segunda-feira, 9 de julho de 2012

Não aprendi dizer adeus


Momentos dos mais difíceis de se entender e superar. Na verdade não se entende nem se supera. Acostuma-se com a dor da ausência. O primeiro se deu com meu avô Joaquim. Nunca imaginamos que um dia assistiremos à partida dos que amamos, sem nada poder fazer, mesmo que esse seja o destino certo de quem nasce. Eu ainda fazia faculdade. Na manhã, de sábado, se não me engano, chamamos um dos médicos mais antigos da cidade. Em sua deixa já percebia que o estado era grave e que nada, a não ser a fé poderia mudar o que estaria por vir... "Rezem e peçam a Deus..." foram suas palavras de consolo. O fim da tarde se achegou. Eu estava fora da casa da minha avó, onde meu avô transpirava em leito. Uma angústia e ansiedade me consumiram num repente e logo voltei para casa. Chego no mesmo instante em que alguns parentes de São Paulo chegavam, inclusive uma prima querida. Na casa, todos estavam em prantos e meu avô fora levado às pressas ao hospital. Corri, juntamente com minha prima, e ainda consegui presenciar o médico fazendo a massagem em seu peito... ele já sem cor... seu braço pendurado na maca... cena cravada no corpo e na alma... Logo o médico chamou a família e nos deu a notícia...


Um segundo momento, foi a morte de minha avó Iolanda, esposa do meu avô Joaquim. Eu estava em São Paulo, capital, e fui para Piraju. Minha avó clamava de uma forte dor no braço. Naquela noite dormi ao seu lado, em sua cama. Ela tomou uma injeção de analgésico e mesmo assim o silêncio da noite foi quebrado por seus gemidos de dor. Na tarde de domingo a levamos ao pronto socorro. O médico aplicou uma injeção de cortisona. Voltamos para casa e eu para a capital. Durante a semana ela foi internada e no final de semana próximo retornei ao interior. Foi um susto quando me deparei com ela no leito do hospital, inchada, e variando entre delírios de febre, mal-estar e dor. Não contive a emoção, nem se quer consegui me aproximar dela... Só falei, para que ouvisse minha voz, que eu estava ali. Aos poucos fui adquirindo forças e passei esta noite com ela... No dia seguinte ela fora transferida para a UTI. Trocamos de médico e ele nos reanimou e nos esperançou. "Peçam a Deus! Rezem! Eu aqui, farei o possível para curá-la..." Nesta tarde de domingo, retornei para a capital mais uma vez e, na manhã de terça, meu primo me chama em sua casa... ninguém me dera a notícia... Mesmo assim, já havia entendido aquilo que para mim jamais poderia ter acontecido. "O milagre não se deu como eu pedi."


O terceiro, aconteceu com minha avó Cida, mãe do meu pai. Agora eu estava em Uberlândia, meu primo me liga e muito triste quase não conseguiu falar nada. Nossa avó estava muito mal e precisávamos ir para  o interior. Tomei um avião até a capital onde esse primo me esperaria, mas devido à forte chuva, o percurso foi mudado e foi um atraso geral. Chegando em São Paulo, meu pai me ligou dizendo que nada mais poderia ser feito... nossa avó já não mais estava entre nós. O que mais foi comovente nisso tudo, além de não ter tido tempo de despedir-me dela, foi  quando reencontrei meu avô no velório... Ao me ver, ele chorou muito e tentava me contar, entre lágrimas de desespero, que na noite que antecedeu à morte, ela chamava meu nome, para que eu fosse para perto...

O quarto fato se deu com a morte do meu avô Dito. Era assim que o chamávamos com respeito e carinho: Vô Dito. Após a morte da Vó Cida, ele se superou e nos surpreendeu. Era um senhor que não arredava o pé de casa para nada. No entanto, revirou sua vida. Um dia após a morte da minha avó ele já se manifestou em organizar as roupinhas dela e doar. Guardou fotos e coisas importantes. Achei uma graça e um exemplo. Logo meu pai e sua esposa foram morar e cuidar dele. Passado algum tempo, mudaram de casa. Ele estava muito feliz. Se cuidava tomando todos os seus remédios nos horários determinados pelo médico. Um certo dia, após meu pai me dar notícias que meu avô estava na UTI, num imenso susto liguei para o meu primo e dessa vez as lágrimas foram minhas. Fui direto pro interior juntamente com minha irmã. Não queria que acontecesse como foi com minha avó, sem tempo... Chego à cidade, fui direto ao hospital e o visitei na UTI. Ele se emocionou ao me ver e eu mais ainda... "Você veio?" indagou ele com a voz embargada. Bom, ele se recuperou e voltou pra casa e eu com minha irmã para a capital. Na segunda-feira ele retorna ao hospital e na terça veio a falecer...

Não aprendi dizer adeus... Queremos estar sempre perto de todos que amamos, que conhecemos e gostamos, que nos identificamos, que criamos vínculos para que com nossa presença consigamos de alguma maneira super-protegê-los... Acostumar-se com a ideia de partida final é algo que, por mais que seja o leito natural, o coração não se adequa a este fim. Cada partida e ou despedida é dolorosa, é triste, é única. O tempo nos possibilita escrever uma única vez em sua linha. Passamos a maior parte do tempo correndo contra ele e atrás de objetivos e metas, de remunerações e bem-estar, e no fim, somos consumidos em gotas homeopáticas por este mesmo tempo. Corremos em busca de um vazio que só enxergaremos quando tivermos tempo para refletir. Viver é contrapor-se. Não aprendi dizer adeus aos que amo. Essa é uma dor constante que se transforma em lição diária para que eu não seja jamais refém da corrida em vão.


Ailton Domingues de Oliveira
09/07/12

Ilha Misteriosa...

"Eu?! Não! Não sou poeta nem cantor
Faço o que faço apenas por amor
Embutido nas entrelinhas das emoções
Na simplicidade complexa das razões
E na insensata sensatez das paixões

Na pintura das letras, o retrato
Do sonho, do Céu, do abstrato e do fato
A diversidade contida no sentimento
A eclética, única e mista, no vento de cada momento
A calmaria, a fúria, coragem e medo, num só tempo

Rasgo o silêncio, e grito à inércia, e arrebento barreiras no peito
A resposta vem de cima, quando o medo assola e me prostra ao leito
Minha armadura não é frágil, mas reconheço meus vacilos
Minha consciência é juíza, meus olhos são vilões, meu coração é réu, caço o meu objetivo e fim, agora tranquilo
Meu corpo reluta, meus pés não descansam, meu punhos cerrados disputam para vencer o aquilo

Eu, não buscarei os centavos, a riqueza
Faço da vida, dádiva, uma proeza
Desencanto de mim e me rendo ao belo, à sabedoria
Encontro fascínio na simplicidade, verdadeira alegria
Livro-me de máscaras sociais, euforia e hipocrisia

No coração de menino, alma de guerreiro
Sangue latino, disfarce de aventureiro
Busco a compreensão nos incompreendidos
A lágrima escorrida dos sofridos
E a face divina de Cristo nos excluídos..."


Ailton Domingues de Oliveira
08/07/12

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Poemas ao TIMÃO!!!






(06/07/12)
‎"Semana vencida,
Sofrida, mas vitoriosa
Com sabor de esperança,
De expectativa, de mudança,
De dissabor mas também de troféu!
Salve, salve, Gaviões da Fiel!!!"






O dia após o jogo: 05/07/12.
‎"Hoje eu vou tomar um porre
Não me socorre, eu to feliz!
Hoje eu to legal, tantão
O meu Timão é campeão!!!
Aos meus rivais amigos





Cantem comigo, um novo hino
Secaram muito mas só deu sorte
Chorem bastante com os argentinos!!!"
Buenas tardes los amigos brasileños!!!!
Aqui quem posta é um torcedor CAMPEÃO,
E muuuuuuuuuuito feliz!!!!






‎"Paiêêêêêêê!!!
Eu sei que vc é verde-branco,
Tem um porquinho de mascote
Mas desculpa aí,
Essa não dá pra segurar:
É nóis mano véi!!!"





‎"Hoje eu tô inspirado
Vou botar fogo na bomba
Jogar pedra em avião
Porque a noite de ontem
Só deu o grandioso TIMÃO!!!"






"Hoje minha poesia
Não tem nostalgia
Só tem alegria
Sabor de vitória
Com honra e glória
Quero viajar lá pro céu
Com muito orgulho pra delírio da Fiel!!!
Salve o CORINTHIANS!!!"


"Hoje eu tô maluco
Eu fui sofredor
Mas hoje eu tô maluco
Maluco com a vitória em sabor
E hoje eu não tô nem aí
Pra nenhum tipo de torcida contra
Porque hoje eu tô maluco de suor e de amor
PELO TODO PODEROSO TIMÃO!!!
MORRAM DE INVEJA, ARGENTINOS DE PLANTÃO!!!"


‎"Ontem foi noite de gala
O Timão não se fez grande
Ele adentrou a arena
'Gigante por sua própria natureza'!!!
Aquilo foi gana, foi raça
Não foi de graça,
Foi amor e suor
Foi lágrima
Grito entalado
Nó na garganta!!!
Foi lindo, foi Timão,
São Jorge acabou com o dragão..."


"AÊ NAÇÃO CORINTHIANA!!!
SALVE A SELEÇÃO ALVINEGRA!!!!!!!!!
2 X 0 PRA NINGUÉM BOTAR DEFEITO!!!
VITÓRIA COM HONRAS E GLÓRIAS!!!
 VAMO SE ACHEGANDO MEU POVO QUE A FESTA É TRIPLICADA!!! "


"CADÊ TODO MUNDO???
CADÊ OS PORQUINHOS???
CADÊ OS PÓ-DE-ARROZ???
CADÊ A SARDINHA DE SANTOS???
CADÊ OS SEM TIME, OS CAMALEÃO
QUE TROCAM DE CAMISA A CADA JOGO DO TIMÃO??? CHUPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!"


Às vésperas do jogo: 04/07/12
"AÊ NAÇÃO CORINTHIANA!!! MUITO PENSAMENTO POSITIVO!!! OTIMISMO!!! FÉ!!!
ÂNIMO E GARRA NA HORA DESSE JOGÃO!!! HOJE SOMOS PROTAGONISTAS DESSA NOVA HISTÓRIA!!!"
SÃO JORGE, ROGAI POR TOOOOOOOOODOS NÓS!!!
ATÉ AMANHÃ GALERA E SE DEUS QUISER COM MUITO SORRISO PRA COMPARTILHAR!!!




Ailton Domingues de Oliveira

(06/07/12)

E, no final das contas...


"E, no final das contas
Entendi que bons escritos não precisam ser longos,
Que boas roupas não precisam de etiquetas,
Que a simplicidade esconde a sabedoria dos hipócritas,
Que a amizade verdadeira perdura no tempo e no espaço

E neste mesmo cenário
Aprendi a ser filho com meu filho
A ser forte ao ponto de soltar lágrimas diante das tristezas
A disfarçar a emoção e a ansiedade
A conter a dor da derrota quando o solo me palpava a face

E neste mesmo tom
Mostrei gana e garra e afugentei medos
Construí muralhas contra os adversários
Joguei o jogo da insensatez
Corri o risco, perdi, mas também venci

E nesta mesma nostalgia
Esculpi sonhos diante dos fracassos
Me assegurei na fé quando tudo se perdia
Fiz boa luta contra meu perseguidor egocêntrico e solitário eu
Cultivei flores entre pedras pelo caminho

E também neste silêncio
Quando o grito contido e intimidado gemia
Fiz abrigo no relento, no orvalho e no vento
Quando parecia forte, estava quebrado
E quando parecia derrotado, era apenas o recomeço

E, não pudera faltar, neste insensato tempo
Inimigo da vida e registro infinito da história e da memória
Meu espelho, minha brisa, e meu sonho
Em passado, presente e futuro
Corre comigo, contra mim, e as vezes a favor

E no final das contas
Vivo incessantemente como se fosse por uma segunda vez
Como se os Céus me agraciaram essa chance
E me esforço para que os vacilos não se repitam ou nem aconteçam
Porque no final de tudo, não restará nada

E neste mesmo adversário final
A maior luta será contra o meu próprio eu
Tolo, devaneio, frágil, medroso
Que se transforma no que há de precisar e ser
Homem, criança, esperança, fé, coragem..."

Ailton Domingues de Oliveira
06/07/12

O silêncio e a brisa: sussurro de Deus.

"Tem coisas que passam na vida da gente feito cometa, outras feito furacão, ou ainda como um tsunami. Creio que tudo marca, algumas mais a fundo, outras superficial, mas, de qualquer forma sempre deixam marcas.

As vezes, quando a brisa da calmaria chega, de tão aflitos ou dispersos ou ansiosos que estamos, acabamos por não senti-la.

Hoje é um dia daqueles em que a sensibilidade está à espera apenas de uma brisa. Nada turbulento, ao contrário, o silêncio como expectativa e resposta ao pé do ouvido nessa brisa que Deus sussurra."

Ailton Domingues de Oliveira
06/07/12