quinta-feira, 30 de julho de 2026

Entre o aqui e o que há de vir



Quando eu perder a lucidez
Não estarei mais só 
Em meio a tantos ausentes

Nos braços da saudade 
Estarei me reconfortando
Em algum lugar da minha mente

Meu corpo já não mais se importa
Em qualquer beco, em qualquer sol
Eu me refaço em pensamentos

Entre a montanha e o deserto
Os horizontes se misturam à eternidade
Feito rio e mar, sonho e coragem

E é lá que eu quero estar
No silêncio do que ainda será
Certo do que um dia já foi

Mas as águas vão lavar
E o tempo vai levar
Até as lágrimas secar

E quando tudo for desnecessário
O que não foi, não precisa mais ser
E o que há de vir pouco importará

Pois nem todos os novos começos são planejados 
Alguns nascem da necessidade 
E até da consequência

Quando eu perder a sã loucura
E os passos não forem mais meus
Só me resta o deleite da travessia

Um recanto pra repousar
Um sonho pra sonhar
Uma viagem pra seguir

Quando meu corpo não mais me pertencer
Pouco importará onde será o entardecer
Seguirei firme até o meu escurecer

Meu coração pela janela se jogou
Minha alma pelos mundos vagueou
E o meu foi o que me salvou

Quando eu não estiver mais pronto
Pronto estarei para ser o que for preciso
Lá fora eu morro, mas aqui dentro eu vivo

É aqui que eu quero estar
Durante a viagem e depois da passagem
Minhas raízes e também as ramagens

Quando eu não puder mais ser
Que eu seja apenas lembrança
Lembrado em minha eterna criança

Sou nada mais do que já fui
Amor e coragem, prosa e poesia
Perseverança e luta, eterna travessia


sábado, 25 de julho de 2026

Uma questão de escolha e saúde




De onde se ajuntam os de gosto semelhantes, objetivados por afinidades no horizonte
Eis que se formam uma aliança promovendo o discurso de um bem comum
Tão logo o vislumbre aguçou os sentidos, e os olhos almejaram a coroa do poder
O posto auto ocupado no topo se torna objeto de alienação, segregação e perseguição

Os que não se curvaram à verticalidade exploratória de poder e status logo se evadiram 
Acredito que quem desertou conscientemente e quem ainda segue sob a sombra da dúvida
Apegou-se às possibilidades daquilo que o espaço coletivo poderia ou possa vir a ser 
E fazer acontecer de forma plural e individual, quem sabe

É uma questão de escolha, levantaram-se as vozes que se opuseram à maquiavélica manipulação
Escolhemos o lado de nossas batalhas de acordo com as convergências 
Ora divergências de nossos valores, com o que se aplica no espaço coletivo 
Fui até onde deu, pois o desgaste nunca se beneficiou de possibilidades esperançosas de melhorias

O básico requeria excesso de formalidade, as mínimas coisas sempre expuseram a chancela do status ao final
Como uma necessidade vital de mostrar quem manda, a necessidade de auto afirmação constante
Invocando a hierarquia como uma exigência à continência, foram mais que meros detalhes 
Que, no fundo, esfriaram relações, cortaram conexões exaltando uma total falta de empatia
 

Baseado numa vasta lista de apontamentos que fui somando ao longo de um curto percurso
O melhor dessa batalha foi entender que ela não me pertence
Como o silêncio diante dos fatos atípicos não me apetece
O melhormente saudável e em prol do meu nome, foi desembarcar o quanto antes dessa loucamotiva egocêntrica e narcísica

Tenho comigo que todo coletivo precisa de regras para se organizar e trabalhar
Só que o mesmo, o grupo, também tem vida própria dentro do aspecto democrático
Ele é soberano e deveria ter autonomia para decidir o que é melhor, o que é viável
Uma liderança ímpar jamais se atreveria a ser protagonista além de sua equipe

Eu escolho não me calar, não ser conivente, nem refém 
Tampouco testemunha silenciada de um sistema engessado, manipulador 
Que visa única e exclusivamente perpetuar-se no poder e deleitar-se no status
Eu escolho não fazer parte, escolho a liberdade