terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Um dedo de prosa, um cheiro de rosa



Um dedo de prosa
Uma dose de café
Companhia para um silêncio sem destino
Uma gota de água da chuva que cai
Na inocente pétala, no deserto, da rosa 
Que não esconde seus espinhos no pé
Ora indecente, atrai com seu cheiro traquino
A companhia de um olhar que ao seu encontro vai

Rosas e prosas, espinhos ou carinhos
Nem melhor, nem pior
Nem futuro, nem passado
Nem de longe, nem ausente
Na solidão, um abraço pelo caminho
Pra reconectar o que há de melhor
E deixar os excessivos fardos de lado
E agarrar a alma de quem se faz presente

Sem luto pelo que morreu sem ter vivido
Do que plantou ausência não resta nem pó
Eu luto, a batalha, no aqui e no agora
Vivo a esperança no olhar que cativa
Não me importa mais o elo perdido
Nem quantas léguas eu andei só
Não me importa quantas guerras eu vivi lá fora
O que importa é quem está comigo na trincheira da vida

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Resenha - O Martelo das Feiticeiras


Essa obra retrata, logo em suas primeiras cinquenta páginas, o quanto a mulher tinha um maior papel de destaque e importância em outras épocas, e aborda sobre como o patriarcalismo foi tirando-a de seu protagonismo, deixando-a em segundo plano, e colocando o homem como centro de tudo, seja na sociedade, na família, na política e em especial nas questões de fé e nas religiões. Vale muito a pena essa leitura, sem contar que esse livro retrata como e porque muitas mulheres foram consideradas bruxas e, por tal, condenadas e sentenciadas às mais diversas penas de morte, como a fogueira, forca e outros mais atuais como o apedrejamento. Sendo tudo isso de responsabilidade da famosa "Santa Inquisição", ministério da igreja católica na idade antiga e média, e atualmente extinta. Em sua segunda parte, esse livro traz o manual da inquisição:  como reconhecer as consideradas bruxas, sentenciá-las e aplicar-lhes a pena devida.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Resenha - O velho que acordou menino


 

Rubem Alves é sinônimo de leveza, nostalgia, saudade, simplicidade e vida. Nesse livro ele faz uma verdadeira travessia pelas coisas de antigamente, com assuntos de família, fé, brincadeiras de criança, superação, curiosidades e muitos causos ouvidos e recontados. Uma leitura tão fácil quanto saborosa que nos remete a pensar e refletir sobre o quanto podemos ser felizes degustando da companhia dos que amamos. É nesse seio de amor, amizade e companheirismo que as histórias se tecem e se ajuntam ultrapassando gerações. Uma verdadeira colcha de retalhos de histórias vividas e que nos coloca como protagonistas em cada cena descrita.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Resenha - O universo tem uma queda pelos corajosos



Tenho certo receio com livros de auto ajuda porque quase não há nada de novo. Mudam as fórmulas de trocadilhos, alteram alguns verbos e no final a soma dos catetos é simplesmente igual a hipotenuza, e pronto. E ponto! 

Porém, tenho imenso respeito quando alguém tira um tempinho pra escolher um livro e me enviar. Mais carinho e admiração se essa pessoa já leu a obra e identificou frases, pensamentos, pontos importantes que considera me interessar. Dar um livro é dar um pouquinho de si, um pouquinho do que gostou, cativou, sentiu... É dividir o que está além de gestos e palavras.

Nessa obra, dois detalhes importantes a seguir: 
✓ Primeiro, achava que era mais um autor do tipo que surfa as ondas midiáticas com frases de efeito, estratégia muito usada por celebridades do colching (ismo) de impacto. Confesso que me enganei, "Wandy Luz" é escritora e jornalista. Já gostei demais. 
✓ Segundo, o conteúdo traz uma pegada artística, leve, fácil de degustar, devorar e compreender. Há retratos escritos de caminhos já percorridos pela autora e de outras que a precederam. Um verdadeiro resgate de auto estima ao ser humano e um olhar especial e dedicado às mulheres. 

Em suma, as linhas dessa obra são pinturas, versos sem rima, uma verdadeira poesia anunciadora, libertadora e protetora, capaz de dar notas, cores e atitudes transformadoras a quem assim se permitir.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Costuras, tempo e psicologias

Fonte: https://patchworkdasideias.blogspot.com/2011/08/patchwork-de-ideias.html

Chegamos aqui no acaso de uma travessia
Destinos de vidas forjadas na dor, na alegria
Protagonistas das lutas de nossas histórias
Presenças, ausências e sonhos em nossas memórias

Nascemos, crescemos, vivemos mas, nunca a sós
As dores do mundo não poupam a nenhum de nós
Recortes do tempo vivido se tornam retratos
Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Costuras são laços que a vida nos deu de presente 
Sentimentos de cores, tamanhos, formas diferentes
Lá fora perdura o que aqui se viveu de verdade
Assim escrevemos as linhas da nossa amizade

A vida tem ciclos, janelas, portas e passagens
Sentidos, perdidos, vividos com luta e coragem
Daqui ficarão as lembranças, nossas alegrias
Teatros, provas, relações: psicologias 

Aqui nesse mundo que só cultiva aparências
Mais caro e mais raro é quem mostra sua essência
Estamos aqui porque existe um sentido de fato
Somos uns pelos outros, cuidando e sendo cuidado

Enfim, não importa dinheiro, nem crença e origem
Mais certo que o certo é a morte, não escolhe roupagem
A terra é a mesma pra todos que a deitarão
Vivamos a vida, e que a morte não seja em vão

Direitos humanos pra humanos repletos de dor
Com pouco se faz quando a alma carrega o amor
Na luta dos que não tem voz somos resistência,
Esperança e mudança, uma chama de sobrevivência

Nascemos, crescemos, vivemos mas, nunca a sós
As dores do mundo não poupam a nenhum de nós
Recortes do tempo vivido se tornam retratos
Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos

Momentos, partilhas, amigos: colcha de retalhos