Sobre a brevitude do tempo, sobre a brevidade da vida, sobre
, em especial o que não deu certo. Porque é a partir da experiência do que não
deu certo, que construímos nossa base, solidificamos nossas estruturas e nos
fortalecemos para a vida. As experiências positivas são sempre colocadas num
quadro e mostradas, muitas vezes feito troféu. Já, o que não deu certo, e que
precisou ser ressignificado fica no calabouço do nosso íntimo e, vez ou outra,
abrimos a porta desse quartinho secreto e revisitamos o passado como quem vê um
álbum de fotografias, passando por algumas fotos de maneira rápida e noutras se
deleitando, nostalgiando, sentindo a emoção, a dor, a saudade, e o que de fato
causou sofrimento. Afinal é um quarto de despejo do nosso íntimo e que vez ou
outra requer uma visita, uma limpeza e um esvaziamento. Alguns fardos precisam
ser jogados para fora.
Último dia do ano, e lógico que paramos para repensar em
alguns passos dados, outros que poderiam ser evitados. Fazemos isso sempre, mas
parece que nessa data, final de ano, esse processo é mais intenso e a reflexão
alcança um passado mais distante. Somos seres que carrega marcas, histórias,
cicatrizes, etc.
Fato é que, fazendo nossa auto análise, sempre nos cobramos
mais e mais. Poxa! Poderia ter feito assim ou assado, poderia ter virado à
esquerda ao invés da direita, poderia ter parado, respirado e retornado até o
ponto inicial e quem sabe recomeçar de forma mais tranquila. Muitas vezes
focamos tanto na chegada ao topo da montanha que esquecemos de apreciar a
paisagem ao seu redor, em cada volta. Como disse Guimarães Rosa em Grande
Sertão Veredas, "A vida se dá é no meio da travessia". Entre começos, recomeços, partidas e chegadas,
é que tudo acontece. De que vale focar tanto no futuro se o presente está
passando despercebido, sem vida e sem a devida atenção?
De fato qual o sentido de tudo isso? Qual o sentido em
acordar, seguir as rotinas, dia após dia, nos relacionar, objetivar ganhos,
lucros e conquistas, se tudo acaba sendo tão passageiro? Voltemos à frase de
Guimarães Rosa: a vida se dá... E aproveito para uma frase que ouvi de um
grande sábio da vida: "nessa vida, nesse mundo, somos uns pelos
outros." Pode até soar como demagogia, e pode ser se assim você sentir.
Mas, ao contrário, para mim tem um valor grandioso, pois quem me disse não foi
nenhum filósofo renomado, nenhum doutor certificado, foi um simples carpinteiro
que me socorreu quando um cano de água estourou. Sendo vizinho, ele não quis me
cobrar pelo serviço, fora de hora e em dia de domingo. Mesmo forçando colocar
um valor no bolso de sua camisa ele apenas me disse essa frase que, com muito
carinho, levo para a vida. Esse é o sentido de tudo.
E é a partir das relações que criamos ao longo dos dias, dos
anos e do tempo que aprendemos o valor das coisas simples, como o de uma boa
amizade regada de grandes risadas, ou mesmo uma companhia para os momentos de
silêncio e solidão. Aprendi muito esse ano, descobri novas aptidões, fiz novas
amizades, desfiz algumas que considerei desnecessárias, uma vez a relação é como
um barco de dois remos, é impossível navegar pelo mar da vida remando sozinho. Você
gira em torno de si mesmo.
Faculdade e academia estão no topo da minha lista de grandes
realizações. Considero como essenciais para o meu dia a dia. Estar no ambiente
acadêmico é tão prazeroso quanto estar na academia malhando. Conhecemos pessoas,
construímos relações, nos identificamos com os gostos alheios, nos afastamos
quando não há empatia e, está tudo certo. Existem convergências e divergências
e, novamente, está tudo certo. Gostos são gostos, e cada um tem o seu, bem como
preferências de pensamentos, de comida, de time, etc. E ainda bem que existem
as diferenças na forma de pensar e de ser, pois imagina um mundo inteiro apenas
na cor cinza! Que caótico seria! Para além das divergências necessárias, o
respeito é tudo. Respeitar o gosto alheio, o espaço e as opções é o que nos
move para uma travessia mais completa, serena e em paz.
Se for olhar para o saldo, o meu em particular, penso que
foi mais baixo do que alto, mas considerando as relações construídas durante a
travessia de 2023, sinto que fui grandemente abençoado. E nesse último dia do
ano, deixo aqui os meus sinceros votos de felicidades, paz, sabedoria e amor.
Obrigado pelos momentos vividos, pelas palavras deixadas ao longo dos dias,
pela presença, pela companhia, pela empatia ou simplesmente pelo "bom
dia".
Obrigado amigxs da Performance!
Obrigado amigxs da Psicologia!
Obrigado amigxs das Tardes Leves!
Obrigado amigxs da Vida!
Obrigado meus filhos, sobrinhos, família!
Que venha 2024!