Da vida medíocre e sem igual
De uma classe que acusa, julga e condena
Mas que que ao marginalizado não se atenta
Repousa sob a penumbra invisível
Aos olhos de quem menospreza o sofrido
História do carrasco terrível
Memória de quem não se dá por vencido
Repousa sob alertas pichados
Aos cidadãos que estufam de falácias
Um pedido que ecoa silenciado
Pois, sobreviver é afronta, é audácia

Repousa entre muros de papel
Sob os holofotes de olhares e faróis
Tendo seu teto não menos que o céu
E os papelões como seus lençóis
Repousa ternamente sem berço esplêndido
Um filho teu que luta pela sobrevivência
E foge das armas do olhar pervertido
E dos apontamentos da fria aparência
Repousa nas calçadas sem liberdade
Sem o amor e a esperança dessa terra incerta
Há quem diga que há penhor na igualdade
Mas a verdade é que ela exclui e enterra
Repousa absoluto em seu canteiro
E se ergue sem a clava forte da justiça e esquecido
O que é liberdade, às vezes, é cativeiro
E por fim, nem todo filho é gentilmente reconhecido


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