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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O que ninguém vê


Repousa à margem social
Da vida medíocre e sem igual
De uma classe que acusa, julga e condena
Mas que que ao marginalizado não se atenta


Repousa sob a penumbra invisível
Aos olhos de quem menospreza o sofrido
História do carrasco terrível
Memória de quem não se dá por vencido


Repousa sob alertas pichados
Aos cidadãos que estufam de falácias
Um pedido que ecoa silenciado
Pois, sobreviver é afronta, é audácia


Repousa entre muros de papel
Sob os holofotes de olhares e faróis 
Tendo seu teto não menos que o céu
E os papelões como seus lençóis


Repousa ternamente sem berço esplêndido
Um filho teu que luta pela sobrevivência
E foge das armas do olhar pervertido
E dos apontamentos da fria aparência

Repousa nas calçadas sem liberdade
Sem o amor e a esperança dessa terra incerta
Há quem diga que há penhor na igualdade
Mas a verdade é que ela exclui e enterra

Repousa absoluto em seu canteiro
E se ergue sem a clava forte da justiça e esquecido
O que é liberdade, às vezes, é cativeiro
E por fim, nem todo filho é gentilmente reconhecido

quinta-feira, 14 de março de 2024

A hipocrisia escancarada na tal "corrente do bem"


Recentemente ouvi um termo da boca de uma pessoa conhecida. Uma tal de "corrente do bem". Não sei se isso é um movimento, um grupo, uma corrente de pensamento, mas enfim, a conotação não soa bem aos ouvidos. A primeira impressão é a de que somente está inserido neste grupelho aquele que pratica o bem. Isso foi criado por um politicozinho eleito por aquele movimento midiático (CN). Aí fica aquele mix de política e religião. E com tantos pseudo cristãos no poder e arredores, isso realmente não me soa bem. CN é um movimento elitista, uma organização rica que atua como um braço forte e radical da ICAR. Sim, os frequentadores são de todas as classes, pois são esses que sustentam as luxúrias dos artistas. Conservadorismo-coronelismo ímpar, digno de medievalismo. O deputadim cantô, ou cantô deputadim, defende interesses da classe. Óbvio. Um vendido! Um falso moralista, ou melhor, um moralista seletivo. Corrente do bem porra nenhuma! Gente hipócrita que se vende, se corrompe pela sobra de quem busca a fama. Bater no peito e dizer que faz parte da "corrente do bem" é o mesmo que dizer em alto e bom tom, que só você que faz parte é digna e só você é do bem. Hipocrisia! Se fazer parte desse grupo é ter essas posturas de falso moralismo e pseudo cristianismo, então eu to literalmente do outro lado. Minha gastrite não suporta hipocrisia. Esse povo alienado e que gosta de alienar são um perigo para a sociedade. Me oponho veemente a esse tipo de coisa. Vejo a CN como empresa do mesmo jeito que vejo a IURD. Abram os olhos porque quem fica se vangloriando por isso está alienado e quer levar seus seguidores para o mesmo caminho. Vendilhões do templo!

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

"Não há cura para o que não é doença"



A frase, que é título desse artigo, "Não há cura para o que não é doença!", faz parte do texto do Núcleo de Diversidade de Gênero da Comissão de Direitos Humanos¹, que também fez parte da pauta da campanha criada pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) em 2017, ressaltando a importância de colocar a Psicologia a serviço dos Direitos Humanos e contra o conservadorismo

A campanha também se pauta na Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia², assinado por ninguém menos que Ana Maria Bahia Bock, presidente-conselheira na época. Tal Resolução "Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da Orientação Sexual".

Ainda, após grandes conquistas pela e para a Comunidade LGBTQIAP+, erguem-se grandes barreiras e obstáculos discriminatórios e preconceituosos, oriundos da falta de conhecimento científico bem como um estridente negacionismo para se conservar padrões sociais ultrapassados e que deixam à margem todas as pessoas que não se encaixam nas formas de relações consideradas normais.

Tanto no âmbito político quanto, e principalmente, no religioso, existem prós e contras. Não é uma luta em prol da vida e da dignidade humana diante do que a pessoa realmente é e da forma que escolhe viver mas, sim uma luta por poder, como descreveu Michel Foucault em Vigiar e Punir (1975) e Microfísica do Poder (1978): o poder de mandar e desmandar sobre os atos alheios. Não é uma luta de defesa mas  sim uma guerra de imposições. Imposições que vêm regada de ameaças de punições religiosas e sanções sociais com avais políticos. 

São várias formas de prosseguir esse texto, provando biblicamente, teologicamente, filosoficamente, psicologicamente, poeticamente, que simples e puramente "toda vida importa". Assim como o maior princípio deixado como guia para todxs os que seguem sua religião e ou filosofia de vida é o "amor ao próximo", o segundo maior mandamento bíblico, o grande erro que nos leva a um desrespeito por esse próximo é simplesmente o "não amor". E, esse "não amor", que restringe a empatia e o respeito ao próximo, por conta de suas orientações, escolhas, fé, etc, podemos chamar de "pecado" também. Sendo assim, "Pecado é não amar" (Cá de dentro - 2015).

E onde pode chegar a falta de uma orientação responsável seja de cunho religioso, político, social e principalmente profissional, para quem de fato esteja vivendo na corda bamba da vida, entre lapsos de sobrevivência neste mundo e a busca pela libertação de suas dores ocultas através da morte? Em que pese, como já dito acima, tudo pode beneficiar a vida humana ou ser um gatilho para que o pior aconteça. 

Um caso recente que me chamou a atenção foi o suicídio da influenciadora Karol Eller, 36 anos, que, suicidou-se no dia 12/10/23. Apoiadora política da extrema direita, acabou polemizando quando manifestou-se contrária às causas defendidas pela comunidade LGBTQIAP+. Segundo a imprensa, Eller, que era lésbica, "anunciou que tinha passado por "cura gay" no último mês. Ela estava participando de retiros religiosos e disse havia renunciado à sexualidade."³

Conheci uma pessoa no interior de SP, vítima das drogas, fez um retiro espiritual de três dias consecutivos e no final considerava-se liberto e convertido literalmente no caminho do cristianismo. Comentava que sua meta era ser um pregador da boa nova de Jesus Cristo. Até aqui tudo certo e bonito de se contemplar e apoiar. A questão é que, era urgente um acompanhamento de profissionais que lhe dessem o suporte e a direção adequadas para sua sustentação na luta pela libertação do vício. Não o fez, não teve, não buscou e, talvez, não soubesse... Mas o resultado foi que, em menos de dois meses ele estava de volta às drogas e dessa vez, muito pior. 

Karol Eller passou pela experiência religiosa de sentir-se, não curada, mas disposta e apta a renunciar aquilo que é considerado errado para os padrões normais da sociedade e pecado para o cerne de algumas religiões de cunho fundamentalista e ultra conservador. Mexer com questões dessa dimensão implicam muitas coisas, entre elas a responsabilidade por parte de quem lidera tais encontros e cultos. Isso começa com a liderança e vai para altos escalões da hierarquia religiosa. Todxs são responsáveis diretos e indiretos. 

É preciso entender a dor, o trauma, a angústia e os anseios do ser humano antes de prescrever alternativas para uma cura, uma pseudo cura, uma renúncia de si, antes de traçar caminhos únicos, regras propriamente ditas, com o intuito de manter a pessoa enclausurada em si, com dores inimagináveis diante de seus flagelos de renúncias. Cada ser em si é único e merece o devido respeito em sua jornada. Não há uma fórmula comum para padronizar a todxs. Entender que um encontro, ou um retiro espiritual de vários dias, em que todxs os presentes se fortalecem diante do objetivo, se sustentam mutuamente é uma coisa, mas quando encerra-se a euforia dos dias de cantos e orações, aí começa a realidade. Não é uma crítica às religiões, nem à forma de seus cultos mas sim uma crítica direta do conteúdo que é colocado de forma as vezes covarde na tentativa de fazer a pessoa caber dentro de padrões aceitáveis de uma ala da sociedade. 

Espiritualidades, religiões e religiosidades, são caminhos, signos, travessias, opções, possibilidades, de reconexão entre o humano e o sagrado, com propósito de bem maior que envolve a dignidade de si e o respeito ao próximo. Cuidar da vida, é premissa de qualquer instituição. Respeitar é obrigação de todxs. Aceitar só cabe a quem de fato é, ou seja, muitos já travam sua guerra de auto-aceitação e não precisam de mais ninguém para fazer peso contra. Mais uma vez, a todxs, só cabe o respeito. 

E assim sendo, ressalto novamente a importância da Psicologia para acolher e ajudar a pessoa a se aceitar, tomar consciência de si e de toda sua potência, redescobrindo-se enquanto ser único e de opções múltiplas nesse universo de infinitas travessias, protagonizando empoderadamente sua vida sem medo do que as sociedades impõem. A bem da verdade, toda vida importa, o amor salva, a paz de si liberta e a Psicologia está aí para dar voz, vez, luz para essa jornada chamada vida. 


¹ https://crppr.org.br/nao-ha-cura-para-o-que-nao-e-doenca/
² https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/1999/03/resolucao1999_1.pdf
³ https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2023/10/13/morre-a-influenciadora-karol-eller-aos-36-anos.htm


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior
@psicriarts_ailton
@escritos_em_tempos
@teologia_para_insatisfeitos

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Rebatando a paquita do capeta - parte II

Imagem via: @BlogdoMiro / Twiter

A religião deve ter como premissa libertar e instituir o amor. Deus não castiga. Jesus Cristo é amor, acolhida, perdão, libertação e paz. 

Todas essas qualidades não fizeram com que ele se calasse frente aos magnatas e hipócritas do poder político e religioso, ou seja, lutar pela paz não significa tolerar o intolerável que prega ódio, discriminação e morte.

Se Jesus fosse um cara passivo e se fizesse de cego frente às exclusões e injustiças sociais, não teria expulsado os vendilhões do templo à chicotadas.

Enfim, se sua religião não é fonte de acolhida, amor e libertação, ao contrário, prega discriminação, preconceito, ódio e morte, existe algo errado. 

Pode ser a instituição que se faz de religiosa para alienar os fiéis, ou pode ser os líderes que a usam de seu palco particular para obter benefícios (R$).

Assim como grandes empresas de TI desenvolvem o vírus para vender o antivírus, laboratórios que criaram doenças para vender remédios e antídotos, assim também são essas seitas, que não merecem sequer serem chamadas de religião, elas criam seu demônios para vender suas curas. 


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

Rebatando a paquita do capeta - parte I

Imagem via: @BlogdoMiro / Twiter


Não há motivos para usar o Deus vingativo do Antigo Testamento, tampouco as leis retratadas nos livros que o compõe.

O Novo Testamento veio para trazer fé, esperança, libertação e vida. E Jesus Cristo é o protagonista e porta voz desse amor incondicional e libertador. Ele veio para renovar o que era velho. Veio para trazer o Novo. Ele é o próprio Novo, o que agrega, acolhe, liberta.

Algumas dissidências ditas cristãs, da atualidade, falam em nome apenas desse Deus carrasco, que pune mas, não falam de Jesus e de suas obras. Não fazem questão de, sequer mencionar que Jesus amaldiçoava os hipócritas, em especial aqueles que usavam das leias antigas para benefício próprio.

Hipocrisia é usar desse moralismo pseudorreligioso e político, ambos seletivos, quando convém. Não é sem motivos que muitas pessoas estão acordando, se libertando das garras dos empresários da fé e se soltando das amarras institucionais dos homens para, de fato, seguir a um propósito de amor, libertação, liberdade e paz. 



Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

sábado, 10 de junho de 2023

Carta aberta: orgulho x hipocrisia



O assunto é delicado e pode levar a inúmeras interpretações equivocadas. Por isso é sempre necessário invocar o bom senso, ter empatia, saber acolher e se posicionar em prol da dignidade humana. Para início de conversa trago a seguinte questão: Quantos tipos de orgulho existem, ou melhor, como podemos interpretar a palavra "orgulho"? Particularmente, penso de duas formas: existe o orgulho, em seu significado negativo, que impede o ser humano de se redimir de algum ato cometido, o qual o resultado tenha sido prejudicial a si, a outros ou a uma situação; e, existe o orgulho, em seu aspecto positivo, aquele que nos enche de prazer e, que se dá no momento em que elogiamos alguém, "você me enche de orgulho". Como pai, não me canso de repetir aos meus filhos, o quanto eles me enchem de orgulho. 

Estamos nos aproximando de uma data em que já é um marco nacional e mundial: a PARADA DO ORGULHO LGBTQIA+. E esse termo é repleto de significado positivo, porém, incomoda os padrões de uma certa ala da sociedade. A PARADA não é apenas um ato de representatividade, é um momento de juntar forças e poder expressar, entre protagonistas, simpatizantes e apoiadores, o ORGULHO por ter tido a coragem de assumir perante ao mundo, aquelx que realmente é: simplesmente VOCÊ! Não é um movimento provocativo, nem impositivo mas um ato simbólico e de protagonismo que se expande para além do momento. Ao mesmo tempo há uma provocação sim mas, para que, enquanto telespectadores, saiamos do nosso anonimato e lutemos por igualdade para todxs, bem como a única imposição que existe é a de si mesmo, ao se aceitar como é de fato, sem precisar se encaixar nos padrões impostos. 

No tempo que antecede esse encontro, mercadores da fé usam de seu púlpito pseudorreligioso, ora transformado em palco de exibicionismo, ora em palanque de moralismo seletivo e, ora ainda, em tribuna religiosa para sentenciar àqueles que não se encaixam nos padrões sociais ditados por sua instituição. Segundo essa corrente seletiva de fé deturpada, tais desviados dos padrões são sempre merecedores de um certo inferno. E inferno sempre foi usado para usurpar e manter os fiéis submissos e alienados. De forma teológica, que meu ínfimo conhecimento acadêmico nessa área me permite, gosto sempre de lembrar e ressaltar quem foram os escolhidos citados nas passagens da bíblia cristã, o qual tinha como protagonista o nazareno, este que foi condenado por instituições religiosas, tido como blasfemador; literalmente um preso político de seu tempo. Ele dava voz e vez aos excluídos da sociedade: prostitutas, ladrões, cobradores de impostos, etc. E na contramão das regras sociais condenava a hipocrisia exacerbada dos mestres da lei e donos dos templos. Vale ressaltar que as instituições religiosas daquela época tinham poder igual ou maior ao do Estado. 

Nesse mesmo tempo em que uma instituição, que prega fé cristã, através de seu líder que usa das mídias, inclusive de seu canal de TV para segregar, dizendo que Deus odeia o orgulho, referindo-se ao ORGULHO LGBTQIA+, isso literalmente é tido como uma incitação nada velada de ódio e que pode acarretar formas violentas de expressão contra os protagonistas desse movimento, a PARADA. Na mesma semana em que esse líder religioso se manifesta, o pastor de uma de suas filiais foi preso, suspeito de estuprar adolescentes.  Talvez, se o dono desse templo institucional se preocupasse menos com a sexualidade alheia e tomasse conta dos gestores de suas filiais, dito religiosas, crimes assim não aconteceriam. Isso vale para toda pessoa e para todo tipo de instituição que se acha detentora exclusiva da verdade e no direito de classificar quem é ou não digno de sua aprovação arcaica. Veio à tona também, nas redes sociais que, sua instituição foi uma das que mais lucrou no Governo passado. Nesse caso, o silêncio tornou-se ensurdecedor. Os tempos mudaram mas os excluídos ainda existem e resistem contra o sistema discriminatório. Infelizmente os hipócritas também estão por aí e à solto. 

Nascido em berço Católico, conheço a fundo as diversas ideologias religiosas existentes nos bastidores da igreja. Devida à sua extensão, existem inúmeros braços e formas de se trabalhar mas, infelizmente , também está regada de moralismo seletivo, hipocrisia, deturpadores da fé e bandidos disfarçados de cidadão de bem. Minha formação e atuação sempre se deu através da Pastoral da Juventude, que tem uma representatividade muito forte nas questões sociais, políticas e lutas de inclusão. Sempre me mantive alheio aos exibicionismos de fé e shows milagreiros e midiáticos. A maior forma de se viver uma espiritualidade e praticar a fé é respeitando o outro, o próximo. O que não se pode tolerar são as formas de segregação que culminam em discriminação e preconceito. Falo aqui da vertente cristã (católica, evangélica, protestante, pentecostal, neo-pentecostal, etc...) porque é a que tem mais adeptos. Demais religiosidades, como budismo, espírita e as de matrizes africanas têm uma prática mais inclusiva e social.

Penso que, se a religião não te liberta e te faz perseguir e atacar minorias, tome cuidado. Você está sendo enganado, usado e manipulado. O intuito é te manter cego, surdo e mudo, enquanto você sustenta os vícios e regalias dos magnatas da fé.

Como pai de dois filhos, já trouxe em outros momentos que tenho um filho assumidamente dono de si: liberto de amarras, livre de mordaças. Considero um ser de muita luz, inteligência e amor, ao qual me ORGULHO dia e noite. Por ele, por eles, estou contra qualquer tipo de sistema opressor, seja religioso, seja político, seja de algum hipócrita sem noção que se punha no caminho. Para além de política e principalmente de qualquer crença religiosa, nossa missão é sempre combater a favor da inclusão, da igualdade, da justiça. Uma palavra resumiria tudo: amor. Amor cuidado, amor empatia, amor ao que se faz. Para além das instituições que regem a sociedade, nós, acadêmicos, que escolhemos o curso de psicologia como um meio para o futuro profissional, que tem como uma de suas missões, auxiliar o ser humano a encontrar respostas e ressignificar sua vida, precisamos nos ater e nos posicionar de forma sensata, humana e científica. 

A PARADA DO ORGULHO LGBTQIA+ está chegando, e de coração, estou me preparando para ir pela primeira vez, assistir de perto. Isso não partiu do meu filho, ao contrário, eu o convidei. E é pelo AMOR e por esse ORGULHO que tenho por ele, e pelas tantas lutas que pude presenciar e participar ao lado de amigxs tão queridxs dessa jornada, amigxs da Pastoral da Juventude, amigxs da teologia, amigxs do vôlei, amigxs das academias, familiares, afilhadxs, amigxs-irmãos de alma, amigxs da poesia, amigxs da psicologia, enfim, amigxs que a vida e o universo divinamente me presentearam, que não poderia me calar diante de tanta discriminação, preconceito disparados com ódio através daqueles que se julgam detentores da verdade. Pobres de espírito e podres no pensamento. Hipócritas. 

Essa luta não pode se findar nas palavras. PARADA DO ORGULHO LGBTQIA+ aí vamos nós!!! 


Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta
*Pós Graduando em Psicanálise, Coaching e Docência do Ensino Superior

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Convenção nos autos da praça V: hipocrisia social



A praça versus a hipocrisia social. É lógico, é óbvio, que se houvesse um real interesse de todas as partes, o salário dos políticos e a riqueza das igrejas ou a arrecadação do dízimo de um mês estancaria a fome. Mas as classes altas precisam da pobreza porque senão não conseguem se manter no topo. Isso é o óbvio da questão. É a pobreza que sustenta o topo da pirâmide. E a base da pirâmide tem que ser forte e pra ser forte tem que ter muitas cabeças pra sustentar. A base é uma sociedade à parte, independente e forte. Na verdade pra sobreviver ela não precisa da cúpula. A base da pirâmide é auto sustentável e não se dá conta da força que tem. Pra se dar conta dispenderia de muita organização e aí que a classe alta volta a ser influência dominante. Cedendo migalhas pra mínima sobrevivência sem dignidade da classe baixa. Só são mostradas as drogas que vêm de baixo, mas o que a classe alta dominante usufrui, compra, manipula, orquestra e vende e trafica não é mostrado. Usam as mazelas pra dizer que só la existe a corrupção e pobreza, mas jamais mostram a podridão que vem de cima. Hoje mesmo um carro parou e uma pessoa desceu para comprar droga com os habitantes da praça... O carro era de alto nível... (05/01/22)

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Jecalius Fimose Cefas Tóbas


Até hoje não tinha encontrado um nome que literalmente fizesse jus à pessoa, e vice-versa. J.F.C.T. foi uma criança que recebeu muitos palpites na formação de seu nome grande. Olha só o nome da criatura: Jecalius Fimose Cefas Tóbas! É aquele caso típico que, antes mesmo da criança nascer, a família toda já palpitou sobre o nome que ela deveria receber. Os pais, para não desagradar à torcida, acabaram adotando algumas sugestões.

Jecalius, foi sugerido pelo pai, que era fã do comediante americano de grande sucesso, Jerry Lius e também do brasileiro Mazzaropi no papel de Jeca tatu. Porém, esse Jecalius, na atualidade já crescido e casado, não passa de um comédia sem noção, tamanha as barbaridades proferidas. Não sabe fazer graça, mas acaba sendo engraçada a sua forma autoritária de julgar as pessoas quando essas não lhes dá atenção. 

Fimose, deve ter sido sugestão de algum tio que pensava que o carinha iria ser galanteador, e não um pé no saco. Nada de galanteador! Então sobrou a segunda opção. Insuportavelmente chato.

Cefas, a mãe acreditou que seu filho seria um homem sábio, não um bocó tapado que se acha o dono da verdade, detentor da moral, fiscal da fé alheia e sentenciador imediato que designa quem vai ou não para o inferno. Amadurecido, porém sem noção, tornou-se apreciador fiel de um matemático metido a teólogo, um tal de Felipe Aquino. 

Lembrei-me de uma conversa que tive com um cara arrogante que se achava o pilar moral da igreja de uma comunidade católica local. Ele até me questionou se eu iria mesmo queimar uns livros do tal Aquino, e eu disse que sim. Ele pediu os livros, mas acabei queimando para evitar a propagação desse tipo de ideologia ultra-conservadora que cega e dá voz a tipos como Cefas.

Tóbas, acho que deve ter sido o horóscopo que indicou, talvez o único que de fato tenha acertado a conexão nome-pessoa e pessoa-nome, que depois de crescido o cara se tornaria um verdadeiro canal de asneiras, de merda...

O cara chega a ameaçar com punição de "inferno" todo aquele que não segue as regras da igreja, segunda sua óptica e entendimento. Um verdadeiro boçal, ignorante, estúpido, cretino, hipócrita, inquisidor, fiscal da fé alheia. Isso que o cara não se toca que Jesus andava com os bêbados, ladrões e putas e que repugnava os charlatões, vendilhões, mestres da lei que se achavam os maiorais.

Jecalius, se liga seu chatão: "Preocupa-te com os teus próprios pecados, porque Deus não vai te perguntar pelos pecados dos outros" (São Vicente Ferrer). 

Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência, é ficção real!

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Dores alheias, dores do mundo


Era um final de tarde e eu estava no supermercado apenas para comprar umas broas. Quitanda na mão, já me dirigia para a fila do caixa quando um menino de uns dez anos me abordou. Perguntou-me se eu poderia inteirar seu dinheiro para ele comprar um frango para levar para casa.

Meio sem ação diante do menino, ele mostrou-me uma moeda de cinquenta centavos e outras que carregava no bolso. Devia estar ali no estabelecimento já tinha algum tempo tentando juntar a quantia suficiente junto aos clientes para comprar o frango.

Fomos até o açougue do supermercado e aguardamos na fila. Por incrível que pareça, como um teste de paciência, a fila não andava. Foram mais de vinte minutos aguardando a nossa vez. Enquanto isso fui conversando com o garoto. Ele tem onze anos, estuda, tem mais três irmãos menores, a mãe é diarista e todos moram com a avó.

Sua missão naquele dia era conseguir levar um frango para casa. E enquanto a gente conversava olhando nos olhos o único pensamento que batia forte era: "a maior dor no mundo é a dor da fome". Nem sei de onde saiu isso mas de certa forma acabei lembrando de alguns comentários até do Papa Francisco no que se refere à fome no mundo.

Enquanto a gente conversava na fila dois fiscais ficaram de olho no menino. Aquilo já era pessoal uma vez que o garoto em nenhum momento causou qualquer tipo de perturbação. Desde sua aproximação de forma educada ele deixou claro seu desejo. Conseguir apenas um frango...

Enfim, após longa espera na fila, fomos atendidos. Partimos então para a fila do caixa sob o olhar preconceituoso dos fiscais. Juro que aguardava ansioso qualquer tipo de intervenção, mas por sorte e para o bem de todos tudo ocorreu normal.

A intenção aqui não é expor nenhum tipo de caridade como troféu, até porque fazer esse tipo de exposição além de hipocrisia e vaidade para o ego perde todo o sentido, mas entender a dor alheia que muitas vezes torna-se uma mera imagem rotineira ao cotidiano de nossos olhos.

Dores alheias, dores do mundo, será que incomodam? Incomodam pelo fato de vez ou outra nos deparar com alguém pedindo ao nosso redor ou por nos colocar no lugar do outro e tentar entender a gravidade e o desespero daquele ato de pedir? Talvez, maior que a dor da fome, seja a dor da indiferença e pra esta não há remédio para quem sente...

Acredito que se existe o inferno para lá devam ir aqueles que se fizeram indiferentes perante a dor alheia num momento que poderiam fazer a diferença. E, se nada mais me comove, se nada mais me incomoda, se ainda me calo diante de tanta injustiça, então com certeza morreu aqui dentro o humano que um dia me habitou.

Ailton Domingues de Oliveira
Adm ∞ 
Teo ΑΩ 
Psic Ψ (acadêmico)
Escritor & Poeta

quarta-feira, 10 de julho de 2019

O bem e o mal


O título remete a um clichê usualmente colocado nas mais variadas formas de discursos político-religiosos que vemos e ouvimos por aí. Apesar disso, não imaginei algo melhor para discorrer sobre o assunto.

Acompanhando o cenário político atual, e apesar de já não ter mais estômago para assistir a este espetáculo de quinta, principalmente quando os personagens atuam de forma vexatória e medíocre, como verdadeiros amadores (que são), e assim brincam e zombam com a cara do público, a única coisa que fica claro é que neste cabaré de Brasília os "caras" fazem de tudo, menos cumprir com a obrigação pela qual foram eleitos.

O povo?! Ah, esquece! Como disse o chulo presidente: "o povo só serve pra votar e mais nada!" Essa culpa eu não carrego e aproveitando mais uma frase clichê: "como é bom, nesse momento da vida, estar do lado que perdeu as eleições". A história não poupará, passe o tempo que passar.

Um gancho aqui para indicar um filme e uma série que são oportunos para o momento atual. Deixo apenas os nomes com a isenção de qualquer comentário a não ser deixar registrado que vale a pena conferir e ter uma outra visão sobre as coisas desta terra tupiniquim: "Democracia em vertigem" e "Guerras do Brasil.doc".

Indo direto ao cerne do assunto que me fez optar por esse título, "O bem e o mal", infelizmente não dá pra defender partidos mas dá pra perceber de todas as formas possíveis o que cada lado, que faz parte dessa batalha, tem apresentado de fato como resposta ao (des)governo e como proposta para o país e o povo em todas as classes.

Deixando a guerra partidária, dá pra focar no "bem" e no "mal". Essa é a verdadeira guerra. Ambos os lados possuem os dois elementos das mais variadas espécies e capacidades. Infelizmente algumas bandeiras que hoje trazem frases de efeito para defender a moral, os bons costumes, a pátria, a família e Deus, são os que mais tombam diante do veneno de sua própria hipocrisia.

De forma geral, se fizermos uma busca nas redes sociais podemos encontrar fatos como o cara que espancou a mulher até a morte porque ela o deixou, o médico que dopava e abusava sexualmente de suas clientes, o professor universitário que jogou a namorada do alto de um edifício, o cara que ateou fogo na companheira pelo fim do relacionamento, sem contar as inúmeras violências diárias contra pessoas que manifestam sua opinião contrária ao (des)governo. Dos casos de maior repercussão midiática, sabe o que essas pessoas têm em comum? Todos os acusados e envolvidos são "cidadãos de bem" que apoiam a barbárie do atual presidente. Nada estranho a não ser o fato de que o discurso político atual tem feito com que muitas máscaras caiam ao chão e assim as pessoas mostram sua verdadeira face.

Não bastasse toda a lambança, ainda temos um juiz, melhor, um juizeco parcial, partidário e corrompido que atua contra a democracia e contra a justiça para conseguir benefício próprio junto ao atual governo. É uma situação ridiculamente nojenta! Conluio!

E antes que me demonizem eu já adianto: Sim! Sou um simpatizante da esquerda política que reconhece as limitações desse lado bem como tenho a ciência de que existem os que denigrem a imagem, verdadeiros corrompidos que vendem sua própria alma para obter vantagens para si. Ainda assim, não vi nada melhor do outro lado a não ser a hipocrisia disfarçada de cristão, defensor da família tradicional e da pátria, vulgo "cidadão de bem".

Não me aflige nem incomoda a demonização pelo fato de ter escolhido tal lado. Me assusta mesmo é ver cristão enchendo o peito pra dar apoio ao governo e ao ministro da justiça, o primeiro por querer implantar políticas que exterminam minorias e o segundo por se preocupar apenas com sua vaidade. Me assusta também as pessoas que não querem enxergar a atuação e o envolvimento do presidente e sua família em episódios polêmicos que envolvem assassinatos, milícias, tráfico de drogas, sem contar os assuntos que ficam sem resposta, pois algumas pessoas estão protegidas pelo alto escalão da quadrilha. Queiroz que o diga!

E antes que me venha algum pseudo cristão dar pitaco, faço questão de mencioná-los aqui também e deixar uma mensagem de autoajuda. Alguém disse: "Jesus é um cara legal, o que fode é a torcida." Fato! Têm uns catolibãs, extremistas, intolerantes, cidadãos de bem, "mestres da lei" (sim, aqueles a quem Jesus chamou de hipócritas), que no uso de suas funções, e talvez por conta do glamour de suas vestes, se acham no direito e dever de palpitar em qualquer hora e lugar. Sem argumentos básicos, sem fundamentos, sem conteúdo e nada de conhecimento, simplesmente querem causar certo furor com comentários em tom de deboche. Aqui não "mané"!!! Por outro lado nem dá pra esperar nada melhor do que esse tipo de pensamento ínfimo, intolerante, medíocre e vazio de quem desconhece a história.

E pra finalizar: "Nem todo cidadão de bem é filho da puta, mas todo filho da puta é um cidadão de bem." 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Contrapontos sociais: a hipocrisia travestida

Algumas coisas marcaram de forma ímpar a sociedade brasileira antes, durante e após as últimas eleições ocorridas em 2018. Particularmente me atentei para os discursos inflamados de algumas que se julgavam acima do bem e do mal. Frases de efeito que se tornaram bordões na boca dos cidadÕEs de beim.

Dentre frases, citações, discursos carregados de ódio, destaco algumas pérolas que tive a infelicidade de presenciar ou simplesmente acompanhar pelo mundo virtual:

O rapaz que se passa por mendigo para pedir esmola no semáforo, ao final do expediente troca suas roupas, monta em sua moto semi-nova e vai para casa. 

A colega que se tornou empresária, não frequentou faculdade mas comprou seu diploma, tornou-se militante virtual anti-esquerda e anti-PT principalmente, com recalques de anticorrupção.

O sucedido homem de negócios que adquiriu objetos, produtos de furto, por serem mais baratos.

O cristão que abomina o aborto mas é a favor da pena de morte. Faz o sinal da cruz dentro da igreja e fora dela faz arminha.

Por incrível que pareça, esses exemplos reais trajavam a armadura verde-amarela com slogans anticorrupção, demonizaram a esquerda como um todo e apoiaram o presidente eleito em nome de "Deus, da Pátria e da família".


Porque todo cidadão de bem precisa se auto afirmar para que ele mesmo possa acreditar nessa máxima travestida de hipocrisia.

Por fim, compreendo que a corrupção não está no partido mas sim nas pessoas, independente do seu partido, do seu lado e da sua religião. O contraposto disso é a tão condenada hipocrisia.


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O futuro num passado presente



"O ano é 2020.

O caos tornou-se uma realidade. A ditadura já havia ganhado a cabeça das pessoas. As eleições nem mesmo tinham acabado e a onda de violência já era noticiada. O presidente eleito até tentou conter os ânimos durante o primeiro mês. Só que a situação saiu de controle. Os apoiadores da ditadura sentiam-se não apenas no direito mas no dever de caçar e punir qualquer opositor que se manifestasse. Esse ainda era o ano de 2019.

Medo e insegurança nos olhares das pessoas. Sair de casa era um risco de não voltar mais. Grupos radicais faziam rondas por todas as ruas e bairros de cada cidade. Isso quando a própria polícia era quem reprimia descontroladamente a qualquer suspeito. Subversão e oposição ao sistema já era um crime.

Num dia de domingo fui abordado por policiais e automaticamente acusado de subversão. Minha família foi liberada para voltar pra casa, sem nada dizer, sem ter a quem recorrer. Nesse momento, o Estado era o dono da minha vida. O castigo era inevitável. Queriam, a todo custo, e por todos os meios, que eu assumisse uma culpa que não era devida. O meu silêncio custou caro, muita dor, muito sofrimento... e um fim iminente.

A pena de morte foi instituída nos primeiros meses do novo governo. Não precisava mais de um crime para ser penalizado e mandado para o abate. Bastava apenas pensar diferente... Esse foi o meu caso. Não deixei de escrever os pensamentos que iam de encontro ao sistema opressor. Não apenas eu, mas uma leva de companheiros e companheiras, tivemos o mesmo destino...

2019 foi considerado como o ano da caça as bruxas. Uma inquisição moderna que tinha alguns tentáculos religiosos unindo forças ao Estado. A minha sentença já era certa. Seria em praça pública, porém não mais numa fogueira, como na era medieval. Um tiro, por um soldado, ou por um lunático seguidor do governo que se habilitasse. Acredito que, no meu caso, haviam muitos interessados em apertar o gatilho, inclusive amigos e parentes.

Eu tinha direito a um último telefonema e desejei falar com o meu pai. Preferi que ninguém da minha família estivesse presente, mas fiz questão de me despedir e dizer que ele também foi iludido. Não tinha mágoa e por tanto não precisava perdoá-lo de nada, mas a dor que ele carregaria seria apenas dele... 'Adeus, Pai'. E meu corpo tombou numa praça em frente a uma capela."

PS.: Foi apenas um pesadelo, mas não estamos longe disso acontecer com pessoas que amamos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Filosofia de expurgo - 01/01

"divino-política-sócio-educativa-financeira-libertária-brasileira-guarani-kaiowá-casaldáliga-francisco"


"Saudade do tempo em que os votos eram secretos. 
Havia mais respeito e as amizades não se acabavam". 


Bom, a coisa degringolou. Não se discute sobre "política", nem sobre projetos, nem nada. As pessoas não conseguem ou talvez nem saibam manter a discussão no campo das ideias. Realmente isso não é pra qualquer um.

De todos os candidatos que estão no páreo, particularmente só não voto em um. E é justamente aquele que não sabe debater, que nunca fez nada pelo país em sua vida pública além de colocar todos os seus descendentes no mesmo esquema, não consegue expor ideia alguma sem ter que apelar pra hostilidade e, usando como pauta de campanha aqueles jargões encharcados de hipocrisia como "lutar pelos cidadãos de bem, pela família, pela moral cristã" para iludir muitos dos que estão querendo uma virada de mesa nesse cabaré que virou o Brasil, vem se fazendo como "a solução". SQN!

Conheço e tenho amizade com muitos que apoiam tal candidato. Não pretendo que amizade alguma se dissolva por isso, porque as eleições vão passar e no fundo, bem no fundo, todos querem o melhor. Não vou na página alheia pra discutir em vão e da mesma forma não tolero que o façam na minha. Sigamos o fluxo!

Resta aguentar essa "guerrilha" que virou o período pré-eleitoral. O nível de "politicagem" que se vê por aí é decadente. Ódio externado em violência contra quem tem opção e visão diferente. E isso tudo é algo que partiu também do próprio tal candidato, seguidores radicais, bem como de grupelhos intitulados de "direita" e de cristãos ultra-radicais.

Tem horas que, apesar de caótico, chega a ser engraçado. A maioria das pessoas que são contra o comunismo, o marxismo, a esquerda política (eu digo política, não partidária, se é que vocês me entendem), na verdade nem sabem o real significado. Só estão repetindo o que os seus "inflamadores" gritaram em certo momento. A situação lembra muito os ventríloquos.

Particularmente, não consigo pensar numa política que não seja de inclusão e para isso a questão é analisar o candidato que apresenta não apenas as melhores propostas mas as mais viáveis e o mais importante, o que esteja melhor preparado e tenha condições de conduzir a nave, a tripulação e os passageiros.

Se tenho amigos ou parentes que discordam, foda-se! Essa é a minha análise, é a forma que vejo o contexto e tiro as minhas conclusões. Quando vejo ataque de chilique de gente que se acha acima da média porém sem um pingo de bom senso, nem conhecimento de causa (informação), nem respeito, nem "nada" eu fico entre a "pena", a "vergonha alheia" e o "asco". É muito sabidão diplomado em redes sociais que deveria estar no Palácio do Planalto! Não sei como o mundo ainda não notou tamanha celebridade desperdiçada nessa terra Tupiniquim!

Nos vemos nas urnas ou até o próximo expurgo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Igreja rachada - as sub-religiões do poder

 Papa Francisco, humildade e simplicidade


A muito tempo que a Igreja Católica vem se rachando e subdividindo. Como tudo o que envolve poder, nesse âmbito religioso, o qual deveria ser regido por questões vocacionais e fins espirituais, a batalha por conta da divergência de interpretações e pensamentos ganhou mais status que a diversidade dos carismas.

É entendível que o fim para o qual a religião fora criada seja para o bem. O propósito deveria ser um caminho único regado de "flores", que representam a diversidade, e regrado por um único tom, o amor. Acredito que foi isso que o próprio nazareno propôs no período que habitou a Terra. A sua igreja, ou melhor, o seu legado, seria única e simplesmente a continuidade de sua obra ao qual pode-se resumir em amor, caridade, doação, amizade, dentre outras coisas mais.

Não se passou muito tempo de sua morte até que as divergências começassem e perdurassem até os dias atuais. A briga hoje é muito mais ampla e também muito mais interna. Os bastidores dessa estrutura hierárquica guardam segredos e absurdos que muitos mortais jamais poderiam imaginar. A disputa pelo poder segue em discursos carregados de ódio e pautados na tal "santa doutrina", que de santa foi somente na intenção, ou nem isso.

Considero que duas Igrejas pleiteiam a continuidade de seu legado: a igreja representada por Francisco e a igreja que está na contramão de Francisco. Existem sim as subdivisões em cada trincheira, bem como as guerrilhas entre os sub-grupos, mas o que está escancarado é a tentativa da oposição a Chico em derrubá-lo a qualquer custo e a qualquer sangue.

O Papa Chico vem fazendo verdadeira revolução na estrutura eclesial e aqueles que estão ornados de penduricalhos de ouro e outras pompas mais são os mais atingidos. Ele também tem dado toda a importância para o simples, a pobreza, os verdadeiros excluídos da sociedade e é justamente aí que seu dedo toca na ferida do poder. Nesse momento o adversário de Chico ganha aliados políticos pois mexer na pobreza é atacar diretamente à politicagem corrupta que rege a sociedade, bem como ao poder, ao dinheiro, ao status e principalmente aos políticos.

Portanto, religião e política caminham juntas sim, quer seja para o bem, quer seja para o mal. A maioria pratica a 'arte do bem para si' e os poucos que tentam estender essa arte ao povo são contidos, reprimidos e muitas vezes mortos. A igreja da contramão é muito mais política do que santa. Sua santa doutrina serve apenas para os papagaios repetirem quando há algo que lhes convém. A deturpação é grande e a hipocrisia é maior.

Chegará um momento que as facções religiosas serão tantas quanto o número de partidos políticos que disputam as eleições. Resta saber se haverá público suficiente para todos. Enquanto isso, uma coisa é certa, poucos restarão na frente principal que luta pelo bem comum. Há quem se sinta bem do jeito que está. Um dia, lá atrás, noutras eras, talvez, essa tal religião tenha sido real e verdadeira em sua essência. Hoje, não mais...

Cardeal Burke, extravagância, poder e hipocrisia.

terça-feira, 27 de março de 2018

Apocalipse: caos sem calmaria


A desordem necessária que se instaura na escuridão da consciência maldita

Que produz efeitos contraditórios em pomposos discursos falaciosos

O caos imposto pela tirania egoísta e gananciosa do corrupto poder

Que viciosamente desfavorece as mazelas milenares dessa era

Informações manipuladas de inverdades e propagadas sob os holofotes do púlpito

O altar que já celebrara a morte e a vida agora vislumbra um palco de egos

Castelos de fé que se erguem às custas da miséria humana

Leis que sentenciam o maldito e miserável e absolvem os donos do poder

Falsos sacerdotes que discordam da paz que lhes tira a vaidade

Mundo sem caos que se afunda em sangue sem glória

Calmaria maldita que percorre em veias sistêmicas da cegueira sem razão

Ei Deus, cadê os dinossauros?


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Girando o mundo pelo mundo



Graça e beleza, seus auges já tiveram
Para alguns sobreviventes deste mundo
O melhor padrão ainda o são
Graça e beleza, que em si carregam
Significados mais que profundos
Inteligência, ousadia, e coração

A sociedade requer padrões
De moda, luxo e etiqueta
Cria passarela em campo de batalha
A sociedade prega ostentações
Estipula metas e silhuetas
Impõe conquistas ao sangue de quem trabalha

A sociedade religiosa impõe a moral
Prosperidade que Deus concede 
Aos que são fiéis à instituição
Leis arcaicas dribladas pelos religiosos do mal
As mesmas regras não lhes competem
Pois eles, acima das leis, estão

Saudosos tempos idos de minha infância
Felicidade no quintal de terra
Simplicidade e boa imaginação
Inocência minha com a sábia ignorância
Meus soldadinhos e apaches faziam a guerra
E ao final dormiam na mesma caixa, sem arrogância

Fim de tarde na minha rua
Pés descalços na calçada
Riscos de pedra no asfalto
Brincadeiras sob a lua
Rodinhas de piadas
Com desmedidos risos altos

Não sei mais em que mundo estamos
Muitas graças sem beleza 
Muitas belezas sem graça, todo dia
Regras sem moral nos cerceando
Moralistas sem regras, a realeza
Ainda prefiro a loucura à hipocrisia

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"Meo Deos"


"Porque o meeeo Deos é um Deos de prosperidade! Porque o meeeo Deos é um Deos de fartura! Porque o meeeo Deos... é o Deos."

Bom, primeiramente, se existisse um deos para cada pregador, seja este um carismático católico, evangélico tradicional, pentecostal ou neopentecostal, que teima em exaltar o seo deos como se somente ele tivesse acesso direto a esse deos, nesse exato momento haveria uma superlotação de deoses no Céu ou no Olimpo. Engraçado é que esses discursantes se gabam e se colocam num pedestal diante da plateia hipnotizada, esta que compra a ideia de milagres imediatos providenciados com o deos do falastrão. Consideram eles, bem confortáveis de seu diferenciado patamar, que são canais únicos e que possuem um contato restrito com o seo deos, o que a maioria dos mortais não alcançam. Diga-me, ó sábio guru, de onde vem esse ópio que você utiliza?

O discursante, o discurso e o discursado, três partes de um contexto real e atual que compõem uma espécie de trama religiosa alá novela mexicana, que não muda em nada de uma para outra, uma vez que os adjetivos são sempre os mesmos, em suma pura água de batata. Hipocrisia, exagero falacioso e ignorância ou inocência, esses são os adjetivos encontrados em cada uma das partes simultaneamente.

A questão é simples, os discursantes (palestrantes, pregadores ou melhor ainda, discurseiros sem graça), por não terem mais o que inventar em seus falatórios exagerados ao seu público fiel, estão fazendo um caminho regresso à idade média, prometendo absurdos futuros e cobrando um preço caro e imediato. Discursos regados de entonações desafinadas, gritarias, línguas estranhas formam o esboço de um espetáculo da fé, e que através da mídia, é capaz de arrastar e alienar os desajuizados. Os discursantes, a grande massa, o alvo predileto das bandeiras religiosas, pois é essa maioria, ora inocente, ora ignorante ou ainda, se faz de cega-surda-muda, que sustenta os detentores da grande moral, diga-se de passagem, cristã.

Não há que se poupar nenhuma bandeira religiosa. Todas carregam não apenas o rastro de seu passado mas uma série de eventos atuais que contribuem para a o retrocesso do ser humano. O ser humano, em si, ainda não se sente à vontade para questionar os pilares institucionais da fé. O medo de blasfemar contra o um pseudo-sagrado e ser condenado ao inferno ainda assombra suas mentes.

Enquanto isso, cada um vai criando o deos que lhe convém...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Otariano Bour-Scariotes



Otariano era um cara mediano nas convicções. Usava de modéstia para destilar uma simplicidade forçosamente teatral. Culto e intelectual eram os adjetivos que gostava de ouvir na boca dos alunos. Ah, atuava como professor. Suas aulas teatrais eram uma mistura de pensamentos modernos e antigos, regados de boas palavras e repetidas poesias. Nada de novo ou anormal para quem entendia e compreendia a pseudoemoção entre os tons e subtons de suas prosas, que se tornaram meras falácias. Tinha o dom de manipular o clima do ambiente, mas não por muito tempo. Tornara-se cansativo o assistir numa espécie de palco e holofotes que ele se dava ao luxo de produzir e se sentir o maestro da vez. Tolo! Não passou de um indivíduo cheio de manias, uma escória deprimente de um ser que denigre uma classe. Não merecia tantas considerações, tampouco estar ali. Um lobo bem disfarçado. Um judas moderno. Um falso ser escondido entre olhos, boca, ouvidos e casca. Um cara repugnante digno de todo o asco. E tamanha eram suas falcatruas que Otariano simplesmente se fodeu de verde-amarelo, num desfecho hilariante que ao mesmo tempo lavou a alma de muita gente. A ele, o meu total desprezo. 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Travessia teológica



Um pouco mais de 4 anos se passaram. Lembro-me da primeira aula quando uma professora perguntou para cada aluno presente qual tema gostaria de ver em sua disciplina. Na minha vez: "Teologia da Libertação!" Como eu estava sentado ao fundo, percebi alguns corpos se remexendo na cadeira, alguns pescoços quebrando de lado na tentativa de reconhecer a origem da voz que ousou mencionar tal blasfêmia (rsrs). Engraçado mesmo é que os incomodados não permaneceram nessa empreitada teológica.


Amizades. Muitos conhecidos, muitos colegas de turma, de outras turmas, de outros cursos e uma seleta gama de amigos. Ambiente ímpar que os companheiros de caminhada proporcionaram. Discordâncias à parte, ainda bem que cada um tinha sua opinião bem centrada, pois foi o senso crítico e as diferentes ópticas sobre os temas que nos propiciaram grandes diálogos, discussões e embates positivos. Nem tudo são flores, mas os espinhos também nos ensinam.

Educação I. É fato que existem profissionais e profissionais. Há quem esteja pelo valor, e ainda há quem esteja pelo amor. Estes são poucos, mas ainda existem. E... são justamente esses que eu quero exaltar. Tive a oportunidade e o privilégio de conhecer "nomes de renomes", os quais merecem todo o respeito e minha eterna gratidão. Agradeço ao Prof.º Manoel Messias que foi o nosso primeiro coordenador do curso, ao Prof.º Pe. Flávio - atual coordenador, ao Prof.º Márcio Fernandes - o meu Orientador e à Prof.ª Margarete - por todo o seu apoio. Existem muitos nomes para agradecer e cada um, tenho certeza, sabe bem o valor que teve...

Educação II. Mas existem também os que, infelizmente, só detém o título, o diploma, e não conseguem sequer serem organizados. Sim, perdemos muito tempo com alguns professores e isso gerou um atraso, ou um desperdício. Prefiro manter o sigilo quanto aos nomes, pois não foram poucos. Entretanto, é necessário que a Instituição se atente a fim de que se evite os mesmos eventos num futuro próximo. Mas, pior mesmo, é aquele tipo que não é nada daquilo que diz e que prega. Hipócrita! Descobrimos à tempo, novamente, que "as aparências continuam enganando sim". Falso! O asco e o desprezo como retribuição...

Travessia. Gosto dessa palavra e do que representa para mim. Tem uma conotação poética, profética, de sonhos, fé e lutas. Poesia e profecia, uma alquimia  regada a sonhos, muitos sonhos, por uma fé desconstruída e alicerçada sem amarras e sem alienação, e muita luta, principalmente contra as imposições de quem ainda persiste em condenar em nome de Deus: Medievalismo Contemporâneo, guardem esse nome! Uma Travessia que perpassa caminhos, trilhas, rios, montanhas, céu e inferno, aqui e agora, realidade e imaginação, desertos e sertão...

Sim, valeu a pena! Todo ofício tem seus gargalos. Adquirir o pacote tem lá suas desvantagens, pois não dá pra selecionar o que tem dentro e não tem como escolher pela aparência. Os bons mantiveram o nível. As amizades ajudaram a contornar o que tava ruim, ou perdido. O curso finalizou, mas a Teologia, ou as Teologias, permanecem A Caminho.

Obrigado a todos e todas.