quinta-feira, 13 de abril de 2023

Rascunhos incompletos II - eternidades


Todos são eternos mas somente um te acompanhará pela eternidade.


A melhor parte de saber as regras é encontrar a forma certa de quebrá-las (Anne)


Não é o corpo... É o combustível que me impulsionou a agir... 
Suor, lágrimas e sangue
Batimentos que arrebentam o peito


Para além da eternidade
é o sentimento que alimenta a esperança
de te reencontrar



Ponto cego, em que perdi o rumo e encontrei você...


Companheiros de almas perdidas, 
tantas histórias
tantas partidas
outras vidas





Rascunhos incompletos I



A última ceia

A última ceia é a referência da vivência do amor e da caridade: "nisso todos reconhecerão".

O que faz com que uma pessoa potencialize uma demanda se a demanda é da ordem do inatingível?



2) "(...) aquele que foi mais autêntico: Tomé"



3) Nada é por acaso.
Nada acontece sem a vontade de Deus.
Deus seria o acaso?
Ou o acaso é a vontade de Deus??
Livre arbítrio
Ou
Conspiração divina?


4) A luta da mulher
Gênesis 2 - Fica claro que desde os tempos em que a história do Gênesis foi contada, escrita e repassada pela tradição de geração em geração, alguém, de certa forma já se preocupava com a posição da mulher. O texto evidencia que ambos deveriam ter direitos e espaço em mesmo pé de igualdade. A luta pela inclusão da mulher e o seu devido e merecido respeito é mais antiga que este escrito....


Queda livre




A sensação a ser descrita é a mais próxima do real, por mais surreal que a situação aparente ou seja de fato: em queda livre. É assim que consigo definir os meus dias, que em meio a tantos desequilíbrios externos firmo-me numa corda bamba imaginária. Um verdadeiro dilema desconexo. Quando se sonha caindo de um lugar alto, ou voando, ou pulando, a sensação de frio na barriga, aquele susto, aquele pulo na cama são coisas que talvez se aproximem de uma queda livre. Associe a isso uma segunda sensação entre uma queda livre e outra, a de equilibrar-se numa corda bamba, sem fim, onde não se vê o horizonte, nem o chão nem o céu. Restam apenas os rastros do quanto já se caminhou e algumas gotas de sangue e esperança para se chegar em algum fim o mais inteiro possível. É preciso sobreviver. É necessário suportar até a última gota de sangue, até o último suspiro. (01/02/2021)

quinta-feira, 30 de março de 2023

Até breve, Vôlei - carta


Venho aqui hoje pra deixar um "até breve"! As aulas da faculdade recomeçam semana que vem e aí vai ser complicado participar dos rachas. Mas, se eu puder permanecer aqui no grupo, sempre que tiver uma oportunidade (depois que cuidar dos meus ombros) com certeza eu irei (se não puder, também entendo). A gente chega pelo vôlei mas permanecemos pelos vínculos de amizade que se criam. Além disso, a dinâmica do grupo, as brincadeiras e os assuntos tem um astral positivo.

Aproveito também para agradecer a todxs pela alegria, pela receptividade, pelas brincadeiras e em especial pra quem teve um plus de empatia e humildade na hora dos rachas e soube "falar de boa" quando as levantadas não saiam de acordo. Afinal mais de 16 anos sem entrar em quadra a gente fica enferrujado. E o tempo não perdoa ninguém... O respeito é para com todxs mas, alguns nomes, com certeza, levo com grande carinho e admiração, não pelo nível de vôlei desenvolvido em quadra, mas pela sua "essência" enquanto ser humano, a empatia, o respeito, a paciência, a alegria e a boa energia.

Cheguei aqui através de um amigo da faculdade, o Victor Carvalho e, já que ninguém me tirou, eu fui ficando e contrariando alguns olhares de desaprovação. Com 4.6 no currículo, e contrariando também as restrições do ortopedista que, devido a uma tendinite crônica inicialmente no ombro direito (agora no esquerdo também), havia o risco da lesão se agravar e aí somente cirurgia pra "tentar" resolver, é hora de dar um tempo e tentar amenizar essas "ites" da vida e do tempo. 

Os ombros estão como uma engrenagem de moinho de café que, quando vc gira a manivela, sente o atrito dos grãos sendo moídos. No caso, sinto o atrito das articulações estalando e isso dói muito. Mesmo seguindo a risca todas as outras orientações médicas (musculação, fisioterapia, pilates, antiinflamatórios diversos, gelo,...), o fato de ter insistido no vôlei trouxe uma piora na inflamação. 

Joguei assiduamente até os 28/30 anos mas, devido a diversas mudanças de trabalho, de cidade e na vida, o vôlei acabou ficando de lado. Entrar em quadra novamente (desde setembro/2022), depois de tanto tempo, me fez sentir como uma criança entrando num parque de diversão. Foi ótimo, maravilhoso, uma verdadeira terapia num momento "foda da vida". Claro, tudo isso em especial pelas pessoas que fazem parte do ambiente dos rachas. 

A pandemia deixou sequelas e fez a gente se reinventar e repensar sobre tudo e todxs. Não bastasse, cada pessoa ainda teve que lidar com seus anjos e demônios particulares. Comigo não foi diferente. Mas não cabe falar aqui. Problemas todos temos e quando não damos conta de resolver sozinhos, é necessário correr atrás de ajuda, colocar a cabeça no lugar e se conscientizar de que não temos a resposta nem a solução pra tudo. Família, amigos são muito importantes. Espiritualidade, fé, ciência (medicina) e o esporte, principalmente, estão aí pra nos socorrer. 

Paciência e aceitação, essas são as palavras da minha autorreflexão. Sendo seres limitados e com prazo de validade, uma hora a conta chega para todxs. Nos últimos rachas senti uma piora significativa. Em alguns movimentos a dor é tanta, que chego a perder a força seja pra dar um simples toque na bola. Sacar já me exigia muito e atacar é impossível! Isso gera uma sensação de incapacidade absurda, pois vc sabe o que fazer e como fazer, vc quer fazer, mas está limitado... É foda! 

Vale lembrar também, que muita gente busca diversas alternativas para equilibrar a vida entre os dias de luta e os dias de glória. O vôlei, como todo esporte, é uma das melhores que já conheci e participei. Importante ressaltar que, muito além do jogo em si e da disputa, existem outras prioridades que, as vezes, passam despercebidas: empatia, acolhida, respeito e inclusão sempre. Isso é o esporte. Esse é um dos legados do vôlei. Nem tudo está no fato de ganhar ou perder. Acredito que o tempo pode trazer um pouco mais de leveza para cada um e cada uma em particular.

Bom, desculpem-me pelo textão e desculpas tbm se, por brincadeira ou no calor do momento, disse algo que soou de forma negativa. Tenho 2 filhos, Felipe e Joaquim, e por eles eu me empenho em ser uma pessoa melhor a cada dia, agindo com empatia e respeito com cada pessoa que cruza meu caminho seja no trabalho, na faculdade, na rua ou em quadra. A gente se vê por aí nas esquinas da vida, nos bares, nas lutas ou nas quadras. 

* Não dá pra perder uma boa briga por uma boa causa! Boas prosas sempre me inspiram, geram ótimas ideias, motivações várias e no mínimo me possibilita uma troca de experiência e aprendizagem. Então, me coloco a disposição sempre.

"Nesse mundo somos uns pelos outros." (Essa frase carrego comigo em todos os meus dias. Ouvi de um senhor carpinteiro, que na época era meu vizinho, quando precisei de um serviço seu depois que estourei um cano no quintal com uma enxadada. Ele não quis me cobrar e soltou essa pérola. E assim compartilho com vocês: "somos uns pelos outros.")

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sexta-feira, 24 de março de 2023

Travessia PJ



Entrei no que a gente chamava de comunidade, primeiramente no grupo de canto da Comunidade de Nossa Senhora Aparecida, também conhecida como Comunidade da Vila Cantizani, em Piraju, São Paulo. Eu tinha uns 9 anos de idade e esse grupo de canto era formado por adultos, jovens, adolescentes e crianças. Nesse período comecei a tocar violão nas missas. Os grupos de jovens ainda eram constituídos por muitas pessoas, chegando a somar mais de 100. Lembro da transição feita de grupão para grupos menores, os grupos de base. Quando acabou o Crisma, fui para o grupo de adolescentes. Os roteiros de reuniões ainda eram diversificados, em sua maioria nada dinâmicos. De forma inocentemente engessada, as reuniões eram basicamente estudos em que só o coordenador lia algo, comentava e depois abria para discussões, o que quase nem sempre havia participação. Eu tinha 14 anos. 

A partir de 1996/97, com 20 anos respectivamente, conheci de fato a Pastoral da Juventude, sua estrutura, espiritualidade e modos de ação. Sua história de lutas me encantou. Foi uma história de amor e libertação que se perpetua nos meus dias de travessia. Dentro do ambiente católico também conheci outras linhas de ação de movimentos de massa mas, foi a PJ, sua caminhada de sonho-fé-luta que constituiu toda a minha base de pessoa, cristão, ser humano, de forma especial.

Antes mesmo de conhecer a PJ eu já buscava por algo diferente do convencional, não queria mais do mesmo. E sem saber eu já ansiava por esse "novo" que tivesse uma práxis libertadora. Na época, ainda adolescente e instigado por inquietudes inexplicáveis e questionamentos que me gritavam internamente sobre a estrutura engessada de todo tipo de sistema, eu já era PJoteiro. Era uma questão de tempo para que esse encontro acontecesse. 

1998 foi o ano em que o mergulho nas águas da PJ foi realmente profundo, transformador, libertador e gratificante. O meu marco referencial foi o Curso de Inverno na cidade de Araçatuba (SP), desse mesmo ano. 1998 a 2000 foi um triênio de uma travessia ímpar. Após me afastar literalmente dos trabalhos pastorais da Comunidade devido a questões familiares, em meados de 95 até 1996, meu retorno se deu com um convite para trabalhar com grupo de adolescentes. Fiquei pensativo por alguns dias antes de dar a resposta oficial mas, em meu coração, já havia um SIM. Eu só precisava mentalizar e fortalecer como que trabalharia e me dedicaria nesse projeto com os adolescentes.

Foi uma entrega maravilhosa, com muito amor e dedicação. O resultado foi o crescimento de um grupo de adolescentes repleto de sonhos, alegria contagiante, inquietos, questionadores e com um senso-crítico para lá de aguçado. Era o grupo ABC. Em um ano, esse grupo se tornou uma espécie de referência e havia muita procura de adolescentes de outras comunidades para fazer parte do ABC. Reabrimos o grupo mas foi necessário dividir. Vieram mais de 30 novos integrantes e formamos um "grupão", o que inviabilizava os trabalhos e a dinâmica de um grupo de base. Formamos então o segundo grupo, que ficou conhecido como grupo Águia.

De coordenador de 2 grupos de adolescentes, fui convidado a coordenar a PJ da minha comunidade que contava com 3 grupos de adolescentes e 3 grupos de jovens. Era o ano de 1999. No mesmo ano, assumi provisoriamente a coordenação da PJ Paroquial de Piraju e representava a Paróquia nas Coordenação Diocesana de Ourinhos (SP). Sendo a Diocese de Ourinhos ainda nova, e Piraju nomeada como uma das cidades "região", fiz o trabalho de conectar com as outras cidades que faziam parte da região Piraju. Através de cartas, telefonemas e visitas de carro (com dinheiro do próprio bolso), conseguimos contatar os representantes de cada cidade. 

Na Coordenação Diocesana fiquei como representante da Diocese para as assembleias do Sub-regional. Infelizmente não pude dar continuidade nessa caminhada, não da forma como gostaria. Com minha mudança para a capital paulista no ano de 2000, por conta de uma oportunidade profissional, precisei interromper esse projeto.

Em São Paulo, consegui contato com o querido amigo Pe. Raymundo Aristides, e participei de alguns encontros da Escola Bíblica que ele liderava na época. Foi uma experiência maravilhosa. 

Hoje, sou pai de dois meninos, Felipe e Joaquim, que são a minha razão de viver. Moro em Uberlândia (MG) desde 2009. Já participei do grupo de canto da comunidade Imaculada Conceição e até iniciei o projeto de um grupo de jovens no formato da PJ. Fiquei como coordenador durante 6 meses e depois passei a coordenação. Formado em Administração (1998), Teologia (2018) e atualmente cursando o 5º período de Psicologia, sinto cada vez mais que a educação, o estudo em si, é um dos meios mais potentes para contribuir para si e para o mundo no sentido de construir pontes, quebrar paradigmas, e libertar para a vida plena que cada ser humano tem direito e merece. Afinal, "estamos nesse mundo uns pelos outros", esse é o verdadeiro sentido dessa nossa travessia. E a PJ, até hoje reverbera aqui dentro questionamentos que me fazem parar, refletir e agir, com senso crítico, justiça e amor. 

PJ não foi um mero caminho. Muito menos ficou perdida no passado. Ela é, continua sendo, caminho, caminhada e travessia. Eternamente travessia.