O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
As dores da existência
Qual é o seu lugar seguro?
quinta-feira, 14 de março de 2024
Devaneios solo
O mundo me cansa
Estou cansado
Fadado a acumular dores alheias
E poeiras de outras tempestades
Meus desertos, minhas cartas, minhas travessias
Vivem um dessentido imediato
Meus ventos refrescam a face
E a dor que nas costas se acumula
De fardos que teimei não descarregar
E sobrepesam meu caminhar
Que já vagueia entre nuvens de razão
Mordaças de emoção
Entre esperanças sem sentido e miragens do coração
Lá fora o barulho dos motores
Como o estrondo da explosão de outras guerras
Me invocam para as inquietações
Vivo meu calabouço de silêncio
Sentenciando-me à solidão do tédio
Ou, da espera, que me aflige
Esperas, talvez, sem porquês
A corrida agora é de um tempo
Que se perdura no limiar da passagem
Dia e noite, noite e dia
Sombras e ventanias
Que perseguem, ora varrem
As miragens, os sonhos, as dores, os amores
E ficam marcas do que nem vi acontecer
Porque, talvez, deixei de viver...
Mas, quando olho para elas,
Tenho ciência de que estive em algumas lutas,
Batalhas, becos, estradas
Perigosas, tortuosas, ardilosas,
Trincheiras e abismos
Montanhas e desertos
Ferido ou matado
Entre luas e pensamentos
Sonhos e tormentos
Apostando contra o tempo
De que em algum momento
A dor será vencida
A vida será vivida
E o amor será amado
terça-feira, 5 de dezembro de 2023
Um dedo de prosa, um cheiro de rosa
quarta-feira, 28 de junho de 2023
Sol da primavera
Império do Tempo - o querer
O império do tempo
sexta-feira, 12 de maio de 2023
Deixei de me amar
Implorando por um olhar para dentro de minhas próprias estruturas
Que sucumbiam ao relento da solidão
Enxergando apenas a aura da companhia desejada
Por te amar tanto assim
Aceitei o seu muito que me era tão pouco
sexta-feira, 10 de março de 2023
A visita
A instituição em si, no quesito estrutura física, lembra muito os relatos de um sistema institucionalizado. Foucalt descreve isso em Vigiar e Punir. Muros e grades ao redor, portões trancados, segurança para proteger os internos e as chaves sob custódia de um responsável para abrir os portões externos. Escolas, manicômios, internatos, presídios seguem a mesma linha de infraestrutura e organização, porém cada instituição com seus objetivos e finalidades.
Quando adentrei na primeira sala juntamente com meus colegas, já me deparei com algumas pessoas em cadeiras de rodas. A sensação é de comoção, de dó, pena mesmo... Imagino sempre como é perder algo tão vital quanto a liberdade, estar impossibilitado de fazer as coisas que gosta e que tem vontade e, em contrapartida estar dependente de terceiros. É a dor alheia me absorvendo, doendo em mim, e me fazendo refletir além do que vejo. Penso quantas histórias essa pessoa já viveu, o que a levou até este lugar, e o que ainda espera diante do que lhe resta. Esperança, talvez?! Ou apenas, aguarda por sua hora última, em silêncio, solidão, dores, saudades e, talvez, um tanto de consciência sobre esse tempo?
Algumas pessoas tem capacidade de locomoção, mas a maioria requer ajuda. Já na segunda sala, com cadeiras, sofás e cadeiras de roda, estava a maioria das pessoas. Em cada passo meu sinto um descompasso interior. É a minha minha fragilidade se acentuando e minha mente questionando o que posso fazer, o que posso deixar ali... quero muito e não posso nada, essa é a sensação. Um mix de impotência e inquietude que aguçam o querer ir além... Não sei o que eu pude deixar lá além de uns minutos dedicados com olhos, ouvidos, conversas e risos, mas sei muito bem o que eu trouxe aqui dentro. Sei e sinto, que num lugar assim, se não houver incômodo no que se vê, e gana por lutar por quem precisa, então, de nada valeu...
No portão de entrada havia uma senhora de semblante triste e que não media palavras para demonstrar sua contrariedade por estar ali. O que parecia, quando a escutei conversando com uma colega, era que sentia-se só, abandonada. Qualquer pessoa que chegasse até ela e puxasse algum assunto, a reclamação era a mesma.
Impossível não se comover, impossível não se abalar, impossível calar-me... A experiência não foi nem nunca será um mero cumprimento de dever acadêmico, tampouco uma caridade regada à hipocrisia para satisfazer o ego da vaidade religiosa. Ouvir histórias e entrar na brincadeira, doar-se com o que temos de melhor para o momento, olhos e ouvidos... isso é essencial. Eles sabem, sentem, compreendem quando a atenção é fria ou encenada.
Cada um com sua particularidade, vi ali uma colcha de retalhos de histórias recontadas. Não pude ouvir todas, mas a partilha com meus amigos e amigas deu-me uma dimensão maior desse dia, com essas pessoas. Há muito o que se fazer por este mundo, e em cada canto, que eu consiga levar além do que aprendi nas experiências acadêmicas, que eu possa ter a sabedoria necessária diante das adversidades, o profissionalismo humano e a empatia, amor e respeito para com cada um que cruzar por essa travessia através da Psicologia.
Teo ΑΩ
Psic Ψ (acadêmico)
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
Potência e Autonomia de si
Nasce sob holofotes de silêncio, dor e solidão
O menino do reflexo no espelho que sorria
De um novo eu que já fora inteiro,
Partiu em pedaços, tornou-se sobras
E que agora renasce entre escombros de castelos de areia
E paisagens desconhecidas e inabitadas rumo ao topo da montanha
Estações de travessias que registraram sentimentos
Ajuntando cacos, curando feridas e guardando cicatrizes
A dor do renascimento é maior que a do próprio parto
O medo da infância não supera o medo do desconhecido na experiência
Dentro dessa cela que me aprisiona em vidas
Esse novo eu é capaz de suportar traído e traidor, inocente e culpado
A luta é para permanecer vivo para alguém
Por amor, pelo amor, para o amor
Quero ser especialista de mim, desse eu de travessias
Desse eu transformado, marcado, dedicado
Que a beleza da tristeza seja sinônimo de força e sensibilidade
Coragem para as lutas
Em minhas pegadas pelas trilhas dessa jornada
Ficaram marcas vermelhas pelo caminho
Hora de amor, hora de sangue
As lágrimas do choro a só
Era o mais puro e límpido que jorrava
Os meus inimigos sempre foram meus maiores mestres
E dentre estes, estava também o meu eu,
O que ignorava minha realidade e sentimentos









