Quando eu perder a lucidez
Não estarei mais só
Em meio a tantos ausentes
Nos braços da saudade
Estarei me reconfortando
Em algum lugar da minha mente
Meu corpo já não mais se importa
Em qualquer beco, em qualquer sol
Eu me refaço em pensamentos
Entre a montanha e o deserto
Os horizontes se misturam à eternidade
Feito rio e mar, sonho e coragem
E é lá que eu quero estar
No silêncio do que ainda será
Certo do que um dia já foi
Mas as águas vão lavar
E o tempo vai levar
Até as lágrimas secar
E quando tudo for desnecessário
O que não foi, não precisa mais ser
E o que há de vir pouco importará
Pois nem todos os novos começos são planejados
Alguns nascem da necessidade
E até da consequência
Quando eu perder a sã loucura
E os passos não forem mais meus
E os passos não forem mais meus
Só me resta o deleite da travessia
Um recanto pra repousar
Um sonho pra sonhar
Uma viagem pra seguir
Quando meu corpo não mais me pertencer
Pouco importará onde será o entardecer
Seguirei firme até o meu escurecer
Meu coração pela janela se jogou
Minha alma pelos mundos vagueou
E o meu foi o que me salvou
Quando eu não estiver mais pronto
Pronto estarei para ser o que for preciso
Lá fora eu morro, mas aqui dentro eu vivo
É aqui que eu quero estar
Durante a viagem e depois da passagem
Minhas raízes e também as ramagens
Quando eu não puder mais ser
Que eu seja apenas lembrança
Lembrado em minha eterna criança
Sou nada mais do que já fui
Amor e coragem, prosa e poesia
Perseverança e luta, eterna travessia


