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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Quitandas com requintes de Claudete



Nossa mãe tem dessas coisas. Espontaneidade, irreverência, empatia, delicadeza... Ops! Aborta a última missão. Como eu sempre falo, ele é "delicada igual um coice de mula". Se ela gosta tá na cara mas se ela não gosta, tá na cara, na boca, nos zóios, arrepia os cabelos, enfim, o corpo todo sinaliza a desafeição. 

Brincadeiras à parte, quem tá perto sabe que muitas vezes os sorrisos são espontâneos sim, mas também disfarçam os fardos do tempo que se manifestam em dores, cansaços e sentimentos jamais colocados para fora. Ainda assim ela não se abate. Superação é a palavra que define essa muié arretada. Na academia, além das amizades e dos laços carinhosos, já tem até apelido: "Boneca de Ferro". Isso se deve a uma camiseta que ela usou num dia desses e pegou. Já era! 

Bem, hoje quero exaltar essa pessoinha pequena de tamanho, mas grande de coração, de alma e principalmente nas ações. Como toda família, temos sim nossas divergências mas temos muito mais convergências. Eu e minha irmã Cinthia, como filhos, somos testemunhas e fãs dessa mulher, mãe, avó, amiga, parceira, companheira e "delicada". 

Apesar de toda energia que transborda e que mostra seu lado forte, ela é também carregada de sensibilidade e empatia. Gosta de agradar as pessoas que, segundo ela, adquire um carinho especial. E é sobre isso que eu comento aqui. Dia desses, quando retomou os trabalhos de geleia, fez questão de levar uma amostra para os professores da academia. Até aí tudo bem. O que me tocou foi quando ela me disse que queria levar também para a pessoa que cuidava da cozinha e da limpeza.

Não parou aí não. O fundamento foi mais forte que uma simples empatia e ou o fato de lembrar dessa pessoa. "Eu já trabalhei em lugares com muitos funcionários, fazendo café e cuidando da limpeza. Muitas pessoas mostravam respeito e empatia comigo mas, a maioria, sequer dava bom dia. Faço questão de levar para ela, de mostrar que ela está sendo notada e respeitada, independente da função que ela ocupa." 

Onde quer que ela vá, consegue fazer boas amizades, transmitir boas energias. A baixinha enérgica cheia de sorrisos e que dispara "delicadezas" é um orgulho para nós, seus filhos (Ailton e Cinthia) e netos (Felipe, Lara, Manuella, Henrique e Joaquim). O coração é tão grande que as vezes precisamos dar uma freada. Mas pense, não tem como, ela é puro coração, pura essência e quando ela gosta, ela cuida. Essa é a Dona Claudete, a delicada (igual coice de mula!)

Te amamos "béia-doda"!!! 

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Vivenciando e reaprendendo: histórias de minha mãe


05/07/2019. Sexta feira. 19:45 horas. Um frio chegou de repente e pairou sobre a cidade. Pelas últimas notícias sobre o tempo, parece que essa mudança brusca de temperatura não é exclusividade uberlandense. 

Já em casa após o trabalho e aguardando o jantar, entre a leitura de uma notícia e outra, ouvia os causos da semana contados pela dona Claudete, minha mãe. 

Fazia algum tempo que ela havia comentado sobre dois irmãozinhos, um adolescente de uns doze anos e seu irmão menor de uns 8 anos, pelos quais tinha criado uma amizade. Ela só os encontrava pelas manhãs de segunda a sexta-feira. Exatamente no momento que minha mãe aguardava na porta de seu trabalho os irmãos passavam por lá em direção à escola. Ali se criou uma relação de atenção e carinho.

Segundo o que a dona Claudete conta, o menino mais novo, quando lhe avistava, dava um jeito de se esconder ou caminhar sorrateiramente até chegar próximo dela. E depois aparecia com um sorriso largo de felicidade. Notei pela força da expressão da minha mãe o tamanho do carinho que ela adquiriu por eles. Seus olhos brilham ao contar sobre os pequenos. 

Ela percebeu também que eles são de família simples e em muitas manhãs de frio os irmãos vão pra escola de bermuda, chinelo e até sem blusa de frio. Comovida pela situação ela já planejava esperar a virada do mês para comprar umas blusinhas para os meninos. Estava até conseguindo algumas roupas entre alguns conhecidos que servisse para eles.

Hoje porém ela contou que teve a triste notícia, dada pelo menino mais velho, que ele e sua família estariam de mudança para Patos de Minas até o fim daquele dia. Logo no início da semana o adolescente estava indo para a escola e ela percebeu que o mais novo não estava junto. Ao perguntar o motivo do pequeno não estar ali, o adolescente, entre lágrimas, explicou-lhe o motivo. Seu pai havia conseguido um trabalho melhor pois aqui, nessa cidade, eles estavam passando por muitas dificuldades. 

Conta minha mãe que em uma manhã chegou a perguntar se eles não estavam com frio e a resposta lhe cortou o coração: "sim, estamos só um pouquinho com frio, mas a gente não tem outra blusinha"... E mesmo assim, não houve tristeza por parte deles. O sorriso era algo natural independente do tamanho da dificuldade. 

Nesse momento, aqui comigo, ao contar sobre a mudança dos irmãos com a família minha mãe enxugou as lágrimas... E eu precisei me conter... Ela sentiu muito e eu sei o quanto porque havia tempos que ela falava desses garotos com tamanho carinho e desejo enorme de ajudar. Já estava programado para comprar os agasalhos mas não deu tempo... Infelizmente. 

Parece algo superficial, mas não é. Conhecendo o tamanho do coração da dona Claudete sei que ela sentiu com a notícia. Imagino o quanto ela sentiu e chorou quando o adolescente lhe disse o quanto gostava dela e sentiria muita falta de encontrá-la pelas manhãs. O menino chorou. Ainda assim sugeri que ela procurasse algum coleguinha dos irmãos, e parece que tem um amigo que pode dar melhores informações, para de repente conseguir o endereço para onde se mudaram. Nada é impossível. 

A história é simples, porém real. Como lição senti que ainda é possível viver experiências profundas mesmo numa época repleta de corações frios e insensíveis ao sofrimento alheio. São valores como esse, de respeito ao próximo, que eu guardo aqui dentro e procuro passar aos meus pequenos. Triste por não ter dado tempo dela ajudá-los mas orgulhoso pelos ensinamentos que é possível vivenciar e reaprender com essa dona Claudete, minha MÃE. 

Claudete


domingo, 13 de maio de 2018

Diário da Claudete

Mãe
Muito tempo se passou
Muitas coisas aconteceram
Muita gente se foi
E você se superou!

O tempo te trouxe libertação
Os fatos te permitiram um novo caminhar
E as ausências te fizeram mais forte
Simplesmente, superação!

A maior libertação foi de você mesma
Rompeu seus limites e seus medos
Resgatou sua auto confiança
E hoje pode desfrutar do resultado dos seus esforços.

Por mais difícil que os caminhos se tornaram
Que os obstáculos pareciam intransponíveis
E as lembranças ainda lhe causem certo sofrimento
O hoje, o simples fato de acordar para a batalha diária, já é uma vitória.

Aprendemos que a vida não é para sempre
E, aprendemos isso das piores maneiras possíveis
Quando perdemos pessoas queridas para a morte
E quando perdemos pessoas que simplesmente se ausentam aos poucos de nossas vidas...
É a vida...
E de vida você entende!
Após tantas superações, e que realmente não foram poucas nem fáceis,
Você reencontra não apenas forças para seguir em frente mas um novo jeito de dar forças...
Esse seu jeito controverso, temperamental, 
Essa voz de volume alto, essa energia sobrenatural
Assim é você, um universo 'felomenal'...
Hoje, só quero te agradecer por tudo...
Do meu jeito amo você do seu jeito...

Feliz dia das Mães 'véia doida'!