sexta-feira, 20 de maio de 2011

A fruta do topo



"... brotou, no topo daquela árvore, uma flor ...
enquanto que no restante dos galhos
já se carregava de pequenos frutos

Aquela flor permaneceu lá,
no mais alto dos ramos de seu galho,
desabrochando lentamente ...
Outra florada surgiu,
frutificou, amadureceu rapidamente,
algumas caíram e outras foram colhidas
Porém, nenhuma atingiu o ápice de sua doçura
todas estavam rápidas demais
por sua época, em seu tempo
Não conseguiram o necessário
para seu amadurecimento ...
Aquela flor, continuava lá, no topo,
a se desenvolver pausadamente
transformando-se em fruto
e se formando com tudo o que precisava
para sua beleza e seu sabor.
A segunda temporada findou-se
Mas aquela fruta, continuava ainda
amadurecendo e atingindo 
sua cor, seu tamanho, seu mel ...
Fora a única, que realmente,
aconteceu em seu tempo propício
Duas temporadas surgiram antes,
porém, rápidas demais
e sem os nutrientes necessários
Esta fruta foi degustada
em seu momento certo
em seu pleno sabor
sua cor exuberante transparecia seu conteúdo
E assim aconteceu ...
Muitas vezes, não vivemos o verdadeiro
momento de nossas vidas
Aceleramos um desenvolvimento intelectual
e esquecemos de desenvolver outros:
emocional, espiritual ...
Importamos com o mundo e esquecemos de nós
esquecemos até de Deus ...
O seu momento certo é aquele que só vc sabe ...
como também sabe
quando o momento é errado, está errado ...
As influências do mundo
nos levam para uma vida sem regras
apressada, agitada, superficial,
sem o mel ...
Raros são os que se guardam,
se preservam, se nutrem
para uma vida única e dígna,
de graça, beleza, harmonia e amor.
Deixe seu mel acontecer
em seu verdadeiro momento,
com muito sonho, fé e luta."

Ailton Domingues de Oliveira

Colcha de Retalhos



"Aos amigos,
Elos de minha história
A vocês, com vocês, meus momentos de glória
Flores do jardim de minha vida
Não importa minha poesia nostálgica
Importa, seu significado, você,  para mim
Não importa quanto tempo dure esta vida
Importa os momentos que dividimos em vida
Não importa o que sou, o que sei
Importa que vos admiro pelo que és
Importa que cruzamos nosso caminhos
Em determinado ponto da história
E a formamos como uma Colcha de Retalhos
Assim, é a nossa história de amizade
Quão é bom rever a cada um
Desde os que estão mais longes aos que encontramos com mais freqüência
A essência da amizade, diferença que faz-nos admirar uns aos outros...
Deus que nos une: laços eternos, laços de amor, laço de Deus.
Não escolhemos quem entra, mas decidimos quem fica.
Não sei quanto tempo ainda existe da tinta da vida
Mas sei que sou feliz, por ter nos jardim da vida, tantas flores...
Deus, me agraciou com tantos amigos queridos.
A solidão em terra distante levou-me às mais belas reflexões
Sobre o tempo, a vida, Deus.
A saudade nos faz caminhar pelas linhas de um simples caderno
Como se fosse o paraíso da natureza mais belo e jamais visto
Em cada rosto uma história, em cada olhar uma dádiva
E assim, nossa colcha de retalhos cresce
Na perfeição da disformidade e da irregularidade.
Isso é o que há de puro e lindo.
Amigos, antes mesmo de ser família, somos amigos.
E há amigos que são mais queridos que irmãos.
Não busquei a atenção para o ego
Não busquei a fama com os desconhecidos
Tentei apenas cuidar da semente outrora plantada
Tentei ser algo diferente na vida dos que admiro...
Importa apenas a cada um, saber que estou aqui, agora,
Pensando em cada olhar
Importa a vós, saber, que penso não só no que fomos, mas
O que cultivamos em cada reencontro ou em cada palavra escrita
Não busquei aplausos
Busquei apenas a essência de nossa amizade
E o reconhecimento dela ainda em vida.
Se realmente somos responsáveis pelo o que cativamos, então, que seja em vida...
O tempo, a vida, Deus: Saudades, os amigos, a costura.
O elo de nossa história ...
Saudades, amigos, saudades..."




Amigos e amigas, sempre presentes nas linhas da história da vida.


Poesia para minhas mães no céu


“É difícil demais a falta que você me faz
Tua presença distante, tão bela e importante
É difícil demais a dor pela saudade provocada
Inconsolável tristeza pela tua voz amparada

Após a dor, teu nome é o remédio
O teu amor me abrange e cura todo o tédio
No desespero eu te chamo a socorrer-me
Quando de cara no chão te gritava a levantar-me

Tua mão que ostentou os primeiros passos
Teu calor que me ensinou o valor de um abraço
Tua voz em cada tom de palavra entoada
O que se podia e o que se devia, me norteava

É difícil demais viver sem te ter presente
Imaginar os teus gestos e senti-los ausentes
É difícil demais viver só com tua lembrança
Imaginar-te correndo atrás de mim, sua eterna criança

É difícil demais a vida sem o seu toque colorido
Tornou-se um caminhar solitário e sofrido
Agarrei-me no que pude, diante de suas lições, que ora ganhei
Tornei-me os seus olhos e sua esperança nas terras que desbravei

Mãe: remédio, esperança, confiança, alegria...
Aos homens o título de herói...
Em vocês, na personificação de Maria,
A consagração com o título de guerreira

Mães do céu e da terra
De nossa comunidade e de nossa cidade
Do Brasil e do mundo
O nosso muito obrigado
Por ser, simplesmente tudo, nossa mãe!”

Dedico esta poesia às minhas avós Iolanda e Aparecida que tanto me ensinaram com sua humildade e simplicidade, bem como a todas as mães que hoje não fazem parte deste mundo.

Ailton Domingues de Oliveira

08/05/11

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Máscaras maquiadas II: "Você nunca se divertiu tanto, palhaço!"

“A promessa é a mesma de ontem, do passado, de todas as que já aconteceram: diversão em doses altas de prazer absoluto.
A regra é única: sobreviva! Por favor, volte vivo pra casa, para que a imagem do evento não seja denegrida.
Dizem que não há nada de uso proibido, mas quem volta confere os absurdos lá considerados normais.
A grana que rola antes, durante e depois é exorbitante. Empresas e empresários se enriquecem às custas dos otários.
Nas sombras e escombros dessa orgia maquiada o olhar satânico do palhaço, ou, melhor dizendo de um diabo mascarado de palhaço...
Seu olhar denuncia o que vai rolar: tudo! Tudo o que é proibido nas asas da lei. Óbvio que, como a maquiagem do palhaço, a liberação ocorre da mesma forma: maquiada, camuflada.
O palhaço ri ironicamente. Hesita e debocha de quem se ilude.
Uma imagem enigmática que sabe ousar e convidar sem dizer nada.
A fama dos fatos é quente.
Muita gente, muita adrenalina, muita liberdade, ou melhor dizendo, ausência de regras, pois se as têm são supervisionadas em vistas grossas.
Seja feliz! Divirta-se, palhaço!
Mas, cuidado, o palhaço eterno ainda é você!”


“Cada vez mais as gerações evoluem sem senso-crítico. Romper as barreiras das regras da sociedade, da religião, da lei, enfim do certo, é uma excitação instalada na cabeça de muitos jovens, independente de sua classe social. Busca-se o prazer sem pensar nos meios para alcançá-los. Evoluem as máquinas, a tecnologia, e cada vez mais as pessoas mergulham em antidepressivos. O mundo é um chamariz a céu aberto. Procure o que quiser e encontrará... Plante o que quiser e nascerá... Porém, o fruto de cada escolha poderá ser doce ou amargo e essa será sua obrigação eterna: um peso ou uma dádiva.”

Veja também: “Máscaras Maquiadas”

Ailton Domingues de Oliveira

19/05/11

domingo, 1 de maio de 2011

Um sonho, uma atitude. Quente ou frio, morno jamais!

            “A visão era de dentro do castelo. Observava por uma sacada. Numa região montanhosa, as pessoas viviam ao redor daquela fortaleza exuberante.
            O comandante de tudo, de toda a ordem e caos, do povo, raças e religiões, naquela ocasião, nem mais e nem menos que Hitler. Adolf Hitler.
            Num instante ele aparece numa sacada e diante de um microfone faz um anúncio a todo o povo.  Um povo humilde e que de certa forma era obrigado a obedecer ao comandante.
            O comandante assim falava: ‘Povo, aqui é o seu senhor e o seu pastor que vos fala...’ Neste instante todos largaram os seus afazeres e saíram às ruas. Celebrações religiosas, comércios, residências, enfim, tudo foi interrompido.
            O som era repercutido por todo o povoado. Num simples anúncio, todos eram capazes de ouvir.
            O comandante preparava uma emboscada ao povo. Queria exterminar aquela raça. Preservaria alguns somente e todos os que viviam em seu castelo.
            Eu, neste momento, estava no castelo e sabendo de toda aquela intenção sentia-me mal. Vi os soldados, ao comando de Hitler, preparem-se para uma grande batalha, o extermínio.
Tinha em minhas mãos a chance de ajuntar-me ao povo, o que considerava correto a se fazer, e correr o risco de ser exterminado com ele, por ser um opositor da ordem; ou juntar-me à tirania de Hitler e fazer parte do seu quadro de soldados sanguinários.
Suas armaduras eram de ferro. Empunhavam lanças e usavam máscaras. Suas costas eram largas...
Minha consciência fazia-me sair daquele castelo urgentemente. Encontrava-me a sós com meu pensamento. Sentia-me cobrado por ela.
Decidido eu estava a sair dali e correr todo o risco necessário, porém, o sonho acabou e ficou o pensamento no ar... Este foi apenas um sonho.
De volta à vida real, no dia seguinte após o sonho, tomei todas as decisões que por ora encontravam-se pendentes, em cima do muro... Morno jamais!”

"Este escrito se refere a um sonho... Cheguei a comentar com um amigo, Pe. Diogo. 'Na bíblia, muitas revelações foram através de sonhos', disse ele. Para mim, foi mais que uma revelação, foi uma lição. Sempre temos a opção, diante das situações da vida, de optar por um caminho ou outro. Jamais podemos permanecer na indecisão. Justamente nesse período, haviam decisões práticas a serem tomadas. O sonho foi a motivação..."

Ailton Domingues de Oliveira

01/05/11