segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Doce encontro

1)" Tu me chamaste com teu jeito sereno
Me tocaste de maneira tão profunda
Simplicidade do teu olhar
Foi o bastante pra te aceitar

Tua voz calada em minh’alma ressoa
Tuas mãos chagadas a minha face sentiu
As pegadas que deixaste em minha vida
Foram suficientes pra eu te encontrar

Neste momento, que vou ao seu encontro
Pelas santas mãos que o transformam no pão
Sinto meu coração descompassar
Ao te encontrar frente a frente no Teu altar
Senti-lo em minh’alma é pura emoção
Minhas lágrimas já não seguro mais

2) Chamaste as crianças pra si
Escolhestes os piores para estarem contigo
Abraçastes a causa dos excluídos
Chamou o traidor de seu amigo

Sua morte de cruz não foi em vão
Seu legado é sem fim por toda a terra
Tuas marcas mudaram nossa vidas
Agora somos um povo que em Ti espera

3) O milagre do seu corpo
Em pão transformado
Que sacia a alma de quem o procura
Nos deixa a vida sempre renovada

Seu corpo e seu sangue Senhor
Sim eu quero de coração receber
Digo sim ao Seu Santo Nome
Senhor, Teu amor faz doer"

Música inspirada no momento da comunhão, liturgia da Missa.

Ailton Domingues de Oliveira

16/08/10

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Reflexo

"A imagem refletida
No espelho, na água
Sob qualquer raio de luz, formamos a sombra
A imagem contornada de um objeto
O reflexo como impulso
Uma reação diante de uma ação
Tão rápido que não se percebe sua simultaneidade
Uma bola lançada na parede com força
Volta praticamente com a mesma intensidade
Um bom dia entoado com o coração, revela sorrisos
O mal trato gera aspereza, desestimula o ambiente
O reflexo pode ser o gesto com o próximo
O reflexo da bondade, da caridade, do amor e do perdão
Numa ocasião, diante de uma incerteza, um desgosto, não lembro
Olhando para fora do carro, em busca de alguma explicação
Esquecendo de que já tinha tudo o que precisava
Quando resolvi voltar os olhos para frente
Percebi o reflexo da imagem
De Jesus Misericordioso no vidro do carro
A imagem estava sobre o painel
Porém, foi refletida no vidro
Algo tão simples, explicado em detalhes pela física...
Mas e daí?
Naquele momento foi tão real
Um milagre aos olhos
Uma resposta simples ao coração
Diante de um questionamento
Sem pé nem cabeça
Simplesmente, o Reflexo de Deus
Brilhando no escuro dos meus olhos e dizendo:
“Estou aqui e não percebes!”
Não é preciso ter além do que o necessário
Para ser feliz
A Graça de saber viver nos detalhes divinos
Não requer riquezas financeiras
Existe algo que ninguém pode nos tirar
A liberdade de sermos felizes
O contato com Deus
O Deus em nossa vida
A experiência em Jesus
A comunhão eterna
A ação do Espírito Santo em nós
A maior riqueza que o ser humano pode conseguir
Tão aos nossos olhos, porem tão deixada de lado
O Reflexo de Deus em nós
Podemos ser a imagem frente ao espelho, ou, simplesmente ser o espelho ..."

Ailton Domingues de Oliveira

12/08/10

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aos meus avós

“Ficaria orgulhosa de mim...
Ficariam felizes ao me ver assim
Me deixaram um eterno menino
Me fizeram um homem
Aprendi no silêncio da solidão
A escutar a voz das antigas razões
Suas vozes sempre tão vivas
Sob suas asas veio o meu saber
Na sabedoria de vossas simplicidades
O sentido da vida
O rumo certo indicado por suas mãos
Conduzindo as minhas
A saudade, que dói por não tê-los
Me consola, ao pensar que
De onde estão, ao lado de Deus Pai,
Seu Filho, no Espírito Santo
No colo de Maria Santíssima
Ainda zelam por mim...
Obrigado, simplesmente obrigado...
Não importa ser um estrangeiro nesta vida
Importa sim ser à vocês o orgulho
Humilde e sincero
De quem os ama

Parabéns a você minha avó
Parabéns a todos vocês...

Fiquem em Paz,
A Paz de Deus
No descanso eterno.”

Ailton Domingues de Oliveira

02/08/10

terça-feira, 6 de julho de 2010

Razões

"Razões,
Pelas quais brigamos
Razões pelas quais lutamos
Razões pelas quais choramos
Razões pelas quais sorrimos

Razões,
Pelas quais ouvimos
Razões pelas quais calamos
Razões pelas quais explodimos
Razões pelas quais falamos

Razões,
Pelas quais nascemos
Razões pelas quais morremos
Razões pelas quais chegamos
Razões pelas quais partimos

Razões,
Pelas quais batalhamos
Razões pelas quais guerreamos
Razões pelas quais perdemos
Razões pelas quais derrotamos

Razões,
Pelas quais sofremos
Razões pelas quais apaixonamos
Razões pelas quais vivemos
Razões pelas quais amamos

Razões, simplesmente razões
Motivos e emoções
Sentimentos e razões...
Vida!!!"

Ailton Domingues de Oliveira


06/07/10

domingo, 4 de julho de 2010

História de um domingo

            Domingo. Os meninos brincam no quintal. Lucas é o grande amigo do Felipe aqui no bairro. A diferença de idade não os impedem de vivenciar longas histórias imaginárias neste espaço que se transformou em castelos, florestas, campos de batalhas medievais, e até mesmo numa linda casa habitada por uma bela família, unida e feliz.
            Felipe, com seis anos, é o líder da maior parte das imaginações. Lucas com nove não se intimida e faz parte de toda a encenação vivida neste sonho de fundo de quintal.
            Leio agora “A Cabana”. Ainda no começo, confesso que fiquei um tanto quanto angustiado e comovido ao ler as primeiras páginas. O fato de ter um de seus filhos desaparecidos ou seqüestrado por um assassino me fez cair integralmente neste contexto e me tornou parte viva e interessada em desvendar o quanto antes o mistério do livro.
            Tudo o que tange ao Felipe, como pai, sempre me sinto não só na obrigação social de o educar, mas no sentimento fiel e sincero de o amar e o proteger da melhor forma possível, sem escondê-lo do mundo mas apresentando de forma cautelosa com seus porquês e porens, mostrando sempre o resultado de cada opção.
            Essa noite foi complicada. Felipe não dormiu bem. Alergia, gripe... rinite que sempre o persegue. Falam que tudo melhora com a idade, então torço para que ele cresça rápido e assim pare de sofrer. Mas, ao mesmo tempo é tão bom vê-lo assim, ainda pequeno, ainda posso adentrar suas histórias imaginárias e me transformar em seu herói, que nada teme e tudo vence.
            Noite longa essa... Mas, eu quis estar aqui e como é bom poder estar presente, principalmente quando ele não está bem. Acolhe-lo em meus braços numa tentativa de dizer sem pronunciar que está tudo bem, que tudo vai passar, tudo vai melhorar... Basta confiar em Deus. Queria tanto que seus incômodos fossem transferidos à mim... e que ele paresse de sofrer tanto assim. São tentativas movidas pelo amor e pela fé, de que tudo vai acabar bem.
            Na madrugada, ele se recupera, após o “chá”, de um anjo da guarda... Deus aparece pelos meios mais diversos e se compadece de nosso sofrimento. Sua Perfeição de Pai nunca desampara um filho Teu.
            Nesta noite turbulenta, tantos pedidos de melhora para o Felipe, e ele melhorou. Tantos agradecimentos por estar junto dele, que mesmo no cansaço de uma noite de sono totalmente interrompido não há mal humor que estrague um dia com os raios de sol iluminando nossas vidas.
            Obrigado filho, por ser tão especial e dar tanta razão à minha existência. Obrigado Maria, por fazer parte deste caminhar, de amor e companheirismo. Obrigado meu Deus, pela vida junto aos que amo.

Ailton Domingues de Oliveira

04/07/10