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terça-feira, 24 de março de 2026

Ecos: Necessários e Possíveis


E quando o comunicar se torna cansativo? 

Há nisso uma necessidade urgente de repousar sob o solo do silêncio e à sombra do pensamento?

Seria um grito de desespero frente à corrida desenfreada para um topo imaginário?

Faltaria aí a essência vívida e vivida no expresso horizonte dos sonhos?

Vítima da pressa e da urgência, somos todos...

E para quê? 

Para quem? 

Por quê? 

Para tentar controlar e vencer?

O que é vencer na vida? 

Tem uma moral capitalista nisso...

Que tal parar de tentar só vencer e passar a viver?

O resgate de si, o reencontro com o eu mais profundo da existência

Entender o tempo, o seu tempo, permitir-se

Isso também é viver

Decidir é angustiante

Permitir-se à angústia também é

Por outro lado, como sustentar a angústia sem temer uma decisão?

Equalizar "necessários e possíveis" é um meio para encontrar um caminho autêntico para si

Toda a busca humana, no fim, é um eterno e autêntico retorno à essência do seu eu

A condição de ser-no-mundo é um mundo de possibilidades inquietantes

No final das contas, o destino final é certo, pontual e sem preferências

E não deixa de ser uma linha de chegada, um pódio, um topo, um fim em si mesmo

A forma como se vive, sem a necessidade do controle e do poder, faz a vida mais autêntica

E sobre as demandas de cada ser, há que se entender

Uns viverão a travessia, em que o caminho se faz caminhando

Enquanto outros se perderão nos planos da soberba ignóbil 

Necessitando de plateia e escadas para suas propostas pessoais

Nas várias formas de se chegar 

A melhor é a que nos faz sentir o sabor vibrante da vida

Seja no silêncio, no pensamento

Na individualidade solitária e solicita

Ou na coletividade sonhadora e lutadora

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Entre mares e amares



Entre a luz que oprime e a escuridão que redime
O pensamento perdido que foge querendo se encontrar ao longe
Feito animal que busca abrigo no olhar que lhe protege do perigo
Assim sigo em meus olhares
Entre mares e amares

A paz que a guerra interdita, que lança mão, lança bomba, maldita
Entre meus céus, meus desertos, o medo do abandono incerto
Reencontro-me à luz do olhar, que me afronta, me desmonta, amor-amar
Assim sigo em meus caminhares
Entre mares e amares

No caminhar pela trincheira que se estende por uma vida inteira
O sonho que precede o solo, em acordes que cantam e encantam sem dolo
Há muita dor na jornada dessa busca, muito amor, lágrimas, suor e luta
Assim sigo em meus guerreares
Entre mares e amares

A noite que encortina o profano, desnuda o sagrado e provoca o insano
Dentro do peito coabitam sem planos, frio e calor, dor e amor, o santo e o mundano
Deleites de um sonho sem guerra, utopia da paz no coração da minha terra
Assim sigo em meus pensares
Entre mares e amares

Entre os meus mares naveguei, destino certo ou a deriva, lugares explorei
Paisagens e horizontes se pintaram em dádivas, miragens e frontes se impuseram em lágrimas
Amares de paz, de brilhos, melodias, ou que se desfaz, maltrapilho, sem alegria
A busca de um lugar confiável, em que sei, quero ou não estar: inalcançável ?
Assim sigo, perdido, 
Entre mares e amares

domingo, 11 de janeiro de 2026

Ecos do tempo


Por sobre os trilhos de vento

As pistas e ruelas do invisível

Ecoa sem fronteiras o tempo

Constante de um instante irreversível

 

Por sobre as vielas abstratas 

Aos recantos do anonimato

Bate em retirada de data em data

Entre o retrato e o imediato

 

Por sobre as nuvens de pensamentos

Desliza feito areia nas mãos

Mais certo que o certo é o tempo

O que era o agora, já virou ilusão

 

Feito brisa livre e sem confronto

Uma via de mão única e sem porém

O tempo é passagem que distancia pontos

O que era já não é, mas será também

 

O que os olhos sentiram ficou no coração

Para sempre o eternamente agora

De um homem sem ilusões, a última ilusão

O sonho de um tempo sem tempo que aflora

 

Entre os sonhos de hoje e as lições de amanhã

Um tempo que voa sem asas

Um olhar pela janela do meu divã

Ecos do tempo ao retorno pra casa


domingo, 24 de agosto de 2025

Do vínculo ao vácuo

25/4/24 - 14:41

Do vínculo ao vácuo
Há aí um longo atravessamento
Do plano ao limbo
Há aí um longo deserto

Processos
O processo do desapego
Um corte abrupto, incisivo, profundo
Ou tentativas de fatiar com elemento cego
O descaso e o abandono
O sequestro emocional 
O sequestro de você
O sequestro de sua identidade
O sequestro de sua personalidade
Totalmente roubada com sua permissão

É no atravessamento, não do solo
Mas sim do pensamento, da alma
Que a transformação se tece
Noite vem, sol amanhece
Pesadelo inquietante 
Acordado e retumbante

Solo Sagrado


segunda-feira, 18 de agosto de 2025

As dores da existência



Meus olhos 
Ah, quantos horizontes vislumbraram?
Quantas lágrimas rolaram?
Quantas vezes se perderam?
Quantos desertos já viveram?

Meus olhos
Já foram janelas
Janelas que espelham a alma
E hoje parecem celas
Cárcere do coração que ama

Meus olhos já mergulharam sob o caos
Se perderam nas trincheiras do mundo
E sorriram diante dos cenários de paz
Buscaram refúgio na reciprocidade aquecida da amizade 
E se forjaram diante das esquecidas tempestades

Meus olhos, já cansados
Se recolhem à penumbra da solidão
Desafiam os dias de verão
Não se deixam abater na escuridão
Meus olhos, ainda sofrem pela dor
Mas nunca deixaram de eternizar o amor

Com meus olhos
Vivo o primeiro dia 
Do resto da minha vida
Sem mandamentos em meu pensamento
E um modo sobrevivência ativado
De guerreiro incansável
A pacificador inconformado
Ah, meus olhos ainda sonham acordados

Qual é o seu lugar seguro?



Meu lugar seguro é um não lugar
É feito de pensamentos, 
De momentos,
De sonhos,
De coração
De sangue que pulsa nas veias

Meu lugar seguro não está num horizonte
Pode estar no céu
Pintado em cores de saudades
Sentido em dores de um vazio
Reverenciado nos caminhos trilhados
Nas lembranças do que me foi ensinado

Meu lugar seguro tem cheiro
Tem tempero
Tem calor
Tem valor
Tem colo
E amor com dolo

Meu lugar seguro tem ouvidos atentos
Tem olhar que escuta
Tem boca que silencia
Sentimentos em cores que irradia
Provoca minha melhor versão
Amizade eterna do coração

Meu lugar seguro está em mim
No deserto consciente sem fim
Na memória do que já foi vivido
Nas derrotas que me puseram reerguido
No solo que sustentaram meus passos
No aconchego protetor do abraço

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Das trincheiras da solidão



Minhas dores explodem 
Numa avalanche de lágrimas
Que secaram ao som dos tempos
Meus medos eclodem
Numa tempestade de incertezas
Que cortaram na carne e na alma

A necessidade de estar só
É do tamanho da saudade de um colo de vó
Que entremeia os pensamentos
E num vendaval de tormentos
Escancara o outro lado
O de sentir-se tão só e atado

A indiscreta dualidade do sentimento
Que entre as bagagens de dores
Me coloca numa trincheira infinita
Numa guerra de mundos
Os quais habitam em mim
E de tudo, somente a assinatura no vento

Queria poder não querer
Queria não precisar esconder
Meu pranto abafado
Minha desilusão 
Nas entrelinhas do destino
Ainda carregam as sombras do menino

E no fim
Terei que olhar para mim
Enfrentar meus demônios
Num reflexo de antônimos
Minha companhia eterna será
Com ou sem medo, 
Será eu e meus segredos
E assim, findará...

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Solo e dolo, segredos e medos



Dos descaminhos que se encerram nas estações
Sigo a viagem por trilhos em ritmo solo
Destino, acaso ou sina, meu dolo
Quando não lembrar que ouçam canções

Dos céus recaem sonhos em brisas
Dos meus olhos as lágrimas ecoam
Cortinas de ventos no tempo voam
E minha dor novamente canaliza

Dos mares atravessam segredos
O silêncio sussurra em minha alma
Das tempestades cicatrizam meus traumas
E no deserto da maresia se escondem meus medos


sábado, 5 de julho de 2025

Da descoragem à fragilidade: caminhar




A descoragem impetrada na alma
Quando não resta nem mais as sombras
Para um descanso de pós guerra
Angustia meus dias, aflige minha pele
Armadura fina, de sangue, carne e osso
Que sustenta mundos aos quais recaem
E respingam sobre o meu caminhar
Molham meus pés, ora de suor, ora de lágrimas
A dor não é dor, a luta não luta
Apenas sacrifícios exigidos de uma escolha
Perdoo-me do que não pude ser, fazer
Aceito-me em minhas duras imperfeições 
E é diante da fragilidade reconhecida
Que reencontro a força e a coragem
Para enfrentar, não a morte, mas sim a vida
Quando me desnudo de roupagens 
Que não mais me pertencem
Eis que ressurge imponente
A face da raiz de onde eu vim
Recobrando sobre o meu céu
Ressignificando o sabor amargo em mel
Alquimia de almas
Espelhos, reflexos, conexões
Sem razões de amor
Que para onde eu for
Memórias me farão voar
Histórias me contarão ao mar
E no coração dos meus
Eu hei de ficar, brotar
Em seus pensamentos morar

domingo, 2 de março de 2025

Eu preciso ir a tantos lugares



Eu preciso ir a tantos lugares
De outonos intensos 
A verões selvagens
Caçar tantos cheiros
encontrar tantas saudades

Eu preciso ir a tantos lugares
De invernos aconchegantes
A primaveras esquecidas
Deslizar por nuvens de insensatez
E percorrer vielas de ilusões

Eu preciso ir a tantos lugares
Passados de dores
Futuros de flores
Pintar novas telas
Acender algumas velas

Eu preciso ir a tantos lugares
Ao céu da imaginação
À cadeia da solidão
Ao inferno das guerras
Ao calabouço das feras

Eu preciso ir a tantos lugares
Lutar minhas batalhas
Amolar minhas navalhas
Encarcerar meus demônios
Voar com meus anjos

Eu preciso ir a tantos lugares
Mas não me resta tanto tempo assim
Eu preciso navegar meus mares
Mas não me resta tanto rio assim
Eu preciso viver meus olhares
Mas não me resta tanto sonho assim

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O caos na calmaria do sistema



Doce caos nesse mundo sem calmaria
O que me falta?
Não mais que alegria
Não menos que ousadia
O que eu tento é todo dia
Uma nova alquimia
Nessa sobrevivência
Sem latência
Muita querência
Mas eu, Ah!
Eu sobrevivo!

Preza, presa, preso
Nessa cela
Com esse selo
Ileso
Cela de carne, de ossos, de sangue
Selo da marcação
Da contramão
Na irritação
"Dos patrão"
Mas eu, Ah!
Eu sobrevivo!

Estranho mundo estranho
Já dizia o grande 
Freriano, Freire, Freirão
O sonho do oprimido
Hum
É se tornar opressão
Feito um patrão
Mas eu, Ah!
Eu sobrevivo!

Estranho mundo estranho
Mundo estranho mundo
Tão sujo, 
Tão profundo,
Tão imundo...
E quem se tornou patrão
Subiu na chefia, 
Na diretoria
Hum
Por cima
Pra cima
Sem rima
E opressão

Até mesmo a tal qualidade
Hum
Extorquida
De qualquer jeito
De qualquer vida
Para estar
No patamar
Do vislumbre
De seu altar

Fazem até uma pesquisa de satisfação
Mas não é pra melhorar essa qualidade
Jamais!
É só pra causar perseguição 
De quem está descontente 
Com esse sistema
Podre, imundo, e pago
De opressão
E mesmo pagando
Você não tem mais o direito de exigir
Clareza
Competência,
Qualidade
Ouse, tente, abuse!
Pra você ver aonde seu nome estará jogado
Haja medina!
E não lhes faltam de propina
Porque o sistema é uma jogatina
Interesseiros
Pelo dinheiro!
Mas eu, ah!
Margeado pelos pensamentos inquietantes
Eu mais que sobrevivo
Eu sonho, eu acredito, eu luto.
Luto enquanto vivo
Para que a vida não se torne luto.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Fronteiras, rios e meu amor



Quando perdi o que nunca tive igual
Encontrei minha alma em versos
E descobri nesse meu íntimo universo
A infinitude do amor incondicional

A força da alma que me atrai 
Se desvencilha do olhar que distrai
O ardiloso arrebentar do rio margeado
Leva e lava meus medos e segredos libertados

Do não-lugar ao que posso estar
Um caos perdura entre lembranças e luar
É o sonho, o desejo, rios e memória
Saudade não vivida, correnteza sem trajetória

Dores do viver, fronteiras do próprio tempo
Cortes do sentimento, limiar do florescer
Vistas do crescer, escritas ao vento
Ao meu amor serei atento, enquanto eu viver

domingo, 12 de janeiro de 2025

Viajante solitário



Viajante solitário
de seus mundos mais profundos
que no deserto imaginário
Sobrevive eternizado 
no calor do momento
No valor de cada tempo
Alquimista da arte
Protagonista da vida, 
Sua alma grita 
Pelo sonho, pelo gosto
A gana de viver
de sentir o prazer
Não quer mais ser 
a sua própria cela
Quer o doce olhar pela janela
novos horizontes
Céu azul e bonito
de perto, tão mais belo e infinito
Ossos e carnes se contraem
E desacompanham seu pensar, seu querer
Mas o destino, seu algoz
Te faz refém da própria sorte
Entre um risco e o rabisco
Prefere entregar-se ao perigo
Na intensidade que lhe ainda resta
A enterrar-se em vida
Na sentença imposta de sua própria morte

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Rios e ventos


E agora, o agora...
Quanto tempo tenho
Quão frágil esse corpo é
Quão intensa pode ser essa vida
Insana, profana, escassa, devassa,
Minguada, sofrida, ou tão bela e vivida
Imagino um momento de inexistência nesse mundo 
Um caminhar para a insignificância dos atos
Que se pairam frente a uma imensidão de céus e mares
Para esse agora, quem sabe uma dose de sumiço
Alquimia sobre o tempo, um poema ou um feitiço
Tenho um tempo que não é meu
Não sou dono, não sou seu
Ao tempo que me resta, que me presta
Que me rouba, que me empresta
E que me faz sentir um forasteiro
Prisioneiro 
Numa terra sem lei, que não é a minha
Num lugar incerto e não sabido
Fora de casa, no céu e sem asa
Pertencente a lugar algum
Verdadeiro estranho entre alheias aparências
Sem cores, sem flores, sem alma, nem essência
O que de fato vale a pena
Deve caber no calor de um abraço
Na saudade que invade
A cela que rouba a cena
De tudo, meus feitos 
Se perduram num tempo e espaço
De sonho e manso regaço
Que acompanha o leito
Rios e ventos destinados a se tocar
Sem se misturar
Levando brisas, tempestades
Até o encontro com a eternidade 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Estações e Tempos



Derrama sobre o tempo a esperança e a espera
Entre o ideal e o real, o bem e o mal
O sonho e a luta de tantas estações e primaveras
Querência de um tempo vivido
Que se repita no pulsar da alma
Como no crepitar da chama
O que de fato foi bem visto, bem quisto
Finda-se em algum momento a passagem
Que se eterniza apenas na memória
De quem continua a viagem
Na pressa, sem demora, sem hora
De todos os tempos 
O que mais pesa é não saber onde termina
A história da vida de quem nos ilumina
E num piscar se esvai feito vento

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Cenas e Verdades



É no apagar das luzes
Quando se encerram as cortinas
Que você vai entender 
Se aquela cena, aquele ato
Foi concreto ou abstrato
Fingido ou vivido
Real e interpretado

É no apagar das luzes
Que você enxerga o que ficou
As lembranças tão vivas
A nostalgia da alegria sentida
Do amor doado em cada momento
O sussurrar do pensamento
E a companhia tão viva ou tão fria

E no encerrar das cortinas
Que a realidade se desatina
E o que era interpretado
A dor, o amor, a saudade
Tudo vira deserto
Tudo vira tempestade
E a solidão de nós que ecoa pelo tempo

É quando não se ouvem mais aplausos
Aquele vazio retumbante da plateia
Que antes era o mundo
A razão e a emoção
Em que os demônios do vazio proliferam
Quisera a vida do protagonista
Mas ganhara a eterna despedida


quinta-feira, 18 de abril de 2024

A escrita e seu autor algoz



Toda escrita perpassa pela vivência de seu autor
Seja pelas trilhas do acaso, do destino,
Pelas experiências concretas,
Pelos sonhos esperançosos,
Pelas feridas cicatrizadas,
Pelas lágrimas derramadas...
E até mesmo na impossibilidade
Dos pensamentos
Que se mantêm na sala abstrata,
No labirinto entranhado de seu ser
Passado, presente e futuro
Vidas passadas de um futuro imediato
Caminhos percorridos
No aqui e no agora
Espinhos sem pontas
Rosas sem pétalas
Toda escrita é um pedaço de si
Suas dores
Suas vitórias
Seus tombos com cheiro de lona
Seus vislumbres discretos
No concreto de sua alma
Toda escrita tem vida
Tem sentido
Tem espera
Esperança
Tem adulto
Tem criança
Tem jazigo
Tem andança
Toda escrita é única 
No universo do coração 
Que pulsa em pinturas de letra
Pelas mãos que atestam
Sua louca, intensa, insana
Sagrada, profana,
Viagem de si
Para fora
Toda escrita é um permitir-se
Um rasgar-se de si
E remendar-se de amor
Ou de flor...

terça-feira, 16 de abril de 2024

No limiar do verbo

O mundo me inquieta
O desencanto me encerra
Dilemas que se tornam problemas
Sem respostas, nem apostas
E o pior, sem perguntas
Tantas pegadas juntas
Tantos passos perdidos
Tantas vidas sem sentido
Não há mais lugar almejado
Todo espaço se torna vazio
Como o leito seco de um rio
Por mais que já tenha sido visitado
Uma roda viva,
Que cumpre sua premissa de girar
E logo, tão logo, 
De volta ao mesmo lugar
O fim que vira começo
De um começo que não chega ao fim
Acasos, destinos, 
Fracassos, desatinos
O crescimento dói, 
Porque retira de cena
A visão inocente
E, dali, o que se constrói
É na engrenagem do sistema
Ignorante, talvez conivente
De pessoas, 
Nem tão más, nem tão boas,
O crescer é enxergar, 
Se misturar sem se perder
Mas quando se dá conta
Você já está no limiar
Fronteira distante do seu palco
Agora sem luz, 
E de um vislumbre do universo
Da aparência que seduz
Sem prosa e sem verso
A desalmada vida 
Da essência perdida
No caos do tempo
Que esconde a paz
Afasta o tormento
Sob efeito do pensamento
Que varre a alma
Feito vento e ventania
Deixando o verbo no infinito
Sepultando a alegria
No lugar mais bonito
Em que não há limiar
Somente, amar...

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Um novo canto no recanto do céu


"Eu era pequeno (...)" 

Mas me lembro bem:

Doce voz

Doce Vó

Sua voz suave, melodiosa, afinada 

Era, sem dúvidas, um acalento aos nossos ouvidos

Seu talento ia além da voz ressoada nos cantos

Sua vocação, por amor, era arrebanhar pessoas,

Em especial crianças, adolescentes...

E, talvez, essa tenha sido sua grande missão

Que você, querida Vó, realizou com louvor. 

Foi assim com cada um que passou pelo crivo do seu carinho

Pelo doce olhar da sua ternura

Pelos cuidados de sua pessoa

Você foi sempre além do seu tempo

Para nós, que fizemos parte de uma geração saudosa,

Você não foi apenas nossa coordenadora, educadora, mãe e vó

Você foi amiga, confidente, amorosa 

E com uma psicologia nata e única

A de amar, a de cuidar, 

De entender cada um de seus meninos e meninas, 

Que por sinal, nos considerava como netos e netas

Você era alegria

Não me lembro de ouvi-la reclamar durante os momentos de ensaios ou missas

Era nossa protetora, super Vó protetora

Talvez, não tenha dado tempo de dizer essas e outras tantas coisas

Que não apenas refrescam as lembranças, 

Que não apenas nos deixam saudades,

Mas, acima de tudo, compõem a base de nossa formação

Em suas mãos, aos seus cuidados, 

Nós fomos crianças, adolescentes, jovens

E você continuará cantando eternamente em nossos corações

Hoje você leva um canto novo aos recantos do céu

Vai lá e cante, "cante ao Senhor os seus louvores"

Agradeço, agradecemos a Deus por nos ter dado a honra

De conviver e aprender tanto com você.

Obrigado Vó Ivone!

Doce Voz

Doce Vó...


Em nome dos meninos e meninas da Ivone
Grupo de Canto da Vila Cantizani
Piraju-SP