O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
Os demônios do pós-guerra
domingo, 4 de setembro de 2022
Crítica: "A desordem que ficou"
Professora: "Morrer é uma arte. Como tudo, eu faço isso excepcionalmente bem. Tão bem que parece o inferno. Tão bem que parece real. Suponho que poderia chamar de vocação." - Sylvia Plath.
- O que ela pretende com esses versos? Seria um grito de socorro? Está anunciando a sua morte?
O trecho acima refere-se à série "A desordem que ficou". As falas incitam curiosidade e pesquisa. A morte em si causa espanto, curiosidade sobre o que vem depois e, óbvio, insegurança, medo. Até os mais céticos se rendem ao tema morte. As religiões explicam às suas maneiras e o que move as pessoas é a fé, a crença.
Dentre tudo o que se expressa e afirmam por aí sobre a morte acredito que a arte é a maneira mais leve, pura e não deixa de ser uma verdade carregada de esperança para elucidar esse rito, esse mito, essa passagem. A poesia por exemplo é capaz de ir além do que a religião afirma e do que a ciência propõe. Ela pode caminhar sem peso nem culpa lado a lado com ambas e ainda assim tecer o seu próprio meio para explanar sua verdade.
Particularmente acredito que a morte não possa ser o fim de todas as coisas. Acredito também que a nossa memória persiste como um legado no coração daqueles que amamos. Tornamo-nos histórias recontadas entre risos e lágrimas que, com o tempo, vai se apagando lentamente neste plano. Em algum lugar, ainda nos encontraremos...
sábado, 3 de setembro de 2022
A rainha e o plebeu em Lótina
O conto era de fadas
Mas somente quando a rainha fugia para a cabana de seu amante
Uma vez que ela insinuou para ele ir vê-la,
correndo todo tipo de risco por entre os cercados de seu castelo,
mudou de ideia instantaneamente
quando percebeu sua coragem ao nota-lo em sua porta
Ignorou-o e o deixou ao relento
Rainha e plebeu ou a dama e o vagabundo, não importa!
O que separa o verdadeiro do irreal ainda é o material.
Esse fato sempre existiu e assim continua sendo...
terça-feira, 30 de agosto de 2022
Por medos
Por medo de te perder
Por medo de não te ter
Me sucumbi
Me libertei
Das algemas que eu criei
Quando me coloquei aos teus pés
Quando fui atingido pelo teu olhar
Entre meus medos
Não podia ser o medo de te perder
Porque eu nunca te tive
Da forma que eu gostaria de ter
Por medo de te perder
Eu nunca te tive mas sempre quis
Mas sempre tive medo
Medo de não te não ter mais
Medo de nunca te ter
Medo de perder o que eu nunca tive
E o medo faz a gente fazer coisas
Coisas que a gente não gostaria de fazer
Para não magoar aquela pessoa
Que você gostaria de ter
O medo e a coragem são irmãos gêmeos
Necessários para toda e qualquer sobrevivência
Agimos com coragem ou a coragem pelo medo
A coragem transformada pelo medo
Pelo medo de perder
Pelo medo de sofrer
Pelo medo de viver refém
Daquilo que eu nunca pude ter
E do mesmo jeito eu só tive dentro do meu ser
No meu pensamento entre meu tempo e meus tormentos
Esse medo chega como vento,
Varre, estraga, leva, tudo aquilo que não tem alicerce
Meu medo, meu segredo, minha coragem
Por todos os meus medos
Eu não quis ficar refém
Desse segredo de amar em segredo
Por todos os meus medos
Eu não te esperei
Eu adiantei o sofrimento que um dia poderia me deter
Por todos os meus medos eu corri
Pra você, por você, de você
Eu corri!
E eu sei que te perdi
Mas perdi aquilo que eu nunca pude ter
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
Broto de poesia
E percebi, apenas percebi
que a poesia não se inspira
sob o efeito deturpado do visível
ela brota do desejo da alma
que clama e espera no tempo,
um tempo não cronometrado,
por quem traz na leveza do olhar
o incompreendido a qualquer olho nu
a poesia brota consciente,
inconsciente, no sonho acordado
ou pesado
Poesia e amor andam juntos
Amor é poesia, prosa, silêncio...
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