de crianças. Só pelo fato de ter crianças presentes nessa situação, acredito que o Ministério Público deveria ser acionado e consequentemente até o Conselho Tutelar. 

A dramatização em si, da ordem da quinta categoria abaixo de zero, traz a voz de um pastor, que na trama exerce o papel de mediador e invocador de entidades. Ele pergunta à mulher possuída qual o nome da entidade que tomou posse do corpo de alguns nomes da política. A mulher responde, com uma voz forçada, movimentando a cabeça e os cabelos, assim como fez aquela Janaína Paschoal, certa vez, num palco de comício. Mesmo que virasse a cabeça em 360º sobre o pescoço, ainda haveria muitas dúvidas sobre a veracidade dos fatos. 

Teologicamente essa encenação fere princípios éticos sociais e de outras religiões e religiosidades, ao usar nomes de entidades que não pertencem a essa denominação. 

Religiosamente, o cristianismo verdadeiro não carrega esse fetiche de evidenciar o demônio para tirar proveito próprio: status midiático para saciar o pecado do ego. 

Casos raros de pessoas endemoniadas e a prática do exorcismo não são jamais midiatizadas e, tampouco, tratadas como um teatrinho infantil; os ritos utilizados no exorcismo, criados no seio cristão, especificamente no catolicismo, são tratados de forma rigorosa, ética e principalmente científica, e posteriormente, como questões de ordem religiosa e de fé. 

Psicologicamente pode haver alguma explicação para os protagonistas em questão, o pastor, a endomoniada e a plateia: "uma espécie de psicopatologia que oscila entre o dinamismo psicótico-paranoide-delirante e o dinamismo psicopático-perverso". 

Cinematograficamente não serve nem pra comédia, nem pras pegadinhas do Silvio Santos. 

Juridicamente, acredito que tudo se encaixa bem no artigo 171 do código penal.

Vídeo: https://www.brasil247.com/midia/pastor-bolsonarista-faz-suposto-exorcismo-em-fiel-e-diz-que-demonio-controla-lula-e-janja-video

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Deturpações da fé



"A prisão foi um propósito de Deus". Não. Não mesmo! 

Da até pra explicar por raciocínio lógico ou regra de 3. Deus é amor. Amor não fere. Deus é pai. Pai não descuida. Logo, Deus que é amor e pai, não permitiria uma injustiça dessas. 

Erros humanos acontecem e aos montes. E muita gente inocente paga por tais erros. No entanto, essa fala, vem muito do discurso neopentecostal e carismático Católico de hoje, oriundo da Teologia da Prosperidade. "Deus te dá, mas você tem que pagar por isso. Pagar no sentido de "dinheiro e bens" mesmo. Correntes como a do Edir Macedo e do Valdemiro Santiago chegam a dizer que você tem que doar tudo e depois cobrar de Deus. Você tem que exigir sua parte de Deus. 

A moça, na simplicidade e humildade, tirando forças e lições do que vivenciou, ressignificou o pesadelo creditando a Deus todo o ocorrido. Como que, Ele quisesse lhe dar uma lição por um bem maior.

Muitas coisas acontecem por consequência de nossas escolhas ou por erro de terceiros, como no caso dessa moça. Mas, é tranquilo entender as palavras dela. E, por outro ângulo, não está errada levando em conta que toda religião, com raras exceções, traz esse tipo de argumento. 

Dentro da própria família sempre ouvimos desde cedo que Deus castiga, e por aí vai. Em outras situações, muita gente vive na miséria, e ouve nas igrejas que isso também é um propósito de Deus. "Deus está te provando!" 

Ao contrário do que a religião deveria ser e fazer (ser libertadora e praticar a libertação), ela acaba alienando e fazendo a pessoa acreditar que tudo isso seria um desígnio de Deus em sua vida. 

É extremamente importante, para quem crê, buscar a verdade para além das falácias oriundas dos empresários da fé e dos movimentos que corroboram para manter os fieis presos por medo a um Deus castigador, que já não cabe na sociedade já tem mais de 2000 anos. 

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Efésios 4,11

Um dia desses uma pessoa tocou o interfone do meu trabalho. Pude ver pela câmera que era um rapaz, aparentemente de uns 35 anos de idade. Ele identificou-se como alguém que estava fazendo o trabalho espontâneo de levar mensagens bíblicas nas casas das pessoas e chegou a se intitular como um pregador da Palavra de Deus. Então, pediu-me 5 minutos para que pudesse falar pessoalmente comigo. 

Naquela hora não podia atendê-lo e expliquei a situação. O rapaz insistiu e eu expliquei novamente que não poderia mesmo. Então ele pediu-me para que lesse um trecho da Bíblia: Efésios 4,11. Eu respondi "tudo bem" e ele repetiu em alto e bom tom: "Efésios 4,11". Fiquei curioso e no mesmo instante acessei a internet (https://www.bibliaon.com/versiculo/efesios_4_11/)  para ler a mensagem: "E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, [...]"

Aí fiquei na dúvida de entender onde estaria a mensagem para a minha pessoa, para a minha reflexão, para o meu dia ou para a minha vida. Não havia nada de específico nesta passagem sugerida e isso me intrigou. Comecei a pensar na fala e no modo com que o rapaz se pronunciou no interfone. "Eu sou um pregador e venho trazer a palavra de Deus". 

Entendi que a passagem sugerida era algo que apenas justificava o fato dele estar ali fazendo essa espécie de "trabalho voluntário". Porém, alguém que quer fazer algo espontâneo não precisa se justificar, ainda mais com uma passagem específica da Bíblia. Considerando o momento atual em que vivemos, acredito que a mensagem que deveria ser levada às pessoas seria através de palavras de fé, otimismo e esperança, dentre outras. 

Posso estar fazendo um julgamento equivocado da situação, mas levando em conta o número excessivo de pessoas que usam da boa fé alheia para lhes roubar o tempo, o dinheiro e a própria alma, deixando-as não apenas alienadas às regras de determinadas instituições mas também psicologicamente dependentes de um certo tipo de submissão pseudorreligiosa, ando extremamente atento. 

Os espertos buscam presas fáceis à exploração mas, como eu já disse e repito, "posso estar equivocado na forma de pensar", porém nada me tira da cabeça que aquela abordagem era algo muito mais além de levar uma mensagem bíblica. No fundo me arrependi por não ter atendido, assim eu teria certeza sobre o que de fato o rapaz queria além de, de forma direta ou indireta, intitular-se como um designado segundo Efésios 4,11. Minha dúvida é: "Será um homem de Deus ou um bandido da Fé?"

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"Meo Deos"


"Porque o meeeo Deos é um Deos de prosperidade! Porque o meeeo Deos é um Deos de fartura! Porque o meeeo Deos... é o Deos."

Bom, primeiramente, se existisse um deos para cada pregador, seja este um carismático católico, evangélico tradicional, pentecostal ou neopentecostal, que teima em exaltar o seo deos como se somente ele tivesse acesso direto a esse deos, nesse exato momento haveria uma superlotação de deoses no Céu ou no Olimpo. Engraçado é que esses discursantes se gabam e se colocam num pedestal diante da plateia hipnotizada, esta que compra a ideia de milagres imediatos providenciados com o deos do falastrão. Consideram eles, bem confortáveis de seu diferenciado patamar, que são canais únicos e que possuem um contato restrito com o seo deos, o que a maioria dos mortais não alcançam. Diga-me, ó sábio guru, de onde vem esse ópio que você utiliza?

O discursante, o discurso e o discursado, três partes de um contexto real e atual que compõem uma espécie de trama religiosa alá novela mexicana, que não muda em nada de uma para outra, uma vez que os adjetivos são sempre os mesmos, em suma pura água de batata. Hipocrisia, exagero falacioso e ignorância ou inocência, esses são os adjetivos encontrados em cada uma das partes simultaneamente.

A questão é simples, os discursantes (palestrantes, pregadores ou melhor ainda, discurseiros sem graça), por não terem mais o que inventar em seus falatórios exagerados ao seu público fiel, estão fazendo um caminho regresso à idade média, prometendo absurdos futuros e cobrando um preço caro e imediato. Discursos regados de entonações desafinadas, gritarias, línguas estranhas formam o esboço de um espetáculo da fé, e que através da mídia, é capaz de arrastar e alienar os desajuizados. Os discursantes, a grande massa, o alvo predileto das bandeiras religiosas, pois é essa maioria, ora inocente, ora ignorante ou ainda, se faz de cega-surda-muda, que sustenta os detentores da grande moral, diga-se de passagem, cristã.

Não há que se poupar nenhuma bandeira religiosa. Todas carregam não apenas o rastro de seu passado mas uma série de eventos atuais que contribuem para a o retrocesso do ser humano. O ser humano, em si, ainda não se sente à vontade para questionar os pilares institucionais da fé. O medo de blasfemar contra o um pseudo-sagrado e ser condenado ao inferno ainda assombra suas mentes.

Enquanto isso, cada um vai criando o deos que lhe convém...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Desencapetamento na enxurrada


Então, uai! Era ontem, umas 21 horas e chovia muito. Eu voltava da missa. Passei por uma rua e escutei uma gritaria. Fui devagar e logo avistei uma cena, que está ficando comum aqui no bairro. Três pessoas embaixo de uma árvore enfrentavam a chuva e o "demonho". Uma delas ainda lutava contra a forte enxurrada.

Uma mulher fortona e um homem seguravam uma outra mulher deitada no chão. Ela se debatia, chorava, e falava esquisito. Deve ser porque a enxurrada estava muito forte e vinha de encontro à sua cabeça. Isso mesmo. A cena foi num palco improvisado. Sem muita plateia, porém. Apenas duas vizinhas que saíram ao portão e eu, transeunte novamente agraciado por mais um episódio da série "desencapeamento total". Estou colecionando essas pérolas. Já é a terceira ou quarta, se não me engano.

Como desconheço as pessoas vou sugerir alguns nomes para identificá-las na minha narrativa: a "Fortona" que com certeza deve ser a pastora exorcista (redundante né, pois todo (a) pastor (a) se auto intitula exorcista); o "Assessor", que é o rapaz que ajudava a segurar a outra mulher; e a terceira, que é a "Vivi", abreviatura íntima de "vítima".

A Fortona gritava e gritava muito bem no pé do ouvido da Vivi. O Assessor apenas cumpria sua função enquanto a pastora dava um banho de enxurrada na vítima aos som das velhas frases clichês: "Sai capeta! Sai demonho! Eu te ordeno, em nome de Jesuiz!"

Para saber o desfecho precisei passar pelo menos três vezes no local. Como da última vez o capeta saiu com a chegada do bombeiro que aplicou uma glicose ungida na "possuída" (pelo álcool), resolvi acompanhar mais de longe. E o medo da Fortona me jogar na água suja da enxurrada, hein?! Até explicar que não tava encapetado, já teria engolido muita água suja!

Enfim, na última passada pela cena, os três protagonistas já estavam em pé. Vivi estava abraçada com o Assessor e ambos agradeciam e se despediam da Pastora Fortona. Acho que o desencapetamento foi concluído com sucesso. Bom, não tinha muita opção para a vítima, porque ou mostrava melhora ou se afogaria com capeta e tudo. "Só sei que foi assim..."

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O capeta anda mal falado no bairro

Meu bairro é o bicho pegando. Tem de tudo e para todos os gostos. Gente boa, bonita, rezadeira, trabalhadeira e que pega no batente antes mesmo da lua se esconder. Mas tem também a galera da muvuca, das noitadas, das quebradas, da vadiagem, da fuleiragem, os que gostam da marvada pinga, os fãs do cigarrinho do barato doido e os que incorporam o demonho. E o episódio de hoje é sobre um desses possuídos.

As igrejas neo-pentecostais, aquelas da teologia da prosperidade, bem como algumas alas católicas, têm investido alto na implantação da cultura do medo. Capetizando a torto e a direito, vão massificando os fieis sob a tutela de suas exageradas leis e consequentemente propagando a condenação ao inferno quando os mesmos não caem em suas pregações alienantes. A expansão dos templos, com denominações criativamente diversas, é simplesmente fenomenal e a busca por um lugar que contemple os anseios pessoais de cada fiel se caracteriza na constante migração de uma igreja para outra. Na verdade é um cliente que de fiel não tem nada.

A partir desse ponto e com tanta informação sobre o capiroto (demonização, capetização, possuimento), os fieis são portadores de um conhecimento típico dos pregadores despreparados que usurpam a boa fé das pessoas de bem. 

Chegando no bairro, novamente me deparo com umas trinta pessoas na esquina ao redor de um rapaz que, no exato momento, estava seguro por um outro homem. Perguntei para um telespectador o que havia acontecido: "Tá possuído! Tá com o demônio no corpo! Mas aqui não tem ninguém com o Espírito Santo, capaz de fazer ele ficar bom!"

O conhecimento popular não me permitiu hesitar nem por um minuto e já perguntei na lata: "Ele usa drogas?" E foi quando a senhora respondeu: "Tinha parado..." Bom, não sub-julgando e nem condenando (...), mas outro dia uma mulher estava endemoniada na avenida principal aqui do bairro. Enquanto o pastor tentava curá-la eu liguei pros Bombeiros. Ela tomou uma injeção ungida de glicose que a fez reencontrar sua paz. Cessaram os gritos, os coices, as vozes esquisitas, os choros, os risos, os palavrões e ficou somente uma espécie de amnésia necessária, típica de quem bebeu todas e tem vergonha de se lembrar dos episódios passados.

Tomei o rumo de casa e passei devagar próximo às pessoas que assistiam o rapaz, que segundo os especialistas populares de plantão, estava possuído e não havia nenhum ungido ali capaz de fazer uma descapetização. Nesse caso, nada melhor do que uma glicose benta para tirar qualquer encosto e livrar o capeta dos falatórios exagerados. 

"Toca", terrinha boa! Sempre tem um bom causo...

Acredito que em Piraju essas coisas não aconteçam.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Debandada das massas

Primeiramente, há de se pensar na escravidão que assolou o passado histórico da humanidade. Será que realmente o ato de libertação dos escravos fez por onde? Libertou ou mascarou as atrocidades? A libertação foi apenas um marco ou de fato foi um pontapé para que as minorias se tornassem livres e independentes da tirania de seus senhores? 

Além dessas duas questões que abrem as fronteiras da dúvida sobre o que de fato aconteceu na história e acontece mascaradamente na atualidade, numa terceira visão, percebo que os senhores de escravo apenas mudaram de nomenclatura e a escravatura mudou de cara. Alguns, inclusive, usam o nome de Deus para implantar a sua ideologia de vida ou o seu sistema teológico de arrecadação, que depende dos ganhos gerados pela mão de obra escrava, alienada e massificada.

O tempo é sempre o melhor remédio, dizem-nos os mais antigos. E a maior novidade é que "nenhuma novidade se eterniza em primeiro lugar no seleto podium", pois num determinado momento será destronada por outra que será mais completa, mais abrangente. Em suma, o ciclo é rotativo. E essa rotatividade também acontece bem no centro do campo das religiões.

Há algo explodindo neste meio, o das massas. Muitas pessoas já se libertaram da culpa que as religiões mais antigas incutiam-lhes, quando procuravam sustentação espiritual e conforto em outras denominações que não fossem a sua de origem. Os líderes, não poucas vezes, condenavam e condenam os infiéis desgarrados que encontram seu caminho em outros templos. Esse medo gerado no âmbito das religiões já não afeta tanto. As pessoas evoluíram e passaram a compreender mais sobre Deus.

Nosso momento está voltado, principalmente, para o pluralismo religioso. E é justamente nesse ponto que evangélicos e carismáticos perdem força. Por um lado, as pessoas sentem a necessidade de se complementarem-se espiritualmente e nem sempre encontram e recarregam sua fé somente numa determinada religião. Por isso, cresce a busca constante por novidades que superem suas expectativas. 

Em segundo lugar, os eventos neo-pentecostais evangélicos, seguido pelo evento carismático católico, elevaram e resumiram a relação busca-encontro-fé-graça (ou milagre) a um momento de pura emoção. Não que não existam resultados potenciais. A questão é que esse "boom" atingiu uma escala altíssima e, de tão alta, não há mais novidade no que se pode esperar. Em suma, as coisas simples ficaram de lado. Sempre se espera um portentoso encontro ou evento ou culto ou missa em que, ao se derramarem em lágrimas, estará certo de que obtiveram o milagre solicitado. Este encanto tem se quebrado gradativamente.

Há também uma terceira questão em evidência, líderes religiosos que não atingem o seu objetivo e fiéis que buscam sempre mais shows do que a essência das palavras são pontos que também podem levar a evasão da massa das igrejas. 

E, em se tratando de debandada, as pessoas vão adquirindo experiência. Já não é uma palavra gritada pela boca de um líder religioso que tocará seu coração. De uma forma ou de outra, percebo que nesse pula-pula de denominação, elas também agregam conhecimento e, por vezes, desistem de seguir as leis dos templos tecendo o seu próprio caminho de diálogo com Deus.

Seja por qualquer um desses motivos, ou de outros não citados aqui, acredito que esses são passos importantes para a libertação das pessoas frente aos sistemas que tendem a massificá-las. Encerro então com outra velha e conhecida frase: "A Casa Grande pira quando a senzala se liberta!"

"Exija de Deus a sua parte"


Sim! É realmente com essa fala - "Exija de Deus a sua parte" - que o empresário-fundador-pastor da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) ministra suas pregações no altar de seu portentoso Templo de Salomão. Claro que há uma continuidade nessa fala que justificam-se os meios, os seus próprios meios: "...se você, enquanto cristão, fizer a sua." Basta um click no google e você terá um arsenal repleto de falas, mensagens, vídeos solicitando uma ajudinha dos fieis para as obras de seu Reino.

Exigir de Deus a sua parte enquanto o cristão fizer a sua, isenta a instituição e sua teologia de qualquer coisa que não dê certo na vida da pessoa, faz o indivíduo sair debaixo da saia do pastor. É uma jogada de mestre, não podemos negar, mas há controvérsias. A internet está repleta de pessoas que moveram ações judiciais contra a Universal por terem seguido a risca, doado tudo, e ficado na miséria. Por outro lado as falas dos designados bispos estão, além de inovadoras, cada vez mais abusadas. Pede-se cartões com senha, carros, casas, doações com valores altíssimos, dentre outras bagatelas.

Fazer a sua parte, essa é a máxima que os seguidores da IURD devem obedecer, ou seja, parte essa que não significa simplesmente atos de bondade e caridade e amor ao próximo. O objeto dessa fala está diretamente ligado às ações que as pessoas devem ter em relação à sua instituição, cumprindo todos os requisitos espírito-financeiros. Estão eles errados? Digo que não. Alienados, talvez. O que move aquelas pessoas é a fé, além do receio de não obterem a salvação por descumprir os desígnios do bispo Macedo e, ao contrário, ganharem a condenação eterna ao inferno. Mas sendo a fé um elo que liga a Deus, espero que Ele liberte os cativos e oprimidos das garras dos poderosos.

Edir é um cara inteligente, desenvolto, tem feeling para os negócios, visão-audição-lábia-olfato-tato devidamente aguçados. Construiu o seu próprio império, fruto do suor alheio arrancado em suas pregações alicerçadas na teologia da prosperidade. Dono, também, de um crescente e expansivo canal de TV. Sabe muito bem como entrar na mente do seu público fiel e colocá-lo em check com Deus.

Tem outros impérios em evidência por aí. Tomei a liberdade de falar apenas da IURD porque é uma das mais antigas e ainda em atividade crescente. Assembleia de Deus (Silas Malafaia), Igreja Mundial (Valdomiro Santiago), Igreja Internacional da Graça de Deus (RR Soares) são algumas das opções no mercado evangélico. Do lado Católico, temos algumas comunidades e movimentos, cito a CN (Canção Nova, fundada pelo Monsenhor Jonas Abib) e a RCC (Renovação Carismática Católica), ambas xerocópia do movimento neo-pentecostal.

Enfim, para finalizar essa cena, uma vez que as cortinas do show ainda não encerraram-se, devemos ter sempre em mente o livre-arbítrio, seja ele alicerçado pela nossa fé, pela nossa experiência de indivíduo em sociedade ou em ambas as situações. Sempre haverá um mentor para cabular a mente das pessoas porque nem todas estão preparadas para filtrar o conteúdo das mensagens enfadadas e deturpadas. A messe é grande, os operários são poucos, a matilha cresce deliberadamente e no momento existe um crescente número de lobos cercando ovelhas e conduzindo-as para um determinado pasto.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Meu bom ateu


Andarilha pelos becos à procura
Das indigências expelidas pela realeza,
A besta sociedade que se endeusa de poder,
E toma para si as graças terrenas da sorte
Como os nobres romanos divinizados pelos seus feitos
Aclamados e glorificados feito deuses

Andarilha pelos becos à procura
De toda gente sem sorte
De quem sobrevive à margem real
E cura com lágrimas e sangue
O câncer de cada faminto andante
No abraço desmedido e sem barreira

Andarilha pelos becos à procura
Do Deus da nobreza que salva a realeza
E pune a massa escalpelada e empobrecida
Vira as costas pra miserável fome
Esquarteja e maltrata a quem não o teme
Desqualifica o maldito por ser pobre e sem vez

Andarilha pelos becos à procura
Um ser sem regras, sem quimeras
Destorpecido das fadadas leis morais
Protegido contra o Senhor vingador
Que a sociedade deturpou e matou
Eis um homem sem o vitimizado Criador
És um santo descrente e sem deus
Andarilha por aí o meu bom ateu

sábado, 16 de julho de 2016

Guerrilha por Deus sem Deus

"Dá-me teus pertences
É Deus que te ordena
Dá-me teus bens
Dá-me teu suor
Dá-me teu sangue
DÁ-ME TUA VIDA!
Não ouses desobedecer
Não atreva-se a questionar
Ele há de castigar os subversivos
Ao fogo eterno do inferno
Portanto, não relute
DEUS QUER TUA VIDA!"

É isto que se escuta por aí
É isto que se comercializa nos templos dos algozes
Toca de lobos, forasteiros, carniceiros
Fábrica de massificação
Manipulação de mentes
Ópio maldito
Alienação de famintos

Essa guerrilha moderna
Que se destrava escandalosamente
Em nome de Deus
Jamais teve Deus 
Em seu cerne, apenas bandeiras
Do dinheiro, da ganância, do poder
Em nome de Deus, a exploração inescrupulosa...

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Precisa-se: pregadô e cantô



Domingo. Dia em que acontece as mais variadas celebrações religiosas nos infinitos templos que se instauram da noite para o dia. Templos estes que vão desde os casebres mais modestos aos magnânimos palácios repletos de adornos. 

E foi exatamente no dia 22/11/15, que ao passar perto de um desses, escutei a seguinte pregadura, pela voz de um pastor, creio eu: "Precisamos de bom pregadô, de bom cantô (...)". Óbvio que é uma frase dita dentro de um determinado contexto ao qual não tenho conhecimento por completo. Como se diz, peguei o rabo da conversa

Nem sei na verdade o que de fato comentar sobre. Me esforço para ampliar os horizontes dessa frase e assim tentar entender a cabecinha do homem que verbalizava na tribuna. Em vão. Havia eloquência na pronúncia, tipo aquela que se vê e escuta nos shows milagreiros de fé. Nenhuma novidade nisso, uma vez que a maioria das denominações cristãs tem em seu portfólio o mesmo discurso, as mesmas práticas, os mesmos produtos que ao final ultrapassam o absurdo. Um absurdo sem a devida Graça. Apenas... show, onde a fé é o produto, os fiéis são os clientes, e quem não conhece que compre! 

Quem estiver qualificado para essas vagas de pregadô e cantô enviar curriculum vitae ou comparecer pessoalmente no local mais próximo de sua residência. 

A gente perde o amigo mas num perde o comentário. Améimmmm?!?!?



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Trilogia picante: Chico, Sarah e Jarbas

24/09/15 - Papa nos E.U.A.: "Se eu sou socialista, Jesus também era."
Eitaaa! Vai ter fundamentalista se revirando no túmulo!
"Herege! Comunista! Marxista! Socialista!" gritavam aqueles que queriam vê-lo condenado... Que em seu papado, Francisco não se esmoreça diante das barreiras impostas pelo poder! É nóis Chico!(Fonte: http://portalmetropole.com/2015/09/papa-nos-estados-unidos-se-eu-sou-socialista-jesus-tambem-era.html)


11/03/15 - A partir da leitura do pronunciamento de um Cardeal: Sarah...
A igreja não faz política? Jesus não fez política? Depende da óptica de quem vê e de onde se está sentado. A igreja foi construída sob pilares políticos. Fato histórico! Jesus foi um grande contraventor sócio-político. Fato bíblico! O Papa Chico está fazendo o quê neste exato momento? Cuba que o diga! Engraçado como algumas estruturas hierárquicas da instituição, ainda em mentalidade medieval, dificultam e dilapidam as tentativas da "igreja" em se tornar realmente acolhedora. Tudo em função de razões humanas, regras dos homens, hierarquia, fundamentalismo...
(Fonte: http://fratresinunum.com/2015/03/11/cardeal-sarah-faco-parte-daqueles-e-somos-muitos-que-nao-permitirao-que-a-pastoral-substitua-a-doutrina/)



23/09/15 - "Eli, Eli, Lamá Sabactâni!"
1º) André Valadão?! Pop-star gospel?! Não curto!
2º) "A minha igreja?!" Ele construiu um templo para si? O Templo do Valadão?! Como o de Salomão, do Edir Macedo?! No momento, não me interessa.
3º) Tabernáculo?! Davi?! Trombeta?! - *@#$% ?! "Jarbas?! Meu pai?! Cê é loko cachoera?" 
(Youtube: "Jarbas, meu pai?" e "Cê é louco Cachoera?"

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Pare: verdades loucas e pensantes!


É necessário o vírus para se vender o antivírus. É necessário a doença para se vender a cura. É necessário a miséria para que a elite prevaleça. É necessário o inferno para se vender o céu. É necessário o caos para sustentar o sistema. Conspirações? Não somente. Na verdade, são conspirações capitalísticas e capetológicas de um sistema prostituído e possuído pela ganância. (10/08/15)



Lei da atração ou "olho por olho, dente por dente"? Um dia o Pe. Marcelo Rossi se recusou a dividir o palco com "Vera-Verão". Chamou o artista de aberração. Dessa vez o padre foi vetado pelo ditador da Teologia da Prosperidade. Nessa briga de gente esquisita qualquer um que perder foi tarde. (16/08/15)


Olha a intervenção militar chegandooo! Cascavel (PR), um artista caracterizado de palhaço, fazendo da praça o seu picadeiro, foi preso ao dizer a verdade sobre o sistema ditatorial que rege o Estado. E tem gente que pede sem saber o quê! (16/08/15)

sábado, 25 de julho de 2015

Brilho e glamour VS um cabeludo língua solta


Um carro é estacionado à beira da calçada do outro lado da rua. Era uma noite tranquila e sem frio. Do veículo apeiam pessoas estilosas em suas roupagens classe média alta. Perfumes chiques se misturaram no ar. Gel no cabelo dos rapazes e maquiagem no rosto das moças davam o ar de uma noite glamourosa.

Abriram o porta-malas e começaram a descer alguns instrumentos. Era uma banda. Logo, um cortejo de fãs atravessou a rua ao encontro dos artistas. Carregaram suas bagagens até o local do show. Uma última olhada no vidro do carro para conferir o ajuste das roupas e pronto. Os cantores e instrumentistas seguiram em meio aos expectadores fiéis com cumprimentos, selfies e autógrafos.

Mas tinha alguma coisa errada! Do outro lado da rua, o destino daquele alvoroço de pessoas, não haviam casas de shows. O que havia era um supermercado, um sacolão, uma loja de ração de animais e uma igreja. Uepaaaa!!! Desacelerei as minhas passadas e fiz questão de observar até que as costas do último dos súditos ultrapasse os pórticos do recinto.

Sim. Era uma igreja. Não preciso dizer qual a denominação porque isso é recorrente em todas, sem exceção. Continuei minha caminhada mas, por hora, pensante na situação que visualizei. Lembrei-me da chegada daquele dito forasteiro, que se tornou conhecido por sua língua solta, ao chegar em Jerusalém montado num burrinho. É, esse Cara mesmo! Aquele moreno de Nazaré, cabeludão, barbudo, amigo das putas, dos ladrões, defensor dos oprimidos e excluídos. Incluamos aqui os gays, lésbicas, transsexuais, e outros.


Não esperei para ouvir o show, nem tampouco ver, pois meu traje era inapropriado e eu estava suado. Na verdade nem sei se teria alguma vestimenta típica para aquele portentoso evento. Também não sei se eu poderia chegar lá na cara dura e dizer: "E aí?! Beleza?! Cheguei! Vim assistir... o que vocês vão fazer aí!" É, não rolaria mesmo!

Então volto para casa inquieto com este contraponto de situações. De um lado um cara com mais de dois mil anos de história e fama que prega amor, humildade, perdão e oferece a quem quer segui-lo que se desapegue das coisas materiais. Do outro um bando de gente que usa o nome desse mesmo cara para alcançar fama, status, nobreza e enfim propor uma salvação deturpada de sua forma original, com promessa de prosperidade material.

Hoje, ao ler sobre uma obra a ser publicada da vida de Rubem Alves, ex-pastor protestante, escritor, poeta, professor, mestre, e que deixou um legado literário, inclusive para a Teologia, considerei pertinente trazer aqui para este enredo um de seus pensamentos: "Sempre entendi que o Evangelho é um chamado a liberdade." E tudo o que não gera libertação é sintoma de opressão e alienação. Ele também usou a seguinte frase na área da educação, a qual acredito, que se encaixa muito bem no campo da religião: "Há religiões que são gaiolas. Há religiões que são asas."

Que ninguém se obrigue a concordar com este pensamento. E tomara que pelo menos incomode ao ponto de outras ideias surgirem. O importante é não se deixar iludir pelo brilho e glamour que camuflam a essência do Evangelho e da liberdade.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Não! O show não tem que continuar!


Episódio de hoje: "A bagaça só termina quando digo amém! Améiiiimm?!"

Mais importante que a história a ser passada é o cenário com seus aparatos e a interpretação do elenco. O ambiente do palco tem que ser o mais perfeito possível. É preciso atingir o público, arrancar-lhe risos mas levar em conta a exacerbada preferência pelas lágrimas também. Sobrecarregar as emoções é garantir sucesso de bilheteria e aumento de público fiel. Reconhecimento, sucesso, estrelato, fama e patamares cada vez mais ambiciosos. É o que se busca.

Tudo seria normal se a realidade fosse nos palcos das artes cênicas. Não é o caso tratado neste escrito. Reconfiguremos a mesma situação num ambiente sacro, ou melhor, dentro dos pilares de uma igreja. Ousemos afunilar ainda mais e foquemos determinado movimento de uma igreja, a Igreja Católica. Chegaremos fatidicamente a um único denominador comum. Améim???

A arte de levar emoção aos fieis entranhou-se no seio dos movimentos católicos; estes que copiaram tal feito dos neo-pentecostais ao longo dos anos. O plágio não se deu somente na forma melancólica de ministrar encontros e eventos. Vai além, muito além. A imponência dos pregadores, que se portam como únicas pessoas capazes e escolhidas, se evidencia na tônica de suas palavras sempre acobertadas por um deus-castigador que lhes conferem o título de dono da fala.

Como disse, o plágio se estende além do que os olhos veem. Até mesmo a Teologia da Prosperidade, criada a partir de denominações como a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), não está mais incutida mas explicitada em atos e palavras das pregações que propiciam ao público leigo a insana interpretação de que "pessoa agraciada, ungida ou próspera, é aquela bem sucedida social e financeiramente; o contrário é o óbvio, quem não atingir e não conquistar sua graça nos moldes estipulados pela ordem dos movimentos corre o risco de levar o rótulo de amaldiçoado". Améim???

Parece arcaico mas é tão atual quanto real. Os movimentos que caminham em paralelo com a igreja tem suas regras próprias e por vezes destoam no que tange os princípios da instituição. Como diz Francisco "quem procura a igreja precisa encontrar as portas abertas e não fiscais da fé". A arte de rotular a quem não comunga da mesma ideia também faz parte da lista que fora importada de outras denominações. Apesar de que a nossa história também é rica nessa tarefa de rotular. Chega a ser uma santa e pecadora escola primeira. Mais pecadora do que santa.

Sempre me coloco em check diante dessa fala do Papa Chico. Estou sendo tão fiscal quanto os fiscais carismáticos? Ou, estou me tornando um fiscal que fiscaliza fiscais? Nem uma nem outra. O que ocorre é que não tem como evitar certos tipos de contatos e embates com pessoas que fazem do templo o seu espaço para um show particular, aonde o altar vira palco, os pregadores são os heróis ungidos que detém a palavra única de salvação e Aquele Moreno de Nazaré... Ah! É só um mero coadjuvante. Améim???

Pra conferir a balbúrdia desses encontros que se diz de oração, primeiramente passe perto da Universal e depois confira alguns encontros de Movimentos Carismáticos Católicos. A linha que separa uma da outra chega a ser somente a denominação. Verdadeiras primas siamesas. Sem querer ser "TÃO" pessimista mas tentando enxergar até onde e quando essa onda vai levar o senso crítico das pessoas, além do que a história já mostrou e diante do que concorre nesta realidade, só percebo que esse mesmo movimento tem forte tendência a se desvincular de seu berço romano e fundar sua própria instituição.

Talvez eu nem esteja por aqui pra ver esse bagaça virar a casaca, mas, por hora encerro esse monólogo de dois e sempre pensante no que ainda verei em breve. Sendo assim, para mim esse espetáculo vulgo sacro se acaba cada vez mais sem graça. Tão sem graça que os donos da bola nem se prestam a decorar o texto. O show é de improviso, o elenco é amador e sem perspectiva para melhorar; em suma, diante das palavras soltas de cada pregação, sem fundamento e sem argumento, os cabeças são destituídos de qualquer preparo. Mas, eles são "os escolhidos", né?! Quanto a nós, reles mortais, temos a opção de escolher um show de verdade para assistir, ou mudar de canal! Améim???