quarta-feira, 21 de junho de 2017

Porque os dias não são iguais



Porque os dias não são iguais
Nada é tão mera sequência
Nunca mais foi uma imposta rotina
É fruto de minhas escolhas
Em formação com minhas rimas
Alegria em meus passos


Desde que olhei ao tempo
Tantas folhas carregadas pelo vento
Tantas estações vazias 
Corpos nus e almas frias
Sol e lua em sintonia
Mas os dias não são iguais

É o tempo
São os dias
Porque os dias são bem assim...
Diferente é cada momento
Fazem parte tristezas e alegrias
Para um novo amanhecer é preciso um fim...

sábado, 27 de maio de 2017

O fim das coisas

*Eu e minha irmã Cinthia na mesa de nossos avós, 
Joaquim e Iolanda
"Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim"
"Naquela mesa", música de Nelson Gonçalves


Tudo tem um fim, principalmente as coisas materiais...

De frente para uma mesa com quatro cadeiras, que foi presente de casamento dos meus avós maternos Joaquim e Iolanda e hoje repousa aqui na cozinha de casa, fiquei observando as marcas do tempo. Desgastes naturais e pelo uso. Algumas partes descascadas e sem o brilho do verniz. Marcas que podem facilmente desaparecer se forem restauradas. Não será o caso.

Os objetos que foram de pessoas importantes sempre fiz questão de guardar e zelar. Olhar para eles é como abrir um álbum de fotografias na memória. A mesa e as cadeiras tem esse efeito. Lembro-me de meu avô sentado em uma ponta e eu de frente para ele. Minha avó em uma das laterais. Almoço de domingo era sempre assim...

Quantas conversas, quantas lições, quantas histórias eu ouvi sentado bem ali, juntinho deles... Coisas que o tempo não desgasta, não apaga. Dispensam restaurações. Momentos selados na história e na memória, eternizados no coração.

Eu mesmo poderia restaurar esse conjunto tão rústico e simples, mas senti a necessidade de permitir que tais objetos possam retornar também ao pó. É a lei da vida, o ciclo natural de todas as coisas. Nada é para sempre. Apenas o que vivemos, o fruto de nossas escolhas, ou o que deixamos de viver, isso sim será eterno.

Tudo merece o seu devido e respeitoso fim no tempo... As pessoas que produziram tal relíquia, bem como as que presentearam os meus avós, e eles próprios, já encontraram o seu descanso eterno. Ficaram as lembranças e a saudade...


quinta-feira, 23 de março de 2017

Feito vento


Feito vento...
Vai passando e cortando
Levando e arrastando
Transpondo limites
Sem destino nem meta
Até se perder em brisas

Feito vento...
Vou indo e vivendo
Entrecortando os caminhos
Reinventando meus dias
Sem pressa nem demora
Até encontrar meu lugar

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Seja o seu próprio padrão



"Dos padrões que a sociedade impõe não quero nenhum.
Comparam-se nos espelhos e aprisionam-se nas mentiras desvairadas da perfeição alheia.
Máscaras, maquiagens, roupagens... 
Há quem viva muito mais o seu personagem que chega a esquecer quem de fato é.
Sou o meu próprio padrão."

Passageiro


Na briga dos demônios,
Sobrevivem os libertados
Sou um passageiro apenas
Que segue viagens e rituais
Carregado em uma cela
Onde trevas e luz se equilibram
Entre sombras e luzes 
Não há mal
A normalidade não é questionada
Pois as regras externas são seguidas
Sou apenas um passageiro dentro de outro...