terça-feira, 8 de setembro de 2015

Dorme com Deus, anjo...

Imagem: Márcio Sotelo Felipe
"Nana  nenê 
que a cuca vem pegá
Papai foi na roça
Mamãe no cafezá..."


Ouço essa cantiga popular desde que me conheço por gente. Meus pais, meus avós principalmente, fizeram-na conhecida. Cantei para o meu filho e hoje ainda canto para minhas sobrinhas. Funciona como uma espécie de mantra. Tem a magia de sintonizar a criança para a leveza do sono.

A imagem acima trouxe-me de imediato a lembrança de infância. A primeira impressão é de que a criança está dormindo, exausta, após um dia de muitas brincadeiras. Alguém a tomou nos braços e entoou a canção em seus ouvidos. O cansaço fora tanto que não deu tempo de tirar seus sapatinhos. 

Mero e triste engano! 
O pequeno não está dormindo 
Não foi um dia de longas brincadeiras 
Não está em seu quarto
Não é sobre sua cama que repousa
Não repousa 
Sequer respira!
Sequer acordará entre os seus...
Estirado nas areias de uma praia
Seu corpo foi trazido pelas ondas
A vítima mais pura deste mundo
Inocência maltratada
Tardiamente tornara símbolo 
Das insanas e necessárias migrações
Das fugas das mazelas rumo a um futuro incerto
Que no sonho, pelo menos, hão de serem livres
No final, se nada der certo
Pelo menos não deixaram de arriscar
Essa tentativa, porém, custou caro
Não só o sonho, mas o sonhador em si
Não só a esperança, mas a única flor do jardim
Dorme com Deus, anjo...






Fotos: Reuters

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lá do interior

 * Vó Iolanda (in memoriam) e eu.

Eu sou lá do interior
Onde a gente era livre na rua
Não havia qualquer temor
Do raiar do sol à chegada da lua
E nessa rua que tinha de tudo e era bonita
Galo e galinha, cachorro e gato
Moleque soltando pipa
Esconde-esconde no meio do mato

Brincar de polícia e ladrão
Era a minha preferida
Mãe da rua e soltar balão
Rolimã sem freio na descida
Minha bicicleta era a Pantera
Pneus largos e pesada
A gente juntava uma galera
Apertava campainha e corria na pedalada

Eu sou lá do interior
Onde a rua era uma segunda casa
Quando chegava a noite no tempo de calor
A molecada sob a luz do poste se ajuntava
Jogava dama na calçada
Futebol no asfalto e amarelinha
Bom mesmo era o kichute na pelada
E uma corrida até a pracinha

Em toda casa tinha uma criança
Algumas tinham três ou mais
Conhecia toda a vizinhança
Suas casas e seus quintais
Não haviam muros entre as casas
Apenas cercas velhas com buraco
Por cima do muro se proseava
E ninguém invadia o espaço

Eu sou lá do interior
Onde tinha novena nas casas
Canto, prece e louvor
E a gente lá rezava
A rua era um universo em cor
De meninos correndo co'alegria
Cada um tinha seu sonho maior
E nunca faltava a estripulia 

Daqueles tempos tão saudosos
Guardo nomes e lembranças
Gente de coração bondoso
Que me viram tão criança
Aquela rua em que eu cresci
Guardo no pensamento de menino
Lá sim eu fui feliz
É a saudosa rua Delfino


* Minha bisavó Francisca (in memoriam)
eu e minha avó Iolanda (in memoriam)

Aos Jarrões

*Foto, da esquerda para a direita:
Parte superior: Gustavo, Ailton;
Em pé: Maycon, Alex, Fábio, Neyhilton
Retratista: Ricardo


Era uma turminha da pesada
Que na verdade eram duas
Da rua de cima e da de baixo
Cada uma na fachada sua

Corre daqui, corre de lá
Perseguidor e perseguido
Ora correndo feito mocinho
Outra vez como bandido

Não havia mistura nem papo
Mas sobravam esbarrões e encarada
Foram tantas tretas na rua
E uma hora acabou em porrada

Um dia, por fim, tudo parou
Tinha um centro que era de lazer
Como dizem as velhas frases
Foi o esporte que fez acontecer

Jogo de vôlei ao sol do meio dia
Só tinha água da torneira
Sem misturar as turmas da correria
Pra'guentar a tarde inteira

Os finais de semana se intensificaram
Não havia prosa entre as duplas
Não tinha mais briga de rua
Mas no vôlei permanecia a disputa

As barreiras se rompiam
À medida de cada partida
Já havia muitos sarrinhos
E a parceria pra toda vida

De arqui-inimigos a colegas
De amigos a irmãos
Essa tribo já tinha suas regras
Jogar vôlei e entornar o canecão

Uns comiam com farinha
Outros bebiam só um tantaço
Uns jogavam com bronzeador
Outros chapados e bebaços

O tempo passou e a amizade cresceu
Passeios, festas e baladas
E até nova correria aconteceu
Com as duas turmas do mesmo lado

Cada um seguiu seu caminho
E a turma então perdeu o contato
Mas o tempo não apagou
A história daquele retrato

O que um dia selou
Não tinha como se romper
O mesmo tempo que também separou
Fez de novo tudo acontecer

Ex-rivais, agora amigos
São irmãos do coração
São os frutos de uma era
É a Turma do Jarrão

* Foto, da esquerda para a direita:
Em pé: Neyhilton, Alex, Ailton, Fábio, Wilson, Gustavo;
Agachados: David, Ricardo;
Retratista: Maycon.

Chacoalhando geral


É... preocupante! Educação, respeito... cadê? Gente sem noção que deixou aflorar a falta de tudo. Manifestantes desinformados, ora alienados pela mídia golpista, e uma gangue de oportunistas aproveitando para se promover. Não demora muito e ainda escutaremos alguém desse meio dizer que Hitler tinha razão em suas práticas nazistas. Absurdo! (Sobre as manifestações ocorridas em 16/08/15)


Desfecho de mais uma santissíssima inquisição: Dom Aldo suspende o Padre Luiz Couto da Igreja Católica da Paraíba. Motivo: Couto, enquanto deputado, apoia as palavras de um Pastor, que também é vereador, e prega o diálogo frente ao fundamentalismo praticado pelos falsos mestres. Simbora defender um defensor de boas causas antes que a fogueira consuma suas entranhas carnais, já que a espiritual foi "comungada, tornou-se um perigo e incomodou". (Fonte: http://www.maispb.com.br/118749/dom-aldo-suspende-luiz-couto-da-igreja-catolica-da-paraiba-veja-motivo.html - 20/08/15)

Te amei




Te amei, 
Desesperadamente
Em cada ato, no tempo ou de imediato
Num dedo de verso, concreto ou abstrato

Te amei
Loucamente
No tempo em que o céu nos reservou
Na chuva, no frio, no mato e no calor

Te amei
Friamente
Diante do infortúnio que nos atrapalhou
Na espera louca que nos atrasou

Te amei
Sofridamente
Na incerteza de um futuro distante
No sonho, como seu eterno amado e amante

Te amei
Sorrateiramente
Na certeza de uma vida esperada
Esperando acabar a névoa gelada

Te amei
Certeiramente
Em cada canto do tempo encontrado
Como se fosse o último toque em seu corpo suado

Te amei
Cegamente
Não enxergando um mundo sem ti
Confiante que nossa vida a dois é aqui

Te amei
Simplesmente
Eu sei
Que te amei