terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Resenha: Léo e Croods 2

Vejo a correlação entre assuntos, ou entre abordagens, ou entre ciências como uma verdadeira arte, seja para que se validem diante de suas convergências ou discorram nos contrapostos em suas divergências. Tudo pode se tonar um lixo ou um luxo, um descarte ou uma arte. E isso vai depender única e exclusivamente do olhar despojado de estereótipos mas enriquecido de sensibilidade. É coisa de alma que movimenta a carne.

Sem mergulhar nos detalhes das cenas de ambos os desenhos, deixo isso para quem ainda não assistiu de maneira intensa e que o faça sem ressalvas de ser feliz, tal qual a expectativa de uma criança, me proponho a focar apenas nas mensagens que tocaram de forma simples e profunda. Rubem Alves sempre traz a importância de enxergar o mundo pelo olhar inocente das crianças, que criam seus próprios mundos imaginários, de fantasias e são livres e felizes para realizarem seus maiores sonhos ali em suas brincadeiras. Que assim seja para todas e todos que se permitirem a percorrer esses desenhos.

Croods 2 é extremamente divertido e ressalta sempre, na maioria das cenas, a importância da união, da reciprocidade, do cuidado com os que amamos, e em especial sobre o estar não apenas sempre juntos mas unidos sempre. Para além dessa mensagem, algumas situações de relações entre pessoas e povos diferentes, preconceitos e até discriminação perpassam pela trama animada. Quando a ganância prejudica a natureza, tudo entra em desequilíbrio, o que só é restaurado diante da ajuda mútua, da cumplicidade, do respeito, da amizade e do amor. 

Leo é um lagarto quase octogenário que vive numa espécie de aquário sem água, ao lado de seu amigo tartaruga que também se encontra na terceira idade. Eles são parte integral de uma escola infantil e atualmente estão na sala da turma do quinto ano. Outros pequenos animais ficam em outras salas. Na necessidade da atual professora ser substituída, devido à sua gravidez avançada, uma outra professora, autoritária, com pedagogia arcaica e pouca paciência, assume a turma. Em dado momento, a professora substituta faz com que cada aluno leve um dos animais para sua casa no final de semana. Até então a relação criança e bichos era simplesmente natural. O lagarto foi o primeiro a ser escolhido e levado e é aí que começa toda a trama de fato. A interação do bichinho com as crianças se dá de forma didática, educativa e ele acaba sendo uma espécie de psicólogo para com cada um, inclusive com a própria professora substituta. 

A arte da correlação vem agora, no sentido de me permitir enxergar o quanto é importante e saudável cultivar boas relações que nos permite crescer, evoluir e voar, se preciso. Bons alicerces nos dão segurança para voos cada vez maiores, mais altos. Tudo o que não serve para nos libertar, corre o risco de nos oprimir. E é com essa leveza do olhar da criança que devemos sempre questionar os passos que deveremos dar, bem como nossas escolhas. Nada melhor do que a pureza e a sinceridade infantil para nos ajudar a nortear nosso caminho e nossa existência, para que não seja em vão. Permita-se viver! Permita-se à alegria de viver! Permita-se...

Um dedo de prosa, um cheiro de rosa



Um dedo de prosa
Uma dose de café
Companhia para um silêncio sem destino
Uma gota de água da chuva que cai
Na inocente pétala, no deserto, da rosa 
Que não esconde seus espinhos no pé
Ora indecente, atrai com seu cheiro traquino
A companhia de um olhar que ao seu encontro vai

Rosas e prosas, espinhos ou carinhos
Nem melhor, nem pior
Nem futuro, nem passado
Nem de longe, nem ausente
Na solidão, um abraço pelo caminho
Pra reconectar o que há de melhor
E deixar os excessivos fardos de lado
E agarrar a alma de quem se faz presente

Sem luto pelo que morreu sem ter vivido
Do que plantou ausência não resta nem pó
Eu luto, a batalha, no aqui e no agora
Vivo a esperança no olhar que cativa
Não me importa mais o elo perdido
Nem quantas léguas eu andei só
Não me importa quantas guerras eu vivi lá fora
O que importa é quem está comigo na trincheira da vida

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Resenha - O Martelo das Feiticeiras


Essa obra retrata, logo em suas primeiras cinquenta páginas, o quanto a mulher tinha um maior papel de destaque e importância em outras épocas, e aborda sobre como o patriarcalismo foi tirando-a de seu protagonismo, deixando-a em segundo plano, e colocando o homem como centro de tudo, seja na sociedade, na família, na política e em especial nas questões de fé e nas religiões. Vale muito a pena essa leitura, sem contar que esse livro retrata como e porque muitas mulheres foram consideradas bruxas e, por tal, condenadas e sentenciadas às mais diversas penas de morte, como a fogueira, forca e outros mais atuais como o apedrejamento. Sendo tudo isso de responsabilidade da famosa "Santa Inquisição", ministério da igreja católica na idade antiga e média, e atualmente extinta. Em sua segunda parte, esse livro traz o manual da inquisição:  como reconhecer as consideradas bruxas, sentenciá-las e aplicar-lhes a pena devida.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Resenha - O velho que acordou menino


 

Rubem Alves é sinônimo de leveza, nostalgia, saudade, simplicidade e vida. Nesse livro ele faz uma verdadeira travessia pelas coisas de antigamente, com assuntos de família, fé, brincadeiras de criança, superação, curiosidades e muitos causos ouvidos e recontados. Uma leitura tão fácil quanto saborosa que nos remete a pensar e refletir sobre o quanto podemos ser felizes degustando da companhia dos que amamos. É nesse seio de amor, amizade e companheirismo que as histórias se tecem e se ajuntam ultrapassando gerações. Uma verdadeira colcha de retalhos de histórias vividas e que nos coloca como protagonistas em cada cena descrita.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Resenha - O universo tem uma queda pelos corajosos



Tenho certo receio com livros de auto ajuda porque quase não há nada de novo. Mudam as fórmulas de trocadilhos, alteram alguns verbos e no final a soma dos catetos é simplesmente igual a hipotenuza, e pronto. E ponto! 

Porém, tenho imenso respeito quando alguém tira um tempinho pra escolher um livro e me enviar. Mais carinho e admiração se essa pessoa já leu a obra e identificou frases, pensamentos, pontos importantes que considera me interessar. Dar um livro é dar um pouquinho de si, um pouquinho do que gostou, cativou, sentiu... É dividir o que está além de gestos e palavras.

Nessa obra, dois detalhes importantes a seguir: 
✓ Primeiro, achava que era mais um autor do tipo que surfa as ondas midiáticas com frases de efeito, estratégia muito usada por celebridades do colching (ismo) de impacto. Confesso que me enganei, "Wandy Luz" é escritora e jornalista. Já gostei demais. 
✓ Segundo, o conteúdo traz uma pegada artística, leve, fácil de degustar, devorar e compreender. Há retratos escritos de caminhos já percorridos pela autora e de outras que a precederam. Um verdadeiro resgate de auto estima ao ser humano e um olhar especial e dedicado às mulheres. 

Em suma, as linhas dessa obra são pinturas, versos sem rima, uma verdadeira poesia anunciadora, libertadora e protetora, capaz de dar notas, cores e atitudes transformadoras a quem assim se permitir.